terça-feira, 12 de setembro de 2017

TEXTO: NÃO DESPERTEMOS OS LEITORES - MÁRIO QUINTANA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

 NÃO DESPERTEMOS OS LEITORES

        Os leitores são, por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo.

        Autor que os queira conservar não deve ministrar-lhes o mínimo susto. Apenas as eternas frases feitas.

        "A vida é um fardo" - isto, por exemplo, pode-se repetir sempre. E acrescentar impunemente: "disse Bias". Bias não faz mal a ninguém, como aliás os outros seis sábios da Grécia, pois todos os sete, como há vinte séculos já se queixava Plutarco, eram uns verdadeiros chatos. Isto para ele, Plutarco. Mas, para o grego comum da época, deviam ser a delícia e a tábua de salvação das conversas.
        Pois não é mesmo tão bom falar e pensar sem esforço? O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições. Ninguém é levado a sério com ideias originais.
        Já não é a primeira vez, por exemplo, que um figurão qualquer declara em entrevista:

        "O Brasil não fugirá ao seu destino histórico!"

        O êxito da tirada, a julgar pelo destaque que lhe dá a imprensa, é sempre infalível, embora o leitor semidesperto possa desconfiar que isso não quer dizer coisa alguma, pois nada foge mesmo ao seu destino histórico, seja um Império que desaba ou uma barata esmagada.

(QUINTANA, Mário. Prosa & Verso. 6. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 87)

1. Defina, com suas palavras, um leitor dorminhoco.
      O leitor dorminhoco é aquele que lê, mas não faz uma reflexão da leitura para saber se o que ele leu está certo ou errado, tem preguiça de raciocinar. O Texto "Não despertemos o leitor", é um texto dissertativo, pois segundo consulta ao livro de Othon Moacir Garcia Comunicação e Prosa Moderna 26 ed.

2. Como você se classificaria: um leitor dorminhoco, um leitor semidesperto ou um leitor atento? Justifique.
      O leitor dorminhoco lê, mas não interpreta o que leu.

      O leitor semidesperto lê desconfia que tem algo errado mas não se importa.

      O leitor atento lê e pesquisa para ver se o que leu é verdade.

3. Plutarco poderia se considerar um grego comum? Por quê? 
      Não. Porque Plutarco achava que os sete sábios eram chatos.

4. Por que os sete sábios da Grécia deviam ser a tábua de salvação das conversas?

      Eles tinham grande prestígio e influência entre os seus contemporâneos, e eram dotados de tamanha sabedoria que alguns de seus ensinamentos foram inscritos nas paredes do templo de Apolo, em Delfos.

5. Uma das técnicas da dissertação consiste na citação de um "argumento de autoridade", ou seja, o testemunho ou a citação de uma pessoa de competência reconhecida sobre determinado assunto. Como Mário Quintana ironiza essa técnica?
     Que conhecimento não faz mal a ninguém, e que o Brasil é historicamente feito por pessoas que são dispersas a leitura e que nada significa para ele.

6. Caetano Veloso, na letra Sampa, afirma o seguinte: "Á mente apavora o que ainda não é mesmo velho". Que trecho do texto apresenta opinião semelhante?
      "Autor que os queira conservar não deve ministra-lhes o mínimo susto."

7. Qual a diferença de postura entre o leitor dorminhoco, o leitor semidesperto e o leitor atento em relação à frase: " O Brasil não fugirá ao seu destino histórico"?
      O leitor dorminhoco: lê, sem prestar atenção e não interpreta o que leu.
      O leitor semidesperto: lê desconfia que tem algo errado mas não tem curiosidade de aprofundar o seu conhecimento, se acomoda;

      O leitor atento: lê, pesquisa, relacionar os fatos para ver se o que leu é verdade.

       

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