quarta-feira, 31 de outubro de 2018

MÚSICA: PECADINHOS - COMPOSIÇÃO ZECA BALEIRO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Música: Pecadinhos
                           Ceumar

Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo
Tende piedade dos pecadinhos
Que de tão pequenininhos não fazem mal a ninguém

Perdoai nossas faltas
Quando falta o carinho
Quando flores nos faltam
Quando sobram espinhos

Eu que vivo na flauta
Vivo tão pianinho
Vou virar astronauta
Pra aprender o caminho
                                                      Composição: Zeca Baleiro
Entendendo a canção:
01 – Quem é o compositor da canção “Pecadinhos”?
      Foi composta por Zeca Baleiro.

02 – Qual é o pedido que o autor faz ao Cordeiro de Deus?
      Para que tenha Piedade dos pecadinhos.

03 – Por que ele faz esse pedido?
      Porque são tão pequenininhos não fazem mal a ninguém.     
 
04 – Qual é o sentido de faltas, no primeiro verso, e de falta, no segundo?
      Faltas: pecados, falhas.
      Falta: deixa de haver, desaparece.

05 – Que relação a estrofe sugere entre os dois sentidos de falta? Explique-a.
      Nos momentos difíceis (em que faltam flores e sobram espinhos), a probabilidade de que se cometam pecados ou faltas é maior, daí o pedido de perdão.

06 – O verbo faltar foi flexionado em número: falta (singular) e faltam (plural). Que marca, em falta, revela a flexão de número?
      Em falta não há marca – e é justamente a ausência de marca que caracteriza o singular. Em faltam, o –m final caracteriza o plural.

07 – Que marca, no substantivo faltas, mostra que ele está no plural?
      O –s final.

POESIA: CASA - ELZA BEATRIZ - COM GABARITO


Poesia: Casa







UMA CASA SÃO PAREDES,
TELHADOS, PORTAS, JANELAS,
FUMAÇA DE FOGO ACESO,
CHEIRINHO BOM NAS PANELAS.
                                  
 ELZA BEATRIZ. “PARE NO P DA POESIA. VIGÍLIA.
Entendendo a poesia:
01 – Qual o título da poesia?
      Casa.

02 – Você mora em uma casa ou apartamento?
      Resposta pessoal do aluno.

03 – Qual o cantinho de seu lar onde você mais gosta de ficar? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

04 – Quantos cômodos tem sua casa?
      Resposta pessoal do aluno.

05 – Você gosta de sua casa do jeitinho que ela está? por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Se você pudesse mudar alguma coisa em sua casa, o que mudaria?
      Resposta pessoal do aluno.



FÁBULA: O RATO E A RATOEIRA - ESOPO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Fábula: O Rato e a Ratoeira

        Numa planície da Ática, perto de Atenas, morava um fazendeiro com sua mulher; ele tinha vários tipos de cultivares, assim como: oliva, grão de bico, lentilha, vinha, cevada e trigo. Ele armazenava tudo num paiol dentro de casa, quando notou que seus cereais e leguminosas, estavam sendo devoradas pelo rato. O velho fazendeiro foi a Atenas vender partes de suas cultivares e aproveitou para comprar uma ratoeira. Quando chegou em casa, adivinha quem estava espreitando?
        Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. 
        Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. 
        Correu para a esplanada da fazenda advertindo a todos: 
        --- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa !!
        A galinha disse: 
        --- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
        O rato foi até o porco e disse: 
        --- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
        --- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações.
        O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse: 
        --- O que? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
        Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. 
        A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. 
        No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro chamou imediatamente o médico, que avaliou a situação da esposa e disse: sua mulher está com muita febre e corre perigo.
        Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. 
        Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. 
        Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. 
        A mulher não melhorou e acabou morrendo. 
        Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo. 
        Moral: “Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”
                                                                                     Fábula Esopo
Entendendo a fábula:

01 – A fábula que você leu tem o objetivo de produzir a reflexão sobre alguns sentimentos e valores que os seres humanos devem preservar. Dentre outros, podemos destacar:
(A) a solidariedade
(B) a verdade
(C) a honestidade
(D) a beleza

02 – O rato ficou aterrorizado ao ver a ratoeira porque:
(A) a ratoeira estava desarmada.
(B) sentiu-se ameaçado.
(C) a mulher do fazendeiro corria perigo.
(D) era muito medroso.

03 – Ao sair correndo avisando os outros animais da existência de uma ratoeira na fazenda, o rato pretendia:
(A) Receber a ajuda dos amigos para se desfazer da perigosa armadilha.
(B) espalhar um boato.
(C) se divertir com a reação dos amigos.
(D) assustar os companheiros.

04 – Podemos classificar a reação da galinha, do porco e da vaca como uma atitude:
(A) amigável
(B) preconceituosa
(C) justa
(D) egoísta

05 – O rato voltou para casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro porque além da preocupação inicial:
(A) suspeitava que talvez houvesse cobras na fazenda.
(B) sabia que estava condenado à morte
(C) estava muito decepcionado com a atitude dos companheiros.
(D) tinha medo da mulher do fazendeiro.

06 – Assinale V ou F: “A moral da história ensina que…
(A) (V) numa comunidade deve existir amizade, solidariedade e união entre as pessoas.”
B. (F) o problema do outro não nos diz respeito.”
C. (V) ignorar um pedido de ajuda pode nos ser fatal.”
D. (F) as pessoas não dependem umas das outras.”
E. (V) o amor ao próximo deve manifestar-se em atitudes práticas.”
F. (V) a vida pode nos punir pela nossa indiferença às necessidades do próximo.”
G. (F) cada um deve pensar apenas em si mesmo.”
H. (V) o bem estar dos membros de uma comunidade deve ser um objetivo comum.”

07 – Responda:
a) Quando ouvirmos alguém dizer que está diante de um problema, qual deve ser a nossa atitude?
      Procurar ajudar a pessoa a resolver seu problema.

b) Pra você de que maneira podemos demonstrar o amor ao próximo?
      Resposta pessoal do aluno.
     


CRÔNICA: O NOME DAS COISAS (FRAGMENTO) MARIO PRATA - COM QUESTÕES GABARITADAS


Crônica: O nome das coisas (Fragmento)
                    
                  Mario Prata

        Outro dia fui comprar um abajur. A mocinha me olhou e perguntou:
        -- Luminária?
        Eu olhei em volta, tinha uma porção de abajur. Não, abajur mesmo, eu disse.
        -- De teto?
        Fiquei olhando meio pasmo para a vendedora, para o teto, para a rua. Ou eu estava muito velho ou ela estava muito nova. No meu tempo - e isso faz pouco tempo -, o abajur a gente punha no criado-mudo, na mesinha da sala. E lá em cima era lustre.
        -- Lustre?
        Descobri que agora é tudo luminária. Passou por spot, virou luminária. Pra mim isso é pior que bandeirinha virar auxiliar de arbitragem e passe (no futebol) chamar-se - agora - assistência.
        Quem são os idiotas que ficam o dia inteiro pensando nessas coisas? Mudar o nome das coisas? Por que eles não mudam o próprio nome? A mocinha-da-luminária, por exemplo, se chamava Mariclaire. Desconfio até que já tivesse mudado de nome.
        Pra que mudar o nome das coisas? Eu moro numa rua que se chama Rodovia Tertuliano de Brito Xavier. Sabe como se chamava antes?

                                      Mario Prata. O Estado de São Paulo, 19 jun. 2002.
Entendendo a crônica:
01 – Que situação serve de ponto de partida para essa crônica?
      Uma compra em uma loja de luminárias.

02 – A partir dessa situação, de que assunto trata o cronista?
      O cronista trata da transformação e mudança das palavras, ao longo do tempo.

03 – Por que o comprador e a vendedora não se entendiam? O que prova esse fato, no texto?
      Porque conheciam os objetos por nomes diferentes, provavelmente porque têm idades diferentes e são de épocas diferentes. O cronista estranhou a palavra luminária, e a vendedora desconhecia as palavras abajur e lustre.

04 – A data que aparece em alguns verbetes indica a época em que a palavra começou a ser usada na língua portuguesa. O atual nome dos abajures e lustres é uma palavra criada recentemente?
      Não. Ironicamente, luminária é um vocábulo mais antigo do que abajur e lustre. Sua primeira ocorrência data provavelmente do século XIV, enquanto os vocábulos abajur e lustre passaram a ser usados no século XIX.

05 – Qual é a origem das palavras abajur, lustre, spot e luminária?
      Abajur e lustre vêm do francês. Luminária cem do latim e Spot é uma palavra da língua inglesa.


CONTO: UMA ESPERANÇA - CLARICE LISPECTOR - COM QUESTÕES GABARITADAS


Conto: UMA ESPERANÇA
             
                             Clarice Lispector

        Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
        Houve um grito abafado de um de meus filhos:
        -- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira!
        Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
        -- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
        -- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
        Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
        -- Ela é burrinha, comentou o menino.
        -- Sei disso, respondi um pouco trágica.
        -- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
        -- Sei, é assim mesmo.
        -- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
        -- Sei, continuei mais infeliz ainda.
        Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
        -- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
        Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
        Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
        -- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
        -- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
        -- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
        O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
        Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
        Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.
                                                  Clarice Lispector, Felicidade Clandestina
Entendendo o conto:

01 – Observe: “Aqui em casa pousou uma esperança.”
a) A partir do texto, relacione as colunas abaixo:
(A) Esperança: inseto.
(B) Esperança: sentimento.

(B) Coisa secreta.
(A) Burrinha.
(B) Alma.
(B) Ilusória.
(A) Concreta e verde.
(A) Corpo.

b) Observando o verbo pousar, aponte a diferença entre as duas esperanças.
      Há a esperança inseto que pousou na sala e a esperança sentimento que surgiu nas pessoas.

02 – “... mesmo assim nos sustente sempre.”
A) Assinale a alternativa em que o verbo sustentar tenha o mesmo significado da passagem acima.
a) As colunas sustentarão o edifício.
b) Sustentarei a minha esperança até o final.
c) Não sustentando a violência, fugiu.
d) O meu otimismo sustenta a alegria de viver.
e) Sustentei meus filhos com o suor do meu trabalho.

B) Por que a esperança nos sustenta sempre?
      Através da esperança, temos força e estímulo párea alcançar nossos objetivos.

03 – “Não uma aranha, mas me parecia a aranha.”
        Determine a diferença entre os termos destacados.
      Não era uma aranha qualquer, mas uma aranha em específico que ameaçava a vida da esperança.

04 – O Mãe e filho fazem observações sobre os movimentos do inseto na parede. Assinale as afirmativas CORRETAS.
a) Nesse diálogo, o filho fala só do inseto.
b) A mãe só fala e pensa no inseto.
c) A mãe respondeu ao filho, pensando no sentimento esperança.
d) O filho pensa e fala no sentimento esperança.


POEMA: EXCURSÃO - SÉRGIO CAPPARELLI - COM QUESTÕES GABARITADAS


POEMA -  EXCURSÃO


O ônibus roncava na subida
e como era difícil o amor de Mariana,
de blusa rala e jeans apertado!
A viagem nem tinha começado
e eu ali, em meio ao vozerio, cantava
batendo nos bancos,
e a professora pedia um pouco de silêncio,
pelo amor de Deus, vou ficar surda,
e a turma batucava e batucava


e batucava no meu peito
um coração pedindo estrada
e tu, nem te ligo,
conversavas com Luísa, ajeitando uma rosa branca
nos teus cabelos lisos,
ô Mariana, vê se me vê, pô, estou aqui,
louco de você, e me calava,
ouvindo o ônibus cheio de amor pela estrada
que diante dele se torcia
machucada.
                      CAPPARELLI, Sérgio. Restos de arco-íris. Porto Alegre: L&PM,2000.

1 -   Explique que efeito de sentido produzem as repetições no poema “excursão”
     As repetições indicam as batidas do coração do eu poético; provavelmente referem-se ao fato de o coração do eu poético estar acelerado.

2 – Observe que, além da repetição de palavras, o poema também emprega versos curtos, em que se alternam sílabas fracas e fortes. Identifique esses versos e explique de que modo esse recursos reforçam o efeito de sentido que você indicou na atividade anterior.
     “Batendo nos bancos”; “e tu, nem te ligo”. Eles também expressam as batidas do coração do eu poético.

3 -   Interprete os seguintes versos do poema de Sérgio Capparelli:
        Ouvindo o ônibus cheio de amor pela estrada que diante dele se torcia machucada.
     “O ônibus cheio de amor” se refere ao sentimento do eu poético que era capaz de encher, tomar o ônibus de amor. A expressão “estrada que se torcia” refere-se as curvas da estradas.

4 -   Segundo as informações do poema, é possível identificar quem seria o eu poético?
     É possível deduzir que o eu poético é um adolescente apaixonado que está participando de uma excursão escolar.


TEXTO: O LEÃO - DALTON TREVISAN - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: O leão
                                 Dalton Trevisan

        A menina conduz-me diante do leão, esquecido por um circo de passagem. Não está preso, velho e doente, em gradil de ferro. Fui solto no gramado e a tela fina de arame é escarmento ao rei dos animais. Não mais que um caco de leão: as pernas reumáticas, a juba emaranhada e sem brilho. Os olhos globulosos fecham-se cansados, sobre o focinho contei nove ou dez moscas, que ele não tinha ânimo de espantar. Das grandes narinas   escorriam gotas e pensei, por um momento, que fossem lágrimas.
        Observei em volta: somos todos adultos, sem contar a menina. Apenas para nós o leão conserva o seu antigo prestígio – as crianças estão em redor dos macaquinhos. Um dos presentes explica que o leão tem as pernas entrevadas, a vida inteira na minúscula jaula.  Derreado, não pode sustentar-se em pé. Chega-se um piá e, desafiando com olhar selvagem o leão, atira-lhe um punhado de cascas de amendoim. O rei sopra pelas narinas, ainda é um leão: faz estremecer as gramas a seus pés. Um de nós protesta que deviam servir-lhe a carne em pedacinhos.
        -- Ele não tem dente?
        -- Tem sim, não vê? Não tem é força para morder.
        Continua o moleque a jogar amendoim na cara devastada do leão. Ele nos olha e um brilho de compreensão nos faz baixar a cabeça: é conhecida a amarga derrota. Está velho, artrítico, não se aguenta das pernas, mas é um leão. De repente, sacudindo a juba, põe-se a mastigar capim. Ora, leão come verde! Lança-lhe o guri uma pedra: acertou no olho lacrimoso e doeu.  O leão abriu a bocarra de dentes amarelos, não era um bocejo.
        Entre caretas de dor, elevou-se aos poucos nas pernas tortas. Sem sair do lugar, ficou de pé. Escancarou penosamente os beiços moles e negros, ouviu-se a rouca buzina do “Ford antigo.”  Por um instante o rugido manteve suspensos os macaquinhos e fez bater mais depressa o coração da menina. O leão soltou seis ou sete urros. Exausto, deixou-se cair de lado e fechou os olhos para sempre.
                                                                   Dalton Trevisan
Entendendo o texto:

01 – ITA:      
I. Embora não seja um texto predominantemente descritivo, ocorre descrição, visto que o autor representa a personagem principal através de aspectos que a individualizam.
II. Por ressaltar unicamente as condições físicas da personagem, predomina a descrição objetiva no texto, com linguagem denotativa.
III. Por ser um texto predominantemente narrativo, as demais formas - descrição e dissertação -inexistem.
Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):
a) Todas
b) Apenas a I
c) Apenas a II
d) Apenas a III
e) Nenhuma das afirmações.

02 – ITA.
I. Fato principal: a morte do leão. Causas principais: o circo, que o abandonou, e a criança, que o acertou com uma pedra.
II. A decadência física do leão, assunto predominante do texto, denota animalização do ser humano.
III. A velhice do leão, assunto predominante do texto, conota marginalização, maus tratos e decadência física dos animais.
Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):
a) Todas
b) Apenas a I
c) Apenas a II
d) Apenas a III
e) Nenhuma das afirmações.

03 – (ITA)            
I. Conotativamente, o leão chora; denotativamente, o menino agride.
II. A decadência do leão é tanta, que nada faz lembrar a sua antiga reputação. Nem mesmo os adultos o reconhecem mais.
III. Metaforicamente, o leão, que não mais produz e não mais trabalha, pode representar a marginalização, abandono e agressão a que são submetidos os idosos.
Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):
a) Todas
b) Apenas a I
c) Apenas a II
d) Apenas a III
e) Nenhuma das afirmações.

04 – (ITA)       
I. Evidencia-se explicitamente no texto uma comparação: a decadência do leão é similar à do ser humano em geral.
II. Incapaz de reagir fisicamente às provocações, o leão, sentindo-se inconformado, morre.
III. O fato de o leão "não estar preso em gradil de ferro constitui, por parte de seus antigos donos, uma prova de gratidão.
Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):
a) Todas
b) Apenas a I
c) Apenas a II
d) Apenas a III
e) Nenhuma das afirmações.






terça-feira, 30 de outubro de 2018

MÚSICA: DEVOLVA-ME - ADRIANA CALCANHOTTO - COM QUESTÕES GABARITADAS


Música: Devolva-me
                           Adriana Calcanhotto

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!
Deixe-me sozinho
Porque assim
Eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim vai ser melhor, meu bem!
O retrato que eu te dei
Se ainda tens, não sei
Mas se tiver, devolva-me!
Devolva-me!
Devolva-me!
                             Composição: Lilian Knapp / Renato Barros.

Entendendo a canção:
01 – Quem é o interlocutor do eu lírico?
      Parece ser uma mulher com quem o eu lírico já não mantém uma relação amorosa, uma ex-namorada, por exemplo.

02 – Qual parece ser o sentimento do eu lírico em relação a seu interlocutor?
      Parece ser um sentimento de amor ou carinho, pois o eu lírico declara somente alcançar a paz se ficar sozinho e diz desejar a felicidade de sua interlocutora, com quem não tem mais um relacionamento.

03 – Que trechos revelam esse sentimento?
      Revelam esse sentimento a expressão meu bem e os versos “Deixe-me sozinho / Porque assim / Eu viverei em paz” e “Quero que sejas bem feliz / Junto do seu novo rapaz...”.

04 – A colocação pronominal contribui para tornar a linguagem desses versos mais formal ou mais informal? Justifique sua resposta explicando a colocação de cada pronome.
      A colocação pronominal contribui para tornar a linguagem mais formal, pois está de acordo com a norma-padrão. Em “E não me procure mais”, o me está em posição proclítica pela presença da palavra não; em “O retrato que eu te dei”, o te está proclítico porque o pronome relativo que o atrai para antes do verbo; em “Devolva-me”, o me está em ênclise porque não há palavras que o atraiam para antes do verbo e porque o verbo inicia o verso (ainda que não inicie a oração); em “Deixe-me sozinho”, o me está enclítico porque o verbo inicia a oração.

05 – Reescreva no caderno as frases a seguir, substituindo as expressões destacadas por pronomes oblíquos e seguindo as regras da norma-padrão para a colocação pronominal.
a)   As propagandas podem ser confiáveis ou não, por isso devemos ler as propagandas com espírito crítico.
As propagandas podem ser confiáveis ou não, por isso devemos lê-las com espírito crítico.

b)   Propagandas podem ser muito atraentes, mas nunca leia as propagandas sem tentar perceber que intenção elas têm.
Propagandas podem ser muito atraentes, mas nunca as leia sem tentar perceber que intenção elas têm.

c)   O senso crítico vai proteger você de algum engano.
O senso crítico vai protege-lo / la de algum engano.

d)   Quem havia comprado aquele presente para a menina?
Quem lhe havia comprado aquele presente?