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domingo, 10 de agosto de 2025

POESIA: CANTO DA ESTRADA ABERTA - WALT WHITMAN - COM GABARITO

 Poesia: Canto da estrada aberta

              Walt Whitman

A pé e de coração leve

Eu enveredo pela estrada aberta,

Saudável, livre, o mundo à minha frente,

A minha frente o longo atalho pardo

Levando-me aonde eu queira.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzmfPNOjZJp6B05OORyfCjcXze9x2xue6OVWwyymKNh8oKLC54KRzPIOdUo0k4Q9NODNI_Kr2WES1GXR5fsV4qHG-M_xT_On2fYEeBF5zzFg7KSxgZ7ckoKYJzIhqOZcRETl5h6Q5XKCp_whaqANFf-f8FApNx27DkM41bHzutZFdQ-i9ysL7jUQXd5GA/s320/hq720.jpg

Daqui em diante não peço mais boa sorte,

Boa sorte sou eu.

Daqui em diante não lamento mais,

Não transfiro, não careço de nada;

Nada de queixas atrás das portas,

De bibliotecas, de tristonhas críticas;

Forte e contente vou eu

Pela estrada aberta.

Folhas das folhas de relva. São Paulo, Brasiliense, 193.

Fonte: Letra e Vida. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – Coletânea de textos – Módulo 3 – CENP – São Paulo – 2005. p. 253.

Entendendo a poesia:

01 – Como o eu lírico descreve seu estado de espírito ao iniciar sua jornada pela estrada aberta?

      O eu lírico se descreve "a pé e de coração leve", sentindo-se "saudável, livre" e com "o mundo à sua frente".

02 – O que o eu lírico afirma ser a "boa sorte" para ele, a partir de agora?

      Ele declara que, dali em diante, a própria "boa sorte" é ele mesmo, indicando uma autoconfiança e autonomia.

03 – De que elementos o eu lírico decide não precisar mais em sua jornada?

      O eu lírico decide não precisar mais de lamentos, de transferir responsabilidades ou culpas, e de queixas, bibliotecas ou críticas tristonhas.

04 – Qual a atitude geral do eu lírico em relação ao futuro e à sua caminhada?

      Ele demonstra uma atitude de força e contentamento, seguindo pela estrada aberta com determinação e otimismo.

05 – Qual a importância da "estrada aberta" para o eu lírico, simbolicamente?

      A "estrada aberta" simboliza a liberdade, a autonomia e a jornada da vida, onde ele pode ir aonde quiser, sem depender de fatores externos ou de restrições.

 

POESIA: FINÁ DE ATO - AUTOR DESCONHECIDO - COM GABARITO

 Poesia: Finá de ato

Adispôs de tanto amor
De tanto cheiro cheiroso
De tanto beijo gostoso, nós briguemos
Foi uma briga fatá; eu disse: cabou-se!
Ele disse; cabou-se!
E nós dois fiquemos mudo, sem vontade de falá.
Xinguemos, sim, nós se xinguemos

Como se pode axingá:

_ Ô, mandinga de sapo seco!
_ Ô, baba de cururu!
_ Tu fica no Norte
Que eu vô pru sul
Não quero te ver nem pintado de carvão
Lá no fundo do quintá
E se eu contigo sonhar
Acordo e rezo o Creio em Deus Pai
Pru modi não me assombrá.
É... o Brasil é muito grande
Bem pode nos separar!

Eu engoli um salucio
Ele, engoliu bem uns quatro.
Larguemo o pé pelo mato
Passou-se tantos tempo
Que nem é bom recordar...

Onti, nós se encontremus
Nenhum tentou disfarçá
Eu parti pra riba dele
Cum fogo aceso nu oiá
Que se num fosse um cabra de osso
Tava aqui dois pedaço.

Foi tanto cheiro cheiroso...
Foi tanto beijo gostoso...
Antonce nós si alembremos
O Brasil... é tão pequeno
Nem pode nos separa!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgNxUEsbTbmvvwpZ1dj0MTpal8JHWKIOC0fD0TzWqBxciXcd6DT18G4OAmxVLjOYX00maSVsftICz_yt0fPZXoe7MTRrkoopt0GeGYylx3V2gjMS-ClTL-DzH5QlRn9bRBNqq6v0sfvnRzzY3Oq0z6irimcx3OBXZ08IoR8UVDS6jHskVVV_y2QbwK4d3E/s320/40813367-uma-casal-sentar-juntos-esboco-desenho-vetor.jpg

Texto original de autor desconhecido. Adaptação de Gertrudes da Silva Jimenez Vargas.

Fonte: Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Coletânea de textos – Módulo 1. p. 75.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O tema central do poema é a reconciliação de um casal após uma briga intensa, explorando a complexidade das emoções envolvidas, desde o ódio momentâneo até a redescoberta do amor.

02 – Como o poema retrata a briga inicial do casal?

      A briga inicial é retratada como fatal ("Foi uma briga fatá") e marcada por xingamentos fortes ("mandinga de sapo seco", "baba de cururu") e uma decisão mútuo de separação, indicando um rompimento abrupto e doloroso.

03 – Que expressões populares e regionalismos são utilizados para dar autenticidade à linguagem do poema?

      O poema utiliza diversas expressões populares e regionalismos, como "cabou-se", "axingá", "mandinga de sapo seco", "baba de cururu", "vô pru sul", "nem pintado de carvão", "pru modi não me assombrá", "salucio", "larguemo o pé pelo mato", "onti", "se encontremus", "parti pra riba dele", "cum fogo aceso nu oiá", "cabra de osso", "Antonce nós si alembremos". Essas expressões conferem um tom coloquial e autêntico à narrativa.

04 – Qual o significado da frase "O Brasil é muito grande / Bem pode nos separar!" no início do poema e como ela se contrapõe à frase final?

      No início, a frase "O Brasil é muito grande / Bem pode nos separar!" expressa a desesperança e a intenção de um distanciamento definitivo após a briga, usando a vastidão territorial como metáfora para a impossibilidade de reencontro. No final, a contraposição com "O Brasil... é tão pequeno / Nem pode nos separa!" demonstra a superação da distância e a força do amor, que faz com que qualquer barreira, mesmo um país continental, pareça insignificante diante do desejo de estarem juntos.

05 – Que elementos sensoriais são destacados no poema para evocar a lembrança do afeto?

      O poema destaca principalmente os elementos sensoriais do olfato ("tanto cheiro cheiroso") e do paladar/toque ("tanto beijo gostoso"), que são repetidos no início e no final para ressaltar a memória dos momentos de carinho e a intensidade do reencontro.

06 – Como o reencontro do casal é descrito no poema?

      O reencontro é descrito como intenso e sem disfarces, com uma explosão de emoções ("Eu parti pra riba dele / Cum fogo aceso nu oiá"). Inicialmente, há uma agressividade latente, que rapidamente se transforma na redescoberta do afeto perdido, culminando na lembrança dos "cheiros" e "beijos" que os uniram.

07 – Qual a principal mensagem que o poema transmite sobre o amor e as relações humanas?

      A principal mensagem do poema é que o amor verdadeiro pode superar até as brigas mais intensas e as distâncias mais longas. Ele sugere que, apesar dos conflitos e das tentativas de separação, a força dos sentimentos genuínos e das memórias afetivas pode prevalecer, levando à reconciliação e à redescoberta da conexão.

 

POESIA: TEMPO DE ESCOLA ´GRACE MOTTA - COM GABARITO

 Poesia: Tempo de escola

             Grace Motta

Eu vou lhe contar agora

Um pouquinho do passado

Do meu tempo de escola

De aluno educado.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgp77NAIWNBO6_qQ_UJAly2TEGv1vFAsxJ_4qdny_asz7u11H6L4_jsgDTDvcSmXznjx4hXP_aSY4mXfysN1YA4jdGvzejyXQngFRGkvj33rI9dAu4bRcZJWrnBbxC2bJkcXCFxwSVq5BvePiug2wshWXJnVuYGczjkHsmBNiVRomboZ2GExHfkuh1RHYE/s1600/mais-tempo-escola.jpg

Logo cedo eu chegava

Com farda original

Alegre e sempre em fila

Cantava o Hino Nacional.

 

A minha escola era grande

Com um enorme jardim em frente

Na hora do recreio

Juntava era muita gente.

 

Tinha uma cartilha azul

Colorida e engraçada

Com as letras muito grandes

Que eu lia salteadas.

 

Pro Maria era calma

Meiga como uma flor

Quando a gente errava

Ela dizia "faz de novo, meu amor".

 

Mas... lá tinha uma diretora

Com uma grande palmatória

Quando a gente aprontava

Então... era outra história.

 

Ao lembrar da minha escola

Revivo muitas lembranças

Dos colegas, dos professores

Do meu tempo lindo de criança.

Professora Grace Motta Salvador – BA.

Fonte: Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Coletânea de textos – Módulo 1. p. 20.

Entendendo a poesia:

01 – Sobre o que o eu lírico vai contar na poesia "Tempo de escola"?

      O eu lírico vai contar um pouco sobre seu passado, especificamente sobre o seu tempo de escola como aluno educado.

02 – Como o eu lírico descreve sua chegada à escola e o que faziam logo cedo?

      Ele descreve que chegava logo cedo, com farda original, e que, alegre e sempre em fila, cantava o Hino Nacional.

03 – Como era o ambiente físico da escola do eu lírico, especialmente na hora do recreio?

      A escola era grande, com um enorme jardim em frente, e na hora do recreio juntava muita gente.

04 – Qual era a característica marcante da cartilha usada pelo eu lírico?

      A cartilha era azul, colorida e engraçada, com as letras muito grandes que ele lia salteadas.

05 – Quais as duas figuras de autoridade na escola mencionadas e como elas se diferenciavam no tratamento aos alunos?

      As duas figuras de autoridade mencionadas são a Professora Maria e a diretora. A Professora Maria era calma e meiga como uma flor, e quando os alunos erravam, ela dizia "faz de novo, meu amor". Já a diretora tinha uma grande palmatória e, quando os alunos "aprontavam", "era outra história", indicando um tratamento mais rígido.

 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

POESIA: POEMA DE AMOR - FABRÍCIO CORSALETTI - COM GABARITO

 Poesia: Poema de amor

             Fabrício Corsaletti

Agora o meu amor envolve o seu rosto.
Você projeta a cidade de homens livres.
Tento aproximá-la do pássaro branco.
Você só quer que eu me concentre.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCwCpOm5VPmTm8SYCd9EcwPc8X8GFHwb-DgILr0Dy6SEsRJddSjjSq8YTBi5a7dbnRGZImRKXwmVzcYEvTf8D8qOi4huju4DXbX9K2ofrJcZeKTGuz4YcMLrBRzGG9Wgdib3ZSVAeeoFI6ItSV34cH1H7l6PnVKL97s6GciIJTJRcHmunJXwyeE8X6IRM/s1600/images.jpg

Percebo a cidade de homens livres.
Começo a existir e a você me dirijo.
Meus poemas fazem você nascer mais um pouco.
Mas você abandona a cidade de homens livres;
Em direção à porta de saída,
Seu passo aperfeiçoa o amor.

Fabrício Corsaletti. In: Estudos para seu corpo. São Paulo: Cia das Letras, 2007. p. 122.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 371.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central do poema?

      O tema central do poema é a dinâmica de um relacionamento amoroso, onde o eu-lírico busca uma conexão profunda e a amada parece ter outros focos ou caminhos. Há uma exploração da tentativa de aproximação e da percepção de uma distância ou independência por parte da pessoa amada.

02 – Como o eu-lírico expressa seu amor e sua intenção em relação à pessoa amada no início do poema?

      No início do poema, o eu-lírico expressa seu amor de forma envolvente ("Agora o meu amor envolve o seu rosto") e revela sua intenção de aproximar a amada de algo puro e delicado ("Tento aproximá-la do pássaro branco"). Ele também demonstra a importância da amada para sua própria existência ("Começo a existir e a você me dirijo").

03 – O que a expressão "Você projeta a cidade de homens livres" sugere sobre a pessoa amada?

      Essa expressão sugere que a pessoa amada possui uma natureza independente e idealista. Ela parece estar ligada a conceitos de liberdade e autonomia, talvez construindo ou buscando um espaço onde haja essa liberdade, o que pode ser um contraste com o desejo do eu-lírico de envolvê-la em seu amor.

04 – Qual é a contradição percebida pelo eu-lírico em relação aos seus esforços poéticos?

      O eu-lírico percebe uma contradição porque, apesar de seus poemas fazerem a amada "nascer mais um pouco", ou seja, darem-lhe vida e forma através da arte, ela abandona o ideal de "cidade de homens livres" e se dirige à saída. Isso indica que, mesmo com a influência de sua poesia, a amada segue um caminho próprio, que pode ser de distanciamento.

05 – O que significa o verso "Seu passo aperfeiçoa o amor" no final do poema?

      Esse verso sugere que a ação da amada, mesmo que seja a de se afastar ou seguir um caminho próprio, de alguma forma contribui para a complexidade e a profundidade do amor para o eu-lírico. O afastamento ou a independência dela, paradoxalmente, "aperfeiçoam" a compreensão do amor, talvez ao revelar suas nuances, desafios ou a liberdade intrínseca a ele.

 

 

POESIA: TUA SEDUÇÃO É MENOS DE MULHER DO QUE...- JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO

 Poesia: Tua sedução é menos de mulher do que...

            João Cabral de Melo Neto

Tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPHXA8lNTvvnqdMnV2nNPkRARNjHAx5A2Pb7xpMgHdoLGKP7xWcUnfP7gpi94oWG9bOiIt5PJ_sGmGzL5RZMAEbodaVZEysO5nbzx8Mjr3XEA80F_aHnjasvz1ZW65A3IBGwBvHJw0rIMRg7q5biqaZAAvieANitvuT9sIvKs5e5PQZl0RfqSP-9d1dEo/s320/SEDUCAAO.jpg



Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,

uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.

Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra;
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;

pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;

pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,

os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,

exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.

João Cabral de Melo Neto. Poesias completas. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. p. 153.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 343.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a comparação inusitada que o poema estabelece para descrever a sedução?

      O poema compara a sedução da pessoa amada não tanto à de uma mulher, mas sim à de uma casa, explorando as similaridades entre ambas.

02 – De que forma a sedução, tanto da mulher quanto da casa, é descrita como vinda do "interior" e não da "fachada"?

      O poema sugere que a verdadeira sedução vem do que a casa "é por dentro" ou "por detrás da fachada", e do que "pode ser dentro de suas paredes fechadas", assim como a sedução da mulher não se limita à sua aparência externa ("reboco claro", "riso franco de varandas").

03 – Por que, segundo o poema, uma casa não deve ser "só para ser contemplada" de fora?

      O poema afirma que "somente por dentro é possível contemplá-la", ou seja, a verdadeira essência e o que há de mais sedutor em uma casa (e na mulher) só podem ser conhecidos e apreciados ao se explorar seu interior.

04 – Quais elementos internos de uma casa são utilizados para ilustrar essa sedução no poema?

      São usados elementos como os vazios, o nada, os espaços de dentro (recintos, áreas), e como eles se organizam em corredores e salas, sugerindo estâncias aconchegadas e recessos.

05 – O que significa a frase "pelo que dentro fizeram / com seus vazios, com o nada" no contexto da sedução da casa?

      Essa frase sugere que a sedução não está apenas no que a casa contém materialmente, mas na maneira como seus espaços foram concebidos e moldados, preenchendo o vazio e o "nada" para criar um ambiente acolhedor e convidativo.

06 – Que "efeito" a casa (e, por extensão, a mulher) exerce sobre o homem, de acordo com o poema?

      O efeito exercido é a "vontade de corrê-la / por dentro, de visitá-la", indicando o desejo de explorar, conhecer intimamente e se aprofundar na essência do que seduz.

07 – Qual a principal ideia que João Cabral de Melo Neto explora ao comparar a sedução feminina à de uma casa?

      A principal ideia é que a sedução autêntica reside na profundidade e no mistério do interior, seja de uma pessoa ou de um espaço. Não se trata de uma atração superficial, mas de um convite a explorar o que está além da superfície, o que é construído e organizado em seu âmago.

 

 

 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

POESIA: UMA MULHER QUE SE ABRE - MARIZE CASTRO - COM GABARITO

 Poesia: Uma mulher que se abre

           Marize Castro

        Quando uma mulher se abre o que há de mais solitário se alarga. Espantalhos de dor se mostram e se decompõem. Flocos de agonia se aproximam. Crescem perdas. Voam conchas.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjmpwpTeWxv-x6ZTm-28YXbP4Qof1_7PDT-VHmmSGyVAItjH4SRROXrsL8Pqmke0d6R0yqHESQka05ul5H9hO262Rp684SYNCk-xXrRSU8J6o644qt9s61OFzT62ah6Qi6-y0EXFGmyV6sGUAXk7DHZ2FRiVUqboFjs-2iqKltza5DEosqBDzVRO9z19i8/s1600/images.jpg


        Uma mulher que se abre é uma mulher mergulhada em anáguas e sendas. Saltando sobre a luz. Deram-lhe lanças e um falso espelho para enganar as feridas.

        Quebrada, ela conduz corações ao túmulo. Esperando, que uma nova morte, traga-lhe nova grinalda e novo véu.

        Em surdina, uma mulher que se abre deseja o esquecimento e a maternidade. Quer parir, dormir, trepar. Morte à memória!

        – O mundo não corrompe quem habita os subterrâneos.

        Disse-lhe um livro com o sol no ventre.

        O extravio de uma mulher que se abre é um deslumbre. Uma significação doce e mórbida. Possui a beleza e está carregado de hóstias e sepulturas.

        Moças e rapazes, caindo em abismos, sustentam essa mulher aberta. Beijam-lhe o útero exposto.

        Afogado em seus cabelos, ela se arqueia na esperança que o amor, quando novamente acontecer, não traga algemas.

        Uma mulher que se abre é pedra, cratera, rio, relíquia.

        Traz na língua o perdão e suas chamas.

Publicado no Diário de Natal, em 18 de julho de 1999.

Entendendo a poesia:

01 – Que sentimentos e imagens são associados à abertura da mulher no início do poema?

      No início do poema, a abertura da mulher está associada a sentimentos de solidão que se alarga, ao aparecimento e decomposição de "espantalhos de dor", à aproximação de "flocos de agonia", ao crescimento de perdas e ao voo de conchas. Essas imagens sugerem um processo de exposição vulnerável e dolorosa.

02 – O que o poema sugere sobre os "presentes" dados a uma mulher que se abre?

      O poema sugere que a uma mulher que se abre "deram-lhe lanças e um falso espelho para enganar as feridas". Isso pode indicar que as ferramentas oferecidas a ela para lidar com sua vulnerabilidade são inadequadas, ou até mesmo prejudiciais, pois as lanças podem simbolizar defesa ou ataque, e o espelho falso, uma ilusão ou negação da dor real.

03 – Quais são os desejos contraditórios expressos por uma mulher que se abre no quarto verso?

      No quarto verso, os desejos expressos são contraditórios: ela "deseja o esquecimento e a maternidade". Essa dualidade entre querer apagar o passado ("Morte à memória!") e o desejo de criar vida ("Quer parir, dormir, trepar") revela uma busca por renovação e libertação das marcas do passado.

04 – O que significa a afirmação "O mundo não corrompe quem habita os subterrâneos" no contexto do poema?

      Essa afirmação, dita por um "livro com o sol no ventre", sugere que a vulnerabilidade e a exploração das profundezas do ser (os "subterrâneos") podem oferecer uma forma de proteção contra a corrupção do mundo exterior. Implica que a verdadeira força e pureza podem ser encontradas na imersão e na aceitação das próprias complexidades e dores.

05 – Que elementos simbólicos o poema utiliza para descrever a mulher que se abre no final?

      No final, a mulher que se abre é descrita com elementos simbólicos poderosos: ela é "pedra, cratera, rio, relíquia". Esses símbolos representam, respectivamente, solidez e resistência (pedra), profundidade e força vulcânica (cratera), fluidez e persistência (rio), e valor e história (relíquia). Juntos, eles ilustram a complexidade, a resiliência e a sacralidade da mulher em seu processo de abertura.

 

POESIA: UM FIO - ARNALDO ANTUNES - COM GABARITO

 Poesia: Um fio

             Arnaldo Antunes

Um fio do seu cabelo está na minha cabeça

e não há nada que faça

com que isso

desaconteça.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjnbAOmAsQ70Yo3-2zaJCriFYIZAFk9zDLUkYBUtKAu-UNYPtvYpCUh-KPAFppLptxcB_y5C-rekGmsjMSJEyTn5B0pO2OJSN1KBigOFwZAKtCxj-f6ZTA-7oQ9shkAYtnAeodHw0w-7yJpmSNQEkBkIr7f_nYAsSAam67eaKvzAwPPRtKhw4Gtyi-h5ak/s320/maxresdefault.jpg


Um fio do meu cabelo está na sua

e não há nada

que o substitua.

Nem o sol,

nem a lua.

Nem a luz do pensamento mais intenso

que você pense

que eu penso.

ANTUNES, Arnaldo. Nada de DNA. In: Como é que chama o nome disso. Antologia. São Paulo: Publifolha, 2006.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 181.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o objeto central que simboliza a conexão entre as duas pessoas no poema?

      O objeto central que simboliza a conexão é um fio de cabelo. O poema descreve um fio do cabelo da pessoa amada na cabeça do eu lírico, e um fio do cabelo do eu lírico na pessoa amada.

02 – O que o refrão "e não há nada que faça com que isso desaconteça" e "e não há nada que o substitua" sugere sobre a natureza dessa conexão?

      O refrão "e não há nada que faça com que isso desaconteça" e "e não há nada que o substitua" sugere que a conexão entre as duas pessoas é indelével e insubstituível. É uma ligação que, uma vez estabelecida, não pode ser desfeita ou trocada por nada. Isso reforça a ideia de uma união profunda e permanente.

03 – O poema menciona elementos cósmicos como "o sol" e "a lua". Qual o papel desses elementos na mensagem do poema?

      "O sol" e "a lua" são elementos cósmicos que representam grandezas universais e, em muitas culturas, simbolizam poder e permanência. Ao afirmar que "Nem o sol, / nem a lua" podem substituir o fio de cabelo, o poema eleva a importância da conexão amorosa acima de forças cósmicas, mostrando que a ligação entre os amantes é de um valor inestimável e incomparável.

04 – O que a última estrofe, "Nem a luz do pensamento mais intenso / que você pense / que eu penso", revela sobre a profundidade da ligação?

      A última estrofe revela que a profundidade da ligação transcende até mesmo o nível do pensamento e da cognição. Significa que a conexão não se baseia apenas em ideias ou intenções, por mais intensas que sejam. É uma união que existe em um nível mais profundo e intrínseco, independente do que um ou outro possa pensar ou conceber.

05 – De que forma o poema utiliza a simplicidade da imagem do "fio de cabelo" para transmitir uma ideia de grande complexidade emocional e afetiva?

      O poema utiliza a aparente simplicidade de um "fio de cabelo" como uma metáfora poderosa para a interconexão e a inseparabilidade em um relacionamento. Um simples fio de cabelo, que poderia ser considerado trivial, torna-se um símbolo da união profunda e inabalável entre duas pessoas. Através dessa imagem cotidiana, Antunes consegue expressar a ideia de que o amor e a conexão podem ser tão sutis quanto um fio, mas ao mesmo tempo tão fortes que desafiam o tempo, o universo e até mesmo os pensamentos mais profundos.

 

 

POESIA: O CONSTANTE DIÁLOGO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poesia: O CONSTANTE DIÁLOGO


            Carlos Drummond de Andrade

Há tantos diálogos

Diálogo com o ser amante

                     o semelhante

                     o diferente

                     o indiferente

                     o oposto

                     o adversário

                     o surdo-mudo

                     o possesso

                     o irracional

                     o vegetal

                     o mineral

                     o inominado.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhu_9JxFlHfDzxNhdenGZl7zhrcUt437ibE41JWu9E77ZV5DpnYOn2VuB5EV0wDgRDzWy4tJIAcKZgtG1rX3mjiUPuKlJw2YN-H4cXDSAcAZ0FrrD2FCrFFVl7qA7W4zKF_t-BE4JxYOg6wpF6B69jGT_a5lYTnnSuE6T4C6bbPcbBrAFCfSjKXRGb3LfM/s320/29896047-pessoa-conversa-sobre-dentro-desenho-animado-estilo-dialogo-bate-papo-discurso-bolha-falando-pessoas-estoque-ilustracao-vetor.jpg

Diálogo consigo mesmo

                     com a noite

                     os astros

                     os mortos

                     as ideias

                     o sonho

                     o passado

                     o mais que futuro.

 

Escolhe teu diálogo

                     e

Tua melhor palavra

                      ou

Teu melhor silêncio

Mesmo no silêncio e com o silêncio

dialogamos.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. 8. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 854-855.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 146.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central abordado no poema "O Constante Diálogo"?

      O tema central do poema é a amplitude e a ubiquidade do diálogo na existência humana. Drummond explora as diversas formas e objetos com os quais o indivíduo dialoga, evidenciando que essa interação vai muito além da comunicação verbal entre pessoas.

02 – O poema lista diferentes tipos de "ser amante" com os quais se pode dialogar. Quais são alguns exemplos e o que essa variedade sugere?

      O poema menciona o "ser amante", o "semelhante", o "diferente", o "indiferente", o "oposto", o "adversário", o "surdo-mudo", o "possesso", o "irracional", o "vegetal", o "mineral" e o "inominado". Essa variedade sugere que o diálogo não se restringe apenas a seres humanos ou a interações positivas, mas se estende a todas as formas de existência, incluindo a natureza e aquilo que não pode ser nomeado ou compreendido de imediato.

03 – Além do diálogo com outros seres, com o que mais o eu lírico afirma que se pode dialogar?

      O eu lírico afirma que se pode dialogar consigo mesmo, com a noite, os astros, os mortos, as ideias, o sonho, o passado e o "mais que futuro". Isso mostra que o diálogo também ocorre em um plano interno e transcendental, envolvendo reflexões, memórias e projeções.

04 – Qual é a escolha que o poema apresenta ao leitor na parte final?

      Na parte final, o poema apresenta a escolha entre "Tua melhor palavra" ou "Teu melhor silêncio". Isso sugere que o diálogo pode ser tanto verbal quanto não verbal, e que a sabedoria reside em saber quando usar a palavra e quando optar pelo silêncio, pois "Mesmo no silêncio e com o silêncio / dialogamos."

05 – Como o poema de Drummond amplia a compreensão tradicional de "diálogo"?

      O poema de Drummond amplia a compreensão tradicional de "diálogo" ao mostrar que ele não é apenas uma troca de palavras entre duas ou mais pessoas. Para o poeta, o diálogo é uma condição existencial constante, que abrange interações com o mundo físico, o universo abstrato, o eu interior, e até mesmo com o que parece inanimado ou incompreensível. A essência do diálogo, então, está na conexão e na percepção do mundo e de si mesmo.

 

 

POESIA: DESOBJETO - MANOEL DE BARROS - COM GABARITO

 Poesia: Desobjeto

             Manoel de Barros

        O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente. O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes. Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente tem organismo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjR7R10IpJFb9TnM_2stnbtY3IDyyAOPKDeCPtf0Q1VaUu9Nig0dik28V4Og7DSGtDYhh0P3mcDU4vHEsOz-y9AGXQeRwwlvhMHmXP9JO2wSQBpZvaTJTtLXRlva8Y8SPIapaIdIprdzJG-d8q9EuqiBRpfr0n4xmPzdUItGPjEDXefgKjIbXgW9r0l5dg/s320/istockphoto-612378706-612x612.jpg


        O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora feito o pente deram lugar a um esverdeado musgo. Acho que os bichos do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente perdera sua personalidade. Estava encostado às raízes de uma árvore e não servia mais nem pra pentear macaco. O menino que era esquerdo e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergara o pente naquele estado terminal. E o menino deu pra imaginar que o pente, naquele estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. São Paulo: Planeta, 2003.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 164.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o objeto central do poema e em que estado ele é encontrado pelo menino?

      O objeto central do poema é um pente. Ele é encontrado pelo menino em um estado de deterioração avançada, "próximo de não ser mais um pente", mas sim "uma folha dentada", ou "uma pedra um caramujo um sapo". O pente está sem dentes, sem "costela" e suas cores originais deram lugar a um "esverdeado musgo".

02 – O que acontece com a "personalidade" do pente à medida que ele se deteriora?

      O poema afirma que o pente perdera sua personalidade. Ou seja, ele deixou de cumprir sua função original e se tornou algo irreconhecível, que não podia mais ser identificado como um pente ou até mesmo um leque. Sua identidade e propósito foram desfeitos pela ação do tempo e da natureza.

03 – De que forma o menino, que "tinha cacoete pra poeta", interpreta o estado do pente?

      O menino, com sua sensibilidade poética, imagina que o pente, em seu estado terminal, já estaria incorporado à natureza. Ele compara o pente a elementos naturais como "um rio, um osso, um lagarto", sugerindo que o objeto perdeu sua forma e função originais para se integrar ao ciclo natural de deterioração e transformação.

04 – Quais elementos da natureza são citados como agentes da transformação do pente?

      O poema menciona diversos elementos da natureza que contribuíram para a transformação do pente: o chão, que "comeu logo um pouco de seus dentes"; camadas de areia e formigas, que "roeram seu organismo"; e as raízes de uma árvore, às quais o pente estava encostado. Além disso, há a menção de "bichos do lugar [que] mijavam muito naquele desobjeto", e a colaboração das árvores na "solidão" do pente.

05 – O que o título "Desobjeto" e a descrição do pente revelam sobre a visão de Manoel de Barros a respeito dos objetos e da natureza?

      O título "Desobjeto" e a descrição do pente revelam a visão peculiar de Manoel de Barros sobre a transitoriedade dos objetos e a capacidade da natureza de reabsorver e transformar tudo. O pente, ao perder sua funcionalidade e forma, deixa de ser um "objeto" no sentido convencional para se tornar parte de um processo natural de decomposição e reintegração. Isso reflete a valorização do poeta pelo trivial, pelo imperfeito e pela beleza encontrada na desconstrução e na ciclicidade da vida.

 

 

 

POESIA: O POETA COMEÇA O DIA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poesia: O poeta começa o dia

             Mário Quintana

Pela janela atiro meus sapatos, meu ouro, minha alma ao meio da rua.
Como Harum-al-Raschid, eu saio incógnito, feliz de desperdício...
Me espera o ônibus, o horário, a morte – que importa?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbzB2SNERIuDwlfpOTNKEnRHOI4ZtD9h22HlPjVcxoFW8C2VJMTQCgUyXDjRDRwn2RQTnfe04NY8f8BJEyHM9uRkJF6x4PANnvdk3s65J6WercwzIobpgmudZPZPWXRYycZpEceNRCyB0s1EQNatjgnPx_XGdwaIE0VrKM9sNB13ZM8YMG5x3RPSss-L4/s320/71XVRUY9MGL._UF1000,1000_QL80_.jpg


Eu sei me teleportar: estou agora
Em um Mercado Estelar... e olha!
Acabo de trocar
-- em meio aos ruídos da rua
alheio aos risos da rua –
todas as jubas do Sol

por uma trança da Lua!

Quintana, Mário. 80 anos de poesia. 13. ed. São Paulo: Globo, 2008. p. 165.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 6º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 166.

Entendendo a poesia:

01 – O que o ato de "atirar" sapatos, ouro e alma pela janela simboliza no poema?

      O ato de "atirar" sapatos, ouro e alma pela janela simboliza um desapego radical do poeta em relação aos bens materiais e às preocupações terrenas. É uma libertação das convenções e valores mundanos para abraçar uma existência mais livre e imaginativa.

02 – A que figura histórica o poeta se compara e o que essa comparação sugere sobre sua atitude?

      O poeta se compara a Harum-al-Raschid, um califa lendário conhecido por suas incursões incógnitas entre o povo para observar a vida e buscar conhecimento. Essa comparação sugere que o poeta também busca uma experiência autêntica e sem amarras, agindo de forma "incógnita" e "feliz de desperdício" para absorver a essência do mundo ao seu redor, sem se prender a expectativas ou julgamentos.

03 – Como o poeta lida com as pressões do cotidiano, como "o ônibus, o horário, a morte"?

      O poeta demonstra uma indiferença em relação às pressões do cotidiano. Ele afirma que "o ônibus, o horário, a morte – que importa?", revelando que sua mente transcende essas preocupações mundanas. Ele se vale da capacidade de teleportar-se (metaforicamente, através da imaginação) para escapar da rotina e das limitações da realidade.

04 – Qual é o lugar "mágico" para onde o poeta se teleporta e o que ele faz nesse local?

      O poeta se teleporta para um "Mercado Estelar". Nesse local inusitado, ele realiza uma troca fantástica: "todas as jubas do Sol por uma trança da Lua!" Isso reforça a ideia de que a imaginação do poeta o leva a lugares extraordinários, onde a lógica comum é subvertida e o valor está na beleza e na fantasia, não no material.

05 – Qual é a principal mensagem que o poema transmite sobre a natureza da poesia e a mente do poeta?

      O poema transmite a mensagem de que a poesia é um portal para a liberdade e a imaginação ilimitada. A mente do poeta não se conforma com as trivialidades e as limitações da vida comum; ela busca a transcendência e a capacidade de transformar a realidade através da fantasia. Mesmo em meio ao barulho e à rotina da rua, o poeta é capaz de criar seu próprio universo de significados e maravilhas.

 

 

domingo, 1 de junho de 2025

POESIA: RECEITA DE MULHER - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: Receita de mulher – Fragmento

             Vinicius de Moraes

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjcN82X7r35NL_dh4SWN23VgS9dypNbBFGxx_b67mStJxsA-K33yBoOTRzLrTKDq3xlVRi6AKiWzDTAav1qyXvffzmf_8sLs6PBRi9xE8ehH0gxmdy7iZZ07xDsvxBb-gZ2l_y4Upicpu4uPvItobxa3hccUxk_g5WxnC4xLkjxsqMYgLoBrhxMryLNn9o/s320/maxresdefault.jpg

Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos.

[...]

Vinícius de Moraes. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. p. 192.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 290.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a ideia central que Vinicius de Moraes defende sobre a mulher neste poema?

      A ideia central que Vinicius defende é que a beleza é fundamental na mulher. Ele não se refere apenas à beleza física óbvia, mas a uma beleza que engloba graça, elegância, mistério e uma certa leveza que se assemelha a uma flor ou a uma garça.

02 – Que tipo de metáforas e comparações o poeta utiliza para descrever a beleza que ele busca?

      O poeta utiliza metáforas e comparações como "qualquer coisa de flor", "qualquer coisa de dança", "haute couture" (alta costura), a "impressão de ver uma garça apenas pousada", um rosto que adquire a "cor só encontrável no terceiro minuto da aurora", pálpebras cerradas que "Lembrem um verso de Éluard" e braços tocados "como o âmbar de uma tarde".

03 – Para Vinicius, a beleza feminina deve ser apenas visível ou deve ter uma dimensão mais profunda? Explique.

      Para Vinicius, a beleza feminina não deve ser apenas visível; ela deve ter uma dimensão mais profunda e quase etérea. Ele afirma: "É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche / No olhar dos homens." Isso sugere que a beleza deve ser uma essência, uma aura, que se manifesta e é percebida, mas que não se restringe apenas à carne ou a algo puramente material.

04 – O que o verso "As muito feias que me perdoem / Mas beleza é fundamental" revela sobre a perspectiva do poeta?

      Este verso revela a sinceridade e a frontalidade da perspectiva do poeta sobre a importância da beleza. Embora pareça controverso à primeira vista, ele estabelece de imediato o pré-requisito da beleza como ponto de partida para sua "receita de mulher", destacando seu valor primordial em sua concepção idealizada.

05 – Como o poema aborda a interação entre a beleza da mulher e a percepção masculina?

      O poema aborda a interação entre a beleza da mulher e a percepção masculina ao afirmar que a beleza deve "refletir-se e desabrochar / No olhar dos homens". Isso indica que, para o poeta, a beleza feminina não é um conceito isolado, mas algo que ganha vida e validação na forma como é vista e apreciada pelo olhar masculino, gerando admiração e fascínio.