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sábado, 17 de outubro de 2026

FÁBULA: O VELHO, O MENINO E A MULINHA - FRAGMENTO - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Fábula: O velho, o menino e a mulinha – Fragmento

          Monteiro Lobato

        [...]

        — Isto é bem certo, disse dona Benta. Quem quer contentar todo mundo, não contenta a ninguém. Sobre todas as coisas há sempre opiniões contrarias. Um acha que é assim, outro acha que é assado.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqPZKb7GSbjBYHDFRiPkknQNUFvB_HJtIVz1bb30_XwBwAr8SJ-CmXk6WtAz_rg28t00qO6CAQydPeOjC572-XHo1qu0Pu22jJceeRn0Yo1hRRVEfRbBQLvOjt_P_WCe9ndoORf7CKr4ccWzT9_n091eubIkxAGa8YnKemrYmoBwwZ2fvmCVIZmtPPhYY/s320/images.jpg


        — E como então a gente deve fazer? perguntou a menina.

        — Devemos fazer o que nos parece mais certo, mais justo, mais conveniente. E para nos guiar temos a nossa razão e a nossa consciência. Aquela fita que vimos no cinema da cidade tem um título muito sábio.

        — Qual, vovó?

        — E ISTO ACIMA DE TUDO...

        — Não estou entendendo...

        — Esse título é a primeira parte dum verso de Shakespeare: “E isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo”. Bonito, não?

        — Lindo, vovó! exclamou Pedrinho entusiasmado. E vou adotar esse verso como lema da minha vida. Quero ser fiel a mim mesmo — e o mundo que se fomente...

Habilidade EF06LP04.

LOBATO, Monteiro. O velho, o menino e a mulinha. In: LOBATO, Monteiro. Obras completas de Monteiro Lobato. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1943.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 6º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 28.

Entendendo a fábula:  

01 – Qual é a principal lição ou moral que Dona Benta extrai da história do velho, do menino e da mulinha?

      A moral central destacada por Dona Benta é que é impossível agradar a todos ("Quem quer contentar todo mundo, não contenta a ninguém"). Ela explica que sobre qualquer assunto sempre haverá opiniões contrárias e divergentes, tornando inútil tentar agir apenas para satisfazer o julgamento alheio.

02 – Diante da diversidade de opiniões das pessoas, qual é a orientação dada por Dona Benta sobre como devemos agir em nossas decisões?

      Dona Benta orienta que devemos fazer aquilo que nos parece mais certo, mais justo e mais conveniente. Para nos guiar nessas escolhas, devemos recorrer à nossa própria razão e à nossa consciência, em vez de nos pautarmos pelas críticas externas.

03 – Que citação literária Dona Benta utiliza para reforçar o seu conselho e qual é o autor dessa frase?

      Dona Benta cita o verso de William Shakespeare: “E isto acima de tudo: sê fiel a ti mesmo” (frase originalmente dita pelo personagem Polônio na peça Hamlet), que ela também relembra ter visto como título de um filme no cinema da cidade.

04 – Como Pedrinho reage à explicação de Dona Benta sobre o verso de Shakespeare e qual decisão ele toma a partir dessa reflexão?

      Pedrinho reage com entusiasmo e admiração ("Lindo, vovó!"). Ele decide adotar o verso "Quero ser fiel a mim mesmo" como o lema de sua própria vida, demonstrando ter compreendido a importância da autenticidade e da autonomia moral.

05 – Como a fala final de Pedrinho ("...e o mundo que se fomente...") reflete a mudança de atitude que a fábula propõe em relação às críticas alheias?

      A expressão informal de Pedrinho indica um desapego em relação às opiniões e julgamentos dos outros. Ela reflete a mudança de atitude proposta pela fábula: em vez de mudar constantemente de comportamento para agradar a todos (como o velho e o menino fizeram ao longo da história), deve-se priorizar a integridade pessoal e a consciência própria, sem se deixar abalar pela pressão social externa.

 

 

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

FÁBULA: RAP DA CIGARRA E A FORMIGA - JÔ SOARES - COM GABARITO

 Fábula: RAP DA CIGARRA E A FORMIGA

           Jô Soares

Saca essa fábula, bicho,

que vai te deixar cabreiro.

Num depósito de lixo

tinha um bruta formigueiro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlf4ySUKMDhESOhJwTvO7MDbKcEYyp38OPBl1lK9_8dOkoVP3xzCkPNQZ921shv9a2l7LPnpNWFiM6L29Si0O6yQmg5KpGrXRvlEA42Nt9GIo3-SlGAAwU9l0MlKOe8riGbYazKWCJUTnwYFEuZO5T4U5hE-3LVRul_5YT1G5SyGLhK-CxYIx4GJqywVI/s320/images.jpg
 

O formigueiro falado,

na verdade não era mixo.

Foi só pra ficar rimado

que eu falei que era no lixo.

As formigas, ligadonas,

trabalhavam noite e dia.

Ficavam muito doidonas

plugadas nessa mania.

Podes crer, não é mentira.

Um dia uma punk louca

que se chamava cigarra

e achava que era touca

trabalhar tanto, na marra,

se meteu com a formigada

e falou, pontificando:

-- Trabalhar é uma jogada

devagar, quase parando.

Coisa careta, uma fria,

bobeira que eu não assumo.

E avisou que não curtia

formigueiro de consumo.

 

As formigas, sem ligar,

responderam na maior:

-- Se você não trabalhar,

vai acabar na pior.

A cigarra se mandou

dizendo que era besteira.

Das formigas se afastou

cantando um rock pauleira.

Só voltou quando era inverno.

As formigas, pra esnobar,

em vez de um papo fraterno,

foram se bacanear.

Disseram logo as formigas:

-- Olha, se quiser guarida

vai pedir pras tuas amigas.

Nós não damos boa vida.

E a cigarra: – Eu tô na minha...

Não vim aqui pedir nada.

Só vim dizer que eu, sozinha,

fiz a Sena acumulada.

        Moral: Para alguém ganhar sozinho a Sena acumulada, tem que ser leão. Ou então cigarra, bicho. Enfim, bicho: bicho.

Jô Soares. Revista Veja. São Paulo: Editora Abril, 31 out. 1990, p. 17.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 89-90.

Entendendo a fábula:

01 – O texto de Jô Soares é uma reescrita da famosa fábula de Esopo/La Fontaine. Quais são as principais diferenças de tom e de linguagem que modernizam essa narrativa?

      A principal diferença é a utilização do gênero textual rap combinado com uma linguagem urbana, jovem e repleta de gírias da cultura pop/underground (como "saca essa", "cabreiro", "bacanear", "punk louca", "careta", "na maior"). Em vez do tom moralizante e solene da fábula tradicional, o autor adota um tom humorístico, descontraído e satírico.

02 – Na segunda estrofe, o narrador faz um comentário sobre o local onde ficava o formigueiro ("Foi só pra ficar rimado / que eu falei que era no lixo"). O que essa metalinguagem revela sobre a estrutura do texto?

      Essa intervenção revela o uso da metalinguagem, na qual o poeta expõe a própria construção do poema ao leitor. Ele admite de forma cômica que a escolha da palavra "lixo" para determinar o cenário foi feita apenas pela necessidade de criar uma rima com "mixo", sem compromisso com a verossimilhança da história, humanizando a figura do narrador.

03 – Como a Cigana é caracterizada no texto e qual é a sua visão em relação ao trabalho contínuo exercido pelas formigas?

      A Cigarra é caracterizada como uma figura rebelde e contra-cultural ("punk louca"), que rejeita o modelo de vida tradicional. Para ela, trabalhar "na marra" e sem parar é uma atitude "careta", "uma fria" e "uma jogada devagar". Além disso, ela critica o estilo de vida das formigas ao afirmar que não curte um "formigueiro de consumo".

04 – Qual é a reação das formigas ao reencontrarem a Cigarra no inverno e o que essa atitude representa?

      Ao reencontrarem a Cigarra no inverno, as formigas agem com soberba e individualismo ("pra esnobar", "foram se bacanear"). Em vez de oferecerem ajuda, mandam a Cigarra procurar as amigas e afirmam que não dão "boa vida" a ninguém. Essa atitude representa a falta de solidariedade e o orgulho das formigas por cumprirem a rotina de trabalho.

05 – Como ocorre o "quebra de expectativa" (clímax cômico) no final do poema em relação ao desfecho da fábula tradicional?

      Na fábula tradicional, a Cigarra volta no inverno humilhada, faminta e dependente do auxílio das formigas. No texto de Jô Soares, a expectativa é subvertida: a Cigarra não volta para pedir abrigo ou comida, mas sim para ostentar que ganhou sozinha na "Sena acumulada", tornando-se rica sem precisar do trabalho duro do formigueiro.

06 – Como a "moral da história" apresentada ao final ironiza tanto o conceito tradicional de fábula quanto a própria realidade social?

      A moral da história ironiza o ensinamento clássico de que "somente o trabalho duro garante a prosperidade". Ao mostrar que a Cigarra enriqueceu por ter ganhado na loteria (Sena acumulada), o texto ironiza a sorte aleatória e as facilidades financeiras que fogem à regra do esforço pessoal. O trocadilho final com "leão" e "bicho" reforça o tom de piada e deboche sobre a aleatoriedade da riqueza.

07 – Quais elementos do texto exemplificam a crítica ao modelo de sociedade focado no trabalho excessivo e no consumo?

      A crítica aparece na descrição das formigas, que trabalhavam "noite e dia" e ficavam "doidonas / plugadas nessa mania" de produzir, caracterizando um vício pelo trabalho atrelado ao "formigueiro de consumo". O texto põe em cheque se a obsessão pelo trabalho sem espaço para a arte ou o lazer é realmente o único caminho válido para a vida.

 

 

FÁBULA: O LOBO E O CORDEIRO - FLÁVIO E SOUZA - COM GABARITO

 Fábula: O lobo e o cordeiro

           Flávio de Souza

       O lobo e o cordeiro se encontraram, famintos, num restaurante. O lobo foi logo dizendo:

        -- Que satisfação encontrar você aqui!

        Nesse exato momento, o garçom chegou e disse para eles que teriam de dividir a única mesa ainda vaga.

        O primeiro a fazer o pedido foi o cordeiro:

        -- Por favor, uma salada bem variada.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEja9pJO4CViO5PidWa6-irwr7QJd4-91E2m7ijgxeiODpK86ZXu58wdtQ1pFjh9B4XCo9wNKokaAedxhs5ED8Yunl5x7_OVujpBlOKLz8Mwgn8IMhJJXp1iki9b8AbbvcFF7oawn8sHbvHikaajcod3VdnrVjlXbUrVhz_lOefIV2EYGcLAPM054dtTgvw/s320/images.jpg


        E o lobo:

        -- Para mim, o de sempre: um suculento ensopado de cordeiro!

        -- Desculpe, sr. Lobo, mas hoje esse tipo de carne está em falta.

        Imediatamente o lobo olhou em direção ao seu companheiro de mesa e, para sua surpresa, avistou apenas uma cadeira vazia.

        Moral da história: O prudente prevê o perigo e se afasta a tempo; diante de quem é mais forte ou perigoso, a autopreservação deve vir antes da polidez.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 96.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o elemento principal de modernização presente nesta versão da história em comparação com a fábula tradicional de "O Lobo e o Cordeiro"?

      A modernização ocorre pela mudança do cenário e da dinâmica entre os personagens: em vez de se encontrarem à beira de um riacho em um ambiente natural, a história se passa em um ambiente urbano e cotidiano — um restaurante lotado —, onde ambos figuram inicialmente como clientes em busca de refeição.

02 – Por que o lobo demonstrou satisfação ao encontrar o cordeiro no restaurante?

      Porque, sendo um predador natural do cordeiro e estando faminto, o lobo enxergou na presença do outro animal a oportunidade perfeita para satisfazer sua fome, encarando o cordeiro não como um companheiro de refeição, mas como a própria refeição.

03 – Como a resposta do garçom ao pedido do lobo alterou o conflito da narrativa?

      A resposta do garçom de que a carne de cordeiro estava em falta na cozinha fez com que a ameaça explícita do lobo voltasse ao cordeiro que estava sentado à mesa, transformando o animal vivo na única opção para o cardápio desejado pelo predador.

04 – O que a cadeira vazia no final da história indica sobre a atitude do cordeiro?

      A cadeira vazia indica que o cordeiro foi astuto e ágil. Ele percebeu imediatamente o perigo iminente assim que ouviu o pedido e a resposta do garçom, decidindo fugir discretamente antes que o lobo pudesse atacá-lo.

05 – Como o texto constrói o humor e a quebra de expectativa ao longo da narrativa?

      O humor é construído pelo contraste entre a etiqueta social de um restaurante e o instinto selvagem dos animais. A quebra de expectativa acontece no desfecho: enquanto o leitor e o lobo esperam um confronto direto, o cordeiro antecipa a intenção do predador e desaparece em silêncio, deixando o lobo surpreso e de mãos vazias.

 

domingo, 11 de outubro de 2026

FÁBULA: DO ASNO DE BURIDAN - FRAGMENTO - JEAN BURIDAN - COM GABARITO

 Fábula: Do Asno de Buridan – Fragmento

          Jean Buridan

        [...]

        Um asno, vítima da fome e da sede, depois de longa caminhada, encontrou um campo de viçoso feno ao lado do qual corria um regato de límpidas águas. Consumido pela fome e pela sede, começou a hesitar, não sabendo se antes comia o feno e depois bebia da água ou se antes saciava a sede e depois aplacava a fome. Assim, perdido na indecisão, morreu de fome e de sede.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhzdHT5TrKLfuzfuchaZpIyqqhzmCf3TyN5oLsNUhWYGyWjVI5jQxGI5OcEi23jKcdTqoRVU7djN2A8LSfyt2JHzsrQbemQS_ehs4gl2vg5tL0yx1GhxoNA1CCYqa3D0WH3rQlIwB5jdwMQ-lfJERChmLqMyho8IG-mGCCFaQjIEnqj9z2abBYXps9MetQ/s320/images.jpg


        [...]

        Moral: De muito pensar morreu um burro!

Fábula de Buridan, filósofo da Idade Média.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 97.

Entendendo a fábula:

01 – Qual é o dilema central enfrentado pelo asno na narrativa e qual foi o motivo de sua incapacidade de tomar uma decisão?

      O dilema central do asno é decidir por qual necessidade básica começar: se deve primeiro comer o feno viçoso para apaziguar a fome ou beber a água límpida para saciar a sede. Ele foi incapaz de decidir porque ambos os estímulos (fome e sede) e as recompensas (comida e água) tinham exatamente o mesmo peso e atratividade, gerando um estado de paralisia deliberativa devido ao equilíbrio perfeito entre as duas escolhas.

02 – O desfecho do texto apresenta um resultado trágico para o personagem. De que maneira a conclusão da história ilustra as consequências da indecisão extrema?

      A conclusão — em que o asno morre de fome e de sede ao lado da comida e da água — ilustra que a hesitação excessiva e a busca por uma escolha ideal podem levar à inação absoluta. A história mostra de forma alegórica que a incapacidade crônica de decidir pode ser mais prejudicial do que fazer uma escolha imperfeita ou arbitrária.

03 – Sob uma perspectiva filosófica e racional, qual é a crítica que essa parábola faz ao conceito de livre-arbítrio e à tomada de decisão puramente lógica?

      A parábola critica a ideia de que a razão humana (ou a tomada de decisão) funciona de forma puramente mecanicista. Se a mente dependesse apenas de uma razão matemática onde duas opções são rigorosamente iguais em valor, ela ficaria infinitamente bloqueada (sem motivo para escolher 'A' em vez de 'B'). O texto demonstra que o livre-arbítrio exige a capacidade de agir mesmo quando não há uma vantagem racional evidente entre as alternativas.

04 – Qual é a ironia presente na situação vivida pelo asno em relação ao ambiente em que ele se encontrava?

      A ironia reside no fato de que o asno morreu de privação (fome e sede) em um ambiente de extrema abundância, cercado por tudo aquilo de que precisava para sobreviver (feno viçoso e água limpa). O obstáculo para a sua sobrevivência não foi a escassez de recursos materiais, mas sim uma limitação mental de sua própria capacidade de escolha.

05 – Como a fábula do "Asno de Buridan" pode ser aplicada a situações do cotidiano da vida moderna?

      A fábula pode ser aplicada a situações em que o excesso de opções equivalentes gera paralisia por análise (o chamado overthinking). Na vida moderna, ocorre frequentemente quando uma pessoa consome tempo e energia preciosos tentando decidir entre duas oportunidades de carreira, produtos de consumo semelhantes ou caminhos de vida igualmente vantajosos, acabando por perder ambas as oportunidades devido à demora em agir.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

FÁBULA (POEMA): O QUE OS OLHOS NÃO VEEM - RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Fábula (Poema): O que os olhos não veem

             Ruth Rocha

Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgu0A0qmR1ZPOI4UePhwC0eFmyTC0SsoUQ9XYVk7QXUtoMMGJXdPSaf9NaTglYlgirERpJDESI58f6dIFt6vcD-d-3mhNQ-nQgcG0d4-5x4czM-8RfTtD5O01KLmV_sPNEb3tkRPrRSk7fOprptFF-mhj2GZbW5CgMXAxGLksqqQlVvu65r4vKpMnWjvo4/s320/images.jpg



Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não veem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando à convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não veem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
-- Vamos olhar na muralha.
-- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geleia,
daquela grande assembleia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não veem
nosso coração não sente.

 

        Moral: A história é uma metáfora (uma comparação figurada) sobre a desigualdade social e a força da união do povo.

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historias_08.htm

 

Entendendo a fábula:

01 – O texto que você leu foi escrito em verso. Sabendo que cada linha do poema é um verso e que cada conjunto de versos forma uma estrofe, responda:

a) Quantas estrofes têm o poema?

      O poema é formado por 18 estrofes.

b) Todas as estrofes têm o mesmo número de versos?

      Não. O poema é heterostrófico (suas estrofes variam de tamanho). Existem estrofes com 6, 7 e até 10 versos.

 

02 – Um recurso sonoro muito utilizado em poemas é a rima. Rimas são repetições dos mesmos sons ao final das palavras. Releia as duas primeiras estrofes e escreva no caderno as rimas que encontrar.

      1ª Estrofes: distante rima com reinante e bastante.

      2ª Estrofes: aconteceu rima com adoeceu e percebeu.

esquisita rima com aflita.

 

03 – O texto afirma que o rei ficou doente. Qual era a doença dele?

      A doença do rei era uma cegueira e surdez seletivas: ele só conseguia enxergar e ouvir as pessoas grandes, fortes, ricas e bem-nascidas. As pessoas pequenas, de voz fraca e pobres eram completamente invisíveis para ele.

 

04 – Comparando a história com a realidade, quem você acha que representa as pessoas grandes e fortes? E as pequeninas?

      Pessoas grandes e fortes: Representam os ricos, os influentes, os políticos e a elite social, que detêm o poder econômico e a atenção dos governantes.

      Pessoas pequeninas: Representam a classe trabalhadora, os mais pobres e marginalizados da sociedade, que costumam ser ignorados pelas autoridades públicas.

 

05 – O que acontecia com as pessoas que viviam junto ao rei?

      A doença era "contagiosa". Assim que alguém passava a conviver com o rei no palácio — até mesmo uma pessoa do povo que ficasse grande —, logo pegava a mesma cegueira e passava a ignorar os pequenos e pobres.

 

06 – O que o povo fez para resolver o problema da cegueira do rei?

      O povo uniu suas forças:

      -- Uniram as vozes: Perceberam que juntas as vozes fracas soavam como um trovão.

      -- Usaram pernas de pau: Subiram em pernas de pau para ficarem altos o suficiente para serem enxergados pelo rei e sua corte.

      -- Marcharam juntos: Foram em multidão até a capital exigir ser ouvidos.

 

07 – As atitudes do rei e das pessoas próximas a ele são resumidas no provérbio “o que os olhos não veem, nosso coração não sente”. Você conhece outro provérbio que possa resumir as atitudes do povo? Qual?

      Existem alguns ditados populares que combinam muito com a atitude coletiva do povo na história:

      "A união faz a força." (O mais adequado, pois refere-se diretamente ao grupo se juntando para vencer a dor).

      "Quem não chora, não mama." (Mostra que eles tiveram que protestar para serem atendidos).

      "De grão em grão, a galinha enche o papo."

 

08 – O eu lírico (a voz que fala no poema) sugere que cada um vá inventando o que aconteceu depois que o problema foi resolvido. Invente o seu final para a história.

      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Após a fuga do rei e dos nobres, o povo percebeu que não precisava de um monarca para dizer o que devia ser feito. Eles se reuniram em uma grande praça e criaram um conselho formado por representantes de cada bairro e profissão. As pernas de pau foram guardadas no museu da cidade para lembrar a todos que, dali para frente, ninguém mais seria invisível naquele lugar.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

FÁBULA: A LEBRE E A TARTARUGA - ESOPO - COM GABARITO

 Fábula: A lebre e a tartaruga

                         Esopo

 

        A lebre vivia a se gabar de que era o mais veloz de todos os animais. Até o dia em que encontrou a tartaruga.

        – Eu tenho certeza de que, se apostarmos uma corrida, serei a vencedora – desafiou a tartaruga.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixQEvajKCC-3KXyAgNm8zTeZ-Co0FCENMH19MKJ7gCN4xxbZDaVuboPCR9SctrqgOfSd9eLFqIkyohr6hbIjVnIyiHOeGFtB2zhQBg5wBFGJvJGlyptQQOR8Oo-7jmDTmtL2fjOqTKvvUNxipPnWv_C8yVhGZhxbBXhSql1_5N6tqt6hXH9ONuarz4QB4/s320/images.jpg 


        A lebre caiu na gargalhada.

        – Uma corrida? Eu e você? Essa é boa!

        – Por acaso você está com medo de perder? – perguntou a tartaruga.

        – É mais fácil um leão cacarejar do que eu perder uma corrida para você – respondeu a lebre.

        No dia seguinte a raposa foi escolhida para ser a juíza da prova. Bastou dar o sinal da largada para a lebre disparar na frente a toda velocidade. A tartaruga não se abalou e continuou na disputa. A lebre estava tão certa da vitória que resolveu tirar uma soneca.

        "Se aquela molenga passar na minha frente, é só correr um pouco que eu a ultrapasso" – pensou.

        A lebre dormiu tanto que não percebeu quando a tartaruga, em sua marcha vagarosa e constante, passou.

        Quando acordou, continuou a correr com ares de vencedora. Mas, para sua surpresa, a tartaruga, que não descansara um só minuto, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar.

        Desse dia em diante, a lebre tornou-se o alvo das chacotas da floresta. Quando dizia que era o animal mais veloz, todos a lembravam de uma certa tartaruga...

       Moral da história: Quem segue devagar e com constância sempre chega na frente.

 

http://www.metaforas.com.br/infantis/a_lebre_ea_tartaruga.htm

 

Entendendo a fábula:

01 – Neste texto vários animais estão envolvidos na realização de uma corrida. Eles são personagens da história. Quem são eles?

      Os personagens mencionados no texto são a lebre, a tartaruga, a raposa e, de forma figurada/geral, o leão e os outros animais da floresta.

 

02 – Segundo o texto, qual foi a tarefa escolhida para a raposa?

      A raposa foi escolhida para ser a juíza da prova (ou seja, responsável por dar o sinal da largada e acompanhar a corrida).

 

03 – “É mais fácil um leão cacarejar do que eu perder uma corrida para você.” O que será que a lebre quis dizer com isso?

      A lebre quis dizer que era impossível ela perder a corrida para a tartaruga. Como um leão nunca cacareja (pois isso é som de galinha), ela usou esse exemplo exagerado para mostrar quanta certeza e deboche tinha sobre a sua própria vitória.

 

04 – Por que a lebre tornou-se o alvo das chacotas da floresta?

      Porque ela vivia se gabando de ser o animal mais rápido de todos, mas acabou perdendo a corrida para a tartaruga (um dos animais mais lentos) por causa do seu excesso de confiança e de ter dormido durante a prova.

 

05 – Como você entendeu a moral da história?

      A moral ensina que a determinação, a paciência e a dedicação contínua valem mais do que o talento natural acompanhado de preguiça ou excesso de confiança. Mesmo sendo mais devagar, se você não desistir e mantiver o foco, conseguirá atingir seus objetivos, enquanto quem é muito arrogante pode acabar falhando

domingo, 26 de julho de 2026

FÁBULA: O SEGREDO DO VALE VERDE - COM GABARITO

 Fábula: O Segredo do Vale Verde

         No Vale Verde, a água era o bem mais precioso. O pequeno coelho Théo passava os seus dias cavando pequenos canais de irrigação para levar a água do rio principal até as plantações das famílias mais humildes da floresta. Théo acreditava que, se todos trabalhassem juntos, ninguém passaria fome. Seu sonho era ver o vale prosperar de forma justa.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeUCywDlLDxXrEI3qyFNK22GhvGGDzRioVS9pgEZ_fAXBnFuL4BXJlsZjKoSsCR_Aou4V8W2wvxbS1AhmIOGq7XlCvKR0Pt17vVRRCxhviXCuwsCHIE6wJV_XY6RP-NBH8ZxD5kKGMKBehJuipEGdeGjRx0H-c2b1WTFqBUbAsnwDetWwce883Ewo4xe0/s320/images.jpg


        No entanto, o Lobo Lobo-Gris, o bicho mais poderoso da região, tinha outros planos. Ele construiu uma grande represa de pedras, desviando todo o curso do rio para suas próprias terras. Lobo-Gris queria cobrar um preço altíssimo por cada balde de água que os outros animais precisassem usar. "Quem tem a força faz as regras", zombava o lobo, enquanto as plantações dos vizinhos começavam a secar.

        Ao perceber a maldade, Théo não se intimidou pela diferença de tamanho. Ele reuniu os animais à noite e, usando a inteligência, desenhou um plano para abrir as comportas da represa sem que o lobo percebesse. A união e a persistência do coelho devolveram a vida ao Vale Verde, mostrando que o egoísmo não vence o trabalho coletivo.

        Moral: A união, a inteligência e o trabalho coletivo são mais fortes do que a força bruta, o egoísmo e a ganância.

Autor desconhecido. Texto é considerado de domínio público/autoria anônima escolar.

 

Entendendo a fábula:

01 – Quem é o protagonista da história e qual é o seu principal objetivo? Justifique com elementos do texto.

      O protagonista é o coelho Théo. Ele ocupa esse papel porque a história gira em torno de suas ações e de seu desejo de ajudar a comunidade. Seu objetivo principal era levar água do rio para as plantações das famílias humildes da floresta para que ninguém passasse fome.

 

02 – O Lobo-Gris atua como o antagonista da narrativa. Explique qual ação dele cria o conflito principal da história e o que ele pretendia alcançar com isso.

      Lobo-Gris é o antagonista porque ele cria o obstáculo central que impede o protagonista de realizar seu objetivo. A ação que gera o conflito é a construção de uma represa para desviar a água do rio. Ele pretendia, com isso, monopolizar a água e cobrar um preço altíssimo dos outros animais, agindo por ganância.

03 – A habilidade EF69LP44 nos convida a identificar valores sociais e humanos nos textos. Quais valores sociais opostos o comportamento de Théo e o de Lobo-Gris representam?

      O comportamento de Théo representa os valores da cooperação, empatia e senso de comunidade, pois ele trabalha pelo bem de todos. Já o comportamento de Lobo-Gris representa o egoísmo, a ganância e o individualismo, pois ele pensa apenas no próprio lucro, mesmo que isso cause o sofrimento alheio.

 

04 – No segundo parágrafo, o lobo afirma: "Quem tem a força faz as regras". Pensando na nossa sociedade real, que tipo de visão de mundo ou comportamento essa frase critica? Como o desfecho da história rebate essa ideia do lobo?

      A frase do lobo critica a visão de mundo baseada na opressão, onde os mais fortes ou poderosos acreditam que podem explorar os mais fracos sem sofrer consequências. O desfecho da história rebate essa ideia ao mostrar que a inteligência, a união e a organização coletiva dos animais menores foram capazes de vencer a força bruta e o autoritarismo do lobo.

 

 

FÁBULA: SEMPRE ALERTA! - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Fábula: Sempre Alerta!

           Millôr Fernandes

        Grande espírito, o daquele escoteiro. Estava na rua, segurando seu feroz cão policial, quando viu parar um ônibus. Os passageiros desceram, subiram, o ônibus pôs-se a andar. No momento em que o ônibus ia andando apareceu um velhinho tentando pegá-lo. Correu atrás do ônibus. Quando já o ia pegando, o ônibus aumentou a velocidade. No instante exato em que o velhinho, aborrecido, ia desistir do ônibus, o escoteiro não teve dúvida: soltou o cachorro policial em cima dele. O velho pôs-se a correr desesperadamente e, como única salvação, pegou o ônibus que já ia quinhentos metros adiante. O escoteiro segurou de novo o cão e voltou para casa, feliz, tendo praticado sua boa ação do dia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjlez_JJk0I7_CX72c3MrBApwnN667ed-DCRKH1nZNwJXvwqciQyj8FBDQRpPU3JPeygKuqnpCvca0tVftY9_zaezA9_pyNdKqnRWvl-60hB0iamqkLjuj5yJ3uOFHCkSqe-kTQyKiHPdHwEVUHhAmi8Y_gksUHY8_9-zJwH9nlF94n1mIjXJ8xR9ZdnR8/s320/images.jpg


        Moral: Nem toda "ajuda" é motivada por empatia — às vezes, boas intenções executadas sem noção do perigo geram o resultado certo pelos motivos inteiramente errados.

 

Entendendo a fábula:

01 – O que é um "escoteiro"?

      Pessoa que cuida da natureza e auxilia pessoas que precisam de ajuda.

 

02 – Por que, afinal, o escoteiro soltou o cachorro policial em cima do velhinho?

a) para assustar o velhinho

b) para fazer com que o velhinho alcançasse o ônibus.

c) para livrar-se do cão

d) para que ele atacasse o velhinho.


03 – "O velho pôs-se a correr desesperadamente." Qual é o significado da expressão em destaque?

a) voltou                         c) movimentou-se

b) pensou                       d) começou.

 

04 – Que fato é responsável pelo humor da tirinha?

       Que o escoteiro soltou o cachorro pra cima do velhinho para que ele corresse e alcançasse o ônibus.

 

05 – Que outra solução você daria para ajudar o velhinho?

      Resposta pessoal do aluno.

sábado, 25 de julho de 2026

FÁBULA: CÃO! CÃO! CÃO! - MILLÔR FERNANDES - COM GABARITO

 Fábula: CÃO! CÃO! CÃO!

           Millôr Fernandes

 

        Abriu a porta e viu o amigo que há tanto não via. Estranhou apenas que ele, amigo, viesse acompanhado por um cão. Cão não muito grande, mas bastante forte, de raça indefinida, com toda efusão. “Quanto tempo!”. O cão aproveitou as saudações, se embarafustou casa adentro e logo o barulho na cozinha demonstrava que ele tinha quebrado alguma coisa. O dono da casa encompridou um pouco as orelhas, o amigo visitante fez um ar de que a coisa não era com ele. “Ora, veja você, a última vez que nos vimos foi...” “Não, foi depois, na...” “E você, casou também?” O cão passou pela sala, o tempo passou pela conversa, o cão entrou pelo quarto e novo barulho de coisa quebrada. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjFZrD3W8J0b5Sz6SkzuuOJQH1BvdYq2mKhyphenhyphen_bfK9O1xommjmkjKVTYE4i9Shdo-HJySCzVn0zJ-9_srqMdCqJknbEIKp1x809y0YqBKXFBpryRODQHJTJjp1I1LPr2HPp5eyxg4se63ceaSHjv_uUlaFiWg_RMkn1ZElIFIlY5f-pm2Uxb0jQPnJVo9Ck/s320/images.jpg


Houve um sorriso amarelo por parte do dono da casa, mas perfeita indiferença por parte do visitante. “Quem morreu definitivamente foi o tio... Você se lembra dele?” “Lembro, ora, era o que mais... não?” O cão saltou sobre um móvel, derrubou o abajur, logo trepou com as patas sujas no sofá ( o tempo passando) e deixou lá as marcas digitais de sua animalidade. Os dois amigos tensos, agora preferiam não tomar conhecimento do dogue. E, por fim, o visitante se foi. Se despediu, efusivo como chegara, e se foi. Mas ainda indo, quando o dono da casa perguntou: “Não vai levar o seu cão?” “Cão? Cão? Cão? Ah, não! Não é meu, não. Quando entrei, ele entrou naturalmente comigo e eu pensei que fosse seu. Não é seu, não?”

 

        MORAL: Quando notamos certos defeitos nos amigos, devemos sempre ter uma conversa esclarecedora.

 Entendendo a fábula:

01 – Quais são os personagens da história?

      Os dois amigos e o cão.

02 – O autor não utilizou travessões para indicar os diálogos. Que recurso Millôr Fernandes usou para representar as falas dos personagens?
      Aspas.
03 – O cão era vira-lata. Que expressão do texto indica isso?

      De raça indefinida.

04 – Enquanto os amigos conversavam, o cão passou por três cômodos da casa. Indique quais são os cômodos e o que o cão fez em cada um deles.

      Cozinha (quebrou algo), quarto (quebrou algo), sala (derrubou o abajour e deixou suas marcas no sofá).


05 – Por que os amigos foram ficando tensos à medida que o tempo ia passando?

      Porque o cachorro estava quebrando tudo e ninguém fazia nada.
06 – O que significa o sorriso amarelo do dono da casa no meio de sua conversa com o amigo?

      Que ele estava sem graça.

07 – Por que nenhum dos amigos reagiu às destruições do cachorro?

      Porque o cão não era de nenhum dos dois.

08 – Que fato é responsável pelo humor do texto?

      Que um fica achando que o cão era do outro e não era de ninguém.