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quinta-feira, 4 de junho de 2026

LENDA: DO SENHOR JUSTO DA PIEDADE - GENTIL MARQUES - COM GABARITO

 Lenda: Do Senhor Justo da Piedade

         Como sempre acontece, o espírito do povo joeira e adorna a tradição a seu bel-prazer. Das várias versões que conheço referentes à fundação da igreja do Senhor Jesus da Piedade, em Elvas, prefiro a que vou contar.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi8LaJZvh6IHhZTHLalW-xOxPxUk3Npnv2oBc3WgsxTBnDFpRBdlQZSNUjkcQsX48bcYIS1-hKqnm5OKl6cFugY1Ss5mcBvhyViSBpVpSJWrQezMsHtoAZ2ZV3s5cruErt5s5O9LFWheTt4t_V2XtvLNo1rlZxG9lVrM76AjRPeeIG_sVCSQCLVIPjmRRQ/s320/piedade.png 


        Ali, na estrada praticamente deserta, havia apenas um tosco cruzeiro, a assinalar o caminho. E no cruzeiro, um Cristo batido pelas chuvas e pelos ventos era o único farol de Fé a iluminar os viandantes desnorteados.
        Ora, certa tardinha, vinham por aquela mesma estrada pai e filho, que regressavam de uma romaria. Vinham a discutir.

        — Já te disse, José, que não deves proceder assim. Um rapaz da tua idade tem de portar-se como deve ser. De outro modo irás por mau caminho.

        O rapaz mostrou-se azedo.

        — Sabe que mais? Estou farto dos seus sermões. Fartíssimo! Julga que sou algum gaiato? Já tenho barba na cara, não o esqueça?

        O homem retorquiu, zangado:

        — E isso leva-te a deixares de ser meu filho?

        O rapaz encolheu os ombros.

        — Claro que não. Mas não estou disposto a andar agarrado pelos cueiros, como se fosse um mocinho!

        — E que és tu, afinal, senão uma criança? Pelo menos a maneira como te portaste hoje de manhã assim o prova.

        O rapaz teve outro gesto de enfado.

        — Lá vem o pai outra vez com a mesma história! Que raio! Não sabe falar noutra coisa!

        O sangue subiu às faces do velho.

        — José, tem respeito pelo teu pai! Já tenho alguns anos em cima de mim, mas possuo ainda a mão bastante leve para...

        O rapaz interrompeu-o.

        — Deixe-se de lérias! Isso deve ser do vinho que bebeu a mais...
        A cólera quase superou o homem.

        — Que dizes, tratante? Insinuas que estou bêbedo? Tu é que bebeste demais! Parecias um odre sem fundo. E talvez fosse por isso que me quiseste roubar!

        O rapaz deu um salto de desespero.

        — Que está para aí a dizer? Olhe que a paciência tem limites! Já lhe afirmei que só quero aquilo que é meu! Ou pensa que todo o dinheiro da venda lhe pertence?

        O homem gritou:

        — Pois pertence! Enquanto for vivo, quem governa o dinheiro sou eu!

        — Histórias da carochinha! Já não vou nisso, deixei de andar de olhos tapados! Já sabe: daqui em diante quero o meu dinheiro, para o governar como entender, ouviu bem?

        — Endoideceste?

        — Não, não endoideci quero o meu dinheiro! E que isto fique dito de uma vez para sempre!

        Nesse momento preciso, pai e filho iam passando junto do velho cruzeiro. E aos ouvidos do rapaz soou uma voz semivelada:

        — Teu pai tem razão. És o seu filho. Deves-lhe obediência. Terás de seguir sempre os seus conselhos…

        O rapaz voltou-se, surpreendido.

        — De quem é esta voz? Foi vossemecê quem falou?

        O homem também se mostrou admirado:

        — Falar, eu? Agora não disse nada… Não me deste tempo para isso!
        Mas já o pai escutava, por seu turno, um murmúrio ao seu ouvido:

        — Não sejas severo em demasia com o teu filho. Lembra-te de que já não é criança. Trata-o como um homem igual a ti, e ele compreender-te-á.

        O homem olhou o filho.

        — Quem está aqui a falar?

        — Eu não! Também ouviu uma voz?

        — Ouvi. Mas... aqui não está mais ninguém. A não ser...

        — A não ser o quê?

        Pai e filho olharam a imagem do Cristo de pedra. Mas logo o rapaz retorquiu, enfadado:

        — Não me diga que julga que a fala vem dali.

        E apontava com um arremesso de cabeça a imagem do Cristo.

        — Sabe-se lá!

        — Agora vejo que está realmente bêbedo!
        O pai voltou a gritar:

        — Cala-te, imbecil!

        — Imbecil será vossemecê!

        A cólera tingiu de vermelho as faces do velho.

        — Ainda hoje não te livras de uma sova!

        Num ar rufião, o rapaz provocou-o:

        — Ora experimente!

        Os insultos seguiram-se. Mas continuaram caminhando, deixando para trás o Cristo de pedra. E porque ambos iam toldados pelo vinho, o inevitável aconteceu. O dinheiro voltou a ser o fulcro da discussão. Como o pai negasse, o rapaz fez menção de lho tirar. O primeiro empurrão surgiu. O agredido respondeu. E num instante os dois homens lutavam como se não fossem do mesmo sangue. Como se o próprio vento tivesse ficado surpreendido, uivou na encruzilhada, batendo forte, também, no rosto dos contendores. O velho caiu por terra. O rapaz vencera. Sacou das algibeiras do pai todo o dinheiro e abalou correndo, deixando o pai a gemer dolorosamente.

        Abandonado pelo filho no caminho deserto, o homem levantou-se depois de algum esforço. Chorando copiosamente, voltou para trás até junto do cruzeiro. Aí caiu de joelhos. Soluçava alto, como desvairado. Depois, um pouco mais sereno, sentindo viva a união do seu espírito ao Espírito Divino de Cristo, implorou:

        — Oh meu Jesus! Tu, que também foste homem, abaixa o Teu olhar sobre mim e derrama sobre o velho que hoje sou a Tua Misericórdia! O meu filho, aquele que eu criei, roubou-me e faltou-me ao respeito. É um ladrão e talvez um assassino, pois pouco se lhe dá que eu morra para aqui, abandonado. Não sei voltar à terra onde vivi. Mas não queria morrer sabendo que ele é um ladrão. Salva-me, pois, e salva-o a ele! Salva o meu filho, e eu Te juro que todo o meu dinheiro será para construir aqui, neste local, uma capelinha digna de Ti, ó meu Senhor Jesus! Salva-nos! Desce o Teu olhar sobre nós, ó Jesus de tanta Piedade!

        O vento zuniu mais forte sobre o silêncio que as palavras do homem deixaram ao extinguir-se. Mas logo outras palavras se ouviram:

        — Tem fé, e ser-te-á dada a salvação!

        O homem gritou:

        — Senhor! E ele? E o meu filho?

        A voz tornou, complacente:

        — Escuta o seu apelo... Ele vem implorar-te perdão. Sê razoável...

        Perdoa as ofensas, como desejas que o Pai Celeste perdoe as tuas!

        O homem curvou a cabeça. Chorava. De súbito ouviu-se uma voz que vinha de longe e se aproximava cada vez mais:

        — Pai, meu pai, onde está?... Responda-me, meu pai!

        O coração do homem bateu com violência. E gritou, rouquejando:

        — Filho! Estou aqui... junto ao cruzeiro!

        O rapaz acorreu. Agarrou as mãos do pai e implorou:

        — Por amor de Deus, perdoe-me e esqueça o que fiz! Eu devia estar louco! Se soubesse como sofro!

        O homem encostou a cabeça grisalha ao ombro do filho, chorando. Mal se ouviram as suas palavras de perdão. Por fim, desencostou-se. Já não chorava. Perguntou, movido por uma estranha curiosidade:

        — Filho! Porque voltaste?

        O rapaz respondeu como se estivesse a recordar um sonho:

        — Se soubesse o que me aconteceu! Quando ia a fugir, caí num barranco. Tão alto que nem sei como não me feri. Mas não conseguia sair de lá. De repente, senti medo. Um medo estranho. Tinha a sensação de ter caído vivo no Inferno. Foi nessa altura que me lembrei da voz que ouvi quando passámos por este cruzeiro. Então pedi ao Senhor Jesus que me salvasse, em troca do meu sincero arrependimento!

        Calou-se o rapaz por alguns instantes. Depois, continuou:

        — Mal havia feito este propósito... sem bem saber como... senti forças para erguer-me do barranco e vir até aqui!

        O vento levou até à imagem de pedra do Senhor Jesus esta elevação da alma de um pai agradecido:

        — Obrigado, meu Deus! Obrigado pela Vossa Piedade, meu Senhor Jesus Cristo!

        Pouco tempo depois, a promessa feita em circunstâncias tão dramáticas, num local ermo e batido pelo vento, foi cumprida pelos dois alentejanos. Ali mandaram construir uma capelinha. Mais tarde, essa capela humilde nascida de um voto transformou-se na igreja sumptuosa que hoje existe em Elvas, em memória do Senhor Jesus da Piedade.


Gentil Marques 

Entendendo a lenda:

01 – No início da narrativa, antes do clímax do conflito, pai e filho ouvem uma voz semivelada junto ao cruzeiro. De que maneira os conselhos dados por essa voz individualmente a cada um refletiam a raiz do problema que eles enfrentavam?

        A voz aborda diretamente a falha de postura de ambos no relacionamento familiar. Para o rapaz, a voz reforça a necessidade de respeito e obediência, combatendo a sua soberba e insolência juvenil. Para o pai, o conselho é de moderação, sugerindo que ele reconheça a transição do filho para a idade adulta e evite a severidade excessiva. O conflito existia justamente porque nenhum dos dois conseguia equilibrar esses papéis: o filho exigia independência com agressividade e o pai tentava impor autoridade com base no autoritarismo e no controle financeiro.

02 – O dinheiro é o fulcro (o ponto central) da discussão entre pai e filho. Explique como a questão financeira revela visões de mundo diferentes entre as duas personagens antes da reconciliação.

      O dinheiro simboliza o poder e a transição de autonomia. Para o pai, a gestão do dinheiro representa a manutenção da sua autoridade e liderança familiar ("Enquanto for vivo, quem governa o dinheiro sou eu!"). Para o filho, o dinheiro da venda é o passaporte para a sua independência e a afirmação de que deixou de ser criança. A disputa financeira materializa o choque de gerações, onde o pai se recusa a abrir mão do controle e o filho tenta tomá-lo à força, sem maturidade para dialogar.

03 – Descreva o cenário natural em que a história se passa e disserte sobre como os elementos da natureza (como o vento e a tempestade) funcionam como um espelho do estado psicológico das personagens.

      A lenda se passa em uma estrada praticamente deserta, marcada por um tosco cruzeiro e condições climáticas adversas. Os elementos da natureza funcionam como um reflexo patético da intensidade dramática da cena. Conforme a fúria e o orgulho das personagens aumentam, o vento "uiva na encruzilhada" e bate forte em seus rostos, emoldurando a violência física entre pai e filho. Mais tarde, quando o homem se ajoelha para rezar, o zunido forte do vento sublinha o silêncio e a solidão de seu desespero, mostrando que o ambiente externo acompanha o tumulto interno dos corações dos protagonistas.

04 – Após ser agredido e roubado pelo próprio filho, o pai recorre à oração. Quais são os dois pedidos principais que ele faz ao Senhor Jesus e o que essa prece revela sobre os seus sentimentos paternos?

      O pai pede a sua própria salvação (conforto e direção na solidão) e, principalmente, a salvação de seu filho, implorando para que ele não permaneça no erro como um ladrão ou assassino. Essa prece revela que, apesar da profunda dor, humilhação e violência sofridas, o amor paterno sobrepujou o orgulho e o desejo de vingança. O pai prioriza a restauração moral e espiritual do filho em detrimento da punição, demonstrando um espírito de sacrifício e misericórdia que ecoa a própria figura do Cristo a quem ele roga.

05 – A voz divina impõe uma condição ao pai para que ele receba a salvação que tanto pedia. Que condição é essa e qual a sua importância teológica ou moral dentro do contexto da lenda?

      A voz exige que o pai perdoe as ofensas do filho, utilizando o princípio de que para receber o perdão divino (do Pai Celeste), o ser humano deve primeiro ser capaz de perdoar o seu semelhante ("Perdoa as ofensas, como desejas que o Pai Celeste perdoe as tuas!"). Do ponto de vista moral e teológico, essa condição quebra o ciclo de ódio e violência. Ela estabelece que a verdadeira piedade e a salvação não vêm de barganhas ou promessas puramente materiais, mas sim de uma transformação interna baseada na empatia, no amor e na reconciliação.

06 – O rapaz decide voltar para os braços do pai após viver uma experiência traumática. Explique o que aconteceu com ele durante a fuga e de que forma esse evento operou o seu arrependimento.

      Durante a fuga, o rapaz caiu em um barranco profundo e, embora não tenha se ferido gravemente, viu-se incapaz de sair. O isolamento e a escuridão do local provocaram um medo avassalador, fazendo-o sentir como se tivesse caído "vivo no Inferno". Esse choque de realidade e a vulnerabilidade física desarmaram a sua soberba arrogante. Diante do desespero, ele se lembrou da voz misteriosa do cruzeiro e compreendeu a gravidade do seu ato, convertendo o seu medo em um sincero propósito de arrependimento e pedido de perdão.

07 – A lenda cumpre a função tradicional de explicar a origem de um monumento real. Com base no desfecho do texto, explique a promessa feita e como ela originou a Igreja do Senhor Jesus da Piedade em Elvas.

      No momento de maior desespero, o pai jurou que, se ele e o filho fossem salvos daquela ruína moral e física, utilizaria todo o seu dinheiro para construir uma capelinha digna no exato local do velho cruzeiro. Após a reconciliação milagrosa promovida pela fé, pai e filho cumpriram o voto construindo uma humilde capela naquele ermo alentejano. Com o passar do tempo e a devoção popular, essa estrutura inicial foi ampliada e modificada, transformando-se na "igreja sumptuosa" que hoje existe em Elvas, perpetuando a memória do milagre da piedade e do perdão familiar.

 

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

LENDA ÁRABE: NA'AUM, O HAMZA - COM GABARITO

 Lenda Árabe: Na’aum, o Hamza

        O sábio Na'aum fora cognominado "Hamza" pois, diante de qualquer sucesso da vida ele afirmava com inabalável confiança:

        "Isso também (Hamza) foi para melhor!"

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgn5S1Qauo2DJfYQvMttHpdG9BHNkIDHpI8RUYADnINvKMYYJG-igbODuFC-PMxiXApaq4DWDSsVocQE0qfMSLGbacFLXDH47sdNSkTc-wA4Xg6rWqbvA3PkvfRVoY_Ulvm0VsV1sxha9IsWivQfGekItm0PhfuyH2k-xslq8EybsVAFWjNxl2ArdKXxqE/s1600/HAMZA.png


        Nos últimos anos de sua vida, Na'aum ficou completamente cego; suas mãos tornaram-se paralíticas; em consequência da lepra perdeu os pés e seu corpo cobriu-se de feridas.

        Jazia estirado no fundo do cubículo imundo de uma casa em ruínas, com as pernas mergulhadas em uma bacia d'água, para que as formigas não o atacassem.

        Os discípulos iam visitá-lo e voltavam impressionados com o sofrimento do sábio.

        Certa vez um deles não se conteve e interrogou o enfermo:

        -- Se sois um homem tão justo, por que vos atormentam tantos males?
        -- Meu filho – retorquiu o paciente – o único culpado sou eu.

        E ante o incalculável espanto daqueles que o rodeavam, narrou o seguinte:

        -- Certa vez, ao chegar à casa de meus sogros, com três burros carregados, um de provisões, outro com água e o terceiro de frutos raros, encontrei andrajoso mendigo que implorou:

        "Patrão, daí-me alguma coisa para comer."

        Sem apiedar-me da triste situação em que se achava o infeliz, respondi desabridamente:

        "Espera que eu descarregue os burros!!!"

        Mas, antes que eu finalizasse a árdua tarefa, o homem, vencido pela fome, morreu.

        O crime por mim praticado revestira-se da maior perversidade, e, olhando para o corpo inanimado do mendicante, proferi, num ímpeto de remorso:

        "Percam a vista os meus olhos que não souberam ver e medir a tua miséria; fiquem paralíticas estas minhas mãos que não souberam levar a tempo o auxílio pedido; que sejam cortados os pés que não me conduziram pela estrada da caridade".

        E disse mais ainda:

        "Cubra-me a lepra o corpo todo".

        Um dos discípulos deplorou com sincero pesar:

        -- É bem triste, para nós, vermos agora nosso bom mestre nesse estado!
        Acudiu Na'aum, assumindo um ar de séria profundidade:

        -- Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!

 

Lenda árabe.

Entendendo a lenda:

 

01 – Por que o sábio Na'aum recebeu o cognome de "Hamza"?

      Ele recebeu esse apelido porque, diante de qualquer acontecimento ou sucesso da vida, ele demonstrava uma confiança inabalável e afirmava sempre a frase: "Isso também (Hamza) foi para melhor!".

02 – Qual era a gravíssima situação de saúde e moradia em que Na'aum se encontrava no final de sua vida?

      Na'aum estava completamente cego, com as mãos paralíticas, sem os pés (devido à lepra) e com o corpo coberto de feridas. Ele vivia deitado no fundo de um cubículo imundo em uma casa em ruínas, mantendo as pernas em uma bacia d'água para evitar o ataque das formigas.

03 – Segundo o próprio Na'aum, quem era o culpado por todos os males que o atormentavam?

      O próprio Na'aum se declarou o único culpado por seu sofrimento, explicando aos seus discípulos que a sua condição atual era o resultado de um grave erro cometido no passado.

04 – Qual foi o acontecimento do passado que gerou o remorso e a punição de Na'aum?

      No passado, um mendigo faminto implorou-lhe por comida. Na'aum foi insensível e respondeu rudemente que ele esperasse até que os três burros fossem descarregados. Antes que ele terminasse a tarefa, o homem morreu de fome, o que fez Na'aum rogar pragas contra o seu próprio corpo (olhos, mãos, pés e pele) em um forte ímpeto de remorso.

05 – Como Na'aum reagiu quando um discípulo lamentou vê-lo naquele estado lamentável? Qual o significado dessa resposta?

      Na'aum respondeu com seriedade: "Triste de mim, se vós não me pudésseis ver assim!". Com isso, ele quis dizer que considerava seu sofrimento físico uma forma necessária de expiação e justiça pelo seu erro; para ele, seria pior não pagar pelo mal que causou ao mendigo.

 

 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

MITOS E LENDAS: QUAL É A DIFERENÇA? (HABILIDADE EF67LP28) - COM GABARITO

 Mitos e Lendas: Qual é a diferença?(Habilidade EF67LP28)

 Embora pareçam iguais, os mitos e as lendas têm objetivos diferentes. Os mitos são histórias sagradas criadas por povos antigos para explicar como o mundo surgiu, como os seres humanos nasceram ou de onde vieram as forças da natureza (como o trovão ou o sol). Eles geralmente envolvem deuses e heróis poderosos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-Zd49pBrPoX69LVXbxZXYzh1ehyphenhyphenJaVTkcx-BELgerefZ5c6vla_gWBr2vR99qtXJ4rRs-mYc1i6dXbW22TCHZzZPfAQekpRL7FGuv5FuUdyXF0wDGD1VAGNC0TCkLScE20Ix0v0DJ3YU94S7pYsEPIrRqAPg0GNA9mesoZKOgFA1VEEwvUtCN4UfGlz0/s320/mito-e-lenda.jpg
Já as lendas misturam um pouquinho de história real com imaginação. Elas nascem do povo e narram acontecimentos extraordinários, mistérios ou feitos de pessoas que realmente existiram no passado, mas que ganharam elementos mágicos com o passar do tempo.

Entendendo o texto

01. Qual é o principal objetivo de um mito?

      Explicar a origem do mundo, dos seres ou das forças da natureza.

02. Que tipo de personagens costuma aparecer nos mitos?

       Deuses, semideuses e heróis poderosos.

03. O que as lendas usam como base para a sua história?

       Fatos históricos reais misturados com imaginação e elementos mágicos.

04. Se uma história conta como o Deus Sol criou a noite, ela é um mito ou uma lenda?

       É um mito, porque explica a criação/origem de algo no mundo.

05. Qual é a diferença entre o que o mito explica e o que a lenda narra?

        O mito explica a origem das coisas; a lenda narra acontecimentos extraordinários ou feitos do passado.

 

 

sábado, 16 de maio de 2026

LENDA: A FURNA DE CAL NO FACHO - AÇORES - COM GABARITO

 Lenda: A furna de cal no Facho

No Facho, em Santa Maria, havia, ainda há poucos anos, uma furna com cerca de trinta metros de comprido, onde costumavam tirar pedra de cal, que depois era trabalhada e exportada para as outras ilhas dos Açores.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEixeV6xiUI6WjSbu7xz7RR21lh357fgZkVBeFZ7n-nXN1d5gccsheruWgAsTlRFGvcXZSJ6VClfhKziQPLzoOOgfD953fhNfuuKmXrHsAz3kZCqFVLvCYgULc9vgIJSA4Cn2IVQs3l2nOkWCIvPS4dqO7-nEYsWUF5wH0-_vG69P9WCbfc1MWant3V5HGg/s320/Furna.png


Pelos princípios deste século, um certo dia, estavam uns homens na furna a trabalhar. Era de Verão e lá dentro fazia um calor muito grande, que aumentava à medida que se aproximava o meio-dia. Quando chegou a hora de jantar, um deles disse:
— A gente não janta aqui dentro que é muito calor. Vamos comer aí para fora.
Os outros concordaram e saíram. Sentaram-se na erva amarelada do pasto, tiraram a comida dos cestos e começaram a jantar. Enquanto comiam, falavam, riam, alguns contavam histórias e não davam por o tempo passar.
Estavam nisto quando apareceu uma criança, um rapazinho branco e lindo como um anjo. Os homens ficaram admirados de ver uma criança por ali e um deles perguntou:
— Eh rapaz, o que é que queres? Queres um bocadinho de pão? O rapazinho meneou a cabeça e disse:
— Não, não quero comer. Venho só avisar os senhores que não voltem lá pra dentro. Vai cair um bocado da furna e pôde matar alguém.
Os homens riram-se e um exclamou:
— Hã...hã...hã! Olha agora o pequeno!
Continuaram a comer e o rapazinho sumiu-se. A conversa continuou, mas agora à volta do que tinha acontecido. Um dizia:
— Ora o rapazinho... — e calava-se como se não soubesse mais o que dizer ou não quisesse falar no que estava a pensar.
Um outro, menos preocupado, insistia, como para se convencer a si próprio:
— Ficaste pegado com o rapaz!
Chegou por fim a hora de voltarem ao trabalho e um disse, convicto:
— Eu acredito no pequeno! Uma criança tão branca, tão linda, parecia um anjo... A gente não vai para dentro.
Os outros, entre o duvidoso e o amedrontado, concordaram. Só um deles achou tudo aquilo um disparate e afirmou:
— Ah, agora... ficar por um pequeno! Eu vou trabalhar!
E foi. Mas, na altura em que acabou de entrar, caiu um bocado da furna, desabando sobre o homem pedras enormes e grandes montes de terra. O homem ficou todo despedaçado e morreu. Os outros ficaram horrorizados, mas salvaram-se, apenas porque acreditaram num rapazinho, vindo não se sabe de onde.

Açores

Entendendo o texto

01. Qual foi o motivo inicial que fez com que os trabalhadores saíssem da furna no horário do almoço?

a) o aviso urgente de uma criança que passava pelo local.

b) o desabamento repentino de uma das paredes da caverna.

c) o calor muito grande que fazia lá dentro, especialmente perto do meio-dia.

d) o fim do expediente de trabalho daquele dia de verão.

 

02. Como o texto descreve a aparência da criança que apareceu diante dos homens no pasto?

a) um rapazinho assustado, que usava roupas de trabalhador.

b) um menino da região, que parecia estar faminto e pedia pão.

c) um rapazinho forte, que ajudava na exportação de pedra de cal.

d) um rapazinho branco e lindo como um anjo.

 

03. Qual foi o aviso dado pelo rapazinho aos trabalhadores da furna?

a) que eles deveriam dividir o almoço com ele para evitar o azar.

b) que não voltassem lá para dentro, pois um pedaço da furna iria cair e poderia matar alguém.

c) que os donos da furna nos Açores cancelariam a exportação de cal.

d) que uma tempestade de verão estava se aproximando da ilha de Santa Maria.

 

04. Como os homens reagiram logo após o desaparecimento do rapazinho e antes de decidirem se voltariam ao trabalho?

a) todos acreditaram imediatamente no menino e fugiram do local correndo.

b) eles ignoraram completamente o fato e voltaram a falar sobre o trabalho na furna.

c) a conversa continuou girando em torno do acontecido, deixando alguns pensativos e outros duvidosos ou amedrontados.

d) eles decidiram procurar o menino pelo pasto para lhe dar um pedaço de pão.

 

05. O que aconteceu com o único trabalhador que achou o aviso um "disparate" e decidiu entrar na furna?

a) ele conseguiu trabalhar normalmente e provou que o menino estava errado.

b) ele foi atingido pelo desabamento de pedras enormes e terra assim que entrou, vindo a falecer.

c) ele encontrou o rapazinho escondido dentro da caverna e o expulsou de lá.

d) ele se salvou por pouco porque os companheiros conseguiram puxá-lo a tempo.

 

 

 

domingo, 26 de abril de 2026

LENDA: A COVA DA MOIRA - COM GABARITO

 LENDA: A COVA DA MOIRA

 

No já referido lugar de Mourilhe do Concelho de Montalegre, conta-se também esta lenda, igualmente relacionada com a pastorícia.
Havia naquela aldeia um pastor que levava diariamente para o monte uma manada de vacas leiteiras. Todas elas eram ubérrimas, de pura raça barrosã; mas uma delas passava a perna às demais, quer pela produção de leite, quer pela sua imponência e garbosidade.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjCGYL0pJm7nmJXckq2hllezsMfUu1ryfdh-E8bZEIsnzwCsun38rIA1fyh5F_0K1ZSp48hRgGCSCLeQOPvZOsLtcu-h67DyMLnZQK26anMOlw0_BceLyk7VZayhxfa-km6RCjNefDHeUrBdGoEoajdb4oNmZDsZAavVLn2QwSyKss_fAipVAEE2ExepF8/s320/lenda.jpg

Era, por essas duas razões, a menina bonita do pastor, que a dispensava das tarefas mais pesadas da lavoura e tratava com particular desvelo e carinho.
Um dia, porém, a vaca preferida, que enchia diariamente um amplo tarro do precioso líquido, deixou de dar leite, com grande pesar e estranheza do pastor que não encontrava nenhuma explicação para isso.
Pensando que estaria doente, levou-a a um entendido da vila, que a examinou atentamente e lhe garantiu que ela estava sã como um pêro.
Começou, então, a vigiá-la atentamente, não tirando os olhos dela um segundo, desde que saiu da corte, até que chegou ao monte. Aí, continuou a segui-la, passo a passo, com redobrada atenção.
Tudo decorria com naturalidade: a vaca tosava pachorrentamente a erva tenra e já andava farta como um bombo, até que, ao fim da tarde, deixou de pastar e começou a afastar-se sorrateiramente das companheiras, em direcção à mata, ali próxima.
Seguiu-a discretamente, à distância, pata não a espantar e, para ver em que paravam as modas; e verificou que ele se deteve ao pé duma cova que ele não conhecia, por estar encoberta por espesso mato.
Então, aproximou-se, pé ante pé, pôs-se a espreitar e viu sair da cova uma Senhora muito linda, com uma vasilha numa das mãos e uma facha de feno na outra.
Pôs o feno à frente da vaca e, enquanto ela comia, a moira começou a ordenhá-la.
Estava descoberto o mistério: a vaca não dava leite na corte, porque a moira lho tirava no monte. Agastado com aquele atrevimento e desaforo, saltou do seu esconderijo e gritou, fora de si:
- Ah! Sua desavergonhada! Espera aí, que vais pagá-las com língua de palmo.
E, dizendo isto, avançou para ela, com a aguilhada no ar, para lhe dar umas boas bordoadas. Mas, ao chegar junto dela, ficou desarmado, porque a linda moira, com um sorriso encantador e uma voz melíflua, capaz de amansar as próprias feras, se antecipou e lhe disse:
- Amigo, reconheço que tens boas razões para te sentires ofendido. Mas, por favor, não te amofines nem me ralhes, que eu vou compensar-te generosamente pelo leite que te roubei.
Dito isto, atou um vincelho de giestas nos chifres da sua amiga vaca e, voltando-se para o dono, acrescentou:
- Vais ter uma alegre surpresa, quando chegares a casa, e volta cá todos os dias, que eu te farei muito rico. Mas, atenção: não contes nada a ninguém, se não, deitas tudo a perder.
O pastor, já mais calmo e reconciliado com a moira, prometeu ir lá todos os dias com a vaca e regressou a casa com a manada, a cismar na anunciada surpresa.
Chegado à aldeia, meteu as vacas na loja, fechou a porta e pôs-se a olhar para o vincelho de giesta. Qual não foi o seu espanto, quando viu que ele se transformara num lindo cordão de oiro que dava a volta aos chifres da vaca.
Cheio de contentamento, pegou nele, levou-o para casa e escondeu-o na arca do bragal, debaixo dos lençóis de linho, com a intenção de não dizer nada à mulher. Mas ela desconfiou que algo de anormal se passava e não o largou, enquanto ele não pôs tudo em pratos limpos.
Então, não teve remédio senão mostrar-lhe o cordão que ela se apressou a pôr ao pescoço, contente como um cochicho, e cheia de vaidade, porque em toda a aldeia não havia outro como ele.
No dia seguinte, voltou ao monte, como prometera, à procura da moira. Mas, contra a sua expectativa, ela não apareceu. Esperou, esperou... e nada: da moira nem rasto!
Desiludido e triste, voltou para casa, a tentar descobrir a razão que levara a moira a faltar ao prometido. E a sua tristeza aumentou, quando chegou a casa e verificou que o cordão de oiro se tinha transformado no vincelho de giesta.
Então, lembrou-se de que a moira lhe tinha recomendado muito que não dissesse nada a ninguém, e reconheceu que a culpa era toda sua.
Revoltado consigo mesmo, disse mal da sua sorte e aprendeu à sua custa que o povo tem razão, quando diz que o silêncio é de oiro e que o segredo é a alma do negócio.
Mais tarde, contou aos amigos a peripécia que lhe acontecera e eles puseram a esse local o nome de Cova da Moira.

 

Entendendo o texto

 

01. Por que o pastor considerava uma de suas vacas a sua "menina bonita"?

a) porque ela era a única da raça barrosã em toda a região de montalegre.

b) por ela ser a mais imponente, garbosa e a maior produtora de leite da manada.

c) porque ela o ajudava a vigiar as outras vacas durante o pastoreio no monte.

d) por ter sido um presente dado pela linda moira que vivia na cova encoberta.

02. O que o pastor descobriu ao vigiar a vaca discretamente na mata?

a) que a vaca estava doente e não conseguia mais produzir leite.

b) que um outro pastor da aldeia estava roubando o leite da vaca às escondidas.

c) que uma linda senhora saía de uma cova para alimentar e ordenhar o animal.

d) que a vaca escondia o próprio leite dentro de uma cova profunda na mata.

03. Como a moira reagiu quando o pastor a confrontou com a aguilhada no ar?

a) ela amansou o pastor com palavras doces e prometeu compensá-lo pelo leite.

b) ela fugiu para dentro da cova e nunca mais apareceu para o pastor.

c) ela transformou a aguilhada do pastor em um vincelho de giestas. d) ela explicou que o leite era necessário para alimentar os moradores da vila.

04. O que aconteceu com o vincelho de giesta que a moira amarrou nos chifres da vaca?

a) transformou-se em um facho de feno para alimentar a manada no inverno.

b) permaneceu como mato seco até que o pastor o jogou fora na corte.

c) transformou-se em um lindo cordão de ouro assim que o pastor chegou em casa.

d) deu origem a uma nova raça de vacas que produzia leite dourado.

05. Por que o cordão de ouro voltou a ser um vincelho de giesta e a moira desapareceu?

a) porque o pastor esqueceu de levar a vaca ao monte no dia seguinte.

b) porque a mulher do pastor perdeu o cordão dentro da arca de linho.

c) porque a moira se sentiu ofendida pela vaidade da mulher do pastor.

d) porque o pastor quebrou a promessa de segredo e contou tudo à sua esposa.

 

 

 

LENDA: A ARCA DE TRIGO QUE O FOGO POUPOU - COM GABARITO

 Lenda: A arca de trigo que o fogo poupou

 

Há muitos anos atrás, João Machado Valadão, que morava na Vila das Velas, tinha ficado como mordomo de Espírito Santo para o ano seguinte. Guardava com muito respeito em sua casa, numa arca fechada à chave, a coroa e o estandarte e ainda um moio de trigo em sacos para o pão da coroação.
No mês de Setembro, como castigo pelos desacatos que muitas pessoas cometiam e para lhes animar a fé, pegou fogo na casa do dito homem. O fogo foi-se ateando com tal força que não houve água nem braços suficientes para o apagar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLlW8Tj4yyZlyPeAK-K8eOf_sUOrjizB3WZYV5TcMB8aIfbteu8h8t27QP4-afnoz-P0_cR6sm6nqD9F1-2Wjtgw3HdOpCOKSt20aWMyOpeduOLCu_s8IT6GCyIZufMO78LRlMyoOEKcUZnu3czmqsltSZRlTGjLp2044WO2Fla3yVsdIEfG8W6QJnrFc/s1600/images.jpg


Todos os que podiam andar juntaram-se para ajudar João Valadão, mas estavam impotentes. O calor e o barulho eram insuportáveis. Telhas, pedras, madeira saltavam e estalavam por todo o lado. As labaredas iam engordando à medida que queimavam as traves, os trens de casa, a roupa.
Chorosos, lamentavam-se e assistiam à fúria do fogo que queimava tudo o que encontrava à sua frente. Ficaram, porém, muito espantados, quando as chamas investiram contra a arca e os sacos de trigo guardados para o Espírito Santo e recuaram sem lhes causar qualquer dano.
Por fim o fogo foi-se extinguindo e da casa apenas restava um monte de cinza e pedras. Quando o calor diminuiu, começaram a esgravatar nos escombros com pouca esperança de que encontrassem alguma coisa a salvo.
Mas muitos louvores deram ao Espírito Santo, ao verem, no meio das cinzas, a arca com a coroa e o estandarte do Espírito Santo e os sacos de trigo em perfeito estado.
A fé no Espírito Santo tornou-se mais forte e as suas festas foram feitas com muita dedicação.

 

Entendendo o texto

 

01.  Qual era a função de João Machado Valadão na Vila das Velas?       

a. Ele era o responsável por apagar incêndios na vila.

b.  Ele era o mordomo do Espírito Santo para o ano seguinte.

c. Ele era um agricultor que vendia trigo para a coroação.

d.  Ele era o juiz encarregado de punir os desacatos da população.

02. Segundo o narrador, por qual motivo o fogo teria atingido a casa de João Valadão?

        a. Devido a um acidente doméstico com as velas da coroa.

        b. Por causa do calor excessivo que fazia no mês de setembro.

        c. Como um castigo pelos desacatos cometidos por muitas pessoas.

        d. Por negligência do mordomo ao guardar o trigo.

03. O que João Valadão guardava com respeito em sua arca fechada?

      a. As escrituras da sua casa e joias de família.

      b.  Apenas as roupas que seriam usadas no dia da festa.

      c.  A coroa, o estandarte e um moio de trigo em sacos.

      d. As chaves da Vila das Velas e o dinheiro da coroação.

04. Como as chamas reagiram ao encontrar a arca e os sacos de trigo?

      a. Consumiram a madeira da arca, mas pouparam o trigo.

      b.   Investiram contra os objetos, mas recuaram sem causar danos.

      c. Queimaram apenas a coroa e o estandarte, deixando a arca intacta.

      d.  Foram apagadas pela água que os vizinhos jogaram na arca.

05. Qual foi a consequência do evento para a população local?

       a. A fé no Espírito Santo se fortaleceu e as festas foram feitas com mais dedicação.

         b.  As pessoas decidiram não realizar mais as festas de coroação.

        c.  João Valadão foi expulso da vila por ter perdido sua casa.

        d. A população reconstruiu a casa de João com o trigo que sobrou.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

A LENDA DO PERDÃO - COM GABARITO

 A Lenda do Perdão

 

Conta uma antiga lenda que existia uma cidade onde a palavra perdão nunca existiu.
As pessoas eram, portanto, donas da verdade, arrogantes e sofriam de uma terrível moléstia, complexo de superioridade.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdR1i9fMzccDgTICjUSk_U-zovwa8WmQwkiIywukGaPHr0Rzjfo7LSngBUOUsrVWTCBmSHlkKSs7f7nOl8STc_DGla_ukUDWZI3698bSbejzNXbOUWRVjGCXrRJJVGCpssxFSDUv1Phpjjf9nw1dgOWdp1jSuOWqP0KrhgVX8mXouBdFRmi65RUo_eyk4/s320/8390898.png 


A convivência era bastante complicada porque todos se consideravam perfeitos e com isso não enxergavam, nem admitiam seus defeitos, erros e equívocos.
Nessa cidade reinava a vaidade, a competição e a inimizade, por mais que elas andassem disfarçadas por detrás de sorrisos e manifestações de afeto.
Um dia uma mulher, vinda de outra cidade, foi morar lá.
Todos as tardes ia até a padaria e na volta sempre passava por uma praça onde um grupo de rapazes jogava bola.
Seu trajeto seria bem menor se ela cruzasse a praça, mas para não atrapalhar o jogo deles ela fazia o seu caminho contornando a praça. Claro que nenhum deles nunca percebeu ou deu valor à sua gentileza. Naquela cidade muito poucos entendiam desse assunto.
Certo dia essa mulher estava cheia de preocupações, com a cabeça bastante perturbada e na volta da padaria não se deu conta do caminho que tomou e atravessou a praça no exato momento em que um dos rapazes ia fazer um gol. O jogo parou, todos se olharam e o tal jovem, muito bravo, perguntou à ela:
A senhora não está vendo o que fez? Que falta de atenção, até mesmo de consideração! Custava dar a volta na praça?
E ela respondeu:
- Há cerca de seis meses que todos os dias eu dou a volta na praça para não atrapalhar o jogo de vocês. Hoje, no entanto, eu confesso que me distraí. Estava muito envolvida com meus pensamentos. Peço a todos vocês perdão por isso.
Ninguém entendeu o que ela quis dizer e um dos meninos perguntou:
- Perdão? O que é perdão? Nunca ouvimos essa palavra.
- Perdão é um ato de humildade, embora alguns julguem ser um ato de humilhação.
Os meninos foram para suas casas muito pensativos e contaram a seus pais sobre o perdão.
Errar, cometer injustiças, tomar atitudes precipitadas que podem prejudicar e magoar terceiros são coisas das quais todo ser humano está sujeito.
Reconhecer seus erros e pedir perdão, no entanto, nem todos os seres humanos são capazes. Para isso é necessária uma enorme dose de humildade, um coração sensato e um espírito elevado.
Só os grandes sabem pedir perdão!
Dizem que aquela cidade anda muito diferente, mais alegre, as pessoas mais amigas, menos rivalidades e que todos além de terem aprendido a pedir perdão, agora também estão aprendendo a perdoar.

 

Entendendo o texto

 

01. Qual era a principal característica dos habitantes da cidade antes da chegada da nova moradora?

a. Eles eram conhecidos pela extrema humildade e gentileza.

b. Sofriam de um complexo de superioridade e se consideravam perfeitos.

c. Eram pessoas solitárias que evitavam qualquer tipo de contato social.

d. Dedicavam-se exclusivamente ao esporte e às competições saudáveis.

02. Por que a mulher costumava contornar a praça todos os dias, fazendo um caminho mais longo?

a. Porque ela tinha medo dos rapazes que jogavam bola na praça.

b. Por recomendação médica, para praticar mais exercícios físicos.

c. Por gentileza, para não interromper ou atrapalhar o jogo dos jovens.

d. Porque o caminho por dentro da praça estava em obras e interditado.

03. O que motivou o erro da mulher no dia em que ela atravessou a praça no momento do gol?

a. Um momento de distração causado por preocupações e pensamentos perturbados.

b. O desejo deliberado de desafiar as regras daquela cidade.

c. A vontade de chamar a atenção dos rapazes para sua presença.

d. A pressa em chegar em casa para levar os pães que comprou na padaria.

04. De acordo com a explicação da mulher no texto, o que define o ato de pedir perdão?

a. É um ato de humilhação que demonstra fraqueza diante dos outros.

b. É uma estratégia para vencer competições e ganhar a simpatia das pessoas.

c. É um ato de humildade, embora algumas pessoas possam interpretá-lo mal.

d. É uma obrigação social imposta por leis rigorosas de convivência.

05. Qual foi a principal mudança observada na cidade após os jovens conhecerem o conceito de perdão?

a. A cidade tornou-se mais alegre, com menos rivalidades e maior disposição para perdoar.

b. Os habitantes decidiram construir uma nova praça para evitar novos acidentes.

c. A mulher foi expulsa da cidade por ter introduzido palavras desconhecidas.

d. As pessoas pararam de trabalhar para passar o dia inteiro pedindo desculpas umas às outras.