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domingo, 22 de março de 2026

POEMA: O ASSINALADO - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema:  O Assinalado

               Olavo Bilac

Tu és o louco da imortal loucura,

o louco da loucura mais suprema.

A terra é sempre a tua negra algema,

prende-te nela extrema Desventura.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhSa7s_SVyfsc4R2l8B_WyJHww0vnFw_my25l4lCeDlDK-Eyqe6BliBReiMRyRmuyPjyYg2f2Eh0q3uJr-STtTGGxGjkir3hCAvHmeXQD5isIz7R54kaTO2avnDR-edko8f5x8sf6hcWAqD3_NhsJsYKgKM460WWPZMQEyGck3txWpC0_jemSHfDSGeHsY/s1600/tERRA.jpg

Mas essa mesma algema de amargura,

mas essa mesma Desventura extrema

faz que tu’alma suplicando gema

e rebente em estrelas de ternura.


Tu és o Poeta, o grande Assinalado

que povoas o mundo despovoado,

de belezas eternas, pouco a pouco.

 

Na Natureza prodigiosa e rica

toda a audácia dos nervos justifica

os teus espasmos imortais de louco!

 

BILAC, Olavo. In: BARBOSA, Frederico (Org.). Clássicos da poesia brasileira. Rio de Janeiro: O Globo, Klick Editora, 1997, pp.163-164.

Entendendo o texto

01.No primeiro verso, o eu lírico afirma: "Tu és o louco da imortal loucura". Qual figura de linguagem baseada na repetição de palavras com a mesma raiz (louco/loucura) é utilizada para enfatizar essa ideia?

a. Políptoto (ou derivação), que reforça a ideia da "loucura" como algo central e persistente na vida do poeta.

b. Polissíndeto, pois há uma repetição exagerada de conjunções para ligar os versos.

c. Antítese, pois o autor está tentando dizer que o poeta é, na verdade, uma pessoa muito lúcida.

d. Onomatopeia, pois o som das palavras imita o barulho de alguém rindo.

02. Na primeira estrofe, a expressão "A terra é sempre a tua negra algema" funciona como uma metáfora para explicar que:

a. O poeta vive preso em uma cela de verdade por ter cometido crimes.

b. A vida terrena e material é vista como uma prisão que limita a alma superior e imortal do poeta.

c. O poeta gosta de usar joias e acessórios feitos de ferro negro.

d. A natureza é um lugar perigoso onde as pessoas se perdem facilmente.

03. O segundo quarteto mostra uma transformação: a "algema de amargura" faz com que a alma "rebente em estrelas de ternura". Essa imagem poética sugere que:

a. O sofrimento e a dor do poeta são transformados em beleza e criação artística (poesia).

b. O poeta vai literalmente explodir e virar um corpo celeste no espaço.

c. A alma do poeta é má e quer destruir o brilho das estrelas.

d. O poeta desistiu de escrever porque a amargura é mais forte que a arte.

04. O título do poema é "O Assinalado" e, na terceira estrofe, o eu lírico diz que o Poeta povoa o "mundo despovoado / de belezas eternas". O que se pode entender por "Assinalado" neste contexto?  a. Alguém que foi sorteado para ganhar um prêmio em dinheiro.

b. Alguém que foi "marcado" ou escolhido pelo destino para ter a missão especial de criar beleza através da arte.

c. Um homem que se perdeu na floresta e deixou sinais nas árvores.

d. Um estudante que tirou notas baixas e foi assinalado pelo professor.

05. No último verso, a expressão "espasmos imortais de louco" refere-se à inspiração poética. De acordo com o poema, como a "Natureza" reage a essa audácia do poeta?

a. A Natureza condena o poeta e o castiga por ser louco.

b. A Natureza ignora o poeta, pois ele não tem importância para o mundo rico.

c. A Natureza "justifica" essa loucura, pois ela é necessária para a criação de belezas eternas.

d. A Natureza morre toda vez que o poeta sente um espasmo de inspiração.

 

sábado, 21 de março de 2026

POEMA: NATAL - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Natal

              Olavo Bilac

Jesus nasceu! Na abóbada infinita

Soam cânticos vivos de alegria;

E toda a vida universal palpita

Dentro daquela pobre estrebaria...

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPAtDWSXdX9Bb3Xnn-uOYMOLi_nyeUKY9PjFM0GvXny7iBxjma_CipfnPZQr51GE5BS4MYoD8i7pUAYNaMHMcTHs7K-eFc5Fz4aCw_BdpA0hRJIKdqdqWIqwfCc8x846w5gg3vg-ksdyINTVPmuN9qrXh6UKfIww17kpxAlHgIBBaTCbSw2UOIxrjlCJQ/s320/NATAL.jpg

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas

No berço humilde em que nasceu Jesus...

Mas os pobres trouxeram oferendas

Para quem tinha de morrer na Cruz.

 

Sobre a palha, risonho e iluminado

Pelo luar dos olhos de Maria,

Vede o Menino-Deus, que está cercado

Dos animais da pobre estrebaria.

 

Não nasceu entre pompas reluzentes;

Na humildade e na paz deste lugar,

Assim que abriu os olhos inocentes,

Foi para os pobres seu primeiro olhar.

 

No entanto, os reis da terra, pecadores,

Seguindo a estrela que ao presepe os guias,

Vêm cobrir de perfumes e de flores

O chão daquela pobre estrebaria.

 

Sobem hinos de amor ao céu profundo;

Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!

Sobre esta palha está quem salva o mundo,

Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal!

 

Natal! Natal! Em toda Natureza

Há sorrisos e cantos, neste dia...

Salve, Deus da Humildade e da Pobreza,

Nascido numa pobre estrebaria!

 

OLAVO BILAC

In: BUENO, Alexei (org.). Olavo Bilac: obra reunida.

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.

 

Entendendo o texto

01. De acordo com a segunda estrofe, como era o berço onde Jesus nasceu?

a. Era um berço luxuoso, feito de sedas, cetins e rendas.

b. Era um berço humilde, sem nenhum tipo de luxo ou tecidos caros.

c. Era um trono de ouro guardado pelos reis da terra.

d. Era uma cama macia trazida pelos animais da estrebaria.

02. O poema menciona que Jesus não nasceu entre "pompas reluzentes". Para quem foi o seu "primeiro olhar" ao abrir os olhos? a. Para os reis da terra que traziam perfumes.

b. Para os animais que cercavam a manjedoura.

c. Para os pobres, reforçando sua ligação com a humildade.

d. Para a estrela que brilhava no céu infinito.

03. Na terceira estrofe, o autor utiliza uma metáfora ao dizer que o Menino-Deus era iluminado pelo "luar dos olhos de Maria". O que essa expressão sugere?

a. Que Maria estava segurando uma lanterna para iluminar o local. b. Que os olhos de Maria brilhavam de amor e ternura, como se fossem a luz do luar.

c. Que a luz da lua entrava pelo telhado da estrebaria e batia nos olhos de Maria.

d. Que Maria estava com sono e seus olhos estavam fechados.

04. O que os "reis da terra" fizeram ao seguir a estrela até a estrebaria?

a. Tentaram convencer Jesus a morar em um palácio de ouro.

b. Cobriram o chão da estrebaria com perfumes e flores em sinal de respeito.

c. Proibiram os pobres de entrarem no local para ver o menino.

d. Ignoraram o nascimento por considerarem o lugar muito simples.

05. Qual é a principal mensagem que Olavo Bilac transmite ao repetir a expressão "pobre estrebaria" ao longo do poema?

a. Que ele está triste por Jesus ter nascido em um lugar sem conforto.

b. Que a grandeza de Jesus não dependia de riquezas materiais, mas sim da humildade e do amor aos fracos.

c. Que a estrebaria era um lugar perigoso para uma criança recém-nascida.

d. Que os animais eram os únicos seres que realmente entendiam o Natal.

 

sábado, 26 de abril de 2025

POEMA: TERCETOS II - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Tercetos II

              Olavo Bilac

E, já de manhã, quando ela me pedia

Que do seu claro corpo me afastasse,

Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgB-O2lRxsoye4my4RyOfeYaWTdUVSwPCTitzg90AtqlRlMtwerikjQuEJEEkN2jBshEGuvDlKV5Cvzr8KOY1ftukMj36DIzAj4i8qTxj-g_s08zu3WXXyw-xH77bb7Lv04B1484293Fsfif1J41zP2nYc7N2_VBIb374TnxDNKGXpCzTMhwYYK3tAM4W0/s320/CASAL.jpg

“Não pode ser! Não vês que o dia nasce?

A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...

Que diria de ti quem me encontrasse?

 

Ah! Nem me digas que isso pouco importa! ...

Que pensariam, vendo-me, apressado,

Tão cedo assim, saindo a tua porta,

 

Vendo-me exausto, pálido, cansado,

E todo pelo aroma do teu beijo

Escandalosamente perfumado?

 

O amor, querida, não exclui o pejo.

Espera! Até que o sol desapareça,

Beija-me a boca! mata-me o desejo!

 

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça

Repousar, como há pouco repousava!

Espera um pouco! Deixa que anoiteça!”

 

-- E ela abria-me os braços. E eu ficava.

Melhores poemas de Olavo Bilac. Seleção de Marisa Lajolo. 4. ed. São Paulo: Global, 2003. p. 87-90.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 2. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª Ed. – Ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 306.

Entendendo o poema:

01 – Em que momento do dia a mulher pede ao eu lírico para se afastar, e qual a reação emocional dele a esse pedido, similar ao "Tercetos I"?

      A mulher pede ao eu lírico para se afastar pela manhã ("já de manhã"), e a reação emocional dele é novamente de tristeza, expressa pelas lágrimas nos olhos ("Eu, com os olhos em lágrimas, dizia").

02 – Quais argumentos o eu lírico utiliza para persuadir a mulher a deixá-lo ficar, agora durante o dia?

      O eu lírico argumenta sobre o nascimento do dia e o espetáculo da aurora. Ele se preocupa com a opinião alheia, questionando o que pensariam ao vê-lo sair apressado e exausto da casa dela tão cedo, marcado pelo aroma dos beijos. Ele também afirma que o amor não exclui o pudor ("o pejo") e pede para ficar até o anoitecer, buscando matar o desejo com mais beijos e repousar em seu colo.

03 – Que elementos da natureza são mencionados no início do poema para contrastar com a situação íntima dos amantes?

      No início do poema, são mencionados o dia que nasce e a aurora que corta as nuvens "em fogo e sangue", criando uma imagem vívida e pública que contrasta com a intimidade do encontro noturno.

04 – Qual a preocupação principal do eu lírico em relação a ser visto saindo da casa da mulher pela manhã?

      A principal preocupação do eu lírico é com a reputação de ambos. Ele se importa com o que as pessoas pensariam ao vê-lo sair da casa dela tão cedo, com uma aparência exausta e o forte aroma dos beijos dela, considerando isso um escândalo.

05 – Qual a reação final da mulher ao apelo do eu lírico no "Tercetos II", mantendo a mesma conclusão do "Tercetos I"?

      A reação final da mulher é a mesma: "-- E ela abria-me os braços. E eu ficava.", indicando novamente que ela cede ao seu pedido e o permite permanecer, mesmo durante o dia.

 

 

 

POEMA: TERCETOS I - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Tercetos I

             Olavo Bilac

Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjPw78KaS99-QxJ8QOAMp5xhLssqNVYqfLx654pSY08f2EQU5KkfbigUoUMy6Zc4mThWVYPkOeGRUBEWtXvjqoauH7pQztO907YSJEOi9V9OOaa6UvceMFvDBRacMPY36etVfnZjNqN1H9OAOr2nVKF3Th6LHY4N41EvK7ZyvJsZcEV5NR0eOk9wUKnfwo/s320/depositphotos_149723978-stock-photo-shadows-bride-and-groom-kiss.jpg



"Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!

Como queres que eu vá, triste e sozinho,
Casando a treva e o frio de meu peito
Ao frio e à treva que há pelo caminho?!

Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!
Não me arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!

Morrerei de aflição e de saudade...
Espera! até que o dia resplandeça,
Aquece-me com a tua mocidade!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava...
Espera um pouco! deixa que amanheça!"

— E ela abria-me os braços. E eu ficava.

Melhores poemas de Olavo Bilac. Seleção de Marisa Lajolo. 4. ed. São Paulo: Global, 2003. p. 87-90.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 2. William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª Ed. – Ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2013. p. 306.

Entendendo o poema:

01 – Em que momento do dia a mulher pede ao eu lírico para ir embora, e qual a reação emocional dele a esse pedido?

      A mulher pede ao eu lírico para ir embora durante a noite, "quando ela me pedia / Entre dois beijos". A reação emocional dele é de tristeza e súplica, expressa pelas lágrimas nos olhos e pelo pedido para que ela espere.

02 – Quais argumentos o eu lírico utiliza para persuadir a mulher a deixá-lo ficar até o amanhecer?

      O eu lírico usa vários argumentos, incluindo a beleza e o conforto do quarto dela ("Tua alcova é cheirosa como um ninho"), a escuridão e o frio do exterior, o temporal que se anuncia, o medo de ir sozinho e triste, e o risco de morrer de aflição e saudade. Ele também pede o calor da mocidade dela e o conforto de seu colo.

03 – Que elementos da natureza são invocados pelo eu lírico para reforçar seu pedido de permanência?

      O eu lírico invoca a escuridão ("que escuridão há lá por fora!"), o frio ("ao frio e à treva que há pelo caminho?!"), o vento e o temporal ("é o vento! é um temporal desfeito!"), a chuva e a tempestade.

04 – Qual o significado da comparação que o eu lírico faz entre seu estado emocional e o ambiente externo ("Casando a treva e o frio de meu peito / Ao frio e à treva que há pelo caminho?!")?

      Essa comparação sugere uma profunda sintonia entre a tristeza e a solidão que ele sente e a escuridão e o frio da noite lá fora, intensificando seu desejo de permanecer no calor e na companhia da amada.

05 – Qual a reação final da mulher ao apelo do eu lírico, expressa no último verso do poema?

        A reação final da mulher é acolhedora: "— E ela abria-me os braços. E eu ficava.", indicando que ela cede ao seu pedido e o permite permanecer.

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

POEMA: LÍNGUA PORTUGUESA - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Língua Portuguesa

               Olavo Bilac

Última flor do lácio, inculta e bela
És, a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg86Ivkf38Rd74pzR3810D-Jlovx4yA0T8IOn36tSZINmrEaCcK_L1S6JysofFeJESvVBDBPjGUA7nnFfXQL1QTBiD7QqqH6rIvjixYpv3jstc3xnVEPQGEKZIO5F2NbyIIwFWxyc6_QBEnHlfAefgyFEa3lr8Az2g86yUARFsErLZHVvsusCT7VfNM3ys/s1600/FLOR.jpg


Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de alto clangor, lira singela
Que tens o tom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo
Amo-te, ó rude e doloroso idioma

Em que da voz materna ouvi: Meu filho
E em que Camões chorou, no exílio amargo
O gênio sem ventura e o amor sem brilho
!

Olavo Bilac. Poesia. Rio de Janeiro: Agir, 1976. p. 86.

Fonte: Lições de texto. Leitura e redação. José Luiz Fiorin / Francisco Platão Savioli. Editora Ática – 4ª edição – 3ª impressão – 2001 – São Paulo. p. 162.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal metáfora utilizada no poema para descrever a língua portuguesa?

      A principal metáfora é a da "última flor do Lácio". Essa expressão simboliza a língua portuguesa como a mais recente e bela representante das línguas derivadas do latim, o Lácio sendo a região da Itália onde o latim se originou.

02 – Como o poema descreve a relação entre beleza e rusticidade na língua portuguesa?

      O poema destaca a dualidade da língua, descrevendo-a como "inculta e bela", "esplendor e sepultura". Isso significa que a língua possui uma beleza intrínseca, mesmo em sua forma bruta e não lapidada, como "ouro nativo na ganga impura".

03 – Quais sentimentos o poeta expressa em relação à língua portuguesa?

      O poeta expressa um profundo amor pela língua, mesmo em sua forma "desconhecida e obscura". Ele a descreve como "tuba de alto clangor, lira singela", destacando sua capacidade de expressar tanto a força quanto a delicadeza. O poeta também demonstra forte sentimentalismo ao dizer que ama o idioma, pois foi na língua portuguesa que ouviu a voz materna.

04 – Qual é a importância de Camões para o poema?

      Camões é mencionado como um dos maiores expoentes da língua portuguesa, um gênio que expressou sua dor e sofrimento no exílio através de seus versos. Ele representa a capacidade da língua de transmitir emoções profundas e universais.

05 – O que o poema revela sobre a visão de Olavo Bilac sobre a língua portuguesa?

      O poema revela que Olavo Bilac via a língua portuguesa como uma entidade rica e complexa, capaz de expressar tanto a beleza quanto a dor, a força e a delicadeza. Ele valorizava sua origem latina e sua capacidade de transmitir emoções profundas, tanto que ele a trata como algo que deve ser amado em qualquer aspecto.

 

 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

POESIA: INCONTENTADO - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poesia: Incontentado

            Olavo Bilac

Paixão sem grita, amor sem agonia,

Que não oprime nem magoa o peito,

Que nada mais do que possui queria,

E com tão pouco vive satisfeito...

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjWOVRDb8CnnMzvMDdg4VZTR12tyEXBUHSI3QzczgPWWX4GEJ3kDTnrjY2tpir6oDSVGPxLdgnEjlVqbKRX7J0frcF54qt-OhPBNcmihnEVx6mm18P9I4Ac0bWjFjTaBuStJ9AxXUeFQDwN7TkWVBGPtIVSONja4BYsB3qeg14C9P0vyITSF5PmcFvQRmc/s320/exagerado2.png

Amor, que os exageros repudia,

Misturado de estima e de respeito,

E, tirando das mágoas alegria,

Fica farto, ficando sem proveito...

 

Viva sempre a paixão que me consome,

Sem uma queixa, sem um só lamento!

Arda sempre este amor que desanimas!

 

Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,

O coração, malgrado o sofrimento,

Como um rosal desabrochado em rimas.

Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro: http://www.bibvirt.futuro.usp.br – 19/11/03.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 477.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é o tema central do poema "Incontentado"?

      O tema central do poema é a expressão de um amor intenso e apaixonado, mesmo diante do sofrimento e da falta de reconhecimento. O poeta demonstra um amor inconformado, que se alimenta da própria dor e encontra beleza no sofrimento causado pela paixão.

02 – Que tipo de amor é descrito no poema?

      O poema descreve um amor paradoxal, que se manifesta através da dor e do sofrimento, mas que, ao mesmo tempo, é fonte de alegria e inspiração. O poeta valoriza a paixão que o consome, mesmo que ela não traga proveito ou reconhecimento. É um amor que se alimenta de si mesmo, sem esperar recompensas ou reconhecimento.

03 – Qual é a atitude do poeta em relação ao sofrimento causado pelo amor?

      O poeta não se queixa do sofrimento causado pelo amor, mas o aceita como parte integrante da experiência amorosa. Ele não busca um amor que seja apenas fonte de prazer, mas valoriza a intensidade da paixão, mesmo que ela traga dor. O sofrimento é transformado em poesia, em "rosas desabrochadas em rimas".

04 – Que imagens poéticas são utilizadas para expressar a intensidade do amor?

      O poeta utiliza diversas imagens poéticas para expressar a intensidade do amor, como "paixão que consome", "amor que desanima", "coração como um rosal desabrochado em rimas". Essas imagens evocam a força do sentimento amoroso, que é capaz de consumir o indivíduo por dentro, mas que também o inspira a criar e a expressar sua dor em forma de poesia.

05 – Como o poema "Incontentado" se relaciona com o estilo de Olavo Bilac?

      O poema "Incontentado" apresenta características típicas do estilo de Olavo Bilac, como a forma fixa do soneto, a linguagem rebuscada e a temática do amor passional. Bilac é conhecido por sua poesia parnasiana, que valoriza a forma e a técnica, mas que também expressa sentimentos intensos e profundos. Em "Incontentado", o poeta explora a complexidade do amor, mostrando que ele pode ser fonte de alegria e sofrimento ao mesmo tempo.

 

 

 

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

POEMA: A PRIMAVERA - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: A Primavera

             Olavo Bilac 

Eu sou a Primavera!

Está limpa a atmosfera,

E o sol brilha sem véu!

Todos os passarinhos

Já saem dos seus ninhos,

Voando pelo céu.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhMS9MTIGhGOSjA69P4Wzk-3AnAW1prPjbfAmGEm2Hwlqj7GQcHW6hjkB6WFYVqZ25MprVtzvErJ_d9ySthUZfjMW4nRABjjk8GOvNOxtqTfsnwAaYTJDJ-iKkBcDqLcpG0Mq6STssFtC0nJeUQezcdUrAXeGipZG8maPBnqtTFTJKgDQ_biQw_IT_isW4/s320/PRIMAVERA.jpg 

Há risos na cascata,

Nos lagos e na mata,

Na serra e no vergel:

Andam os beija-flores

Pousando sobre as flores,

Sugando-lhes o mel.

 

Dou vida aos verdes ramos,

Dou voz aos gaturamos

E paz aos corações;

Cubro as paredes de hera;

Eu sou a Primavera,

A flor das estações!

BILAC, Olavo. A Primavera. In: Bilac, Olavo. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929. Disponível em: www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/poesias_infantis_de_olavo_bilac-1.htm#APrimavera. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens – Séries finais, caderno 1. 8º ano – Larissa G. Paris & Maria C. Pina – 1ª ed. 2ª impressão – FGV – MAXI – São Paulo, 2023. p. 72.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal característica da Primavera que o poema destaca?

a) O frio intenso.

b) A tristeza e a melancolia.

c) A vida e a renovação.

d) A noite e o escuro.

02 – Qual das seguintes imagens NÃO está presente no poema para descrever a Primavera?

a) Pássaros voando.

b) Flores coloridas.

c) Neve caindo.

d) Águas cristalinas.

03 – O que o poeta sugere que a Primavera traz para os corações das pessoas?

a) Tristeza e solidão.

b) Paz e alegria.

c) Medo e angústia.

d) Raiva e frustração.

04 – Qual o significado da frase "Dou vida aos verdes ramos"?

a) A Primavera faz com que as plantas sequem.

b) A Primavera faz com que as plantas floresçam e cresçam.

c) A Primavera faz com que as plantas percam as folhas.

d) A Primavera não tem influência sobre as plantas.

05 – Qual é o sentimento predominante expresso pelo poeta nesse poema?

a) Tristeza.

b) Alegria.

c) Raiva.

d) Indiferença.

 

domingo, 29 de dezembro de 2024

POEMA: AS FORMIGAS - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: As formigas

             Olavo Bilac

Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando...

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiAFmlOVugYvgs438XxvdLUzcOPVeH-77iRhpv98Fjyg9o8aRN4Z_QPz7U_Po-tYsly7lo1bwRGZcLFiQuVqbpSjK_Osycp6tHF2ziMECJrouzAHsjZrXsahHAFioffJk6LxLHHQ4FZVprezw4pL0jilRlptbS-CtUYQ0Iv4DpeANB4BVZzZvamLI_JlD0/s320/FORMIGAS.jpg


[...]

Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada.

Vede! enquanto negligentes
Estão as cigarras cantando,
Vão as formigas prudentes
Trabalhando e armazenando.

Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome...

Recorde-vos todo o dia
Das lições da Natureza:
O trabalho e a economia
São as bases da riqueza.

            Olavo Bilac. Poesias Infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929. Disponível em: https://www.unicamp.br/iel/memoria/Ensaios/LiteraturaInfantil/Poesias%20Infantis/Pi01.html. Acesso em: 22 mar. 2021.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 7º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 48.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal característica das formigas no poema?

      As formigas são descritas como animais extremamente trabalhadores, organizados e prudentes. Elas são representadas como um modelo de diligência e previdência.

02 – Qual o contraste estabelecido entre as formigas e as cigarras no poema?

      O poema estabelece um forte contraste entre as formigas e as cigarras. Enquanto as formigas trabalham incansavelmente para garantir o seu futuro, as cigarras são representadas como seres negligentes e despreocupados com o amanhã.

03 – Qual a lição que o poema transmite ao leitor?

      O poema "As Formigas" transmite a lição da importância do trabalho, da economia e da previdência. As formigas são apresentadas como exemplo a ser seguido, mostrando que o esforço e a organização são fundamentais para garantir o bem-estar futuro.

04 – Qual a função das repetições no poema?

      As repetições de palavras e expressões, como "carrega", "vão andando" e "trabalhando", reforçam a ideia da rotina e da persistência das formigas. Além disso, contribuem para a musicalidade do poema e para a criação de um ritmo suave e repetitivo.

05 – Qual o gênero literário do poema "As Formigas"?

      O poema "As Formigas" pode ser classificado como um poema lírico, pois expressa sentimentos e emoções do eu lírico, que observa e descreve a natureza. Além disso, o poema apresenta uma linguagem conotativa e figurada, típica da poesia.

 

 

POEMA: A AVÓ - (FRAGMENTO0 - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: A Avó – Fragmento

             Olavo Bilac

A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha!...
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEigxCKpz8AENcK5WuC6rEwkWiDne3rcllEJ7TLe8UU47Dy9xx_1hGe1qasXFpTm3SNQmUnBIiggfjo1-ROs4uPFaoHAB9r8pLZlSQ5c1AO_sU3_9N_fwST8RpwQ3RneOkqdwiftl4OgmyOUvBsEMOh85nkKLkAOc7x2-NcWCVr8mHyAhYE6ufJPVfpGP9I/s1600/VOVO.jpg


[...]

Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala...
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"

Então, com frases pausadas,
Conta histórias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas ...

E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem...

Olavo Bilac. A avó. In: Poesias Infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929. Disponível em: https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/poesias_infantis_de_olavo_bilac-1.htm#Aav%C3%B3. Acesso em: 18 jun. 2021.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 2. Língua Portuguesa – 6º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 85.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal característica da avó descrita no poema?

      A avó é descrita como uma pessoa frágil e envelhecida, marcada pelos "desgostos humanos". No entanto, sua presença traz alegria e conforto aos netos.

02 – Como a presença dos netos transforma a avó?

      A presença dos netos revitaliza a avó, trazendo-lhe alegria e fazendo com que ela se sinta mais jovem. A interação com as crianças a faz esquecer seus problemas e recuperar boas lembranças.

03 – Quais as sensações e emoções transmitidas pelos versos?

      Os versos transmitem sensações de carinho, ternura, alegria e nostalgia. A imagem da avó frágil, mas que encontra na presença dos netos uma fonte de renovação, é comovente e evoca sentimentos de afeto e respeito pelos idosos.

04 – Qual o papel das histórias nas relações entre a avó e os netos?

      As histórias contadas pela avó são um elo entre as gerações, aproximando-a dos netos e transmitindo valores e conhecimentos. Os contos de fadas e aventuras criam um universo mágico e encantador para as crianças.

05 – Quais as figuras de linguagem utilizadas pelo poeta para descrever a avó e os netos?

      O poeta utiliza diversas figuras de linguagem para criar imagens poéticas e intensificar o significado dos versos. Algumas delas são: metáforas (ex.: "Ficou branquinha, branquinha"), personificações (ex.: "Os contos acompanhando") e sinestesias (ex.: "E a alegria a transfigura").

06 – Qual o sentimento predominante do eu lírico em relação à avó?

      O eu lírico demonstra grande afeto e admiração pela avó, valorizando sua sabedoria, experiência e capacidade de proporcionar momentos de alegria e conforto aos netos.

07 – Qual a importância da figura da avó na cultura e na família?

      A figura da avó é frequentemente associada à sabedoria, à tradição e ao cuidado. Ela representa um elo entre as gerações e desempenha um papel fundamental na transmissão de valores e conhecimentos familiares. O poema de Olavo Bilac celebra a importância da avó como figura central na família e na vida das pessoas.

 

 

POEMA: INANIA VERBA - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Inania verba

             Olavo Bilac

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
– Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava…

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWVvBDz1lTyhRwnZbDZNNu70C5elZcKZSUzYpQvgMalfG1hBjhl6Pe_EzviHgEBQ50d1WhzG_B6SGJJI8JXB0AskF5hNsMvJSLdgPxqY_AIyWwg3mJQFMatRKR3J8QlYMN5xRVCmukLjjTDKODV9KGlcW7dZqJmzaZnrmUBaVCNbXy_psFdQ-JggirPck/s1600/OLAVO.jpg


O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve…
E a Palavra pesada abafa a Ideia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?

BILAC, Olavo. In: BUENO, Alexei (Org.). Olavo Bilac: obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 166.

Fonte: Português – Literatura, Gramática e Produção de texto – Leila Lauar Sarmento & Douglas Tufano – vol. 2 – Moderna – 1ª edição – São Paulo, 2010, p. 198.

Entendendo o poema:

01 – De acordo com o texto, o que significa a palavra refulgia?

      Brilhava intensamente.

02 – Qual a principal temática abordada no poema "Inania verba"?

      A principal temática do poema é a limitação da linguagem para expressar a complexidade da experiência humana. Bilac explora a frustração do indivíduo diante da impossibilidade de comunicar integralmente seus sentimentos e pensamentos mais profundos.

03 – Que sentimentos o poeta expressa através da metáfora da "cruz"?

      A metáfora da "cruz" evoca a ideia de sofrimento, martírio e a sensação de estar preso a algo que causa dor. O poeta se compara a alguém pregado à cruz, expressando a angústia de não poder se libertar de seus sentimentos e pensamentos conflituosos.

04 – Qual a relação entre a "forma" e a "ideia" no poema?

      A "forma" representa a linguagem, as palavras, que são vistas como um "sepulcro de neve", ou seja, algo frio e rígido que aprisiona a "ideia", que é comparada a um "perfume e clarão". A ideia é a essência, o sentimento puro, enquanto a forma é a expressão externa, muitas vezes insuficiente para capturar a totalidade da experiência.

05 – O que significa a expressão "as palavras de fé que nunca foram ditas"?

      Essa expressão representa as crenças e convicções mais profundas do indivíduo, que muitas vezes permanecem inexpressivas, aprisionadas no interior. É a impossibilidade de encontrar as palavras adequadas para expressar a fé e a esperança.

06 – Qual a sensação de impotência transmitida pelo poema?

      O poema transmite uma profunda sensação de impotência diante da linguagem. O poeta se sente incapaz de encontrar as palavras certas para dar forma aos seus sentimentos e pensamentos mais complexos. A repetição de "quem há de dizer" reforça essa ideia de incapacidade de encontrar a expressão adequada.