terça-feira, 30 de março de 2021

POESIA: IDENTIDADE - PEDRO BANDEIRA - COM GABARITO

 Poesia: Identidade

           


   Pedro Bandeira

Às vezes nem eu mesmo
sei quem sou.
Às vezes sou.
"o meu queridinho",
às vezes sou
"moleque malcriado".
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.
Às vezes sou pulga,
sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e vergonha.
Às vezes eu sou Hércules,
Sansão vencedor,
peito de aço
goleador!

Mas o que importa
o que pensam de mim?
Eu sou quem sou,
eu sou eu,
sou assim,
sou menino.

BANDEIRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. 4. Ed. São Paulo: Moderna, 2009.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 45-7.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.fraseseversos.com%2Fautores%2Fpedro-bandeira%2Fidentidade-br-br-as-vezes-nem-eu-mesmo-br-sei-quem-sou-br-as-vezes-sou-br%2F&psig=AOvVaw1atC3sUxU5NTbfOhnRlzbV&ust=1617232674174000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCICAq7ST2e8CFQAAAAAdAAAAABAD


Entendendo a poesia:

01 – Quantas linhas há na poesia “Identidade”?

      Vinte e cinco linhas.

02 – Essas linhas encontram-se agrupadas ou separadas por espaços em branco?

      As linhas 1 a 19 estão separadas das linhas 20 a 25 por um espaço em branco.

03 – Quantos versos formam a poesia “Identidade”? E quantas estrofes?

      A poesia é formada por 25 versos e duas estrofes.

04 – Leia a fonte que indica o livro do qual essa poesia foi retirada e responda às questões a seguir.

a)   De que livro essa poesia foi retirada?

Do livro Cavalgando o arco-íris.

b)   Qual é o nome do autor da poesia?

Pedro Bandeira.

c)   Pedro Bandeira é um autor adulto. Mas a voz que fala na poesia não é a de um adulto. Considerando essa afirmação, responda: A quem podemos atribuir a fala do texto? Qual verso traz essa indicação?

A um menino. O último verso.

05 – Releia os versos a seguir.

        Às vezes sou.
        "o meu queridinho",
        às vezes sou
        "moleque malcriado".

        Os versos destacados acima aparecem entre aspas. Isso acontece porque o eu lírico:

a)   Quer dar destaque a duas maneiras de ser que ele atribui a si mesmo.

b)   Pretende mostrar duas maneiras de ser que ele atribui a si mesmo e que se opõem.

c)   Destaca duas maneiras de ele ser na voz de outras pessoas.

06 – Em que situação o eu lírico é considerado “o meu queridinho”?

      Provavelmente, quando faz coisas boas e as pessoas elogiam o comportamento dele.

07 – E em qual situação ele é considerado “moleque malcriado”?

      Provavelmente, quando responde mal às pessoas, principalmente aos adultos.

08 – Reproduza a poesia “Identidade” em uma folha à parte. Escreva os itens a seguir ao lado dos versos da poesia a que cada um deles corresponde.

·        Como os outros veem o menino – Corresponde ao trecho que vai do 3° ao 6° verso.

·        Como o menino se vê – Corresponde ao trecho que vai do 7° ao 19° verso.

·        O menino rejeita a opinião dos outros a seu respeito – Corresponde ao 20° e 21° verso.

·        O menino se aceita como é – Corresponde aos quatro últimos versos.

09 – Na poesia que você reproduziu, circule a expressão que indica que o menino vai falar sobre como ele se vê?

      Os alunos deverão circular a expressão “Para mim”.

10 – O menino fala que é “rei”, “herói”, “caubói” e “mosca”.

a)   Essas identidades fazem parte da imaginação ou da realidade do menino? Por quê?

Elas fazem parte da imaginação dele, pois são identidades irreais.

b)   Podemos dizer que essas palavras estão relacionadas à identidade dele? Por quê?

Sim, pois o eu lírico revela que se vê dessa maneira: como rei, herói, caubói e mosca.

 

 

 

BIOGRAFIA: JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 BIOGRAFIA(FRAGMENTO): JOSÉ PAULO PAES

      


  Poeta, ensaísta, jornalista e tradutor, José Paulo Paes nasceu em 22 de julho de 1926 em Taquaritinga, SP. Transferiu-se para Curitiba em 1944, onde conviveu com vários intelectuais da época, dentre eles o poeta Glauco Flores de Brito e Dalton Trevisan. Iniciou sua carreira literária com o livro O aluno.

    Retornou a São Paulo em 1949, e após trabalhar em uma indústria farmacêutica, iniciou sua carreira como editor na Editora Cultrix, onde permaneceu por mais de vinte anos. Autodidata no aprendizado das línguas inglesa, francesa, italiana, alemã, espanhola, dinamarquesa e grega, dedicou-se à tradução de vários autores de literatura fantástica, poesia erótica e poetas gregos modernos.

        No início de sua carreira como editor, aproximou-se de Cassiano Ricardo e do grupo da poesia concreta, chegando a colaborar na Revista Invenção e partilhar de algumas ideias sob a óptica do humor e do laconismo da economia verbal, recursos que usou para tornar mais acurada a ponta satírica de sua poesia.

        A partir de 1984, José Paulo Paes passa a escrever também poemas lúdicos para o público infanto-juvenil, trabalhando com conceitos em dicionários. Para ele "a palavra é o brinquedo que não gasta, pois quanto mais se brinca com elas mais novas ficam".

        José Paulo Paes faleceu em 9 de outubro de 1998 aos 72 anos. 

Fonte:https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/josepaulopaes/index.php?p=159

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 33-4.

Fonte da imagem:https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.companhiadasletras.com.br%2Fautor.php%3Fcodigo%3D00383&psig=AOvVaw1N6vMNH-07CEaKbEgO-QrU&ust=1617232017936000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCKDou_WQ2e8CFQAAAAAdAAAAABAJ

Entendendo a biografia:

01 – O texto lido apresenta linguagem visual e verbal. Explique por quê?

      O texto apresenta uma foto do biografado e imagens das capas de algumas de suas obras (linguagem visual) e é composto por palavras (linguagem verbal).

02 – Qual é a função da foto que acompanha a biografia?

      Ilustrar o texto, mostrando para o leitor a imagem da pessoa retratada.

03 – As informações sobre o poeta são dadas por meio de alguns temas. Identifique cinco desses temas.

      Os temas revelam o nome completo, o nascimento, o trabalho como editor e poeta, a relação do poeta com as palavras, o falecimento e o nome de algumas de suas obras.

04 – A quem textos como esse normalmente se dirige?

      Aos leitores que apreciam a obra do poeta, pesquisadores de literatura, estudante, entre outros.

05 – Na biografia, afirma-se que para José Paulo Paes:

        [...] "a palavra é o brinquedo que não gasta, pois quanto mais se brinca com elas mais novas ficam". Como você entende essa forma de o poeta definir a palavra?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Qual tema você acrescentaria a essa biografia?

      Resposta pessoal do aluno.

       

 

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS : MENINO MALUQUINHO - ZIRALDO - COM GABARITO

 Histórias em Quadrinhos: Menino Maluquinho

               Ziraldo


ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 6º ano – Ensino Fundamental – IBEP 5ª edição- 2018. p. 14-5.

Entendendo a história:

01 – Você já ouviu falar do Menino Maluquinho? O que sabe sobre ele?

      Resposta pessoal do aluno.

02 – O personagem principal dessa história vive um conflito. Qual é esse conflito?

      Ele tem dificuldade para escolher um visual para sair.

03 – O Menino Maluquinho, ao escolher o boné, acaba optando por um visual mais antigo ou mais moderno? Por que você acha que ele fez essa opção?

      Ele opta por um visual mais moderno. Provavelmente porque bonés são muito usados pelos garotos de sua geração.

04 – Ao usar o boné por cima da panela, o que o personagem demonstra? Isso provoca humor no texto?

      Demonstra que, mesmo usando um visual novo, ele não deixa de ser quem é, ou seja, afirma sua identidade colocando o boné sobre a panela. O humor pode consistir no fato de ele usar o boné sobre a panela.

05 – Em sua opinião, Maluquinho gosta de ser quem é? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

06 – Observe com atenção os gestos e as expressões faciais de Maluquinho nos seis primeiros quadrinhos e responda:

a)   O que as diferentes posições dos braços e das mãos sugerem sobre o personagem?

Sugerem que o personagem está em dúvida sobre alguma coisa.

b)   As expressões faciais do garoto combinam com o que ele está dizendo? Justifique sua resposta.

Sim. As expressões faciais mostram que o personagem está refletindo sobre seu visual, pois Maluquinho se observa atentamente no espelho.

07 – Para construir esse texto, o autor usou imagens e palavras. Em sua opinião, se as imagens fossem retiradas, o texto transmitiria as mesmas ideias? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

08 – Às vezes você também se sente como o Menino Maluquinho? Observando a si mesmo, que conflitos você considera comuns na sua idade? Por quê?

      Resposta pessoal do aluno.

     







REPORTAGEM: O HOMEM DE 6 MILHÕES DE ANOS - GABRIELA CARELLI - COM GABARITO

 Reportagem: O homem de 6 milhões de anos

      


   Fósseis do mais antigo ancestral humano são descobertos no Quênia e podem ser a chave para chegar ao elo perdido

                        Gabriela Carelli

        Desde que Charles Darwin estabeleceu que o homem e o macaco tinham um ancestral comum, os cientistas lançaram-se numa corrida em busca do elo perdido, a criatura que marca a divisão entre as duas espécies. Na semana passada, pesquisadores franceses e quenianos chefiados pelo paleontólogo Martin Pickford, do Collège de France, anunciaram ter chegado bem perto desse ponto ao descobrir ossos fossilizados de um hominídeo datado de 6 milhões de anos. O achado ocorreu durante escavações na área de Baringo, no Quênia, em 25 de outubro de 2000, e tem implicações assombrosas.

        Ainda sem catalogação e apelidado apenas de Homem do Milênio, o fóssil do hominídeo é 1,5 milhão de anos mais antigo que os restos do mais velho ancestral humano conhecido, encontrado na Etiópia em 1994. A novidade não para por aí: a equipe afirma que a criatura está num estágio evolutivo mais avançado que o de vários outros hominídeos que viveram em períodos mais recentes.

        Caso confirmada, a hipótese pode descartar linhagens inteiras de homens-macacos que se julgava serem ancestrais humanos. “Seis milhões de anos é exatamente a época em que se acredita ter acontecido a separação entre o homem e os macacos”, diz o antropólogo Walter Neves, da Universidade de São Paulo. “Se a datação for confirmada, Pickford fez uma descoberta sem precedentes.”

        O paleontólogo do Collège de France e sua colega Brigitte Senut, do Museu de História Natural de Paris, encontraram de fato peças importantes. Ao anunciar a descoberta, eles exibiram em Nairóbi, capital do Quênia, um fêmur esquerdo perfeitamente conservado. O osso mostra que o Homem do Milênio tinha pernas fortes. Isso o capacitava a andar ereto. Pelo comprimento dos ossos, calcula-se que o hominídeo era da altura de um chimpanzé. Mas os dentes e a estrutura da mandíbula encontrados, segundo Pickford, o remetem diretamente ao homem moderno. A dentição é bem similar à nossa: pequenos caninos e molares completos. Essa configuração dentária possibilita uma dieta à base de frutas e vegetais, com ingestão ocasional de carne. “Tudo parece inédito, mas antes de qualquer afirmação é necessária uma avaliação precisa, pois os fósseis pertencem a um período muito incerto”, disse a Veja Chris Stringer, titular da cadeira de origem humana do departamento de paleontologia do Museu de História Natural de Londres, ao comentar os detalhes dos fósseis. Tanta cautela faz sentido. Afinal, leva-se muito tempo para provar se os restos são mesmo de um hominídeo.

        A própria datação em 6 milhões de anos ainda precisa ser comprovada com a análise dos ossos. O que se sabe até agora é que os fósseis foram localizados numa camada de terra com essa idade geológica. O Ardipithecus ramidus, atualmente considerado o ancestral mais antigo do homem, com 4,4 milhões de anos, ainda está sendo estudado. Apesar de a maioria dos cientistas acreditar que se trata de um hominídeo, alguns questionam se a criatura não pertence a outro gênero – um meio termo entre um hominídeo e um macaco, sem vínculos com a evolução humana. Neves não descarta essa hipótese nos achados de Pickford. “É estranha uma dentição assim tão próxima da humana. Geralmente, antes dos 2 milhões de anos, ela é muito mais parecida com a dos chimpanzés.”

        A árvore genealógica do homem está longe de ser uniforme. Os cientistas conseguiram encadear de forma cronológica algumas das espécies que fazem parte de nossa cadeia evolucionária, mas há dúvidas sobre como ramos inteiros se extinguiram. Cada nova descoberta abala os alicerces dessa escala, eliminando possibilidades e alterando a configuração dos galhos. Também são pouco claros os motivos da extinção de ramos inteiros, como o do Homo erectus, por muito tempo considerado um dos degraus da evolução humana e agora visto como uma espécie à parte. “Entre 2,5 milhões e 1,5 milhão de anos atrás existiram seis espécies diferentes de hominídeos, tanto na África como na Ásia”, diz o paleontólogo Donald Johanson, descobridor do mais popular fóssil já encontrado, a Lucy, uma fêmea Australopithecus aferensis de 3,2 milhões de anos. “Depois de 35.000 anos só haviam sobrado duas, a nossa e a dos neandertais, que conviveram por cerca de 10.000 anos.” Até hoje não se sabe direito o que aconteceu com os neandertais, mas o fato é que o homem ficou sozinho.

CARELLI, Gabriela. O homem de 6 milhões de anos. Disponível em: http://www.veja.com.br. Acesso em: 16 ago. 2002.

Fonte: Português – Língua e Cultura. Carlos Alberto Faraco. Volume 1. 2. Ed. – Curitiba: Base Editorial, 2010. P. 98-100.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fistoe.com.br%2Ffossil-humano-mais-antigo-da-historia-e-encontrado-em-israel%2F&psig=AOvVaw1MBEgwZRCxYnwJify4LeyO&ust=1617230573970000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCNCszsuL2e8CFQAAAAAdAAAAABAD

Entendendo a reportagem:

01 – O texto é, de novo, basicamente informativo. Vamos localizar as informações básicas:

a)   Que fato está sendo noticiado?

A descoberta de ossos fossilizados de um hominídeo datado de 6 milhões de anos.

b)   Qual é a data presumida do fóssil?

6 milhões de anos.

c)   Quem achou?

Pesquisadores franceses e quenianos.

d)   Onde e quando?

Baringo, no Quênia em 25 de outubro de 2.000.

02 – O texto nos diz que o fóssil pode estar muito próximo do elo perdido.

a)   O que designa a expressão elo perdido?

O ser que liga os humanos ao ancestral comum a humanos e outros primatas.

b)   Por que o texto faz esta afirmação?

O fóssil do homem do milênio é 1,5 milhão de anos mais antigo que os restos do mais velho ancestral humano conhecido, encontrado na Etiópia em 1994.

03 – Ao fim do primeiro parágrafo, está dito que a descoberta do fóssil tem implicações assombrosas (detalhadas nos parágrafos seguintes) Quais são elas?

        São os 2° e 3° parágrafos.

04 – A cautela cientifica está, de novo, bem presente neste texto. Localize exemplos.

        4° parágrafo – citação. 5° parágrafo (hipótese, parece, incerto, dúvidas...).

05 – Que dados interessantes traz a reportagem sobre a árvore genealógica do homem?

      6° parágrafo.

REPORTAGEM: ESTUDO DE GENE DE LINGUAGEM REFORÇA TEORIA DA SEPARAÇÃO ENTRE HOMENS E CHIMPANZÉS - COM GABARITO

 Reportagem: Estudo de gene de linguagem reforça teoria da separação entre homens e chimpanzés

                  


Nicholas Wade (traduzido do jornal The New York Times)

        Um estudo dos gnomas dos seres humanos e chimpanzés forneceu novas ideias sobre a origem da linguagem. Um dos atributos humanos mais distintos, a linguagem foi um passo fundamental na cadeia evolutiva. Segundo esse estudo, a linguagem foi, na escala de tempo evolucionária, um desenvolvimento muito recente, algo que ocorreu nos últimos 100.000 anos.

        A descoberta reforça uma teoria inovadora, proposta pelo Dr. Richard Klein, arqueólogo da Universidade Stanford (EUA). O pesquisador argumenta que o surgimento do comportamento humano moderno, há cerca de 50.000 anos, deu-se por importante modificação genética, provavelmente aquela que levou ao desenvolvimento da linguagem pela espécie.

        O novo estudo, desenvolvido pelo Dr. Svant Paabo e colaboradores, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária (Leipzig – Alemanha), se baseia na descoberta no ano passado do primeiro gene humano envolvido especificamente na linguagem.

        O gene foi identificado por meio de estudos em uma grande família londrina, famosa entre os linguistas. De seus 29 membros, 14 não conseguem articular a fala, mas são, de outra forma, normais.

        Uma equipe de biólogos moleculares, liderada pelo Dr. Anthony P. Monaco, da Universidade de Oxford (Inglaterra), identificou, em 2001, o gene que estava causando os problemas da família. Chamado de Foxp2, o gene regula a atividade de outros genes durante o desenvolvimento do cérebro. Presume-se, portanto, que tenha um papel no estabelecimento de um circuito neural para a linguagem, mas o mecanismo ainda não foi compreendido.

        A equipe de Paabo estudou a história evolucionária do Foxp2. Para isso, comparou sequências de DNA das versões do gene em camundongos, chimpanzés e outros primatas.

        Em artigo publicado on-line, na quinta-feira 8 de agosto, pela revista Nature, Paabo diz que o gene Foxp2 permaneceu basicamente inalterado durante a evolução dos mamíferos, mas sofreu súbita mudança nos seres humanos, depois que a linha de hominídeos separou-se da linha dos chimpanzés.

        As mudanças do gene humano, segundo os autores, afetam em dois pontos a estrutura da proteína que codifica. Um deles altera ligeiramente a forma da proteína; o outro dá a ela um novo papel no circuito de sinalização das células humanas.

        As mudanças indicam que o gene tem estado sob forte pressão evolucionária nos seres humanos. A forma humana do gene, com suas duas modificações, também parece ter se tornado universal na população, sugerindo que confere alguma vantagem essencial.

        Paabo alega que os humanos já deviam ter alguma forma de linguagem rudimentar antes de o Foxp2 ter sofrido as mutações. Ao conferir a habilidade de rápida articulação, o gene aprimorado pode ter se difundido na população, dando o toque final à linguagem verbal. “Talvez esse gene tenha conferido o aperfeiçoamento final da linguagem, tornando-a totalmente moderna”, disse Paabo.

        Os membros afetados da família londrina na qual a versão defeituosa do Foxp2 foi descoberta possuem alguma linguagem rudimentar. Sua principal dificuldade parece estar na falta de controle mais fino dos músculos da garganta e da boca, necessários para a fala rápida. No entanto, os membros afetados apresentam muitas dificuldades tanto em testes escritos, quanto nos orais, sugerindo que o gene defeituoso causa problemas gramaticais, além dos de controle muscular.

        O genoma humano acumula constantemente, por mutações randômicas, modificações de DNA, que, contudo, raramente afetam a estrutura dos genes. Quando um novo gene difunde-se pela população, a diversidade genômica no período é reduzida por certo tempo, já que todo mundo possui o mesmo pedaço de DNA transferido com o novo gene. Ao medir a diversidade reduzida e outras características de um gene de vital importância, Paabo estimou a idade da versão humana do Foxp2 em menos de 120.000 anos.

        Paabo diz que sua estimativa aproximada encaixa-se com a teoria de Klein. Justificando o rápido aparecimento de novos comportamentos há 50.000 anos, incluindo arte, ornamentação e comércio de longa distância. Esqueletos humanos desse período são fisicamente iguais aos de 100.000 anos atrás, levando Klein a propor que alguma mudança cognitiva de base genética deve ter estimulado os novos comportamentos. A única mudança de magnitude suficiente, em sua opinião, teria sido a aquisição da linguagem pela espécie.

WADE, Nicholas. Estudo de gene de linguagem reforça teoria da separação entre homens e chimpanzés. Disponível em: http://www.uol.com.br/noticias Acesso em: 15 ago. 2002. Tradução de Deborah Weinberg.

Fonte: Português – Língua e Cultura. Carlos Alberto Faraco. Volume 1. 2. Ed. – Curitiba: Base Editorial, 2010. P. 95-7.

Fonte da imagem - https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Frevistagalileu.globo.com%2FCiencia%2FSaude%2Fnoticia%2F2020%2F05%2Fpesquisa-associa-gene-da-demencia-risco-de-quadro-grave-de-covid-19.html&psig=AOvVaw14HjjqwwT4lv7ukcFEhUD0&ust=1617230901928000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCJDvvemM2e8CFQAAAAAdAAAAABAD

Entendendo a reportagem:

01 – Observe novamente como o texto é, no geral, bastante cauteloso nas afirmações que faz. Isso decorre das próprias características do trabalho científico. No fundo, todos os achados da ciência estão sempre sob o crivo da dúvida, isto é, eles podem ser modificados ou reinterpretados e até mesmo abandonados com o desenrolar das pesquisas.

Esse grau de incerteza e de abertura para novas possibilidades, característico do pensamento cientifico, é uma grande conquista histórica da humanidade. Com ele, foi possível assentar as bases de um pensamento não dogmático e definir um dos direitos fundamentais da pessoa humana – a liberdade de pensamento.

Muitas vezes esse grau de incerteza do trabalho cientifico não é percebido pelas pessoas. Resultado: toma-se uma afirmação cientifica como definitiva e inquestionável, como se o produto da ciência fosse um saber pronto e acabado.

Claro que as afirmações científicas têm uma certa força. Isso decorre do fato de que, na ciência, as afirmações têm de ser sustentadas com dados (não basta apenas afirmar). E mais: temos que apresentar dados que possam ser verificados por outros cientistas independentemente. Assim, as afirmações valem e sobrevivem (e têm força, portanto) enquanto é possível sustenta-las.

Isso posto, releia o texto identificando os vários elementos que expressam a cautela nas afirmações.

      2° / 5° / 8° / 10° / 13° parágrafos (provavelmente, presume-se, segundo os autores, parece, sugerindo, talvez, propor...).

02 – O texto é uma reportagem e, nesse sentido, é basicamente informativo. Ele nos traz informações sobre estudos de dois grupos de pesquisadores: o liderado pelo Dr. Anthony Monaco e liderado pelo Dr. Svant Paabo. Vamos localizar essas afirmações.

·        Sobre o grupo liderado pelo Dr. Anthony Monaco:

a)   Em que instituição o grupo trabalha?

5° parágrafo.

b)   Que tipo de profissionais compõe o grupo?

5° parágrafo.

c)   O grupo estudou uma determinada família londrina. Por quê?

4° parágrafo.

d)   Qual o resultado da pesquisa?

5° parágrafo.

e)   Que característica tem o gene Foxp2?

10° parágrafo.

f)    Em que ano a equipe chegou ao resultado?

5° parágrafo.

·        Sobre o grupo liderado pelo Dr. Svant Paabo:

a)   Em que instituição trabalha?

3° parágrafo.

b)   O grupo, partindo da descoberta da equipe do Dr. Monaco, buscou estabelecer o quê?

6° parágrafo.

c)   Como foi feita a pesquisa? E quais foram seus resultados?

6° parágrafo.

d)   Como a equipe do Dr. Paabo chegou à estimativa de idade da versão humana do Foxp2?

13° parágrafo.

e)   O texto diz que os resultados da pesquisa reforçam uma teoria proposta pelo Dr. Richard Klein. Qual é esta teoria; o que levou o seu autor a propô-la; e de que modo a pesquisa lhe dá reforço?

2° e 13° parágrafos.

REPORTAGEM: GESTOS PODEM ESTAR NA ORIGEM DA LINGUAGEM - SHARON BEGLEY - COM GABARITO

 Reportagem: Gestos podem estar na origem da linguagem

         


As pesquisas sobre o uso de sinais por chimpanzés e crianças surdas estão mudando algumas teorias

                   Sharon Begley

        Novas pesquisas sobre como os chimpanzés e crianças surdas se comunicam por gestos podem fornecer a resposta para um dos maiores mistérios da evolução humanas: quando e como se originou a linguagem?

        Um chimpanzé fêmea senta-se no chão, satisfeita, comendo frutas na sua floresta africana natal. Nisso, um outro chimpanzé fêmea, mais jovem, se aproxima e estende a mão em concha. Ela está pedindo à primeira para compartilhar a comida. Um outro chimpanzé, desta vez em um centro de pesquisa de Atlanta (EUA), focaliza uma banana que está fora do seu alcance, fora da gaiola, a sua esquerda. Quando um cientista se aproxima, o chimpanzé faz um gesto com a mão direita, estendendo-a toda, os olhos indo do cientista para a banana e vice-versa: “Se importaria de me passar a comida, grandão?”

        O.K., em se tratando de linguagem, apresentar a mão em concha ou estendê-la não é exatamente o solilóquio de Hamlet. A natureza primitiva do sistema de comunicação do chimpanzé convenceu muitos cientistas de que nossos parentes mais próximos não conseguem dominar a verdadeira linguagem com todos os seus meandros gramaticais e sintáticos.

        Mas mesmo esses críticos admitem que o chimpanzé, tanto na selva como no laboratório, faz o que pode ser classificado ao menos como comunicação intencional. Embora os gritos dos chimpanzés indiquem emoções como medo e raiva, são seus gestos que transmitem significado.

        Combinado com estudos com crianças surdas que, espontaneamente, criam sua própria e complexa linguagem de sinais – e com a descoberta de que as pessoas cegas gesticulam no mesmo ritmo das pessoas que enxergam – estão crescendo as provas de que o cérebro humano está equipado para a comunicação gestual.

        Agora alguns cientistas estão indo ainda mais longe. Um dos enigmas mais persistentes da antropologia é quando e como a linguagem, considerada a façanha máxima da evolução humana e também o atributo que separa nossa espécie de todas as outras, teve origem. “A linguagem pode ter evoluído não da vocalização de nossos ancestrais, mas dos gestos manuais”, diz Mike Corballis, um neurocientista cognitivo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

        Desde o século 18 – A ideia de que a linguagem surgiu dos gestos foi proposta no século 18 e foi reavivada na década de 1970. Mas soçobrou por falta de provas. Agora, porém, os cientistas têm 20 anos de descobertas sobre como os chimpanzés são capazes de usar a linguagem de sinais. “Na vida selvagem, um bonobo usa gestos de mão para indicar à fêmea como ele gostaria que ela se posicionasse para o sexo”, explica William Hopkins, pesquisador da linguagem dos chimpanzés do Berry College no Estado da Geórgia (EUA) e do Yerkes Regional Primate Research Center (Centro Regional Yerkes de Pesquisa com Primatas). Os bonobos também usam sinais de mão para avisar aos outros que há um ser humano observando-os furtivamente. Um jovem bonobo foi visto fazendo um gesto para convidar seu irmão menor para brincar, em vez de mostrar, por meio de representação, o que tinha em mente. Pode não ser linguagem, mas é comunicação simbólica.

        Os chimpanzés conseguem reforçar sua capacidade simbólica quando aprendem um pouco da Língua de Sinais Americana (American Sign Language – ASL), a língua de gestos manuais dos surdos. Embora os macacos pareçam não conseguir ir além da linguagem própria de uma criança de 2 anos, há indícios de que sua facilidade com os gestos “é decorrente de um sistema neurológico atávico de comunicação baseado no gesto”, diz Hopkins. Os chimpanzés aprendem facilmente centenas de sinais da ASL e os combinam em sentenças que nunca viram antes, entre elas “me faça cócegas” ou “me dê uma banana”.

        Em outra descoberta interessante, a chimpanzé Washoe que aprendeu a ASL, ensinou-a espontaneamente a seu filho adotivo, Loulis, moldando a mão dele para que fizesse cada sinal corretamente. Loulis consegue agora usar cerca de 80 sinais – para objetos como banana e ações como dar e vir.

        Embora na maioria das atividades os chimpanzés não mostrem preferência pelo uso de uma das mãos, na linguagem de sinais parece ser diferente.

        Esquerda e direita – Em um estudo conduzido em 1998 com 115 chimpanzés em Yerkes, Hopkins e David Leaves, da Universidade da Geórgia, descobriram que os chimpanzés tendiam a usar a mão direita para fazer gestos significativos do tipo “por-favor-me-passe-uma-banana”, mesmo quando a banana está do lado esquerdo do chimpanzé. “O chimpanzé costuma usar a mão esquerda para alcançar a banana”, diz Hopkins. “O fato de estarem usando a mão direita para fazer o gesto indica que esta é uma tentativa de comunicar-se, não de alcançar algo. O lado esquerdo do cérebro envia sinais para o lado direito do corpo e também aloja os centros da linguagem. É possível que as áreas do cérebro responsáveis pela linguagem, que somente no ano passado foram descobertas nos chimpanzés, estejam associadas à comunicação gestual”, diz ainda Hopkins.

        A outra grande mudança no estudo dos gestos é que a sinalização é agora reconhecida como uma “linguagem apropriada, gramatical”, como diz Mike Corballis. Mais ainda: as pessoas surdas em todo o mundo e no decorrer dos séculos têm inventado linguagens de sinais. Esses sistemas são completamente gramaticais também. “O surgimento espontâneo”, diz Corballis, “confirma que a comunicação gestual é tão natural à condição humana quanto o é a linguagem falada.” As crianças surdas até “balbuciam” em sinais, fazendo um gesto repetidamente, da mesma maneira que seus amiguinhos que escutam fazem o mesmo “ma-ma-ma” repetidamente.

        As crianças surdas podem até inventar aspectos gramaticais mais refinados que aqueles da língua falada. Veja o exemplo das crianças surdas de pais ouvintes, na China e nos Estados Unidos, que inventaram linguagens de sinais. As invenções delas têm mais semelhança entre si do que têm com a sinalização simples que viram seus pais fazerem, segundo um estudo de 1988 liderado pela psicóloga Susan Goldin – Meadow, da Universidade de Chicago (EUA). Além disso, a linguagem gestual das crianças mostrou detalhes gramaticais mais reinados do que aqueles que ocorrem em inglês ou mandarim: as crianças usam sinais ligeiramente diferentes para “rato” nas sentenças “o rato chegou” e “o rato comeu o queijo”. A única diferença entre as duas é que o primeiro rato é o sujeito de uma sentença com um verbo intransitivo (“chegar”), enquanto o segundo rato é o sujeito de uma sentença com um verbo transitivo (“comer”).

        Pode um gesto, então, recorrer às mesmas estruturas cerebrais para a gramática que a fala faz? Estudos de imagens do cérebro indicam que sim. “Os neurônios responsáveis pela produção e compreensão da linguagem tornam-se ativos quando um emissor de sinais surdo observa sentenças na Língua de Sinais Americana”, diz Helen Nerville, da Universidade de Oregon (EUA).

        Sistemas antigos – A ideia de que o cérebro abriga sistemas antigos para a linguagem gestual não foi surpresa para os cientistas que estudam o desenvolvimento da linguagem nas crianças. “Os bebês fazem gestos complexos antes de falar e crianças que fazem gestos referenciais mais cedo começam a falar mais cedo, enquanto aquelas que fazem gestos mais tarde falam mais tarde”, explica a psicóloga do desenvolvimento Elizabeth Bates, da Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA). “Os gestos e a linguagem compartilham um substrato neural comum; isso é coerente com a ideia de que a linguagem oral surgiu da gestual, embora também seja consistente com o desenvolvimento paralelo de ambas”.

        Faz sentido que, em um mundo de predadores, nossos ancestrais tenham evoluído da comunicação silenciosa para a oral. Mas nem todos concordam que a linguagem tenha se originado do gesto. O neuropsicólogo Merlin Donald, da Queens University, de Ontário (Canadá), argumenta que, se ela tivesse se originada daí, então uma linguagem gestual totalmente desenvolvida ainda estaria por aí; e não está, a não ser entre os surdos.

        Mas uma origem gestual poderia resolver um dos enigmas mais desafiadores da evolução humana. O desenvolvimento da laringe (uma das condições para a fala) só se deu há uns 150 mil anos, segundo sugerem fósseis de ancestrais de seres humanos. Dali até as primeiras civilizações da antiguidade (que surgiram há mais ou menos 5 mil anos), argumenta Mike Corballis, “é um espaço de tempo muito curto para o surgimento de coisas tão complexas como a gramática”, que requer mudanças revolucionárias no cérebro.

        Contudo, se nossos ancestrais já tivessem inventado a gramática e usado para a linguagem gestual, então a transferência dessa gramática para a fala não teria sido tão mais difícil do que, por exemplo, aplicar as lições da gramática espanhola para o português. A troca de meios seria fácil. Como resultado, assim que a laringe surgiu, os seres humanos puderam começar a conversar. E nunca mais pararam.

BEGLEY, Sharon. O Estado de São Paulo, 16 maio 2002. Caderno 2. Tradução de Maria de Lourdes Botelho. From The New York Times, 8/15/2002. c 2002. Todos os direitos reservados. Usado com permissão e protegido pelas leis de copyright dos Estados Unidos.

Fonte: Português – Língua e Cultura. Carlos Alberto Faraco. Volume 1. 2. Ed. – Curitiba: Base Editorial, 2010. P. 89-93.

Fonte da imagem-https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fwww.hippopx.com%2Ffr%2Flola-ya-bonobo-democratic-republic-of-congo-kinshasa-africa-ape-nature-pan-19709&psig=AOvVaw1pX66xl-zGUTIc8t9xIn1B&ust=1617229722915000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCIi28byI2e8CFQAAAAAdAAAAABAD

Entendendo a reportagem:

01 – Observe que o texto é, no geral, bastante cauteloso:

      1° parágrafo – 2ª linha.

      4° parágrafo – 2ª linha.

      5° parágrafo – 5ª linha.

      12° parágrafo – 1ª linha.

      13° parágrafo – 1ª linha.

·        Várias vezes se insiste que se trata apenas de uma possibilidade. Ou seja: não temos nenhuma certeza. Preste atenção, nesse sentido, em como o verbo poder (no sentido de ser possível) é frequente no texto. Já no título ele está presente. Localize outros exemplos;

Quem concorda – 14° parágrafo.

Quem discorda – 15° parágrafo.

·        Apresentam-se afirmações um pouco mais incríveis dos pesquisadores que defendem a hipótese de que a linguagem verbal foi precedida de uma linguagem gestual. Mas também informa-se que nem todos concordam com esta hipótese (Quem é citado neste caso?); e que outros a tratam com certa reserva (observe que as palavras da psicóloga Elizabeth Bates enfraquecem um pouco a hipótese. Que outra possibilidade ela sugere?).

Elizabeth Bates – 14° parágrafo.

02 – Apesar de redigir um texto cauteloso, é claramente perceptível que a autora tem simpatia pela hipótese que relata. Ela faz interesses manobras argumentativas nesse sentido. Uma delas é fazer uma concessão aos “adversários” (aos críticos da hipótese) para, em seguida, tentar enfraquecer a posição deles. É uma manobra que podemos representar pelo esquema SIM/MAS (muito comum, aliás, nas nossas conversas cotidianas). Observe o exemplo do início do texto em seus vários lances:

        1°) a autora relata o uso de gestos por chimpanzés na natureza e no laboratório (segundo parágrafo);

        2°) em seguida, ela faz a concessão ao “adversário”, dizendo (terceiro parágrafo):

        “O.K., em se tratando de linguagem, apresentar a mão em concha ou estendê-la não é exatamente o solilóquio de Hamlet.”

        Ou seja, SIM – o sistema gestual dos chimpanzés é muito simples e está muito longe da complexidade da linguagem verbal humana (representada aqui pelo solilóquio de Hamlet – referência à famosa cena da peça Hamlet, de Shakespeare). E acrescenta que a simplicidade do sistema gestual leva muitos cientistas (os “adversários”) a concluir que os chimpanzés não conseguem dominar a linguagem humana;

        3°) ela tenta agora enfraquecer a posição dos “adversários” (é a hora do MAS). Observe com atenção cada passo que ela dá (quarto parágrafo):

a)   O parágrafo começa assim:

“Mas mesmo esses críticos admitem (...).”

·        Com o Mas ela sinaliza que vai fazer um movimento de “quebra”, de enfraquecimento do efeito da concessão (do SIM);

·        Em seguida, os cientistas mencionados no parágrafo anterior passam a ser chamados de críticos (“adversários”, portanto, da hipótese à qual ela será simpática);

·        Por fim, ela busca fortalecer a sua posição dizendo que mesmo os “adversários” admitem (concordam) que os chimpanzés têm, com os gestos, uma comunicação intencional.

b)   Enfraquecida a posição dos “adversários”, a autora acrescenta dois dados humanos (o caso das crianças surdas e o das pessoas cegas) para reforçar a posição de sua simpatia e concluir que “estão crescendo as provas de que o cérebro humano está equipado para a comunicação gestual”, conclusão que sustentará o passo seguinte do texto: levantar a possibilidade de solução do enigma da origem da linguagem verbal (ela teria evoluído não das vocalizações dos nossos ancestrais, mas de seus gestos manuais).

Localize, agora, outro momento do texto em que a autora usa a mesma estratégia argumentativa do SIM/MAS.

15° parágrafo.

03 – A autora lembra que a hipótese de que a linguagem verbal surgiu dos gestos é antiga. Contudo, nunca se sustentou por falta de provas. Agora, segundo ela, os cientistas estariam melhor aparelhados para retorná-la. Dois grandes fatores estariam contribuindo para isso.

a)   Quais são eles?

O uso de sinais por outros primatas e o uso de sinais por crianças surdas.

b)   Por que eles são importantes para dar certo sustento à hipótese?

Porque... – 13° e 14° parágrafos.

04 – No último parágrafo, a autora dá uma certa “forçada de barra” para fazer passar a plausibilidade da hipótese. Em certo sentido, ela atropela a questão que continua sendo central em toda esta discussão. Conforme aponta Mike Corballis no parágrafo anterior (isto é, como se deu a passagem de um sistema mais simples para um mais complexo?). Para ela, a gramática já estava “inventada” (continuamos sem saber como) na linguagem de gestos; a coisa toda se resumiu a trocar os gestos pelos sons vocais. O exemplo que ela dá é efetivamente adequado para o caso? Por quê?

      Não, porque passar da gramática espanhola para o português é passar de uma língua complexa para outra língua complexa e não de um sistema simples para outro complexo.