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domingo, 10 de agosto de 2025

HISTÓRIA: ÉDIPO O REI - FRAGMENTO - ARTE EM INTERAÇÃO - COM GABARITO

 História: ÉDIPO O REI – Fragmento

        Édipo é filho de Laios, rei de Tebas. Antes de Édipo nascer, Laios sofreu uma maldição que dizia que seu primeiro filho ia se tornar seu assino e casaria com a própria mãe. Tentando escapar à maldição dos deuses, Laios manda matar Édipo logo após seu nascimento. Porém, o bebê é salvo por um servidor, que o entrega a Políbio, rei de Corinto. Sem saber que Políbio não é seu pai verdadeiro, Édipo, já adulto, descobre a maldição e, para que não fosse cumprida, foge para Tebas. No meio do caminho, envolve-se em uma briga e mata alguns mercadores, sem saber que entre eles estava Laios, seu verdadeiro Pai.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiN8h0TKvN0yT2KlhszQsF8hWqDjz0Gv3_gWF19D3IB_BKG0Ym0351Vsl8qk6KRStHdgRc5JP3OJgwqDDkRi_fV1nMLf5zDOjurDUTxJxLyda11y79J8fQ7Rd8z15fx0yS6mYxRPQO4APsoE3uLEad0ehj8d8CN105y_tw4oDzfdwruYL27ieta9qZgFlk/s320/Untitled-design-3.png


        Ao chegar a Tebas, Édipo decifra o enigma da Esfinge, e quebra outra maldição que assolava a cidade. Como recompensa, é feito rei e casa-se com a recém viúva de Laios, Jocasta, sem saber que ela era sua mãe verdadeira.

        No meio da história, Édipo resolve investigar quem teria sido o assino do rei Laios, condição para livrar a cidade de outros males.

Édipo: Tu é que entregaste a criança de quem ele fala?

O Servidor: Fui eu. Quem dera tivesse morrido naquele mesmo dia?

Édipo:  Recusa-te a falar, e é isso o que te espera.

O Servidor: Se eu falar, minha morte será ainda mais certa.

Édipo: Esse homem parece-me querer ganhar tempo

O Servidor: Não, eu já disse: fui eu que o entreguei.

Édipo: De quem era essa criança? Tua ou de um outro?

O Servidor: Não era minha. Era de um outro.

Édipo:  De quem? De que lar de Tebas ela saía?

O Servidor: Não, mestre, em nome dos deuses, não perguntes mais.

Édipo: Morrerás, se eu tiver que repetir minha pergunta.

O Servidor: Ele nascera na casa de Laios.

Édipo: Escrava? ... Ou parente do rei?

O Servidor: Ai de mim! Chego ao mais cruel de dizer.

Édipo: E, para mim, de ouvir. No entanto, ouvirei.

O Servidor: Diziam ser filho do rei... Mas tua mulher, no palácio, pode te dizer isso melhor do que ninguém.

Édipo: Foi ela quem te entregou a criança?

O Servidor: Foi ela, Senhor.

Édipo: Com que intenção?

O Servidor: Para que eu a matasse.

Édipo: Uma mãe! ... Mulher desgraçada!

O Servidor: Ela tinha medo de um oráculo dos deuses.

Édipo: O que ele anunciava?

O Servidor: Que a criança um dia mataria seus pais.

Édipo: Mas por que tu a entregaste a este homem?

O Servidor: Tive piedade dela, mestre. Acreditei que ele a levaria ao país de onde vinha. Ele te salvou a vida, mas para os piores males! Se és realmente aquele de quem ele fala, saibas que nascestes marcado pela infelicidade.

Édipo: Oh! Ai de mim então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não deveria nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de quem não devia matar!

​        Ele corre para dentro do palácio.

        Moderado.

O Coro: Pobres gerações humanas, não vejo em vós senão um nada!

        Qual o homem, qual o homem que obtém mais felicidade do que parecer feliz, para depois, dada essa aparência, desaparecer do horizonte?

        Tendo teu destino como exemplo, teu destino, ó desditado Édipo, não posso mais julgar feliz quem quer que seja entre os homens.

        Ele visou o mais alto. Tornou-se senhor de uma fortuna e de uma felicidade completas.

        Destruiu, ó Zeus, a Esfinge das garras aguçadas. Ergueu-se em nossa cidade como um baluarte contra a morte. E foi assim, Édipo, que foste proclamado nosso rei, que recebeste as mais altas honrarias, que reinaste sobre a poderosa Tebas.

        Mais forte

        E quem agora poderia ser dito mais infeliz do que tu? Quem sofreu desastres, misérias mais atrozes, numa tal reviravolta?

        Ah! Nobre e caro Édipo! Assim o leito nupcial viu o filho após o pai entrar no mesmo porto terrível!

        Como pôde, como pôde o campo lavrado por teu pai te suportar por tanto tempo, sem revolta, ó desgraçado?

        O tempo, que tudo vê, o descobriu a despeito de ti. Ele condena o himeneu, que nada tem de um himeneu, de onde nasciam ao mesmo tempo e por tantos dias um pai e filhos.

        Ah! Filho de Laios! Quisera jamais, jamais ter-te conhecido! Estou desolado, e gritos enlouquecidos escapam de minha boca. Cumpre dizer a verdade de ti, outrora, recuperei a vida, e por ti, hoje, fecho os olhos para sempre! Um escravo sai do palácio.

 SÓFOCLES. Édipo rei. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre. Editora L&PM, 2012 p. 72 e 77.

        Ao descobrir toda a verdade, Édipo fura os próprios olhos e se autoexila. Jocasta suicida-se. Sófocles (aproximadamente 496 a.C. – 405 a.C.) foi um dos mais importantes dramaturgos da Grécia antiga. Escreveu centenas de peças, mas apenas sete delas chegaram completas até os dias de hoje.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 29-31.

Entendendo a história:

01 – Como a tragédia de Édipo, conforme narrada no fragmento, ilustra o conceito de destino inabalável na mitologia grega, apesar das tentativas dos personagens de evitá-lo?

      O fragmento demonstra a inelutabilidade do destino ao descrever como Laios tenta frustrar a profecia de que seu filho o mataria e se casaria com a própria mãe, ao mandar matar Édipo. Contudo, a criança é salva e, sem saber sua verdadeira origem, Édipo, ao fugir de Corinto para evitar a maldição, cumpre-a inadvertidamente ao matar Laios e, posteriormente, casar-se com Jocasta. Isso sublinha a ideia de que o destino, uma vez predito pelos deuses, é inevitável, independentemente das ações humanas.

02 – Analise a ironia dramática presente na investigação de Édipo sobre o assassinato de Laios.

      A ironia dramática é evidente na busca incansável de Édipo pelo assassino de Laios, um esforço para livrar Tebas de males, sem que ele próprio saiba que é o culpado. Ele impõe condições severas e ameaça o servidor para que revele a verdade, ignorando que cada revelação o aproxima da descoberta de sua própria terrível realidade. A tensão aumenta à medida que ele pressiona por informações que, ao final, o condenarão e desvelarão sua identidade como o assassino e esposo incestuoso.

03 – Qual o papel do Servidor no fragmento e como suas hesitações contribuem para o clímax da revelação?

      O Servidor é a testemunha-chave da verdade sobre a origem de Édipo. Inicialmente relutante em falar ("Se eu falar, minha morte será ainda mais certa"), suas hesitações e súplicas ("Não, mestre, em nome dos deuses, não perguntes mais") constroem a tensão e o suspense. Cada tentativa de Édipo de extrair a verdade dele é um passo em direção à descoberta, e a resistência do Servidor reflete o peso e o horror da revelação iminente, amplificando o impacto do clímax quando a verdade é finalmente exposta.

04 – Descreva a reação de Édipo ao compreender a verdade sobre sua identidade e seus atos, conforme expresso no final do fragmento.

      Ao final do fragmento, a reação de Édipo é de desespero e absoluta consternação. Ele exclama: "Oh! Ai de mim então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não deveria nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de quem não devia matar!". Essa fala revela sua profunda agonia e a sensação de que sua vida, até então baseada em uma falsa realidade, desmoronou completamente, culminando em seu ímpeto de correr para dentro do palácio, presumivelmente para consumar a tragédia.

05 – Como o Coro reflete sobre a condição humana e a felicidade efêmera a partir do destino de Édipo?

      O Coro, ao observar o destino de Édipo, expressa uma visão pessimista sobre a felicidade humana, considerando-a um "nada" e algo efêmero. Eles lamentam que o homem "obtém mais felicidade do que parecer feliz, para depois, dada essa aparência, desaparecer do horizonte". A tragédia de Édipo, que alcançou o auge da fortuna e honrarias, serve como um exemplo contundente de como a felicidade pode ser abruptamente revertida em miséria e desastre, levando o Coro a não poder mais "julgar feliz quem quer que seja entre os homens".

06 – Que elementos do texto sugerem a iminente catástrofe após a revelação da verdade a Édipo?

      Vários elementos no texto sugerem a catástrofe iminente. A fala de Édipo "Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez" indica que ele pretende algo drástico, como o autoexílio ou a morte. A corrida de Édipo para dentro do palácio reforça a ideia de uma ação imediata e desesperada. Além disso, o lamento do Coro sobre as "misérias mais atrozes" e o "himeneu, que nada tem de um himeneu, de onde nasciam ao mesmo tempo e por tantos dias um pai e filhos" prenunciam as consequências trágicas que se seguirão à terrível descoberta. A frase final do fragmento que descreve Édipo furando os próprios olhos e Jocasta se suicidando confirma a catástrofe.

07 – De que forma a resolução do enigma da Esfinge por Édipo, que o eleva ao status de rei de Tebas, contrasta com o posterior desvelamento de sua verdadeira identidade e queda?

      A resolução do enigma da Esfinge representa o auge da inteligência e do heroísmo de Édipo, elevando-o à condição de salvador de Tebas e, consequentemente, ao trono e ao casamento com a rainha. Este ato o coloca no pináculo da felicidade e do reconhecimento. No entanto, o desvelamento de sua verdadeira identidade, impulsionado por sua própria investigação, expõe a terrível ironia de sua ascensão, revelando que a base de sua "felicidade" (o casamento com sua mãe e o trono de seu pai) era, na verdade, a própria maldição. Esse contraste evidencia a natureza ilusória de sua fortuna e a virada brutal do destino, transformando seu maior triunfo em sua maior desgraça.

HISTÓRIA: SEGISMUNDO - A VIDA É SONHO - FRAGMENTO - PEDRO CALDERÓN DE L. BARCA - COM GABARITO

 História: SegismundoA VIDA É SONHO – Fragmento

              Pedro Calderón de L Barca

É certo; então reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
pois pode ser que sonhemos;
e o faremos, pois estamos
em mundo tão singular
que o viver é só sonhar
e a vida ao fim nos imponha
que o homem que vive, sonha
o que é, até despertar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFVoezX3f-3ylLtOOLbal9zwdBtUyk4o7u5Nk44GYhGIAS5LS5RZEA-C1d5uAiIc50RhcltASjJbGlM0lCJomKTFOwJpaK9_vsDaVC7_BaspUWsTbuu3DSOE_EFPSH1hKZUvpE1fPWEpEr1hyphenhyphenNb7kvELxB95pn-YU4ySh0eRWz3NILL98nvaU41HTaZjA/s1600/calderon-031.jpg


Sonha o rei que é rei, e segue
com esse engano mandando,
resolvendo e governando.
E os aplausos que recebe,
Vazios, no vento escreve;
e em cinzas a sua sorte
a morte talha de um corte.
E há quem queira reinar
vendo que há de despertar
no negro sonho da morte?
Sonha o rico sua riqueza
que trabalhos lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e pobreza;
sonha o que o triunfo preza,
sonha o que luta e pretende,
sonha o que agrava e ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
no entanto ninguém entende.
Eu sonho que estou aqui
de correntes carregado
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho,
porque toda a vida é sonho
e os sonhos, sonhos são.

Pedro Calderón de L Barca. A vida é sonho. Tradução Renata Palottini. São Paulo: Página Aberta, 1992. p. 46-47.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 81.

Entendendo a história:

01 – Qual é a principal reflexão filosófica que Segismundo apresenta neste fragmento?

      A principal reflexão filosófica de Segismundo é a natureza ilusória da existência humana, culminando na ideia de que "toda a vida é sonho". Ele questiona a realidade da vigília, sugerindo que tudo o que experimentamos, desde o poder de um rei até a miséria de um pobre, pode ser apenas um sonho do qual acordaremos, especialmente no "negro sonho da morte". Essa incerteza sobre o que é real leva-o a ponderar sobre a futilidade da ambição e do poder.

02 – De que forma o rei e suas ações são retratados em relação à temática do sonho e da morte?

      O rei é retratado como alguém que "sonha que é rei", vivendo sob a ilusão de seu poder e dos aplausos que recebe. Segismundo enfatiza que esses aplausos são "vazios, no vento escreve" e que a "sorte" do rei é cortada pela morte, transformando sua riqueza em cinzas. A crítica reside na ironia de alguém desejar reinar, sabendo que inevitavelmente "há de despertar no negro sonho da morte", revelando a transitoriedade e a vaidade do poder terreal.

03 – Como o conceito de sonho se aplica a diferentes classes sociais, segundo Segismundo?

      Segismundo aplica o conceito de sonho a todas as classes sociais, demonstrando sua universalidade. Ele afirma que "sonha o rico sua riqueza", que paradoxalmente lhe "oferece trabalhos". Da mesma forma, "sonha o pobre que padece sua miséria e pobreza". Essa abrangência do "sonho" sobre ricos e pobres, os que buscam triunfo e os que ofendem, leva à conclusão de que "todos sonham o que são". A distinção de classes é apagada pela natureza onírica da existência, onde cada um vive sua própria ilusão, sem que "ninguém entende" a profundidade dessa condição.

04 – Quais são as perguntas retóricas que Segismundo faz sobre a vida e como ele a define?

      Segismundo faz as seguintes perguntas retóricas: "Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção". Através dessas indagações, ele define a vida de forma pessimista e desiludida, usando termos que remetem à instabilidade, à falsidade e à impermanência. Para ele, mesmo "o maior bem é tristonho", pois, no final das contas, "toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são", sublinhando a efemeridade e a falta de substância da realidade.

05 – Considerando o estado de Segismundo ("de correntes carregado") e suas lembranças ("sonhei que em outro estado mais lisonjeiro me vi"), como isso reforça a ideia central do fragmento?

      O estado atual de Segismundo, "de correntes carregado", contrasta drasticamente com a lembrança de ter sonhado estar em um "estado mais lisonjeiro". Essa experiência pessoal dele — a alternância entre a dura realidade da prisão e a memória de uma existência mais agradável, possivelmente um sonho ou uma lembrança de liberdade — reforça a ideia central de que a vida é um sonho. Se até mesmo a distinção entre a privação e a glória pode ser uma questão de sonho e despertar, isso valida a incerteza fundamental sobre o que é real e o que é ilusório, tornando sua própria condição um microcosmo da tese que ele defende sobre a existência.

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

HISTÓRIA: EVA TUPINAMBÁ - RONALD RAMINELLI - COM GABARITO

 História: EVA TUPINAMBÁ – Fragmento

              Ronald Raminelli

        A FAMÍLIA INDÍGENA

        Para os europeus, as relações de parentesco nas comunidades indígenas eram pouco rígidas, já que o tio poderia desposar a sobrinha. Entretanto, os casamentos entre filho e mãe, filho e irmã e pai e filha eram proibidos. Os enlaces matrimoniais seguiam uma regra muito simples, segundo Léry. Desejando se unir, os varões se dirigiam a uma mulher, viúva ou donzela, e perguntavam sobre sua vontade de casar. Se o interesse fosse recíproco, pediam a permissão do pai ou do parente mais próximo. Depois de obtida a permissão dos parentes, os noivos consideravam-se casados. Não havia cerimônias, nem promessa recíproca de indissolubilidade ou perpetuidade da relação. O marido poderia expulsar a mulher e vice-versa. Se ficassem fartos do convívio, a união estaria desfeita. Ambos poderiam, então, procurar outros parceiros, sem maiores constrangimentos. Entre os selvagens era costume, quando o esposo se enfadava da companheira, presentear outro homem com sua mulher. A maioria dos índios tinha somente uma mulher. A poligamia, porém, era amplamente difundida entre os grandes guerreiros e caciques. Os chefes podiam viver com catorze mulheres sem causar estranhamento. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDX474BRHBeMQ8vnyU2bN8M2Q999wuiXVZ71Jy553NTnx2j1RLjM0ytQ62zQAUcONoQG8eSip3ST0usFSgfTSupFFJb_-8ordjqlDOmXZRQah1hFEpBHwY5DwOAtWLcj7EVA-E1GIIYMGJFyR7Au4-09yLSDi1K_aPyxAWUhHphw3xYR0VIKR3P1MlTNc/s320/Entre-a-terra-e-a-eternidade-1-322x280.png


        A poligamia, entre os bravos guerreiros, era símbolo de prestígio. Enumerar as esposas era uma forma de homenagear a sua virtude. Quanto maior o número de mulheres, mais valentes eram considerados os homens. Muitas vezes, os pais prometiam suas filhas, ainda meninas, aos chefes da tribo ou aos homens que com eles tivessem amizade. A união realizava-se somente depois que a menina atingisse a idade de casar. O enlace, contudo, persistia até o momento em que se repudiassem mutuamente. O casamento do chefe seguia os mesmos pressupostos de qualquer outra união entre casais da tribo.

        [...]

RAMINELLI, Ronald. Eva Tupinambá. In: História das mulheres no Brasil. São Paulo, Contexto/Unesp, 1997. p. 18-19.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 107-108.

Entendendo a história:

01 – Como os europeus percebiam as relações de parentesco nas comunidades indígenas?

      Os europeus achavam as relações de parentesco indígenas pouco rígidas, estranhando costumes como o casamento entre tio e sobrinha.

02 – Quais tipos de casamento eram proibidos nas comunidades indígenas?

      Casamentos entre filho e mãe, filho e irmã, e pai e filha eram proibidos.

03 – Como funcionava o processo de casamento entre os indígenas, segundo Léry?

      O homem manifestava seu interesse à mulher, e se fosse recíproco, pedia permissão aos pais dela. Após a permissão, eram considerados casados, sem cerimônias ou promessas de união eterna.

04 – Qual a visão dos indígenas sobre a dissolução do casamento?

      O casamento poderia ser desfeito por vontade de ambas as partes, sem constrangimentos, e ambos poderiam buscar novos parceiros.

05 – Como a poligamia era vista nas comunidades indígenas?

      A poligamia era comum entre guerreiros e caciques, sendo um símbolo de prestígio e virilidade.

06 – Qual o papel do número de esposas na sociedade indígena?

      Quanto maior o número de esposas, mais valente e prestigiado o homem era considerado.

07 – Como funcionava o costume de prometer filhas em casamento?

      Pais prometiam suas filhas, ainda meninas, a chefes ou amigos, mas a união só se concretizava quando a menina atingia a idade de casar, podendo ser desfeita por mútuo repúdio.

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

HISTÓRIA: ROBIN HOOD - RUMO A SHERWOOD - FRAGMENTO - TELMA GUIMARÃES CASTRO ANDRADE - COM GABARITO

 História: Robin Hood – Rumo a Sherwood – Fragmento

              Telma Guimarães Castro Andrade

        [...]

        Robin, além de vingar a morte do pai, também queria ajudar o seu povo. Nunca tinha visto tanta gente passando fome, pedindo esmola.

        -- Vamos assaltar os ricos amigos do príncipe e do xerife que passam pelas estradas – explicou Robin. – Eles não tomam o dinheiro dos pobres? Pois então! Vamos tirá-lo dos seus amigos e devolver aos pobres. Que tal?

        -- Mas seremos só nós dois contra muitos soldados! – Will falou sério.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFX2EetZwHo5BzCg4QbVcwOQ99EOBRZuWmj-KjKrRLJ3KEMQg_9NnMeJocl8iZrcA0mMj5NjuerIOcboHzcBGk1YxzqXrUFCoiQUzMX0ezyyZi7ragiHVIJ7R8SMEQEV5Y2GlrFOB8oxNj0ZuG-YE4nBup1A-CWVvp9BjSAkgjwFlE7O6XcU_JVVu0JnA/s320/Robin_Hood_Alla_conquista_di_Sherwood_01.jpg


        -- Aposto que arrumaremos mais gente... – Robin puxou o capuz sobre a cabeça.

        Tinham achado uma grande clareira na floresta. Foi lá que começaram a praticar arco e flexa. Por sorte havia também uma caverna, para abrigo em dias de chuva.

        [...]

        Um assalto

        -- Precisamos de dinheiro! – Robin estava reunido com seus homens na caverna. – Há muita gente passando fome em Nottingham. Temos de ajuda-los.

        -- Soube que um amigo do príncipe está a caminho... – informou João Pequeno. – Parece que está trazendo muito dinheiro.

        -- Vamos assaltar o ricaço! – Robin chamou seus homens. – Precisamos de paus, arcos e muitas flechas. Não se esqueçam de cobrir a cabeça com o capuz.

        Preparariam uma armadilha bem no meio de uma estrada muito estreita. Alguns homens fingiriam consertar uma carroça para abrigar a comitiva a parar. Com isso, eles atacariam pelos lados, saindo do meio das árvores.

        A armadilha funcionou direitinho. Assim que o ricaço desceu da carruagem para ver o que estava acontecendo, Robin o atacou. Num minuto, seus homens dominaram o cocheiro e os demais empregados.

        -- Fiquei sabendo que o senhor carrega muitas moedas de ouro... – Robin saltou do cavalo.

        -- Eu não... – o homem, muito bem vestido, tentou esconder uma caixa.

        -- Vamos! Entregue o dinheiro! – Robin ordenou. – Tenho certeza de que não vai lhe fazer falta. Aposto que tem muito mais que isso! – Robin tomou a caixa do homem.

        -- Tenha piedade, moço... – o homem pediu.

        -- Pois eu tenho. Tenho pena dos pobres, dos miseráveis, dos esfomeados, das pessoas que estão sem casa para morar... Este dinheiro, senhor, vai ajudar os necessitados. É para uma boa causa! Ah, estou vendo que carrega um baú bem grande... Roupas!

        Robin pegou o baú com a ajuda de um de seus homens.

        -- Bondade sua dividir estas roupas com os pobres... – Robin sorriu.

        -- Mas... mas nós vamos ficar sem nada? – o homem estava furioso.

        -- Vão ficar com a roupa do corpo. Muitos não têm nem isso, senhor... – Robin apontou a espada para o corpo do homem.

        -- Vou com... contar tu... tudo ao pri... príncipe... – ele gaguejava.

        Pois conte tudo. Conte que foi... assaltado.

        [...].

Telma Guimarães Castro Andrade. Robin Hood. Telma Guimarães Castro Andrade. (Adap.). São Paulo: Scipione, 1998. p. 7-8. (Reencontro infantil).

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 213-214.

Entendendo a história:

01 – Qual era o principal objetivo de Robin Hood?

      Além de vingar a morte do pai, Robin Hood queria ajudar o povo que passava fome.

02 – Qual era o plano de Robin Hood para ajudar os pobres?

      O plano era assaltar os ricos amigos do príncipe e do xerife que passavam pelas estradas e devolver o dinheiro aos pobres.

03 – Onde Robin Hood e seus homens praticavam arco e flecha e se abrigavam?

      Eles praticavam em uma clareira na floresta e se abrigavam em uma caverna em dias de chuva.

04 – Qual foi o primeiro alvo do assalto de Robin Hood e seus homens?

      O primeiro alvo foi um amigo do príncipe que estava trazendo muito dinheiro.

05 – Como Robin Hood e seus homens prepararam a armadilha para o ricaço?

      Eles fingiram consertar uma carroça em uma estrada estreita para obrigar a comitiva a parar, e então atacaram pelos lados, saindo das árvores.

06 – O que Robin Hood pegou do homem rico além do dinheiro?

      Robin Hood também pegou um baú com roupas, alegando que seriam divididas com os pobres.

07 – Qual foi a reação do homem rico ao ser assaltado?

      O homem ficou furioso e ameaçou contar tudo ao príncipe.

 

domingo, 9 de março de 2025

HISTÓRIA(CONTO): TEREZA BICUDA - (FRAGMENTO) - MARIA JOSÉ SILVEIRA - COM GABARITO

 História (conto): Tereza Bicuda – Fragmento

              Maria José Silveira

        A história de Tereza Bicuda eu mesma não presenciei nem conheço ninguém que tenha presenciado, pois Tereza viveu muito tempo atrás, num tempo bem antigo. O que eu sei é de ouvir contar, mas o João Fonseca dali da venda, sabe quem é? O filho de Safira? Pois ele, sim, já viu com os próprios olhos a ventania assombrada de Tereza Bicuda com seus marimbondos e abelhas jangadas por conta disso passou três dias de cama.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMJ0soViX84enxB5asSL6_QbqcYAKYI7qh2zorMJjznIe2H7vBTYWxXpgHnUnZuOnDgQM1g3LexKKiEp3dLUWVaBbGOYqI-B7dObq0S3eXjxDP0UHTC87KIhFT5WvSBBLN8t1-xL82gieY5xBomo9K2eJeaUO7JB22SAeFwBTjnyefowQXnrkHlMmWNXY/s1600/TEREZA.jpg

        Mas isso foi pouco tempo atrás, ela já morta.

        Ela viva, ninguém daqui conheceu.

        Do tempo em que ela vivia, o que todo mundo sabe é que Tereza Bicuda era uma mulher muito ruim, um poço de maldades, pode-se dizer. Fazia maldades com o pai, com a mãe, com o marido, que a escorraçou de casa.

        Fazia maldades até com as amigas. [...]

        Agora, tinha uma coisa que Tereza amava, pois todo mundo tem. Por pior que seja uma criatura, ela sempre tem um ponto fraco, alguma coisa talvez um pouco perdida, mas que está lá no fundo, escondida em algum canto. Alguma coisa que a faz parecer, por alguns momentos, uma pessoa comum, alguém capaz de algum tipo de emoção boa.

        E essa coisa, para Tereza, era a serra.

        Ela adorava subir a serra e ficar por lá. Às vezes ficava dias lá em cima, sabe Deus onde!, e voltava carregada de cajus e mangabas e essa era a única coisa boa que Tereza fazia na vida: dava as frutas, cada uma mais bonita que a outra, maduras, sumarentas, polpudas, docíssimas, para quem encontrasse no seu caminho aquele dia.

        Quem ganhava essas frutas de Tereza dizia que jamais tinha comido nada igual.

        E assim a vida foi passando, no passo que a vida tem, até que chegou o dia de Tereza morrer e ela morreu, como todo mundo um dia acaba morrendo, não importa o mal nem o bem que tenha feito na vida. Morreu cheia de pecados, mas morreu. E foi enterrada do lado de fora da igreja.

        Tereza era rica, todo mundo sabia, mas como era também muito má e pecadora, e fazia questão de não pôr os pés na igreja, em nenhuma das três igrejas da cidade, nunca pôs os pés em nenhuma delas, o padre nem precisou pensar duas vezes para decidir que ela não merecia ser enterrada dentro de um lugar onde sequer entrava em vida.

        Mandou enterrá-la do lado de fora, num local bem afastado, um local onde só se enterravam os criminosos reconhecidos, mortos sem extrema-unção.

        Ninguém se lembrou, e mesmo se tivesse lembrado, não teria falado porque ninguém gostava dela e não ia de jeito nenhum se dar ao trabalho de pensar em atender seu último pedido, ia?

        Só que teria sido melhor se tivessem se dado ao trabalho, porque foi então que o furdunço começou.

        Começou num dia que o coveiro estava cavando uma cova perto de onde Tereza Bicuda foi enterrada. Ele estava cavando lá, tranquilo, como sempre tinha sido seu jeito de cavar, quando ouviu uma voz meio tremida, meio irritada, meio pedinte, e totalmente macabra, totalmente horrorosa:

        -- Mané Coveiroooooo, meee tiree daquiii!

        Ele, que era coveiro desde menino, desde pequenino trabalhando ao lado do pai também coveiro, estava acostumado demais com tudo aquilo, e não tinha medo de nada, nada mesmo – aliás, minto! Mané Coveiro tinha um medo danado de uma coisa, mas era de uma coisa só, e não tinha nada a ver com defunto nem alma penada, mas isso já é outro caso que, se vocês quiserem, conto depois.

        Naquele dia, no entanto, Mané Coveiro ficou intrigado com aquilo.

        -- Vaia! O que vem a ser isso agora!

        E a voz tremida e horrorosa tornava a gritar:

        -- Mané Coveiroooooo, meee tireee daqui!

        Aquela gritaria toda não parava, e ele, que era coveiro mas não era besta, resolveu sair de perto. Deu por encerrado seu dia de trabalho, fechou o cemitério e foi pra casa descansar a cabeça.

        Quando a noite daquele dia caiu, de repente deu uma ventania pavorosa, dessas de derrubar árvore e até casa mal construída ou muito velha, e o povo todo também escutou uns gritos na rua, gritos horríveis, de presságio e anúncio de coisa ruim.

        A noite inteira assim, uma noite horrorosa que custou a passar e não deixou ninguém da cidade dormir.

        Na manhã seguinte, quando o coveiro foi ver, lá estava o caixão de Tereza Bicuda da banda de fora da sepultura.

        Mané Coveiro matutou um pouco mas fez que não tinha percebido nada, que aquilo era muito normal, e enterrou o caixão de novo, no mesmo local.

        Aí, de noite, aconteceu tudo outra vez, do mesmo jeitinho: a mesma ventania de dar medo, os mesmos gritos na rua, e todo mundo sem poder dormir, com pavor de algo terrível acontecer.

        Na manhã seguinte, de novo o caixão da banda de fora do buraco da cova.

        E Mané Coveiro, outra vez, fez que não estava nem aí, como se estivesse acostumado a ver esse tipo de coisa. Tornou a botar o caixão no seu lugar, do mesmo jeitinho.

        E tudo se repetiu, tudo do mesmo jeito, por várias noites.

        Foi indo, foi indo, com aquelas noites todas de ventania e gritos e aquela ameaça de algo horrível acontecer, o povo começou a ficar tresnoitado. Mané Coveiro também foi ficando cansado de ter que enterrar de novo aquele trambolho daquele caixão, toda manhã.

        Foi então que alguém parece que se lembrou do último desejo da defunta. Será que era isso que queria aquela maldita que não deixava ninguém dormir em paz?

        Por via das dúvidas, os homens mais corajosos da cidade resolveram formar um grupo e se dar ao trabalho de atender ao desejo da defunta e levar seu caixão para a serra.

        E lá enterraram ela, na beira de um córrego que desde então ficou conhecido como o Córrego de Tereza Bicuda.

        [...]

        Agora, se a paz voltou às noites da cidade, naquele lugar, no entanto, nunca ninguém mais chegou perto. Quem tentou, como aquele rapaz, o João Fonseca, filho de Safira, que é teimoso que só ele, conta que os cajus e mangabas que dão ali são os mais bonitos da serra, os mais doces.

        Só que tudo fica lá mesmo, apodrecendo, porque ninguém tem gosto nem coragem de apanhar. Quando alguém mais afoito vai, como esse filho de Safira, não consegue trazer nada. As árvores em volta estão carregadas de caixas pretas de marimbondos e abelhas e faz uma ventania danada no local.

        [...]

 SILVEIRA, Maria José. Tereza Bicuda. In: ______. Uma cidade de carne e osso: casos do interior. São Paulo: FTD, 2004. p. 19; 22-25.

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 100-102.

Entendendo a história:

01 – Quem foi Tereza Bicuda?

      Tereza Bicuda foi uma mulher conhecida por sua maldade e por ter vivido há muito tempo atrás.

02 – O que as pessoas diziam sobre as maldades de Tereza?

      As pessoas diziam que Tereza fazia maldades com todos ao seu redor, incluindo seus pais, marido e amigos.

03 – Qual era o único ponto fraco ou paixão de Tereza?

      O único ponto fraco de Tereza era a serra, onde ela gostava de passar dias e coletar frutas.

04 – Qual era a única bondade que Tereza praticava?

      Tereza distribuía as frutas que coletava na serra para as pessoas que encontrava em seu caminho.

05 – Por que Tereza foi enterrada fora da igreja?

      Tereza foi enterrada fora da igreja porque era considerada má e pecadora, e nunca frequentava nenhuma das igrejas da cidade.

06 – O que aconteceu quando o coveiro começou a cavar uma cova perto do túmulo de Tereza?

      O coveiro ouviu uma voz macabra pedindo para ser retirada dali e, durante a noite, o caixão de Tereza apareceu fora da sepultura.

07 – O que acontecia todas as noites após o enterro de Tereza?

      Todas as noites, uma ventania pavorosa e gritos eram ouvidos na cidade, e o caixão de Tereza aparecia fora da cova.

08 – Qual foi a solução encontrada para acalmar o espírito de Tereza?

      Os moradores da cidade decidiram atender ao último desejo de Tereza e enterraram seu caixão na serra, perto de um córrego.

09 – O que acontece com as frutas que crescem perto do túmulo de Tereza na serra?

      As frutas que crescem perto do túmulo de Tereza são bonitas e doces, mas ninguém tem coragem de pegá-las devido à presença de marimbondos e abelhas, além da ventania no local.

10 – Qual a mensagem principal do conto?

      O conto explora temas como a maldade, o arrependimento, o medo do desconhecido e a importância de respeitar os desejos dos outros, mesmo após a morte.

 

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

HISTÓRIA: O CORREIO-CORUJA - (FRAGMENTO) - J.K. ROWLING - COM GABARITO

 História: O Correio-coruja – Fragmento

              J. K. Rowling

        Harry Potter era um menino bastante fora do comum em muitas coisas. Para começar, ele detestava as férias de verão mais do que qualquer outra época do ano. Depois, ele realmente queria fazer seus deveres de casa, mas era obrigado a fazê-los escondido, na calada da noite. E, além de tudo, também era bruxo.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEij-YtCPoet1ScVHuzuDjpY4RZM2-CkI0z2QM0UuVD6qP7o0f1XjWmNxA9JLqYBREGWLQhyphenhyphenbthFVy_gDM6hWE7Lf9YBNPU307P3oJNxPaQ4-40xVF2if15eRF4HicNE7CMnhPY_VKf-Ayjd89azBya27ydBBUzfroCsvksLEev2Gt7S1-oSrwhP4nL8738/s1600/CORREIO.jpg

        Era quase meia-noite e Harry estava deitado de bruços na cama, as cobertas puxadas por cima da cabeça como uma barraca, uma lanterna em uma das mãos e um grande livro encadernado em couro (História da Magia de Batilda Bagshot), aberto e apoiado no travesseiro. Harry correu a ponta da caneta de pena de águia pela página, franzindo a testa, à procura de alguma coisa que o ajudasse a escrever sua redação, “A queima de bruxas no século XIV foi totalmente despropositada — discuta”.

        A caneta pousou no alto de um parágrafo que pareceu a Harry promissor. Ele empurrou os óculos redondos para a ponta do nariz, aproximou a lanterna do livro e leu:

        Os que não são bruxos (mais comumente conhecidos pelo nome de (trouxas) tinham muito medo da magia na época Medieval, mas não tinham muita capacidade para reconhecê-la. Nas raras ocasiões em que apanhavam um bruxo ou uma bruxa de verdade, a sentença de queimá-los na fogueira não produzia o menor efeito. O bruxo, ou bruxa, executava um Feitiço para Congelar Chamas e depois fingia gritar de dor, enquanto sentia uma cocegazinha suave e prazerosa. De fato, Wendelin, a Esquisita, gostava tanto de ser queimada na fogueira que se deixou apanhar nada menos que quarenta e sete vezes, sob vários disfarces.

        Harry prendeu a caneta entre os dentes e passou a mão embaixo do travesseiro à procura do tinteiro e de um rolo de pergaminho. Devagar e com muito cuidado, retirou a tampa do tinteiro, molhou a pena e começou a escrever, parando de vez em quando para escutar, porque se algum dos Dursley, a caminho do banheiro, ouvisse sua pena arranhando o pergaminho, ele provavelmente ia acabar trancafiado no armário embaixo da escada pelo resto do verão.

        A família Dursley, que morava na Rua dos Alfeneiros, 4, era o motivo pelo qual Harry jamais aproveitava as férias de verão. Tio Válter, tia Petúnia e o filho deles, Duda, eram os únicos parentes vivos de Harry. Eram trouxas e tinham uma atitude muito medieval com relação à magia. Os pais de Harry, já falecidos, que tinham sido bruxos, nunca eram mencionados sob o teto dos Dursley. Durante anos, tia Petúnia e tio Válter tinham alimentado esperanças de que, se oprimissem Harry o máximo possível, seriam capazes de acabar com a magia que houvesse nele. Para sua fúria, tinham fracassado. Agora, viviam aterrorizados que alguém pudesse descobrir que Harry passara a maior parte dos últimos dois anos na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O máximo que podiam fazer, porém, era trancar os livros de feitiços, a varinha, o caldeirão e a vassoura de Harry no início das férias de verão e proibir que o menino falasse com os vizinhos. [...]

ROWLING, J. K. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. p. 9-10.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens – Séries finais, caderno 1. 8º ano – Larissa G. Paris & Maria C. Pina – 1ª ed. 2ª impressão – FGV – MAXI – São Paulo, 2023. p. 30-31.

Entendendo a história: 

01 – Por que Harry Potter detesta tanto as férias de verão?

      Harry detesta as férias de verão porque tem que passar esse período com seus tios trouxas, os Dursley, que o maltratam e não aceitam sua condição de bruxo. Eles o obrigam a viver em um ambiente hostil e reprimido, o oposto do mundo mágico de Hogwarts.

02 – Qual a relação de Harry com a magia durante as férias?

      Durante as férias, Harry é privado de sua magia. Seus livros, varinha e outros objetos mágicos são escondidos, e ele é proibido de praticar qualquer tipo de feitiçaria. Essa privação o frustra e o faz sentir-se isolado e diferente.

03 – Como os Dursley reagem à magia de Harry?

      Os Dursley têm medo e desprezo pela magia. Eles acreditam que a magia é algo ruim e perigoso, e fazem de tudo para negar a existência dela e reprimir os poderes de Harry.

04 – Qual a importância da escrita para Harry?

      A escrita é uma forma de escape para Harry. Ao escrever sua redação, ele se transporta para um mundo mágico, onde pode explorar sua imaginação e se conectar com sua verdadeira identidade.

05 – O que revela a história de Wendelin, a Esquisita, sobre a perseguição aos bruxos?

      A história de Wendelin, que se deixava capturar repetidamente para ser queimada na fogueira, revela o absurdo da perseguição aos bruxos na Idade Média. Ela mostra que os bruxos eram frequentemente vítimas de preconceito e medo, e que muitas vezes se divertiam com a situação, demonstrando sua superioridade mágica.

06 – Qual o papel da escola de Hogwarts na vida de Harry?

      Hogwarts representa um refúgio para Harry, um lugar onde ele pode ser ele mesmo e aprender sobre sua magia. A escola oferece a Harry um senso de pertencimento e o contato com outras pessoas como ele.

07 – O que o fragmento revela sobre o caráter de Harry Potter?

      O fragmento mostra que Harry é um menino inteligente, curioso e resiliente. Ele enfrenta as adversidades com coragem e não se deixa abater pelas dificuldades. Além disso, Harry possui um senso de justiça e compaixão, características que o farão se tornar um grande bruxo e um herói.