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quinta-feira, 4 de junho de 2026

HISTÓRIA: GAIA - HELOISA PRIETO - COM GABARITO

 História: GAlA

           Heloisa Prieto

        Quem já sentiu o aroma de minhas flores, o delicioso sabor de minhas frutas e a energia mágica que se acumula no cume de minhas montanhas, conhece a força de meu poder. Sou Gaia, a deusa da Terra.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgX6Eg4twJLdfg5e0BiPEcBI5thwMQmGlu9lPiIxE0FZlrh5bIDLgqwHdYE16PgMSJVZ_5lpQXYOj-CYv0H6aAht6Svt7huP7L-UOJpXJROb3dQZgqXLBdSlkQZAmCDy80ZlDuwIGDSMZ8vlhfxygnDSZRxeuw71zWoOeK6_DsHf0Vyj-156xwI_u5kNV8/s1600/artigo_43.jpeg


        O primeiro deus a surgir no mundo foi Caos; logo em seguida, eu nasci. Fiz surgir o céu, os vales, planícies e cordilheiras. Imediatamente fui coberta por florestas e habitada por animais.

        Sou amada pelas crianças, que adoram lambuzar-se em minhas terras enlameadas pela chuva e deitar-se sobre minhas relvas para contemplar os céus, onde vive Zeus, meu neto querido.

        Aliás, tive doze filhos. Cronos, o deus do tempo, é meu caçula. Houve uma época em que ele reinou sobre o mundo. Mas, infelizmente, Cronos não soube usar seus poderes e transformou-se num temível tirano. Tolerei seus atos o máximo que pude. Porém, quando ele tentou matar Zeus, fui obrigada a agir...

        COMO DESCOBRI OS SEGREDOS DO DESTINO

        Cronos embebedou-se com seu próprio poder. Sendo o deus do tempo, decidiu que seu reinado como senhor do universo seria eterno. Adivinhando que eu não concordaria com sua resolução, ocultou-a de mim. Ele sabia' que eu não acreditava no poder supremo de um único governante. Conhecia minhas opiniões: creio na mudança de estações, no eterno movimento da vida; penso que os jovens precisam assumir o lugar de seus pais para que o mundo se renove. Um dia, Cronos teria que ceder seu trono ao filho.

        Mais tarde, Cronos casou-se com Réia e dessa união nasceu o belo Zeus. Encantada com meu neto, fui até o lago do destino, cujas águas previam o futuro, e observei seus reflexos, procurando descobrir o que a vida reservava ao querido Zeus. A face adulta do menino surgiu através da transparência das águas e aos poucos notei que a cena ali estampada mostrava o pequeno como o futuro senhor do universo.

        Certa de que Cronos ficaria feliz em saber que seu poder seria herdado pelo próprio filho, comuniquei-lhe o que o destino lhe traria. Cronos enfureceu-se. Fez as horas começarem a correr e os homens a envelhecer. Para ele, desfrutar de um poder eterno era mais importante do que a vida de Zeus.

        Tentando proteger a vida de meu neto, voltei ao lago mágico para descobrir o segredo do futuro. Ao fitar novamente as águas prateadas, percebi que o futuro está sempre em movimento e que o gênio que as habitava era uma espécie de conselheiro indicando-me as escolhas possíveis. A primeira cena mostrava a morte do pequeno Zeus. Afastei-me das águas, revoltada. Depois, reuni toda a minha coragem e as observei mais uma vez. A segunda cena refletia minha imagem dentro de uma gruta. Foi então que fiquei sabendo o que deveria fazer.

        -- Réia, entregue seu bebê para mim imediatamente. Cronos não pode vê-Io –, fui dizendo assim que entrei no palácio de meu filho.

        Chorando, a bela Réia passou-me a criança envolta num lindo tecido branco. Eu o abracei com todo o carinho. Auxiliada por meu companheiro Urano, corri até a gruta secreta e escondi o menino num cantinho aconchegante. Chamei uma ninfa para cuidar bem dele.

        Quando regressei ao palácio de Cronos, encontrei todos em polvorosa.

        -- Onde está meu filho? –, gritava o deus do tempo, andando de um lado para o outro.

        Seu comportamento deu-me a certeza de que, infelizmente, meu filho havia enlouquecido. Obedecendo ao conselho das águas mágicas do futuro, entreguei a Cronos uma pedra do tamanho de um bebê envolta no mesmo tecido que Réia usara para cobrir a criança. Cronos transformou-se num gigante imenso e no mesmo instante engoliu o pacote inteiro. Convencido de que havia destruído o próprio filho, a quem via como um rival, o deus do tempo partiu para a terra, alegre e satisfeito.

        Zeus cresceu em segredo e muito amado por todos os que o conheciam. Quando se tomou um jovem, ganhou suas armas principais: o raio, a tempestade e os trovões. Ele sabia que no futuro teria que enfrentar o próprio pai. Para exercitar-se, montava nas nuvens, provocando as chuvas e fazendo raios cortarem os céus. No início, os humanos assustaram-se muito. Bem, para dizer a verdade, até hoje seus pequenos filhos temem as brincadeiras de Zeus. Foi esse o motivo por que meu neto permitiu que os humanos descobrissem uma parte do poder dos raios e o usassem em benefício próprio. Mas isso já não pertence às histórias do início dos tempos... 

PRIETO, Heloisa. Divinas aventuras. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 1998, p. 35-36.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 112-114.

Entendendo a história:

01 – Quem é a narradora da história e como ela descreve sua relação com o surgimento do mundo?

      A narradora é Gaia, a deusa da Terra. Ela explica que o primeiro deus a surgir no mundo foi o Caos e, logo em seguida, ela nasceu. A partir de sua própria existência, ela fez surgir o céu, os vales, as planícies e as cordilheiras, sendo imediatamente coberta por florestas e habitada por animais.

02 – De acordo com o texto, quais são as opiniões de Gaia sobre o poder, o tempo e a renovação do mundo?

      Gaia não acredita no poder supremo de um único governante eterno. Ela defende a mudança das estações, o eterno movimento da vida e acredita que os jovens precisam assumir o lugar de seus pais para que o mundo possa se renovar.

03 – Como Cronos reagiu ao descobrir a profecia que Gaia viu no lago do destino?

      Ao saber que seu filho Zeus seria o futuro senhor do universo, Cronos enfureceu-se, pois queria que seu reinado fosse eterno. Como reação, ele fez as horas começarem a correr e os homens a envelhecer, demonstrando que desfrutar do poder era mais importante para ele do que a vida do próprio filho.

04 – O que Gaia descobriu ao olhar pela segunda vez para o lago mágico e que decisão tomou a partir disso?

      Ao olhar novamente para as águas prateadas, ela percebeu que o futuro está sempre em movimento e viu sua própria imagem dentro de uma gruta. Ela entendeu o conselho e decidiu agir: foi ao palácio, pediu o bebê Zeus para a mãe dele (Réia) e, com a ajuda de Urano, escondeu o neto em uma gruta secreta sob os cuidados de uma ninfa.

05 – Qual foi o truque que Gaia utilizou para enganar Cronos e salvar a vida de seu neto?

      Seguindo o conselho das águas mágicas, Gaia entregou a Cronos uma pedra do tamanho de um bebê, embrulhada no mesmo tecido branco que Réia havia usado para cobrir Zeus. Cego pelo desejo de destruir seu rival, Cronos engoliu o pacote inteiro sem perceber o engano.

06 – Quais armas Zeus ganhou quando se tornou jovem e como ele as utilizava para treinar?

      Ao atingir a juventude, Zeus ganhou o raio, a tempestade e os trovões. Para exercitar-se e se preparar para o futuro confronto contra seu pai, ele montava nas nuvens, provocando chuvas e fazendo raios cortarem os céus.

07 – Por que, segundo o fragmento, Zeus permitiu que os seres humanos descobrissem parte do poder dos raios?

      Os treinos de Zeus nos céus assustavam muito os humanos e seus filhos pequenos, que temiam os barulhos e as tempestades. Para compensar e acalmar a humanidade devido às suas "brincadeiras", Zeus permitiu que os homens dominassem parte do poder dos raios para usá-lo em benefício próprio.

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

HISTÓRIA: SANSÃO E DALILA - COM GABARITO

 História: Sansão e Dalila

         Sansão, cujo nome significava "homem do sol", era um nazareno dotado de extraordinária força. Era um dos juízes bíblicos cuja história está descrita no Livro dos Juízes (13-16) e no Novo Testamento (Hebreus 11,32).

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGAvC9TPspei5rxijMkByy9lZEcDlYRayHLOL6pH8n1oLpf6DWPo0qgtw1ex1nB_HXKf2Av7xGF1ReExAANRlFmMJegZEYoEm7FJsR5_yYsvnyXNwFUXGrt0ii4uKQjVgv84kYWRBX7cIIoV6C31sYi1oUpm7T2dZUFDLDx7-PfI-Uu6P4M84RrOEu_ds/s1600/sansao.jpg


        Conta-se que Deus terá chamado Sansão para libertar o povo de Israel que vivia dominado pelo Filisteus. Estes, que tinham um medo enorme da força do nazareno, tentavam sem sucesso prender Sansão. Os governantes filisteus, sabendo da paixão de Sansão pela finisteia Dalila, aliciaram a jovem, com 1100 moedas de prata, a descobrir a origem da força invencível de Sansão. Dalila amava Sansão, mas este amor era inferior ao que sentia pelo seu povo. Com o seu grande poder de sedução, Dalila tentou não só desvendar de Sansão o segredo da sua força, como também arranjar uma forma para que ele fosse dominado pelos finisteus.

        Primeiramente, Sansão disse-lhe que ficaria vulnerável como qualquer outro homem, se o amarrassem com sete fibras novas de arco que não tivessem sido secas. Dalila atou Sansão com as sete fibras, durante o sono, mas, quando os Filisteus chegaram para o levar, ele arrancou as fibras sem dificuldade. À segunda tentativa de Dalila, Sansão disse-lhe que seria, facilmente, dominado se fosse amarrado por cordas novas, mas também destas se libertou, sem custo, quando chegaram os Filisteus. A terceira versão de Sansão foi tão falsa como as duas anteriores, pois quando Dalila teceu as sete madeixas do cabelo de Sansão com uma rede e as apertou com um gancho, durante o sono de Sansão, este voltou a libertar-se facilmente. Foi então que Dalila (não se sabe através de que artes) conseguiu saber o segredo da força de Sansão. Este disse-lhe que, se os seus cabelos fossem cortados, a sua força abandoná-lo-ia e ficaria fraco como uma criança. Sansão adormeceu no colo de Dalila e esta, suavemente, cortou-lhe os caracóis dos cabelos. Acordado pela chegada dos Filisteus, Sansão acreditava ainda ter força, mas foi rapidamente dominado pelos soldados, que lhe perfuraram os olhos e o prenderam com algemas de bronze.

        Sansão foi exposto e humilhado, publicamente, no caminho do templo de Dagôn, onde foi amarrado aos dois pilares que sustentavam o enorme edifício. A população juntou-se aos milhares para ver a derrota de Sansão e este, num último esforço, pediu a Deus que lhe devolvesse a força, por instantes. Foi, então, que Sansão, heroicamente, fez ruir os pilares, causando a destruição do templo e, consequentemente, a morte dos Filisteus, de Dalila e do próprio Sansão.

Sansão e Dalila na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$sansao-e-dalila.

Entendendo a história:

 

01 – Qual era a missão divina atribuída a Sansão e por que os filisteus tinham tanto interesse em descobrir a origem da sua força invencível?

      Sansão foi chamado por Deus para libertar o povo de Israel, que vivia dominado pelos filisteus. O interesse dos filisteus em descobrir a origem da sua força existia porque eles tinham um medo enorme do nazareno e precisavam anular esse poder para conseguir prendê-lo e manter o domínio sobre o povo de Israel.

02 – Como os governantes filisteus convenceram Dalila a trair Sansão e como o texto justifica a decisão da jovem em aceitar essa proposta?

      Os governantes filisteus aliciaram Dalila oferecendo-lhe uma recompensa de 1100 moedas de prata para que ela descobrisse o segredo de Sansão. O texto justifica a traição explicando que, embora Dalila amasse Sansão, o amor que ela sentia pelo seu próprio povo era superior a esse sentimento, o que a levou a usar o seu poder de sedução para entregar o nazareno.

03 – Antes de revelar a verdade, Sansão enganou Dalila por três vezes. Quais foram as três falsas origens da sua força que ele inventou?

      As três falsas versões inventadas por Sansão foram:

      Que ele ficaria vulnerável se fosse amarrado com sete fibras novas de arco que ainda não tivessem secado.

      Que ele seria facilmente dominado se fosse amarrado com cordas totalmente novas.

      Que ele perderia as forças se Dalila tecesse as sete madeixas do seu cabelo com uma rede e as apertasse com um gancho.

04 – O que aconteceu a Sansão imediatamente após Dalila cortar os seus cabelos e como os filisteus agiram ao capturá-lo?

      Após ter os caracóis dos cabelos cortados enquanto dormia no colo de Dalila, Sansão perdeu a sua força divina e ficou fraco como uma criança. Ao acordar com a chegada dos soldados filisteus, ele achou que ainda conseguiria resistir, mas foi rapidamente dominado. Os soldados então perfuraram os seus olhos e o prenderam com algemas de bronze.

05 – Explique como ocorreu o trágico desfecho da história de Sansão no templo de Dagôn e quais foram as consequências do seu último ato.

      Sansão foi levado ao templo de Dagôn para ser exposto e humilhado publicamente diante de milhares de filisteus, sendo amarrado aos dois pilares que sustentavam o enorme edifício. Num último esforço, ele pediu a Deus que lhe devolvesse a força por alguns instantes. Ao ter o pedido atendido, Sansão empurrou e fez ruir os pilares, provocando o desabamento de todo o templo. Esse ato causou a morte dos filisteus, de Dalila e do próprio Sansão.

 

 

domingo, 12 de abril de 2026

HISTÓRIA: OS LOHIP-HOPBATOS EM A GUERRA DA RUA DOS SIAMIPÊS - FRAGMENTO - FLAVIO DE SOUZA - COM GABARITO

 História: Os Lohip-hopbatos em A guerra da rua dos siamipês – Fragmento

        2 – O bafafá

        [...]

        A Anita deu um sorrisenorme, como ela chama um sorrisão. E falou:

        -- Valeu, amigueterna. Vambora conhecer o novo vizinho?

        Daí a gente foi dar uma última olhada no espelho. E o Briel entrou correndo. Suado, de tanta pressa. Dizendo:

        -- Parece até que vocês vão pra uma balada. Eu preciso de reforço lá no campo de batalha!

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRr1Lcd5vkGsRTIL1IetG8davyoWNjJzn_z8wQhBrVTAtksHNBAgjeFoEcx73Hvw3naVlWlocwTpMu__CrWS1voBX24qNzN7mWrY-f2egYox7jTctqdsud8Bk6Pu27REwBJASijIfXLYh1d049-TEW1_74vysGZDFwRTcaa60T06G-XKQdec0LjIQHe8I/s1600/SIAMI.jpg 


        Eu falei:

        -- Calma, Briel. A gente já vai.

        A Anita disse:

        -- Não deu tempo de os ratos catarem o Antônio pra turma deles.

        O Briel falou, não, ele berrou:

        -- Como é que é? Ele está almoçando na casa do Alex! Eles estão todos almoçando na casa do Alex! Se a gente não fizer alguma coisa bem rápido vai ser 4 a 3 pra eles o resto da vida!

        [...]

SOUZA, Flavio de. Os Lohip-hopbatos em A guerra da rua dos siamipês. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2013. p. 16-17.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 239.

Entendendo a história:

01 – Qual é o neologismo (palavra inventada) que Anita utiliza para descrever um "sorrisão" e como ela chama sua amiga?

      Anita utiliza a palavra "sorrisenorme" para descrever um sorriso grande e chama a amiga de "amigueterna" (amiga eterna).

02 – Por que o personagem Briel entra em cena correndo e suado?

      Briel está com muita pressa e agitação porque considera que está em um "campo de batalha" e acredita que precisa urgentemente de reforço para uma situação que está acontecendo na rua ou no bairro.

03 – Qual é a preocupação de Briel em relação ao placar ou à disputa mencionada no final do texto?

      Ele teme que, se não agirem rápido, o grupo adversário (referido como "os ratos") ficará em vantagem numérica ou de pontuação ("vai ser 4 a 3 pra eles o resto da vida"), já que o novo vizinho, Antônio, está almoçando com o grupo de Alex.

04 – Onde Antônio, o novo vizinho, se encontra no momento do "bafafá"?

      Antônio está almoçando na casa do Alex, junto com os outros integrantes daquele grupo.

05 – Como Anita e a narradora pretendiam se preparar antes da interrupção de Briel?

      Elas estavam se olhando no espelho e se arrumando, tanto que Briel comenta, de forma irônica ou impaciente, que "parece até que elas vão para uma balada".

 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

HISTÓRIA: QUINCAS BORBA - CAP. XXVIII - FRAGMENTO - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

 História: Quincas Borba cap. XXVIII – Fragmento

               Machado de Assis

        [...]

        — Quincas Borba! exclamou, abrindo-lhe a porta.   

        O cão atirou-se fora. Que alegria! que entusiasmo! que saltos em volta do amo! chega a lamber-lhe a mão de contente, mas Rubião dá-lhe um tabefe, que lhe dói; ele recua um pouco, triste, com a cauda entre as pernas; depois o senhor dá um estalinho com os dedos, e ei-lo que volta novamente com a mesma alegria.   

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi3mBV9w6VUQgIUpkQ6-lpGUibt6lSXzlyHdfU4J6pGjmUqrochMIGRmX4PETIfwTgJhfuzUrlJrhnunYbIMU33t-cLQmCZMgV1yCUVncXsOuybdByOjawxm5Z_HZrWLPPjNcCQvrwdv3FBA7NZiYHYkkFAtvxrPxdLn2QiqtXlG0nw9mXOZDr3hMEDbkY/s1600/QUINCAS.jpg


        — Sossega! sossega!   

        “Quincas Borba” vai atrás dele pelo jardim fora, contorna a casa, ora andando, ora aos saltos. Saboreia a liberdade, mas não perde o amo de vista. Aqui fareja, ali pára a coçar uma orelha, acolá cata uma pulga na barriga, mas de um salto galga o espaço e o tempo perdido, e cose-se outra vez com os calcanhares do senhor. Parece-lhe que Rubião não pensa em outra coisa, que anda agora de um lado para outro unicamente para fazê-lo andar também, e recuperar o tempo em que esteve retido. Quando Rubião estaca, ele olha para cima, à espera; naturalmente, cuida dele; é algum projeto, saírem juntos ou coisa assim agradável. Não lhe lembra nunca a possibilidade de um pontapé ou de um tabefe. Tem o sentimento da confiança, e muito curta a memória das pancadas. Ao contrário, os afagos ficam-lhe impressos e fixos, por mais distraídos que sejam. Gosta de ser amado. Contenta-se de crer que o é.   

        [...]

Quincas Borba – Coleção Romances Brasileiros. São Paulo, Edigraf, s/d.

Fonte: Português – 1º grau – Descobrindo a gramática 8. Gilio Giacomozzi; Gildete Valério; Cláudia Reda Fenga. São Paulo. FTD, 1992. p. 173.

Entendendo a história:

01 – Como o narrador descreve a reação inicial do cão Quincas Borba ao ser libertado por Rubião?

      A reação do cão é de extrema euforia e dedicação. O narrador usa uma série de exclamações para descrever seu entusiasmo: "Que alegria! que entusiasmo! que saltos em volta do amo!". O cão se atira para fora e chega a lamber a mão de Rubião, expressando total felicidade pela liberdade e reencontro.

02 – O que a atitude de Rubião (dar um tabefe no cão) e a subsequente reação de Quincas Borba revelam sobre a dinâmica de poder e afeto na relação entre eles?

      A atitude revela uma dinâmica de poder abusiva por parte de Rubião e uma submissão incondicional do cão. Apesar de sentir dor e tristeza ("recua um pouco, triste, com a cauda entre as pernas"), a alegria e a lealdade de Quincas Borba são imediatamente restauradas com um simples gesto (um "estalinho com os dedos"). Isso mostra a curta memória das pancadas do animal e a fixação na possibilidade de afeto.

03 – O trecho afirma que o cão "não lhe lembra nunca a possibilidade de um pontapé ou de um tabefe." O que, segundo o narrador, sustenta essa confiança e esquecimento da dor?

      A confiança do cão é sustentada pela sua memória seletiva e pelo seu desejo de ser amado. O narrador explica que o cão tem "muito curta a memória das pancadas," enquanto "os afagos ficam-lhe impressos e fixos". Ele "Gosta de ser amado" e se contenta de crer que o é, mesmo que essa crença seja baseada em afagos "distraídos" e na simples atenção do amo.

04 – No jardim, o narrador descreve as ações de Quincas Borba como ora "fareja," ora "coçar uma orelha," ora "cata uma pulga." Como o cão equilibra sua liberdade momentânea com a lealdade ao seu dono?

      O cão saboreia a liberdade ("Saboreia a liberdade"), dedicando-se a atividades caninas normais, mas nunca perde Rubião de vista ("não perde o amo de vista"). Ele usa a expressão "de um salto galga o espaço e o tempo perdido" para indicar que, após suas distrações, ele rapidamente anula a distância e volta a se "coser outra vez com os calcanhares do senhor," priorizando a proximidade e o acompanhamento do amo.

05 – A que tipo de característica humana a descrição da memória e da confiança de Quincas Borba pode estar fazendo alusão, considerando o estilo de Machado de Assis?

      A descrição alude ironicamente à capacidade humana de autoengano, de idealização e de fixação em pequenas migalhas de afeto, mesmo diante do abuso ou da indiferença. Machado de Assis frequentemente usa a perspectiva ingênua ou limitada de seus personagens para criticar a vontade de crer e a tendência a esquecer o sofrimento em troca da ilusão de ser amado ou de pertencer a algo, como um mecanismo de defesa psicológico ou de submissão social.

 

domingo, 10 de agosto de 2025

HISTÓRIA: ÉDIPO O REI - FRAGMENTO - ARTE EM INTERAÇÃO - COM GABARITO

 História: ÉDIPO O REI – Fragmento

        Édipo é filho de Laios, rei de Tebas. Antes de Édipo nascer, Laios sofreu uma maldição que dizia que seu primeiro filho ia se tornar seu assino e casaria com a própria mãe. Tentando escapar à maldição dos deuses, Laios manda matar Édipo logo após seu nascimento. Porém, o bebê é salvo por um servidor, que o entrega a Políbio, rei de Corinto. Sem saber que Políbio não é seu pai verdadeiro, Édipo, já adulto, descobre a maldição e, para que não fosse cumprida, foge para Tebas. No meio do caminho, envolve-se em uma briga e mata alguns mercadores, sem saber que entre eles estava Laios, seu verdadeiro Pai.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiN8h0TKvN0yT2KlhszQsF8hWqDjz0Gv3_gWF19D3IB_BKG0Ym0351Vsl8qk6KRStHdgRc5JP3OJgwqDDkRi_fV1nMLf5zDOjurDUTxJxLyda11y79J8fQ7Rd8z15fx0yS6mYxRPQO4APsoE3uLEad0ehj8d8CN105y_tw4oDzfdwruYL27ieta9qZgFlk/s320/Untitled-design-3.png


        Ao chegar a Tebas, Édipo decifra o enigma da Esfinge, e quebra outra maldição que assolava a cidade. Como recompensa, é feito rei e casa-se com a recém viúva de Laios, Jocasta, sem saber que ela era sua mãe verdadeira.

        No meio da história, Édipo resolve investigar quem teria sido o assino do rei Laios, condição para livrar a cidade de outros males.

Édipo: Tu é que entregaste a criança de quem ele fala?

O Servidor: Fui eu. Quem dera tivesse morrido naquele mesmo dia?

Édipo:  Recusa-te a falar, e é isso o que te espera.

O Servidor: Se eu falar, minha morte será ainda mais certa.

Édipo: Esse homem parece-me querer ganhar tempo

O Servidor: Não, eu já disse: fui eu que o entreguei.

Édipo: De quem era essa criança? Tua ou de um outro?

O Servidor: Não era minha. Era de um outro.

Édipo:  De quem? De que lar de Tebas ela saía?

O Servidor: Não, mestre, em nome dos deuses, não perguntes mais.

Édipo: Morrerás, se eu tiver que repetir minha pergunta.

O Servidor: Ele nascera na casa de Laios.

Édipo: Escrava? ... Ou parente do rei?

O Servidor: Ai de mim! Chego ao mais cruel de dizer.

Édipo: E, para mim, de ouvir. No entanto, ouvirei.

O Servidor: Diziam ser filho do rei... Mas tua mulher, no palácio, pode te dizer isso melhor do que ninguém.

Édipo: Foi ela quem te entregou a criança?

O Servidor: Foi ela, Senhor.

Édipo: Com que intenção?

O Servidor: Para que eu a matasse.

Édipo: Uma mãe! ... Mulher desgraçada!

O Servidor: Ela tinha medo de um oráculo dos deuses.

Édipo: O que ele anunciava?

O Servidor: Que a criança um dia mataria seus pais.

Édipo: Mas por que tu a entregaste a este homem?

O Servidor: Tive piedade dela, mestre. Acreditei que ele a levaria ao país de onde vinha. Ele te salvou a vida, mas para os piores males! Se és realmente aquele de quem ele fala, saibas que nascestes marcado pela infelicidade.

Édipo: Oh! Ai de mim então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não deveria nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de quem não devia matar!

​        Ele corre para dentro do palácio.

        Moderado.

O Coro: Pobres gerações humanas, não vejo em vós senão um nada!

        Qual o homem, qual o homem que obtém mais felicidade do que parecer feliz, para depois, dada essa aparência, desaparecer do horizonte?

        Tendo teu destino como exemplo, teu destino, ó desditado Édipo, não posso mais julgar feliz quem quer que seja entre os homens.

        Ele visou o mais alto. Tornou-se senhor de uma fortuna e de uma felicidade completas.

        Destruiu, ó Zeus, a Esfinge das garras aguçadas. Ergueu-se em nossa cidade como um baluarte contra a morte. E foi assim, Édipo, que foste proclamado nosso rei, que recebeste as mais altas honrarias, que reinaste sobre a poderosa Tebas.

        Mais forte

        E quem agora poderia ser dito mais infeliz do que tu? Quem sofreu desastres, misérias mais atrozes, numa tal reviravolta?

        Ah! Nobre e caro Édipo! Assim o leito nupcial viu o filho após o pai entrar no mesmo porto terrível!

        Como pôde, como pôde o campo lavrado por teu pai te suportar por tanto tempo, sem revolta, ó desgraçado?

        O tempo, que tudo vê, o descobriu a despeito de ti. Ele condena o himeneu, que nada tem de um himeneu, de onde nasciam ao mesmo tempo e por tantos dias um pai e filhos.

        Ah! Filho de Laios! Quisera jamais, jamais ter-te conhecido! Estou desolado, e gritos enlouquecidos escapam de minha boca. Cumpre dizer a verdade de ti, outrora, recuperei a vida, e por ti, hoje, fecho os olhos para sempre! Um escravo sai do palácio.

 SÓFOCLES. Édipo rei. Tradução de Paulo Neves. Porto Alegre. Editora L&PM, 2012 p. 72 e 77.

        Ao descobrir toda a verdade, Édipo fura os próprios olhos e se autoexila. Jocasta suicida-se. Sófocles (aproximadamente 496 a.C. – 405 a.C.) foi um dos mais importantes dramaturgos da Grécia antiga. Escreveu centenas de peças, mas apenas sete delas chegaram completas até os dias de hoje.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 29-31.

Entendendo a história:

01 – Como a tragédia de Édipo, conforme narrada no fragmento, ilustra o conceito de destino inabalável na mitologia grega, apesar das tentativas dos personagens de evitá-lo?

      O fragmento demonstra a inelutabilidade do destino ao descrever como Laios tenta frustrar a profecia de que seu filho o mataria e se casaria com a própria mãe, ao mandar matar Édipo. Contudo, a criança é salva e, sem saber sua verdadeira origem, Édipo, ao fugir de Corinto para evitar a maldição, cumpre-a inadvertidamente ao matar Laios e, posteriormente, casar-se com Jocasta. Isso sublinha a ideia de que o destino, uma vez predito pelos deuses, é inevitável, independentemente das ações humanas.

02 – Analise a ironia dramática presente na investigação de Édipo sobre o assassinato de Laios.

      A ironia dramática é evidente na busca incansável de Édipo pelo assassino de Laios, um esforço para livrar Tebas de males, sem que ele próprio saiba que é o culpado. Ele impõe condições severas e ameaça o servidor para que revele a verdade, ignorando que cada revelação o aproxima da descoberta de sua própria terrível realidade. A tensão aumenta à medida que ele pressiona por informações que, ao final, o condenarão e desvelarão sua identidade como o assassino e esposo incestuoso.

03 – Qual o papel do Servidor no fragmento e como suas hesitações contribuem para o clímax da revelação?

      O Servidor é a testemunha-chave da verdade sobre a origem de Édipo. Inicialmente relutante em falar ("Se eu falar, minha morte será ainda mais certa"), suas hesitações e súplicas ("Não, mestre, em nome dos deuses, não perguntes mais") constroem a tensão e o suspense. Cada tentativa de Édipo de extrair a verdade dele é um passo em direção à descoberta, e a resistência do Servidor reflete o peso e o horror da revelação iminente, amplificando o impacto do clímax quando a verdade é finalmente exposta.

04 – Descreva a reação de Édipo ao compreender a verdade sobre sua identidade e seus atos, conforme expresso no final do fragmento.

      Ao final do fragmento, a reação de Édipo é de desespero e absoluta consternação. Ele exclama: "Oh! Ai de mim então no final tudo seria verdade! Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez, já que hoje me revelo o filho de quem não deveria nascer, o esposo de quem não devia ser, o assassino de quem não devia matar!". Essa fala revela sua profunda agonia e a sensação de que sua vida, até então baseada em uma falsa realidade, desmoronou completamente, culminando em seu ímpeto de correr para dentro do palácio, presumivelmente para consumar a tragédia.

05 – Como o Coro reflete sobre a condição humana e a felicidade efêmera a partir do destino de Édipo?

      O Coro, ao observar o destino de Édipo, expressa uma visão pessimista sobre a felicidade humana, considerando-a um "nada" e algo efêmero. Eles lamentam que o homem "obtém mais felicidade do que parecer feliz, para depois, dada essa aparência, desaparecer do horizonte". A tragédia de Édipo, que alcançou o auge da fortuna e honrarias, serve como um exemplo contundente de como a felicidade pode ser abruptamente revertida em miséria e desastre, levando o Coro a não poder mais "julgar feliz quem quer que seja entre os homens".

06 – Que elementos do texto sugerem a iminente catástrofe após a revelação da verdade a Édipo?

      Vários elementos no texto sugerem a catástrofe iminente. A fala de Édipo "Ah! Luz do dia, que eu te vejo aqui pela última vez" indica que ele pretende algo drástico, como o autoexílio ou a morte. A corrida de Édipo para dentro do palácio reforça a ideia de uma ação imediata e desesperada. Além disso, o lamento do Coro sobre as "misérias mais atrozes" e o "himeneu, que nada tem de um himeneu, de onde nasciam ao mesmo tempo e por tantos dias um pai e filhos" prenunciam as consequências trágicas que se seguirão à terrível descoberta. A frase final do fragmento que descreve Édipo furando os próprios olhos e Jocasta se suicidando confirma a catástrofe.

07 – De que forma a resolução do enigma da Esfinge por Édipo, que o eleva ao status de rei de Tebas, contrasta com o posterior desvelamento de sua verdadeira identidade e queda?

      A resolução do enigma da Esfinge representa o auge da inteligência e do heroísmo de Édipo, elevando-o à condição de salvador de Tebas e, consequentemente, ao trono e ao casamento com a rainha. Este ato o coloca no pináculo da felicidade e do reconhecimento. No entanto, o desvelamento de sua verdadeira identidade, impulsionado por sua própria investigação, expõe a terrível ironia de sua ascensão, revelando que a base de sua "felicidade" (o casamento com sua mãe e o trono de seu pai) era, na verdade, a própria maldição. Esse contraste evidencia a natureza ilusória de sua fortuna e a virada brutal do destino, transformando seu maior triunfo em sua maior desgraça.

HISTÓRIA: SEGISMUNDO - A VIDA É SONHO - FRAGMENTO - PEDRO CALDERÓN DE L. BARCA - COM GABARITO

 História: SegismundoA VIDA É SONHO – Fragmento

              Pedro Calderón de L Barca

É certo; então reprimamos
esta fera condição,
esta fúria, esta ambição,
pois pode ser que sonhemos;
e o faremos, pois estamos
em mundo tão singular
que o viver é só sonhar
e a vida ao fim nos imponha
que o homem que vive, sonha
o que é, até despertar.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiFVoezX3f-3ylLtOOLbal9zwdBtUyk4o7u5Nk44GYhGIAS5LS5RZEA-C1d5uAiIc50RhcltASjJbGlM0lCJomKTFOwJpaK9_vsDaVC7_BaspUWsTbuu3DSOE_EFPSH1hKZUvpE1fPWEpEr1hyphenhyphenNb7kvELxB95pn-YU4ySh0eRWz3NILL98nvaU41HTaZjA/s1600/calderon-031.jpg


Sonha o rei que é rei, e segue
com esse engano mandando,
resolvendo e governando.
E os aplausos que recebe,
Vazios, no vento escreve;
e em cinzas a sua sorte
a morte talha de um corte.
E há quem queira reinar
vendo que há de despertar
no negro sonho da morte?
Sonha o rico sua riqueza
que trabalhos lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e pobreza;
sonha o que o triunfo preza,
sonha o que luta e pretende,
sonha o que agrava e ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
no entanto ninguém entende.
Eu sonho que estou aqui
de correntes carregado
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho,
porque toda a vida é sonho
e os sonhos, sonhos são.

Pedro Calderón de L Barca. A vida é sonho. Tradução Renata Palottini. São Paulo: Página Aberta, 1992. p. 46-47.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 81.

Entendendo a história:

01 – Qual é a principal reflexão filosófica que Segismundo apresenta neste fragmento?

      A principal reflexão filosófica de Segismundo é a natureza ilusória da existência humana, culminando na ideia de que "toda a vida é sonho". Ele questiona a realidade da vigília, sugerindo que tudo o que experimentamos, desde o poder de um rei até a miséria de um pobre, pode ser apenas um sonho do qual acordaremos, especialmente no "negro sonho da morte". Essa incerteza sobre o que é real leva-o a ponderar sobre a futilidade da ambição e do poder.

02 – De que forma o rei e suas ações são retratados em relação à temática do sonho e da morte?

      O rei é retratado como alguém que "sonha que é rei", vivendo sob a ilusão de seu poder e dos aplausos que recebe. Segismundo enfatiza que esses aplausos são "vazios, no vento escreve" e que a "sorte" do rei é cortada pela morte, transformando sua riqueza em cinzas. A crítica reside na ironia de alguém desejar reinar, sabendo que inevitavelmente "há de despertar no negro sonho da morte", revelando a transitoriedade e a vaidade do poder terreal.

03 – Como o conceito de sonho se aplica a diferentes classes sociais, segundo Segismundo?

      Segismundo aplica o conceito de sonho a todas as classes sociais, demonstrando sua universalidade. Ele afirma que "sonha o rico sua riqueza", que paradoxalmente lhe "oferece trabalhos". Da mesma forma, "sonha o pobre que padece sua miséria e pobreza". Essa abrangência do "sonho" sobre ricos e pobres, os que buscam triunfo e os que ofendem, leva à conclusão de que "todos sonham o que são". A distinção de classes é apagada pela natureza onírica da existência, onde cada um vive sua própria ilusão, sem que "ninguém entende" a profundidade dessa condição.

04 – Quais são as perguntas retóricas que Segismundo faz sobre a vida e como ele a define?

      Segismundo faz as seguintes perguntas retóricas: "Que é a vida? Um frenesi. Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficção". Através dessas indagações, ele define a vida de forma pessimista e desiludida, usando termos que remetem à instabilidade, à falsidade e à impermanência. Para ele, mesmo "o maior bem é tristonho", pois, no final das contas, "toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são", sublinhando a efemeridade e a falta de substância da realidade.

05 – Considerando o estado de Segismundo ("de correntes carregado") e suas lembranças ("sonhei que em outro estado mais lisonjeiro me vi"), como isso reforça a ideia central do fragmento?

      O estado atual de Segismundo, "de correntes carregado", contrasta drasticamente com a lembrança de ter sonhado estar em um "estado mais lisonjeiro". Essa experiência pessoal dele — a alternância entre a dura realidade da prisão e a memória de uma existência mais agradável, possivelmente um sonho ou uma lembrança de liberdade — reforça a ideia central de que a vida é um sonho. Se até mesmo a distinção entre a privação e a glória pode ser uma questão de sonho e despertar, isso valida a incerteza fundamental sobre o que é real e o que é ilusório, tornando sua própria condição um microcosmo da tese que ele defende sobre a existência.

 

 

 

 

sexta-feira, 28 de março de 2025

HISTÓRIA: EVA TUPINAMBÁ - RONALD RAMINELLI - COM GABARITO

 História: EVA TUPINAMBÁ – Fragmento

              Ronald Raminelli

        A FAMÍLIA INDÍGENA

        Para os europeus, as relações de parentesco nas comunidades indígenas eram pouco rígidas, já que o tio poderia desposar a sobrinha. Entretanto, os casamentos entre filho e mãe, filho e irmã e pai e filha eram proibidos. Os enlaces matrimoniais seguiam uma regra muito simples, segundo Léry. Desejando se unir, os varões se dirigiam a uma mulher, viúva ou donzela, e perguntavam sobre sua vontade de casar. Se o interesse fosse recíproco, pediam a permissão do pai ou do parente mais próximo. Depois de obtida a permissão dos parentes, os noivos consideravam-se casados. Não havia cerimônias, nem promessa recíproca de indissolubilidade ou perpetuidade da relação. O marido poderia expulsar a mulher e vice-versa. Se ficassem fartos do convívio, a união estaria desfeita. Ambos poderiam, então, procurar outros parceiros, sem maiores constrangimentos. Entre os selvagens era costume, quando o esposo se enfadava da companheira, presentear outro homem com sua mulher. A maioria dos índios tinha somente uma mulher. A poligamia, porém, era amplamente difundida entre os grandes guerreiros e caciques. Os chefes podiam viver com catorze mulheres sem causar estranhamento. [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgDX474BRHBeMQ8vnyU2bN8M2Q999wuiXVZ71Jy553NTnx2j1RLjM0ytQ62zQAUcONoQG8eSip3ST0usFSgfTSupFFJb_-8ordjqlDOmXZRQah1hFEpBHwY5DwOAtWLcj7EVA-E1GIIYMGJFyR7Au4-09yLSDi1K_aPyxAWUhHphw3xYR0VIKR3P1MlTNc/s320/Entre-a-terra-e-a-eternidade-1-322x280.png


        A poligamia, entre os bravos guerreiros, era símbolo de prestígio. Enumerar as esposas era uma forma de homenagear a sua virtude. Quanto maior o número de mulheres, mais valentes eram considerados os homens. Muitas vezes, os pais prometiam suas filhas, ainda meninas, aos chefes da tribo ou aos homens que com eles tivessem amizade. A união realizava-se somente depois que a menina atingisse a idade de casar. O enlace, contudo, persistia até o momento em que se repudiassem mutuamente. O casamento do chefe seguia os mesmos pressupostos de qualquer outra união entre casais da tribo.

        [...]

RAMINELLI, Ronald. Eva Tupinambá. In: História das mulheres no Brasil. São Paulo, Contexto/Unesp, 1997. p. 18-19.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 107-108.

Entendendo a história:

01 – Como os europeus percebiam as relações de parentesco nas comunidades indígenas?

      Os europeus achavam as relações de parentesco indígenas pouco rígidas, estranhando costumes como o casamento entre tio e sobrinha.

02 – Quais tipos de casamento eram proibidos nas comunidades indígenas?

      Casamentos entre filho e mãe, filho e irmã, e pai e filha eram proibidos.

03 – Como funcionava o processo de casamento entre os indígenas, segundo Léry?

      O homem manifestava seu interesse à mulher, e se fosse recíproco, pedia permissão aos pais dela. Após a permissão, eram considerados casados, sem cerimônias ou promessas de união eterna.

04 – Qual a visão dos indígenas sobre a dissolução do casamento?

      O casamento poderia ser desfeito por vontade de ambas as partes, sem constrangimentos, e ambos poderiam buscar novos parceiros.

05 – Como a poligamia era vista nas comunidades indígenas?

      A poligamia era comum entre guerreiros e caciques, sendo um símbolo de prestígio e virilidade.

06 – Qual o papel do número de esposas na sociedade indígena?

      Quanto maior o número de esposas, mais valente e prestigiado o homem era considerado.

07 – Como funcionava o costume de prometer filhas em casamento?

      Pais prometiam suas filhas, ainda meninas, a chefes ou amigos, mas a união só se concretizava quando a menina atingia a idade de casar, podendo ser desfeita por mútuo repúdio.

 

 

terça-feira, 18 de março de 2025

HISTÓRIA: ROBIN HOOD - RUMO A SHERWOOD - FRAGMENTO - TELMA GUIMARÃES CASTRO ANDRADE - COM GABARITO

 História: Robin Hood – Rumo a Sherwood – Fragmento

              Telma Guimarães Castro Andrade

        [...]

        Robin, além de vingar a morte do pai, também queria ajudar o seu povo. Nunca tinha visto tanta gente passando fome, pedindo esmola.

        -- Vamos assaltar os ricos amigos do príncipe e do xerife que passam pelas estradas – explicou Robin. – Eles não tomam o dinheiro dos pobres? Pois então! Vamos tirá-lo dos seus amigos e devolver aos pobres. Que tal?

        -- Mas seremos só nós dois contra muitos soldados! – Will falou sério.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgFX2EetZwHo5BzCg4QbVcwOQ99EOBRZuWmj-KjKrRLJ3KEMQg_9NnMeJocl8iZrcA0mMj5NjuerIOcboHzcBGk1YxzqXrUFCoiQUzMX0ezyyZi7ragiHVIJ7R8SMEQEV5Y2GlrFOB8oxNj0ZuG-YE4nBup1A-CWVvp9BjSAkgjwFlE7O6XcU_JVVu0JnA/s320/Robin_Hood_Alla_conquista_di_Sherwood_01.jpg


        -- Aposto que arrumaremos mais gente... – Robin puxou o capuz sobre a cabeça.

        Tinham achado uma grande clareira na floresta. Foi lá que começaram a praticar arco e flexa. Por sorte havia também uma caverna, para abrigo em dias de chuva.

        [...]

        Um assalto

        -- Precisamos de dinheiro! – Robin estava reunido com seus homens na caverna. – Há muita gente passando fome em Nottingham. Temos de ajuda-los.

        -- Soube que um amigo do príncipe está a caminho... – informou João Pequeno. – Parece que está trazendo muito dinheiro.

        -- Vamos assaltar o ricaço! – Robin chamou seus homens. – Precisamos de paus, arcos e muitas flechas. Não se esqueçam de cobrir a cabeça com o capuz.

        Preparariam uma armadilha bem no meio de uma estrada muito estreita. Alguns homens fingiriam consertar uma carroça para abrigar a comitiva a parar. Com isso, eles atacariam pelos lados, saindo do meio das árvores.

        A armadilha funcionou direitinho. Assim que o ricaço desceu da carruagem para ver o que estava acontecendo, Robin o atacou. Num minuto, seus homens dominaram o cocheiro e os demais empregados.

        -- Fiquei sabendo que o senhor carrega muitas moedas de ouro... – Robin saltou do cavalo.

        -- Eu não... – o homem, muito bem vestido, tentou esconder uma caixa.

        -- Vamos! Entregue o dinheiro! – Robin ordenou. – Tenho certeza de que não vai lhe fazer falta. Aposto que tem muito mais que isso! – Robin tomou a caixa do homem.

        -- Tenha piedade, moço... – o homem pediu.

        -- Pois eu tenho. Tenho pena dos pobres, dos miseráveis, dos esfomeados, das pessoas que estão sem casa para morar... Este dinheiro, senhor, vai ajudar os necessitados. É para uma boa causa! Ah, estou vendo que carrega um baú bem grande... Roupas!

        Robin pegou o baú com a ajuda de um de seus homens.

        -- Bondade sua dividir estas roupas com os pobres... – Robin sorriu.

        -- Mas... mas nós vamos ficar sem nada? – o homem estava furioso.

        -- Vão ficar com a roupa do corpo. Muitos não têm nem isso, senhor... – Robin apontou a espada para o corpo do homem.

        -- Vou com... contar tu... tudo ao pri... príncipe... – ele gaguejava.

        Pois conte tudo. Conte que foi... assaltado.

        [...].

Telma Guimarães Castro Andrade. Robin Hood. Telma Guimarães Castro Andrade. (Adap.). São Paulo: Scipione, 1998. p. 7-8. (Reencontro infantil).

Fonte: Português. Vontade de Saber. 6º ano – Rosemeire Alves / Tatiane Brugnerotto – 1ª edição – São Paulo – 2012. FTD. p. 213-214.

Entendendo a história:

01 – Qual era o principal objetivo de Robin Hood?

      Além de vingar a morte do pai, Robin Hood queria ajudar o povo que passava fome.

02 – Qual era o plano de Robin Hood para ajudar os pobres?

      O plano era assaltar os ricos amigos do príncipe e do xerife que passavam pelas estradas e devolver o dinheiro aos pobres.

03 – Onde Robin Hood e seus homens praticavam arco e flecha e se abrigavam?

      Eles praticavam em uma clareira na floresta e se abrigavam em uma caverna em dias de chuva.

04 – Qual foi o primeiro alvo do assalto de Robin Hood e seus homens?

      O primeiro alvo foi um amigo do príncipe que estava trazendo muito dinheiro.

05 – Como Robin Hood e seus homens prepararam a armadilha para o ricaço?

      Eles fingiram consertar uma carroça em uma estrada estreita para obrigar a comitiva a parar, e então atacaram pelos lados, saindo das árvores.

06 – O que Robin Hood pegou do homem rico além do dinheiro?

      Robin Hood também pegou um baú com roupas, alegando que seriam divididas com os pobres.

07 – Qual foi a reação do homem rico ao ser assaltado?

      O homem ficou furioso e ameaçou contar tudo ao príncipe.