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quinta-feira, 4 de junho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: PRECICLAR E RECICLAR - PÓLITA GONÇALVES - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Preciclar e Reciclar

          Pólita Gonçalves

         Você sabe o que é preciclar? É muito simples!  É pensar antes de comprar.  Quarenta por cento do que nós compramos é lixo.  São embalagens que, quase sempre, não nos servem para nada, que vão direto para o lixo aumentar os nossos restos imortais no planeta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihBlMCygAgVT0FYGRUqYPz-kX3VazeHlqYr-p8FDUgqun02ozc9wCn_ARlmm3kSg03Q0jH2yCQU5JLmu1tY_L3o6YUhB0d13XtaGCXyYfHBQh33IC5ny18nmWnAPMmooGYKRDLqUjtp_QxymF8ELYcuuH9kKka-izApyQOftKVf618_2xbmWozJX1Gydc/s320/RECICLAR.png


        Poderia ser diferente?

        Tudo sempre pode ser melhor...

        Pense no resíduo da sua compra antes de comprar.  Às vezes um produto um pouco mais caro tem uma embalagem aproveitável para outros fins.

        Estes são os 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

        Reduzir o desperdício.

        Reutilizar sempre que possível antes de jogar fora.

        Reciclar, ou melhor, separar a reciclagem, pois, na verdade, o indivíduo não recicla, a não ser os artesãos de papel reciclado.

        O termo reciclagem, tecnicamente falando, não correspondem ao uso que fazemos dessa palavra, pois, reciclar é transformar algo usado em algo igual, só que novo.  Por exemplo: uma lata de alumínio, pós consumo, é transformada, através de processo industrial, em uma lata nova.

        Quando transformarmos uma coisa em outra coisa, ocorre a reutilização.

        O que cada um de nós pode fazer é praticar os dois primeiros Rs: reduzir e reutilizar.

        Quanto à reciclagem, o que devemos fazer é separar o lixo que produzimos e pesquisar as alternativas de destinação ecologicamente corretas.  Pode ser encaminhar o lixo para uma cooperativa de catadores ou até para uma instituição filantrópica que receba material reciclável para acumular e comercializar.

        O importante é pensarmos sobre os três Rs, procurando evitar o desperdício, reutilizar sempre que possível e, antes de mais nada, preciclar.  Ou seja, pensar antes de comprar.

        Evite embalagens plásticas que não podem ser transformadas em produtos plásticos reciclados.  O vidro, por sua vez, é totalmente reciclável e muito mais útil em termos de reutilização.

        Preciclar é pensar que a história das coisas não acaba quando as jogamos no lixo.  Tampouco acaba a nossa responsabilidade.

 

GONÇALVES, Pólita. http://www.lixo.com.br ou http://www.online.com.br/sitio/lixo.htm.

 

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 132-133.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, qual é o significado do termo "preciclar"?

      Preciclar significa "pensar antes de comprar". É o ato de o consumidor avaliar o resíduo e a embalagem de um produto antes de adquiri-lo, tendo consciência de que a história das coisas e a nossa responsabilidade não terminam quando jogamos algo no lixo.

02 – Qual dado estatístico a autora apresenta para justificar a importância de se pensar antes de comprar?

      A autora afirma que 40% do que nós compramos é lixo. Trata-se de embalagens que, na maioria das vezes, não possuem nenhuma utilidade para o consumidor e vão direto para a lixeira, aumentando os "restos imortais" no planeta.

03 – Qual é a diferença técnica que o artigo estabelece entre "reciclar" e "reutilizar"?

      Tecnicamente, reciclar significa transformar industrialmente algo usado em um objeto igual e novo (como transformar uma lata de alumínio velha em uma lata nova). Já reutilizar acontece quando transformamos uma coisa em outra coisa diferente, ou quando aproveitamos uma embalagem para outros fins.

04 – Por que a autora afirma que o indivíduo comum, na verdade, não recicla? O que devemos fazer então?

      Ela afirma isso porque a reciclagem real depende de um processo industrial (com exceção dos artesãos de papel). Portanto, o papel do cidadão em relação ao terceiro "R" (Reciclar) deve ser o de separar o lixo produzido e pesquisar alternativas corretas de destinação, como enviar os materiais para cooperativas de catadores ou instituições filantrópicas.

05 – Qual comparação a autora faz entre as embalagens de plástico e as de vidro?

      A autora aconselha a evitar embalagens plásticas que não podem ser transformadas em novos produtos plásticos reciclados. Em contrapartida, ela destaca o vidro como uma excelente opção, pois é um material totalmente reciclável e muito mais útil para ser reutilizado no dia a dia.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: OS QUADRINISTAS ATUAIS - FRAGMENTO - LEILA R. IANNONE E ROBERTO A. IANNONE - COM GABARITO

Artigo de opinião: Os quadrinistas atuais – Fragmento

        Do final dos anos 60 para cá, quadrinistas brasileiros têm lançado personagens interessantes: O Pato de Ciça (uma das pocas desenhistas de sucesso entre nós); Capitão Cipó, de Daniel Azulay; Rango, de Edgar Vasques, e muitos outros.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZgCj7stmMvhNLh6I8vdpj1cqmCCW5H1S8TigHr4K4Wllzjh5qbXHBgYlR2UU7uxt85MezxH6eDz7zrMZcvCPaXeWyf9X0PneCaQBzKGGrykLIREkd2AHnxcx3MdU4AD9bgp-U_u4qKfE8SXY9FeaMrWCLnOvEQgoRoIZAqwv7xkJKfzhJYevXMXcYz0I/s1600/pato.jpg
 

        Capitão Cipó, considerado uma obra-prima dos quadrinhos brasileiros, estreou como tira diária no jornal Correio da Manhã, em 1968. É uma sátira ao Super-Homem. O personagem, mistura desse herói com o Batman, carrega, em seu cinto de utilidades, um monte de quinquilharias, como pípulas anticoncepcionais, bombons e isqueiros sem fluido. Quando não está atuando como herói, o Capitão Cipó usa o disfarce de Irineu Pedrosa, um apresentador de televisão.

        Infelizmente, não temos espaço suficiente para detalhar toda a produção brasileira. Esperando não cometer muitas injustiças, vamos mencionar os artistas que estão em maior evidência. Assim, citamos Angeli, que nos brindou com os personagens Skrotinhos, Rê Bordosa e Bibelô, entre outros; Laerte, com a série Piratas do Tietê, uma crítica aos nossos costumes; e Glauco, criador dos Neuras, Geraldão e Dona Marta. [...]

        Devem-se registrar, também, Alain Voss, Miguel Paiva e Sérgio Macedo, autores que fazem sucesso na Europa com personagens tipicamente brasileiros.

Leila R. Iannone e Roberto A. Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 166.

Entendendo o artigo:

01 – O autor menciona que o Capitão Cipó é uma sátira a heróis norte-americanos conhecidos. De que maneira as características desse personagem constroem essa sátira?

      A sátira é construída pela ironia e pelo contraste com os heróis originais. Em vez de possuir apetrechos tecnológicos ou armas poderosas como o Batman, o Capitão Cipó carrega em seu cinto de utilidades "quinquilharias" cotidianas e inúteis para o combate ao crime, como pílulas anticoncepcionais, bombons e isqueiros sem fluido. Além disso, seu alter ego, Irineu Pedrosa, é um apresentador de televisão, ironizando o disfarce tradicional de identidades secretas discretas.

02 – Qual é a justificativa apresentada pelo autor para não aprofundar a análise de toda a produção de quadrinhos brasileira no texto?

      O autor justifica que não o faz por falta de espaço suficiente no texto ("Infelizmente, não temos espaço suficiente para detalhar toda a produção brasileira"). Para contornar essa limitação e tentar não cometer injustiças, ele opta por focar a abordagem nos artistas que estão em maior evidência no momento.

03 – De acordo com o texto, qual é a principal característica ou objetivo da série Piratas do Tietê, da quadrinista Laerte?

      A principal característica da série Piratas do Tietê descrita no fragmento é o seu caráter satírico e social, funcionando explicitamente como uma crítica aos costumes da sociedade brasileira.

04 – O fragmento cita os autores Alain Voss, Miguel Paiva e Sérgio Macedo. Qual é o diferencial do trabalho desses artistas destacado pelo autor?

      O diferencial desses autores é o sucesso internacional alcançado por eles. O autor destaca que eles conseguem fazer sucesso no continente europeu utilizando personagens que carregam uma identidade e características tipicamente brasileiras.

05 – A partir da leitura do primeiro parágrafo, o que o autor sinaliza sobre a presença feminina no cenário de sucesso dos quadrinhos brasileiros até o momento de escrita do texto?

      O autor sinaliza que a presença feminina em patamar de destaque era uma exceção na época. Ao mencionar a personagem "O Pato", de Ciça, ele faz o parêntese de que ela é "uma das poucas desenhistas de sucesso entre nós", evidenciando que o meio era majoritariamente dominado por homens.

 

  

domingo, 17 de maio de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: BALBINO EM CHAMAS - FRAGMENTO - PAULA SALDANHA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Balbino em chamas – Fragmento

        Paraíso e morada dos pescadores

        O lugar onde a nossa gente mora é assim: mar verde, dunas de areia cercando lagoas azuis e praias com coqueirais. É claro que os terrenos na beira das praias são os mais bonitos e os mais valorizados. Por isso tudo é que gente rica fica de olho. Faz proposta para ao pescador, quer comprar... mas aqui na nossa região ninguém vende terreno, não.

        Os moradores mais velhos sempre dizem que a nossa terra é muito boa e muito rica, por isso nós não queremos sair daqui nunca!

        No mar tem o peixe, o siri, o camarão... No mangue tem os mariscos, o caranguejo, mais peixes... Na terra nascem os coqueiros, os pés de caju, manga, abacate, goiaba, limão, tangerina, mamão e um montão de outras frutas. Na turfa (terra preta e fofa), debaixo dos coqueirais, a gente planta feijão, milho, arroz, mandioca, inhame, abóbora... A água pra beber a gente tem limpinha nas cacimbas, que são poços abertos na areia, que a gente tampa e cuida pra não contaminar.

        Todo mundo aqui tem sempre comida boa – o dente das pessoas não estraga por causa do peixe, que tem muito cálcio – e as crianças crescem com saúde. [...]

        A primeira invasão

        Os pistoleiros começaram a rodear as casas do Balbino de manhã cedinho. Primeiro as casas perto do coqueiral, junto do mar. Depois vieram em direção às nossas casas, na beira da lagoa. Gritaram pra todo mundo sair. Viraram móveis e tiraram as pessoas da cama, ameaçando com espingardas e revólveres. [...]

        Capangas covardes. Gritavam com mulheres e crianças como se estivessem tocando o gado. Mostraram as armas e avisaram que todo mundo ia sair dos terrenos por bem ou por mal.

        Por fim, os caras derramaram gasolina e tocaram fogo em quatro casas, com tudo dos pescadores dentro.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEQXl39enVGSuZfCiJzkujseDAfzKpLt1hNslkZ0bJBPGS4dOecPA6JOQBS-B__lZxthD41nK9ttiRMB1Wd3KZNZ02O9DsI11obGv4QCDCocLwmQseUc0NTLcv9BSwhTxw6SxeLAYNvVAXl2dLZtC6cUCnX6GnTWSbSBy8Omx1fn6jnCfcs2DZq_g2Gvs/s1600/BALBINO.jpg

        -- É só uma pequena mostra – falaram sorrindo.

        Os pistoleiros estavam com cara de loucos e ao mesmo tempo de deboche. Disseram que voltariam depois pra completar o serviço.

      A segunda invasão

        Era quase hora do almoço quando a polícia chegou. Não dava nem pra acreditar: um papel da Justiça dizia preto no branco que os nossos terrenos pertenciam a uma imobiliária e que os moradores iam ter que sair.

        Mas quem vendeu terreno por aqui? Ninguém.

        Então que história era essa?

        Não adiantava discutir, era ordem do juiz. Todas as famílias iam ter que sair do Balbino, que nem foi no Batoque.

        Mas o povo daqui fez resistência. As mulheres pareciam mais valentes que os homens, fechando a passagem dos policiais, com aquele bando de filhos atrás.

        Diante da coragem das mulheres, os policiais se acovardaram e começaram a apelar, berrando, cutucando as pessoas com o cano das espingardas e dando tiros de revólver pro alto.

        Um tiro disparado perto de casa fez meu ouvido ficar zunindo um tempão. Nem dava mais pra ouvir a gritaria das pessoas que corriam em bando, que nem gado acuado.

        Mas eu pude ver muito bem o fogaréu levantando por trás do coqueiral. Muita labareda alta e muita fumaça. [...]

        Os policiais jogavam gasolina e, quando botavam fogo, dava aquele estrondo e as casas lambiam inteirinhas.

        A casa do Chico, meu melhor amigo, foi a que queimou por último. Não posso me esquecer do desespero dele e do pai vendo tudo, tudinho, até aa rede de pesca, queimando lá dentro.

        Deu uma dor aqui no peito...

        O balanço de tudo

        A Arquidiocese de Fortaleza já estava sabendo das confusões e ajudou a apurar as coisas pra comunidade do Balbino. A primeira providência foi chamar um promotor público pra ver direito o caso na Justiça.

        Dona Francisca ia e vinha de Fortaleza trazendo as notícias que conseguia com o promotor, com os repórteres e com os padres. O documento da tal imobiliária era de um terreno lá pro interior. Terra ruim, sem valor nenhum.

        Mas o juiz levou dinheiro pra fazer toda a manobra: colocar os terrenos do Balbino, que sempre foram dos pescadores, como propriedade da imobiliária.

        Com uma simples troca de lugar, endereço, o juiz estava levando muita grana, a imobiliária lucrando bilhões...

        E os pescadores? Centenas de famílias, milhares de pessoas iriam ter que virar mendigos na cidade grande. Ainda bem que do Balbino ninguém saiu. [...].

        Final feliz

        A igreja, a imprensa e o promotor ajudaram o povo de Balbino até o fim. Ao contrário do juiz, que estava levando dinheiro pra prejudicar a gente, o promotor não recebeu nada e colocou a Comunidade de Balbino na Justiça contra a imobiliária – por todo o prejuízo que ela causou.

        Hoje, Balbino é uma área de proteção ambiental. [...].

        Nós vencemos na Justiça. Nossa história teve um final feliz, que nem em filme de julgamento que passa na TV. Só que em filme é tudo de mentirinha, nada machuca. E a nossa história foi mesmo de verdade, marcou nossa gente. marcou pra valer. Teve gente que perdeu tudo e foi obrigada a começar vida nova.

        Coragem e esperança foi o que moveu esse povo. Coragem pra enfrentar a injustiça. E esperança de tudo dar certo. [...].

        A gente agora vai contar pros filhos e pros netos tudo o que se passou com o povo aqui no Balbino e nos outros lugares do litoral.

        Assim, os mais novos vão aprender um pouco da nossa história e vão lutar pra que esse tipo de coisa não aconteça nunca mais.

Paula Saldanha. Balbino em chamas. São Paulo, FTD, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 126-129.

Entendendo o artigo:

01 – Como o narrador descreve a comunidade de Balbino antes das invasões e qual é a principal fonte de sustento e saúde dos moradores?

      O narrador descreve Balbino como um verdadeiro "paraíso": um lugar com mar verde, dunas, lagoas azuis e praias com coqueirais. A comunidade é autossustentável e rica em recursos naturais. Os moradores garantem o sustento através da pesca (peixe, siri, camarão) e do mangue (mariscos, caranguejo), colhem frutas variadas (caju, manga, abacate) e plantam alimentos (feijão, milho, mandioca) na terra preta e fofa (turfa). A saúde das crianças é boa e os dentes não estragam devido ao cálcio abundante dos peixes.

02 – O que atrai o interesse de pessoas ricas pela região de Balbino e qual é a postura inicial dos moradores diante das propostas de compra?

      O interesse da "gente rica" é despertado pelo fato de os terrenos na beira da praia serem os mais bonitos e valorizados. No entanto, a postura inicial dos moradores é de total recusa. Influenciados pelos conselhos dos mais velhos, que reconhecem o valor e a riqueza daquela terra, os pescadores afirmam categoricamente que ninguém vende terreno por ali e que não querem sair de lá nunca.

03 – Quem promoveu a "primeira invasão" a Balbino, como agiram e qual foi a justificativa ou aviso que deixaram para os moradores?

      A primeira invasão foi promovida por pistoleiros (capangas). Eles agiram com extrema violência e covardia: chegaram de manhã cedo, expulsaram as pessoas da cama apontando armas (espingardas e revólveres), gritaram com mulheres e crianças como se estivessem "tocando gado" e incendiaram quatro casas com os pertences dos pescadores dentro. Eles avisaram que todos teriam que sair por bem ou por mal e debocharam dizendo que o fogo era "só uma pequena mostra" e que voltariam para completar o serviço.

04 – Qual foi a grande surpresa dos moradores durante a "segunda invasão" e que justificativa legal foi apresentada para expulsá-los?

      A surpresa foi que, na segunda vez, quem apareceu para expulsá-los foi a própria polícia, trazendo uma ordem do juiz ("um papel da Justiça"). A justificativa legal apresentada era a de que, oficialmente, os terrenos pertenciam a uma imobiliária e que, portanto, todas as famílias teriam que desocupar a área.

05 – Como a comunidade reagiu à ação da polícia e quem se destacou na liderança da resistência?

      A comunidade não aceitou a ordem passivamente e ofereceu resistência. As mulheres se destacaram na liderança, mostrando-se ainda mais valentes que os homens ao fecharem a passagem dos policiais com os filhos atrás de si. Diante dessa coragem, os policiais apelaram para a violência física, empurrando as pessoas com canos de espingardas e dando tiros para o alto, além de incendiarem o restante das casas (incluindo a do melhor amigo do narrador, o Chico).

06 – Qual foi o esquema de corrupção descoberto com a ajuda da Arquidiocese de Fortaleza e do promotor público?

      Descobriu-se que o documento apresentado pela imobiliária era falso ou adulterado: referia-se, na verdade, a um terreno sem valor nenhum localizado no interior do estado. No entanto, o juiz responsável pelo caso aceitou suborno ("levou dinheiro") para fazer uma manobra jurídica, alterando o endereço do documento para que os valiosos terrenos litorâneos do Balbino passassem a constar como propriedade da imobiliária. Isso geraria bilhões de lucro para a empresa.

07 – Qual foi o desfecho da história na Justiça e qual lição o narrador pretende deixar para as próximas gerações?

      O desfecho foi a vitória da comunidade na Justiça, graças ao apoio da Igreja, da imprensa e de um promotor público íntegro. Hoje, Balbino é uma área de proteção ambiental e as famílias puderam ficar. A lição que o narrador quer deixar para os filhos e netos é a importância da coragem para enfrentar as injustiças e a esperança de lutar pelos seus direitos, para que abusos desse tipo nunca mais voltem a acontecer.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: NOSSA LÍNGUA BRASILEIRA - FRAGMENTO - WILSON LIBERATO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Nossa língua brasileira – Fragmento 

         Wilson Liberato

        Fui dar um passeio por Rondônia. Lá pelas tantas, comecei a perceber que não estava entendendo a conversa do povo. Eu, que falo o português do centro-oeste mineiro, achei toada na fala da região. Cheguei numa beira de porto e pus sentido na prosa em redor. Decorei alguma coisa, que divido agora com o leitor. [...] Eis meu relato:

        O regatão saltou do alvarenga onde estava morcegando e berrou:

        -- Açaí, cajarana, cupuaçu e pupunha! Loção contra caravana, mucuim, mutuca e pium. Vai levar, patrão? [...]

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjG2Hpaute8C5xsiwxf5GHUDYt97pIVG77G9JmgN4l4dFuP0DbzKOmOrqheaetaDv7RyPXR3204Skg6PiFc-BRR0ZAsGc2TjOviRr7MP9JkgApQJ0WRc7ci0ACwcXcml2Of4HAwkaLhGBvmeeIu6l6MPjpvZXNICyadbqKZ__GiQnFVWd6yAjG8r3y-17I/s1600/LINGUA.jpg


        Procurei um táxi, mas desanimei ao ouvir o informante dizer:

        -- Aqui, BK é só pra quem tá bamburrado. Tu tá?

        E saiu rindo, apontando para mim e falando:

        -- Brabo aqui vai de catraia! Vôte! [...]

        Logo que pude, abri buraqueira (fugi) para não ser forçado a fazer uso de uma assistência (ambulância) com destino a um hospício; nem para ser submetido a um baculejo (revista policial). Claro! Do jeito que fiquei, talvez pensassem que eu estava bodado (maluco) [...]. Logo eu, que sou tão virado (trabalhador)!

        É uma faceta (epa!) da nossa língua... brasileira ou portuguesa?

Wilson Liberato. Nossa língua brasileira. Jornal O Pergaminho, 21 out. 2000.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 118-119.

Entendendo o artigo:

01 – O que motivou o autor, Wilson Liberato, a escrever o relato apresentado no texto?

      O autor foi motivado por um passeio que fez a Rondônia, onde percebeu que não conseguia entender completamente a conversa dos habitantes locais. Por falar o português do centro-oeste mineiro, ele notou um sotaque e um vocabulário muito diferentes ("achei toada na fala da região") e decidiu registrar e compartilhar essas expressões regionais com o leitor.

02 – No segundo parágrafo, o autor cita a fala de um "regatão". Que tipo de termos esse personagem utiliza e o que eles revelam sobre a cultura da região visitada?

      O regatão utiliza termos que fazem referência direta à fauna, à flora e ao ambiente amazônico/nortista, como frutas regionais (açaí, cajarana, cupuaçu e pupunha) e insetos típicos da região (caravana, mucuim, mutuca e pium). Isso revela como a língua local é profundamente conectada com a natureza e a biodiversidade do território de Rondônia.

03 – Ao procurar um táxi, o autor recebe a seguinte resposta de um informante: “Aqui, BK é só pra quem tá bamburrado. Tu tá?”. O que o informante quis dizer com essa frase?

      O informante quis dizer que andar de táxi (ou usar aquele transporte específico, chamado ali de "BK") era algo muito caro, acessível apenas para quem estava com muito dinheiro ou enriquecido ("bamburrado"). Ao perguntar "Tu tá?", ele questiona se o autor tinha essa condição financeira.

04 – No quarto parágrafo, o autor utiliza uma estratégia de colocar palavras da região seguidas de parênteses. Qual é a função desses parênteses no texto?

      A função dos parênteses é "traduzir" as gírias e expressões regionais de Rondônia para o português padrão ou para termos mais comuns em outras regiões do Brasil. O autor faz isso para garantir que o leitor compreenda o significado de palavras como abrir buraqueira (fugir), assistência (ambulância), baculejo (revista policial), bodado (maluco) e virado (trabalhador).

05 – O autor termina o texto com o seguinte questionamento: “É uma faceta (epa!) da nossa língua... brasileira ou portuguesa?”. Qual é a reflexão que ele propõe com essa pergunta final?

      O autor propõe uma reflexão sobre a identidade linguística do Brasil. Ao mostrar como o português falado em Rondônia é tão diferente do falado em Minas Gerais (a ponto de parecer outro idioma), ele questiona se a nossa língua ainda deve ser chamada de "portuguesa" ou se as variações culturais e regionais já a transformaram em uma legítima "língua brasileira".

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: MEUS PROFESSORES - GUILHERME C. GURGEL ROCHA - COM GABARITO

Artigo de opinião: Meus professores

           Guilherme C. Gurgel Rocha – 3º ano – 1ª turma – n 163

        Meus professores são: o Dr. Edilson, o Sr. Esio, o Sr. Nirvando e o Sr. Valdemar.

        O Dr. Edilson nos ensina Geografia. Ele é um dos melhores educadores: suas palavras são tão simples que só um mau aluno não o compreende. Ele tem muita paciência, por isso gosto muito de assistir às suas aulas, para tirar boas notas.

 
 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgwpzobWNXG7o8lQYTTsm-OhcGtuVcXhl2ztfZmlm65V51pGtwGk5nZ0vRvrZtcIPj6gzp6I3q4Uxmb04Zxlge1iWnaLITPLbQ7oBbaxeKJiI0xaifFXKwE3JNJ_nBAdQ4L5dnraReYdC20HA1k2Wm87R8Na6Q7Gz2-rbTSdsR1Pabce-BXsXY8zsbHOZQ/s1600/PROFE.jpg



        O Sr. Esio nos ensina Aritmética: ele é muito rigoroso, porém, não deixo de gostar dele pois isso é para o nosso bem.

        O Sr. Nirvando nos ensina Português: ele é muito bom para nós, eu estudo o bastante para dar minhas lições certas, pois vejo que ele fica satisfeito quando vê o aluno se esforçar.

        O Sr. Valdemar nos ensina Ciências e História. Ele é um pouco rigoroso e fica muito zangado quando ouve barulho e por esta razão nos manda botar na prisão, mas eu gosto muito dele porque é nosso amigo.

        Para mim o melhor professor é o Dr. Edilson Soárez.

Disponível em: http://www.cognitiva.com.br/7museu/associados/7revista/vivencias1940-04.html. Acesso em: 9 mar. 2011.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 15.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a disciplina ministrada pelo Dr. Edilson e por que o autor o considera um dos melhores educadores?

      O Dr. Edilson ensina Geografia. O autor o considera um dos melhores educadores porque ele utiliza palavras simples que facilitam a compreensão e demonstra muita paciência com os alunos.

02 – Como o autor descreve o Sr. Esio e qual é a sua opinião sobre a forma de ensinar desse professor?

      O autor descreve o Sr. Esio como um professor muito rigoroso. Apesar disso, o autor afirma que não deixa de gostar dele, pois entende que esse rigor é voltado para o bem dos alunos.

03 – O que motiva o autor a estudar Português com o Sr. Nirvando?

      O autor estuda o bastante para acertar as lições porque percebe que o Sr. Nirvando fica satisfeito ao ver o esforço do aluno, descrevendo-o como alguém muito bom para a turma.

04 – Quais são as matérias ensinadas pelo Sr. Valdemar e qual é a sua reação diante de barulho na sala de aula?

      O Sr. Valdemar ensina Ciências e História. Ele fica muito zangado quando ouve barulho e, por essa razão, chega a mandar os alunos "botar na prisão", embora o autor ainda o considere um amigo.

05 – Ao final do texto, o autor destaca um professor como o seu favorito. Quem é ele?

      O autor afirma que, para ele, o melhor professor é o Dr. Edilson Soárez.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: FOME SE ALASTRA PELO MUNDO, DIZ RELATÓRIA DA ONU - FRAGMENTO - TIM SCHAUENBERG - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Fome se alastra pelo mundo, diz relatório da ONU – Fragmento

        Conflitos, mudança climática e déficit econômico são as principais causas da falta de acesso a alimentos, apontam Nações Unidas. Relatório identifica 820 milhões de famintos no mundo – sendo 96 milhões em perigo de morte.

Tim Schauenberg

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihLD10g3ROjkc8i7fY7MDVyV08u2oYMUST4TidA_V9L3aYQX3nZL-WZZONMNV-8u2Eda9kAiGCn8HTrVwQwUyuuXA6A_5K-di9w07FEuHUkno0CHyda6NJlhDwN8IUbwO95YGSNAEDKE0DTeaXGGZdP2RAaM5vSmNcxcqOvXraLjOAeMLpcXwREnT_XWk/s1600/FOME.png


        A meta da Organização das Nações Unidas de erradicar a fome até 2030 está longe de ser alcançada. Como aponta o mais recente relatório da ONU sobre o assunto, após uma década de progresso, nos últimos três anos o número dos que sofrem inanição crônica cresceu para 820 milhões, incluindo 149 milhões de crianças menores de cinco anos, raquíticas devido à privação alimentar.

        No caso de 96 milhões de famintos, "precisamos fornecer comida, ou acesso a ela, para que eles não morram", frisa Cindy Holleman, uma das principais autoras do relatório.

        Ela estima que cerca de 2 bilhões de seres humanos não têm acesso a alimentos limpos e nutritivos. Em todos os continentes, a privação é mais aguda para as mulheres do que entre os homens. Mesmo na Europa e América do Norte, 8% da população enfrenta insegurança alimentar.

        A maioria dos famintos crônicos – 500 milhões –, que não têm comida suficiente, seja ela saudável ou não, vive na Ásia, contra 260 milhões na África, sobretudo subsaariana. “Na verdade, as desigualdades estão crescendo em mais da metade dos países do mundo”, aponta Holleman. “A fome é pior onde a desigualdade é alta.”

        [...]

        Segundo o World Wealth Report 2019, que pesquisa a riqueza no mundo, cerca de 18 milhões de pessoas possuem no mínimo 1 milhão de dólares. Contudo, se renda e terra arável são distribuídas desigualmente, podem ocorrer ondas de fome mesmo em países de média renda, como a Nigéria ou o Iraque.

        [...]

Tim Schauenberg. Fome se alastra pelo mundo, diz relatório da ONU. DW, Mundo,15 jul. 2019. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/Fome-se-alastra-pelo-mundo-diz-relat%C3%B3rio-da-onu/a-49599020. Acesso em: 28 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 298.

Entendendo o artigo:

01 – Quais são as três causas principais da falta de acesso a alimentos no mundo, segundo a ONU?

      As causas fundamentais apontadas pelo relatório são os conflitos, a mudança climática e o déficit econômico.

02 – O que o relatório revela sobre a meta da ONU de erradicar a fome até 2030?

      O texto afirma que essa meta está longe de ser alcançada. Após uma década de progressos, o número de pessoas sofrendo de inanição crônica voltou a crescer nos últimos três anos, atingindo 820 milhões de pessoas.

03 – Como a desigualdade de gênero e a localização geográfica influenciam a insegurança alimentar?

      A privação alimentar é mais aguda entre as mulheres do que entre os homens em todos os continentes. Geograficamente, a maioria dos famintos crônicos vive na Ásia (500 milhões), seguida pela África (260 milhões), embora a insegurança alimentar também afete 8% da população na Europa e América do Norte.

04 – Qual é o impacto da fome especificamente na população infantil, de acordo com o fragmento?

      O relatório identifica que 149 milhões de crianças menores de cinco anos estão raquíticas devido à privação alimentar, o que demonstra as consequências físicas graves da desnutrição nos primeiros anos de vida.

05 – Qual é a relação estabelecida pelo texto entre desigualdade econômica e a fome?

      O texto destaca que a fome é pior onde a desigualdade é alta. Mesmo em países de média renda (como Nigéria ou Iraque), podem ocorrer ondas de fome se a renda e a terra arável forem distribuídas de forma desigual, evidenciando que o problema não é apenas a falta de riqueza global, mas como ela é repartida.

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: O MOVIMENTO VITAL EXPRESSIVO - FRAGMENTO - CLAUDIA VAZ PUPO DE MELLO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: O movimento vital expressivo – Fragmento

         Claudia Vaz Pupo de Mello

        Quem quando criança nunca foi vítima do que Maria Adela chama de “mandatos”, como: “Pare de chorar, homem não chora!” ou “senta direito, meninas têm que sentar com as pernas fechadas”. “Não faça isso, ou não fale isso, que é pecado”, entre muitos outros exemplos que poderiam aqui ser citados. Esses condicionamentos aos quais somos frequentemente submetidos são produto do processo de socialização e é a partir desse corpo tolhido de seu potencial expressivo, desconectado da sua presença enquanto unidade existencial é que construímos uma maneira de ser e estar no mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcjYG55bUQjgyJ23Mks38nOFzI3O5B7fZHhWz1WklDh0yxmDovfTBnEhhz5W-0kJ02CTLpXzT0kOOEf9QZkG0yDgC7NzTgd7FYPSu-M2NeCCCCeQyEU0Ep5iE_8rCFZ8p5m9aVoTbiPcRX-zKM753OnZ3PDGPvI6nbHzvdv4rlxfjMEkQyNvd1QhT0anI/s1600/MOVIMENTO.jpg


        [...], podemos dizer que na nossa cultura ocidental há uma valorização do conhecimento intelectual, dos aspectos cognitivos e do pensamento, sobre o conhecimento adquirido através das experiências corporais, como se não houvesse nenhuma relação entre eles, o que favorece a fragmentação do ser humano, delegando ao corpo um lugar menos privilegiado.

        Tais privações a que o corpo é submetido desde criança, nos impedem de ter uma consciência do corpo que se move, gerando travas corporais, tanto pelos conteúdos emocionais não expressos corporalmente, quanto pela falta de liberdade em mover as articulações e explorar a potência de nossos músculos. Tudo isso reduz a confiança no próprio corpo e pode criar estados de impotência, insegurança, fragilidade, além de problemas posturais, quadros álgicos e limitações físicas.

        [...].

MELLO, Claudia Vaz Pupo de. O movimento vital expressivo – sistema Rio Abierto na atenção primária em saúde: percepção dos usuários. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual de Campinas, 2012.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 71.

Entendendo o artigo:

01 – O que a autora define como "mandatos" e como eles afetam as crianças?

      Os "mandatos" são ordens e condicionamentos sociais (como "homem não chora" ou "menina senta com as pernas fechadas") que toalham o potencial expressivo da criança, desconectando-a de sua unidade existencial e moldando uma forma limitada de estar no mundo.

02 – Segundo o texto, qual é a característica da cultura ocidental em relação ao conhecimento?

      A cultura ocidental valoriza excessivamente o conhecimento intelectual, os aspectos cognitivos e o pensamento, em detrimento do conhecimento adquirido através das experiências corporais.

03 – Quais as consequências da fragmentação entre o pensamento e a experiência corporal?

      Essa fragmentação favorece a desvalorização do corpo, relegando-o a um lugar menos privilegiado e tratando-o como se não houvesse relação entre a mente e as vivências físicas do ser humano.

04 – De que maneira as privações corporais sofridas na infância afetam a vida adulta?

      Elas impedem que o indivíduo desenvolva consciência sobre o próprio movimento, gerando "travas corporais" causadas tanto por emoções não expressas quanto pela falta de liberdade física para explorar a potência dos músculos e articulações.

05 – Quais problemas de saúde e psicológicos podem surgir a partir da redução da confiança no próprio corpo?

      A falta de confiança corporal pode criar estados de impotência, insegurança e fragilidade, além de causar problemas físicos concretos, como desvios posturais, quadros álgicos (dores) e limitações físicas gerais.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: CURTA-METRAGEM E A EXPERIMENTAÇÃO DA LINGUAGEM - CLAUDIA DA NATIVIDADE - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Curta-metragem e a experimentação da linguagem

        Antes de entrar propriamente no tema deste artigo, “O curta-metragem como espaço de experimentação de linguagem”, é importante entendermos o que é o objeto desta análise. O curta-metragem é, para todos os efeitos, um filme, uma forma breve de expressão audiovisual, com início, fim, unidade temática e com uma altíssima coerência e coesão interna. Essa primeira definição afasta imediatamente o conceito muitas vezes difuso de que o curta-metragem seria uma parte menor de um longa-metragem ou de que seria uma preparação, um primeiro experimento narrativo para um filme de maior duração.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgCk9X_JsZRbv4uUkayqqPO22Jo-NjEVOjDQXhVAkd25k7fOq3So94Ls9aWvYD8cYfAtw3eXsd0UdRZyFCV1-Gqkrui8cdEILe2yNjNQvurRGsTJDjg-T3C_IsX-yMK0T36rHsNM-XL__UI74ys49AjRrMLk-VXFF8D-EOJ4pPldqnHdKtDB75ytbIKgFI/s320/artigo.png


        Uma segunda maneira de entender o curta-metragem em sua natureza é sua duração. O curta-metragem tem uma duração diferente daquela comumente utilizada em um filme de mercado ou que poderia potencialmente ser distribuído através de estruturas comerciais convencionais, como as salas de cinema. O curta-metragem costuma ter uma duração de aproximadamente 15 minutos. Contudo, considerando o standard internacional para esse tipo de produção, não é errado afirmar que são considerados curtas-metragens filmes de até trinta minutos de duração.

        A percepção temporal do curta-metragem, unida à consciência dos realizadores de que a difusão dessa forma breve de expressão se dará por meios não convencionais, são as principais características de diferenciação e de autonomia dessa forma de expressão.

        Em outras palavras, não sendo o curta-metragem desde sua essência um filme realizado para o mercado tradicional de distribuição, abrindo-se, nesse modo de expressão, um espaço potencial para a entrada do novo, do próprio, da experimentação, do ousado em relação às formas mais tradicionais de narração e de linguagem já estabelecidas e testadas nos longas-metragens e no cinema comercial.

        Essa experimentação acontece no curta-metragem desde o momento de escritura do roteiro, que se diferencia muito daquela normalmente utilizada nos filmes longos, onde muitas vezes os momentos descritivos da estória são bastante acentuados e onde as subtramas constituem parte integrante da narrativa. No curta-metragem, diferentemente, precisa-se buscar a concisão e a síntese narrativa, muitas vezes criando momentos ininterruptos de tensão para contar com objetividade e simplicidade a estória do filme.

        Por essa necessidade de abordagem direta, tanto os roteiristas quanto os diretores e, inclusive, os montadores de curtas-metragens podem se apropriar de novos conceitos, de novos modos de expressão artística, podem por vezes explorar novas tecnologias e, com isso, ousar.

        Outra característica de grande parte dos curtas-metragens – e que acaba sendo um interessante modo de experimentação – são os próprios limites produtivos da obra. O curta-metragem é, em muitos casos, realizado com recursos muito mais modestos daqueles de uma produção mais longa, e com algum potencial de distribuição em mercados tradicionais. Essa característica pode contribuir para que se encontrem alternativas de execução da obra fora do padrão convencional, o que muitas vezes pode até mesmo inovar e criar novos estilos narrativos e de linguagem.

        Finalmente, vale lembrar que o curta-metragem é em muitas situações uma janela de possibilidade de entrada de novos talentos e de novos profissionais para o mercado audiovisual. Com isso, não quero afirmar que o curta-metragem se resume a um rito de passagem, a uma escola ou aprendizado para um modo mais profissional ou mercadológico de produção audiovisual. De fato, aquilo que importa quando percebemos o curta como laboratório de formação de novos realizadores é que, em sua maioria, estes novos realizadores são jovens, imbuídos de uma liberdade que se expressa nas telas, e que muitos destes jovens são talentosos e permanecem ainda com o frescor e a audácia suficientes para ousar, propor, subverter, desconstruir e muitas vezes inovar modelos estabelecidos.

        Claudia da Natividade é roteirista e produtora de Cinema. Com formação em Ciências Humanas, foi produtora executiva e roteirista de Estômago, dirigido por Marcos Jorge, e do premiado documentário O Ateliê de Luzia – Arte Rupestre no Brasil.

NATIVIDADE, Claudia da. Curta-metragem e a experimentação da linguagem. Revista SescTV, n. 84, mar. 2014. Disponível em: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/7399_CURTAMETRAGEM+E+A+EXPERIMENTACAO+DA+LINGUAGEM. Acesso em: 11 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 126-127.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto define a estrutura interna de um curta-metragem?

      O texto define o curta-metragem como um filme completo, uma forma breve de expressão audiovisual que possui início, fim, unidade temática e uma altíssima coerência e coesão interna.

02 – Qual conceito comum sobre o curta-metragem a autora busca afastar logo no início do artigo?

      Ela afasta a ideia de que o curta seria uma "parte menor" de um longa-metragem ou apenas uma preparação/experimento narrativo para um filme de maior duração, defendendo sua autonomia como obra.

03 – Qual é a duração considerada padrão (standard internacional) para que uma produção seja classificada como curta-metragem?

      Embora costumem ter cerca de 15 minutos, o padrão internacional considera curtas-metragens os filmes que possuem até trinta minutos de duração.

04 – Por que o curta-metragem é considerado um espaço potencial para a experimentação e para o "novo"?

      Porque, em sua essência, o curta não é realizado para o mercado tradicional de distribuição comercial. Essa independência das estruturas convencionais permite aos realizadores ousar em relação às formas tradicionais de narração.

05 – Como a escrita do roteiro de um curta-metragem se diferencia da escrita de um longa-metragem?

      Diferente dos longas, que possuem momentos descritivos acentuados e subtramas, o roteiro do curta, busca a concisão e a síntese narrativa, focando em objetividade, simplicidade e momentos de tensão ininterrupta.

06 – De que maneira as limitações de recursos (limites produtivos) podem ser benéficas para a linguagem do curta?

      Como são realizados com recursos modestos, os curtas forçam a busca por alternativas de execução fora do padrão convencional, o que pode acabar gerando inovação e novos estilos narrativos.

07 – Qual é a importância da entrada de novos talentos (jovens realizadores) para a natureza do curta-metragem?

      A importância reside no fato de que esses novos realizadores geralmente possuem liberdade, frescor e audácia para subverter, desconstruir e inovar modelos já estabelecidos no cinema, funcionando como um "laboratório" de criação.