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sábado, 17 de outubro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: SAPOS, RÃS, PERERECAS E CIÊNCIA CIDADÃ - FRAGMENTO - JOÃO LACERDA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Sapos, rãs, pererecas e ciência cidadã – Fragmento

         João Lacerda

        Tem gente que tem paixão por flores, por selos, por passarinhos ou por… sapos! Sapos? Sim, por sapos. Ou melhor, por anfíbios em geral. Acontece com algumas pessoas que escolhem a biologia como profissão. Mas esse interesse pode acontecer também entre crianças. E essa curiosidade apaixonada pode resultar em bons projetos e em ciência cidadã! Já ouviu falar? Acompanhe esta história…

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjEXpZTKvjUWP6-jHxGeir6oAroh3PsgrHUFrFgW94TnllWQBFQfP8PeO8-n0XEQnTLddPvZXTF9XjLL_e8DJ1RBC6egVAXFUOV6k0WL3FTc6DtVuwdGAWIeGtrUoxAVTk7-iBIQqja1ydy461WV4hMn3eqPoYzpoDBUxXcRWjvf6eucwEzL2J3yHc33bk/s320/images.jpg 


        [...]

        De repente, um toc-toc-toc à noite, perto do brejo, chama a atenção. “Quem bate?” Na verdade, a pergunta deveria ser: “quem coaxa?”, porque o som é típico da perereca-martelo. Na sequência, ouve-se um “fiu-fiu-fiu”. Seria um passarinho caído da árvore? Que nada! É a rãzinha-assobiadora, que não se contém de alegria depois de um banho de chuva.

        Os anfíbios têm cantos característicos para diferentes situações – reprodução, defesa, ataque, alimentação… E cada espécie possui um coaxo exclusivo, só dela! Por isso, especialistas em anfíbios conseguem saber quem está coaxando com alguma facilidade.

        Mas nem só de encantamento com coaxos vivem esses profissionais. Diversos estudos na área demonstram que, sem os anfíbios, nossas casas, quintais e plantações teriam muito mais formigas, mosquitos, aranhas e escorpiões. Isso porque esses animais são a base da alimentação de sapos, rãs e pererecas, isto é, dos anfíbios.

        [...]

Habilidade EF69LP54.

LACERDA, João V.; GUILARDI-LOPES, Natalia P. Sapos, rãs, pererecas e ciência cidadã. Ciência Hoje das Crianças, Rio de Janeiro, nº 353, abr. 2024. Disponível em: https://chc.org.br/artigo/sapos-ras-pererecas-e-ciencia-citada/. Acesso em: 26 maio 2026.

Fonte: Mapas de Progresso. Língua Portuguesa: 7º ano. Ensino Fundamental. Anos Finais. 3º bimestre. SEDUC. Rio de Janeiro, 2026. p. 04.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, o interesse apaixonado por anfíbios pode surgir em quais perfis de pessoas e qual impacto positivo essa curiosidade pode gerar?

      O interesse por anfíbios pode surgir em pessoas que escolhem a biologia como profissão, mas também em crianças. Essa curiosidade apaixonada é capaz de resultar no desenvolvimento de bons projetos e no fortalecimento da ciência cidadã.

02 – O texto descreve os sons "toc-toc-toc" e "fiu-fiu-fiu" ouvidos perto do brejo. A quais animais o autor atribui esses barulhos e como eles são produzidos?

      O som "toc-toc-toc" é atribuído à perereca-martelo (que coaxa com esse som característico). Já o som "fiu-fiu-fiu" pertence à rãzinha-assobiadora, que emite esse canto de alegria após tomar um banho de chuva.

03 – Por qual motivo os especialistas em anfíbios conseguem identificar com facilidade qual animal está coaxando em determinado local?

      Eles conseguem identificar os animais porque cada espécie de anfíbio possui um coaxo exclusivo e característico para diferentes situações cotidianas, como reprodução, defesa, ataque e alimentação.

04 – Qual é a importância ecológica e prática dos sapos, rãs e pererecas para o cotidiano humano (casas, quintais e plantações), segundo os estudos citados no texto?

      Os anfíbios desempenham um papel fundamental no controle biológico de pragas e pequenos invertebrados, pois formigas, mosquitos, aranhas e escorpiões formam a base de sua alimentação. Sem eles, haveria um aumento excessivo desses insetos e aracnídeos nesses ambientes.

05 – O título do texto une dois conceitos: os anfíbios ("Sapos, rãs, pererecas") e a "ciência cidadã". Com base na introdução, como esses dois temas se relacionam no artigo?

      Eles se relacionam no fato de que o interesse e a curiosidade do público geral (incluindo crianças e não cientistas) por anfíbios podem ser canalizados para ajudar na coleta de dados, na observação da natureza e na preservação da biodiversidade, transformando o encantamento popular em colaboração direta com a pesquisa científica (ciência cidadã).

 

 

 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: OS FALSÁRIOS QUE ENGANAM A CIÊNCIA - FRAGMENTO - ANA SANTA CRUZ - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Os falsários que enganam a ciência – Fragmento

        Ana Santa Cruz

        O maior vexame para um cientista é reconhecer ter sido engabelado por uma fraude. Estão nessa situação os paleontólogos Xing Xu, do Instituto de Paleontologia Vertebrada e Paleoantropologia de Pequim, e Philip Currie, do Museu de Paleontologia de Alberta, no Canadá. Há duas semanas, a prestigiada revista científica inglesa Nature demonstrou de modo categórico que ambos fizeram papel de bobo, Xing e Currie são autores da descrição de um dos fósseis mais sensacionais já descobertos, o Archaeoraptor liaoningensis. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgE_v966xWiHoDCQJqGHi_sKE8YdqUdns5f8YSbIgHaSGIvdfVTCKo1aFF_3FWdhFoiqgimHgMruYoQ5-PYDnxnbidRVwSqVP4fcJW9l_GmqmBY6YpfKvRO77XrksyL60a1sUCtXQjhUi9sDdLQ2wtTgNqklCA3lG72P6708gFFoZCIAUjeGBwmeduZRc0/s320/images.jpg


Os ossos comprovariam nada menos que os pássaros atuais realmente descendem dos dinossauros. A Nature demonstrou que, longe de ser o avô dos passarinhos, o objeto de estudo é apenas uma peça forjada por vigaristas vulgares. A revelação não só carbonizou a reputação dos dois paleontólogos como também chamuscou outra sólida instituição do mundo da ciência, a revista americana National Geographic, da centenária National Geographic Society, cuja versão em português é produzida pela Editora Abril. Há pouco mais de um ano, a National Geographic colocou na capa uma recriação artística do animal e deu-lhe crédito como o elo perdido entre répteis e aves.

        A fraude do Archaeoraptor é exemplar de como cientistas sérios e publicações respeitáveis podem se enganados por espertalhões no competitivo universo da paleontologia. O autor do estudo publicado na Nature, o especialista Timothy Rowe, da Universidade do Texas, submeteu o fóssil a uma tomografia computadorizada e provou que a teoria do elo perdido dinossauro-ave não passa de um quebra-cabeça de 88 peças montadas por agricultores chineses co pedaços de fósseis variados. [...]

Ana Santa Cruz. Revista Veja. São Paulo, Editora Abril, 11 abril 2001. p. 112.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 64.

Entendendo o artigo:

01 – Qual foi a principal descoberta/revelação apresentada pela revista Nature e de que forma ela impactou a comunidade científica citada no texto?

      A revista Nature revelou de forma categórica que o fóssil Archaeoraptor liaoningensis — apontado como o "elo perdido" que comprovaria que as aves descendem dos dinossauros — era, na verdade, uma fraude. O impacto dessa revelação foi devastador: comprometeu gravemente a reputação dos paleontólogos Xing Xu e Philip Currie, autores do estudo original, e abalou a credibilidade da prestigiada revista National Geographic, que havia destacado o fóssil em sua capa e dado crédito à teoria antes de sua comprovação definitiva.

02 – Como a fraude do fóssil Archaeoraptor liaoningensis foi fisicamente construída e posteriormente desmascarada?

      O fóssil falso foi confeccionado por agricultores chineses, que montaram uma espécie de "quebra-cabeça" composto por 88 peças de fragmentos de fósseis variados. A fraude foi desmascarada pelo especialista Timothy Rowe, da Universidade do Texas, que submeteu a peça a uma análise detalhada por meio de tomografia computadorizada, provando a montagem artificial do objeto.

03 – No trecho "A revelação não só carbonizou a reputação dos dois paleontólogos como também chamuscou outra sólida instituição do mundo da ciência...", a autora utiliza figuras de linguagem (metáforas). Explique o sentido atribuído aos termos "carbonizou" e "chamuscou" no contexto.

      A autora utiliza metaforicamente termos ligados ao fogo para expressar graus de danos às reponsabilidades/reputações. O verbo "carbonizou" indica uma destruição profunda ou quase total, aplicada à reputação dos dois paleontólogos que assinaram o estudo falso. Já o termo "chamuscou" indica um dano superficial ou parcial, mas ainda assim visível e embaraçoso, aplicado à revista National Geographic, que, embora atingida em sua credibilidade, não teve sua imagem totalmente destruída como a dos pesquisadores.

04 – Qual é a tese principal que a autora busca defender ao apresentar a história do Archaeoraptor e quais elementos tornam esse universo propício a esse tipo de acontecimento?

      A tese da autora é a de que até mesmo cientistas sérios e veículos de comunicação altamente respeitáveis estão suscetíveis a cair em fraudes orquestradas por espertalhões ou vigaristas. Segundo o texto, esse cenário é favorecido pelo ambiente competitivo do universo da paleontologia, onde a busca constante por descobertas sensacionais (como o "elo perdido") pode cegar a análise rigorosa em favor do ineditismo.

05 – Aponte a crítica implícita ou explícita que o texto faz ao papel da imprensa especializada — representada no texto pela revista National Geographic — no tratamento de descobertas científicas.

      O texto critica o apressamento da imprensa especializada em divulgar descobertas de forma sensacionalista antes da devida validação e checagem pela comunidade científica rigorosa. A National Geographic colocou uma recriação do fóssil na capa e deu-lhe crédito como "elo perdido" baseando-se no apelo visual e no impacto da notícia, assumindo o risco de chancelar uma fraude e comprometendo sua própria credibilidade institucional.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: O QUE É O NAMORO - FRAGMENTO - MARTA SUPLICY - COM GABARITO

 Artigo de opinião: O que é o namoro – Fragmento

        Marta Suplicy

        O namoro é o primeiro passo para a vida afetiva a dois. Essa época pode ser muito boa, cheia de descobertas e emoções novas. Ao mesmo tempo, algumas vezes você poderá ter dificuldade em entender os seus sentimentos e as atitudes dos outros. Poderá se encantar por alguém e daí a alguns dias nem entender como isso aconteceu. É possível que você se envolva perdidamente com uma pessoa e algum tempo depois esteja profundamente apaixonado(a) pro outra.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiaNM7nw1R2ErWbyiMWyEekYAa5F9zYuqgMuuNLrSukn07VUVquhdHDm19vRqMZE4quTHdf2UzmOzjTd9nXcpoKfnPopfMLIthnVXuGNteZiuIzWHmWbIr5cXFCTDTGhLrjge5shCvtm_6pyv-YpRGFzOee8K6j3rtMLIaoy471OnFPyNTzR5sHE5RSc68/s1600/images.jpg


        Outras vezes, você inicia um namoro com tal envolvimento, que até os amigos e a turma são abandonados enquanto dura o romance. Não é que você seja irresponsável ou que essas paixões sejam maluquices. Elas fazem parte da adolescência. Também é natural que você se apaixone por alguém que nunca viu pessoalmente, ou que nunca prestou atenção em você.

        A intensidade dos sentimentos e a rapidez com que essas emoções se transformam dificilmente serão vividas na vida adulta. Como tudo na adolescência fica exagerado, só com o tempo você perceberá que fazem parte da vida algumas situações que parecem trágicas: levar um “fora” do namorado, ou um “não” da menina que o atrai, ou sobrar numa festa.

        Você não vai conquistar todas as pessoas que desejar e verá que isso não significa que você é melhor ou pior como ser humano.

        [...]

Marta Suplicy. Sexo para adolescentes. São Paulo, FTD, 1998. p. 90.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 79.

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, de que maneira o namoro é conceituado e quais são os aspectos positivos e desafiadores dessa experiência?

      O namoro é conceituado pela autora como o primeiro passo para a vida afetiva a dois. O aspecto positivo dessa fase é que ela pode ser uma época muito boa, marcada por descobertas e emoções novas. Por outro lado, o lado desafiador reside na dificuldade que a pessoa pode ter para compreender os próprios sentimentos, lidar com a volatilidade das paixões e interpretar as atitudes do outro.

02 – A autora menciona condutas comuns na juventude, como a mudança rápida de paixões ou o afastamento dos amigos durante um relacionamento. Como ela avalia e justifica esses comportamentos?

      Marta Suplicy avalia que esses comportamentos não devem ser vistos como irresponsabilidade ou "maluquice". Ela os justifica esclarecendo que fazem parte do processo natural da adolescência, período no qual o jovem está aprendendo a se relacionar e lidando com emoções intensas e transformações afetuosas aceleradas.

03 – Qual é a principal diferença apresentada no texto entre a vivência das emoções na adolescência e na vida adulta?

      A principal diferença é a intensidade e a velocidade de transformação dos sentimentos. Na adolescência, tudo é vivido de forma exagerada e com rápida transição emocional, algo que dificilmente será experimentado com a mesma proporção ou dinamismo na fase adulta.

04 – O texto cita eventos como levar um "fora", receber um "não" ou "sobrar" em uma festa. Como a autora desconstrói o peso dramático dessas situações?

      A autora desconstrói o peso dramático ao explicar que, embora na adolescência essas rejeições pareçam situações trágicas devido ao exagero típico da idade, com o tempo compreende-se que elas fazem parte da vida. Ela reforça que não conquistar todas as pessoas desejadas é algo natural e não define o valor ou a qualidade de alguém como ser humano.

05 – Qual é a ideia central (tese) que a autora busca transmitir ao leitor adolescente sobre as frustrações amorosas e a construção da autoestima?

      A ideia central é a de que as frustrações e rejeições afetivas são inevitáveis e normais no aprendizado relacional. A autora busca mostrar ao adolescente que o insucesso em uma conquista amorosa não é um indicativo de inferioridade ou de incapacidade pessoal, devendo ser encarado com amadurecimento e sem abalar a autoestima.

domingo, 11 de outubro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: COZINHA DOS IMIGRANTES - FRAGMENTO - MARINA HECK E ROSA BELLUZZO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Cozinha dos imigrantes – Fragmento

       Marina Heck e Rosa Belluzzo

        [...]

        Meu pai era da família Mattar e minha mãe, da família Haiek. Eles se conheceram em São Paulo. Na época, os imigrantes vinham praticamente sem nada. O pessoal se reunia, alugava uma casa grande e cada um dava o que podia para pagar o aluguel, além de se ajudar mutuamente com as outras despesas. Eu já não me lembro com certeza, mas parece que meu pai foi morar na casa da família de minha mãe. E lá se apaixonou por ela.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj-kILqH2YRxith4uZkNUAy7yPWRAa41GVuzCXbHJdpURf7ZdanwWodedP1LedtnkMP9cJL_xexfwwD9JnYS8-MoJEH1ObJtLlqEs6tRdtgGo6kTTDJsxhlSnigEk1pztY22KsyEFnNbsAMaZcO9FFSj0KM7FOpnGYmf10zyIENKylh2eXFtWiPDOoEIMs/s320/images.jpg


        Por não ter o menor tino comercial, meu pai se tornou professor aqui no Brasil, valendo-se do que aprendeu no seminário. Primeiro, lecionou em um colégio árabe já existente em São Paulo. Mais tarde, quando a vida melhorou, abriu sua própria escola. No início, ela se chamou Colégio Moderno Sírio e, depois, Ginásio Nacional de Ciências e Letras. Nós sempre moramos no colégio, que ficava na rua São Joaquim (bairro da Liberdade), onde é atualmente o Hospital Santa Helena.

        [...] No Ginásio Nacional de Ciências e Letras havia um grande refeitório para os alunos, professores e também a nossa família. Eu me lembro que a refeição era mista, com arroz e feijão e alguns pratos árabes. Meus pais sempre preservaram a cultura árabe, tanto na culinária quanto nos ensinamentos da língua e dos costumes.

        [...]

In: Marina Heck e Rosa Belluzzo. Cozinha dos imigrantes – memórias & receitas. São Paulo, DBA/Melhoramentos, 1999. p. 152.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 164.

Entendendo o artigo:

01 – Como o texto descreve a estratégia de sobrevivência e apoio mútuo adotada pelos imigrantes ao chegarem a São Paulo?

      O texto relata que, como os imigrantes vinham praticamente sem recursos, eles se uniam para alugar uma casa grande em conjunto. Cada um contribuía com o que podia para o aluguel e despesas gerais, estabelecendo uma rede de solidariedade e acolhimento mútuo fundamental para a adaptação no novo país.

02 – De que maneira a trajetória profissional do pai do narrador foi moldada pela sua falta de "tino comercial" e pelo conhecimento prévio adquirido em sua terra de origem?

      Por não levar jeito para o comércio, o pai recorreu aos conhecimentos adquiridos em seu período no seminário para se tornar professor no Brasil. Ele começou lecionando em uma escola árabe já estabelecida em São Paulo e, com a melhoria de sua condição financeira, fundou sua própria instituição de ensino (o Colégio Moderno Sírio, mais tarde Ginásio Nacional de Ciências e Letras).

03 – Como o trecho evidencia a integração entre a cultura brasileira e a identidade cultural dos imigrantes por meio da alimentação cotidiana?

      A integração é evidenciada no refeitório do ginásio, onde serviam refeições "mistas", combinando a base da culinária brasileira (arroz e feijão) com pratos tradicionais árabes. Isso demonstra a convivência harmoniosa entre a assimilação dos hábitos locais e a preservação das origens.

04 – Quais eram os pilares mantidos pelos pais do narrador para garantir a preservação da memória e da identidade cultural árabe no ambiente familiar?

      Os pais mantinham a cultura viva por meio da culinária (preparo e consumo de pratos típicos), do ensino da língua e da transmissão dos costumes e tradições originais para os filhos no dia a dia.

05 – Qual é a relação espacial identificada pelo narrador entre a moradia da família e a vida profissional do pai, e onde se localizava essa estrutura na cidade de São Paulo?

      A família morava no próprio colégio administrado pelo pai. A instituição e a residência ficavam na Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade, em São Paulo — local onde posteriormente passou a funcionar o Hospital Santa Helena.

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: OS MENINOS DO BRASIL - CLÓVIS ROSSI - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Os meninos do Brasil

         Clóvis Rossi

 

        SÃO PAULO – Primeiro, foi o "arrastão" nas praias do Rio. Logo depois, nas praias de Fortaleza. Um pouco mais adiante, na festa do Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Desceu, em seguida, para a praça da Sé em São Paulo. Chegou ontem a Londrina, no norte do Paraná, cidade em que uma dúzia de lojas foi "arrastada" por bandos de menores movidos a cola de sapateiro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhx-jUCykB2LfiYYHoM-4SwUUQ_VclhwwqompXW0uK8oPy6qejAoc1a14XpYRe7hbwU1ypKe4B3Yo3bF8SCABk_hyzJKzDjyp9_yOesYtyLcqRBIo6A9dWX14qaCRtAMhxqxcywlXbFiLB0Q3yg2px7zDao3gSKMi6o8i5VK3g76AA497B-MpfPpNz8m8Q/s320/images.jpg


        Vê-se que já não dá sequer para o tolo conformismo de achar que essa espécie de guerrilha urbana está restrita aos grandes centros, depósitos habituais de todos os problemas do subdesenvolvimento. Londrina parece ser apenas uma dessas cidades médias abençoadas pela alta qualidade de vida interiorana.

        É evidente que deve haver, nessa onda de "arrastões", um pouco de modismo. O pessoal vê pela televisão um grupo "arrepiando bacanas" no Rio de Janeiro e resolve fazer a mesma coisa na sua própria cidade. Copiar comportamentos alheios, muito divulgados pela mídia, é um fenômeno até certo ponto corriqueiro.

        O problema é que a matéria-prima para a repetição dos "arrastões" sobra no país. O Brasil, que sempre foi exemplo extremo de má distribuição de renda, tornou-se selvagem nestes muitos anos de estagnação econômica. Se há alguma indústria nacional que não sofre os efeitos da recessão é a fábrica de produzir miseráveis e marginalizados. Da marginalização à marginalidade e dela à brutalidade, a distância costuma ser curta.

        Consequência inevitável; os "bacanas" já estão todos arrepiados. Pior: tornam-se cada vez mais inúteis os discursos sobre a miséria, sobre a infância desamparada, sobre as injustiças sociais. A fábrica de produzir retórica sobre essa temática é, aliás, outro setor que não entrou em recessão.

        Seria altamente conveniente que admitíssemos de uma vez por todas que estamos, todos, desequipados para agir, em vez de discursar a respeito. Não é um problema que se possa resolver apenas por meio do poder público. Não é um problema que a filantropia de meia dúzia vá sequer atenuar. É uma guerra. Não serve de consolo saber que produziu poucas vítimas fisicamente até agora. Todo o país é vítima quando seus "bacanas" começam a odiar os meninos do Brasil.  

Folha de S. Paulo, 30/10/92.

Entendendo o artigo:

01 – O autor cita eventos em praias do Rio, Fortaleza, Belém, São Paulo e Londrina. Qual a intenção do autor ao mapear essa sequência de acontecimentos?

      Demonstrar que os "arrastões" e a violência praticada por jovens marginalizados deixaram de ser um fenômeno exclusivo dos grandes centros urbanos e se espalharam pelo país, atingindo até mesmo cidades médias conhecidas pela boa qualidade de vida.

 

02 – Segundo Clóvis Rossi, qual é o papel da mídia e da televisão na expansão dos "arrastões"?

      A mídia atua como um difusor de comportamentos (um "modismo"). Ao divulgar exaustivamente os episódios ocorridos nas grandes metrópoles, estimula a cópia da ação por grupos de jovens em outras regiões do país.

 

03 – O que o autor quer dizer com a metáfora "a fábrica de produzir miseráveis e marginalizados" e qual sua relação com a estagnação econômica?

      A metáfora indica que a desigualdade, a má distribuição de renda e a crise econômica geram continuamente uma massa de pessoas na extrema pobreza. A falta de oportunidades (marginalização) aproxima esses jovens da criminalidade (marginalidade) e da violência.

 

04 – Qual é a crítica que o jornalista faz em relação aos discursos e às tentativas tradicionais de solução para o problema social da infância desamparada?

      O autor critica a "fábrica de produzir retórica", afirmando que os discursos políticos e teóricos tornaram-se inúteis e vazios. Além disso, aponta que o problema não será resolvido apenas pela ação isolada do poder público ou pela filantropia pontual de poucos.

 

05 – Por que o autor afirma no final do texto que "todo o país é vítima" dessa situação, mesmo quando há poucas vítimas físicas nos episódios?

      Porque o avanço da violência e da desigualdade corrói o tecido social, gerando um ambiente de medo e ruptura moral em que a elite (os "bacanas") passa a cultivar o ódio e o preconceito contra os jovens pobres (os "meninos do Brasil").

 

 

ARTIGO PESSOAL: VELHO CANIVETE - FRAGMENTO - DENIS RUSSO BURGIERMAN - COM GABARITO

 Artigo pessoal: Velho Canivete – Fragmento


        Já ganhei vários presentes. [...]

        Mas acho que, se alguém me forçasse a escolher o melhor presente que já recebi, eu ficaria mesmo com o canivete suíço que meu pai me deu 11 anos atrás. Não é um canivete qualquer: é daqueles gordos, com dezenas de ganchinhos, serrinhas, lâminas. Com caneta, pinça, lupa, tesoura, alicate. Ele ainda veio num estojo de couro, com lápis, pedra de amolar, band-aid, kit de costura, lixa. E um espelhinho acompanhado de um papel com o código morse – sim, para eu me comunicar refletindo a luz do sol em caso de naufrágio, ou terremoto, ou tsunami, sei lá.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbUV1qCrZfOYdHtiyQh4oakw2pgDzDN6Z-TpPaVJJSwXznRNF4rGNMT5-5qrHdc0vLFE0xWS8YeL3c4_ddGVdjdnZ5cqLhLazpA7MnYiglcjCEIA2VmsSNNo2_97ulwLuNjLjZTs-bJRLeLBjMlOZWTag7Qz7Vn8wDJOgh2-nelQkxqmg8VDyfcRlQqzM/s320/images.jpg


        O canivete já me salvou de várias [...]. Ele já passou por boas, e isso fica claro quando se mexe nele. As articulações já não são tão suaves, as molas endureceram, muitas peças estão tortas e não encaixam direito. A caneta sumiu, os band-aids suíços acabaram, as agulhas de costura estão com as pontas pretas de tanto serem colocados na chama para esterilizar antes de serem usadas para extrair espinhos. Apesar de ser de aço inox, há marcas de ferrugem por toda parte. Enfim, tudo nele dizia “está na hora de comprar um canivete novo”.

        Pois é, hoje em dia existem canivetes espetaculares, até com recursos eletrônicos (lanternas, pen drives e sei lá mais o quê). Aí comecei a lembrar a origem daquelas marquinhas – e cada uma delas me transportou para um lugar diferente. Cada uma era prova de que aquele canivete viveu. De que ele abriu latas, serrou cabos de aço, lixou unhas quebradas, aparou minha barba, arrombou portas, consertou bicicletas, tapou buracos de botas, ajustou óculos. De que ele esteve em todos os cantos do mundo e tomou banho de mar, de óleo de peixe em conserva, de molho de tomate, de vinho vagabundo. E me lembrei de quando ganhei o canivete de presente: eu estava de saída para a minha primeira longa temporada fora de casa – nove meses na estrada de mochila nas costas – e, como meu pai não podia ir comigo, aquele foi o melhor jeito que ele teve de me dizer “quer uma força?”

        Fui buscar uma escova de dentes velha e uma lata de querosene e comecei a limpar as entranhas dele. Foram umas duas horas de trabalho, esfregando, desentortando, enxugando. Não dá para dizer que o canivete ficou novo – as marcas continuam lá, e vão continuar sempre. Mas acho que ele está pronto para a próxima.


Denis Russo Burgierman. Vida Simples, nº 56. Editora Abril.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a importância afetiva e simbólica do canivete suíço para o narrador em comparação com os outros presentes que ele já ganhou?

      O narrador destaca que, embora tenha ganho vários presentes ao longo da vida, o canivete suíço dado por seu pai há 11 anos é o seu favorito. O valor do objeto vai muito além de sua utilidade material; ele carrega um significado simbólico profundo. O canivete representou o apoio e a presença paterna no momento em que o narrador se preparava para a sua primeira longa temporada fora de casa (nove meses na estrada de mochila). Sendo um presente enviado por um pai que não podia acompanhá-lo fisicamente, o canivete funcionou como uma forma tangível de dizer: "quer uma força?".

 

02 – De que maneira o estado físico do canivete reflete as experiências vividas pelo narrador ao longo dos anos?

      O desgaste físico do canivete (com articulações rígidas, peças tortas, marcas de ferrugem, agulhas com pontas pretas e a ausência de alguns acessórios originais) serve como um registro material da história de vida do narrador. Cada marca, arranhão ou defeito é o testemunho de uma situação real vivida: as aventuras pelo mundo, os consertos de bicicletas, o arrombamento de portas, a extração de espinhos e o contato com os mais diversos elementos (mar, óleo de peixe, molho de tomate, vinho). Em vez de defeitos descartáveis, os desgastes transformam-se em memórias visíveis de que o objeto "viveu".

 

03 – Por que o narrador reflete sobre a possibilidade de comprar um canivete novo e o que o faz mudar de ideia?

      O narrador considera comprar um canivete novo porque o objeto atual aparenta estar desgastado e obsoleto — especialmente diante de modelos modernos e tecnológicos disponíveis no mercado (com lanternas e pen drives). No entanto, ele muda de ideia ao olhar para as marcas de uso e lembrar a origem de cada uma delas. Ao perceber que cada imperfeição carrega uma lembrança e prova a utilidade e a parceria do objeto em todas as suas jornadas, o narrador ressignifica o desgaste: o que parecia sinal de descarte torna-se a identidade e a história do canivete.

 

04 – Qual é o significado da ação final do narrador (limpar e restaurar o canivete com querosene e uma escova de dentes) para o desfecho do texto?

      A ação de limpar o canivete simboliza um ato de cuidado, respeito e renovação de laços com o passado. Ao dedicar duas horas a esfregar, desentortar e enxugar o objeto, o narrador demonstra que não busca a perfeição ou a aparência de um item novo de fábrica, mas sim a preservação da essência e da história que o canivete carrega. O desfecho ("Mas acho que ele está pronto para a próxima") reforça a cumplicidade entre o dono e o objeto, mostrando que ambos continuam preparados para enfrentar novas jornadas.

 

05 – O texto apresenta características típicas de um artigo pessoal (ou crônica de memória). Como a escolha do tom e da linguagem contribui para envolver o leitor?

      O texto utiliza um tom confessional, intimista e coloquial, criando uma sensação de proximidade com o leitor. O uso de expressões cotidianas e reflexões pessoais (como "sei lá", "Pois é" e a descrição bem-humorada de itens como o kit de sobrevivência com código morse) humaniza o narrador. Essa linguagem descontraída, aliada a descrições sensoriais detalhadas (o cheiro, o tato, as marcas visuais), transforma um objeto banal do dia a dia em uma metáfora emocionante sobre o tempo, a memória e as marcas que a vida deixa em nós.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: UM RELATO VERÍDICO DE UMA CIDADÃ - IVANILDES SILVA - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: Um relato verídico de uma cidadã

 

        Brasília pede socorro – Ivanildes Silva

 

        Domingo, noite de 14 de outubro de 2012, centro da cidade de Brasília, W3 Sul, Setor Comercial Sul. Eu e minha filha ao retornarmos de um passeio que julgava ser promissor, experimentamos os momentos de medo e terror em pleno centro da capital, a alguns metros da Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes. A volta para casa tinha tudo para terminar bem, porém não foi bem assim.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiWcWedg4PGVCeahlpE32K2XDfeCVL-o_cx-HBEpm4KGpOIE9e_DZ1KtMwy_aky-G3VEl23ADirpLTn_BNYfi_7PGDS11fT96Ron2c0G7JfpPCUk-R8jgXthq44dYP9-8u8iSbMLSjy-gCjqlRaDQF9_jXDnMfgP7zpBhl2Jvgra2Z7GLfftWhOoozv-Is/s320/images.jpg


        Viemos de um shopping, perto da Nova Rodoviária. A Estação do Metrô fechou às 19 horas e foi necessário pegar um transporte para um local onde pudéssemos tomar outro até nosso destino final: Sobradinho. Perto da Nova Rodoviária, a parada de ônibus mal localizada, mal iluminada, e, na qual, embora estivesse uma placa de proibição de estacionamento, isso era desobedecido. Já que não havia fiscais para ordenar o tráfego no local, os passageiros ficaram no meio dos veículos estacionados. Tomamos o ônibus e a ideia era descer em um local mais seguro, pois em toda a extensão da W3 Sul, as paradas estavam vazias e escuras. A opção foi saltar em frente a um local mais movimentado e bem iluminado.

        Assim que descemos do ônibus na W3 Sul, entre as 20 e 20h30min, percebemos um clima não muito agradável. Justo bem em frente a um grande e famoso shopping, estavam ali meninas, meninos, homens, crianças, comercializando drogas, disputando o local de venda de “seus produtos” com os transeuntes e intimidando os passageiros que esperavam o ônibus. A parada de ônibus foi completamente ocupada por essas pessoas. Os bancos foram ocupados e nós ficamos em pé, tentando nos distanciar daquilo e todos juntos, como se estivéssemos agarrados a uma tábua como único meio de salvação num barco que lentamente naufragava.

        A Praça do Setor Comercial Sul, um dos endereços mais famosos de Brasília, tinha sido tomada por “comerciantes” de todas as idades, transformando-se em um shopping popular. Enquanto isso, temíamos acontecer algo de mais grave conosco. Além disso, o outro problema era a demora do ônibus. Foi aterrorizante, pois imaginávamos que, a qualquer hora, alguém tomasse ou arrebatasse nossos pertences e nosso dinheiro. Toda hora vinha um pedir um trocado para comprar um lanche. Mas sabemos que aquela conversa era “para boi dormir”, pois, na verdade, queria angariar um dinheiro para alimentar seu vício. Isso era flagrante na feição do jovem. Quando um viu passar uma viatura, avisava aos demais que debandavam para as galerias do Setor Comercial Sul ou atravessavam para os arredores do shopping e se escondiam, momentaneamente, sabendo que nada aconteceria.

        Durante esses momentos de terror, nenhum carro da polícia parou ou fez alguma investida pelas imediações, o que nos causou espanto. Até os turistas sentiram-se intimidados com aquela situação e depois de longa espera, atravessavam no meio dos carros, em busca de um táxi em frente ao shopping. O comentário geral era que as ruas estavam entregues ao tráfico, assim como pairava um clima de tristeza, presenciando aquelas cenas terríveis. Muitos de nós nos lembrávamos de um passado não tão distante em que tínhamos a liberdade de transitar livremente pelo centro de Brasília em busca de diversão com nossas famílias. Logo depois, voltávamos tranquilamente para nossas casas, incólumes, no fim de semana.

        À medida que o tempo passava, todos iam se juntando ali num espaço pequeno, tentando se resguardar, assim como proteger a família: mulheres com crianças de colo, pessoas mais idosas, famílias, casais de namorados, jovens que saíram do shopping, assim como funcionários. Minha filha respirava forte e aflita, não só pelo que testemunhou como também pela demora do ônibus. Eu a acalmei, porém também estava também aterrorizada com o que via. Todos passavam pelo mesmo sentimento de terror e revolta. A perplexidade era enorme com o que víamos ali estampados em nossos olhos, em plena noite de domingo. O que dava mais medo era saber que o transporte demorava mais e o medo aumentava.

        Na tentativa de “fugir” daquele clima ameaçador, tivemos que pegar um ônibus até Rodoviária do Plano Piloto, a fim de encontrar o ônibus para Sobradinho. Mesmo assim, verificamos que, embora as ruas estivessem escuras, o local parecia mais tranquilo e seguro. Ali a ronda policial estava mais intensa e por isso, talvez, não tenhamos visto cenas deprimentes como as que vimos na W3 Sul. Toda hora passava uma viatura e o esquema ostensivo de policiais no local, diminuía o poder de ação dos infratores.

        Como cidadãos honestos que somos, pagamos altos impostos e taxas exorbitantes. Nessa hora, não temos o retorno disso, que ao menos se resumiria a uma ronda policial mais intensa, afastando aqueles indivíduos. Ao menos, poderiam zelar pela nossa integridade física e moral. Minha sensação de cidadã caiu por água a abaixo. O clima de insegurança da gente e a noção de impunidade daqueles menores e jovens infratores fazem com que as ruas sejam cada vez mais lotadas de gente como essa. Foi deprimente ver nossos familiares compartilharem esse clima de insegurança. Usuários fumavam ali mesmo, na W3 Sul, lugar central e privilegiado. Traficantes anunciavam e vendiam ao lado de demais pessoas. A quem recorrer? O que nos esperava?

        Apesar de a mídia divulgar, amplamente sobre a violência do centro da cidade, isto é, que as ruas de Brasília estão entregues aos meliantes, menores infratores e usuários de drogas, é difícil de acreditar. A ideia que temos é que há exagero nessas informações para ganhar pontos na audiência diária nas emissoras. Entretanto, o que vimos e passamos foi exemplo de que, realmente, a imprensa está certa. Infelizmente são dados concretos de que as vias públicas estão se tornando, cada vez mais palcos de impunidade por parte de pessoas inescrupulosas e que estão ali para “comercializarem” todo o tipo de produto ilícito.

        Pelo que eu, minha filha e outras pessoas pagadoras de seus impostos pudemos testemunhar, o problema da violência urbana está piorando a cada dia. Temo pelo que poderá acontecer em um futuro próximo. O clima gerado pela tensão só nos tira a vontade de jamais voltarmos àquele local com nossas famílias. Também foi fator negativo para os turistas, que, provavelmente farão um comercial negativo lá fora. Além disso, estamos prestes a receber dois grandes eventos: a Copa das Confederações em junho de 2013 e, em 2014, a Copa do Mundo. Brasília, portanto, a cidade sediará eventos internacionais dessa importância e precisa se adaptar à nova realidade, dando segurança, conforto e bem estar aos seus moradores, aos turistas nacionais e estrangeiros.

        Depois do que passamos, continuo a afirmar que o caso da violência no centro da cidade está grave. Chegou o momento de as autoridades, urgentemente, tomarem medidas eficazes em favor de nossa segurança. O intuito de tais ações efetivas é garantir mais qualidade de vida aos usuários do transporte urbano e também a outras pessoas. Deve haver maior fiscalização dos horários dos ônibus, aumento da frota e punição das empresas pelo descaso e descumprimento de horários, a fim de não deixarem os passageiros expostos a qualquer ameaça.

        É imprescindível também que haja, por meio dos poderes públicos, mais sensibilização para com os cidadãos. A carga tributária é muito alta e o retorno muito pouco ou quase nada em termos de segurança, saúde, educação e transporte, não só para os turistas, mas também para os habitantes dessa cidade, centro das grandes decisões e exemplo de modernidade para o resto do país. Com todos esses problemas vão se esvaziando ainda mais, a W3 Sul, a W3 Norte, o Setor Comercial Sul e Norte, as quadras e entrequadras da moderna Brasília. Aos poucos também vai morrendo um passado de glória e tradição em 52 anos de fundação da cidade. Brasília agoniza, pedindo socorro urgente às autoridades públicas, antes que morra à míngua, entregue à violência e entregue à sua própria sorte.

 

Entendendo o artigo:

01 – Qual é o principal acontecimento motivador que impulsionou a autora a redigir este artigo de opinião?

      O evento motivador foi a vivência de momentos de medo, terror e insegurança na noite de domingo de 14 de outubro de 2012, no centro de Brasília (W3 Sul e Setor Comercial Sul). A autora e sua filha, ao retornarem de um passeio, ficaram presas em uma parada de ônibus escura, mal localizada e tomada por traficantes, usuários de drogas e menores infratores, sem o apoio de policiamento ostensivo.

02 – De que maneira a autora caracteriza a infraestrutura do transporte público e as condições urbanas locais no trecho inicial de seu relato?

      A autora aponta sérias falhas estruturais, como o fechamento precoce do metrô aos domingos (às 19h), paradas de ônibus mal localizadas e mal iluminadas, ausência de fiscais de trânsito para ordenar veículos estacionados irregularmente e grande demora na circulação dos ônibus. Essa combinação deixou os passageiros vulneráveis, expostos e aglomerados em locais desprotegidos.

03 – Como o Setor Comercial Sul e a W3 Sul foram transformados, segundo a percepção e o relato testemunhal da autora?

      Os locais foram apropriados por traficantes, usuários e menores de idade de todas as idades, que comercializavam drogas abertamente, disputavam pontos de venda, intimidavam os pedestres e ocupavam completamente os bancos das paradas de ônibus. A praça e as vias públicas funcionavam, na prática, como um "shopping popular" do crime, provocando a fuga dos criminosos apenas de forma momentânea quando viaturas distantes eram avistadas.

04 – Qual era o sentimento predominante entre os cidadãos, famílias e turistas que aguardavam o transporte público naquele momento?

      O sentimento geral era de profundo terror, revolta, perplexidade e forte tensão. As pessoas se mantinham aglomeradas e juntas para tentar se proteger mutuamente, enquanto crianças, idosos, casais e turistas compartilhavam o temor de sofrer roubos ou agressões físicas diante da inércia das autoridades.

05 – Qual é a crítica central que a autora faz em relação à atuação do Estado e ao retorno dos impostos pagos pela população?

      A autora critica duramente a falta de retorno prático da alta carga tributária paga pelos cidadãos honestos. Ela aponta a total ausência de rondas policiais ostensivas nas áreas críticas, o que gera uma forte sensação de impunidade para os infratores e destrói o sentimento de cidadania e segurança da população que financia a máquina pública.

06 – Como a experiência vivida modificou a visão prévia da autora em relação às notícias veiculadas pela imprensa sobre a criminalidade na capital?

      Inicialmente, a autora e grande parte da população acreditavam que a mídia exagerava nos dados sobre a violência urbana no centro de Brasília com o objetivo exclusivo de alavancar a audiência diária. Contudo, após vivenciar diretamente o terror e a criminalidade escancarada nas ruas, ela concluiu que os jornais estavam corretos e que os dados divulgados são reais e concretos.

07 – Quais medidas urgentes a autora sugere que sejam tomadas pelas autoridades governamentais para sanar o problema antes da chegada de eventos internacionais?

      A autora exige ações eficazes de segurança pública, aumento da fiscalização e da frota de ônibus, punição para empresas de transporte negligentes, intensificação das rondas policiais e investimentos reais que garantam o bem-estar dos moradores e dos turistas que visitariam a cidade para a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014).

 

ARTIGO DE OPINIÃO: O NÍVEL DE NOSSOS ALUNOS SERÁ O NÍVEL DE NOSSA SOCIEDADE - CASSILDO SOUZA - COM GABARITO

 Artigo de Opinião: O nível de nossos alunos será o nível de nossa sociedade

               Cassildo Souza


        Fico a refletir a respeito dos alunos que estão sendo moldados na entrada do século XXI. Para tanto, lembro alguns fatores que poderiam servir de parâmetros a esta análise: hoje, o número de escolas existentes é infinitamente superior ao de há algumas décadas, a quantidade de profissionais com nível superior cresceu consideravelmente e cursos de capacitação foram criados para qualificar os professores. Além disso (com muitas dificuldades), houve avanços significativos na remuneração docente. Mas, honestamente, será que essas melhorias refletem-se na prática educativa? Nossos estudantes estão preparados a enfrentar o mundo? Acredito que, infelizmente, não.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQgA7iBmZsHKyUTO_K1aW7K0ahXhQlAZLLU58QfC1zDg8ac6zCbOBn7QDXWq3mpTOQaDyGogU-mRDiSwfcSjBe5qR8orBKO31cJ3oTpBYZks9aJ5EQX_lZ6BdKr8i26aBuuvIJVBFCgUf9uKT6ictiTyZRLBq7CwKjTZ8Fr1ntwVeRd5QhWXUpK3uswxI/s320/images.jpg


        Quem atua em sala de aula pode atestar com toda a autoridade que a base desses indivíduos, no geral, ainda é muito precária, especialmente no que tece à matemática e à língua, aspectos preponderantes para conhecimento. O nível de leitura e de escrita não tem sido um motivo de orgulho para as crianças do Brasil, que corriqueiramente ficam abaixo da média, se comparados aos outros países da América do Sul. A disciplina matemática não é bem-vinda por um inestimável número de estudantes que não veem a importância de certos conteúdos para o seu dia-a-dia. E se não percebem a relevância, provavelmente se interessam menos, aprendem menos.

        Não me atreveria, aqui, a ensaiar que motivos levam a essa incoerência. Adiante falarei sobre apenas um que considero fundamental. Mas, se acontecem esses fatos, o que podemos esperar desses alunos quando eles chegarem à universidade e, depois, quando saírem para o mercado de trabalho? Muitos são os casos em que o nível superior não corresponde à atuação profissional. E tudo por uma questão de base, pois aquilo que não se aprendeu nas instâncias inferiores do ensino não será milagrosamente absorvido em apenas 4 anos. O fato é que por essa má formação, temos professores que não sabem ler, advogados que não conhecem a lei, médicos que não descobrem doenças simples, jornalistas que não apuram os fatos e engenheiros cujas obras não se sustentam por muito tempo.

        Faço agora a referência que prometi no parágrafo anterior, acerca das razões que levam a um ensino precário. Vejo a falta de compromisso de certos profissionais da educação como a pior mazela que pode existir no processo educacional. Alguns deles se apoiam no fato de estarem no serviço público, não cumprindo suas obrigações e, por consequência, não atendendo às necessidades de seu público-alvo. Sem falar naqueles que concorrem ao cargo de professor e com pouquíssimo tempo recorrem a “padrinhos”, no intuito de não atuarem em sala de aula. Como não há uma cobrança rígida (nem interesse para que isso aconteça), ocorre uma reprodução perpétua como uma doença epidêmica e o resultado é catastrófico.

        Se queremos desenvolvimento, progresso, bem-estar para nós mesmos, precisamos, enquanto educadores, realizar um trabalho sério, não simplesmente para mostrarmos que somos “bonzinhos” e aparecermos como as referências da prática pedagógica ideal; mas para que amanhã não sejamos prejudicados em decorrência de uma sociedade mal instruída e sem conhecimento científico. Nossos descendentes dependerão daqueles que estamos ajudando a formar hoje. E se não o fizermos da maneira adequada seremos as próprias vítimas desse processo.

 

Entendendo o artigo:

01 – Quais avanços na área educacional o autor reconhece ter ocorrido nas últimas décadas?

      O autor destaca que o número de escolas aumentou significativamente, a quantidade de profissionais com ensino superior cresceu, foram criados cursos de capacitação docente e houve avanços (ainda que com dificuldades) na remuneração dos professores.

 02 – Qual é o diagnóstico do autor quanto ao preparo dos estudantes diante dos avanços citados?

      Apesar das melhorias estruturais, o autor avalia que o ensino não avançou na prática. Para ele, os alunos continuam despreparados e apresentam uma base muito precária, principalmente em Língua Portuguesa (leitura e escrita) e em Matemática.

03 – De acordo com o texto, por que muitos alunos demonstram falta de interesse pela disciplina de Matemática?

      Porque eles não conseguem perceber a relevância e a aplicação prática de certos conteúdos matemáticos em seu dia a dia. Sem enxergar essa importância, os estudantes se interessam menos e, consequentemente, aprendem menos.

04 – Que consequências a má formação na educação básica gera na atuação de profissionais formados no ensino superior?

      O autor aponta que deficiências da base não são corrigidas em quatro anos de faculdade, resultando em profissionais despreparados: professores que não sabem ler, advogados que desconhecem a lei, médicos incapazes de diagnosticar doenças simples, jornalistas que não apuram fatos e engenheiros que constroem obras sem sustentação.

 05 – Qual é a principal razão apontada pelo autor para a precariedade do ensino?

      A falta de compromisso de certos profissionais da educação. O autor critica aqueles que se apoiam na estabilidade do serviço público para não cumprir suas obrigações ou usam "padrinhos" políticos para se afastar da sala de aula, sem que haja uma cobrança rígida por parte do sistema.

06 – Por que o autor usa a metáfora de uma "doença epidêmica" para descrever a conduta de determinados educadores?

      Porque a falta de fiscalização e de rigor faz com que a irresponsabilidade e a negligência profissional se reproduzam perpetuamente entre os educadores, espalhando-se pelo sistema de ensino e gerando um resultado catastrófico para toda a formação escolar.

07 – Qual é o alerta final que o autor faz aos educadores sobre o impacto do seu trabalho no futuro?

      O autor adverte que um trabalho pedagógico sério não deve ser feito por vaidade, mas por necessidade. Se os educadores não formarem cidadãos bem instruídos e com conhecimento científico hoje, eles e seus descendentes serão as próprias vítimas de uma sociedade mal formada e sem progresso no futuro.

 

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: PSICOLOGIA DA ADOLESCÊNCIA - DESPERTAR PARA A VIDA - FRAGMENTO - FERNANDA PAROLARI NOVELLO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Psicologia Da Adolescência – Despertar Para A Vida – Fragmento

        Fernanda Parolari Novello

        [...]

        Crise da adolescência, fase difícil, idade ingrata... são as taxações mais comuns. Você começa a ter reações que lhe são estranhas. Vêm à tona milhares de dúvidas inesperadas e persistentes que passam a martiriza-lo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh-DHeCH9Xc71oKP8uXSVrF4wA1FUUndnkhsmpWFOw_q2DCdzNg8RA8LEzG-IOEA_jVaa9FQq1VP9RjO5L2j7wuLJYnTGGu6ToNQZamC9-SJFLF6O-AbPtoRV5e_3Wjo1XpDvhJxYNuofqXvdrdS9wCfkFQamGrJq6XiPnDnZk7TUvhYy3mQ1CuQQmvJSA/s1600/images.jpg


        Durante a infância foi absorvido, sem valorização, seleção ou crítica, todo um cabedal de conhecimentos. Como uma semente, começa a germinar, a brotar uma força interior muito forte que necessita sair de dentro de você para a formação de seu Eu individual.

        Mudam as manifestações afetivas, você adquire maior capacidade de especulação, aguça-se o espírito crítico, a sexualidade evolui, surgem os problemas existenciais e a revolta contra os valores preestabelecidos pelos educadores.

        Tudo isso é natural, pois existe dentro de você a importância da criação de uma filosofia de vida sua, particular, que esteja de acordo com o que você é.

        A confiança e o apoio nos pais desaparecem repentinamente, pois você sempre sente necessidade de se diferenciar deles. Ao tentar adquirir segurança em si mesmo, tudo parece embaralhar-se.

        Você não aceita o que lhe foi imposto, mas também não possui ainda ideias próprias. Contudo, as experiências passadas devem ser aproveitadas quando válidas, levando em conta os prós e os contras vivenciados.

        Você, que deixou de ser criança mas não é ainda adulto, começou uma longa caminhada para ao amadurecimento, que vem lento e gradual. Num entreabrir-se sereno.

        Em fase, embora às vezes lhe pareça uma barreira intransponível, passará mais depressa do que você imagina. Não desanime, tenha paciência e confiança em você. Nada é tão difícil nem impossível que não possa ser bem vivido.

        A convivência continuada com você, adolescente, e com o processo da psicologia moderna, permitem afirmar que as dificuldades são, em linhas gerais, as mesmas para todos os adolescentes, variando apenas de intensidade e duração.

        Indubitavelmente, se acompanhada de esclarecimentos físicos e psicológicos, esta evolução pode ser mais tranquila. Trata-se de preparar-se para enfrentar as dificuldades e prevenir-se contra problemas que podem atingir tanto você, adolescente, como seus pais.

        [...]

Fernanda Parolari Novello. Psicologia da adolescência: o despertar para a vida. São Paulo, Paulinas, 1990. p. 41-3.

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 21-22.

Entendendo o artigo:

01 – Quais são as rotulações ou taxações mais comuns atribuídas à adolescência citadas no início do texto?

      As taxações mais comuns são "crise da adolescência", "fase difícil" e "idade ingrata".

02 – Como a autora descreve o processo de transformação interna que o adolescente vivencia em relação aos conhecimentos absorvidos na infância?

      Ela explica que o conhecimento absorvido na infância começa a germinar como uma semente, fazendo brotar uma força interior necessária para a formação do "Eu individual".

03 – Segundo o texto, o que acontece com a relação de confiança e apoio que o jovem tinha com os pais?

      A confiança e o apoio nos pais desaparecem repentinamente, pois o adolescente sente uma necessidade constante de se diferenciar deles para adquirir segurança própria.

04 – Qual é a justificativa da autora para o fato de o adolescente se revoltar contra os valores preestabelecidos?

      Ela afirma que essa revolta é natural, pois existe no jovem a necessidade de criar uma filosofia de vida própria e particular, alinhada com quem ele é.

05 – De acordo com o texto, o que pode tornar a evolução da adolescência um processo mais tranquilo?

      A evolução pode ser mais tranquila se for acompanhada por esclarecimentos físicos e psicológicos, ajudando a prevenir problemas tanto para o adolescente quanto para seus pais.