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quarta-feira, 8 de julho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: INTERNETÊS - AMEAÇA À LÍNGUA PORTUGUESA - KARLA HANSEN - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa

                Karla Hansen

 

        Quem tem acesso à rede mundial de computadores, não dispensa o “internetês” para escrever suas mensagens ou se comunicar nas salas de bate-papos virtuais. No entanto, o que parecia uma brincadeira de adolescente está abalando o coração, já tão cansado, dos professores da língua portuguesa. O assunto também já ganhou as páginas dos jornais e tem alimentado calorosos debates entre acadêmicos, escritores e jornalistas. Basicamente, o debate tem dividido os interessados entre os que são contra e os que são a favor. De um lado e do outro existem os exagerados e alarmistas de plantão. Entre os que são contra, por exemplo, um argumento bem forte é o de que o “internetês” é mais que uma degradação da língua, um verdadeiro atentado infame a ela.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioQfEOw-IJP6ONhzxJzYLJfM0FikzI32cM8CfVGTaylxJwFUd2P4zxqmHN4CokyrmP_muqXv9XGxU2MTHebuL_m2rtWhxSACaBGowqTKNpv72Ii9lNNlc0EGW4Bw-g03xUvP7Vxsemh_kQGn7kqHea3jZrdYyeXLxoXJz8PlcFqh0RW4O9aM91IOh4Rx8/s1600/unnamed.png 


        O escritor Deonísio da Silva chamou de “besteirol” o novo “idioma” e classificou o fenômeno como “assassinato a tecladas” da língua portuguesa. Segundo o escritor, nunca se escreveu tanto como nesses tempos de correspondências eletrônicas, mas para ele estão “botando os carros na frente dos bois”. Ou seja, esses adolescentes têm acesso à internet e ao celular, mas não à norma culta da língua escrita.

        Nas palavras de Deonísio: Os pequenos burgueses tinham internet e celular, mas não dominavam a língua escrita. E por isso criaram a deles. Nada espantoso. Também os habitantes das periferias não dominam a norma culta da língua e criam suas gírias, devidamente circunscritas a cada grupo de usuários. Para resumir, o escritor defende que o “internetês” é um sintoma da grave falência educacional, que por sua vez, gera a exclusão dos jovens ao mundo letrado ao qual só poucos têm acesso.

        Combatendo serenamente essa tese, Marisa Lajolo é uma das que não veem nada de grave na invenção dos adolescentes. Ao contrário, ela acredita que a nova escrita na Internet está promovendo um “surto de poliglotas”. Na sua opinião, o “internetês” é apenas mais uma linguagem usada pelos jovens para se comunicarem entre si, considerados, por ela, poliglotas pela capacidade de se expressar de maneira diferente com seus pais, professores e com os demais interlocutores da comunidade. Dessa forma, para a escritora, isso demonstra criatividade dos adolescentes em criar um código próprio, que reforça a identidade dos mesmos.

        Sérgio Nogueira aconselhou os professores a não se assustarem, mas procurarem conhecer a linguagem. Ele admite que esse é um “fenômeno natural”. Para ele, o problema maior a ser atacado pelos professores é mesmo o domínio da linguagem padrão.

        , do outro lado, entusiastas febris. Pessoas afirmam que o “internetês” veio revolucionar a língua portuguesa e chegam a oferecer um “curso de língua de internetês”, no qual estão traduzidas as principais expressões da “língua” num “dicionário”.

        Seguindo o bom senso do professor Sérgio Nogueira, alguns professores de língua portuguesa já tiveram a iniciativa de promover, em sala de aula, atividades com o dialeto. Não se trata de rejeitar, diminuindo-lhe a importância, ou de elevar aos céus, atribuindo-lhe poderes para “revolucionar” ou mesmo ameaçar a língua portuguesa. Essas experiências em sala de aula têm a qualidade de reconhecer o fenômeno e explorá-lo, mostrando sua dimensão real.

        Dessa forma, é possível que o “internetês” ainda dê o que falar. Mas, com o vocabulário reduzido de que ele dispõe, é provável que o debate, assim como a própria vida do novo dialeto, não sejam capazes de ir muito longe.

Karla Hansen. Internetês – Ameaça à Língua Portuguesa.

 

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o texto, qual é a principal justificativa do escritor Deonísio da Silva para criticar o "internetês"?

      Deonísio da Silva defende que o "internetês" é um sintoma da grave falência educacional. Para ele, os jovens criaram esse novo código porque, embora tenham acesso à tecnologia (internet e celular), não dominam a norma culta da língua escrita. Ele compara o fenômeno às gírias das periferias e afirma que isso gera a exclusão dos jovens do mundo letrado.

02 – Como a escritora Marisa Lajolo se posiciona em relação ao fenômeno e o que significa o "surto de poliglotas" mencionado por ela?

      Marisa Lajolo se posiciona contra as teses alarmistas e não vê gravidade na invenção dos adolescentes. Ao falar em um "surto de poliglotas", ela se refere à capacidade dos jovens de alternar sua forma de se expressar: eles conseguem usar o "internetês" entre si, mas sabem se comunicar de maneira diferente com pais, professores e outros interlocutores, demonstrando criatividade e fortalecimento de sua identidade.

03 – Qual é o conselho dado pelo professor Sérgio Nogueira aos educadores e onde ele enxerga o verdadeiro problema a ser combatido?

      Sérgio Nogueira aconselha os professores a não se assustarem e procurarem conhecer a nova linguagem, classificando o "internetês" como um "fenômeno natural". Para ele, o foco principal e o maior problema a ser atacado pelos professores não é a existência do dialeto da internet, mas sim garantir que os alunos dominem a linguagem padrão (a norma culta).

04 – Como o texto descreve a postura dos "entusiastas febris" (os defensores exagerados) do internetês?

      O texto aponta que, no extremo oposto dos críticos, existem entusiastas que afirmam que o "internetês" veio para revolucionar a língua portuguesa. O exagero chega ao ponto de pessoas oferecerem um “curso de língua de internetês”, incluindo um “dicionário” com a tradução das principais expressões desse dialeto virtual.

05 – Qual é a conclusão da autora, Karla Hansen, sobre o futuro do debate e a relevância a longo prazo do "internetês"?

      A autora conclui que, devido ao vocabulário reduzido de que o "internetês" dispõe, é muito provável que tanto o debate caloroso quanto a própria vida útil desse novo dialeto não sejam capazes de ir muito longe. Além disso, ela elogia os professores que usam o fenômeno em sala de aula de forma equilibrada, sem demonizá-lo nem glorificá-lo, apenas mostrando sua dimensão real.

 

              

terça-feira, 7 de julho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: MEU - MINHA EX. ESTÁ DESTRUINDO A MINHA IMAGEM PERANTE NOSSO FILHO - DRA. LUCIANA MUSZALSKA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Meu – Minha ex. está destruindo a minha imagem perante nosso filho


        Nosso casamento acabou há algum tempo, e com ele veio a decepção de um investimento de toda uma vida. Hoje somos inimigos, e o pior, nosso filho está sofrendo muito com isso. É, infelizmente, muito comum que a mágoa do final de um relacionamento traga consequências... muitas vezes quase que irreparáveis. Um dos pais ou ambos, falam de suas mágoas ao filho, que ama os dois e que se sente completamente confuso diante de tal situação. É um momento tão confuso e tão repleto de mágoas, que os pais por estarem envolvidos em sua dor, não conseguem perceber onde termina seu casamento e começa o sentimento de paternidade ou maternidade. Não são raros os casos em que eles (pais ou mães) permitem que seu relacionamento de casal interfira no relacionamento pais e filhos. Apesar de não ter a intenção consciente, acabam por destruir a estrutura emocional desse filho que tanto amam. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhqw4f99s3pajFpKNyjh1q4ISwgyhK0keJS-O5a9LMGMZbeKnVyhXvOmHuAKDePXFtu2RxDoorjN9tit95yINEJuD2p2MJxpt4PnZXRZN477WjAmHrkOzOR5sEvqDGYMneUkKUROVpUKycWPoz9trEfyka8J4G1flNetKMhZrlgpbJAX_JQWGAYXmyJgFM/s320/images.jpg


        As consequências podem ser desastrosas, saiba abaixo como funciona esse mecanismo de amor e ódio e qual a melhor maneira de lidar com ele. 

        Ouço muitos casais que optam por não se separar e vivem toda uma vida infeliz com medo de machucar seus filhos. Esses filhos não são bobos. Eles percebem que são os responsáveis pela não separação do casal e consequentemente pela infelicidade de seus pais. Por outro lado, se as mágoas de um casamento desfeito, podem destruir toda a autoestima e sentimento de amor do filho... O que fazer? 

        No Brasil, é a mãe que geralmente detém a guarda do filho (a) no caso de uma separação. Mas o que eu vou relatar abaixo, independe de quem mantém ou não a guarda e sim a maneira que essa pessoa lida com o sentimento de frustração pelo fim de seu casamento. 

        A mãe, por estar mais próxima do filho, faz uma vinculação inconsciente com um ou todos os filhos contra o pai que saiu de casa. 

        A realidade é, não importa quem fala mal de quem, e nem se os motivos apontados são ou não verdadeiros. A criança está no meio de uma guerra que acabará por “afastá-la” de qualquer possibilidade de vínculo com o antigo parceiro. E isso, muita atenção... é tremendamente prejudicial à criança. Sim, eu disse prejudicial à criança! 


        O filho, que também está sofrendo com o distanciamento e dor causados pela separação, vinculado a um dos pais, inicia um processo de ódio contra o outro pai. 

        Gostaria de ressaltar que eu não estou defendendo nenhuma das partes. Nem pai, nem mãe, e sim tentando explicar o que ocorre com uma frequência bastante significativa. Minha intenção é a de mostrar que quem realmente é atingido com tudo isso é a criança. 

        Pelas leis brasileiras, na grande maioria dos casos, quem detém a guarda dos filhos no momento da separação, é a mãe. Mas mesmo quando é o pai que detém a guarda, o processo que eu estou descrevendo acima, acontece EXATAMENTE da mesma maneira. 

        O que ocorre é uma alteração do comportamento dos filhos, de “normal” a patológico. O que antes era saudade, agora é raiva. O que antes era ansiedade agora é rejeição. O normal seria a criança ficar ansiosa e feliz com a visita do pai ou mãe, mas ela se torna cada dia mais agressiva e rejeita aquele a quem tanto ama. 

        Quando isso acontece, percebemos que a criança está sofrendo de SAP, ou Síndrome de Alienação Parental, que é quando um dos genitores (pai ou mãe) tenta induzir o ódio dos filhos pelo outro genitor. O mais importante neste momento é, antes de culpar o outro genitor... e consequentemente aumentar a discórdia que já existe, perceber que esta criança está sofrendo tanto quanto você, e que ela precisa dos DOIS PAIS unidos a seu favor, independente de morarem juntos, estarem separados ou não! 

        “Estudos indicam que 80% dos filhos de pais divorciados ou em processo de separação já sofreram algum tipo de alienação parental.” 

        “No Brasil, o número de órfãos de pais vivos é, proporcionalmente, o maior do mundo. Fruto de mães, que, pouco a pouco, apagam a figura do pai da vida e do imaginário da criança.” “Esse afastamento não é deletério apenas para a criança, mas, também, aos pais abandonados pelos filhos. Richard Gardner, professor do Departamento de Psiquiatria Infantil da Faculdade de Medicina e Cirurgia da Universidade de Columbia, EUA, conclui que: a perda de uma criança nesta situação pode ser mais dolorosa e psicologicamente devastadora para o pai-vítima do que a própria morte da criança, pois a morte é um fim, sem esperança ou possibilidade para reconciliação, mas os filhos da alienação parental estão vivos, e, consequentemente, a aceitação e renúncia à perda é infinitamente mais difícil e dolorosa.” (Extraído de: OAB - Distrito Federal – 01 de Setembro de 2010). Ainda segundo o Dr. Richard Gardner, “A alienação parental é um processo que consiste em programar uma criança para que odeie um dos seus genitores (o genitor não guardião) sem justificativa, por influência do outro genitor (o genitor guardião), com quem a criança mantém um vínculo de dependência afetiva e estabelece um pacto de lealdade inconsciente. Quando essa síndrome se instala, o vínculo da criança com o genitor alienado (não guardião) torna-se irremediavelmente destruído. Porém, para que se configure efetivamente esse quadro, é preciso estar seguro de que o genitor alienado não mereça, de forma alguma, ser rejeitado e odiado pela criança.”.

        Este artigo é de suma importância, e deveria ser lido por todos os pais no momento da separação. Se você ama seu filho verdadeiramente, saiba que: A SAP pode trazer muitas dificuldades para a criança, inclusive quando ela se tornar adulta. 

        Em curto prazo, a criança aprende a manipular os adultos e a demonstrar sentimentos e reações não verdadeiras, mas com o passar dos anos, ela vai se distanciando de suas verdadeiras emoções e na medida que isso ocorre, ela começa a perder a identificação com esse genitor, podendo inclusive adquirir vários transtornos de identidade. É comum nesses casos desde quadros como depressão crônica, incapacidade de se adaptar em novos ambientes sociais, transtornos de imagem, dependência ao álcool e drogas e em alguns casos inclusive o suicídio, por apresentar sentimento de culpa incontrolável e irremediável por descobrir que foi injusta no passado com o pai e/ou a mãe. Pensem muito bem antes de envolver seus filhos nos problemas do casal. Ao querer o apoio para seus próprios sentimentos em relação à separação, seu filho pode sair muito machucado... 

        O marido deixa de ser marido, mas jamais deixara de ser pai. A mãe deixa de ser esposa, mas jamais deixara de ser mãe! 

Pais precisam pensar muito no futuro de seus filhos, e isso, não quer dizer viver juntos infelizes, Mas, destruir figuras parentais tão significativas para os filhos causam rombos na estrutura dessas crianças, rombos esses muitas vezes irremediáveis. 

        Casamentos podem ser refeitos através de novos romances, mas as figuras parentais de pai e mãe jamais se refazem em nossa psique e coração.

Dra. Luciana Muszalska. Psicóloga Clínica, escritora e palestrante em todo o Brasil. ARTIGO PUBLICADO NO GRUPO "TECENDO TEXTOS".

 

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com o primeiro parágrafo do texto, por que muitos pais acabam permitindo que os problemas do casamento desfeito interfiram na relação com os filhos?

      Porque os pais estão tão envolvidos e fragilizados por sua própria dor e mágoa em relação ao fim do relacionamento que não conseguem estabelecer um limite claro. Eles perdem a capacidade de perceber onde termina o papel de homem/mulher (casamento) e onde começa o papel de pai/mãe (paternidade/maternidade).

02 – O autor menciona que alguns casais optam por não se separar "com medo de machucar seus filhos". Qual é a consequência negativa dessa escolha, segundo o artigo?

      A consequência é que as crianças percebem a situação. Elas notam que são o motivo pelo qual os pais continuam juntos e infelizes, o que acaba gerando nos filhos um sentimento de culpa e responsabilidade pela infelicidade dos pais.

03 – O que significa a sigla SAP mencionada no texto e como esse quadro se caracteriza no comportamento da criança?

      SAP significa Síndrome de Alienação Parental. Ela se caracteriza pelo momento em que um dos genitores tenta induzir o filho a odiar o outro genitor. No comportamento da criança, ocorre uma mudança de um estado "normal" para um "patológico": a saudade vira raiva, a ansiedade para ver o pai ou a mãe vira rejeição, e a criança passa a agir de forma agressiva com quem ela ama.

04 – Com base nos dados trazidos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) citados no texto, qual é a grave estatística apresentada sobre os filhos de pais divorciados no país?

      O texto aponta que estudos indicam que 80% dos filhos de pais divorciados ou em processo de separação já sofreram algum tipo de alienação parental. Além disso, destaca que o Brasil possui, proporcionalmente, o maior número de "órfãos de pais vivos" do mundo devido a essa prática.

05 – De acordo com o psiquiatra infantil Richard Gardner, por que a perda de um filho pela alienação parental pode ser psicologicamente mais dolorosa para o "pai-vítima" do que a própria morte da criança?

      Porque a morte é um fim definitivo, o que impõe uma aceitação sem esperanças. Já no caso da alienação parental, os filhos continuam vivos, o que torna a aceitação e a renúncia à perda infinitamente mais difíceis e dolorosas, pois o pai-vítima sabe que o filho está distante e o rejeitando sem uma justificativa real.

06 – Quais são as consequências graves e de longo prazo que a Síndrome de Alienação Parental pode causar na vida da criança quando ela atingir a fase adulta?

      No longo prazo, a pessoa pode sofrer com transtornos de identidade, depressão crônica, incapacidade de se adaptar a novos ambientes sociais, dependência de álcool e drogas e, em casos extremos, o suicídio. Este último pode ser motivado por um sentimento de culpa incontrolável ao descobrir, no futuro, que foi injusta com o pai ou a mãe no passado.

07 – Qual é a principal reflexão ou tese defendida pelo autor nos parágrafos finais do artigo para conscientizar os pais que se separam?

      A tese de que o fim do casamento não extingue as funções maternas e paternas ("O marido deixa de ser marido, mas jamais deixará de ser pai"). O autor defende que novos romances podem refazer casamentos, mas as figuras de pai e mãe são únicas e insubstituíveis na psique e no coração de um filho. Portanto, destruir essas imagens causa danos profundos e muitas vezes irremediáveis na estrutura emocional da criança.

 

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: PIRANDELLO E O CONCEITO DAS MÚLTIPLAS VERDADES - LUIGI PIRANDELLO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Pirandello e o conceito das múltiplas verdades

 

        Em peça teatral, autor questiona se a verdade pode ser real e absoluta

        A verdade, busca contínua do homem, parece ainda inalcançável. Os pontos de vistas se divergem e descobertas deixam de ser atuais mais rápido do que um cigarro chega ao fim. Descartes foi feliz ao dizer que “só sei que nada sei”. O significado da frase é tão amplo quanto os nossos sonhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhbrJY-sdG7G9YZb8sFdRI0o_V-BfkTZ7oEl4Y7XXF6eZ_lHGcJoaI0c0InwML5dBMl0drAvey9XND9g2FwXbM-bIWJtFXzfKNN9C1hao2YM8k8z4WK-4kOhk2RKm3o7IEPFj6GwkSRbxOmBoMNQCS_vOzTamMHeB0Ew-3NNrLCnmc0y1hbSNn_dMIDJ7s/s320/images.jpg


        Tão brilhante quanto o filósofo foi o escritor Luigi Pirandello, autor da célebre peça Seis Personagens à Procura de um Autor, e um defensor do pensamento de que a verdade é relativa.

        Seu trabalho mais abrangente sobre o assunto foi a peça Assim é, se lhe parece, na qual a personagem Frola é uma mulher reclusa. Ela justifica isso por afirmar que cuida de sua filha. Seu genro, no entanto, diz que a sogra enlouqueceu depois que a filha morreu.

        Provocando uma reviravolta, Frola afirma que, na verdade, foi o genro que enlouqueceu, e passou a acreditar que a esposa está morta. Ainda há na peça um personagem que defende que a verdade não existe. Ao menos não como absoluta. Existe uma série de verdades, que dependem de pontos de vista para existirem. Elas simplesmente são, se assim lhe parecem.

        Pirandello aponta que às vezes não há o certo e o errado; o verdadeiro e o falso; um caminho ou outro. Às vezes duas coisas absurdamente contraditórias podem coexistir e talvez até sem um meio termo.

        O autor não foi o primeiro nem o último a debater amplamente o conceito de verdade, porém o seu questionamento provocou muitas reflexões, inclusive no campo da Psicologia, já que o profissional desta área deve compreender o que é a verdade para o seu paciente.

        Luigi Pirandello já entendia que cada um possui os seus princípios, conceitos, história, sofrimentos e sonhos. Tudo isso é capaz de construir uma verdade e dá a sensação de que para que ela seja real, outras verdades precisam ser destruídas. Erro comum. Tudo pode ser, se assim lhe parecer.

 

http://lounge.obviousmag.org/with_a_little_help_from_my_friends/2014/08/pirandello-e-o-conceito-das-multiplas-verdades.html.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a tese principal defendida por Luigi Pirandello em suas obras, segundo o texto?

      Pirandello defende o pensamento de que a verdade é relativa. Para ele, a verdade absoluta não existe; em vez disso, existem múltiplas verdades que dependem do ponto de vista de cada indivíduo para passarem a existir.

02 – Como o enredo da peça "Assim é, se lhe parece" exemplifica o conceito de verdade relativa?

      A peça exemplifica isso através do conflito entre a personagem Frola e seu genro. Frola afirma ser reclusa para cuidar da filha. O genro, por sua vez, diz que a sogra enlouqueceu porque a filha morreu. A reviravolta ocorre quando Frola alega que, na realidade, o genro enlouqueceu e passou a acreditar que a esposa estava morta. O artigo mostra que essas duas versões absurdamente contraditórias coexistem sem que se saiba qual é a correta.

03 – O autor do artigo cita uma famosa frase filosófica no primeiro parágrafo. Que frase é essa, a quem ela é atribuída no texto e qual o erro conceitual nessa atribuição?

      A frase citada é “só sei que nada sei”. O texto a atribui ao filósofo René Descartes.

      Nota de correção histórica: Embora o artigo de opinião atribua a frase a Descartes, ela é historicamente creditada ao filósofo grego Sócrates. O pensamento famoso de Descartes é, na verdade, "Penso, logo existo".

04 – Por que os questionamentos de Pirandello provocaram reflexões importantes no campo da Psicologia?

      Porque o profissional de Psicologia precisa lidar diretamente com a subjetividade humana. Para ajudar um paciente, o psicólogo deve compreender o que constitui a "verdade" para aquela pessoa específica, respeitando a forma como ela enxerga e absorve o mundo.

05 – De acordo com o último parágrafo, quais elementos são capazes de construir a verdade de um indivíduo e qual é o "erro comum" cometido pelas pessoas em relação a isso?

      A verdade de cada um é construída por seus próprios princípios, conceitos, história de vida, sofrimentos e sonhos. O "erro comum" é a falsa sensação de que, para a nossa verdade ser real e válida, as verdades das outras pessoas precisam ser destruídas ou invalidadas.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: A FICÇÃO COMO LUGAR DA FANTASIA - LUIGI PIRANDELLO - COM GABARITO

 Artigo de opinião: A ficção como lugar da fantasia

           Luigi Pirandello

 

        O autor italiano Luigi Pirandello, ao final de seu romance “O falecido Mattia Pascal” (que é, a propósito, meu livro favorito) tomou a liberdade de inserir em 1921 (na terceira edição da obra) um apêndice ao qual deu o nome de “Sobre os escrúpulos da fantasia”.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEguK3ML7B9anELBfe6n6PwNjYmVkBu-alsFsvJ4qGnks7YuxMt8g4ottJYZPzhKYFUgDETIsSryHgA0C0p8ZOvwgTTrjLHluEScoGZ2R_qjPuP29ft6Lzn7H4p5TsYD2iUzVy-A3iy8G7kfvqWtmb5dpzR5u5SK2-2gGpySdiBo1GmMOXcAE1FXPPXnJAU/s320/face-622904_1280.jpg


        Pirandello, perspicaz em trazer aos leitores histórias para surpreendê-los quanto a intrincada psique humana, justifica seu estilo ao mesmo tempo em que aponta e responde aos excessos críticos dirigidos às obras de arte que escapam a um retrato da vida chamada “normal”. Ao dizer que os absurdos da vida não precisam parecer verossímeis porque são verdadeiros, ao contrário dos da arte que, para parecem verdadeiros, precisam ser verossímeis e sendo verossímeis, deixam de ser absurdos, o autor marca a autonomia que, arte e vida tem (ou devem ter) entre si. Ou seja: não se pode julgar a arte pela vida. Contudo, será mesmo que a arte e a vida conseguem efetivamente ser percebidas sob critérios distintos? Não seriam as duras críticas feitas à obra de Pirandello um indicativo de que algo de inquietante para o humano emerge de suas histórias, numa arte que faz questão à vida?

        O autor nos alerta que somos acostumados a reconhecer o comportamento humano por meio de padrões – estamos habituados a lidar com o humano na condição de homem e não de sujeito; trabalhamos com a percepção do “homem médio”. A arte em geral (embora nesse caso falemos especificamente em literatura) lidará com cada um desses sujeitos naquilo que eles tem de mais idiossincrático. A literatura rompe com padrões e expectativas, portanto.

        Contudo, creio que a vida é quem primeiro realiza essa quebra, embora nós não estejamos nunca preparados para lidar com o desconhecido e imprevisível que é o nosso semelhante. A noção de outro nos perturba desde logo pois supõe um deslocamento da nossa própria identidade. Daí nossa dificuldade (ou impossibilidade) em cumprir, por exemplo, o mandamento “amar ao próximo como a ti mesmo”. A psicanalista Maria Rita Kehl fala a esse respeito ao afirmar que “amar (ao estranho, diferente de mim) como a mim implica a anulação de toda a alteridade. Anulação bastante tentadora: ao fazer do próximo um idêntico, suprimindo nele tudo que é estranho ao eu, o sujeito tenta também se livrar do outro que o habita”.

        A inquietação provocada pelo absurdo quando este emana do campo da arte talvez incomode tanto porque nos aponte para o indomável que é o outro, capaz do que, não sabemos. “Se eu sou este e ele se assemelha tanto a mim, mas não é eu, quem é ele? Diante dele, quem sou eu? Só depois de nos desestabilizar dessa maneira – se aguentarmos o tranco – é que o próximo pode se revelar fonte de aprendizado, de experiências compartilhadas, de novas identificações”.

        A arte tem o poder de nos apresentar um grande número de diferentes – e nos mostra que não é possível compreendê-los, mas é preciso fazer com eles uma interlocução. Até onde estamos dispostos a isso? Não seria o absurdo na arte uma denúncia à nossa incapacidade de diálogo com o absurdamente humano, sempre inapreensível?

        É interessante observar que pela valorização do particular a arte literária tem grande impacto no coletivo – um leitor aprende pouco a pouco a se deparar com os mais variados tipos humanos e a tolerar, também pouco a pouco, tê-los todos dentro de si. Fernando Pessoa talvez tenha sido o escritor que mais levou a efeito essa ânsia, a partir da criação de vários heterônimos que lhe permitiram sentir e olhar o mundo a despeito de si. Não seria o aceite aos absurdos da arte uma via possível de tolerância para os absurdos da vida?

        Parece-nos que é no desapego ao critério geral de “humanidade” e pela empatia com os mais variados tipos humanos que podemos desenvolver autocrítica – é preciso construir novas maneiras de significar a relação do homem com seu semelhante. Para Pirandello, a propósito, a humanidade não pode mesmo existir em abstrato – existe, sim, dentro da variedade de homens – os quais são capazes de cometer absurdos que não necessitam parecer verossímeis porque são verdadeiros.

        As particularidades de cada sujeito, acredito, falam de seus sofrimentos e inquietações, os quais segundo Pirandello são situações da vida que incentivam o raciocinar-se a felicidade é gozo pleno, é nas situações mais improváveis e mesmo inverossímeis que podemos enxergar mais a fundo o que é da condição humana, ainda que tais absurdos possam escapar àquilo que à primeira vista pensamos nos aproximar do conceito de "universalmente humano".

        O “anormal” da vida cotidiana e das personagens de Pirandello parece não ser mais do que o estouro de um imenso real – aquele que, quando enxergado, avassala. Os personagens de um livro de literatura vestem máscaras, as alternam e a máscara por vezes pode rasgar-se e ser pisoteada diante do leitor. Nós, sempre investidos de máscaras temos, me parece, dificuldade em vê-las arrancadas em literatura, na ficção que surge como factível.

        Diz Pirandello: "É a máscara para uma representação, o jogo dos papéis, aquilo que desejamos ou devemos ser; aquilo que parecemos ser aos outros, enquanto o que somos, até certo ponto, nem nós mesmos sabemos. É a metáfora desajeitada e incerta de nós mesmos, a construção frequentemente complexa que fazemos de nós mesmos e que os outros fazem de nós”

        Num mundo que nos impõe o padronizado, o óbvio e a aparência, o quanto podemos suportar personagens viscerais?

        A provocação de Pirandello me faz pensar que o absurdo mais aceito na vida (e menos na arte) não é o inverossímil, mas a capacidade humana de sustentar por tanto a máscara e ser marionete de si mesmo – não seria a arte uma ferramenta de denúncia de toda a potencialidade da vida, que nos desconforta tanto justamente por nos lembrar que o desejo transcende aquilo que é nomeável e por vezes, representável?

        A vida prescinde de qualquer verossimilhança. Por que a nossa dificuldade em aceitar na arte o absurdo? Uma perspectiva de leitura a partir do ensaio "Sobre os escrúpulos da fantasia".

        Acredito que sim, afinal, por ironia da arte ou da vida, o romance Falecido Mattia Pascal, considerado por muitos à época de sua publicação como uma história sem a necessária pregnância com a realidade, encontrou alguns anos depois – nas folhas de um famoso jornal – a sua confirmação em uma notícia verdadeira. A arte pode, então, preceder a vida? Já disse Pirandello: de quais inverossimilhanças reais a vida é capaz, até nos romances onde sem querer ela é cópia da arte?

        O título do meu texto afirma a ficção como lugar da fantasia – penso que a arte, a qual surge como faculdade imaginativa, como o lugar do que não tem ligação estreita com a realidade, também cumpre a função de nos ligar à fantasia em sentido para além da inventividade. Quando destaco a ficção como lugar da fantasia, me refiro à fantasia segundo seu lugar em psicanálise – o lugar do desejo.

        A história de “O falecido Mattia Pascal” me provoca justamente na medida em que questiona até que ponto podemos usar diferentes máscaras e até que ponto elas podem confundir-se com nós mesmos.

Referências: PIRANDELLO, Luigi. O falecido Mattia Pascal; tradução de Rômulo Antônio Giovelli e Francisco Degani. São Paulo: Ed. Abril, 2010.

KEHL, Maria Rita. Sobre ética e psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

http://obviousmag.org/fotoverbese/2015/03/a-ficcao-como-lugar-da-fantasia-luigi-pirandello.html.

 

Entendendo o artigo:

01 – Que importante distinção Pirandello faz entre os "absurdos da vida" e os "absurdos da arte" no seu ensaio "Sobre os escrúpulos da fantasia"?

      Pirandello afirma que os absurdos da vida não precisam parecer verossímeis (semelhantes à verdade) porque eles já são verdadeiros pelo simples fato de acontecerem. Por outro lado, os absurdos da arte, para que o público o aceite como verdadeiros, precisam ser verossímeis. Ao se tornarem verossímeis para a audiência, eles deixam de parecer absurdos, marcando assim a autonomia entre a arte e a vida.

02 – De acordo com o texto, de que maneira a literatura rompe com os padrões e expectativas da sociedade?

      O texto explica que a sociedade está acostumada a lidar com o "homem médio" e a reconhecer o comportamento humano através de padrões padronizados (a condição de homem). A literatura rompe com isso porque ela lida com o sujeito naquilo que ele tem de mais idiossincrático, ou seja, em suas características mais particulares, únicas e profundas.

03 – Como a psicanalista Maria Rita Kehl explica a nossa dificuldade em cumprir o mandamento "amar ao próximo como a ti mesmo"?

      Ela explica que amar o outro (o estranho, o diferente) como a si mesmo implica anular toda a alteridade (a diferença do outro). O sujeito tenta transformar o próximo em alguém idêntico a ele, suprimindo o que há de diferente, como uma tentativa tentadora de se livrar também do "outro" (das próprias estranhezas e inconsciente) que habita em si mesmo.

04 – Qual é o impacto coletivo que a arte literária provoca ao valorizar o "particular" de cada personagem?

      O impacto é o desenvolvimento da tolerância e da autocrítica. Ao entrar em contato com a literatura, o leitor aprende pouco a pouco a se deparar com os mais variados tipos humanos e a tolerar a ideia de que possui um pouco de todos esses tipos dentro de si mesmo. O texto cita Fernando Pessoa e seus heterônimos como o ápice dessa experiência.

05 – O que significa o conceito de "máscara" na visão de Pirandello citada no artigo?

      A máscara representa o jogo de papéis na sociedade: aquilo que desejamos ou devemos ser, e a imagem que parecemos ter para os outros. Ela é definida pelo autor como uma "metáfora desajeitada e incerta de nós mesmos", uma construção complexa que fazemos e que fazem de nós, escondendo o que realmente somos (algo que muitas vezes nem nós mesmos sabemos).

06 – Qual é a ironia real envolvendo o romance "O falecido Mattia Pascal" que o autor do artigo utiliza para fechar seu argumento?

      A ironia é que, quando o romance foi publicado, muitos críticos o atacaram dizendo que a história era absurda e não tinha ligação com a realidade (faltava-lhe verossimilhança). Contudo, anos mais tarde, as páginas de um jornal publicaram uma notícia verdadeira que confirmava exatamente os mesmos fatos da história fictícia de Pirandello, provando que a arte pode preceder a vida.

07 – O que o autor do artigo quer dizer quando afirma que a ficção é o "lugar da fantasia" no sentido psicanalítico?

      Ele esclarece que não está usando a palavra "fantasia" apenas como sinônimo de inventividade ou imaginação pura. Ele se refere à fantasia em seu sentido psicanalítico: o lugar do desejo. A ficção serve como esse espaço onde os desejos humanos transcendem o que é nomeável e revelam as profundezas e os conflitos da nossa psique.

 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: PRECICLAR E RECICLAR - PÓLITA GONÇALVES - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Preciclar e Reciclar

          Pólita Gonçalves

         Você sabe o que é preciclar? É muito simples!  É pensar antes de comprar.  Quarenta por cento do que nós compramos é lixo.  São embalagens que, quase sempre, não nos servem para nada, que vão direto para o lixo aumentar os nossos restos imortais no planeta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEihBlMCygAgVT0FYGRUqYPz-kX3VazeHlqYr-p8FDUgqun02ozc9wCn_ARlmm3kSg03Q0jH2yCQU5JLmu1tY_L3o6YUhB0d13XtaGCXyYfHBQh33IC5ny18nmWnAPMmooGYKRDLqUjtp_QxymF8ELYcuuH9kKka-izApyQOftKVf618_2xbmWozJX1Gydc/s320/RECICLAR.png


        Poderia ser diferente?

        Tudo sempre pode ser melhor...

        Pense no resíduo da sua compra antes de comprar.  Às vezes um produto um pouco mais caro tem uma embalagem aproveitável para outros fins.

        Estes são os 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

        Reduzir o desperdício.

        Reutilizar sempre que possível antes de jogar fora.

        Reciclar, ou melhor, separar a reciclagem, pois, na verdade, o indivíduo não recicla, a não ser os artesãos de papel reciclado.

        O termo reciclagem, tecnicamente falando, não correspondem ao uso que fazemos dessa palavra, pois, reciclar é transformar algo usado em algo igual, só que novo.  Por exemplo: uma lata de alumínio, pós consumo, é transformada, através de processo industrial, em uma lata nova.

        Quando transformarmos uma coisa em outra coisa, ocorre a reutilização.

        O que cada um de nós pode fazer é praticar os dois primeiros Rs: reduzir e reutilizar.

        Quanto à reciclagem, o que devemos fazer é separar o lixo que produzimos e pesquisar as alternativas de destinação ecologicamente corretas.  Pode ser encaminhar o lixo para uma cooperativa de catadores ou até para uma instituição filantrópica que receba material reciclável para acumular e comercializar.

        O importante é pensarmos sobre os três Rs, procurando evitar o desperdício, reutilizar sempre que possível e, antes de mais nada, preciclar.  Ou seja, pensar antes de comprar.

        Evite embalagens plásticas que não podem ser transformadas em produtos plásticos reciclados.  O vidro, por sua vez, é totalmente reciclável e muito mais útil em termos de reutilização.

        Preciclar é pensar que a história das coisas não acaba quando as jogamos no lixo.  Tampouco acaba a nossa responsabilidade.

 

GONÇALVES, Pólita. http://www.lixo.com.br ou http://www.online.com.br/sitio/lixo.htm.

 

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 132-133.

Entendendo o artigo:

01 – Segundo o texto, qual é o significado do termo "preciclar"?

      Preciclar significa "pensar antes de comprar". É o ato de o consumidor avaliar o resíduo e a embalagem de um produto antes de adquiri-lo, tendo consciência de que a história das coisas e a nossa responsabilidade não terminam quando jogamos algo no lixo.

02 – Qual dado estatístico a autora apresenta para justificar a importância de se pensar antes de comprar?

      A autora afirma que 40% do que nós compramos é lixo. Trata-se de embalagens que, na maioria das vezes, não possuem nenhuma utilidade para o consumidor e vão direto para a lixeira, aumentando os "restos imortais" no planeta.

03 – Qual é a diferença técnica que o artigo estabelece entre "reciclar" e "reutilizar"?

      Tecnicamente, reciclar significa transformar industrialmente algo usado em um objeto igual e novo (como transformar uma lata de alumínio velha em uma lata nova). Já reutilizar acontece quando transformamos uma coisa em outra coisa diferente, ou quando aproveitamos uma embalagem para outros fins.

04 – Por que a autora afirma que o indivíduo comum, na verdade, não recicla? O que devemos fazer então?

      Ela afirma isso porque a reciclagem real depende de um processo industrial (com exceção dos artesãos de papel). Portanto, o papel do cidadão em relação ao terceiro "R" (Reciclar) deve ser o de separar o lixo produzido e pesquisar alternativas corretas de destinação, como enviar os materiais para cooperativas de catadores ou instituições filantrópicas.

05 – Qual comparação a autora faz entre as embalagens de plástico e as de vidro?

      A autora aconselha a evitar embalagens plásticas que não podem ser transformadas em novos produtos plásticos reciclados. Em contrapartida, ela destaca o vidro como uma excelente opção, pois é um material totalmente reciclável e muito mais útil para ser reutilizado no dia a dia.

 

ARTIGO DE OPINIÃO: OS QUADRINISTAS ATUAIS - FRAGMENTO - LEILA R. IANNONE E ROBERTO A. IANNONE - COM GABARITO

Artigo de opinião: Os quadrinistas atuais – Fragmento

        Do final dos anos 60 para cá, quadrinistas brasileiros têm lançado personagens interessantes: O Pato de Ciça (uma das pocas desenhistas de sucesso entre nós); Capitão Cipó, de Daniel Azulay; Rango, de Edgar Vasques, e muitos outros.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZgCj7stmMvhNLh6I8vdpj1cqmCCW5H1S8TigHr4K4Wllzjh5qbXHBgYlR2UU7uxt85MezxH6eDz7zrMZcvCPaXeWyf9X0PneCaQBzKGGrykLIREkd2AHnxcx3MdU4AD9bgp-U_u4qKfE8SXY9FeaMrWCLnOvEQgoRoIZAqwv7xkJKfzhJYevXMXcYz0I/s1600/pato.jpg
 

        Capitão Cipó, considerado uma obra-prima dos quadrinhos brasileiros, estreou como tira diária no jornal Correio da Manhã, em 1968. É uma sátira ao Super-Homem. O personagem, mistura desse herói com o Batman, carrega, em seu cinto de utilidades, um monte de quinquilharias, como pípulas anticoncepcionais, bombons e isqueiros sem fluido. Quando não está atuando como herói, o Capitão Cipó usa o disfarce de Irineu Pedrosa, um apresentador de televisão.

        Infelizmente, não temos espaço suficiente para detalhar toda a produção brasileira. Esperando não cometer muitas injustiças, vamos mencionar os artistas que estão em maior evidência. Assim, citamos Angeli, que nos brindou com os personagens Skrotinhos, Rê Bordosa e Bibelô, entre outros; Laerte, com a série Piratas do Tietê, uma crítica aos nossos costumes; e Glauco, criador dos Neuras, Geraldão e Dona Marta. [...]

        Devem-se registrar, também, Alain Voss, Miguel Paiva e Sérgio Macedo, autores que fazem sucesso na Europa com personagens tipicamente brasileiros.

Leila R. Iannone e Roberto A. Iannone. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo, Moderna, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 166.

Entendendo o artigo:

01 – O autor menciona que o Capitão Cipó é uma sátira a heróis norte-americanos conhecidos. De que maneira as características desse personagem constroem essa sátira?

      A sátira é construída pela ironia e pelo contraste com os heróis originais. Em vez de possuir apetrechos tecnológicos ou armas poderosas como o Batman, o Capitão Cipó carrega em seu cinto de utilidades "quinquilharias" cotidianas e inúteis para o combate ao crime, como pílulas anticoncepcionais, bombons e isqueiros sem fluido. Além disso, seu alter ego, Irineu Pedrosa, é um apresentador de televisão, ironizando o disfarce tradicional de identidades secretas discretas.

02 – Qual é a justificativa apresentada pelo autor para não aprofundar a análise de toda a produção de quadrinhos brasileira no texto?

      O autor justifica que não o faz por falta de espaço suficiente no texto ("Infelizmente, não temos espaço suficiente para detalhar toda a produção brasileira"). Para contornar essa limitação e tentar não cometer injustiças, ele opta por focar a abordagem nos artistas que estão em maior evidência no momento.

03 – De acordo com o texto, qual é a principal característica ou objetivo da série Piratas do Tietê, da quadrinista Laerte?

      A principal característica da série Piratas do Tietê descrita no fragmento é o seu caráter satírico e social, funcionando explicitamente como uma crítica aos costumes da sociedade brasileira.

04 – O fragmento cita os autores Alain Voss, Miguel Paiva e Sérgio Macedo. Qual é o diferencial do trabalho desses artistas destacado pelo autor?

      O diferencial desses autores é o sucesso internacional alcançado por eles. O autor destaca que eles conseguem fazer sucesso no continente europeu utilizando personagens que carregam uma identidade e características tipicamente brasileiras.

05 – A partir da leitura do primeiro parágrafo, o que o autor sinaliza sobre a presença feminina no cenário de sucesso dos quadrinhos brasileiros até o momento de escrita do texto?

      O autor sinaliza que a presença feminina em patamar de destaque era uma exceção na época. Ao mencionar a personagem "O Pato", de Ciça, ele faz o parêntese de que ela é "uma das poucas desenhistas de sucesso entre nós", evidenciando que o meio era majoritariamente dominado por homens.

 

  

domingo, 17 de maio de 2026

ARTIGO DE OPINIÃO: BALBINO EM CHAMAS - FRAGMENTO - PAULA SALDANHA - COM GABARITO

 Artigo de opinião: Balbino em chamas – Fragmento

        Paraíso e morada dos pescadores

        O lugar onde a nossa gente mora é assim: mar verde, dunas de areia cercando lagoas azuis e praias com coqueirais. É claro que os terrenos na beira das praias são os mais bonitos e os mais valorizados. Por isso tudo é que gente rica fica de olho. Faz proposta para ao pescador, quer comprar... mas aqui na nossa região ninguém vende terreno, não.

        Os moradores mais velhos sempre dizem que a nossa terra é muito boa e muito rica, por isso nós não queremos sair daqui nunca!

        No mar tem o peixe, o siri, o camarão... No mangue tem os mariscos, o caranguejo, mais peixes... Na terra nascem os coqueiros, os pés de caju, manga, abacate, goiaba, limão, tangerina, mamão e um montão de outras frutas. Na turfa (terra preta e fofa), debaixo dos coqueirais, a gente planta feijão, milho, arroz, mandioca, inhame, abóbora... A água pra beber a gente tem limpinha nas cacimbas, que são poços abertos na areia, que a gente tampa e cuida pra não contaminar.

        Todo mundo aqui tem sempre comida boa – o dente das pessoas não estraga por causa do peixe, que tem muito cálcio – e as crianças crescem com saúde. [...]

        A primeira invasão

        Os pistoleiros começaram a rodear as casas do Balbino de manhã cedinho. Primeiro as casas perto do coqueiral, junto do mar. Depois vieram em direção às nossas casas, na beira da lagoa. Gritaram pra todo mundo sair. Viraram móveis e tiraram as pessoas da cama, ameaçando com espingardas e revólveres. [...]

        Capangas covardes. Gritavam com mulheres e crianças como se estivessem tocando o gado. Mostraram as armas e avisaram que todo mundo ia sair dos terrenos por bem ou por mal.

        Por fim, os caras derramaram gasolina e tocaram fogo em quatro casas, com tudo dos pescadores dentro.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiEQXl39enVGSuZfCiJzkujseDAfzKpLt1hNslkZ0bJBPGS4dOecPA6JOQBS-B__lZxthD41nK9ttiRMB1Wd3KZNZ02O9DsI11obGv4QCDCocLwmQseUc0NTLcv9BSwhTxw6SxeLAYNvVAXl2dLZtC6cUCnX6GnTWSbSBy8Omx1fn6jnCfcs2DZq_g2Gvs/s1600/BALBINO.jpg

        -- É só uma pequena mostra – falaram sorrindo.

        Os pistoleiros estavam com cara de loucos e ao mesmo tempo de deboche. Disseram que voltariam depois pra completar o serviço.

      A segunda invasão

        Era quase hora do almoço quando a polícia chegou. Não dava nem pra acreditar: um papel da Justiça dizia preto no branco que os nossos terrenos pertenciam a uma imobiliária e que os moradores iam ter que sair.

        Mas quem vendeu terreno por aqui? Ninguém.

        Então que história era essa?

        Não adiantava discutir, era ordem do juiz. Todas as famílias iam ter que sair do Balbino, que nem foi no Batoque.

        Mas o povo daqui fez resistência. As mulheres pareciam mais valentes que os homens, fechando a passagem dos policiais, com aquele bando de filhos atrás.

        Diante da coragem das mulheres, os policiais se acovardaram e começaram a apelar, berrando, cutucando as pessoas com o cano das espingardas e dando tiros de revólver pro alto.

        Um tiro disparado perto de casa fez meu ouvido ficar zunindo um tempão. Nem dava mais pra ouvir a gritaria das pessoas que corriam em bando, que nem gado acuado.

        Mas eu pude ver muito bem o fogaréu levantando por trás do coqueiral. Muita labareda alta e muita fumaça. [...]

        Os policiais jogavam gasolina e, quando botavam fogo, dava aquele estrondo e as casas lambiam inteirinhas.

        A casa do Chico, meu melhor amigo, foi a que queimou por último. Não posso me esquecer do desespero dele e do pai vendo tudo, tudinho, até aa rede de pesca, queimando lá dentro.

        Deu uma dor aqui no peito...

        O balanço de tudo

        A Arquidiocese de Fortaleza já estava sabendo das confusões e ajudou a apurar as coisas pra comunidade do Balbino. A primeira providência foi chamar um promotor público pra ver direito o caso na Justiça.

        Dona Francisca ia e vinha de Fortaleza trazendo as notícias que conseguia com o promotor, com os repórteres e com os padres. O documento da tal imobiliária era de um terreno lá pro interior. Terra ruim, sem valor nenhum.

        Mas o juiz levou dinheiro pra fazer toda a manobra: colocar os terrenos do Balbino, que sempre foram dos pescadores, como propriedade da imobiliária.

        Com uma simples troca de lugar, endereço, o juiz estava levando muita grana, a imobiliária lucrando bilhões...

        E os pescadores? Centenas de famílias, milhares de pessoas iriam ter que virar mendigos na cidade grande. Ainda bem que do Balbino ninguém saiu. [...].

        Final feliz

        A igreja, a imprensa e o promotor ajudaram o povo de Balbino até o fim. Ao contrário do juiz, que estava levando dinheiro pra prejudicar a gente, o promotor não recebeu nada e colocou a Comunidade de Balbino na Justiça contra a imobiliária – por todo o prejuízo que ela causou.

        Hoje, Balbino é uma área de proteção ambiental. [...].

        Nós vencemos na Justiça. Nossa história teve um final feliz, que nem em filme de julgamento que passa na TV. Só que em filme é tudo de mentirinha, nada machuca. E a nossa história foi mesmo de verdade, marcou nossa gente. marcou pra valer. Teve gente que perdeu tudo e foi obrigada a começar vida nova.

        Coragem e esperança foi o que moveu esse povo. Coragem pra enfrentar a injustiça. E esperança de tudo dar certo. [...].

        A gente agora vai contar pros filhos e pros netos tudo o que se passou com o povo aqui no Balbino e nos outros lugares do litoral.

        Assim, os mais novos vão aprender um pouco da nossa história e vão lutar pra que esse tipo de coisa não aconteça nunca mais.

Paula Saldanha. Balbino em chamas. São Paulo, FTD, 1994.

Fonte: Língua portuguesa. Entre Palavras, edição renovada. Mauro Ferreira – 6ª série – FTD. São Paulo – 1ª edição. 2002. p. 126-129.

Entendendo o artigo:

01 – Como o narrador descreve a comunidade de Balbino antes das invasões e qual é a principal fonte de sustento e saúde dos moradores?

      O narrador descreve Balbino como um verdadeiro "paraíso": um lugar com mar verde, dunas, lagoas azuis e praias com coqueirais. A comunidade é autossustentável e rica em recursos naturais. Os moradores garantem o sustento através da pesca (peixe, siri, camarão) e do mangue (mariscos, caranguejo), colhem frutas variadas (caju, manga, abacate) e plantam alimentos (feijão, milho, mandioca) na terra preta e fofa (turfa). A saúde das crianças é boa e os dentes não estragam devido ao cálcio abundante dos peixes.

02 – O que atrai o interesse de pessoas ricas pela região de Balbino e qual é a postura inicial dos moradores diante das propostas de compra?

      O interesse da "gente rica" é despertado pelo fato de os terrenos na beira da praia serem os mais bonitos e valorizados. No entanto, a postura inicial dos moradores é de total recusa. Influenciados pelos conselhos dos mais velhos, que reconhecem o valor e a riqueza daquela terra, os pescadores afirmam categoricamente que ninguém vende terreno por ali e que não querem sair de lá nunca.

03 – Quem promoveu a "primeira invasão" a Balbino, como agiram e qual foi a justificativa ou aviso que deixaram para os moradores?

      A primeira invasão foi promovida por pistoleiros (capangas). Eles agiram com extrema violência e covardia: chegaram de manhã cedo, expulsaram as pessoas da cama apontando armas (espingardas e revólveres), gritaram com mulheres e crianças como se estivessem "tocando gado" e incendiaram quatro casas com os pertences dos pescadores dentro. Eles avisaram que todos teriam que sair por bem ou por mal e debocharam dizendo que o fogo era "só uma pequena mostra" e que voltariam para completar o serviço.

04 – Qual foi a grande surpresa dos moradores durante a "segunda invasão" e que justificativa legal foi apresentada para expulsá-los?

      A surpresa foi que, na segunda vez, quem apareceu para expulsá-los foi a própria polícia, trazendo uma ordem do juiz ("um papel da Justiça"). A justificativa legal apresentada era a de que, oficialmente, os terrenos pertenciam a uma imobiliária e que, portanto, todas as famílias teriam que desocupar a área.

05 – Como a comunidade reagiu à ação da polícia e quem se destacou na liderança da resistência?

      A comunidade não aceitou a ordem passivamente e ofereceu resistência. As mulheres se destacaram na liderança, mostrando-se ainda mais valentes que os homens ao fecharem a passagem dos policiais com os filhos atrás de si. Diante dessa coragem, os policiais apelaram para a violência física, empurrando as pessoas com canos de espingardas e dando tiros para o alto, além de incendiarem o restante das casas (incluindo a do melhor amigo do narrador, o Chico).

06 – Qual foi o esquema de corrupção descoberto com a ajuda da Arquidiocese de Fortaleza e do promotor público?

      Descobriu-se que o documento apresentado pela imobiliária era falso ou adulterado: referia-se, na verdade, a um terreno sem valor nenhum localizado no interior do estado. No entanto, o juiz responsável pelo caso aceitou suborno ("levou dinheiro") para fazer uma manobra jurídica, alterando o endereço do documento para que os valiosos terrenos litorâneos do Balbino passassem a constar como propriedade da imobiliária. Isso geraria bilhões de lucro para a empresa.

07 – Qual foi o desfecho da história na Justiça e qual lição o narrador pretende deixar para as próximas gerações?

      O desfecho foi a vitória da comunidade na Justiça, graças ao apoio da Igreja, da imprensa e de um promotor público íntegro. Hoje, Balbino é uma área de proteção ambiental e as famílias puderam ficar. A lição que o narrador quer deixar para os filhos e netos é a importância da coragem para enfrentar as injustiças e a esperança de lutar pelos seus direitos, para que abusos desse tipo nunca mais voltem a acontecer.