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terça-feira, 12 de maio de 2026

ARTIGO CIENTÍFICO: O JONGO COMO TÁTICA DE RESISTÊNCIA E COMO ELEMENTO DE CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA E IDENTIDADE NO TERRITÓRIO QUILOMBOLA - FRAGMENTO - IONE DO CARMO

 Artigo científico: O Jongo como tática de resistência e como elemento de construção da memória e identidade no território quilombola – Fragmento

          Ione do Carmo

        O jongo, entendido enquanto dança e gênero musical-poético, foi inicialmente praticado pelos escravos de origem bantu, que trabalhavam nas fazendas de café do Vale do Paraíba. Datam do século XIX os primeiros registros dos jongos nessas fazendas através de relatos dos viajantes. Praticado como diversão, mas abrangendo também aspectos religiosos, é através dos pontos – melodia cantada nas rodas de jongo – que seus praticantes expressam suas ideias e emoções. Em versos curtos, os jongueiros transmitem mensagens ou enigmas a serem decifrados, nos quais a utilização de metáforas e a mescla do português com expressões de origem africana transformam os pontos em canções difíceis de serem interpretadas. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjlblJdbsq55iui3TKhZM1QRjbBDeiaIOhvT5ehCPCBqsMLwt0_bqpX6UotMgqytwdbghIWlfIyGzhEnvW7o_GPosSDmZr5Qs9ebhv1W-KtmmHUnBjJWXSPw6fKtklNTLpdPvLkSAQuD8NRHpUbNr-8JHa0MwBPV0bSUqRfmCEUUvy5jCInHZLNudXWTtA/s1600/JONGO.jpg 


        No período da escravidão, as cantigas ritmadas do jongo acompanhavam o movimento da enxada e, através dos pontos, os escravos relatavam os acontecimentos do cotidiano, excluindo seus senhores e feitores da compreensão de suas mensagens. As fugas, que muitas vezes foram planejadas através dos cânticos do jongo, marcaram os limites da dominação e proporcionaram a formação de comunidades de escravos fugidos, os quilombos. Dessa forma, o jongo constituiu-se como um elemento importante para as fugas, podendo ser interpretado enquanto tática de resistência ao cativeiro.

        Essa manifestação cultural, que continua sendo transmitido de geração a geração através dos africanos e seus descendentes que o praticavam, é uma representação coletiva vivenciada em determinados territórios ocupados pelas comunidades negras rurais e urbanas, que remete diretamente a uma ancestralidade africana e quilombola. Essa transmissão é parte da construção de uma memória coletiva de um grupo, onde os acontecimentos passados, vividos pessoalmente ou “por tabela” são significativos na formação de uma identidade no presente. [...]

        Segundo o relato de Antônio Nascimento Fernandes, líder da comunidade negra rural da Fazenda de São José da Serra, o jongo antecede o quilombo, já que era através do cântico do jongo que o escravo “combinava quem ia fugir, como ia fugir, com quem iria fugir. Mas os feitores, que ficavam o dia todo nas lavouras de café não tomavam conhecimento daquilo.” Considerando essa narrativa, recorre-se claramente a uma referência ao jongo que referenda o seu papel da formação da comunidade de escravos fugidos, que por sua vez resgata o papel do mesmo jongo referendando a comunidade atual [...]

        Dessa forma, as representações coletivas da comunidade de São José da Serra traduzem um modo de vida particular, que levam para além de sua dimensão espacial, um significado simbólico que influi no processo de construção da memória e na afirmação da identidade do grupo. As treze famílias que atualmente moram na comunidade têm por descendência uma família negra em comum formada pelo casal Tertuliano e Miquelina, escravos de José Gonçalves Roxo, proprietário da fazenda São José da Serra na década de 1860.  É importante destacar que os laços familiares dentro da comunidade são mantidos entre os que moram na fazenda, mas também com aqueles que saíram dela. Os familiares que moram fora da fazenda São José da Serra ainda hoje vivenciam as práticas culturais, através da participação nas comemorações, das práticas religiosas e das rodas de jongo.   

        Ainda hoje, nessa comunidade, o jongo é dançado em volta de uma fogueira e a mãe de santo – atualmente Mãe Tetê, descendente da última geração de escravos – benze a fogueira e os participantes, dando continuidade a uma tradição.   É possível que a presença do fogo na roda de jongo esteja ligada a forte influência cultural africana dos escravos bantus, que constituíram a maioria dos escravos trazidos para o Centro-Sul do Brasil entre o final do século XVIII e 1850. [...]

        Dessa forma, a prática atual simboliza a forte relação entre o jongo e a religiosidade, e relação da comunidade de São José da Serra com os antepassados, representando a manutenção da memória coletiva desse grupo e afirmando sua identidade quilombola.

        [...].

CARMO, Ione do. O Jongo como tática de resistência e como elemento de construção da memória e identidade no território quilombola (1988-1999). In: XIV Encontro Nacional da Anpuh-Rio Memória e Patrimônio, 2010, Rio de Janeiro: Unirio,2010. p. 2-3. Disponível em: www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1278432815_ARQUIVO_texto-anpuhione.pdf. Acesso em: 19 abr. 2021. Adaptado.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 75-76.

Entendendo o artigo:

01 – Qual é a origem histórica do jongo e em que região ele se consolidou inicialmente?

      O jongo teve origem com os escravos de origem bantu. Ele foi praticado inicialmente nas fazendas de café do Vale do Paraíba, com registros que datam do século XIX através de relatos de viajantes.

02 – O que são os "pontos" de jongo e como eles eram utilizados para excluir os senhores e feitores da comunicação?

      Os "pontos" são as melodias cantadas nas rodas de jongo. Eles utilizam versos curtos, metáforas, enigmas e a mistura do português com expressões de origem africana, o que tornava a mensagem difícil de ser interpretada por quem não pertencia ao grupo, como os senhores e feitores.

03 – Por que o jongo pode ser interpretado como uma "tática de resistência" ao cativeiro?

      Porque, além de acompanhar o ritmo do trabalho, o jongo era usado para relatar acontecimentos do cotidiano e, principalmente, para planejar fugas sem que os feitores percebessem, resultando na formação de quilombos.

04 – De acordo com o texto, qual é a relação entre o jongo e a formação de comunidades quilombolas?

      O jongo antecede e fundamenta o quilombo. Ele servia como ferramenta de articulação para as fugas ("quem ia fugir, como ia fugir"). Atualmente, a prática do jongo resgata essa história, legitimando a identidade e a ancestralidade dessas comunidades.

05 – Como a memória coletiva é mantida na comunidade da Fazenda de São José da Serra?

      A memória é mantida através da transmissão de geração em geração de práticas culturais e religiosas. Isso envolve tanto as famílias que residem na fazenda quanto os parentes que moram fora, que retornam para participar das rodas de jongo e celebrações.

06 – Qual é o papel da "mãe de santo" e do fogo nas rodas de jongo atuais?

      A mãe de santo (como Mãe Tetê) tem o papel de benzer a fogueira e os participantes, reforçando o caráter religioso da tradição. A presença do fogo é uma herança cultural direta dos escravos bantus e simboliza a conexão com os antepassados.

07 – Como o jongo influi na afirmação da identidade quilombola no presente?

      O jongo funciona como um símbolo de resistência e união. Ao praticarem o jongo, os descendentes reafirmam sua ancestralidade africana, mantêm viva a memória dos que lutaram contra a escravidão e fortalecem os laços de pertencimento ao território quilombola.

 

ARTIGO CIENTÍFICO: TAI CHI CHUAN: QUAIS SÃO SEUS BENEFÍCIOS ? FRAGMENTO - PORTAL NAMU - COM GABARITO

 Artigo científico: Tai chi chuan: quais são seus benefícios? – Fragmento

        O tai chi chuan é um sistema antiestresse: além de contribuir no aumento da flexibilidade, dá força muscular

        Conta a lenda chinesa que a prática foi criada pelo mestre taoísta Chang San Feng, depois de observar o combate entre uma garça e uma serpente.

        Durante a luta, os animais, cada um com suas características, demonstravam flexibilidade, leveza, energia, rapidez e acuidade. Ainda, demonstravam também capacidades especiais para permanecer em luta durante longos períodos.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh_91Pasr3slGWDQDCokRNXwE_yUcgnMXAkQPObxNpr9DkrrTgcXE3CmbfURCViP_AeBrwcNRb8FzX3o79Xg-oj2B4Hce7_DxmzMlKrFnVT5PaFJttqBrRIWXTj3Ym5cGt6M3t2cdVV10cRK8c8FSAa6Z1z9Lk7Qc5jmIB2I2phnF0swTHLg7x80sS5WkA/s320/TAI.jpg


        Segundo a lenda, a luta entre os dois animais durou muito tempo. E assim, ela serviu de inspiração e levou Chang San Feng a desenvolver as técnicas do tai chi chuan.

        Já em sua origem, a arte foi criada com propósitos diversos. Isso porque os praticantes de tai chi chuan, além de viverem nas montanhas isoladas da China praticando a calma interior, tinham também que se defender dos invasores intermitentes da época.  A prática do tai chi chuan sempre serviu a necessidade tanto de "cultivo interno" quanto de "luta" desse povo, já que une conceitos de força e suavidade.

        Tai chi chuan nos dias de hoje

        Na vida comum, tendo em vista os conflitos diários do ser humano, o tai chi (energia suprema – fusão do yin e yang) chuan (agilidade, flexibilidade e punho) ajuda o ser humano a resolver os problemas sem muito desgaste.

        Isso porque seus movimentos – circulares, contínuos e lentos -, estimulam a concentração, a consciência corporal e acalmam a mente. Além disso, também colaboram para o equilíbrio das energias do corpo e a revitalização das funções dos órgãos, estimulando o metabolismo. Isso acontece devido à sistemática dos movimentos, que são realizados de maneira lenta e de forma delimitada dentro de uma sequência preestabelecida. Dessa forma, exigem que o praticante esteja atento aos detalhes e controle os movimentos do seu corpo.

        [...]

        À medida que o indivíduo se dedica à arte milenar, seu corpo inteiro se movimenta de maneira lenta, suave e controlada. Isso promove uma massagem dos órgãos internos e o fortalecimento das fáscias (membranas que recobrem os órgãos). Além disso, o tai chi também estimula a circulação sanguínea e dos líquidos que devem permear todo o corpo.

        A prática regular também melhora o funcionamento dos órgãos, pois durante a atividade, o praticante respira profundamente, desintoxicando seus pulmões. Além disso, ele também transpira e tem estimulado o aparelho urinário e excretor, eliminando toxinas através desses processos.

        Estudos sugerem que, mesmo sendo um exercício de baixa velocidade, o tai chi chuan ainda contribui para a saúde cardiovascular e a forma física das pessoas, além de aliviar os estados depressivos.

        [...]

        Na China é comum ver homens, mulheres e crianças praticando o tai chi chuan todas as manhãs, com o objetivo de melhorar a forma física e mental. E embora aqui no Brasil a prática da atividade seja ainda novidade, ela já está sendo adotada por escolas de ensino fundamental e médio como forma de estimular a consciência corporal e diminuir os níveis de estresse e ansiedade das crianças.

PORTAL NAMU. Tai chi chuan: quais são seus benefícios? Disponível em: https://namu.com.br/portal/corpo-mente/tai-chi/tai-chi-chuan1. Acesso em: 13 mar. 2021. Adaptado.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 105.

Entendendo o artigo:

01 – De acordo com a lenda chinesa, qual foi a inspiração para a criação do Tai Chi Chuan?

      A prática foi inspirada na observação de um combate entre uma garça e uma serpente pelo mestre taoísta Chang San Feng. Ele notou a flexibilidade, leveza, energia e rapidez dos animais durante a luta.

02 – Por que se afirma no texto que o Tai Chi Chuan foi criado com "propósitos diversos"?

      Porque a arte unia a necessidade de "cultivo interno" (calma interior para quem vivia isolado nas montanhas) com a necessidade de "luta" (autodefesa contra invasores da época), integrando conceitos de força e suavidade.

03 – Quais são as principais características dos movimentos do Tai Chi Chuan mencionadas no texto?

      Os movimentos são circulares, contínuos, lentos, suaves, controlados e realizados dentro de uma sequência preestabelecida.

04 – Como a prática do Tai Chi Chuan auxilia o ser humano a lidar com os conflitos diários da vida moderna?

      Ela ajuda a resolver problemas sem muito desgaste, pois os exercícios estimulam a concentração, a consciência corporal, acalmam a mente e equilibram as energias do corpo.

05 – Quais são os benefícios físicos internos gerados pela movimentação lenta e controlada da arte?

      A prática promove uma massagem nos órgãos internos, fortalece as fáscias (membranas que recobrem os órgãos) e estimula a circulação sanguínea e de líquidos pelo corpo.

06 – De que maneira o Tai Chi Chuan contribui para a desintoxicação do organismo?

      Através da respiração profunda (que desintoxica os pulmões), da transpiração e do estímulo aos aparelhos urinário e excretor, que ajudam na eliminação de toxinas.

07 – Como o Tai Chi Chuan está sendo aplicado no contexto escolar brasileiro, segundo o fragmento?

      Está sendo adotado por escolas de ensino fundamental e médio como uma estratégia para estimular a consciência corporal e reduzir os níveis de estresse e ansiedade entre os alunos.

 

 

ARTIGO CIENTÍFICO: BENEFÍCIOS E APLICAÇÕES DA PRÁTICA DA EUTONIA - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EUTONIA -COM GABARITO

 Artigo Científico: Benefícios e aplicações da prática da eutonia

        A eutonia é uma prática de cuidado de si que proporciona inúmeros benefícios nos âmbitos físico, emocional e espiritual. Alguns de seus princípios fundamentais são a autorregulação e uma visão de homem integral, que compreende corpo e psiquismo como uma unidade. A sua prática contribui para a integração psicocorporal e para a percepção de si mesmo e de como determinados estados emocionais estão intimamente relacionados a estados físicos. 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhrmrsLvBrpymj8qc-02MBp0hmgc7H9xyweTI6rqimoaWC6aJdE5Xnqs6mAWTM0BSfpkD0SaKZ4QWA0FFrPlKOGTf5nIxgkqShqAm7NgubWrwsfM82iieaEjfCe8B536LRvT9EM7Xi4tScZW_8UhSO6GWfpyyfm5Ti1P2vDyKvDz31_vIpnl87y3iDhoHg/s320/eutonia-2-scaled.jpg 


        Segundo a criadora da eutonia, Gerda Alexander, alguns dos traumas que se dão no desenvolvimento de um sujeito se dão em uma etapa pré-verbal, antes da aquisição da linguagem e seriam de difícil acesso através de vias exclusivamente verbais. Através do toque sutil realizado na eutonia seria possível acessar memórias corporais profundas relacionadas a estes conflitos.

        Ao promover um aprofundamento da consciência da postura global do corpo e de cada segmento em particular, a prática de eutonia colabora para uma postura mais harmônica e flexível, prevenindo problemas corporais decorrentes de posturas que desgastam o corpo (como a artrite e a artrose), proporcionando o aprendizado de um uso mais inteligente do corpo, que aprende a se aproveitar de sua anatomia e da relação com a gravidade para se movimentar sem o excesso de gasto energético decorrente de tensões desnecessárias. 

        É também uma ferramenta extremamente útil na recuperação das lesões que provocam a dor e no tratamento das dores crônicas em que o fator desencadeante da dor já está controlado, mas a dor persiste. Durante o tratamento da eutonia a pessoa experimenta estados de calma e a diminuição da ansiedade, aos poucos vai aprendendo a perceber e administrar os fatores estressantes e as reações corporais ao estresse, assim como nas questões relacionadas à má qualidade do sono.

        A eutonia também colabora na regularização da imagem corporal. Gerda Alexander afirmava que eram raras as pessoas com uma imagem corporal adequada e que a sua normalização tinha efeitos psíquicos profundamente benéficos, além dos efeitos corporais, como uma melhora na respiração e na circulação. Perceber o tamanho que seu corpo ocupa no espaço traz a possibilidade de ocupar melhor o espaço ao redor.

        Por fim, além dos benefícios à saúde, a eutonia tem se mostrado uma ferramenta potente tanto no campo das artes, quanto dos esportes.

        Em suma, a eutonia é uma prática terapêutica e pedagógica sutil e ao mesmo tempo profunda, que respeita o tempo de aprendizado do aluno e incentiva a sua autonomia, na qual o centro do trabalho está em auxiliar a pessoa a compreender os caminhos do cuidado de si, de forma integral, a partir do entendimento de que corpo, mente, espírito são diferentes dimensões de um mesmo todo. É um potente auxiliar de tratamentos médicos e fisioterápicos relacionados a desordens corporais e também de tratamentos de saúde mental e psíquica. Tem sido muito utilizada e divulgada no meio artístico devido à sua contribuição para o desenvolvimento de um corpo mais integrado e presente.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EUTONIA. Benefícios e aplicações da prática da eutonia. Disponível em: https://www.eutonia.org.br/conteudos/textos/190. Acesso em: 8 mar. 2021.

Fonte: linguagens. EJA. Ensino médio. Caderno 3 – 1ª edição. SEDUC – FGV – SESI – p. 104-105.

Entendendo o artigo:

01 – O que é a eutonia e qual é a sua visão fundamental sobre o ser humano?

      A eutonia é uma prática de cuidado de si, terapêutica e pedagógica, que compreende o homem de forma integral. Sua visão fundamental é de que corpo, mente e espírito são dimensões inseparáveis de um mesmo todo (unidade psicocorporal).

02 – Segundo Gerda Alexander, por que o toque sutil é importante para acessar certos traumas?

      Porque alguns traumas ocorrem em etapas pré-verbais do desenvolvimento, antes da aquisição da linguagem. Por isso, são difíceis de acessar apenas por vias verbais, sendo o toque sutil da eutonia uma via para alcançar essas memórias corporais profundas.

03 – De que forma a eutonia contribui para a postura e a prevenção de doenças físicas?

      Ela promove o aprofundamento da consciência da postura global e de cada segmento do corpo. Isso resulta em uma postura mais harmônica e flexível, prevenindo problemas como artrite e artrose, causados por posturas que desgastam o corpo.

04 – Como a prática da eutonia ajuda na economia de energia durante o movimento?

      Através do aprendizado de um uso mais inteligente do corpo, aproveitando a anatomia e a relação com a gravidade, o que elimina tensões desnecessárias e evita o gasto excessivo de energia.

05 – Qual é o papel da eutonia no tratamento de dores crônicas e lesões?

      Ela é uma ferramenta útil na recuperação de lesões e no tratamento de dores crônicas onde o fator desencadeante já foi controlado, mas a dor persiste. A prática ajuda a diminuir a ansiedade e ensina a pessoa a administrar fatores estressantes.

06 – Quais são os benefícios da regularização da imagem corporal mencionados no texto?

      A normalização da imagem corporal traz efeitos psíquicos benéficos e melhorias físicas diretas, como o aprimoramento da respiração e da circulação, além de permitir que a pessoa ocupe melhor o espaço ao seu redor.

07 – Além da área da saúde, em quais outros campos a eutonia tem sido uma ferramenta potente?

      A eutonia tem se mostrado muito eficaz nos campos das artes e dos esportes, auxiliando no desenvolvimento de um corpo mais integrado, presente e consciente para essas atividades.

 

 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: COMO, ONDE E QUANDO NASCEU A LÍNGUA PORTUGUESA? FRAGMENTO - ATALIBA T. DE CASTILHO - COM GABARITO

 Divulgação Científica: Como, onde e quando nasceu a língua portuguesa? – Fragmento

            Ataliba T. de Castilho (USP, CNPq)

        [...]

        Para saber como, onde e quando nasceu a Língua Portuguesa, precisaremos em primeiro lugar entender o que é a Europa Latina.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhWH8-7IStAW0mwItCkWDRzc3wmIQsaTozyvU2rjoxJs4Y6rdCFvHPC54IK8faUp1CBIyqp3RXVB1ctcYvRPAY8Fexm5AwKt0YnNxRbfrA1Qhmnr2nmVRcZ-TEJHksjPQAFWgLEFkwnGOcG4tXdo2Ffy6vVDhA-aoxVz92Z34iSbYMz9KId-molIT4uRss/s320/maxresdefault.jpg


        [...]

        Tópico 1

        Pra começo de conversa, você sabia que existe a América Latina, mas sabia também que existe uma Europa Latina? Pois é, além de América Latina também existe uma Europa Latina. É isso mesmo, só que ao contrário. É porque existiu uma Europa Latina que temos hoje uma América Latina, onde se falam o Português, o Espanhol e o Francês, trazidos pelos colonizadores.

        A Europa Latina é a parte europeia do que sobrou do Império Romano. O Império Romano desapareceu enquanto organização política e administrativa, mas sua cultura continua viva, sendo cultivada, por exemplo, aqui no Brasil! Daí a importância em conhecer a Europa Latina.

        [...]

        Tópico 2

        Os romanos invadiram a Península Ibérica entre 197 antes de Cristo e 400 depois de Cristo. Quem diria, dois mil anos mais tarde, nós aqui no Brasil estamos falando uma língua latina! Quando os romanos conquistaram a Península Ibérica eles atiraram (lanças e flechas) no que viam (os coitados dos ibéricos) e acertaram no que não viam (os povos da América Latina).

        [...]

        Mas enfim, o que levou os romanos a invadirem a Península Ibérica foi uma razão tão simples quanto antiga: a ambição humana.

        [...]

        O sul da Península foi rapidamente submetido, mas o norte e o centro permaneceram por muito tempo na mão dos antigos donos do negócio. O norte foi particularmente resistente, graças à chefia de Viriato, chefe dos Lusitanos. Em 139 a.C. eles foram atraiçoados e eliminados pelos romanos. Um ano antes tinha sido fundada a cidade de Felicitas Julia Olisipo, atual Lisboa.

        [...]

        A Hispânia Citerior foi colonizada por militares, tendo-se ali desenvolvido uma cultura mais rural, menos desenvolvida economicamente, mais ligada a Roma, de onde era accessível por terra. Em consequência, o Castelhano ou Espanhol, ali desenvolvido, seria mais inovador, transformando mais fortemente o Latim Vulgar. O Catalão se constitui num caso à parte, com sua natureza de “língua-ponte”, assumindo propriedades linguísticas da Ibero-România e da Galo-România: Baldinger (1962).

        [...]

        Tópico 3

        Agora que ficou clara a importância do Latim Vulgar, seria o caso de ler algum texto escrito nessa língua.

        Pois é, meu caro, desta vez não vai dar! O Latim Vulgar era só falado, e falado por quem não dominava a escrita – sendo que naqueles tempos, ainda por cima, poucos indivíduos dominavam a escrita. Para piorar as coisas, os japoneses ainda não tinham inventado o gravador eletrônico portátil. O jeito então é comparar as línguas românicas entre si, pois sendo descendentes do Latim Vulgar, guardaram traços dele. É como diziam os antigos: “quem sai aos seus não degenera”. [...]

        Para ajudar na reconstituição do Latim Vulgar, também se pode buscar por aí um ou outro texto latino que tenha documentado essa variedade, como as comédias romanas, as inscrições em arcos-do-triunfo e em pedras tumulares, os grafitti em paredes que tenham sobrevivido (como em Pompéia, por exemplo), e por aí vai. Mas é preciso tomar cuidado com esses testemunhos, pois é evidente que quem os escreveu sabia Latim Culto, e pode ter misturado sem querer as duas variedades.

        [...]

        Tópico 4

        A latinização da Península Ibérica pelos romanos e a existência de povos e culturas pré e pós-romanos no território criaram as condições para o surgimento do Português. Vamos ver isso passo a passo. A expansão romana pela Europa teria como resultado o surgimento de um grande conjunto de línguas, denominadas línguas românicas, derivadas do Latim Vulgar. Entre os últimos tempos do Latim e o surgimento das línguas românicas, aproximadamente entre os anos 600 e 1000, falou-se na Europa o Romance. [...]

        Subtópico 4.1

        Os cidadãos romanos tinham consciência das variedades de Latim que estavam usando, tal como hoje, quando distinguimos o Português Culto do Português Popular. Naquele tempo, as variedades do Latim eram reconhecidas e designadas pelas expressões latine loqui, isto é, falar Latim Culto, e romanice loqui, isto é, falar o Latim Vulgar dialetado que se espalharia pela Europa.

        O advérbio romanice, que aparece na expressão romanice loqui, mudaria foneticamente para Romance, passando a designar primeiramente a resultante europeia da dialetação do Latim Vulgar por toda a Europa Latina, e posteriormente um gênero literário – precisamente as narrativas redigidas nessa língua, intermediária entre o Latim Vulgar e as futuras línguas românicas. É no primeiro desses sentidos que se toma aqui a palavra Romance.

        O período Romance não é conhecido em detalhes. Tudo o que se sabe é que o Romance variava geograficamente, e já não podia mais ser considerado como Latim, dadas as profundas alterações operadas na gramática da língua de Roma, nem era ainda algumas das línguas românicas que hoje conhecemos. A própria duração do Romance variou no tempo: na França, ele parece ter sido extinto em 800, quando surge o primeiro documento em Francês, os Juramentos de Estrasburgo, de 838. Na Ibéria o “prazo de validade” do Romance foi mais extenso, e ele deve ter sobrevivido até 1100. Você sabe, os bons ares do lugar, o azeite, o queijo e o vinho...

        [...]

        Subtópico 4.3

        A Ibéria não era nenhum deserto humano quando os Romanos chegaram. Eles encontraram aqui os Bascos ou Iberos, aquele povo não Indoeuropeu, e ainda os Celtas, os Ambroilírios, os Fenícios ou Cartagineses (a quem derrotaram) e os Gregos.

        [...]

        Nenhum desses povos conseguiu preservar sua língua diante do avanço romano, com exceção dos Bascos. O Latim Vulgar receberia deles contribuições lexicais, tendo preservado sua morfologia e sua sintaxe. É por isso que o Galego, o Português e o Castelhano mantêm até hoje uma gramática neolatina.

        [...]

        Subtópico 4.4

        A Península Ibérica não virou um paraíso na terra só porque os romanos tinham chegado e tomado conta do pedaço.

        Estavam os descendentes dos romanos muito felizes com suas novas propriedades hispânicas, quando o lugar entrou na mira dos germanos. Logo os germanos, que tanta confusão já tinham armado no coração mesmo do Império, e que acabariam por dar-lhe fim, em 497 d.C.! Mas não apenas os germanos fizeram estripulias no lugar! Mal começada a Era Moderna, lá vieram os Árabes acabar com a graça dos descendentes dos invasores germânicos.

        [...]

        Tópico 6

        O Português Arcaico foi falado e escrito entre os sécs. XIII e XVI, mais precisamente, até o ano de 1540.

        Se há um assunto complicado é o da datação das línguas e das fases históricas pelas quais elas passaram. Pense um pouco. A história dos povos exige datas, afinal ela é uma narrativa de eventos que se dispõem na linha do tempo. Até aí tudo bem. O problema é que na história das línguas só podemos datá-las através de documentos nos quais elas apareçam escritas. Ora, quando uma dada língua chega a ser escrita, é por que já vinha sendo falada há muito tempo! Há quanto tempo? Impossível saber. De modo que vamos olhar estas datas todas com um pé atrás, entendendo que elas são aproximativas.

        Neste quadro de dificuldades, diversos autores têm trabalhado com a hipótese de que o Português surgiu quando se deixou de escrever documentos no Romance do Noroeste da Península, adotando-se a língua que decerto já vinha sendo falada há tempos. Ora, isso se deu por volta de 1200, talvez um pouco antes, isto é, entre o séc. XII e o séc. XIII. Logo, podemos dizer – até que se descubram documentos mais antigos – que o Português se formou nessa data, e que portanto já existe há 800 anos. Velhinho, hein? Pois não é não. O Francês é pouco mais de três séculos mais velho, e o Castelhano existe desde 900 e tal. Imagine então a idade das línguas da Índia, da China e do Japão!

        [...]

        Tópico 7

        Levou tempo para que se tomasse consciência do Português como uma nova língua. Tiveram importância nesse ofício duas instituições, que agiram como centros irradiadores de cultura na Idade Média: os mosteiros, onde se levavam a cabo traduções de obras latinas, francesas e espanholas (Mosteiros de Santa Cruz e Alcobaça) e a Corte, para a qual convergiam os interesses nacionais. Escreviam ali fidalgos e trovadores, aprimorando a língua literária.

        Constituída essa consciência linguística, passamos ao século XVI, quando o debate hoje rotulado como “a questão da língua”, além da publicação das primeiras gramáticas e dicionários, focalizaram a importância do Português, sua expansão e sua oposição ao castelhano.

        Gramáticos portugueses dos séculos XVI e XVII proclamam as virtudes da língua pátria, capaz de veicular quaisquer tipos de sentimentos e arrazoados. Eles se opunham àqueles que julgavam as línguas românicas veículos toscos, insuficientes para as altas criações do espírito. E aqui entra Camões, com seus célebres versos.

        E na língua, na qual quando imagina

        Com pouca corrupção crê que é a Latina (Lus. I, 33)

        A ninguém passou despercebida a relação entre a expansão do Império e a Língua Portuguesa, que seria levada aos quatro cantos do mundo. Escritos evidenciam essa percepção, como se pode ler nos primeiros gramáticos, um dos quais, João de Barros, escreveu as Décadas da Ásia, em que trata igualmente do assunto.

        [...]

        Finalmente, o Romantismo vem encontrar os gramáticos atentos ao gênio da língua e ao papel do povo em sua elaboração. Já agora a questão da língua é entregue à ciência, personificada em Francisco Adolfo Coelho, fundador da Linguística Portuguesa. A história da língua passa a incorporar a língua não escrita. E nisto estamos.

        [...]

Ataliba T. de Carvalho. Como, onde e quando nasceu a língua portuguesa? Disponível em: http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/files/mlp/texto_9.pdf. Acesso em: 3 fev. 2015. p. 01-36.

Fonte: Universos – Língua Portuguesa – Ensino fundamental – Anos finais – 8º ano – Camila Sequetto Pereira; Fernanda Pinheiro Barros; Luciana Mariz. Edições SM. São Paulo. 3ª edição, 2015. p. 25-28.

Entendendo a divulgação:

01 – O que é a Europa Latina e qual sua importância para a língua portuguesa?

      A Europa Latina é a parte europeia que restou do Império Romano. É importante porque, embora o Império Romano tenha desaparecido como organização política, sua cultura continuou viva, e foi dela que se originaram as línguas latinas, incluindo o português.

02 – Quando e como os romanos invadiram a Península Ibérica?

      Os romanos invadiram a Península Ibérica entre 197 a.C. e 400 d.C. O motivo principal dessa invasão foi a ambição humana, e eles gradualmente submeteram a região, enfrentando resistência no norte, como a liderada por Viriato.

03 – Qual era a diferença entre Latim Culto e Latim Vulgar?

      O Latim Culto era a variedade formal da língua, dominada pela escrita e usada por aqueles com educação. O Latim Vulgar, por sua vez, era a língua falada cotidianamente pelas pessoas que, em sua maioria, não dominavam a escrita, e foi essa variedade que se espalhou e deu origem às línguas românicas.

04 – Por que é difícil estudar o Latim Vulgar diretamente através de textos?

      É difícil estudar o Latim Vulgar diretamente porque ele era uma língua essencialmente falada e utilizada por pessoas que não dominavam a escrita. Os textos latinos que sobreviveram são geralmente em Latim Culto, e mesmo quando há vestígios do Latim Vulgar (como em comédias romanas ou grafites), é preciso cautela, pois os autores podiam misturar as variedades.

05 – O que foi o período "Romance" na formação das línguas românicas?

      O período Romance foi uma fase intermediária, aproximadamente entre os anos 600 e 1000 d.C., entre o Latim Vulgar e o surgimento das línguas românicas. Nesse período, o Latim Vulgar já havia sofrido profundas alterações gramaticais e geográficas, mas ainda não era nenhuma das línguas românicas que conhecemos hoje.

06 – Quando se estima que o português "nasceu" como uma língua distinta?

      Estima-se que o português se formou por volta de 1200 d.C., ou seja, entre os séculos XII e XIII. Essa data é aproximada, marcada pelo momento em que documentos deixaram de ser escritos no Romance do Noroeste da Península e a língua que já era falada passou a ser registrada.

07 – Quais povos habitavam a Península Ibérica antes da chegada dos romanos, e qual deles conseguiu preservar sua língua?

      Antes dos romanos, a Península Ibérica era habitada por povos como os Bascos (ou Iberos), Celtas, Ambroilírios, Fenícios (ou Cartagineses) e Gregos. Desses, apenas os Bascos conseguiram preservar sua língua diante do avanço romano.

08 – Como a invasão dos povos germânicos e árabes influenciou a Península Ibérica após a romanização?

      Após a romanização, a Península Ibérica foi invadida pelos germanos, que desestabilizaram o Império Romano. Mais tarde, com o início da Era Moderna, os árabes também invadiram a região, alterando ainda mais o cenário cultural e linguístico.

09 – Quais instituições foram importantes para a tomada de consciência do português como uma nova língua na Idade Média?

      Duas instituições foram cruciais: os mosteiros (como os de Santa Cruz e Alcobaça), que realizavam traduções e disseminavam cultura, e a Corte, para onde convergiam os interesses nacionais e onde fidalgos e trovadores aprimoravam a língua literária.

10 – Qual o papel de autores como Camões e João de Barros na valorização da língua portuguesa?

      Autores como Camões e João de Barros desempenharam um papel fundamental na valorização do português. No século XVI, eles e outros gramáticos proclamaram as virtudes da língua pátria, defendendo sua capacidade de expressar sentimentos e ideias complexas, opondo-se àqueles que a consideravam inferior. João de Barros, em suas Décadas da Ásia, também evidenciava a relação entre a expansão do Império Português e a disseminação da língua.

 

 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: NÃO HÁ LÍNGUAS PRIMITIVAS - (FRAGMENTO) - JOHN LYONS - COM GABARITO

 Divulgação científica: Não há línguas primitivas – Fragmento

                   John Lyons

        É bastante comum ouvir leigos falarem sobre línguas primitivas, repetindo até o mito já desacreditado de que há certos povos cujas línguas consistem apenas de umas poucas palavras complementadas por gestos. A verdade é que todas as línguas até hoje estudadas, não importa o quanto primitivas as sociedades que as utilizam nos possam parecer sob outros aspectos, provaram ser, quando  investigadas, um sistema de comunicação complexo e altamente desenvolvido. Evidentemente toda a questão da evolução cultural desde a barbárie até a civilização é em si mesma altamente questionável. Porém não cabe ao linguista pronunciar-se sobre sua validade. O que ele pode afirmar é que ainda não se descobriu uma correlação entre os diferentes estágios de desenvolvimento cultural por que as sociedades passam e o tipo de língua falado durante eles. Por exemplo, não há uma língua da Idade da Pedra; ou, no tocante a sua estrutura gramatical geral, um tipo de língua característico das sociedades essencialmente agrícolas por um lado, e das modernas sociedades industrializadas, por outro.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhvp6a_JbiLfJuybFz0nzmC_SFJMHRw5kIa5WS84dlYdr6MNHWClVqonh7F9oN5e_ViUOAHAF9nc0MCtdpZ-gseNyWpRUpu4-S4m7aCNrMdKiGItRA59I6NYNASDuCiBxudimnHtJ5bU9hHv_scRynyo8U_4M18P_arlbZs1r8BBoWBUf_x4VMfzNtq1S8/s320/PRIMITIVAS.jpg


        Houve muitas especulações no século XIX quanto ao desenvolvimento das línguas passando estruturalmente da complexidade à simplicidade ou, alternativamente, da simplicidade à complexidade. A maior parte dos linguistas se exime de especular sobre o desenvolvimento evolutivo das línguas em termos tão gerais. Sabem que, se tiver havido qualquer direcionamento na evolução linguística desde suas origens na pré-história até os nossos dias, não há qualquer sinal de direcionamento, recuperável a partir do estudo das línguas contemporâneas ou das do passado, das quais nos reste algum conhecimento.

        [...]

        Desde o século XIX, quase todos os linguistas, à exceção de muito poucos, abandonaram a questão da origem das línguas por estar para sempre fora do escopo de uma investigação científica. A razão para isso foi que, como acabamos de ver, durante o século XIX eles notaram que, por mais longe que se voltasse na história de determinadas línguas nos textos que duraram até nossos dias, era impossível discernir quaisquer sinais de evolução de um estado mais primitivo para outro mais avançado.

        [...]

        Permanece o fato de que não só em todas as línguas conhecidas o canal vocal-auditivo é o que é primeira e naturalmente utilizado para a transmissão de sinais, como também todas as línguas conhecidas são, grosso modo, igualmente complexas, no tocante à sua estrutura gramatical.

        [...]

        Evidentemente há diferenças consideráveis nos vocabulários das diferentes línguas. Portanto, é possível que seja necessário aprender uma outra língua ou pelo menos um vocabulário especializado para que se possa estudar um assunto específico ou discorrer satisfatoriamente sobre ele. Neste sentido uma língua pode adaptar-se melhor do que outra a determinados fins específicos. O que não significa, entretanto, que uma seja intrinsecamente mais rica ou pobre que a outra. Todas as línguas vivas, pode-se presumir, são por natureza sistemas eficientes de comunicação. À medida que se modificam as necessidades de comunicação de uma sociedade, também se modificará a língua por ela falada, para atender às novas exigências. O vocabulário será ampliado, seja tomando emprestadas palavras estrangeiras, seja criando-as a partir de seus próprios vocábulos já existentes. O fato de que muitas línguas faladas nos, por vezes, chamados países subdesenvolvidos não dispõem de palavras correspondentes a conceitos e produtos materiais oriundos da moderna ciência e tecnologia não implica que tais línguas sejam mais primitivas do que as que têm tais itens. Demonstra tão-somente que certas línguas, pelo menos até agora, não foram ainda utilizadas por aqueles que estão envolvidos no desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982, p. 37-40.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 138-139.

Entendendo a divulgação:

01 – Qual é o mito comum sobre línguas primitivas que o autor busca desmistificar?

      O mito comum é que existem povos com línguas extremamente simples, consistindo de poucas palavras e muitos gestos, e que essas línguas seriam "primitivas" em comparação com outras.

02 – O que o autor afirma sobre a complexidade das línguas estudadas, independentemente da cultura que as utiliza?

      O autor afirma que todas as línguas estudadas, mesmo aquelas faladas por sociedades consideradas "primitivas" sob outros aspectos, revelaram-se sistemas de comunicação complexos e altamente desenvolvidos.

03 – Qual é a posição do autor em relação à evolução cultural e sua suposta influência sobre a linguagem?

      O autor questiona a validade do conceito de evolução cultural da barbárie à civilização e afirma que não cabe ao linguista pronunciar-se sobre isso. No entanto, ele destaca que não há evidências de correlação entre os estágios de desenvolvimento cultural de uma sociedade e o tipo de língua que ela fala.

04 – O que os linguistas descobriram sobre a evolução das línguas ao longo do tempo?

      Os linguistas descobriram que, por mais que se investigue o passado de uma língua através de textos históricos, não é possível encontrar sinais de evolução de um estado mais primitivo para um mais avançado. Eles não encontraram nenhum "direcionamento" na evolução linguística.

05 – Qual é a principal razão para a maioria dos linguistas ter abandonado a questão da origem das línguas?

      A principal razão é que, como não é possível encontrar evidências de evolução linguística ao longo do tempo, a questão da origem das línguas permanece fora do escopo da investigação científica.

06 – Além da complexidade gramatical, o que mais o autor destaca como característica comum a todas as línguas conhecidas?

      O autor destaca que em todas as línguas conhecidas, o canal vocal-auditivo é o principal e natural meio de transmissão de sinais.

07 – O que o autor argumenta sobre as diferenças nos vocabulários das línguas e sua relação com a ideia de línguas "mais ricas" ou "mais pobres"?

      O autor argumenta que as diferenças nos vocabulários refletem as necessidades de comunicação de cada sociedade. Uma língua pode ser mais adaptada para discutir certos assuntos, mas isso não significa que ela seja intrinsecamente mais rica ou pobre do que outra. Todas as línguas vivas são sistemas eficientes de comunicação e se adaptam às necessidades de seus falantes. A falta de palavras para conceitos modernos em algumas línguas não indica primitividade, apenas que essas línguas ainda não foram utilizadas por aqueles que desenvolvem a ciência e a tecnologia.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: ALGUNS ANIMAIS, ALÉM DOS HUMANOS, PODEM AGIR PARA BENEFICIAR O OUTRO - V. SÃO PEDRO - COM GABARITO

 Artigo de divulgação científica: Alguns animais, além dos humanos, podem agir para beneficiar o outro

        Você já ajudou alguém sem querer nada em troca, só pelo impulso de fazer o bem? Altruísmo é como se chama o comportamento de agir em benefício de outros indivíduos sem esperar nenhum tipo de recompensa. Fazer um trabalho voluntário, doar sangue e ajudar um desconhecido em uma emergência são exemplos desse tipo de comportamento que, felizmente, é muito comum entre os seres humanos.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiqvMilxvzWAg_98OT-nVaU56wy9Z8XcDFWx1ig44ykOwAMJneDpLQdG83KlMG9c4X79KKlnah7rs9-aKLxFXzgGa0BPxCH-Le5-1nXs5pZIviwi8-UaV-YdHLiLsCGzdI5B8uH6vRFe2MI4x7HMq9YybYnY_CjHHcwX7YSpM-aZhtzkfjHk9-Scvemqc8/s320/ALTRUISMO.jpeg


        Agora, será que outros animais também são capazes de agir em benefício de outros indivíduos? É muito difícil responder a isso com certeza, porque é complicado entender como os animais pensam. Mas observações e experimentos científicos dão fortes pistas de que pelo menos alguns animais – como elefantes, golfinhos e primatas – parecem sim agir de modo altruísta.

        Para saber se essa característica já acompanha os humanos há muito tempo durante nossa evolução, muitas pesquisas sobre altruísmo são feitas com chimpanzés, nossos “parentes evolutivos” mais próximos. Em um estudo recente, por exemplo, foi oferecido para chimpanzés um bebedouro de suco de frutas cujo botão de acionamento ficava afastado da fonte onde o líquido escorria. Isso quer dizer que o chimpanzé que acionava o botão não conseguia beber o suco, mas apenas permitir que outros pudessem tomá-lo.

        Durante dois meses de observações, os cientistas viram os chimpanzés apertarem o botão inúmeras vezes, aparentemente apenas para dar a outros membros do grupo a chance de beber o suco. Já quando o bebedouro era colocado fora do recinto, onde nenhum indivíduo podia alcançar, os chimpanzés não tinham muito interesse em apertar o botão de acionamento. Além disso, o comportamento de “doação de suco” foi mais frequente justamente nos grupos mais tolerantes de chimpanzés, em que os indivíduos costumam se reunir pacificamente em bandos maiores.

        Aprendemos a praticar o bem com a família e as pessoas do nosso convívio. Mas, pelo que a ciência anda descobrindo, aquela sensação boa que sentimos com isso parece já estar no nosso DNA há milhões de anos.

SÃO PEDRO, V. “Alguns animais, além dos humanos, podem agir para beneficiar o ouro.” Ciência Hoje das Crianças – CHC. Disponível em: http://chc.org.br/artigo/e-bom-fazer-o-bem. Acesso em: 2 jun. 2021.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 2. Língua Portuguesa – 6º ano. 1.ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p. 58-59.

Entendendo o artigo:

01 – O que é altruísmo e como ele se manifesta nos seres humanos?

      Altruísmo é a ação de ajudar os outros sem esperar nada em troca. Nos humanos, ele se manifesta em diversos comportamentos, como o voluntariado, a doação de sangue e a ajuda a desconhecidos em situações de emergência.

02 – É possível afirmar que outros animais além dos humanos são capazes de agir de forma altruísta? Justifique.

      É difícil afirmar com certeza se outros animais pensam como nós e, portanto, se suas ações são motivadas por altruísmo. No entanto, observações científicas em animais como elefantes, golfinhos e primatas sugerem que eles podem apresentar comportamentos que se assemelham ao altruísmo, como compartilhar alimentos e ajudar outros membros do grupo.

03 – Quais evidências científicas existem para sugerir que chimpanzés podem apresentar comportamentos altruístas?

      Estudos com chimpanzés demonstraram que eles são capazes de realizar ações que beneficiam outros membros do grupo, mesmo sem obter ganhos diretos. Um exemplo é o experimento em que chimpanzés escolheram acionar um mecanismo para fornecer água a outros indivíduos, mesmo sem poderem beber a água eles mesmos.

04 – Qual a importância de estudar o altruísmo em animais?

      Estudar o altruísmo em animais pode nos ajudar a entender melhor a origem e a evolução desse comportamento nos seres humanos. Além disso, pode fornecer insights sobre a natureza da cooperação e da sociabilidade em diferentes espécies.

05 – O que os estudos sobre altruísmo em chimpanzés revelam sobre a natureza humana?

      Os estudos sobre altruísmo em chimpanzés sugerem que a tendência de ajudar os outros pode ter raízes evolutivas profundas e estar presente em diversas espécies, incluindo os seres humanos. Isso indica que a cooperação e a empatia podem ser características importantes para a sobrevivência e o sucesso de uma espécie.

06 – Qual a relação entre o altruísmo e a evolução?

      O altruísmo, embora possa parecer contraintuitivo à luz da teoria da evolução, pode ser explicado por diversos mecanismos, como a seleção de parentesco (favorecendo o altruísmo entre indivíduos geneticamente relacionados) e a reciprocidade (onde indivíduos cooperam com a expectativa de receber benefícios no futuro).

07 – Quais são os desafios para estudar o altruísmo em animais?

      Estudar o altruísmo em animais é desafiador porque é difícil determinar se as ações de um animal são realmente motivadas por intenções altruístas ou por outros fatores, como o medo de punição ou a busca por recompensas sociais. Além disso, é complicado realizar experimentos controlados com animais em seu habitat natural.