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domingo, 3 de maio de 2026

REPORTAGEM: ARTISTAS DE BH GANHAM AS RUAS PARA LEVAR CULTURA AO PÚBLICO E GARANTIR GANHA-PÃO - FRAGMENTO - BERNARDO ALMEIDA - COM GABARITO

 Reportagem: Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão – Fragmento

Bernardo Almeida

Publicado em 01/06/2019 às 21:30.

        “Viver do chapéu” é um desafio motivado pela noção de tornar a arte acessível a todos, pelas necessidades financeiras ou por um movimento natural de quem inicia a carreira artística nas ruas e dali não se imagina fora. Em Belo Horizonte esses artistas estão por toda parte, mas são mais facilmente encontrados em praças, parques, sinais de trânsito ou enchendo de cultura os arredores da feira de artesanato da avenida Afonso Pena, aos domingos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNRpomvJl84E6LwFn7LY5grXtWW9q0qacUYVDbHTw3iJE3qz-qE6CAnXuEAKzHOTmVR592XpKP0FXISKcO8vifpM-qguWGU9hvjlejlybzeHHZE4su78NWY0E5PHSRBVb-hnXg0px_hR_KDyIhQXJqw1AKfpSPzv1mxxafUfPHFtvx_kjZQEEA5JMUoMM/s320/CULTURA.jpg


        As origens e a faixa etária variam, como no caso do saxofonista Tanure Lisboa, de 48 anos. [...]

        Tanure iniciou as apresentações na rua por necessidades financeiras há cinco anos, mesma época em que o violinista e acordeonista Mateus Henrique Vitório, hoje com 22. [...].

        [...] “Vivo de arte de rua, sempre trabalhei com isso. Comecei na época em que estudava. Hoje o gosto musical enveredou muito para sertanejo universitário, funk, e procuro levar (ao público) um Moacyr Braga, uma valsa-choro, baião, músicas francesas e argentinas”, explica Mateus, que recebe reações bastante emotivas no meio do corre-corre. “Muita gente me procura para agradecer, tem quem chore, ou pare para dizer que eu mudei a vida deles”.

        [...]

Bernardo Almeida. Artistas de BH ganham as ruas para levar cultura ao público e garantir ganha-pão. Hoje em dia, 3 jun. 2019. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/almanaque/Artistas-de-BH-ganham-as-ruas-para-levar-cultura-ao-p%C3%BAblico-e-egarantir-ganha-p%C3%A3o-1.718131. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 240.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, o que motiva os artistas de Belo Horizonte a "viver do chapéu"?

      A motivação é variada: passa pelo desejo de tornar a arte acessível a todas as pessoas, por necessidades financeiras imediatas ou, ainda, por ser um movimento natural de quem inicia a carreira nas ruas e opta por permanecer nesse ambiente.

02 – Quais são os locais em Belo Horizonte onde esses artistas de rua são encontrados com maior facilidade?

      Eles estão presentes em toda a cidade, mas concentram-se principalmente em praças, parques, sinais de trânsito e no entorno da feira de artesanato da Avenida Afonso Pena, especialmente aos domingos.

03 – Qual é a principal diferença de perfil mencionada entre os músicos Tanure Lisboa e Mateus Henrique Vitório?

      A principal diferença citada é a faixa etária. Tanure Lisboa tem 48 anos, enquanto Mateus Henrique Vitório tem 22 anos, demonstrando que a arte de rua em BH atrai pessoas de diferentes gerações.

04 – Como o músico Mateus Henrique Vitório busca se diferenciar do cenário musical comercial atual?

      Enquanto o gosto popular atual pende para o sertanejo universitário e o funk, Mateus opta por um repertório mais clássico e diversificado, incluindo gêneros como valsa-choro, baião, músicas francesas, argentinas e obras de Moacyr Braga.

05 – Qual é o impacto do trabalho de Mateus Henrique Vitório no público que circula pelas ruas?

      O impacto é profundamente emocional. Apesar do "corre-corre" da cidade, muitas pessoas param para agradecer, algumas chegam a chorar e há quem relate que a música apresentada mudou suas vidas naquele momento.

 

 

domingo, 12 de abril de 2026

REPORTAGEM: O QUE É EDUCAÇÃO DE QUALIDADE? - FRAGMENTO - ROSA MARIA TORRES - COM GABARITO

 Reportagem: O que é educação de qualidade? – Fragmento

             Rosa Maria Torres

        Qualidade, associada á educação, é entendida e trabalhada de muitas maneiras. [...]

        As famílias e os políticos tendem aa se ater ao que está logo à vista: a infraestrutura.

        Assumem – equivocadamente – que se o prédio é moderno, a educação no seu interior é boa. E, ao contrário: se o lugar é precário ou a educação se faz ao ar livre, presumem – erroneamente – que a educação é má. Ultimamente, as tecnologias são cobiçadas: ter computadores e internet na escola é sinônimo de modernidade (ainda que usem pouco ou mal) e de emprego no futuro. Não obstante, se pode fazer uma educação péssima em meio aos aparatos eletrônicos e uma educação excelente sem cabos, mas próximas das pessoas e da natureza. [...] A avaliação está na moda. Muitos creem que quanto mais avaliação – de alunos, docentes, estabelecimentos etc. – melhor. Isso não é necessariamente assim. [...]

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZfsFPBJWgsS5k2lQj6X0vRWiQ_FKzf0ZB6bDsqMym8UR4ZzOkdUs7FCurbzVm5WurXNUHa9DU0GUGJab7gdyklm1OjaaR7OD8yN2XinFVdS4ktIn4JRj6iN5JBL62L7qEFGzuEvum-YE2_-H_R2LnKV6jmwQKiooiUHnDn6SVvWO9lHxQ8Lix1Rnegs8/s320/EDUCA%C3%87%C3%83O.jpg 
 

        Também é difundida a ideia de que a educação pública é ruim e a privada boa. Há, no entanto, péssima educação privada (mesmo se é muito cara) e boa educação pública.

        Muito – pobres e ricos – dizem que é boa a escola que oferece uma segunda língua prestigiosa. [...] Para os pobres, muitas vezes, a qualidade da escola passa simplesmente por uma comida segura por dia, um professor ou uma professora que não falte, que não maltrate muito e que, oxalá, ao menos entenda a língua dos alunos. [...] O afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e a ausência de medo são ingredientes indispensáveis para uma educação de qualidade em qualquer idade. Avançar na direção de uma educação de qualidade implica, justamente, que a cidadania se informe melhor a fim de saber por que e como reivindicá-la.

TORRES, Rosa Maria. O que é educação de qualidade? Portal Aprendiz, 18 jun. 2014. Disponível em: https://portal.aprendia.uol.com,br/2014/06/18/o-que-e-educacao-de-qualidade/. Acesso em: 31 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 194.

Entendendo a reportagem:

01 – De acordo com o texto, qual é o equívoco comum cometido por famílias e políticos ao avaliarem a qualidade educacional?

      O equívoco é focar apenas na infraestrutura física. Eles assumem que prédios modernos garantem automaticamente uma boa educação e que instalações precárias significam uma educação ruim, o que o texto classifica como uma conclusão errônea.

02 – Como a autora analisa a presença de tecnologias (computadores e internet) nas escolas?

      Ela afirma que as tecnologias são frequentemente vistas como sinônimo de modernidade e garantia de emprego futuro. No entanto, ressalta que é possível ter uma educação péssima mesmo com aparatos eletrônicos, se forem usados pouco ou mal, enquanto uma educação excelente pode ocorrer sem esses recursos, desde que próxima das pessoas e da natureza.

03 – O que o texto diz sobre a relação entre a quantidade de avaliações e a qualidade do ensino?

      O texto menciona que a avaliação "está na moda" e que muitos acreditam que quanto mais se avalia alunos e docentes, melhor. Contudo, a autora contesta essa ideia, afirmando que isso não é necessariamente verdade.

04 – Como a reportagem desconstrói o preconceito entre o ensino público e o privado?

      A autora desmente a ideia difundida de que a educação pública é sempre ruim e a privada é sempre boa. Ela argumenta que existe educação privada de péssima qualidade (mesmo sendo cara) e educação pública de boa qualidade.

05 – Quais são as expectativas de qualidade escolar citadas para as famílias pobres, segundo o fragmento?

      Para as famílias pobres, a qualidade muitas vezes é medida por necessidades básicas: ter ao menos uma refeição garantida por dia, um professor que não falte, que não maltrate os alunos e que consiga compreender a língua/realidade dos estudantes.

06 – Além dos recursos materiais, quais são os "ingredientes indispensáveis" para uma educação de qualidade mencionados pela autora?

      Os ingredientes essenciais são subjetivos e humanos: o afeto, o interesse, o amor pela leitura, o gosto de aprender e a ausência de medo no ambiente escolar.

07 – Qual é a condição necessária para que a sociedade possa avançar na direção de uma educação de qualidade?

      Segundo o encerramento do texto, é necessário que a cidadania se informe melhor para que saiba exatamente por que e como reivindicar uma educação que vá além das aparências.

 

REPORTAGEM: ARTE NA RUA PODE AJUDAR RECUPERAÇÃO DO SETOR NO PÓS-PANDEMIA, DIZ PRODUTOR CULTURAL - JORGE FREIRE - COM GABARITO

 Reportagem: Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural

        Jorge Freire aposta que solução da crise nessa área passa pela ocupação de espaços públicos

        RIO — O futuro das artes pode estar no caminho de volta às suas origens. Ruas, praças, parques e outros espaços ao ar livre ocupados com espetáculos de dança, música e teatro é o que o ator e produtor cultural Jorge Freire espera ver quando a pandemia da Covid-19 passar e o artista puder ir aonde o povo está. Esse cenário democratizaria o acesso às manifestações artísticas no momento em que tudo leva a crer que os ingressos para eventos estarão com os preços elevados, efeito inevitável da redução das plateias em locais fechados. Mas para que o desejo deste morador da Tijuca se torne realidade, é preciso que haja políticas públicas nesse sentido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhlasgkI-_fyPcUvPz-NH5tjT-lV1a-H1rak_5ETV94AeKrI-hQnCefa8al8mDF4C9-M1CQr8nzxBq03nMGElqntXPPQ4sAenqcYwUZs20p0IjKTtZUsCnYIB6mzYanQqjkCMGaP_SzhYLq5K-tWTdNiLQnku1p8qwPs5NbPg0MaeGKleSoy5z0Vjrp6fM/s320/RUA.jpg 


        — A ocupação do espaço público é uma vocação natural do carioca, sobretudo nos subúrbios. Acredito que a reconstrução do setor pós-pandemia pode estar no incentivo à efervescência cultural que acontece, por exemplo, em Madureira, e que pode se fazer presente em outros bairros da Zona Norte. A Praça Varnhagem, na Tijuca, tem uma grande ebulição gastronômica, mas pode ganhar investimentos públicos em economia criativa. Por que não? O acesso à cultura é um direito constitucional que sob hipótese alguma está abaixo de outros direitos, como saúde e educação. A capacidade criativa brasileira é nosso maior patrimônio cultural, e é dever dos governantes potencializá-la.

        Mais do que um direito constitucional, a cultura é uma necessidade básica para a existência humana e um motor de peso para a economia nas esferas municipal, estadual e federal, assegura Freire:

        — A arte é essencial não só para nos salvar do tédio imposto por essa crise causada pelo novo coronavírus, mas também para nos levar à reflexão, nos unir como povo, pavimentar uma identidade nacional que faz o retrato do que somos. Não podemos perder a dimensão que a cultura tem, em especial no Rio, onde o turismo, o carnaval, a música, são importantes vetores econômicos no campo do entretenimento. Não dá para abrir mão da cultura, achar que esse setor é algo menor. Não é! O que seriam dos Estados Unidos se não fosse o cinema americano? Foi a sétima arte que levou para o mundo inteiro a vontade de consumir o que eles consomem.

        Como cidadão, ator e produtor cultural, Freire luta para que a cultura seja colocada no patamar que lhe é de direito.

        — A certeza que fica em meio a essa crise é que, mais do que nunca, as políticas culturais precisam entrar em curso. Financiamento público para a arte é uma questão urgente para que se possa recomeçar. Esse setor paga imposto, movimenta a economia, enfim, merece respeito por parte de qualquer governo. Só para se ter uma ideia em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), a cultura arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira. A cultura é bem público feito por particular, então a expectativa é que o estado assuma a sua função de fazer valer a Constituição — diz.

        Apesar de ser um crítico das políticas públicas em relação ao setor, Freire vê com bons olhos o auxílio emergencial que vai beneficiar profissionais da cultura e pequenos espaços de espetáculos:

        — Essa é uma ajuda necessária e mais do que bem-vinda, porque muita gente dessa área está enfrentando uma grave crise financeira, muitos com risco até de passar fome. Mas não posso deixar de registrar que o dinheiro é pouco diante de todas as perdas que tivemos.

JESUS, Regiane. Arte na rua pode ajudar recuperação do setor no pós-pandemia, diz produtor cultural. O Globo, 15 jul. 2020. Disponível em: https://oglobo.com/rio/bairros/arte-na-rua-pode-ajudar-recuperacao-do-setor-no-pos-pandemia-diz-produtor-cultural-1-24523336. Acesso em: 22 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 230-231.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é a principal aposta de Jorge Freire para a recuperação do setor cultural após a pandemia?

      A principal aposta é a ocupação de espaços públicos ao ar livre, como ruas, praças e parques, com espetáculos de dança, música e teatro. Para ele, o futuro das artes pode estar justamente no retorno às suas origens, onde o artista vai "aonde o povo está".

02 – Por que a ocupação de espaços abertos é vista como uma forma de democratizar o acesso à cultura no pós-pandemia?

      Porque a tendência é que os ingressos para eventos em locais fechados fiquem mais caros, devido à redução obrigatória das plateias por questões de segurança. A arte na rua elimina essa barreira financeira, permitindo que mais pessoas tenham acesso às manifestações artísticas.

03 – Quais regiões do Rio de Janeiro são citadas como exemplos de vocação para a ocupação do espaço público?

      O produtor cita os subúrbios da Zona Norte, com destaque para a efervescência cultural de Madureira e a ebulição gastronômica da Praça Varnhagem, na Tijuca, sugerindo que estes locais deveriam receber investimentos públicos em economia criativa.

04 – Como Jorge Freire justifica a importância da cultura em relação aos direitos garantidos pela Constituição?

      Ele afirma que o acesso à cultura é um direito constitucional que não deve ser considerado inferior a outros direitos, como saúde e educação. Freire ressalta que é dever dos governantes potencializar a capacidade criativa brasileira, que ele define como nosso "maior patrimônio".

05 – Qual é o argumento econômico utilizado pelo produtor para defender o investimento no setor cultural?

      Freire destaca que a cultura é um importante vetor econômico que movimenta o entretenimento, o turismo e o carnaval. Ele revela um dado comparativo relevante: em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), o setor cultural arrecada mais do que a indústria têxtil brasileira.

06 – Que exemplo internacional é citado no texto para ilustrar a influência da arte na economia e no consumo?

      O produtor cita o cinema americano (a sétima arte). Ele argumenta que foi através dos filmes que os Estados Unidos conseguiram exportar para o mundo inteiro o desejo de consumir seus produtos e sua cultura.

07 – Qual é a opinião de Jorge Freire sobre o auxílio emergencial destinado aos profissionais da cultura?

      Ele vê o auxílio como uma medida necessária e bem-vinda, já que muitos profissionais enfrentam uma crise financeira grave. No entanto, faz uma ressalva crítica: pontua que o valor destinado é pequeno diante de todas as perdas sofridas pelo setor durante a pandemia.

 

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

REPORTAGEM: O IMPACTO DO CELULAR EM ALDEIAS INDÍGENAS - FRAGMENTO - SÉRGIO MATSUURA - COM GABARITO

 Reportagem: O impacto do celular em aldeias indígenas – Fragmento

        “Céu aberto para flutuar”: é assim que os índios batizaram a internet, que está mudando profundamente a rotina nessas comunidades      

Sérgio Matsuura

        Índios de iPhone e conectados à internet? Sim. E eles estão fazendo uso de novas tecnologias para promover e preservar sua língua e cultura. Mas, se a janela aberta pelos smartphones e pela internet serve para proteger manifestações culturais, o contato intenso com o mundo dos “brancos” está promovendo mudanças profundas no cotidiano. [...].

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiKO34gjOx2eM_MZxVR1ki9r3vqwT6c3TC11dS673LCKwNPZa6gWGAVANWds69Hqbf5HXUJOhLQPLSSh9JHumuTxnhKPhyceavQr4KFQe94OAakOY6GEpY-oIJqv_i0CPI8hiZCGf3tQP-M-Eki8gTGP332AUXL6WG8fNVSSsM9t7o2pKvv6V1ukY0i4SY/s1600/INDIO.jpg

        “Cresci sem internet, a gente brincava com bola, ia para o mato caçar e pescar. Hoje, nossas crianças estão como os filhos dos brancos”, criticou Ashaua Kuikúro, do povo cuicuro, no Parque Indígena do Xingu. “Em vez de brincar, elas ficam no celular jogando.”

        Na aldeia Piyulaga, do povo uaurá, também no Xingu, a solução adotada para evitar que os jovens se distanciem da cultura local foi radical.

        “Quando tem algum ritual tradicional, a gente desliga a internet para que todos participem da festa”, contou Pyrathá Waurá. “Todos os grandes acontecimentos na aldeia são importantes para nós, porque nosso aprendizado é pela oralidade e pela prática.”

        Outra forma de adaptar as novas tecnologias à cultura local foi dar nomes a elas. Em uaurá, língua da família aruaque, internet virou enunakuwa — céu aberto para flutuar — e celular yuntagapi — aquele que transmite informações. Professor na escola de Piyulaga, Pyrathá é um dos responsáveis por passar o conhecimento tradicional, sobretudo a língua, para as novas gerações. E a enunakuwa e o yuntagapi são ferramentas poderosas nesse processo.

        Ao lado de pesquisadores do Museu do Índio, Pyrathá participa de um projeto para a construção de um dicionário eletrônico uaurá. No momento, já existem cerca de 200 verbetes catalogados, com a palavra escrita, exemplos de uso e a tradução para o português. Alguns possuem áudios, vídeos ou imagens.

        [...]

        Com mais de uma década de experiência na documentação da cultura ianomâmi, o linguista Helder Perri Ferreira, do Instituto Socioambiental, destacou que esses dicionários são importantes não apenas para o registro escrito, em nuvem, das línguas indígenas, mas para a valorização, entre os próprios índios, de suas tradições.

        [...]

        No projeto que Ferreira desenvolve com os ianomâmis, os indígenas recebem smartphones para a produção de conteúdo sobre eles, para eles. Como a região não possui cobertura de internet, o Instituto Socioambiental pretende instalar uma rede local, como uma intranet, para servir algumas aldeias.

        [...].

MATSUURA, Sérgio. O impacto do celular em aldeias indígenas. Época, 6 fev. 2019. Disponível em: https://epoca.globo.com/o-impacto-do-celular-em-aldeias-indigenas-23408432. Acesso em: 15 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 214.

Entendendo a reportagem:

01 – Como os indígenas do povo Uaurá batizaram a "internet" e o "celular" em sua língua nativa?

      Eles deram nomes poéticos e funcionais: a internet foi chamada de enunakuwa ("céu aberto para flutuar") e o celular de yuntagapi ("aquele que transmite informações").

02 – Qual é o lado positivo do uso de smartphones nas comunidades indígenas mencionado no início do texto?

      O texto destaca que os indígenas estão utilizando as novas tecnologias como ferramentas para promover e preservar sua língua e cultura, servindo como uma "janela aberta" para proteger suas manifestações culturais.

03 – Qual é a crítica feita por Ashaua Kuikúro em relação ao comportamento das crianças atuais?

      Ele critica o fato de que as crianças estão abandonando brincadeiras tradicionais, como caçar, pescar e brincar com bola, para ficarem no celular jogando, assemelhando-se ao comportamento dos "filhos dos brancos".

04 – Que medida radical a aldeia Piyulaga adotou para garantir a participação dos jovens nos rituais tradicionais?

      A comunidade decidiu desligar a internet durante os rituais tradicionais. Isso é feito para garantir que todos participem da festa, já que o aprendizado do povo depende da oralidade e da prática presencial.

05 – Como a tecnologia está sendo usada especificamente para o ensino da língua Uaurá?

      O professor Pyrathá Waurá utiliza a internet e o celular como ferramentas de ensino e participa de um projeto de construção de um dicionário eletrônico. Esse dicionário já possui cerca de 200 verbetes com escrita, áudio, vídeo e tradução para o português.

06 – De acordo com o linguista Helder Perri Ferreira, qual é a importância dos dicionários eletrônicos para os indígenas?

      Eles são importantes não apenas para o registro escrito e seguro (em nuvem) das línguas, mas principalmente para a valorização das tradições entre os próprios indígenas, fortalecendo sua identidade.

07 – Como o Instituto Socioambiental pretende resolver a falta de cobertura de internet na região dos Ianomâmis?

      O instituto pretende instalar uma rede local (intranet) para servir algumas aldeias, permitindo que os indígenas usem os smartphones para produzir e compartilhar conteúdo sobre sua própria cultura, mesmo sem acesso à rede mundial.

 

 

 

terça-feira, 17 de março de 2026

REPORTAGEM: BIOTECNOLOGIA: NA BASE DE TUDO, A FERMENTAÇÃO, NO PASSADO VISTA COMO COISA DO DIABO - REVISTA GLOBO CIÊNCIA - COM GABARITO

 REPORTAGEM:

Biotecnologia: Na base de tudo, a fermentação, no passado vista como coisa do diabo

         Na Idade Média, os pães eram feitos nos mosteiros. Havia mistério naquele movimento interno da massa, que crescia como se tivesse vida própria. Por isso, os monges piedosos acompanhavam todo o processo a rezar. Rezavam sempre e com fervor, pois acreditavam que o crescimento da massa era arte do demônio. Da mesma forma como havia o demo também atrás da fabricação do queijo, da cerveja e do vinho. Se não fosse o diabo, como explicar então aquela "vida" que de repente começava a pulsar dentro da mistura inerte?

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjD_Etrpn20i62kovxU3P9swEjgNX7YkpKwrL2a76lTwZE7zjBLVmWk9I5qb25MLiqhpOCkBklFhiu1OW9CsMMcWXU4Z3T6KOjSSD0ML6SxkSb3mn0VaTVVKdQV6bLR_kWyuITS1AJxzaHA_hwHC5FGWGz39i7uqsTEPH2evD4tTNeM2ZAcbhAdgJRbEYc/s1600/fermento1.jpg


          Foi só muito tempo depois que a humanidade descobriu o que de fato acontecia naquele processo: era a multiplicação de microorganismos num conjunto de reações químicas, que ficou conhecido então como fermentação. Hoje, curiosamente, esse mesmo processo está na base de uma das principais ciências de nosso século: a biotecnologia, que trata justamente do desenvolvimento e uso de seres vivos, inteiros ou em partes, na produção de alimentos e remédios em laboratórios.

             Quando o mundo se deu conta dos potenciais da biotecnologia nos anos 70, teve início um febril corre-corre nos meios científicos. Falava-se em criar plantas perfeitas, enormes e imunes a pragas e doenças, que revolucionariam a agricultura e resolveriam o problema da fome no mundo. Na medicina, acreditava-se que a cura do câncer, com a ajuda da nova ciência, estaria ao alcance da mão. E apostava-se também na criação de uma espécie de fonte da juventude, desenvolvendo hormônios capazes de retardar o envelhecimento das pessoas. Delirou-se, enfim.

       Depois que a poeira dos sonhos baixou, foi possível ver com serenidade do que era capaz a biotecnologia. Sem contar as pesquisas ainda em andamento, os produtos efetivos da nova ciência somam hoje algo em torno de uma dezena, mas tão importantes que é difícil enumerar os benefícios que trarão à humanidade em diversos setores.

        Os exemplos mais conhecidos são o hormônio que aumenta a produção do leite nas vacas, rejeitado no início pelos fazendeiros, temerosos de que isso faria os preços do produto caírem. Ou um novo tipo de tomate, mais graúdo e carnoso, que permite a produção de sucos e extratos mais concentrados. Ou ainda novas mudas de plantas, cultivadas em laboratório por uma técnica chamada micropropagação, que são mais viçosas e robustas que as normais.     (Revista Globo Ciência)

 Exercícios de Interpretação: Biotecnologia

 01. De acordo com o primeiro parágrafo, por que os monges da Idade Média rezavam durante o preparo dos pães?

a. Porque a oração era parte do ritual sagrado de fabricação dos alimentos nos mosteiros.

b. Porque acreditavam que o crescimento da massa era um fenômeno sobrenatural ligado ao demônio.

c. Porque queriam agradecer pela fartura de alimentos como queijo, cerveja e vinho.

d. Porque a fermentação demorava muito e eles aproveitavam o tempo para praticar a fé.

02. O texto afirma que o mistério da fermentação foi resolvido quando a humanidade descobriu que o processo se tratava de:

a. Uma intervenção divina que dava vida à mistura inerte.

b. Um conjunto de reações químicas causadas pela multiplicação de microrganismos.

c. Uma técnica de laboratório desenvolvida exclusivamente para a produção de remédios.

d. Um delírio coletivo de cientistas que buscavam a fonte da juventude.

03. Qual é a definição de biotecnologia apresentada pelo autor no segundo parágrafo?

a. A ciência que estuda apenas a fabricação de pães e bebidas alcoólicas.

b. O estudo da história das religiões e suas influências na produção de alimentos.

c. O desenvolvimento e uso de seres vivos, ou partes deles, na produção de alimentos e remédios.

d. A técnica de acelerar o envelhecimento humano através de hormônios específicos.

04. Nos anos 70, houve um "febril corre-corre nos meios científicos" em relação à biotecnologia. Segundo o texto, esse período foi marcado por:

a. Expectativas realistas e resultados imediatos na cura de todas as doenças.

b. Um desinteresse total por parte dos agricultores e médicos da época.

c. Grandes sonhos e promessas, como a criação de plantas perfeitas e a cura do câncer.

d. Uma proibição das pesquisas devido ao medo de que a ciência fosse "coisa do diabo".

05. O que o autor quer dizer com a frase "Depois que a poeira dos sonhos baixou"?

a. Que os laboratórios ficaram sujos e as pesquisas foram abandonadas por falta de verba.

b. Que, após o entusiasmo exagerado inicial, foi possível avaliar a ciência de forma mais calma e realista.

c. Que a biotecnologia provou ser uma ciência inútil e sem benefícios para a humanidade.

d. Que as tempestades de areia impediram o crescimento das plantações de tomates.

06. Um dos exemplos de sucesso da biotecnologia mencionados no final do texto é:

a. A criação de vacas que produzem leite com sabor de chocolate.  b.A descoberta de uma planta que cura o câncer instantaneamente.

c. O desenvolvimento de mudas de plantas mais viçosas por meio da técnica de micropropagação.

d. A invenção de um tipo de pão que cresce sem a necessidade de fermento.

07. Por que, inicialmente, os fazendeiros rejeitaram o hormônio que aumentava a produção de leite?

a. Eles temiam que o aumento da oferta fizesse o preço do produto cair no mercado.

b. Eles acreditavam, como os monges, que o hormônio era uma "arte do demônio".

c. O hormônio deixava o leite com um gosto amargo e impossível de consumir.

d. O custo do hormônio era superior ao lucro obtido com a venda do leite.

 

 

 

 

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

REPORTAGEM: A CHEGADA DOS CARROS VOADORES - FRAGMENTO - RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE - COM GABARITO

 Reportagem: A chegada dos carros voadores – Fragmento

        Projetos impulsionam desenvolvimento de protótipos de eVTOLs no Brasil e no mundo

        Carros voadores, como os que cruzam os céus do desenho animado Os Jetsons, lançado nos anos 1960, ou da distopia futurista Blade Runner, de 1984, foram durante muito tempo apenas peça de ficção científica. Hoje, há várias iniciativas tentado tornar essas aeronaves realidade. Projetos de veículos voadores elétricos capazes de levar passageiros de um lado para outro, como se fossem táxis aéreos, são executados por diversas empresas ao redor do mundo. Conhecidos pela sigla eVTOL, acrônimo em inglês para veículo elétrico que decola e pousa na vertical, esses aparelhos estão sendo projetados para reduzir os congestionamentos e melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades. Para que isso ocorra, vários desafios precisam ser superados, a começar pela viabilidade técnica dos próprios veículos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhup60Kkc8b0XtNchXCH0QEAXb6c5boRCPRF1inouDZamYp_WKkx7JvWm7Xjd7C0fe1Og04KU9bQ9Pu72ZiNy_o0O2tmCJo6vThWH6Eo6v58Ia-t06Pajdbjg8aHUgGMYXuoHlr-sM9Cw-Zq1wT_0PG6vbhIbm5VbQ99HroFWgIbsli-GkT-Ch3_5VOi0s/s320/EVTOLS.jpg


        [...]

        Os eVTOLs conjugam características de helicópteros e aviões. Como os primeiros, pairam, decolam e pousam verticalmente – por isso, não precisam de pistas longas para operar. Também podem se deslocar para frente, para trás e para os lados. Uma diferença entre eles está na concepção de asas fixas, estrutura que não existe nos helicópteros, e na quantidade de rotores. Enquanto a maioria dos helicópteros modernos tem dois rotores – o maior, geralmente situado acima da cabine, responsável pelo movimento de subida e descida do aparelho e algumas manobras, e um menor, na cauda, também usado para fazer manobras –, os eVTOLs estão sendo projetados para ter vários rotores e atuando em conjunto.

        A principal semelhança entre eVTOLs e aviões é a existência de asas fixas. “Elas conferem mais estabilidade durante o voo e maior autonomia [tempo máximo de voo ou distância máxima percorrida pelo veículo]”, explica o engenheiro eletricista Guilherme Augusto Silva Pereira, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, o fluxo de ar que passa sob as asas ajuda a manter a aeronave por mais tempo no ar, gastando menos energia.

        Outro diferencial dos eVTOLs é que, além de serem elétricos, podem ter fontes híbridas de energia, como baterias, células fotovoltaicas e células a combustível. Aviões e helicópteros utilizam principalmente querosene de aviação, combustível derivado do petróleo, para mover seus motores, embora existam projetos em andamento de aviões elétricos.

        [...]

        O engenheiro de controle de automação Guilherme Vianna Raffo, do Departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG, explica que, do ponto de vista acadêmico, o desenvolvimento de eVTOLs se encontra bastante avançado. “Vários sistemas de navegação e controle para detecção e desvio de obstáculos, identificação de falhas de sistemas e manobras agressivas estão sendo ou já foram criados para ser acoplados a essas aeronaves”, diz Raffo, que trabalha com eVTOLs desde o doutorado realizado na Universidade de Sevilla, na Espanha, entre 2007 e 2011. O pesquisador participa atualmente de um projeto executado pelas universidades Federal de Minas Gerais (UFMG), Federal de Santa Catarina (UFSC) e de Sevilha cuja finalidade é desenvolver um eVTOL para apoiar o serviço de resgate e atendimento médico de urgência da Espanha.

        Os principais grupos de estudo nessa área, de acordo com Raffo, estão no Laboratório Geral de Robótica, Automação, Sensoriamento e Percepção da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, no Instituto de Sistemas Dinâmicos e Controle do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, e no Grupo de Robótica, Visão e Controle da Universidade de Sevilha. No Brasil, a UFMG, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), a Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, e a UFSC se destacam na realização de pesquisas visando ao aperfeiçoamento das tecnologias.

        [...]

        No Brasil, além de trabalhar em um conceito de eVTOL, a Embraer estuda a implementação de um ecossistema de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que viabilize o atendimento da potencial demanda por esse novo tipo de mobilidade urbana. Isso envolve, entre outras coisas, o aprimoramento do sistema de controle de tráfego aéreo urbano. “É imprescindível garantir rotas de navegação seguras para essas aeronaves”, declara o cientista da computação Felipe Leonardo Lôbo Medeiros, do Instituto de Estudos Avançados do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (IEAv-DCTA), em São José dos Campos.

        [...].

ANDRADE, Rodrigo de Oliveira. A chegada dos carros voadores. Pesquisa Fapesp, Ed. 286, dez. 2019. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/a-chegada-dos-carros-voadores. Acesso em: 26 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília: Caderno de atividades – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 21-22.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é o significado da sigla eVTOL e qual é o propósito principal desses veículos, de acordo com o texto?

      A sigla eVTOL é um acrônimo em inglês para veículo elétrico que decola e pousa na vertical ("electric Vertical Take-Off and Landing"). O propósito principal desses veículos é funcionar como táxis aéreos para reduzir os congestionamentos e melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades.

02 – O texto menciona obras de ficção científica que apresentavam a ideia de carros voadores. Quais são elas?

      As obras de ficção científica mencionadas são o desenho animado Os Jetsons (lançado nos anos 1960) e a distopia futurista Blade Runner (de 1984).

03 – Quais são as duas principais características que os eVTOLs conjugam, e como eles se assemelham a cada uma dessas aeronaves?

      Os eVTOLs conjugam características de helicópteros e aviões.

      Semelhança com helicópteros: Eles pairam, decolam e pousam verticalmente (não precisam de pistas longas) e podem se deslocar para frente, para trás e para os lados.

      Semelhança com aviões: Eles possuem asas fixas, que conferem mais estabilidade durante o voo e maior autonomia.

04 – Qual é uma diferença fundamental na concepção de rotores entre a maioria dos helicópteros modernos e os eVTOLs, conforme o texto?

      Enquanto a maioria dos helicópteros modernos tem dois rotores (um maior, acima da cabine, e um menor, na cauda), os eVTOLs estão sendo projetados para ter vários rotores atuando em conjunto.

05 – Além de serem elétricos, quais outras fontes de energia híbrida os eVTOLs podem utilizar, e qual é o principal combustível utilizado por aviões e helicópteros convencionais?

       Os eVTOLs podem ter fontes híbridas de energia como baterias, células fotovoltaicas e células a combustível. Aviões e helicópteros convencionais utilizam principalmente querosene de aviação, um combustível derivado do petróleo.

06 – Segundo o engenheiro Guilherme Vianna Raffo, em que nível de desenvolvimento os eVTOLs se encontram do ponto de vista acadêmico e qual é um exemplo de projeto em que ele participa?

      Do ponto de vista acadêmico, o desenvolvimento de eVTOLs se encontra bastante avançado, com vários sistemas de navegação e controle já criados ou em desenvolvimento (como detecção/desvio de obstáculos e identificação de falhas). Um exemplo de projeto em que ele participa é o desenvolvimento de um eVTOL para apoiar o serviço de resgate e atendimento médico de urgência da Espanha, executado por universidades brasileiras (UFMG, UFSC) e a Universidade de Sevilha.

07 – No Brasil, qual empresa está estudando, além do conceito de eVTOL, a implementação de um ecossistema de P&D para esse novo tipo de mobilidade, e o que essa iniciativa envolve?

      A empresa é a Embraer. A iniciativa envolve, entre outras coisas, o aprimoramento do sistema de controle de tráfego aéreo urbano, pois é imprescindível garantir rotas de navegação seguras para essas aeronaves.

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

REPORTAGEM: POPULAÇÃO AFRO-BRASILEIRA REASSUME O PROTAGONISMO DE SUA HISTÓRIA - ALEX BESSAS - COM GABARITO

 Reportagem: População afro-brasileira reassume o protagonismo de sua história – Fragmento

        Povo negro busca registrar seu passado de uma perspectiva própria, sem ceder ao pensamento colonizador, e, assim, visa transformar a atualidade e projetar um amanhã a partir de sua própria ótica

Por Alex Bessas – 30/06/19 – 03h00

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGS08xbt-K7662sRizop04H_FBwxM-6A2-Rs3NvkJqECdMmYptJHfMx5B_8cn3GrRPlU1aFvzX-CjfmQWcTur_QnGQOxppH2Qvqave8-ZiT8wr1pS-fvIpEgM0jffyO5rb_jQ0xudylsjVw7YN5KdXvk85Yvyq1GOsE43JpLEnvMpQb3B7cQxf9HOnVcE/s1600/AFRO.jpg


        Quando Olorum ordenou que Oxalá criasse o ser humano, várias foram as tentativas do orixá. Com o ferro, ficou rígido demais. Usou a pedra, mas, ficou frio. A água não tomava forma. Tentou o fogo, e logo a criatura se consumiu em suas chamas. Foi quando Nanã Buruku veio em seu socorro: ofereceu-lhe a lama. Então, Oxalá moldou as formas humanas, e com um sopro, Olorum emprestou vida ao homem, que com a ajuda dos orixás, povoou o mundo. Mas o corpo precisa sempre voltar à terra. Nanã, afinal, deu a matéria no início, mas a quer de volta ao final.

        É assim, pela narrativa da origem do mundo, extraída do livro “Mitologia dos Orixás” (2001), do sociólogo Reginaldo Prandi, que Magna Oliveira inicia as aulas do projeto “Iranti: Ser África”, iniciativa que, desde 2015, busca formar professores em contação de histórias dos povos negros, promovendo literaturas e oralidades africanas e afro-brasileiras. Um reforço no sentido de fazer cumprir a Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas de níveis fundamental e médio do Brasil. 

        De um entendimento mais dilatado, o projeto encabeçado por Magna pode ser lido como parte de um movimento maior, que tem ganhado força. Nele, a população negra – que, por efeito da diáspora, hoje comunga de uma identidade transcontinental – passa a recontar seu próprio passado para, assim, transformar o presente e projetar um futuro a partir de uma perspectiva afrocentrada. “Quando estudei, me sentia constrangida com o que a história dizia sobre o meu povo. Era a parte que queria que passasse mais rápido! Mas essa não é a nossa história. Essa é a que os colonizadores escreveram por nós”, explica Magna, que é técnica administrativa.

        Valorizando as tradições oral e literária dos povos negros, ela busca furar as sucessivas camadas discursivas elaboradas em contexto colonial – o que faz surtir um efeito antirracista e representa um passo rumo à descolonização do pensamento. “Se, no processo de formação, todas as referências são brancas, o que acontece é que, para me referendar, vou buscar me embranquecer. É essa lógica que nós estamos quebrando”, diz. 

        “Ainda há resistência em abordar esses temas dentro da escola, porque não se reconhece a importância da história e da cultura negra na formação do país – que, embora racista, não se reconhece como tal”, observa a mestre em educação e professora do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto Luana Tolentino. Para ela, projetos como o “Iranti: Ser África” possibilitam que “jovens e crianças negras valorizem seu pertencimento racial, construam identidades positivas, se orgulhem de sua ancestralidade – algo que faz bem à autoestima e vai afetar diretamente o processo de aprendizagem”, examina ela, que é estudiosa da aplicação da referida lei federal e diz ser crescente o número de iniciativas do gênero.

        Outra perspectiva. Ao divulgar histórias carregadas de significados, Magna junta-se a um movimento pelo qual busca, mais que sentir-se representada, produzir uma completa mudança de perspectiva. Afinal, ao se conhecer outro modo de conceber o mundo, surgem formas novas de oferecer respostas aos seus problemas, por meio de alternativas próprias. É no que acredita a MC Tamara Franklin: “Tanto a ficção quanto a literatura e até as ciências são consumidas de um olhar eurocêntrico. Por isso, muitos de nós passam a reproduzir posturas que não têm nada a ver com a compreensão africana”, diz “Eu boto fé nesse movimento, em que estamos nos reapropriando do que é nosso”, completa a artista.

        A história que abre a reportagem é exemplo dessa mudança de eixo. “As religiões e a filosofia africana trazem, em si, outra relação com o meio. A natureza não é vista como outro, mas como parte”, analisa Tamara. Para ela, aliás, a questão vai muito além da representatividade.

        “É comum ouvir que precisamos ocupar espaços a qualquer custo. Mas a casa-grande tinha muito preto, nem por isso estava sendo empretecida”, reflete. “O que precisamos é quebrar essa estrutura – e pensar o futuro sob uma ótica preta é uma forma de começar esse processo”.

        E, para ela, para construir essa emergente perspectiva, é preciso avançar mais. “O povo negro devia receber condições para estudar a sua própria medicina, seus próprios avanços tecnológicos. Fala-se muito de África para falar de tradição. Precisamos olhar para a frente, para as possibilidades de avanço”, defende a MC. “Acredito que a educação afrocentrada poderia passar por caminhos mais amplos”.

        As proposições de Tamara fazem ecoar formulações do pensador senegalês Cheikh Anta Diop (1923-1986), que pôs em evidência as contribuições africanas para a humanidade. O autor reivindicava o vínculo entre o Egito e a África negra e demonstrava como o país egípcio influenciou a Grécia – considerada berço da civilização ocidental – e o mundo clássico como um todo. Em suas publicações, Diop indicava a capacidade de produzir conhecimento e ciência e de se organizarem politicamente, em escala nacional e continental, aspectos que costumam ser desprezados.

        [...]

BESSAS, Alex. População afro-brasileira reassume o protagonismo de sua história. O Tempo, 30 jun. 2019. Disponível em: https://www.otempo.com.br/interessa/populacao-afro-brasileira-reassume-o-protagonismo-de-sua-historia-1.2202305. Acesso em: 23 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília: Caderno de atividades – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 13-14.

Entendendo a reportagem:

01 – Qual é o objetivo central do movimento atual da população negra, conforme o título e o primeiro parágrafo da reportagem?

      O objetivo central é reassumir o protagonismo da sua história, buscando registrar seu passado a partir de uma perspectiva própria (afrocentrada), sem ceder ao pensamento colonizador, para, assim, transformar a atualidade e projetar um futuro.

02 – De acordo com a narrativa de origem do mundo utilizada por Magna Oliveira, qual orixá socorreu Oxalá e ofereceu o material para a criação do ser humano? Que significado essa narrativa tem em relação à matéria e ao ciclo da vida?

      O orixá que socorreu Oxalá foi Nanã Buruku, que ofereceu a lama como matéria para moldar as formas humanas. O significado é que o corpo precisa voltar à terra, pois Nanã, que deu a matéria no início, a "quer de volta ao final", simbolizando o ciclo da vida e morte.

03 – Qual é o propósito da Lei 10.639, de 2003, e como o projeto "Iranti: Ser África" se relaciona com ela?

      A Lei 10.639/2003 tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas de níveis fundamental e médio do Brasil. O projeto "Iranti: Ser África" atua como um reforço no sentido de fazer essa lei ser cumprida, formando professores para promover literaturas e oralidades africanas.

04 – Segundo a MC Tamara Franklin, qual é a principal consequência de consumir ficção, literatura e até ciências a partir de um olhar eurocêntrico?

      A principal consequência é que muitos passam a reproduzir posturas que "não têm nada a ver com a compreensão africana", indicando a adoção de perspectivas culturais e ideológicas desalinhadas com sua ancestralidade.

05 – Qual efeito o trabalho de valorização das tradições oral e literária dos povos negros, como o de Magna Oliveira, produz em relação ao contexto colonial, e qual lógica se busca quebrar?

      O trabalho busca furar as camadas discursivas elaboradas em contexto colonial, o que gera um efeito antirracista e representa um passo para a descolonização do pensamento. A lógica que se busca quebrar é aquela em que, tendo apenas referências brancas, o indivíduo negro busca se "embranquecer" para se referendar.

06 – A MC Tamara Franklin argumenta que a questão vai além da representatividade. Qual é a reflexão que ela utiliza para ilustrar por que "ocupar espaços" não é o suficiente para a verdadeira mudança?

      Ela reflete que "a casa-grande tinha muito preto, nem por isso estava sendo empretecida". Com isso, ela ilustra que a simples presença ou ocupação de espaços não quebra a estrutura de poder; o que é preciso é quebrar essa estrutura e pensar o futuro sob uma ótica preta.

07 – Quais foram as contribuições do pensador senegalês Cheikh Anta Diop que são mencionadas na reportagem, e o que ele buscava evidenciar sobre a África?

      Diop pôs em evidência as contribuições africanas para a humanidade. Ele reivindicava o vínculo entre o Egito e a África negra e demonstrava como o Egito influenciou a Grécia (berço da civilização ocidental). Suas publicações indicavam a capacidade africana de produzir conhecimento, ciência e de organização política em escala continental, aspectos que costumam ser desprezados pelo olhar eurocêntrico.