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sábado, 25 de julho de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): VEJA BEM, MEU BEM - LOS HERMANOS - COM GABARITO

 Música (Atividades): Veja bem, meu bem 

            Los Hermanos

 

Veja bem, meu bem

Sinto te informar que arranjei alguém

pra me confortar.

Este alguém está quando você sai

E eu só posso crer, pois sem ter você

nestes braços tais.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhdZnx_C_F8u6cd-WKZdGg4JicuXHoDzauRS6gkzN4PLGX-DzZw0pfjqebMSFoP1qEFBLRX4pP31ptYNI2S0szuddOT_syRi66olZHDVQFGcqz6GMXrMgRmYZb2jjRYYwLJP1lOLezlxQcu5qT3wHHWz0QIj51ktM7a263qdqfAVRIaZxC7yscWdrrOsZk/s320/images.jpg 

Veja bem, amor.

Onde está você?

Somos no papel, mas não no viver.

Viajar sem mim, me deixar assim.

Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

 

Enquanto isso, navegando vou sem paz.

Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

 

E eu nunca vou te esquecer amor,

Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

 

Veja bem além destes fatos vis.

Saiba, traições são bem mais sutis.

Se eu te troquei não foi por maldade.

Amor, veja bem, arranjei alguém

chamado saudade.

Composição: Marcelo Camelo.

 Entendendo a música:

01 – A palavra “bem” aparece duas vezes no título da música. Explique em que sentido ela é usada em cada uma dessas vezes.

      O bem de “veja bem” faz parte de uma expressão que significa “preste atenção em”, “escute atentamente”, ou seja, funciona como advérbio de intensidade. Já o “bem” de “meu bem”, é uma expressão carinhosa para denominar algo ou alguém, isto é, funciona como substantivo.

 02 – Como você acha que o “eu” da canção está se sentindo? Que passagens do texto te levaram a concluir isso?

      Se sente sozinho quando menciona palavras como “confortar” e “solidão” ou quando faz perguntas como “onde você está?”. Se sente também angustiado porque admite estar “sem paz”.

 03 – O eu lírico da música insinua que está se relacionando com uma outra pessoa. Explique de que maneira o compositor constrói essa expectativa e como ele rompe com ela.

      O eu parece estar se relacionando com uma pessoa física na medida em que a nomeia a como um “alguém”. No entanto, no último verso, ele revela que esse “alguém” é na verdade um sentimento: a saudade.

 04 – Explique o verso: “Somos no papel, mas não no viver”.

      Ele quis dizer que estava casado legalmente, “no papel”, mas não sentia que o relacionamento estivesse bem a ponto de ser considerado um casamento.

 05 – No primeiro verso da quinta estrofe da canção, o autor faz referência a “fatos vis”. Na sua opinião o que seria um fato vil e quais deles são apontados na música?

      Fatos vis são situações tristes, indignas, ruins. Uma delas, por exemplo, é o fato de o eu se sentir sozinho quando seu parceiro viaja, sai ou não está. Por essa razão é que afirma estar com o outro “no papel”, mas não no viver.

06 – A música trata de uma separação? Justifique sua resposta.

      Não, porque ele afirma ainda amar a esposa quando diz: “E eu nunca vou te esquecer” e quando explica que as traições são bem mais sutis do que pensamos. Isso pode indicar que ele não está traindo de fato e, sim, só sentindo saudades, já que é ao lado desta que ele se encontra a maior parte do tempo.

 07 – Você acha que o relato presente na música foi de fato realizado diante de uma pessoa concreta ou aconteceu de outra maneira? Qual? Justifique sua resposta.

      É provável que o interlocutor sinta-se surpreendido ao perceber que o parceiro estivesse dando termino ao relacionamento, por afirmar que tinha arranjado outra pessoa para confortá-lo. No entanto, deveria se sentir aliviado ao saber, ao final do texto, que esse alguém não era uma pessoa física e sim um sentimento, a saudade.

 08 – Se você fosse o interlocutor desse texto, quais seriam suas reações no decorrer da leitura e como você responderia a ele?

      Resposta pessoal do aluno.

 

domingo, 28 de junho de 2026

MÚSICA/POEMA(ATIVIDADES): HINO À PAZ - GOIÁS - JOSÉ FERNANDES - COM GABARITO

 Música/poema (Atividades): HINO À PAZ – Goiás

            José Fernandes

Ó Paz, divina Paz, musica ouvida nos absconsos
silêncios, longe dos olhos dos deuses e dos homens,
que confundes amor e ódio, temperas a guerra com as chamas
da mentira e sufocas a verdade no interior das frias pedras
dos pólos, esconjuro-te pela poderosa Necessidade,
pela inexorável flecha de Eros e pela lira de Hermes,
incendeie os sistemas límbicos de homens e deuses,
para que eles, revigorados pela flecha do grande
arqueiro possam derreter-se em amor uns para os outros
e celebrar as palavras de paulos e pedros nos montes
e nas oliveiras restaurados pelas bem-aventuranças!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDWsvwzC7IEIZIiCaQ_XrlG-Yu2EKvhNUsC5__HKf9jTMqp0pmoXPhke6QhrfGiVfjvQ8fN-za2ggv9hCUeVUl_5eCz95fQymYizk4jCaYRAkby0gUeacQgeyqApltYyfNP3pIqhPjIJGWrvVfTHJjfPDpXGZ3bwvVxttr2tyS4dkpheIUaeB45bCkW5M/s320/paz_2024.jpg



Ó Paz, que consomes os sonhos de cristos e maomés,
que desejas silenciar o tiritir, o zinir e o sibilar de balas,
raios, coriscos, baionetas e bombardas de mísseis,
levanta-te e vede por todos os lugares e ponde sobre
o trágico viver dos infelizes humanos que se digladiam,
a fuga dos ventos maus que esfuziam canhões e bombas
e, como uma chama acesa, como um relâmpago,
enfraqueça-os, debilite-os e os torne incapazes
de qualquer atividade que contrarie Aquele
que é Logos, Palavra, Amor, Ahavá, Szerelem.
Ó Sabaot, Adonai, Eloim, Pagourê, Zagourê!

José Fernandes.

 

Entendendo a música:

01 – No início do poema, a Paz não é descrita de forma puramente idílica ou romântica; o eu lírico aponta ambiguidades em sua atuação. Como o texto caracteriza essa natureza complexa da Paz na primeira estrofe?

      A Paz é caracterizada como uma força complexa e ambígua que atua nos "absconsos silêncios". O eu lírico afirma que ela "confundes amor e ódio", "temperas a guerra com as chamas da mentira" e "sufocas a verdade". Essa descrição mostra que, para que a paz exista no mundo dos homens, muitas vezes ocorrem concessões duras, silenciamentos e uma tênue linha entre o equilíbrio e o conflito, distanciando-a de uma visão puramente ingênua.

02 – O autor mistura referências da mitologia clássica grega com a tradição judaico-cristã. Identifique esses dois universos no texto e explique como eles se fundem no pedido do eu lírico.

      O universo mitológico grego aparece na primeira estrofe através das menções à "Necessidade" (Ananque), à "flecha de Eros" (deus do amor) e à "lira de Hermes". Já o universo judaico-cristão surge nas referências às "palavras de paulos e pedros", aos "montes e nas oliveiras" e às "bem-aventuranças". Eles se fundem no clamor para que a força avassaladora do amor mitológico (Eros) revigore os homens para que eles possam, finalmente, compreender e celebrar as mensagens de amor, paz e espiritualidade cristãs.

03 – A segunda estrofe utiliza várias palavras que mimetizam os sons de armas e combates. Que recurso estilístico é esse e quais palavras o autor usa para retratar a violência da guerra?

      O recurso estilístico utilizado é a onomatopeia (ou aliteração associada a imagens sonoras). O autor utiliza os termos "tiritir", "zinir" e "sibilar" para reproduzir o som agudo, metálico e ameaçador de balas, raios, baionetas e mísseis. O objetivo é criar um forte contraste acústico entre o barulho destrutivo da guerra e o silêncio/calmaria pedidos para a manifestação da Paz. 

04 – O que o eu lírico roga que a Paz faça com os seres humanos que se "digladiam" e qual é o objetivo final dessa intervenção?

      O eu lírico roga para que a Paz se levante e dissipe os "ventos maus que esfuziam canhões e bombas". Ele pede que a Paz enfraqueça, debilite e torne os seres humanos incapazes de realizar qualquer atividade violenta. O objetivo final é neutralizar a capacidade humana de fazer o mal, forçando-os a parar a guerra para que não contrariem Aquele que representa a essência universal do "Logos, Palavra, Amor".

 

05 – O poema se encerra com uma sequência de palavras de forte apelo sagrado: "Ó Sabaot, Adonai, Eloim, Pagourê, Zagourê!". Qual é a função dessa escolha de vocabulário no fechamento do hino?

      A escolha de vocábulos como Sabaot, Adonai e Eloim (nomes hebraicos ancestrais para Deus na tradição judaica), junto a termos de tradições místicas e sincréticas (Pagourê, Zagourê), funciona como um encantamento, prece litúrgica ou mantra universal. Ao evocar o divino através de diferentes nomes e línguas, o poema reforça o caráter ecumênico e sagrado do pedido, clamando por uma intervenção espiritual e superior para estabelecer a paz universal acima de qualquer barreira religiosa ou cultural.

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

MÚSICA (ATIVIDADES): CONVERSA DE BOTEQUIM - VADICO E NOEL ROSA - COM GABARITO

 Música (Atividades): Conversa de botequim

          Vadico e Noel Rosa

Seu garçom faça o favor

De me trazer depressa

Uma boa média que não seja requentada,

Um pão bem quente com manteiga à beça,

Um guardanapo

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjB0kuwUypJQULuQPpl_yurEFjoD0FwRGwKcw5mx65u3hIevyoOqxFG7iYQCTCOVGllhjM7cLr8dCVVcycPEwTcO_454rA5XEyky56-l82F07FIG02scc_CxcBCls-QauSJknDhH8BY7njPWdETj2ajdw4r562OX096MOj_1wLjrzcT6hp-BtE6LuyE2LI/s320/images.jpg


E um copo d`água bem gelada

Fecha a porta da direita

Com muito cuidado

Que eu não estou disposto

A ficar exposto ao sol

Vá perguntar ao seu freguês do lado

Qual foi o resultado do futebol

 

Se você ficar limpando a mesa,

Não me levanto nem pago a despesa

Vá pedir ao seu patrão

Uma caneta, um tinteiro,

Um envelope e um cartão

Não se esqueça de me dar palitos

E um cigarro pra espantar mosquitos

Vá dizer ao charuteiro

Que me empreste umas revistas

Um isqueiro e um cinzeiro

 

Telefone ao menos uma vez

Para 34-4333

E ordene ao seu Osório

Que me mande um guarda-chuva

Aqui pro nosso escritório

Seu garçom me empreste algum dinheiro

Que eu deixei o meu com o bicheiro,

Vá dizer ao seu gerente

Que pendure essa despesa

No cabide ali em frente.

 

Entendendo a música:

01 – Logo no primeiro verso, por meio do uso de um vocativo, fica claro quem fala e quem escuta nessa “conversa”.

a)   A quem a personagem que fala na canção se dirige?

      Ao garçom.          

b)   Quem é a personagem que fala?

      O cliente de um bar ou botequim.

02 – Observe como o tamanho dos versos desta canção varia muito. Pensando também no título, como você explicaria esse fato?

      A canção imita a fluidez e a coloquialidade da fala.

03 – No entanto, para realizar-se como canção, a letra e a melodia devem manter ainda alguma regularidade. Assinale as rimas da canção.

      Resposta pessoal do aluno.     

04 – Em que modo estão os verbos usados pela personagem para se dirigir ao garçom? Por quê?

      Os verbos estão no imperativo. Eles definem o tipo de relação que se estabelece entre as personagens da canção.

05 – Na primeira estrofe, o “cliente” faz ao garçom uma série de pedidos.

a)   O que ele pede?

      Um média (xícara de café com leite), um pão quente com manteiga, um guardanapo e uma gelada.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Sim, pois são pedidos de um cliente a um garçom de botequim.

06 – Na segunda estrofe outros pedidos são feitos.

a)   Quais são eles?

      Para que o garçom não limpe a mesa e para que traga uma caneta, um tinteiro, um envelope um cartão, palitos, cigarro, revistas, isqueiro e cinzeiro.

b)   Esses pedidos são adequados à situação?

      Não são mais pedidos apropriados a um botequim, pois incluem itens encontrados na tabacaria ou na papelaria.

07 – Na última estrofe, o “cliente” parece passar dos limites.

a)   O que ele pede ao garçom?

      Pede para que o garçom ligue para um número e ordene a um tal de Osório que mande um guarda-chuva; pede dinheiro emprestado e pede para que o gerente “pendure” a conta.

b)   Explique por que esses pedidos excedem o que se espera que um cliente peça a um garçom.

      Os pedidos da última estrofe são inusitados, o que ajuda a produzir o humor na canção. Eles imitam uma relação de patrão com empregado, ou de pessoa muito “espaçosa”, em ambiente familiar.

c)   Como o botequim é chamado pelo cliente?

      Nosso escritório.

d)   O que esse cliente vai fazer no botequim?

      Provavelmente, ele é um poeta, um sambista que vai ao botequim para compor suas canções.

MÚSICA (ATIVIDADES): PEDRO PEDREIRO - CHICO BUARQUE - COM GABARITO

 Música (Atividades): Pedro pedreiro

          Chico Buarque

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhoscJzgOI1zQsiL8uLw0k5q8YX7f69cGtrSUHaU_X35fEFyqF9CjUIAQlP1Uxlf6h227bxlisG_XnllCeRYt63YQtgYo3n_XfZ2GvR8K48qcl6g_z3g_twoTJyD97QOyJ0UeXJUjFdjq77IQpdejuCALqaLBNvRZwMY7a12awLAjVJH0BBwoTMZvKsuIk/s320/images.jpg 

Assim pensando o tempo passa e a gente vai ficando prá trás
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol esperando o trem,

Esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro espera o carnaval

E a sorte grande do bilhete pela federal todo mês
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando a festa, esperando a sorte
E a mulher de Pedro, esperando um filho prá esperar também

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem
Manhã parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem de quem não tem vintém.

 

Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo

Espere alguma coisa mais linda que o mundo
Maior do que o mar, mas prá que sonhar se dá

O desespero de esperar demais.


Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser 

Pedreiro pobre e nada mais, sem ficar
Esperando, esperando, esperando, esperando o sol
Esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem
Esperando um filho prá esperar também
Esperando a festa, esperando a sorte,

Esperando a morte, esperando o Norte
Esperando o dia de esperar ninguém,

Esperando enfim, nada mais além
Da esperança aflita, bendita.

Infinita do apito de um trem
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando
Pedro pedreiro pedreiro esperando o trem
Que já vem...
Que já vem...
Que já vem...

 

Entendendo a música:

01 – Quem é Pedro, personagem da música de Chico Buarque?

      Pedro representa o trabalhador braçal brasileiro (especificamente um pedreiro), pertencente às classes mais desfavorecidas. Ele é o símbolo do cidadão comum, periférico, que vive na dependência do transporte público, de salários baixos e da eterna promessa de uma vida melhor que nunca chega.

 

02 – Por que a personagem se chama Pedro?

      O nome "Pedro" é um dos nomes mais comuns e populares no Brasil. Ao escolhê-lo, Chico Buarque não está falando de um indivíduo isolado, mas sim criando um personagem-tipo. "Pedro" representa qualquer trabalhador, a massa anônima que constrói as cidades, mas que permanece invisível para a sociedade. Além disso, cria um forte efeito sonoro de aliteração com a palavra "pedreiro" (Pedro pedreiro penseiro...).

 

03 – O que você entende da seguinte passagem de Pedro pedreiro: “esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem”?

      Essa passagem resume a rotina alienante e a falsa esperança do trabalhador. Ele espera o sol (o amanhecer para começar a jornada), o trem (a condução diária) e o aumento salarial, que é sempre adiado pelos patrões ou pela inflação ("desde o ano passado para o mês que vem"). Mostra que a vida de Pedro é pautada por promessas e expectativas que nunca se concretizam no presente.

 

04 – Quantas vezes o verbo esperar e suas conjugações são repetidos na música? Que efeito de sentido essa repetição provoca?

      O verbo "esperar" e suas derivações (esperando, espera, espere, esperança) aparecem cerca de 37 vezes ao longo da letra.

      O efeito de sentido dessa repetição exaustiva é imitar a monotonia, o cansaço e a estagnação da vida de Pedro. A música faz o ouvinte "cansar" de tanto ouvir a palavra, traduzindo artisticamente a sensação de uma vida onde nada acontece e o tempo passa devagar na rotina do trabalhador.

 

05 – Reescreva a 5ª estrofe da música, de “Pedro pedreiro” até “apito de um trem”, evitando repetir a palavra “esperando”. Feito isso, compare a sua versão com a versão original. Elas provocam o mesmo impacto no leitor? Explique.

      "Pedro pedreiro quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais, sem ficar aguardando o sol, na expectativa do trem, na ambição do aumento para o mês que vem. Na contagem regressiva para o filho que vai nascer, no desejo da festa, na busca pela sorte, na iminência da morte, na saudade do Norte. Na torcida pelo dia de não aguardar ninguém, querendo enfim, nada mais além da esperança aflita, bendita, infinita do apito de um trem."

      Comparação: Não, elas não provocam o mesmo impacto. A substituição por sinônimos elimina o efeito de "looping" e a angústia da repetição original. A versão de Chico Buarque é impactante justamente porque a palavra "esperando" funciona como as engrenagens de um relógio ou o som rítmico do próprio trem. Sem ela, o texto vira uma lista comum de desejos.

 

06 – Por que o verbo esperar é usado predominantemente no gerúndio?

      O gerúndio ("esperando") indica uma ação contínua, prolongada e que não tem fim. Se o autor usasse o presente ("Pedro espera"), pareceria uma ação pontual. O gerúndio reforça a ideia de que a vida de Pedro é um eterno processo de aguardar; ele está permanentemente travado nessa condição.

 

07 – Os versos: “Pedro pedreiro tá esperando a morte//Ou esperando o dia de voltar pro Norte” retratam a realidade de muitos brasileiros. Quem são eles e que realidade é essa?

      Retratam a realidade dos migrantes nordestinos (historicamente chamados de "baianos" ou "do Norte" no Sudeste). Eles deixavam suas terras natais fugindo da seca e da pobreza em busca de oportunidades nas grandes metrópoles (como São Paulo e Rio de Janeiro), mas acabavam encontrando subempregos, moradias precárias e uma vida de privações, restando-lhes apenas o sonho romântico de um dia voltar para casa.

 

08 – Que sentidos podemos atribuir à palavra “norte” usada nesse texto?

      Podemos atribuir dois sentidos principais:

      Sentido Geográfico/Literal: A região de origem do trabalhador (o Nordeste/Norte do Brasil), o seu lar.

      Sentido Figurado: Um "norte" como sinônimo de direção, sentido ou propósito de vida. Pedro está perdido na rotina e busca um rumo para sua existência.

 

09 – Por que Pedro pedreiro “quer voltar atrás, quer ser pedreiro pobre e nada mais”?

      Porque a dinâmica de "esperar" por tantas coisas (aumento, sorte, futuro do filho) gera uma ansiedade e um sofrimento psicológico insuportáveis ("se dá o desespero de esperar demais"). Pedro sente que a ambição e a esperança o escravizam. Ele prefere a ignorância e a pobreza absoluta, desde que isso o liberte da tortura mental de viver esperando por um futuro que nunca chega.

 

10 – Quando se diz: “Pedro não sabe, mas talvez no fundo//Espere alguma coisa mais linda que o mundo”, que coisa mais linda poderia ser essa?

      Essa "coisa mais linda" pode ser interpretada como a libertação plena, a dignidade humana ou a justiça social. Mesmo alienado e sem conseguir verbalizar, no fundo do seu ser, Pedro anseia por um mundo ideal, onde o homem não seja explorado e onde a vida não seja resumida apenas a trabalhar e pegar o trem.

 

11 – O verso: “Esperando um filho pra esperar também” revela um ciclo difícil de se romper no Brasil. Que ciclo é esse? Por que ele acontece e como ele poderia ser quebrado?

      O Ciclo: É o ciclo da pobreza hereditária e da falta de mobilidade social. O filho do pedreiro está fadado a ter o mesmo destino social e econômico do pai.

      Por que acontece: Devido à desigualdade estrutural, falta de acesso a empregos dignos e salários justos que assolam as classes mais baixas.

      Como quebrar: Através de políticas públicas profundas, principalmente com educação pública de alta qualidade, distribuição de renda, oportunidades de emprego e acesso à cultura para as periferias.

 

12 – O que nos sugere o efeito sonoro produzido pelo final da música: “que já vem...// que já vem...// que já vem... que já vem...”?

      O ritmo decrescente e repetitivo mimetiza o som do trem freando na estação, aproximando-se da plataforma. Ao mesmo tempo, ironiza a própria dinâmica da vida de Pedro: após passar a música inteira parado esperando, finalmente algo (o trem/o futuro) parece estar chegando, mas a música acaba, deixando o desfecho em aberto.

 

13 – Pode-se dizer que Pedro pedreiro é um homem esperançoso? Justifique sua resposta.

      É uma resposta ambígua. Pedro vive da "esperança", mas não de uma esperança ativa (de quem luta para mudar), e sim de uma esperança passiva (daquele que apenas aguarda o destino). A própria letra chama essa esperança de "aflita" e diz que ela dá o "desespero de esperar demais". Portanto, ele é esperançoso por necessidade de sobrevivência psicológica, mas essa esperança é o seu próprio castigo.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

MÚSICA(ATIVIDADES): EU NUNCA POSSO PERDER - FRAGMENTO - PALAVRA CANTADA - COM GABARITO

 Música (Atividades): Eu Nunca Posso Perder – Fragmento

          Palavra Cantada

Eu nunca posso perder um dia pra você ganhar
Eu nunca posso perder um dia pra você ganhar

É mais fácil um camelo correr pelo fundo de uma agulha

Mais fácil o rádio patrulha vê ladrão e não prender

Mais fácil gelo ferver sem a pedra desmanchar

Mais fácil burro falar e uma pedra se mover

Do que o Frank perder para o Nazah ganhar

 
 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgVHS6UeGA9UKOM_ycHTFXMA8ejyW07Zx9KCQEMzFbivrGCT9NFtF3_YXgwwpPR-mSBjfzYGGqWW_l_5aE3lDhYjOKZbWbjYXRv2aZrIyiMsVzIAQMcXAZC2Oqkpr-rQivJC7B4uA9gbtFbHt0XMg4WuXuEtcp057HFuDykqgNfvjkvKgnZuytMu8dDaqQ/s1600/MUSICA.jpg

 

Nazah não pode perder para o Frank ganhar

E eu nunca posso perder um dia pra você ganhar

E é mais fácil velho de cem anos se casar com uma donzela
É mais fácil uma cadela ter seu filho e fazer cama
É mais fácil aeroplano pelos ares não voar
É mais fácil o mar secar, um boi aprender a ler
Do que o Nazah perder para o Frank ganhar

Eu nunca posso perder um dia pra você ganhar
Eu nunca posso perder um dia pra você ganhar

Olha é mais fácil um cavalo estudar numa escola
Soltar pipa, jogar bola, viajar pra São Paulo
É mais fácil até um galo bater asa e voar
Mais fácil mudo cantar e gravar até um CD
Do que o Frank perder para o Nazah ganhar

[...]

É mais fácil um pecador fazer água virar vinho
É mais fácil um passarinho virar disco voador
É mais fácil um pastor um dia parar de pregar
Um professor ensinar sem ter aprendido ler
Do que o Nazah perder para o Frank ganhar

Mas eu não vou perder um dia pra você ganhar
E eu também não vou perder um dia pra você ganhar
.

[...]

Composição: Francisco Salustiano dos Santos, Nazareno Salustiano dos Santos. Canções do Brasil – “O Brasil cantado por suas crianças”. Palavra Cantada, 2001, p. 74-75.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 101-102.

Entendendo a música:

01 – Qual é o tema central ou a principal disputa narrada na letra da música?

      O tema central é uma disputa acirrada entre dois personagens, Frank e Nazah, onde nenhum dos dois aceita a possibilidade de perder para o outro. A letra reforça a ideia de uma rivalidade em que a vitória de um sobre o outro é considerada algo praticamente impossível de acontecer.

02 – O que os personagens querem dizer quando repetem que "é mais fácil" certas coisas absurdas acontecerem do que um perder para o outro?

      Eles utilizam o recurso da hipérbole (exagero) para mostrar que a derrota de um deles é algo totalmente inacreditável e fora de cogitação. Ao listar situações impossíveis na realidade, eles enfatizam a extrema confiança que têm em si mesmos e a recusa absoluta em aceitar a derrota.

03 – Cite três exemplos de situações absurdas ou impossíveis mencionadas no texto para ilustrar a teimosia dos competidores.

      O texto está repleto de imagens absurdas. Três exemplos são:

      Um boi aprender a ler.

      Um mudo cantar e gravar um CD.

      Um passarinho virar um disco voador.

04 – Além das figuras de Frank e Nazah, quem mais entra na disputa de acordo com o refrão da música?

      O próprio eu lírico (quem canta a música) entra na disputa diretamente com o ouvinte ou com o seu interlocutor, como mostra o refrão: "Eu nunca posso perder um dia pra você ganhar". Isso transforma a música em um jogo ou desafio direto entre quem canta e quem escuta.

05 – Como a música termina no último trecho apresentado e qual é a conclusão dos dois lados?

      A música termina sem que nenhum dos lados ceda. Ambos reafirmam sua posição obstinada com as frases: "Mas eu não vou perder um dia pra você ganhar / E eu também não vou perder um dia pra você ganhar". Isso mostra que a competição continua empatada e nenhum deles pretende desistir.

 

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

MÚSICA (ATIVIDADES): MÁSCARA NEGRA - ZÉ KETI E PEREIRA MATOS - COM GABARITO

 Música (Atividades): Máscara Negra

            Zé Keti e Pereira Matos

Tanto riso, oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina
No meio da multidão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEghSXDwrs65qWv8HK-W4r_9pEZRuzhkkU2aLKObSu4r6Hq02aioa8DNYasrOGqo07GDUCN4uRAvEeNd-7xuw-7wozvSOn4r-Fb7IFx-TFurhW2W9XA4cBNca_GSZjTMnih86aixYzxAdL7nXSe6-JAGlgwZ2Wy3pf2AwHwa8n_EdmVMsiFLi57lMUPTbyI/s320/MASCARA.jpg


Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade.

Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval.

Composição: Zé Kéti, Pereira Matos. Saudade seresteira. Belo Horizonte, Leme. v.2, p. 218. [Marcha-rancho gravada por Dalva de Oliveira para o carnaval de 1967.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 57.

Entendendo a música:

01 – A primeira estrofe da música estabelece um forte contraste de sentimentos no ambiente do salão. Explique que oposição é essa e quais personagens a protagonizam.

      O contraste ocorre entre a euforia coletiva do Carnaval e a tristeza individual de um dos personagens. Enquanto o salão está repleto de "tanto riso", "quanta alegria" e "mais de mil palhaços", o Arlequim aparece chorando "no meio da multidão" pelo amor perdido da Colombina.

02 – O eu lírico da canção se identifica explicitamente na segunda estrofe. Quem é ele, com quem ele está falando e qual é o contexto temporal desse reencontro?

      O eu lírico se identifica como o Pierrô ("Eu sou aquele pierrô"). Ele está falando com uma mulher que reencontrou no salão de festas. Esse reencontro acontece exatamente um ano após o primeiro envolvimento deles, que também ocorreu no Carnaval passado.

03 – Qual é a importância do objeto que dá título à música ("máscara negra") para o desenrolar da narrativa e o que ela simboliza no contexto da festa?

      A máscara negra serve para esconder o rosto da mulher amada, mantendo o mistério de sua identidade. No contexto da marchinha e do próprio Carnaval, ela simboliza o disfarce, a fantasia e a liberdade de agir sob o anonimato, permitindo que os afetos do passado sejam revividos no salão.

04 – Na segunda estrofe, o Pierrô relembra as ações que marcaram o envolvimento do casal no ano anterior. Quais foram essas ações e qual é o desejo dele no presente?

      O Pierrô relembra que, no Carnaval passado, ele a abraçou e a beijou. No presente, motivado pela lembrança e ao ver que ela usa a mesma máscara negra, o desejo dele é "matar a saudade" daquele momento.

05 – Na última estrofe, o eu lírico faz um pedido para a sua amada ("Não me leve a mal"). Como ele justifica a sua ousadia e o seu comportamento impetuoso de querer beijá-la imediatamente?

      Ele justifica sua ousadia com o argumento de que "hoje é carnaval". Essa expressão resume a ideia tradicional de que o Carnaval é uma época de permissividade, em que as regras sociais rígidas são temporariamente suspensas e os impulsos de amor e prazer são perdoados e aceitos.

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MÚSICA (ATIVIDADES): O CACAU É SHOW - DARLAN ALVES CARNEIRO - COM GABARITO

 Música (Atividades): O cacau é show

           Darlan Alves Carneiro

É tão doce sonhar

E recordar a própria história

Eu, que já fui dádiva celestial

Em misteriosas civilizações

Fui batizado de cacau

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhGZQjE2wJ0c63Ew9VwxxJMq7nGEtsIq7JspN4ajmnLCV5DCaqGseNJUI5tlKoNQjHaOru76qemSMDHgxvrZKVotA7YmAGqWj86CMKRTFUnYAD6dbVqC5aK71CSgZZ9JymKOpADZCyxLpu8rW_Rtc_efY9ogo_xnvXYhrcVF1NNzqBS4c2FPwVa-ewR4n8/s1600/CACAU.jpg


Caminhei entre maias e astecas

Consagrei o meu “valor”

Caí na graça e no gosto

Na taça do imperador

A nobreza da Europa eu conheci

E num tal “mexe-mexe”, eu me vi

Ganhei um gosto especial

A mistura “deu carnaval”!

Sou rei entre os presentes

Se for falar de paixão

Nos sentidos dessa gente

Posso tocar um coração

Agradeço a cada sonhador

Que me deu forma, brilho e cor

Estou aqui pra festejar

Hoje sou o símbolo da vida,

Renasci nessa avenida

Na escolha popular

Tá na boca do povo:

“O cacau é show”!

Sou Rosas, Rosas de Ouro

Meu sabor te conquistou!

Armênio Poesia, Aquiles da Vila, Chanel, Maurício Paiva, Marquinhos Boldrini e Fred Vianna.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 177- 178.

Entendendo a música:

01 – Como o cacau define sua própria origem histórica no início do texto?

      Ele se define como uma "dádiva celestial" que esteve presente em misteriosas civilizações antigas, indicando uma origem divina e ancestral.

02 – Quais foram os povos americanos citados que utilizaram o cacau antes da colonização europeia?

      Os povos mencionados são os Maias e os Astecas.

03 – O que o texto quer dizer com o verso "Caí na graça e no gosto / Na taça do imperador"?

      Refere-se ao fato de o cacau ter se tornado uma bebida de prestígio e consumo exclusivo da realeza e de figuras poderosas, como os imperadores astecas.

04 – De acordo com a letra, o que aconteceu quando o cacau chegou à Europa?

      Ele conheceu a nobreza europeia e passou por um processo de transformação (o "mexe-mexe"), ganhando um gosto especial por meio de novas misturas.

05 – Por que o cacau é considerado o "rei entre os presentes" no contexto da música?

      Porque ele está associado à paixão e aos sentimentos, tendo o poder de "tocar um coração" quando oferecido como um gesto de carinho.

06 – A quem o narrador (o cacau) agradece na parte final da letra?

      Ele agradece aos "sonhadores" que lhe deram forma, brilho e cor, referindo-se aos mestres chocolateiros e artesãos que transformam o fruto no produto final.

07 – Qual é a identidade da "voz" que canta essa história e onde ela está se apresentando?

      A voz é da escola de samba Rosas de Ouro, e ela está se apresentando na "avenida" (o sambódromo), celebrando o cacau como um símbolo da vida e escolha popular.