terça-feira, 31 de outubro de 2017

MÚSICA: HÁGUA - SEU JORGE - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Música: Hágua
                                                Seu Jorge

O seco deserto está tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando (uuuuh)
Poluição, devastação, queimadas                            
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente

Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna

O tempo vai secar
O sol vai cárcume

E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra benzer
E água pra nadar
Nada, nada (x2)

O seco deserto está tomando conta do planeta
Água doce, bebível potável está acabando (uuuuh)
Poluição, devastação, queimadas
Desequilíbrio mental
Desequilíbrio do meio ambiente

Segundo previsões dos cientistas
De padres, pastores, budistas
De ciganos, pai de Santos, Hare Krishna

O tempo vai secar
O sol vai cárcume

E água pra beber
(Não vai ter)
E água pra lavar
(Não vai dar)
Água pra encher
E água pra nadar
Nada, nada (x2).

Interpretação do texto:

1 – Segundo diz a letra da música Hágua, o que os seres humanos estão fazendo para que a água doce esteja acabando?
      Estão poluindo, devastando e provocando queimadas. Assim, estão promovendo o desequilíbrio do meio ambiente.

2 – Você concorda com os autores da música quando dizem que o desequilíbrio do meio ambiente é uma espécie de desequilíbrio mental? Por quê?
      Sim, pois o desequilíbrio do meio ambiente pode significar o fim da vida no planeta.

3 – Segundo a letra da música, religiosos, estudiosos, enfim todo mundo, diz que “o tempo vai secar”. Você acha que as pessoas estão escutando o alerta sobre esse problema? Por quê?
      Em geral, os alunos costumam responder que não, porque continuam queimando e devastando a vegetação e poluindo a água potável.

4 – Você conhece ações para acabar com esse problema? Quais?
      Resposta pessoal do aluno.

5 – O que significa Hare Krishna? E o que é carcomê?
      - Hare Krishna: movimento filosófico indiano.
      - Carcomê: arruinar, corroer.

6 – Na música, quem está tomando conta do mundo? E por que motivo?
      O seco deserto. Por causa da devastação, das queimadas e da poluição.

7 – Na previsão de quem, afirma que a água vai acabar.
      Dos cientistas, de Padres, pastores, budistas, ciganos, pai de santos, Hare krishna.

8 – Quem canta esta música? E o nome do texto?

      Seu Jorge. Hágua.

QUESTÕES PARA O ENEM - COM GABARITO

Questões para o ENEM

Unidade 1:
1 – (UEL – PR) Leia o texto a seguir.

Os Direitos Humanos têm um pressuposto que é o de reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também para o próximo. Reconhecer esse postulado nos leva a outras dificuldades: definir quais bens materiais e simbólicos são indispensáveis a nós e aos outros, ou ainda, a todos os seres humanos. [...] A distinção entre ‘bens compreensíveis’, como os cosméticos, os enfeites, roupas extras, e bens incompreensíveis, como o alimento, a casa, a roupa, não é suficiente para criarmos critérios sobre quais direitos são essenciais. Poderíamos ampliar o entendimento dos bens incompreensíveis que não seriam apenas aqueles que asseguram a sobrevivência física em níveis decentes, mas também os que garantem a integridade espiritual. Desse modo, seriam bens incompreensíveis a alimentação, a moradia, o vestuário, a instrução, a saúde, a liberdade individual, o amparo da justiça pública, a resistência à opressão, e, também, o direito à crença, à opinião, ao lazer e, por que não, à arte e à literatura.

                                  Candido, A. Direitos Humanos e Literatura. Disponível em:
                          http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/textos_dh/literatura.html.
                                                                                         Acesso em: 7 jul. 2007.

      Com base no texto, a alternativa em que o verso apresenta clara correspondência com a temática é:
a)    Vamos comer/Vamos comer feijão/Vamos comer/Vamos comer farinha/Se tiver/Se não tiver então ô ô ô ô. (Caetano Veloso. “Vamo” comer).
b)    Bebida é água. / Comida é pasto. / Você tem sede de quê? / Você tem fome de quê? / A gente não quer só comida, / A gente quer comida, diversão e arte. / A gente não quer só comida, / A gente quer saída para qualquer parte. / A gente não quer só comida, / A gente quer bebida, diversão, balé. (Arnaldo Antunes; Marcelo Fromer; Sérgio Britto. Comida).
c)    Fome do cão, fome do cão, fome do cão, fome do cão / o ronco da lara é da fome do cão / O ronco do bucho é da fome do cão / Fome do cão, fome do cão, fome do cão, fome do cão. (Raimundos. Rumbora e Rodolfo Abrandes. Fome de cão).
d)    Trem sujo da Leopoldina / Correndo correndo / Parece dizer/ tem gente com fome / tem gente com fome / tem gente com fome. (João Ricardo Solano Trindade. Tem gente com fome).
e)    Ummmm que fome / Tô com uma fome de leão / Come, come / Vou detonar o macarrão / Come, come / Batata, vagem, agrião. (Jairzinho Oliveira. Comer me faz crescer.)

2 – (FUVEST-SP).
Oh! Maldito o primeiro que, no mundo,
Nas ondas vela pôs em seco lenho!
Digno da eterna pena do Profundo,
Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!
Nunca juízo algum, alto e profundo,
Nem cítara sonora ou vivo engenho,
Te dê por isso fama nem memória,
Mas contigo se acabe o nome e a glória                                           Camões. Os Lusíadas.

      Nos quatro últimos versos, está implicada uma determinada concepção da função da arte. Identifique essa concepção, explicando-a brevemente.
      O eu lírico determina que àqueles que se lançam aos mares não sejam dadas nem fama nem memória através da citara ou do vivo engenho, ou seja, da poesia mais alta e sublime. A arte teria, portanto, o poder de eternizar os altos feitos dos heróis, segundo as palavras do Velho do Restelo.

3 – (ENEM).
Texto 1.
Mulher, Irmã, escuta-me: não ames,
Quando a teus pés um homem terno e curvo
Jurar amor, chorar pranto de sangue,
Não creias, não, mulher: ele te engana!
As lágrimas são gotas da mentira
E o juramento manto da perfídia.
                                                           Joaquim Manoel de Macedo.

Texto 2.
Teresa, se algum sujeito bancar o
Sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um
Bonde
Se ele chorar
Se ele ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredite não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
Cai Fora.
                                                                     Manuel Bandeira.

Os autores, ao fazerem alusão às imagens da lágrima, sugerem que:
a)    Há um tratamento idealizado da relação homem/mulher.
b)    Há um tratamento realista da relação homem/mulher.
c)    A relação familiar é idealizada.
d)    A mulher é superior ao homem.
e)    A mulher é igual ao homem.

4 – (ENEM).
      Do pedacinho de papel ao livro impresso vai uma longa distância. Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de fôrma. A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa; ela faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho. Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda.
      O período de maturação na gaveta é necessário, mas não deve se prolongar muito. “Textos guardados acabam cheirando mal”, disse Silvia Plath, [...] que, com esta frase, deu testemunho das dúvidas que atormentam o escritor: publicar ou não publicar? Guardar ou jogar fora?
                                                            Moacyr Scliar. O escritor e seus desafios.

Nesse texto, o escritor Moacyr Scliar usa imagens para refletir sobre uma etapa da criação literária. A ideia de que o processo de maturação do texto nem sempre é o que garante bons resultados está sugerida na seguinte frase:
a)    “A gaveta é ótima para aplacar a fúria criativa”.
b)    “Em certos casos, a cesta de papel é melhor ainda”.
c)    “O período de maturação na gaveta é necessário, [...]”.
d)    “Mas o que o escritor quer, mesmo, é isso: ver o seu texto em letra de fôrma”.
e)    “Ela (a gaveta) faz amadurecer o texto da mesma forma que a adega faz amadurecer o vinho”.

5 – (ENEM).
               
    O açúcar.

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim
Este açúcar veio

Da mercearia da esquina e tampouco o fez o
Oliveira, dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.
[...]
Em usinas escuras,
Homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
                                                    
                                                       Gullar, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro:
                                                                Civilização Brasileira, 1980. p. 227-228.

A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e:
a)    O trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.
b)    O beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.
c)    O trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.
d)    A beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.
e)    O trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

6 – (ENEM).
        E considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.
      Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
      Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! Minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
                                                       Braga, Rubem. Ai de ti, Copacabana. 20. ed.

      O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu assim sobre a obra de Rubem Braga:
      O que ele nos conta é o seu dia, o seu expediente de homem, apanhado no essencial, narrativa direta e econômica. [...] É o poeta do real, do palpável, que se vai diluindo em cisma. Dá o sentimento da realidade e o remédio para ela.
      Em seu texto, Rubem Braga afirma que “esse é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos”. Afirmação semelhante pode ser encontrada no texto de Carlos Drummond de Andrade, quando, ao analisar a obra de Braga, diz que ela é:
a)    Uma narrativa direta e econômica.
b)    Real, palpável.
c)    Sentimento de realidade.
d)    Seu expediente de homem.
e)    Seu remédio.

7 – (ENEM).
      Eu começaria dizendo que poesia é uma questão de linguagem. A importância do poeta é que ele torna mais viva a linguagem. Carlos Drummond de Andrade escreveu um dos mais belos versos da língua portuguesa com duas palavras comuns: cão e cheirando.
      Um cão cheirando o futuro.

                                           Entrevista com Mário Carvalho. Folha de São Paulo,
                                                                                           24/5/1988. Adaptação.

O que deu ao verso de Drummond o caráter de inovador da língua foi:
a)    O modo raro como foi tratado o “futuro”.
b)    A referência ao cão como “animal de estimação”.
c)    A flexão pouco comum do verbo “cheirar” (gerúndio).
d)    A aproximação não usual do agente citado e a ação de “cheirar”.
e)    O emprego do artigo indefinido “um” e do artigo definido “o” na mesma frase.

(SARESP). O poema a seguir serve de base para as questões de 8 a 10.

          Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
           E a minha vida ficava
           Cada vez mais cheia
           De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
           E a minha vida ficava
           Cada vez mais cheia
           De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres.
          E minha vida ficava
          Cada vez mais cheia
          De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
          E minha vida ficava
          Cada vez mais cheia
          De tudo.
                               Bandeira, Manuel. Antologia poética. 12. ed. Rio de Janeiro.
                                                                         Nova Fronteira, 2001. p. 120-121.

8 – No poema, a expressão “minha vida” refere-se à vida:
a)    Da amada.
b)    Da natureza.
c)    Das mulheres.
d)    Do eu lírico.

9 – Nos três primeiros versos – “O vento varria as folhas, / O vento varria os frutos, / O vento varria as flores...” –, a semelhança sonora das palavras:
a)    Cria musicalidade no poema.
b)    Elabora uma prosa poética.
c)    Constrói imagens desconhecidas.
d)    Elimina o ritmo do poema.

10 – Pode-se afirmar que “Canção do vento e da minha vida” é um poema porque:
a)    Está estruturado em frases e parágrafos repetidos.
b)    Está organizado em versos com ritmo e sonoridade.
c)    Conta, em linguagem figurada, uma história de amor.
d)    Compara vida e natureza alterando a estrutura das estrofes.

11 – (PRICE/UEPA-PA) Qual a alternativa que indica corretamente os gêneros literários dos textos abaixo relacionados, na sequência em que estão dispostos?

I – O Dr. Mamede, o mais ilustre e o mais eminente dos alienistas, havia pedido a três de seus colegas e a quatro sábios que se ocupavam de ciências naturais, que viessem passar uma hora na casa de saúde por ele dirigida para que lhes pudesse mostrar um de seus pacientes.
                                                                                            Guy de Maupassant.
II – Todas as noites o sono nos atira da beira de um cais
E ficamos repousando no fundo do mar,
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...
Até que, um dia, nós criaremos asas.
E andaremos no ar como se anda na terra.
                                                                                      Mário Quintana.
III -  Oh! Que famintos beijos na floresta!
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta.
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vênus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.
                                                                                    Luís de Camões.
IV – Velha: E o lavrar, Isabel?
Isabel: faz a moça mui mal feita,
            Corcovada, contrafeita,
            De feição de meio anel;
            E faz muito mau carão,
            E mau costume d’olhar.
Velha: Hui! Pois jeita-te ao fiar
           Estopa ou linho ou algodão;
           Ou tecer, se vem à mão.
Isabel: Isso é pior que lavrar.
                                                                                  Gil Vicente.
Lavrar: costurar.
De feição de meio anel: de rosto emoldurado por (cabelo) cachos cortados pela metade.
Carão: cara, semblante.
Hui! Pois jeita-te: Pois te acostuma.
a)    Narrativo – Épico –Lírico – Dramático.
b)    Dramático – Lírico – Épico – Narrativo.
c)    Narrativo – Lírico – Épico – Dramático.
d)    Dramático – Épico – Narrativo – Lírico.
e)    Épico – Dramático – Narrativo – Lírico.

(UERJ-RJ) Com base no texto abaixo, responda às questões de número 12 a 15.
                       O CORPO
Acrobata enredado
Em clausura de pele
Sem nenhuma ruptura
Para onde me leva
Sua estrutura?

Doce máquina
Com engrenagem de músculos
Suspiro e rangido
O espaço devora
Seu movimento
(Braços e pernas
Sem explosão)

Engenho de febre
Sono e lembrança
Que arma

E desarma minha morte
Em armadura de treva.
                                                                 Filho, Armando Freitas. Disponível em:

12 – No poema, o eu lírico desenvolve, empregando diferentes imagens, a ideia de corpo como clausura. Isso não ocorre no seguinte verso:
a)    “Acrobata enredado”.
b)    “Sem nenhuma ruptura”.
c)    “Com engrenagem de músculos”.
d)    “Em armadura de treva”.

13 – A concisão é uma das características que mais se destacam na estrutura do poema. Essa concisão pode ser atribuída à/ao:
a)    Clara ausência de conectivos, explorando a sonoridade do poema.
b)    Pouco uso de metáforas, enfatizando a fragmentação dos versos.
c)    Abrupta mudança de versos, reforçando a lógica das ideias.
d)    Baixa frequência de verbos, exprimindo a inércia do eu lírico.

14 – (Adaptada). A ausência de pontuação na última estrofe do poema pode nos levar a diferentes leituras do texto. A única interpretação incoerente desse trecho é apresentada em:
a)    Engenho de febre e de sono, e lembrança que arma e desarma minha morte em armadura de treva.
b)    Engenho de febre, de sono e de lembrança, a qual arma e desarma minha morte em armadura de treva.
c)    Engenho de febre, de sono e de lembrança, o qual arma e desarma minha morte em armadura de treva.
d)    Engenho de febre, engenho que é sono e lembrança, e que arma e desarma minha morte em armadura de treva.

(UERJ-RJ). Com base no texto abaixo, responda às questões de números 15 e 16.
                      
  COPLAS
I
O Gerente – Este hotel está na berra!
Jamais houve nesta terra
Um hotel assim mais tal!
Toda a gente, meus senhores,
Toda a gente ao vê-lo diz:
Que os não há superiores
Na cidade de Paris!
Que belo hotel excepcional
O Grande Hotel da Capital
Federal!
Coro – Que belo hotel excepcional, etc. ...

II
O Gerente – Nesta casa não é raro
Protestar algum freguês:
Coisa é muito natural!
Acha bom, mas acho caro
Quando chega o fim do mês,
Por ser bom precisamente,
Se o freguês é do bom-tom
Vai dizendo a toda a gente
Que isto é caro mas é bom.
Que belo hotel excepcional!
O Grande Hotel da Capital
Federal!
Coro – Que belo hotel excepcional, etc. ...
O Gerente (aos criados) – Vamos! Vamos! Aviem-se! Tomem as malas e encaminham estes senhores! Mexam-se! Mexam-se! ... (Vozerio. Os hóspedes pedem quarto, banhos, etc. ... Os criados respondem. Tomam as malas, saem todos, uns pela escadaria, outros pela direita.)

III
O Gerente, depois, Figueiredo
O Gerente (Só) – Não há mãos a medir! Pudera! Se nunca houve no Rio de Janeiro um hotel assim! Serviço elétrico de primeira ordem! Cozinha esplêndida, música da câmara durante as refeições da mesa redonda! Um relógio pneumático em cada aposento! Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginastica e massagem! Grande salão com um plafond pintado pelos nossos primeiros artistas! Enfim, uma verdadeira novidade! – Antes de nos estabelecermos aqui, era uma vergonha! Havia hotéis em São Paulo superiores aos melhores do Rio de Janeiro! Mas em boa hora foi organizada a Companhia do Grande Hotel da Capital Federal, que dotou esta cidade com um melhoramento tão reclamado! E o caso é que a empresa está dando ótimos dividendos e as ações andam por empenhos! (Figueiredo aparece no topo da escada e começa a descer.) Ali vem o Figueiredo. Aquele é o verdadeiro tipo do carioca: nunca está satisfeito. Aposto que vem fazer alguma reclamação.
                                               Azevedo, Arthur. A capital federal. Rio de Janeiro:
                                                                        Serviço Nacional de Teatro, 1972.
Coplas: espécie de estrofe.
Berra: estar na moda.
Plafond: teto.

15 – A capital federal, peça escrita por Arthur Azevedo e encenada com sucesso até hoje, retrata o Rio de Janeiro no fim do século XIX.
a)    O texto demonstra como já circulavam amplamente no Rio de Janeiro comparações com modelos estrangeiros de modernidade. Transcreva dois versos que confirmem esta afirmativa.
“Que os não há superiores / Na cidade de Paris!”.
b)    Transcreva do texto duas frases completas em que o progresso técnico e o conforto são apresentados como qualidades simultâneas do Grande Hotel.
Duas dentre as frases: “Serviço elétrico de primeira ordem!”; “Um relógio pneumático em cada aposento!”; “Banhos frios e quentes, duchas, sala de natação, ginástica e massagem!”.

16 – O texto I faz parte uma peça de teatro, forma de expressão que se destacou na captação das imagens de um Rio de Janeiro que se modernizava no início do século XX.
a)    Aponte o gênero de composição em que se enquadra esse texto e um aspecto característico desse gênero.
O texto pertence ao gênero dramático. Os seguintes aspectos característicos desse gênero estão presentes no texto transcrito: ausência de narrador, presença de rubricas; predomínio de diálogos; personagens encarnados por atores; encenação dos episódios em um palco.
b)    A fala do gerente revela atitudes distintas, quando se dirige aos criados e quando está só. Identifique o modo verbal e a função da linguagem predominantes na fala dirigida aos criados.
O modo verbal predominante é o imperativo; a função da linguagem é a apelativa ou conotativa.