quarta-feira, 6 de setembro de 2017

TEXTO: CONQUISTADOR DA TERRA -JORGE AMADO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

TEXTO– CONQUISTADOR DA TERRA

        A manhã de sol dourava os cocos ainda verdes dos cacaueiros. O coronel Horácio ia andando devagar entre as árvores plantadas dentro das medidas estabelecidas.
        Aquela roça dava seus primeiros frutos, cacaueiros jovens de cinco anos. Antes ali também fora a mata, igualmente misteriosa e amedrontadora. Ele a varara com seus homens e com o fogo; com os facões, os machados e as foices, derrubou as grandes árvores, jogou para longe as onças e as assombrações. Depois fora a plantio das roças, cuidadosamente feito, para que maiores fossem as colheitas.
        E, após cinco anos, os cacaueiros enfloraram e nessa manhã pequenos cocos pendiam dos troncos e dos galhos. Os primeiros frutos. O sol os doirava, o coronel Horácio passeava entre eles.
   
        Tinha cerca de cinquenta anos e seu rosto, picado de bexiga, era fechado e soturno. As grandes mãos calosas seguravam o fumo de corda e o canivete com que faziam o cigarro de palha. Aquelas mãos, que muito tempo manejaram o chicote quando o coronel era apenas um tropeiro de burros, empregado de uma roça no Rio do Braço, aquelas mãos manejaram depois a repetição quando o coronel se fez conquistador da terra.
        Corriam lendas sobre ele. Nem mesmo o coronel Horácio sabia de tudo que em Ilhéus e em Tabocas se contava sobre ele e sua vida. As velhas beatas que rezavam a São Jorge, na igreja de Ilhéus, costumavam dizer que o coronel Horácio tinha, debaixo da sua cama, o diabo preso numa garrafa. Como o prendera era uma história longa, que envolvia a venda da alma do coronel num dia de temporal. E o diabo, feito servo obediente, atendia a todos os desejos de Horácio, aumentava-lhe a fortuna, ajudava-o contra os seus inimigos. Mas um dia – e as velhas se persignavam ao dizê-lo – Horácio morreria sem confissão, e o diabo, saindo da garrafa, levaria a sua alma para as profundas dos infernos. Dessa história o coronel Horácio sabia e ria dela, uma daquelas sua risadas curtas e secas, que amedrontavam mais que seus gritos nas manhãs de raiva.

                      Jorge Amado. Terras do sem fim, 21ª edição, pag. 51.
                                                       Editora Martins, São Paulo, 1968.

1 – O ambiente físico onde se encontra o personagem é:
      (   ) A cidade.            (X) A roça.         (   ) A mata.

2 – Por que a mata era amedrontadora?
      Por causa das onças e das assombrações.

3 – O coronel Horácio “jogou para longe as onças e as assombrações”. O que fez para isso?
      Derrubou a mata e limpou o terreno.

4 – Que tinha sido Horácio antes de se tornar dono daquela terra e patrão poderoso?
      Tropeiro de burros, empregado de uma roça no Rio do Braço.

5 – Por que o autor chama o coronel Horácio de conquistador da terra?
      Porque para tornar produtiva aquele pedaço de terra teve de lutar contra seus inimigos e dominar a natureza bravia.

6 – Assinale as afirmações verdadeiras com relação aos cacaueiros de que se fala no texto:
      (   ) Eram árvores nativas da região, isto é, não plantadas pelo homem.
      (X)  Eram cacaueiros novos, iam dar a primeira safra.
      (   ) Ainda não tinham frutos, mas só flores.
      (X)  Estavam carregados de cocos maduros, amarelo-ouro.
      (X)  Foram plantados em terreno desmatado e de acordo com as técnicas agrícolas.

7 – Assinale as afirmações verdadeiras relativamente ao coronel Horácio:
      (   ) Seu rosto inspirava simpatia e bondade.
      (X)  Era um homem decidido, frio e corajoso.
      (X)  Tinha fama de homem mau.
      (   ) Não tinha inimigos.
      (   ) Tímido, sem ambições, não progrediu na vida.

8 – Segundo a lenda, que pacto fez o coronel como diabo?
      Vendeu a alma ao diabo, o qual, em troca, atendia a todos os desejos de Horácio, aumentava-lhe a riqueza e ajudava-o contra os inimigos.

9 – Releia o último parágrafo e diga porque “as velhas se persignavam”?
      De horror e para que Deus as livrasse de tal desgraça.

10 – Que é “morrer sem confissão”?
      É morrer sem confessar os pecados ao padre, morrer em pecado mortal.

11 – Assinale a única afirmação certa relativamente a Ilhéus:
      (   ) Cidade que deve o seu progresso à indústria açucareira.
      (   ) Cidade do interior da Bahia.
      (X)  O maior centro cacaueiro do Brasil.
      (   ) Só exporta cacau para outros Estados do Brasil, a fim de atender ao consumo interno.


7 comentários: