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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

POEMA: CANÇÃO DAS AMEIXAS - BERTOLT BRECHT - COM GABARITO

 Poema: Canção das ameixas

             Bertolt Brecht

Foi quando amadureceram

As ameixas – veio então

À aldeia, de carroça,

Um garboso rapagão.

Fonte:: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJllMuEnhsKW-uTNJ7BdBob-N9LBZo6jHrH7XyiCzreAPEKxUXcXkXtQtbvIpfvh1KcKlP4_Ax_iLXpnWkkRybLz-o3qeGgdm1-sYIFPXh0qJgw4_INlPL859Faxhr0WZdGJ0sV8-tlzjpFA7o8U5uPjWdQygyJDsw41iOW_PVA_R-e58bz_AE_S4Zrhg/s320/C%C3%A2n%C3%A7%C3%A3o-820x360.jpg


 

Nós colhíamos ameixas,

E na grama ele deitou,

Barba loura, e espichado

Coisa e outra observou.

 

As ameixas já cozidas,

Lá conosco ele brincou,

E sorrindo, nas vasilhas,

O seu dedo ele enfiou.

 

A geleia de ameixas

Nós comíamos, e então,

Foi-se embora. Mas lembramos

Sempre d belo rapagão.

Bertolt Brecht. In: Belinky, Tatiana. Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2003. p. 66.

Fonte: Língua Portuguesa: Singular & Plural. Laura de Figueiredo; Marisa Balthasar e Shirley Goulart – 7º ano – Moderna. 2ª edição, São Paulo, 2015. p. 307.

Entendendo o poema:

01 – Em que época do ano ou período específico o poema se inicia, e o que marca esse momento?

      O poema se inicia quando as ameixas amadureceram, um período que marca a chegada de um "garboso rapagão" à aldeia.

02 – Como o rapagão se comportou ao chegar à aldeia enquanto as ameixas estavam sendo colhidas?

      Ele deitou na grama, com sua barba loura, e ficou observando "coisa e outra", sugerindo uma atitude tranquila e observadora.

03 – Qual a atitude do rapagão quando as ameixas já estavam cozidas, transformadas em geleia?

      Quando a geleia estava pronta, ele brincou com as pessoas da aldeia e, sorrindo, enfiou o dedo nas vasilhas de geleia.

04 – Após a degustação da geleia, qual foi o destino do rapagão?

      Depois de todos comerem a geleia de ameixas, o rapagão foi embora.

05 – Qual o impacto duradouro da visita do rapagão na memória dos habitantes da aldeia?

      Apesar de ter ido embora, os habitantes da aldeia lembram-se sempre do "belo rapagão", indicando que a sua presença deixou uma impressão marcante e positiva.

 

domingo, 10 de agosto de 2025

POEMA: PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ - BERTOLD BRECHT - COM GABARITO

 Poema: Perguntas de um trabalhador que lê

             Bertold Brecht

Quem construiu a Tebas de sete portas?

Nos livros estão nomes de reis.

Arrastaram eles os blocos de pedra?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLdxYjBpp-JSUsUs6wL57NmkEGxyqZQzc6cYd_tgpDnjcTcJLK2FoBRD2wqVPFwFJPUDaLZ9axZxmIrEWK97iVMFVcDlfHRmzZVU7l56lEYbmT8fefiMdH16xa_0wOkpXYPlfBRbnMkyk-eVVVXOYy6vivV7y-5aFAoGx_u351Sx_eukiM95Sm8Ge18s0/s1600/images.jpg


E a Babilônia várias vezes destruída

Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas

Da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que

A Muralha da China ficou pronta?

A grande Roma está cheia de arcos do triunfo

Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os césares? A decantada Bizâncio

tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida

Os que se afogavam gritaram por seus escravos

Na noite em que o mar a tragou?

O jovem Alexandre conquistou a Índia.

Sozinho?

César bateu os gauleses.

Não estava sequer um cozinheiro?

Felipe da Espanha chorou, quando sua armada

naufragou. Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.

Quem venceu além dele?


Cada página uma vitória.

Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande Homem.

Quem pagava a conta?


Tantas histórias.

Tantas questões.

Bertold, Brecht. Poemas 1913-1956. 5. ed. São Paulo: Ed. 34, 2000.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 256-257.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal tese ou argumento que Bertolt Brecht desenvolve no poema "Perguntas de um Trabalhador que Lê"?

      A principal tese do poema é questionar a história oficial e tradicional, que frequentemente foca apenas em grandes líderes, reis e generais, ignorando ou minimizando o papel fundamental das massas trabalhadoras na construção das civilizações e na realização de grandes feitos. Brecht argumenta que, por trás de cada monumento, conquista ou avanço, houve o esforço anônimo e o trabalho árduo de inúmeros indivíduos, cujas contribuições raramente são registradas nos livros de história. O poema busca desmistificar a glória individual e trazer à tona a importância da ação coletiva e do trabalho braçal.

02 – Como Brecht utiliza a enumeração de grandes feitos históricos (Tebas, Babilônia, Muralha da China, Roma, Bizâncio, Atlântida, conquistas de Alexandre e César) para fortalecer seu argumento?

      Brecht utiliza a enumeração de grandes feitos históricos para demonstrar a universalidade e a recorrência do problema que ele aponta: a invisibilidade do trabalhador comum. Ao listar monumentos e eventos de diferentes épocas e civilizações, como a construção de Tebas, a reconstrução de Babilônia, a conclusão da Muralha da China, os arcos de triunfo de Roma e os palácios de Bizâncio, Brecht mostra que em todas essas grandezas, a figura do trabalhador é sistematicamente apagada. A repetição dessas perguntas sobre quem realmente construiu ou trabalhou nesses projetos serve para acumular evidências e reforçar a tese de que a história está incompleta e distorcida ao focar apenas nos nomes dos poderosos.

03 – Qual o significado da pergunta "Arrastaram eles [os reis] os blocos de pedra?" e de outras perguntas semelhantes no poema?

      A pergunta "Arrastaram eles [os reis] os blocos de pedra?" é central para o poema, pois ela representa a desconstrução da imagem heroica e autossuficiente dos líderes. Brecht, através dessa e de outras perguntas semelhantes ("Em que casas / Da Lima dourada moravam os construtores?", "Não estava sequer um cozinheiro?" etc.), força o leitor a reconhecer a divisão de trabalho e a dependência dos grandes feitos em relação ao trabalho de muitos. A implicação é que reis e imperadores, por mais poderosos que fossem, não realizavam as tarefas braçais e cotidianas necessárias para construir impérios ou vencer guerras. Essas perguntas retóricas servem para expor a hipocrisia da narrativa histórica que atribui todo o mérito a uma única figura.

04 – Como o poema "Perguntas de um Trabalhador que Lê" sugere uma crítica à forma como a história é escrita e transmitida?

      O poema sugere uma crítica incisiva à forma como a história é escrita e transmitida, ao apontar que "Nos livros estão nomes de reis", mas não os nomes dos construtores. Brecht critica a historiografia tradicional, que se concentra em indivíduos notáveis, feitos militares e grandes eventos políticos, ignorando as condições de vida, o trabalho e as perspectivas das classes subalternas. Ele questiona a seletividade dos registros históricos, que glorificam os vencedores e os poderosos, silenciando as vozes e as contribuições daqueles que efetivamente construíram e sustentaram essas sociedades. A repetição de "Tantas histórias. / Tantas questões." no final do poema reforça a ideia de que a versão apresentada é parcial e incompleta, necessitando de um olhar crítico e questionador.

05 – Qual o impacto da perspectiva de um "trabalhador que lê" para a mensagem do poema?

      A perspectiva de um "trabalhador que lê" é crucial para a mensagem do poema. Ela confere autenticidade e legitimidade às perguntas levantadas. Não é um historiador ou um intelectual que faz essas indagações, mas alguém que, por sua própria condição social e experiência de trabalho, entende a importância do esforço físico e coletivo. O "trabalhador que lê" é capaz de enxergar as lacunas na história oficial porque sua vivência o conecta com a realidade do trabalho e da produção. Essa perspectiva subverte a autoridade das narrativas dominantes e valida um ponto de vista que normalmente é marginalizado, tornando o poema uma voz para aqueles que foram esquecidos pela história.

06 – Analise as duas últimas estrofes: "Cada página uma vitória. / Quem cozinhava o banquete? / A cada dez anos um grande Homem. / Quem pagava a conta?" O que elas adicionam ao argumento central?

      As duas últimas estrofes servem como um resumo conciso e uma generalização do argumento central do poema, ampliando a crítica para além dos exemplos históricos específicos.

      "Cada página uma vitória. / Quem cozinhava o banquete?": Essa estrofe questiona a glorificação contínua das vitórias nos anais da história. A "vitória" é frequentemente associada a generais ou líderes militares, mas Brecht nos lembra que por trás de qualquer triunfo há um vasto aparato de suporte e trabalho não reconhecido. O "banquete" simboliza não apenas a celebração, mas toda a infraestrutura e o esforço logístico e humano que permitem tais eventos, geralmente realizados por pessoas comuns.

      "A cada dez anos um grande Homem. / Quem pagava a conta?": Aqui, Brecht satiriza a periodicidade com que a história celebra "grandes Homens", sugerindo que essa exaltação individual é um padrão. A pergunta "Quem pagava a conta?" é um questionamento direto sobre os custos humanos e materiais por trás do sucesso desses "grandes Homens". Implica sacrifícios, exploração e o ônus sobre as massas, que sustentam esses feitos sem receber o devido reconhecimento ou benefício. Essas estrofes, portanto, sintetizam a crítica à invisibilidade do trabalho e do sacrifício coletivo em prol da glória individual.

07 – Qual é a relevância do poema de Brecht para a compreensão da história e da sociedade contemporânea?

      A relevância do poema de Brecht para a compreensão da história e da sociedade contemporânea é profunda. Ele nos convida a adotar um olhar crítico e descolonizado sobre as narrativas históricas, questionando quem as escreve, de que perspectiva e com quais propósitos. Em um mundo onde a fama e o reconhecimento ainda são predominantemente atribuídos a poucos, o poema de Brecht é um lembrete de que o funcionamento de qualquer sociedade depende do trabalho e da contribuição de milhões de indivíduos muitas vezes anônimos. Ele nos encoraja a valorizar o trabalho coletivo, a desafiar as hierarquias de valor e a reconhecer as vozes marginalizadas na construção da história e da realidade social. O poema continua a ser um chamado à conscientização sobre as desigualdades e a importância de uma análise histórica mais inclusiva e abrangente.

 

 

domingo, 3 de agosto de 2025

POEMA: O TEATRO, CASA DOS SONHOS - BERTOLD BRECHT - COM GABARITO

 Poema: O TEATRO, CASA DOS SONHOS

             Bertold  Brecht

Muitos veem o teatro como casa

De produção de sonhos. Vocês atores são vistos

Como vendedores de drogas. Em seus locais escurecidos

As pessoas se transformam em reis e realizam

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgAckNp32tmRQv64huv2wwDkyBA5CWxLIheSLttO2T0827uT9k3IqkbvdCANzvnYJE8mqb00TtkiqlgcuEp5eRo0Gs_d8dmXXZq-HxMWziZRFfh5cCUpZOg1otArHC_kRPLWEohv1YzFLCQ_xWess7OijRbxZLRFuK3TNbDICn9QZLkP9JSpIZS2g_-yZc/s320/165824021662d6bcd8a82ec_1658240216_5x2_lg.jpg

Atos heroicos sem perigo. Tomado de entusiasmo

Consigo mesmo ou de compaixão por si mesmo

Fica-se sentado, em feliz distração esquecendo

As dificuldades do dia a dia – um fugitivo.

Todo tipo de fábula preparam com mãos hábeis, de modo a

Mexer com nossas emoções. Para isso utilizam

Acontecimentos do mundo real. Sem dúvida, alguém

Que aí chegasse de repente, o barulho do tráfico ainda nos ouvidos

E ainda sóbrio, mal reconheceria sobre essas tábuas

O mundo que acabou de deixar. E também

Saindo por fim desses locais,

Novamente o homem pequeno, não mais o rei

Deslocado na vida real. Muitos, é verdade

Veem essa atividade como inocente. Na mesquinhez

E uniformidade de nossas vidas, dizem, sonhos

São bem-vindos. Como suportar

A vida mesquinha e uniforme, e a renunciar

Por si mesmo. Mas vocês

Mostram um falso mundo, descuidadamente juntado

Tal como os sonhos o mostram, transformado por desejos

Ou desfigurado por medos, tristes

Enganadores.

BRECHT, Bertolt. Poemas 1913-1956. 5. ed. São Paulo: Ed. 34, 2000.

Fonte: Arte em Interação – Hugo B. Bozzano; Perla Frenda; Tatiane Cristina Gusmão – volume único – Ensino médio – IBEP – 1ª edição – São Paulo, 2013. p. 255-256.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal crítica que Brecht faz à percepção comum do teatro como uma "casa de produção de sonhos"?

      Brecht critica fundamentalmente a visão do teatro como um refúgio escapista, uma "casa de produção de sonhos", onde o público se transforma em "reis" e esquece as "dificuldades do dia a dia". Ele descreve os atores como "vendedores de drogas", sugerindo que a arte teatral, nesse modelo, atua como um narcótico que aliena o espectador da realidade. A crítica reside no fato de que, ao se entregar a essa "feliz distração", o indivíduo se torna um "fugitivo" que, ao sair do teatro, volta a ser o "homem pequeno, não mais o rei / Deslocado na vida real". Para Brecht, essa forma de teatro oferece um "falso mundo, descuidadamente juntado", que, como os sonhos, é "transformado por desejos / Ou desfigurado por medos", resultando em uma experiência ilusória e, em última instância, enganadora.

02 – De que forma o poema contrasta a experiência do público dentro e fora do teatro?

      O poema de Brecht estabelece um contraste marcante entre a experiência do público dentro e fora do teatro. Dentro dos "locais escurecidos", as pessoas se transformam, tornam-se "reis" e realizam "atos heroicos sem perigo", sentindo entusiasmo ou compaixão por si mesmas em uma "feliz distração". É um mundo de fábula onde as emoções são manipuladas e a realidade cotidiana é esquecida. No entanto, o poema enfatiza a abrupta transição ao sair desses locais: "Saindo por fim desses locais, / Novamente o homem pequeno, não mais o rei / Deslocado na vida real." Essa antítese ressalta a artificialidade da experiência teatral criticada por Brecht, onde a euforia e o escapismo são temporários, e a volta à vida "mesquinha e uniforme" é inevitável e, por vezes, mais dolorosa devido ao contraste.

03 – O que Brecht quer dizer ao afirmar que o teatro utiliza "acontecimentos do mundo real" para "mexer com nossas emoções" e qual é a sua ressalva a isso?

      Brecht reconhece que o teatro, mesmo em sua forma criticada, utiliza "acontecimentos do mundo real" para "mexer com nossas emoções". Isso significa que as histórias e situações encenadas têm suas raízes na vida cotidiana e nas experiências humanas, servindo como base para as narrativas dramáticas. No entanto, sua ressalva reside no modo como esses acontecimentos são apresentados e percebidos. Ele aponta que, para o espectador ainda "sóbrio" e com "o barulho do tráfico ainda nos ouvidos", seria difícil reconhecer nessas "tábuas" (o palco) o mundo que acabou de deixar. A crítica não está no uso da realidade em si, mas na sua transformação e distorção para fins de entretenimento e escapismo, onde o mundo real é "descuidadamente juntado" e "transformado por desejos / Ou desfigurado por medos", perdendo sua capacidade de provocar reflexão crítica e ação.

04 – Como o poema caracteriza os atores e sua função nesse tipo de teatro?

      No poema "O Teatro, Casa dos Sonhos", Brecht caracteriza os atores como "vendedores de drogas". Essa metáfora é profundamente crítica e sugere que a função dos atores, nesse modelo de teatro, é a de induzir um estado de alheamento e ilusão no público. Eles são os agentes que administram essa "droga" do escapismo, preparando "todo tipo de fábula com mãos hábeis, de modo a / Mexer com nossas emoções". A implicação é que, em vez de provocarem o pensamento crítico ou a conscientização social, os atores servem para anestesiar o público, oferecendo um refúgio temporário da realidade. Eles são, na visão de Brecht, "tristes / Enganadores", pois mostram um "falso mundo" que, embora possa trazer alívio momentâneo, não contribui para uma compreensão genuína ou para a transformação da vida real.

05 – Qual é a crítica subjacente de Brecht à inércia ou complacência do público diante desse tipo de representação teatral?

      A crítica subjacente de Brecht à inércia e complacência do público diante desse tipo de representação teatral é evidente em sua descrição do espectador como um "fugitivo" que se senta em "feliz distração". Ele questiona a aceitação generalizada dessa "atividade como inocente", onde os "sonhos / São bem-vindos" para suportar a "vida mesquinha e uniforme". Brecht parece lamentar que o público, ao invés de buscar a verdade ou a transformação de suas condições, se contente com uma ilusão momentânea. Há uma implicação de que essa complacência contribui para a perpetuação de um sistema que oferece fugas, mas não soluções. A crítica reside no fato de que o teatro, em vez de ser um catalisador para a mudança e a reflexão crítica sobre a realidade social, torna-se um cúmplice na manutenção da "mesquinhez / E uniformidade de nossas vidas", ao permitir que o indivíduo "renunciar / Por si mesmo" em favor de um mundo fabricado.

 

 

quinta-feira, 6 de março de 2025

POEMA: PRAZERES - BERTOLD BRECHT - COM GABARITO

 Poema: Prazeres

             Bertold Brecht

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8Q2VHB4ylnS19cAYVlTRrslYDmQ9ESF-uYxQzFrWIZo_t-NHqDVEpQEmOW6rRdtWLy-oIstXi7XXxiNWZK1SemRKVrNkOE8tfNVNdIwybfh69ESHkmzTed6F-K-ydIuPITWDaO39-huqZHpSg6dOu_w8o-n6itPBKwkgcO211RR4nFJrPCXymGjr7PvY/s320/JORNAL.jpg


O cão
A dialética
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

Bertold Brecht. Poemas e canções. Coimbra: Livraria Almedina, 1975.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 524.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema "Prazeres"?

      O poema celebra os prazeres simples e cotidianos da vida, desde as pequenas alegrias sensoriais até as satisfações intelectuais e emocionais.

02 – Quais tipos de prazeres são mencionados no poema?

      O poema abrange uma variedade de prazeres, incluindo:

      Prazeres sensoriais: "O primeiro olhar da janela de manhã", "Neve, o mudar das estações", "Tomar duche, nadar", "Sapatos cómodos".

      Prazeres intelectuais: "O velho livro de novo encontrado", "O jornal", "A dialética", "Compreender", "Escrever".

      Prazeres emocionais e sociais: "Rostos animados", "O cão", "Ser amável", "Viajar, cantar".

      Prazeres Estéticos: "Velha música", "Música nova".

03 – O que a repetição de substantivos e verbos no infinitivo sugere sobre a mensagem do poema?

      A repetição enfatiza a universalidade e a atemporalidade dos prazeres. Sugere que essas experiências são acessíveis a todos e transcendem circunstâncias específicas. Além disso, a forma como o poema é escrito, sem a utilização de muitas figuras de linguagem, torna o poema mais direto e de fácil entendimento.

04 – Como a simplicidade da linguagem contribui para o impacto do poema?

      A simplicidade da linguagem torna o poema acessível e direto, permitindo que o leitor se conecte facilmente com as emoções e experiências descritas. Isso reforça a ideia de que os prazeres da vida podem ser encontrados nas coisas mais simples.

05 – Qual a importância do poema "Prazeres" nos dias atuais?

      Em um mundo muitas vezes dominado por preocupações e complexidades, o poema nos lembra da importância de valorizar os momentos simples e as pequenas alegrias da vida. Ele nos convida a cultivar um olhar apreciativo para o presente e a encontrar satisfação nas experiências cotidianas.

 

 

sexta-feira, 9 de março de 2018

POEMA: O ANALFABETO POLÍTICO - BERTOLD BRECHT - COM GABARITO

Poema: O analfabeto político

       
        O pior analfabeto é o analfabeto político.
        Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
        Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
        O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo [...].
                                                                                                       Bertold Brecht.
                                                            Atribuído a Bertold Brecht. Disponível em:
                                                  http://www.culturabrasil.org/brechtantologia.htm
Interpretação do texto:
01 – Segundo o poema, quem é o analfabeto político?
      É aquele que não interessa pela vida política.

02 – Você conhece algum “analfabeto político” como foi descrito no texto?
      Resposta pessoal do aluno.

03 – “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato dependem de decisões políticas.”

A partir da leitura do trecho acima, marque a opção que reflete o estado desse homem não politizado.
a) Desolação e descrença.
b) Alienação e indiferença.
c) Insatisfação e acomodação.
d) Preocupação e ingenuidade.
e) Desamparo e incompreensão

04 – A dimensão política do ser humano se constrói, constitui-se e alarga-se num longo processo de aprendizado, desde os pequenos espaços sociais até os mais complexos contextos. Sabendo-se que esse caminhar possibilita o grande desafio para o efetivo exercício da cidadania. Assinale a alternativa que ratifica esta assertiva.
a) Compreender que a cidadania se conquista politicamente da forma plena, mesmo numa sociedade dividida em classes.
b) Saber que existe uma política democrática que viabiliza mudanças econômicas, políticas, educacionais e acreditar nelas.
c) Reconhecer o aparato estatal e a tradição política conservadora do país e, ainda assim ter expectativa de que aconteçam mudanças qualitativas na sociedade.
d) Ter conhecimento legal e ser cônscio de que na sociedade democrática é assegurado o direito de todos à liberdade de pensamento, à manifestação de opinião, à associação, ao credo, de modo que a luta por esses direitos seja uma consequência da consciência de sua garantia.
e) Ser indiferente às questões políticas que perpassam e estão inseridas em todos os âmbitos de desenvolvimento da sociedade, admitindo que só a política partidária influencia as ações politizadas.

05 – No poema, fatos da vida cotidiana, como o preço do feijão e do remédio, dependem de decisões políticas. Você imagina que tipo de decisão política influencia esses aspectos? Quem toma essas decisões?
      Resposta pessoal do aluno.

06 – Faça uma lista com outros itens da vida cotidiana que também dependem de decisões políticas.
·        Pegar ônibus: valor da passagem – abastecer o carro – gasolina controlada pelas decisões políticas.
·        No trabalho: leis trabalhistas – regime –horário.
·        Ao fazer compras de qualquer coisa, há a política de impostos.
·        Ao assistir algum filme ou espetáculo; eles estão debaixo de leis (de liberação ou censura).
·        Os serviços que são oferecidos como água, esgoto, energia elétrica e telefonia, gás, enfim tudo dependem de decisões políticas.   
  
07 – Quais as consequências da ignorância política, segundo o poema?
      Nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

08 – Você concorda com o que o poema afirma sobre quem não se interessa por política? Justifique.
      Resposta pessoal do aluno.

09 – Há alguma relação com as afirmações do poeta alemão e a realidade política no Brasil de hoje? Explique.
      Da definição brechtiana de analfabeto político, a única característica que sobrevive nos dias atuais é o proclamado e contraditório ódio à política. De resto (e por causa das transformações sociais, culturais e tecnológicas que experimentamos), o analfabeto político dos dias atuais é bem diferente daquele dos tempos de Brecht.

10 – A partir da reflexão sugerida pelo poema de Berthold Brecht, “O Analfabeto Político”, é CORRETO afirmar que:
a)   O desinteresse pela política tem consequências econômicas e sociais que afetam todos as pessoas, tanto as que participam ativamente da política como aquelas que se abstêm.
b)   Todas as pessoas deveriam participar diretamente da política institucional: quer dizer, se candidatar a algum cargo eletivo, já que vivemos em uma democracia participativa.
c)   Brecht sugere que as pessoas analfabetas não se interessam por política e por isso são culpados pelo surgimento de problemas sociais, como prostituição, corrupção e altos preços de alimentos.
d)   A política é, como mostra Brecht, uma atividade altamente especializada que deve ser exercida apenas por profissionais – sobretudo economistas, que conseguirão tomar as melhores decisões.
e)   O envolvimento de pessoas analfabetas na política – que podem votar e se candidatar a cargos eletivos – é o responsável pela situação crítica que enfrentamos e pela corrupção.

11 – Quais os três adjetivos dados ao político no final desse texto? E qual foi dado aos empresários?
      Adjetivos do político: vigarista, pilantra e corrupto.
      Adjetivo do empresário: lacaio (homem sem dignidade).

12 – Você acha que a política interfere em sua vida? Justifique sua resposta.
      Resposta pessoal do aluno.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

POEMA: TOMA O TEU LUGAR NA MESA - BERTOLT BRECHT - COM GABARITO

POEMA: TOMA O TEU LUGAR NA MESA
                          Bertolt Brecht

         Toma o teu lugar na mesa, foste tu que a puseste.
         A partir de hoje vestirá o vestido aquela que o coseu.
         Hoje ao meio-dia em ponto
         Começa a idade de ouro.

         Nós vamos inaugurá-la por sabermos que
         Estais fartos de construir casas


         Que jamais habitais. Queremos crer
         Que doravante ireis comer o pão que cozestes.

         Mãe, que o teu filho coma.
         A guerra foi anulada. Pensamos que isso
         Seria melhor para ti. Por que, dissemos com os nossos botões,
         Adiar ainda mais a idade de ouro?
         Nós não somos eternos.
                                                               

 Interpretação do texto:

1) O poema, escrito em 1ª pessoa, é dirigido a uma 2ª pessoa, que se multiplica em vários trabalhadores. Que são respectivamente:
(a) professora; cozinheira; padeiro; pedreiro.
(b) pedreiro; cozinheira; costureira; dentista.
(c) cozinheira; costureira; pedreiro; padeiro.
(d) costureira; professora; dentista; pedreiro.

 2) Os verbos coser e cozer, significam respectivamente:
(a) cozinhar e costurar
(b) costurar e cozinhar
(c) lavar e cozinhar
(d) costurar e lavar

3) A expressão “dissemos com os nossos botões” é o mesmo que:
(a) falar consigo mesmo
(b) conversar com nossas roupas
(c) desabafar com nosso melhor amigo
(d) contar nossos segredos à alguém de confiança

 4) Segundo o texto, qual a principal razão para que a idade de ouro não seja adiada?
      Porque não somos eternos.

 5) Escreva, respectivamente, o tipo e o gênero do texto acima:

      Tipo Textual : Narração descritiva.
       Gênero Textual: Poema.