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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

BIOGRAFIA: SE A MEMÓRIA NÃO ME FALHA - A HERANÇA - FRAGMENTO - CLAUDIA ORTHOF PEREIRA LIMA - COM GABARITO

 Biografia: Se a memória não me falha – A herança – Fragmento

        Mamãe nasceu no Rio, no Hospital dos Estrangeiros, em 03 de setembro de 1932, filha de um casal de judeus austríacos, que tinham deixado Viena entre as duas guerras, em busca de paz e trabalho. Seu pai, Vovô Geraldo (Gerhard Orthof), era de uma família de artistas, ele próprio pintor. Seu tio materno foi o músico Arnold Schoenberg, e a mãe, Malvine, era casada com um letrista de operetas vienenses. Esta avó, Vovó Malva, como mamãe dizia, influenciou muito a adolescente Sylvia, com sua irreverência e liberdade. A mãe de Mamãe, Vovó Trude (Gertrud Alice Goldberg, depois Orthof), foi pintora e ceramista. Era de uma família burguesa e rica de Viena, que perdeu tudo na guerra e veio para o Brasil, fugindo do nazismo. Sua mãe, a Vovó Clara de Mamãe, tocava piano e cantava... e chorava a perda de sua terra natal.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQb5iLvf8FuRlmwc0kxi1f8xahggJU9FfXpfjlc86lYGuW1ZGIq73W2YqNPRF9VMvGv6_JUWf97XztHQ7BXCs6SN9egLAJ7QqG6Lf4aR0UifgpO7cDW32fAhQZvMnwQackPhSe-EXwRQ-RY7ceZ7HqX7N079o2e1N61jY8cpizQA1KOoslUQduJM7CBZA/s320/images.jpg


        Mamãe teve uma infância difícil. Aprendeu a falar primeiro alemão e falava português com sotaque e errado até a idade escolar. Filha única, numa família de imigrantes pobres, que recebia seus avós e tios, chegados da Áustria em guerra. Além de tudo, quando tinha sete anos, seus pais se separaram, numa época em que isto era muito incomum. Meu avô se casou e a sua segunda esposa tinha uma filha da idade de Mamãe. Ela ficou vivendo com Vovó Trude. Não falavam para a menina Sylvia que ela era judia, por temer o preconceito, não falavam alemão na rua para não serem confundidos com nazistas, num Brasil então em guerra, lutando com os aliados. Na escola, as meninas faziam Primeira Comunhão e Mamãe também quis... e fez, sendo batizada por uma família não religiosa.

        Adolescente, conheceu o Teatro do Estudante, de Paschoal Carlos Magno, e aos quinze anos foi a “Julieta” de Shakespeare. Tio Paschoal, como nós o chamávamos, foi uma figura paterna para Mamãe, e para nós um avô louco e divertido, que telefonava sempre com um apelido diferente, geralmente impublicável. Quando crianças, saíamos do Planalto Central, em Brasília, onde moramos, para fazer as visitas montanhosas aos avós: Vovô Geraldo, pai de Mamãe, em Petrópolis, Vovó Trude, mãe de Mamãe, em Teresópolis, Vovó Adalgisa, mãe de Papai, em Petrópolis, e Paschoal em Santa Tereza.

        Aos 18 anos foi estudar teatro em Paris, onde estreitou os laços com a única irmã de Vovó Trude, a famosa Tia Hedy, que havia fugido para a França durante a guerra. Tia Hedy, depois da morte de vovó, ficou sendo a mãe de Mamãe, e hoje ainda vive em Paris, aos 95 anos, e me falou ontem, por telefone, que estaria agora reunida a nós, em pensamento. Seu filho, Harry, hoje vivendo em Milão, foi o irmão que a Mamãe não teve. Um primo que a ajudou muito pela vida afora, inclusive nos últimos tempos da doença.

        Um ano depois voltou ao Brasil e trabalhou como atriz no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo (o TBC), e no Rio com os grandes nomes do teatro e da TV, como Cacilda Becker, Walmor Chagas, Ziembinsky, Sérgio Britto, Cleyde Yáconis, Sérgio Cardoso e muito mais.

        Aos 25 anos, falava com Cacilda, no camarim, que estava cansada daquela vida de teatro de noite, ensaio de madrugada, dormir de manhã, televisão (ao vivo – sem videoteipe) à tarde. Queria casar e ter filhos. Papai, Sávio Pereira Lima, estava na plateia. Era um médico amigo de artistas, e Cacilda os apesentou. Pouco depois, Mamãe deixou o teatro e, apaixonada, acompanhou meu pai para uma aldeia de pescadores, Marobá, hoje Nova Viçosa, no sul da Bahia, onde viveu seus primeiros anos de casada, e eu meu primeiro ano de vida. Papai tinha 40 anos, tinha ficado viúvo muito jovem, com um filho pequeno, tinha se casado, tido outro filho e se separado. Com esta vida atribulada, desgostoso com seu destino, se refugiou em Nova Viçosa, onde trabalhava como médico de uma empresa madeireira, único médico da região. [...]

        Dois anos depois fomos morar em Petrópolis, onde nasceu meu irmão Geraldo, e onde conheceu os amigos Pola e Tato Gostkorzewicz e Zilah e Luís Tranin, amigos da vida inteira.

        Em 1959, Juscelino anunciava a construção de Brasília e a mudança da capital. O espírito aventureiro de Papai fez com que nos mudássemos para lá, o início de 60, onde vivemos a vida dos candangos pioneiros de Brasília. Lá nasceu meu irmão Pedro. Papai era médico pediatra da Câmara dos Deputados, foi secretário de Saúde do Distrito Federal, e nossa vida se estabilizou, dentro do que era possível para aquela família ser estável. Mamãe tinha 32 anos, três filhos, dois enteados, um marido respeitado profissionalmente e uma enorme insatisfação profissional.

        Começou a usar sua criatividade na TV Brasília com um programa infantil de fantoches, o Teatro do Candanguinho. Contava histórias infantis na Rádio MEC, era júri do concurso de Miss Brasília e desenhava fantasias para o cabeleireiro Augusto, nos bailes carnavalescos, onde ele ganhava todos os prêmios da categoria “originalidade”. Foi professora na UnB, sem nunca ter sido universitária, e criou um grupo de teatro amador com operários, no SESI, onde encenou “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, numa montagem com atores operários que entusiasmou Paulo Autran, que viajava com a mesma peça numa turnê nacional. [...].

        Nas férias, íamos para o Festival de Inverno de Ouro Preto, onde Mamãe dava cursos de teatro, ou para Festival de Arcozêlo, com Paschoal Carlos Magno e suas inacreditáveis irmãs italianas, tia Aurora, tia Orlanda e a terceira? “Se a memória não me falha...” Era divertido, mas não era fácil. Conciliar o inconciliável... Ser filho de Sylvia Orthof era mais divertido para quem via de fora. De dentro, tivemos tempos difíceis. A liberdade cerceada, a censura dificultava o trabalho de Mamãe. A pressão aumentava e em 1966, aos 34 anos, ela fugiu para Paris, com Vovó Trude, Geraldo e eu, para os braços da Tia Hedy. Mamãe “deu um tempo”, como se diz hoje em dia. Pedro, com 2 anos, e Papai ficaram em Brasília. [...]

        Depois de 4 meses, Papai foi nos buscar. Voltamos à vida familiar em Brasília. Prosperamos junto com a “corrente pra frente, Brasil”, mudamos para uma casa no Lago, mas o cerceamento da liberdade, o cerco militar, a censura e a tortura não deixavam nossa família ser feliz. [...]

        Mais tempos duros vieram. Papai descobriu que estava com câncer e resolveu devolver Mamãe e os filhos ao velho Orthof. Mudamos em 1971 para Petrópolis. Nossa casa em Brasília foi vendida e o dinheiro aplicado na Bolsa, que ruiu naquele ano. Retomamos o convívio familiar com as famílias Orthof e Pereira Lima, e os velhos amigos de Petrópolis. Por pouco tempo, pois alguns meses depois Tato perdia sua mulher e as duas noras num trágico acidente de automóvel. Mais alguns meses e nós voltávamos à Brasília para tentar atender às necessidades da doença de Papai. Mamãe ficou viúva aos 40 anos. Voltamos à Petrópolis, e então os dois amigos viúvos, Mamãe e Tato, se encontraram e se casaram.

        Começou aí a segunda etapa da vida de Mamãe. Recém-casada com Tato, voltou ao Rio e retornou sua vida profissional. Escreveu e dirigiu no MAM (Museu de Arte Moderna), do Rio, a premiada peça infantil “A Viagem do Barquinho”, em que toda a família trabalhava. Do teatro passou à literatura infantil e começou a sua carreira de sucesso como escritora. O casamento fez com que Tato, aposentado como arquiteto, e também ele um artista, retomasse a pintura e o desenho, passando a ilustrador da maioria dos livros de Mamãe. Alguns foram ilustrados por ela própria, outros por meu irmão Gê, e outros por vários desenhistas. [...]

        Mamãe tinha a vida cada vez mais voltada para a literatura, sendo reconhecida como escritora. Pedro cresceu, Mamãe e Tato mudaram para Petrópolis e produziram mais de cem livros. [...]

        Mamãe teve uma vida plena e rica, e neste inevitável inventário, é bom ver que ela fez a sua parte, o seu melhor possível. Foi casada por 15 anos com Papai, e por 24 com Tato. Fez o melhor que pôde o papel de madrasta dos dois filhos de cada marido. Foi sincera e tentou superar as dificuldades. Teve nós três, seus filhos, seus quatro netos e mais todos os outros emprestados, filhos dos enteados, do genro, da nora. Foi generosa. Criou, trabalhou, usou seu potencial, não desperdiçou seu talento, foi coerente com sua ideologia de liberdade e de paz.

        Agora, no início do ano passado, quando descobrimos o câncer que a levou, imaginávamos que teria poucos meses de vida. Ainda viveu um ano e meio e nesse tempo escreveu vários livros, enfrentando a quimioterapia, os exames, duas cirurgias e três internações hospitalares. Foi pena ter ido agora, com tanto ainda por fazer. [...]

Trechos da biografia lida por Claudia Orthof Pereira Lima, filha de Sylvia Orthof, na  Missa de 7º dia da mãe, realizada na igreja de São Conrado, no Rio de Janeiro, em 31 de julho de 1997. Fonte: www.docedeletra.com.br

Fonte: Língua Portuguesa. Trabalhando com a linguagem. Givan Ferreira/Isabel C. Cordeiro/Maria Ap. Almeida Kaster/Mary Marques. 6ª série – 7º ano. 1ª edição – São Paulo – 2004. Quinteto Editorial. p. 11-15.

Entendendo a biografia:

01 – Justifique o título da biografia de Claudia Orthof.

      A autora é filha de Sylvia Orthof e está narrando fatos que lhe foram contados pela mãe e outros que ela mesma vivenciou. “Se a memória não me falha” porque foram muitos os momentos importantes e marcantes vividos pela família e talvez ela pudesse se esquecer de citar algum fato, algum nome de pessoa... “A herança” porque para ela todas as experiências vividas ao lado da mãe e o modelo positivo deixado por ela foram o melhor legado que Claudia, como filha, pode receber.

02 – Por que Claudia Orthof usa as iniciais maiúsculas nos nomes Mamãe, Papai, Vovô, Vovó e Tia?

      Porque estão no lugar dos nomes próprios e foram pessoas importantes na vida de Claudia.

03 – Aos 25 anos Sylvia Orthof conheceu Sávio Pereira Lima no Rio de Janeiro. Os dois se uniram e foram morar em Nova Viçosa. Sobre esse fato responda:

a) Em que ano isso aconteceu?

      Em 1957.

b) A partir dessa data, quantas mudanças de cidade aconteceram na vida de Sylvia? Faça um pequeno esquema das mudanças para comprovar sua resposta. Comece assim: Nova Viçosa – 

      Foram 10 mudanças: Nova Viçosa – Petrópolis – Brasília – Paris – Brasília – Petrópolis – Brasília- Petrópolis – Rio – Petrópolis.

04 – Quais figuras importantes do meio artístico e cultural foram fundamentais na formação de Sylvia Orthof durante a sua adolescência?

      Sylvia foi muito influenciada por Paschoal Carlos Magno, criador do Teatro do Estudante, que funcionou como uma figura paterna para ela (aos 15 anos, ela atuou como "Julieta"). Além disso, aos 18 anos, ao estudar teatro em Paris, estreitou laços com sua Tia Hedy, outra referência marcante em sua vida.

05 – Quais fatores tornavam o ambiente familiar de Sylvia bastante atípico e desafiador durante a sua infância?

      Ela era filha única de imigrantes austríacos pobres fugidos do nazismo, que não falavam alemão na rua por medo de preconceito e escondiam a origem judaica. Além disso, enfrentava barreira idiomática (falava português errado até entrar na escola) e lidava com a separação dos pais aos sete anos, algo muito incomum para a época.

06 – Como Sylvia Orthof conseguiu canalizar a sua criatividade e insatisfação profissional no período em que viveu como pioneira em Brasília?

      Sylvia criou o programa infantil de fantoches "Teatro do Candanguinho" na TV Brasília, contava histórias infantis na Rádio MEC, desenhava fantasias carnavalescas premiadas, foi professora na UnB sem curso superior e dirigiu um grupo de teatro amador com operários no SESI.

07 – O que motivou a fuga de Sylvia Orthof com seus dois filhos e sua mãe para Paris no ano de 1966?

      A fuga ocorreu devido à forte pressão do regime militar instaurado no Brasil, que resultou na perda de liberdade, no cerceamento de suas atividades e na censura que dificultava seu trabalho artístico.

08 – De que maneira se deu o surgimento da carreira de Sylvia Orthof como escritora de literatura infantil?

      Após ficar viúva aos 40 anos e se casar com Tato Gostkorzewicz, Sylvia voltou ao Rio de Janeiro e escreveu/dirigiu a premiada peça infantil "A Viagem do Barquinho" no MAM. O sucesso nos palcos serviu de transição para que ela começasse a escrever e publicar literatura infantil.

09 – Qual foi o papel de Tato, segundo marido de Sylvia, na produção literária da autora?

      Tato, que era arquiteto aposentado e artista, passou a ilustrar a grande maioria dos livros infantis escritos por Sylvia durante a fase em que moravam em Petrópolis.

10 – Como a autora do texto descreve a postura de sua mãe durante o último ano e meio de vida, após o diagnóstico do câncer?

      A autora destaca que Sylvia viveu de forma plena e produtiva até o fim. Mesmo enfrentando o tratamento do câncer — incluindo quimioterapia, cirurgias e internações —, Sylvia manteve o ritmo e escreveu vários livros nesse período.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

BIOGRAFIA: HISTÓRIA DA RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Biografia: História da Ruth Rocha

 

        Ruth Rocha nasceu em 1931 na cidade de São Paulo. Filha dos cariocas Álvaro de Faria Machado, médico, e Esther de Sampaio Machado, tem quatro irmãos, Rilda, Álvaro, Eliana e Alexandre. Teve uma infância alegre e repleta de livros e gibis. O bairro de Vila Mariana, onde morava, tinha nessa época muitas chácaras por onde Ruth passava, a caminho da escola – estudava no Colégio Bandeirantes. Mais tarde, terminou o Ensino Médio no Colégio Rio Branco. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjexIAh9rEKRjT4_7JO5DXpjjmHYU1pysgL56631HEIoHz0o1p6x9qMDqN3f6oc-tvhRI6Xokkf0W3atJP0vO3fJTs82ZUnWqTaTLl7pCnzdPdKV67CGmIh6mSWetDHQTfqDuC7aiWntSPS0ogrTc5BCrG6JelhKFvOGgjIbAZzmdQeb1WCuEf44KCN7qw/s1600/images.jpg


        É graduada em Sociologia e Política pela Universidade de São Paulo e pós-graduada em Orientação Educacional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Casada com Eduardo Rocha, tem uma filha, Mariana e dois netos, Miguel e Pedro. 

        Durante 15 anos (de 1956 a 1972) foi orientadora educacional do Colégio Rio Branco, onde pôde conviver com os conflitos e as difíceis vivências infantis e com as mudanças do seu tempo. A liberação da mulher, as questões afetivas e de autoestima foram sedimentando-se em sua formação.

        Começou a escrever em 1967, para a revista Claudia, artigos sobre educação. Participou da criação da revista Recreio, da Editora Abril, onde teve suas primeiras histórias publicadas a partir de 1969. “Romeu e Julieta”, “Meu Amigo Ventinho”, “Catapimba e Sua Turma”, “O Dono da Bola”, “Teresinha e Gabriela” estão entre seus primeiros textos de ficção. Ainda na Abril, foi editora, redatora e diretora da Divisão de Infanto-Juvenis.

        Publicou seu primeiro livro, “Palavras Muitas Palavras”, em 1976, e desde então já teve mais de 130 títulos publicados, entre livros de ficção, didáticos, paradidáticos e um dicionário. As histórias de Ruth Rocha estão espalhadas pelo mundo, traduzidas em mais de 25 idiomas.

        Monteiro Lobato foi sua grande influência. Em sua obra, essa influência se traduz pelo seu interesse nos problemas sociais e políticos, na sua tendência ao humor e nas suas posições feministas. 

        Seu livro de forte conteúdo crítico, “Uma História de Rabos Presos”, foi lançado em 1989 no Congresso Nacional em Brasília, com a presença de grande número de parlamentares. Em 1988 e 1990 lançou na sede da Organização das Nações Unidas em Nova York seus livros “Declaração Universal dos Direitos Humanos” para crianças e “Azul e Lindo – Planeta Terra Nossa Casa”.

        Participou durante seis anos do programa de televisão Gazeta Meio-Dia como membro fixo da mesa de debates. 

        Em 1998 foi condecorada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura.

        Ganhou os mais importantes prêmios brasileiros destinados à literatura infantil da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, da Câmara Brasileira do Livro, cinco Prêmios “Jabuti”, da Associação Paulista de Críticos de Arte e da Academia Brasileira de Letras, Prêmio João de Barro, da Prefeitura de Belo Horizonte, entre outros.

        Seu livro mais conhecido é “Marcelo, Marmelo, Martelo”, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias.

        Em 2002 ganhou o prêmio Moinho Santista de Literatura Infantil, da Fundação Bunge. Também nesse ano foi escolhida como membro do PEN CLUB – Associação Mundial de Escritores no Rio de Janeiro. 

        Atualmente é membro do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta. 

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historiadaruth.htm

 

Entendendo a biografia:

01 – Construa uma linha do tempo da vida da autora escrevendo, resumidamente, os acontecimentos de cada data abaixo:

1931: Nascimento de Ruth Rocha na cidade de São Paulo.

1967: Início de sua carreira como escritora, publicando artigos sobre educação para a revista Claudia.

1969: Publicação de suas primeiras histórias de ficção infantil na revista Recreio (como "Romeu e Julieta" e "O Dono da Bola").

1976: Publicação do seu primeiro livro, "Palavras Muitas Palavras".

1998: Condecoração pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a Comenda da Ordem do Mérito Cultural.

2002: Ganhou o prêmio Moinho Santista de Literatura Infantil e foi escolhida como membro do PEN CLUB (Associação Mundial de Escritores).

 

02 – O texto que você leu é uma biografia. Tente definir o que é biografia.

      Biografia é um gênero textual que narra os fatos marcantes da história da vida de uma pessoa real. Ela apresenta dados como data e local de nascimento, formação, conquistas, momentos importantes e realizações profissionais, geralmente organizados em ordem cronológica.

 

03 – Qual é a formação acadêmica de Ruth Rocha e qual profissão ela exerceu por 15 anos no Colégio Rio Branco?

      Ela é graduada em Sociologia e Política pela USP e pós-graduada em Orientação Educacional pela PUC-SP. Por 15 anos (de 1956 a 1972), atuou como orientadora educacional no Colégio Rio Branco.

 

04 – Quem foi a grande influência literária de Ruth Rocha e de que forma essa influência se reflete em suas obras?

      Sua grande influência foi Monteiro Lobato. Isso se reflete em seu interesse por problemas sociais e políticos, no tom de humor de suas histórias e em suas posições feministas.

 

05 – Qual é o livro mais conhecido de Ruth Rocha e qual marca de vendas ele atingiu segundo o texto?

      O livro mais conhecido é "Marcelo, Marmelo, Martelo", que já vendeu mais de 1 milhão de cópias.

 

06 – Onde e em quais anos Ruth Rocha lançou livros voltados para os Direitos Humanos e o Meio Ambiente em nível internacional?

      Ela lançou os livros "Declaração Universal dos Direitos Humanos" para crianças e "Azul e Lindo – Planeta Terra Nossa Casa" na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos anos de 1988 e 1990.

 

07 – Qual livro de forte conteúdo crítico a autora lançou no Congresso Nacional em Brasília em 1989?

      O livro "Uma História de Rabos Presos".

 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

VERÍSSIMO - BIOGRAFIA (CAÇA-PALAVRAS) - COM GABARITO

 Veríssimo – Biografia (caça-palavras)

         Luís Fernando Veríssimo, filho do grande escritor Érico Veríssimo, nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É casado e tem três filhos. 

         Jornalista, iniciou sua carreira no jornal Zero Hora, em Porto Alegre. O sucesso de sua coluna garantiu o lançamento do livro "A Grande Mulher Nua", uma coletânea de seus textos.

         Participou também da televisão, criando quadros para o programa "Planeta dos Homens", na Rede Globo e para a série "Comédias da Vida Privada", baseada em livro homônimo. 

         Além disso, tem textos de ficção e crônicas publicadas nas revistas Playboy, Cláudia, Domingo, Veja e em alguns jornais.

         Veríssimo é extremamente tímido, mas é uma fábrica de fazer humor. É muito conhecido por seus livros de crônicas: O analista de Bagé, O marido do Dr. Pompeu, Comédias para se ler na escola, Para gostar de ler, etc.

 


 Respostas:

 


 


sábado, 1 de agosto de 2026

BIOGRAFIA MARIE CURIE - FRAGMENTO -HENRIQUE TOMA - COM GABARITO

 Biografia Marie Curie – Fragmento

        Manya Sklodowska nasceu em Varsóvia, em 7 de novembro de 1867. Nessa época, a Polônia estava dividida entre Áustria, Prússia (Alemanha) e Rússia, e Varsóvia ficava sob o controle da Rússia. Seu pai, Vladislav Sklodowska, era professor secundário de Matemática e de Física, e sua mãe era diretora de escola. ambos foram bastante prejudicados com as pressões políticas, com rebaixamento de cargos e vencimentos. Manya, ou Marie (nome que adotaria mais tarde), tinha dez anos quando sua mãe morreu de tuberculose. Para manter a família unida, Vladislav empenhou-se pessoalmente na educação dos filhos. Os instrumentos utilizados nas aulas de Física foram mantidos em sua casa, depois da proibição do ensino de laboratório pelas autoridades russas. Dessa forma, Marie aprendeu a fazer experimentos e iniciou-se em estudos de Física com seu pai. [...]

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjL7Q4apWGOUaET2y-xca_eOzarw4qJ94Ybe7tirjfOxD8W002ecHRjsvZX2wK45TzJkzfAD-UQZppqx5F90Wxu1tX6dRNQuZHx1BqSd0yUQ_8bwNZaTJGZZ1j7XdyI5Zy2CZBCH_Hg45EAJQF8FhEuwsfRI6i_K81v-f_v0A2WmofMEQ78_MueJs4UnfE/s320/images.jpg


        O domínio da Rússia impunha restrições ao ingresso das mulheres nas universidades. Por isso, Marie juntou-se às suas colegas, incluindo sua irmã, Bronya, e passou a frequentar a chamada universidade itinerante, que funcionava clandestinamente no período noturno, mudando de localidade com frequência, para fugir da vigilância russa. [...]

        Finalmente, e, 1891, aos 24 anos de idade, Marie estava pronta para perseguir os seus sonhos em Paris. [...] Quando Manya entrou para a Sorbonne [...] adotou o nome Marie, e passou a estudar Matemática e Física. [...]

        Marie percebeu que estava em desvantagem em relação a seus colegas, e precisava melhorar seus conhecimentos [...]. Por isso, dedicou-se aos estudos com muito afinco, e em 1893 já conquistava o mestrado em Física. [...]

        Através de amigos, chegou ao laboratório da Escola Municipal de Física e Química Industrial de Paris, chefiada por Pierre Curie (1859-1906). Marie foi bem recebida, e encantou-se com a postura séria e gentil de Pierre. O trabalho em conjunto aproximava-os cada vez mais, e assim o respeito inicial foi se transformando em um relacionamento afetivo. [...]

        Em julho de 1895, Marie e Pierre Curie oficializavam seu casamento civil. Em 1897, nascia sua primeira filha, Irène, sob os cuidados do pai de Pierre, que era médico. [...] O avô era muito apegado à Irène, e passou a dar suporte para que Pierre e Marie continuassem suas pesquisas no laboratório. Assim, Marie decidiu dar início às suas pesquisas, visando a obtenção do doutorado, cujo efeito ainda era inédito para as mulheres na França. [...]

        Em julho de 1898, o casal Curie anunciava a descoberta de um novo elemento [...], o qual chamaram de polônio, em homenagem ao berço amado de Marie. [...] Em dezembro de 1898, o casal anunciava a descoberta do elemento que chamaram de rádio.

        Em 1903, Marie Curie finalmente defendeu sua tese de doutorado, “Pesquisas sobre substâncias radioativas”. Os examinadores consideraram a tese de Marie Curie como a mais importante contribuição científica registrada até então. [...]

        O casal Curie e Becquerel foi laureado com o Prêmio Nobel de Física em 1903. [...] O Prêmio Nobel teve profundo impacto na vida do casal Curie, como perda de privacidade e surgimento de muitos compromissos. Em 1904, nascia a segunda filha do casal, Eve. [...].

        Em 1906, em um dia de muitos compromissos, quando saía apressadamente de uma reunião no período do almoço, debaixo de chuva, Pierre foi atropelado por um pesado carro-vagão puxado por cavalos. Sua morte foi instantânea. [...]

        Em 1911, Marie Curie foi surpreendida com um telegrama comunicando seu Prêmio Nobel em Química. O recebimento de dois Prêmios Nobel era um fato inédito. [...]

        Sua grande meta passou a ser o recém-criado Instituto do Rádio, que ela considerava um tributo à memória de Pierre Curie. Nele, seriam desenvolvidas novas pesquisas e produtos, [...] voltados para a aplicação da radioatividade na Medicina. O Instituto foi inaugurado em agosto de 1914, mês em que a Alemanha declarava guerra à França. [...] Com o agravamento da guerra, Marie percebeu que poderia contribuir com serviços de radiologia, chefiando uma divisão na Cruz Vermelha. Conseguiu convencer os fabricantes de veículos a adaptarem algumas unidades para uso em campo, colocando em operação 20 laboratórios móveis de radiologia ainda nesse ano. [...]

        Marie Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934, de leucemia, devido, seguramente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho. [...] Na pesquisa feita pela revista New Scientist, Marie Curie foi eleita a mulher mais influente da ciência, de todos os tempos. [...]

TOMA, Henrique E. Marie Curie: radioatividade e era nuclear. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/impressos/lic/modulo02/evolucao_PLC0014/evolucao_top09.pdf. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Maxi: Séries Finais. Caderno 1. Língua Portuguesa – 8º ano. 1. ed. São Paulo: Somos Sistemas de Ensino, 2021. Ensino Fundamental 2. p.21-22.

Entendendo a biografia:

01 – Como o contexto político de Varsóvia e a situação de sua família influenciaram as primeiras experiências de Marie Curie com a ciência?

      Sob o domínio do Império Russo, o ensino de laboratório foi proibido nas escolas e a família de Marie sofreu forte pressão política, com o rebaixamento de cargos e vencimentos de seus pais. Diante disso e da morte de sua mãe, seu pai manteve os instrumentos de Física em casa e empenhou-se pessoalmente na educação dos filhos. Dessa forma, Marie iniciou seus estudos e aprendeu a fazer experimentos científicos diretamente com seu pai.

02 – O que era a "universidade itinerante" e por que Marie Curie precisou frequentá-la em sua juventude?

      A "universidade itinerante" era uma instituição clandestina noturna que mudava frequentemente de local para escapar da vigilância das autoridades russas, as quais impunham restrições ao ingresso de mulheres nas universidades formais. Marie e sua irmã Bronya a frequentavam para dar continuidade aos seus estudos superiores, contornando a proibição oficial.

03 – Como se deu a aproximação profissional e pessoal entre Marie e Pierre Curie?

      Marie conheceu Pierre Curie ao chegar ao laboratório da Escola Municipal de Física e Química Industrial de Paris, chefiada por ele. Encantada com a postura séria e gentil de Pierre, o trabalho em conjunto na pesquisa científica aproximou os dois, fazendo com que o respeito profissional inicial evoluísse para um relacionamento afetivo, culminando no casamento civil do casal em julho de 1895.

04 – Quais foram os dois novos elementos químicos descobertos pelo casal Curie em 1898 e qual é a origem do nome do primeiro deles?

      Em julho de 1898, o casal anunciou a descoberta do polônio, batizado assim em homenagem ao país natal de Marie (a Polônia). Em dezembro do mesmo ano, anunciaram a descoberta do elemento rádio.

05 – Qual tragédia pessoal marcou a vida de Marie Curie em 1906 e como ela ocorreu?

      Em 1906, Pierre Curie faleceu de forma trágica e instantânea ao ser atropelado por um pesado carro-vagão puxado por cavalos, enquanto caminhava apressadamente sob chuva em um dia cheio de compromissos em Paris.

06 – De que maneira Marie Curie contribuiu com os esforços da Primeira Guerra Mundial utilizando seus conhecimentos científicos?

      Com o início da guerra em 1914, Marie chefiou uma divisão na Cruz Vermelha voltada para serviços de radiologia. Ela convenceu fabricantes de veículos a adaptar automóveis para uso no campo de batalha, colocando em operação 20 laboratórios móveis de radiologia para auxiliar no atendimento aos feridos.

07 – Quais foram os reconhecimentos inéditos e o legado científico alcançados por Marie Curie ao longo de sua vida e carreira?

      Marie Curie defendeu uma tese de doutorado considerada pelos examinadores como a mais importante contribuição científica até então; tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel (Física, em 1903) e conquistou um feito inédito ao receber um segundo Prêmio Nobel (Química, em 1911). Além de idealizar o Instituto do Rádio, ela foi posteriormente eleita pela revista New Scientist como a mulher mais influente da ciência de todos os tempos.

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

BIOGRAFIA: GREGÓRIO DE MATOS E SUAS OBRAS - "BOCA DO INFERNO" - COM GABARITO

 Biografia: Gregório de Matos e suas obras – “Boca do Inferno”

“Eu sou aquele, que passados anos

cantei na minha lira maldizente

torpezas do Brasil, vícios e enganos”


        Esse era Gregório de Matos Guerra, o “Boca do Inferno”. Com seu espírito crítico, satirizava políticos, comerciantes, clero, colonizadores e até mesmo o povo. Para isso, usava palavrões e um vocabulário bem baixo em suas obras.

        Nasceu supostamente em 7 de abril de 1633 na Bahia e morreu em Recife em 1696. Veio de uma família rica que possuía dois engenhos de cana-de-açúcar e 130 escravos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgKaDTEr5_-nQ6-cWW1Ass4_QIa4stTTg9CfXTYPD4PrqACOFALkp3rgJ7K2XNWfMRYu1bP5xh4fec94nXD_qOcQy4dqgEwZ1Bj6kMBAWlwYBj9PZrKpVp5Py9GykU4Dcg1Hz8pT2dzWWrGfApI3FI_mrBUzYMJDPDeOaVZR5Z98cNzB8HMn_MHWfUesg/s320/hqdefault.jpg


        Educou-se em casa e no colégio jesuíta. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e lá exerceu a profissão sendo, inclusive, juiz de órfãos.

        Em 1681, quando voltou para o Brasil, foi vigário-geral e tesoureiro-mor, porém, durante este período recusou-se a usar a batina e denunciou injustiças da Ordem em que servia. Por causa disso, o Bispo ordenou seu afastamento.

        Escreveu poesia lírica, satírica e religiosa. Suas poesias satíricas possuem um ótimo material do ponto de vista sociológico e linguístico (já que o autor usava um vocabulário bem popular). Nelas o escritor narra episódios da vida popular, cotidiana e política. Através delas podemos conhecer melhor a sociedade da época (período colonial).

        A poesia lírica de Gregório de Matos também é muito boa e pode ser dividida em:

-- Poesia lírico-amorosa.

-- Poesia lírico-filosófica.

-- Poesia lírico-religiosa.


POESIA LÍRICO-AMOROSA

Características:
-- O amor é retratado como fonte de prazer e sofrimento.

-- A mulher é retratada como um anjo e fonte de perdição (pois desperta o desejo carnal).


TEXTO
        Rompe o Poeta com a Primeira Impaciência Querendo Declarar-se e Temendo Perder Por Ousado

 

Anjo no nome, Angélica na cara,
Isso é ser flor, e Anjo juntamente,
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, se não em vós se uniformara?
Quem veria uma flor, que a não cortara
De verde pé, de rama florescente?
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus, o não idolatrara?
Se como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu custódio, e minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que tão bela, e tão galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

 

Vocabulário:
Uniformar: tornar uniforme, com uma só forma
Galharda: elegante.


POESIA LÍRICO-RELIGIOSA

Características:
-- O autor está dividido entre pecado e virtude (sente culpa por pecar e busca a salvação).

-- O autor vê o pecado como um erro humano, mas também, como a única forma de Deus cometer o ato do perdão.

-- O eu-lírico, muitas vezes, se comporta como advogado que faz a própria defesa diante de Deus (para tal, usava, até mesmo, trechos da Bíblia).


TEXTO
Ao mesmo assunto e na Mesma Ocasião

Pequei Senhor: mas não porque hei pecado,
Da vossa Alta Piedade me despido:
Antes, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, já cobrada,
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História,

Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória

Vocabulário:
Despido: despeço.
Sobeja: sobra.
Cobrada: recuperada.

 

Entendendo a biografia:

 

01 – Por que Gregório de Matos recebeu o apelido de “Boca do Inferno” e quais recursos utilizava em suas obras satíricas?

      Ele recebeu esse apelido devido ao seu forte espírito crítico. O poeta utilizava suas obras para satirizar diversas camadas da sociedade colonial, incluindo políticos, comerciantes, o clero, colonizadores e até o próprio povo. Para alcançar esse efeito crítico e provocador, ele fazia uso de palavrões e de um vocabulário de baixo calão.

 

02 – Como foi a trajetória acadêmica e profissional de Gregório de Matos antes de retornar ao Brasil em 1681?

      Gregório de Matos educou-se inicialmente em casa e em um colégio jesuíta no Brasil. Mais tarde, viajou para Portugal, onde se formou em Direito pela Universidade de Coimbra. Naquele país, ele exerceu a profissão jurídica, chegando a ocupar o cargo de juiz de órfãos.

 

03 – Qual foi o motivo do afastamento de Gregório de Matos de suas funções eclesiásticas quando voltou ao Brasil?

      Ao retornar ao Brasil, ele assumiu os cargos de vigário-geral e tesoureiro-mor. No entanto, durante esse período, ele recusou-se a usar a batina e denunciou abertamente as injustiças cometidas pela Ordem religiosa em que servia. Por causa dessas atitudes e denúncias, o Bispo ordenou o seu afastamento.

 

04 – Sob as perspectivas sociológica e linguística, qual é a importância da poesia satírica de Gregório de Matos?

      Do ponto de vista linguístico, sua poesia satírica é rica porque o autor adotava um vocabulário popular e cotidiano da época. Do ponto de vista sociológico, ela funciona como um excelente registro histórico do período colonial, pois narra episódios da vida popular, da política e do cotidiano, permitindo conhecer a fundo a sociedade daquele tempo.

 

05 – No soneto lírico-amoroso "Anjo no nome, Angélica na cara", como o eu-lírico expressa a dualidade e o paradoxo da figura feminina?

      O eu-lírico joga com o nome da mulher (Angélica) para compará-la a um anjo e a uma flor, expressando o desejo de adorá-la e "cortá-la". Contudo, o poema termina revelando um paradoxo: embora os anjos não devessem causar sofrimento, ela é descrita como um "Anjo que tenta, e não guarda", ou seja, uma figura que, em vez de protegê-lo dos azares, desperta o desejo carnal e a tentação.

 

06 – Quais são as principais características da poesia lírico-religiosa de Gregório de Matos apresentadas no texto?

      Suas principais características são o sentimento de culpa e a divisão do autor entre o pecado e a virtude. Além disso, o eu-lírico enxerga o pecado humano como uma oportunidade necessária para que Deus exerça o seu perdão. Muitas vezes, o poeta adota a postura de um advogado, usando argumentos lógicos e trechos da Bíblia (Sacra História) para fazer sua própria defesa perante o Criador.

 

07 – De que maneira o eu-lírico utiliza a parábola bíblica no poema "Pequei Senhor: mas não porque hei pecado" para garantir o perdão divino?

      O eu-lírico recorre à parábola da ovelha perdida (citada como "Sacra História") para argumentar com Deus. Ele se autodeclara a "ovelha desgarrada" e argumenta que, se recuperar uma única ovelha traz tanta glória e alegria ao Pastor Divino, Deus não deveria deixar de salvá-lo, pois, se o fizesse, o próprio Deus perderia a oportunidade de manifestar a Sua glória através do ato de perdoar.

 

 

 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

BIOGRAFIA: MANYA SKLODOWSKA - (FRAGMENTO) - TOMA, HENRIQUE - MARIE CURIE - COM GABARITO

 Biografia de: Manya Sklodowska – Fragmento

        Manya Sklodowska nasceu em Varsóvia, em 7 de novembro de 1867. Nessa época, a Polônia estava dividida entre Áustria, Prússia (Alemanha) e Rússia, e Varsóvia ficava sob o controle da Rússia. Seu pai, Vladislav Sklodowska, era professor secundário de Matemática e Física, e sua mãe era diretora de escola. Ambos foram bastante prejudicados com as pressões políticas, com rebaixamento de cargos e vencimentos. Manya, ou Marie (nome que adotaria mais tarde), tinha 10 anos quando sua mãe morreu de tuberculose. Para manter a família unida, Vladislav empenhou-se pessoalmente na educação dos filhos. Os instrumentos utilizados nas aulas de Física foram mantidos em sua casa, depois da proibição do ensino de Laboratório pelas autoridades russas. Dessa forma, Marie aprendeu a fazer experimentos e iniciou-se em estudos de física com seu pai. [...].

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjAcwQ_1eC6ne53dGQRRis5tDUqHZb5ecWDkiIerLEDph8HWMRJCre-76pGjXtjYQptH1kzTd5jfb6ojbxqJCvR-diMvdzjk_L1bjDZFvGVT08iu3N5UtLh10CccBR4gRmXpJfdhokr7AZfik8zRs-6WTs-ts8m5XEsIoE0xuwkyQcDpDkmX8iLItc8A_E/s1600/MARIE.jpg


        O domínio da Rússia impunha restrições ao ingresso das mulheres nas universidades. Por isso, Marie juntou-se às suas colegas, incluindo sua irmã Bronya, e passou a frequentar a chamada universidade itinerante, que funcionava clandestinamente no período noturno, mudando de localidade com frequência, para fugir da vigilância russa.

        [...]

        Finalmente, em 1891, aos 24 anos de idade, Marie estava pronta para perseguir os seus sonhos em Paris. [...] Quando Manya entrou para a Sorbonne, em 1891, adotou o nome Marie, e passou a estudar matemática e física. [...].

        Marie percebeu que estava em desvantagem em relação a seus colegas, e precisava melhorar seus conhecimentos de física e matemática, assim como de francês. Por isso, dedicou-se aos estudos com muito afinco, e em 1893 já conquistava o mestrado em Física. [...]

        Através de amigos, chegou ao laboratório da Escola Municipal de Física e Química Industrial de Paris, chefiada por Pierre Curie (1859-1906). Marie foi bem recebida, e encantou-se com a postura séria e gentil de Pierre. O trabalho em conjunto aproximava-os cada vez mais, e assim o respeito inicial foi se transformando em um relacionamento afetivo. [...]

        Em julho de 1895, Marie e Pierre Curie oficializavam seu casamento civil. Em 1897, nascia sua primeira filha, Irène, sob os cuidados do pai de Pierre, que era médico. [...] O avô era muito apegado à Irène, e passou a dar suporte para que Pierre e Marie continuassem suas pesquisas no laboratório. Assim, Marie decidiu dar início às suas pesquisas, visando à obtenção do doutorado, cujo feito ainda era inédito para as mulheres na França. [...]

        Em julho de 1898, o casal Curie anunciava a descoberta de um novo elemento no concentrado de bismuto, o qual chamaram de polônio, em homenagem ao berço amado de Marie. [...] Em dezembro de 1898, o casal anunciava a descoberta do elemento que chamaram de rádio.

        Em 1903, Marie Curie finalmente defendeu sua tese de doutorado, Pesquisas sobre substâncias radioativas. Os examinadores consideraram a tese de Marie Curie como a mais importante contribuição científica registrada até então.

        [...] O casal Curie e Becquerel foram laureados com o Prêmio Nobel de Física em 1903. [...] O Prêmio Nobel teve profundo impacto na vida do casal Curie, como perda de privacidade e surgimento de muitos compromissos. Em 1904, nascia a segunda filha do casal, Eve. [...]

        Em 1906, em um dia de muitos compromissos, quando saía apressadamente de uma reunião no período do almoço, debaixo de chuva, Pierre foi atropelado por um pesado carro-vagão puxado por cavalos. Sua morte foi instantânea. [...]

        Em 1911, Marie Curie foi surpreendida com um telegrama comunicando seu Prêmio Nobel em Química. O recebimento de dois Prêmios Nobel era um fato inédito. [...]

        Sua grande meta passou a ser o recém-criado Instituto do Rádio, que ela considerava um tributo à memória de Pierre Curie. Nele seriam desenvolvidas novas pesquisas e produtos, principalmente voltados para a aplicação da radioatividade na medicina. O Instituto foi inaugurado em agosto de 1914, mês em que a Alemanha declarava guerra à França. [...] Com o agravamento da guerra, Marie percebeu que poderia contribuir com serviços de radiologia, chefiando uma divisão na Cruz Vermelha. Conseguiu convencer os fabricantes de veículos a adaptarem algumas unidades para uso em campo, colocando em operação 20 laboratórios móveis de radiologia ainda nesse ano. [...]

        Marie Curie morreu perto de Salanches, França, em 1934, de leucemia, devido, seguramente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho. [...] Na pesquisa feita pela revista New Scientist, Marie Curie foi eleita a mulher mais influente da ciência, de todos os tempos. [...]

TOMA, Henrique E. Marie Curie: radioatividade e era nuclear. Disponível em: https://midia.atp.usp.br/impressos/lic/modulo02/evolucao_PLC0014/evolucao_top09.pdf. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens – Séries finais, caderno 1. 8º ano – Larissa G. Paris & Maria C. Pina – 1ª ed. 2ª impressão – FGV – MAXI – São Paulo, 2023. p. 21-22.

Entendendo a biografia:

01 – Quais foram os desafios enfrentados por Marie Curie em sua educação na Polônia ocupada?

      Marie Curie enfrentou diversos desafios em sua educação na Polônia ocupada, como a proibição do ensino de laboratório pelas autoridades russas e a restrição de acesso das mulheres às universidades. Para superar essas barreiras, ela participou de uma universidade clandestina e, posteriormente, se mudou para Paris para continuar seus estudos.

02 – Como Marie Curie se adaptou à vida acadêmica em Paris?

      Ao chegar em Paris, Marie Curie percebeu a necessidade de aprimorar seus conhecimentos em física, matemática e francês. Dedicando-se intensamente aos estudos, ela conseguiu superar as dificuldades iniciais e obter o mestrado em Física.

03 – Qual o papel de Pierre Curie na vida e na carreira de Marie Curie?

      Pierre Curie foi um parceiro fundamental na vida e na carreira de Marie Curie. Eles se conheceram no laboratório, se casaram e trabalharam juntos em diversas pesquisas. Pierre ofereceu apoio, colaboração e incentivo para que Marie pudesse realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos.

04 – Quais foram as principais descobertas científicas de Marie e Pierre Curie?

      Marie e Pierre Curie são mais conhecidos pela descoberta da radioatividade e de dois novos elementos químicos: o polônio e o rádio. Essas descobertas revolucionaram a ciência e abriram caminho para novas áreas de pesquisa.

05 – Quais foram os prêmios e reconhecimentos recebidos por Marie Curie?

      Marie Curie recebeu diversos prêmios e reconhecimentos por suas contribuições científicas, incluindo dois Prêmios Nobel: um em Física, em 1903, compartilhado com Pierre Curie e Henri Becquerel, e outro em Química, em 1911.

06 – Qual foi o impacto da morte de Pierre Curie na vida de Marie?

      A morte de Pierre Curie foi um grande golpe para Marie. Além da perda pessoal, ela enfrentou desafios profissionais e sociais. No entanto, Marie conseguiu superar a dor e continuar suas pesquisas, dedicando-se à criação do Instituto do Rádio em homenagem a Pierre.

07 – Qual o legado de Marie Curie para a ciência e para as mulheres?

      Marie Curie deixou um legado extraordinário para a ciência e para as mulheres. Seus trabalhos pioneiros na área da radioatividade abriram caminho para novas pesquisas e aplicações médicas. Além disso, ela serviu como inspiração para diversas gerações de cientistas, mostrando que as mulheres podem alcançar grandes feitos na ciência.

 

BIOGRAFIA: CANDIDO PORTINARI - (FRAGMENTO) - LAURA AIDAR - COM GABARITO

 Biografia de: Candido Portinari – Fragmento

        Candido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903 em uma fazenda de café, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo.

        Filho de italianos, Portinari veio de uma família humilde e era o segundo filho de doze irmãos.

        Mesmo com formação escolar apenas até o ensino primário, ele participou da elite intelectual brasileira da década de 1930.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhrKGeY-5Mo6woBsvxjbv75m75JXB-jXzq7NC2iy-bhNDpVxYdknLMm5WIavkPB4az8U-DkOPyAPQegWuNHw7PbfEqcIbPRFf-zY3txSAl7tmeJob8WZV2DvHoqFWjNVxMJyz06WRnOwKbiOyQvy7Ufa_fBIPSiVwuJ_CeXVif87QcTXCzCXD2UAyCnmG0/s1600/portinari.jpg

        Portinari deixou São Paulo aos 15 anos e fixou residência no Rio de Janeiro, onde se matricula na "Escola Nacional de Belas Artes". Aos 20 anos, Candido já é prestigiado pela crítica nacional.

        Contudo, será em 1928, quando conquistou o "Prêmio de Viagem ao Estrangeiro" da Exposição Geral de Belas-Artes, que Portinari ganhará o mundo.

        [...]

        Em 1941, o artista produz os murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, sempre enaltecendo a temática latino-americana.

        [...]

        Em 1950, irá receber a medalha de ouro do "Prêmio Internacional da Paz" e, em 1951, é destaque na 1° Bienal de São Paulo.

        A década de 50 marcou a vida de Cândido. Isso porque surgem problemas de saúde causados por intoxicação de chumbo presente nas tintas que o pintor utilizava em suas obras.

        É nessa época também que ele realiza os famosos murais Guerra e Paz (1953-1956) para a sede da ONU, em Nova York.

        [...]

        Por fim, em meados de 1962, Portinari aceita uma encomenda da prefeitura de Barcelona, contudo, seu nível de intoxicação pelas tintas torna-se fatal e ele falece neste ano em 06 de fevereiro, aos 58 anos.

AIDAR, Laura. Candido Portinari. Disponível em: www.todamateria.com.br/candido-portinari. Acesso em: 28 fev. 2022.

Fonte: Língua Portuguesa. Linguagens – Séries finais, caderno 1. 8º ano – Larissa G. Paris & Maria C. Pina – 1ª ed. 2ª impressão – FGV – MAXI – São Paulo, 2023. p. 02-03.

Entendendo a biografia:

01 – Qual a origem de Candido Portinari e qual foi sua formação escolar?

      Candido Portinari nasceu em uma fazenda de café no interior de São Paulo, filho de imigrantes italianos. Apesar de ter uma família humilde e ter estudado apenas até o ensino primário, ele se destacou no cenário artístico brasileiro e internacional.

02 – Qual foi o marco inicial da carreira de Portinari e como ele se consolidou no cenário artístico?

      O marco inicial da carreira de Portinari foi a sua mudança para o Rio de Janeiro e a matrícula na Escola Nacional de Belas Artes. A partir daí, ele começou a ser reconhecido pela crítica e, com a conquista do Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, em 1928, ganhou projeção internacional.

03 – Qual a principal temática presente nas obras de Portinari?

      A principal temática presente nas obras de Portinari é a cultura latino-americana. Ele frequentemente retratava a realidade social e as paisagens do Brasil, além de celebrar a diversidade cultural do continente.

04 – Quais foram os principais prêmios e reconhecimentos recebidos por Portinari?

      Portinari recebeu diversos prêmios e reconhecimentos ao longo de sua carreira, como o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, a medalha de ouro do Prêmio Internacional da Paz e a participação na 1ª Bienal de São Paulo.

05 – Qual foi a principal causa da morte de Candido Portinari?

      A principal causa da morte de Candido Portinari foi a intoxicação por chumbo, proveniente das tintas que ele utilizava em suas obras.

06 – Qual a importância dos murais "Guerra e Paz" na obra de Portinari?

      Os murais "Guerra e Paz" são considerados uma das obras-primas de Portinari. Eles representam um dos ápices de sua carreira e demonstram sua preocupação com os temas da violência e da paz em um contexto pós-Segunda Guerra Mundial.

07 – Qual o legado de Candido Portinari para a arte brasileira?

      Candido Portinari deixou um legado fundamental para a arte brasileira. Suas obras retrataram a realidade social e cultural do país de forma visceral e poética, contribuindo para a construção de uma identidade artística nacional. Além disso, ele foi um importante representante da arte brasileira no cenário internacional.