quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

MÚSICA: OCEANO - DJAVAN - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Música: Oceano
                                               Djavan
Assim que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim?

Enfim, de tudo o que há na Terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto e seus temores
Vida que vai na sela dessas dores
Não sabe voltar, me dá teu calor

Vem me fazer feliz porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
Me esqueço que amar é quase uma dor
Só sei viver se for por você!

Entendendo a canção:

01 – O que o eu poético, quis nos transmitir nesta primeira estrofe?
      Nesse primeiro momento Ele se dá conta de que o relacionamento chegou ao fim, que sua amada foi embora e que seu mundo desmoronou. Ele acredita que sua amada já o esqueceu. 

02 – Na segunda estrofe; Por que o eu poético, se mostra tão entristecido?
      Porque ele está convicto de sua condição, ele denota o valor que ela, sua amada tem em sua vida, que ela tem o poder de compor tudo ao seu redor, como se o seu mundo só existisse ao lado dela, que seu sofrimento é tão intenso, que ninguém conseguiria descrever o que ele está sentindo nesse momento. 

03 – Quais os temores que se encontra na frase: “Amar é um deserto e seus temores”?
      Ele faz uma analogia, comparando o amar com o deserto, que de dia é quente e a noite é frio, escuro e vazio.

04 – O que significa, na frase: “Vida que vai na sela dessas dores”?
      Ele compara o fato de amar, como a vida que segue por caminhos desconhecidos.

05 – Em qual verso o eu poético pede o retorno da amada?
      “Vem me fazer feliz porque eu te amo.”

06 – O que quer dizer o eu poético na frase: “Você deságua em mim, e eu, oceano.”
      Que se sua amada voltar, ele a receberá de braços abertos, que seu amor é tão grande feito o oceano.

07 – Na frase: “Me esqueço que amar é quase uma dor / Só sei viver se for por você!” O que o eu poético diz a sua amada?
      Que ele esquecerá tudo o que passou, mesmo sabendo que o amor é doloroso, irá reatar o relacionamento porque não sabe viver sem ela.

08 – Para você, a história contada na canção, tem início e fim?
      Resposta pessoal. Sugestão: Embora não tenha início, meio e fim, é bem definida.

09 – Na canção o eu poético, esperava um amor eterno, e o que aconteceu?
      Após uma noite de amor, ao amanhecer ele não encontrou ao seu lado a sua amada, uma clássica decepção amorosa.

10 – Qual o sentimento do eu poético, após a desilusão amorosa?
      Que não se pode obrigar alguém a corresponder o seu sentimento. O amor pode ser prazeroso, mas, também pode ser doloroso e duvidoso, a ponto de nos deixar perdido, como se estive num deserto, sem saber que rumo tomar e se vai chegar a algum lugar.

11 – O que o eu poético quis dizer em “Amar é quase uma dor”?
      Nos faz pensar no sofrer, na dor do amar, e na dor da desilusão amorosa.





TEXTO LITERÁRIO - FUGA - FRAGMENTO VIDAS SECAS - GRACILIANO RAMOS - COM GABARITO

Texto: FUGA - VIDAS SECAS


        A vida na fazenda se tornara difícil, Sinhá Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco de copiar, Fabiano espiava a caatinga amarela, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre.
        Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo como negro fugido.
[...]
                                               Graciliano Ramos. Fuga, Vidas Secas.

Entendendo o texto:
01 – Destaque, no texto, algumas palavras e classes gramaticais que indicam as sequências dos eventos nos trechos narrativos.
       Se tornara, manejava, tinham desaparecidos; E, viu, salgou, matou, largou-se.

02 – Destaque, no texto, algumas palavras e classes gramaticais que indicam a sequência dos eventos nos trechos descritivos.
       Escolhido, onde as folhas secas se pulverizavam, no céu azul.

03 – Apesar do entrelaçamento dos tipos descritivo e narrativo, qual pode ser considerado predominante a ponto de caracterizar o texto?
       É o tipo narrativo porque as sequências descritivas apenas formam o “pano de fundo” para o desenrolar da ação. Existe a predominância de mudança de estado. As ações são cronologicamente articuladas.

TEXTO LITERÁRIO:SOLO DE CLARINETA - FRAGMENTO SOLO DE CLARINETA - ÉRICO VERÍSSIMO - COM GABARITO


Texto: SOLO DE CLARINETA


        Fui devidamente matriculado no ginásio episcopal por minha mãe, que pagou a matrícula com o seu dinheiro.
        Andei macambúzio naqueles meses de princípios de 1920. Doía-me a ideia de ter de passar nove meses inteiros longe de minha gente e de minha casa. Um novo capítulo na minha vida estava por começar.
        Nunca minha terra natal me pareceu mais suave e bela naquele verão do primeiro ano da década dos 20. Eu saía em passeios de despedida pelas ruas da cidade, em casa olhava com uma ternura particular para a ameixeira-do-Japão, que tanta coisa parecia dizer-me em seu silêncio.
        O meu “drama” era consideravelmente agravado por um fato sentimental da maior relevância. Eu estava então seriamente enamorado duma menina pouco mais moça que eu e que correspondia ao meu afeto. Chamava-se Vânia, tinha nas veias sangue italiano, um rosto redondo e corado e uma vivacidade que frequentemente embaraçava o Tibicuera de D. Bega.
        Chegou o dia da partida. Despedi-me de Vânia na véspera, com um simples aperto de mão. Combinamos a melhor maneira de manter uma correspondência secreta durante minha ausência. Juramo-nos amor eterno.

                          VERÍSSIMO, Érico. Solo de clarineta. 1. 5. ed. Porto Alegre.
                                                                                           Globo, 1974. p. 122-3.
Macambúzio: taciturno, triste.

Entendendo o texto:
01 – O texto é narrado em primeira ou em terceira pessoa? Transcreva verbos e pronomes do segundo parágrafo que justifiquem sua resposta.
       O texto é narrado em primeira pessoa. (Andei, doía-me, minha.)

02 – No texto narram-se um fato principal, um fato secundário e as impressões no narrador diante desse fatos.
     a) Identifique o fato principal.
      O narrador muda-se para outra cidade, para estudar.

     b) Identifique o fato secundário.
      O namoro com Vânia.

03 – O narrador atribui maior importância aos fatos ou a seus sentimentos diante dos fatos? Justifique sua resposta.
       No texto prevalece o registro dos sentimentos do narrador. Os fatos ocupam apenas o primeiro parágrafo e parte do quarto parágrafo.

04 – No texto predomina a subjetividade (visão pessoal, particular, individual do assunto). Transcreva um verbo do terceiro parágrafo que justifique tal afirmativa.
       Parecer. (Ocorre duas vezes).

05 – O objetivo principal do narrador é informar o leitor ou expor seus sentimentos?
       O texto caracteriza-se, sobretudo, pela exposição dos sentimentos do narrador.

TEXTO LITERÁRIO: O SENÃO DO LIVRO - FRAGMENTO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

Texto: O SENÃO DO LIVRO


        Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem...
        E caem! – Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar... Heis de cair.

                ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas.
                                                20 ed. São Paulo: Ática, 1995, p. 103.

Entendendo o texto:
01 – Em seu “diálogo” com o leitor, o narrador manifesta-se criticamente em relação a esse seu interlocutor, acusando-o de ser o verdadeiro senão do livro, e através de um paralelo traçado entre as características de sua narrativa e os gostos do seu “rival” vai traçando uma linha que o levará a enunciar a forma de composição de sua obra. Essa linha narrativa, ou o seu estilo, pode ser caracterizada pela presença de:
     a) Capítulos concisos.
     b) Linguagem figurada.
     c) Digressões.
     d) Humor.

02 -  Dentre as características apresentadas, uma NÃO pode ser atribuída ao texto lido. Assinale-a:
     a) Ironia amarga.
     b) Tendência a conversar com o leitor.
     c) Foco narrativo em primeira pessoa.
     d) Linguagem coloquial.

03 – Um dos empregos linguísticos do pronome oblíquo átono é retomar um nome, ou mesmo um outro pronome, trazendo-os de volta ao texto. Tal fato está registrado no segundo parágrafo através do emprego do pronome vos.
Que palavra esse pronome está retomando? Assinale-a:
     a) Eu (narrador).
     b) Livro.
      c) Folhas.
      d) Leitor.

TEXTO LITERÁRIO: OLHOS DE RESSACA - FRAGMENTO DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS - COM GABARITO

Texto: OLHOS DE RESSACA


         --- (...) Deixe ver os olhos Capitu.
        Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua, dissimulada”. Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiado neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...
        Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, em quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. (...)

                                                    Machado de Assis, Dom Casmurro.

Entendendo o texto:
01 – O que levou o narrador a caracterizar os olhos de Capitu como “olhos de ressaca”?
       Em função da grande emoção que Capitu exercia sobre ele, Bentinho.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

MÚSICA: MILAGREIRO - DJAVAN E CÁSSIA ELLEN - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Música: Milagreiro
                                           Djavan e Cássia Ellen
Agora vamos ter os girassóis
Do fim do ano
E o calor vem desumano
Tudo irá se expandir
Crescer com as águas
Quiçá, amores nos corações

E um santeiro, milagreiro
Prevê a dor de terceiros
E diz que a vida é feita de ilusão
E um santeiro, milagreiro
Prevê a dor de terceiros
E diz que a vida é feita de ilusão

Aquela que um dia o fez sonhar
Se foi com o outro
No dia em que os dois se casariam por amor
Ele aluou
Hoje o seu pesar cintila nos varais
Usou as sete vidas e não foi feliz jamais
Toda a imensidão passou pela vida
E foi cair na solidão

Mais um santo para esculpir é o que lhe vale
Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe.

Entendendo a canção:

01 – Qual o título da canção? E quem é o compositor?
      Milagreiro. Composição de Djavan.

02 – O que traduz a letra da canção?
      É como se fosse uma oração, traduz a alma sozinha, que invade os campos dos girassóis.

03 – Na frase: “Quiçá, amores nos corações”. Qual é a esperança do eu poético?
      Que talvez traga amor para os corações.

04 – O que significa ALUOU na frase: “No dia em que os dois se casariam por amor / Ele aluou”.
      Significa que na hora do casamento ele ficou lunático.

05 – E qual o Santo que irá salvar das previsões do milagreiro?
      A esperança é que Jesus venha salvar.

06 – O que está relatado na frase: “Aquela que um dia o fez sonhar / Se foi com o outro”?
      Que a amada, foi embora, abandonou-o para viver com outra pessoa.

07 – Por que a mulher abandonou o eu poético no altar e fugiu?
      Ela viu na terra a dor, que ela não queria ter. Por que ficou com medo que seu casamento fosse ter a mesma dor que a terra sentia.

08 – Em: “Usou as sete vidas e não foi feliz jamais”. Na canção esse verso refere-se a mulher ou ao eu poético? Explique.
      Refere-se a mulher, embora ninguém viu, mas ela também não foi feliz.

09 – Quando o eu poético, viu os girassóis, eram murchos, o que entendemos?
      Que o amor que ele sentiu, hoje, não sente mais, e está murcho como o girassol.

10 – O que significa: “Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe”?
      Que a vida é mesmo feita de ilusão, e não devemos deixar nossos sentimentos ruins aflorar.
    


TEXTO: RECEITA PARA MAL DE AMOR - RUBEM BRAGA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Texto: RECEITA PARA MAL DE AMOR



        Minha querida amiga:
      Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos, mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me formulando um pergunta ingênua:
        --- Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
        E logo depois me pediu que não pensasse nisso e esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um ou dois uísques a mais...
        Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a um destinatário suposto.
        Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente. Joana é minha destinatária. Meu destino está suas mãos; a ela se destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e o que sou: todo este complexo mais ou menos melancólico e todavia tão veemente de coisas que eu nasci e me tornei.
        Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma ficha de hotel eu poderei escrever assim: Procedência – Cachoeiro de Itapemirim; Destino – Joana. Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu destino?
        Isso eu gostaria de lhe dizer, minha amiga, com a autoridade triste do mais vivido e mais sofrido: amar é um ato de paciência e de humildade; é uma longa devoção. Você me responderá que não é nada disso; que você já chegou ao seu destinatário e foi devolvida como se fosse uma carta com o endereço errado. Que teve alguns dias, algumas horas de felicidade, e por isso agora sofre de maneira insuportável. Então lhe aconselho a comprar um canivete bem amolado e afinar dezoito pedacinhos de pau até ficarem bem pontudos, bem lisos, perfeitamente torneados – e depois deixá-los a um canto. Apanhar uma folha de papel tamanho ofício e enchê-la toda, todinha, de alto a baixo, com o nome de seu amado, escrevendo uma letra bem bonita, de preferência com tinta azul. Em seguida faça com essa folha um aviãozinho, e jogue pela janela. Observe o voo e a aterrisagem. Depois desça, vá lá fora, apanhe o avião de papel, desdobre a folha novamente (pode passa-la a ferro, para o serviço ficar mais perfeito e não haver mais nenhum indício da construção aeronáutica) e volte a dobrá-la, desta vez ao meio. Dobre outras vezes, até obter o menor retângulo possível. Então, com o canivete, vá cortando as partes dobradas até transformar toda a folha em minúsculos papeizinhos, tão pequenos que o nome de seu amado não deve caber inteiro em nenhum deles. Aí, apanhe todos aqueles pauzinhos que tinha deixado a um canto e, com os pedacinhos de papel, faça uma fogueira com o máximo cuidado até que restem somente cinzas. A seguir poderá repetir a operação...
        --- Adianta alguma coisa?
        Por favor, querida amiga, não me faça esta pergunta. Nada adianta coisa alguma, a não ser o tempo: e fazer fogueirinhas é um meio tão bom quanto qualquer outro de passar o tempo.

                           BRAGA, Rubem. Receita para mal de amor. In: A traição das
                                     Elegantes. 2. ed. Rio de Janeiro. Record, 1985. p. 95-7.

Complexo: combinado.
Melancólico: deprimido, triste.
Veemente: intenso, forte, vivo.
Tamanho ofício: denominação da folha de papel.

Entendendo o texto:
01 – O texto lido é uma crônica. A crônica é o registro das impressões do escritor diante de fatos do cotidiano e constitui um gênero intermediário, pois situa-se entre a literatura e o jornalismo. Qual é o fato que dá origem a esse texto?
       O pedido de conselhos que uma amiga fez ao narrador.

02 – No trecho compreendido entre as linhas 12 e 14, o narrador reivindica para a palavra destinatário um outro sentido, além do convencional.
     a) Qual?
      “Pessoa que é dona do destino da gente”.

     b) Quem seria, no caso, a destinatária da vida do narrador?
      Joana.

     c) Que palavra, na sua suposta ficha de hotel, resume a importância dessa mulher?
      Destino.

03 – No oitavo parágrafo, o narrador deixa implícito que já passou por situação semelhante à da amiga para quem escreve. Transcreva o trecho que comprova tal afirmativa.
       “Com a autoridade do mais vivido e mais sofrido”.

04 – Que função da linguagem predomina no trecho compreendido entre as linhas 28 e 43?
       Função conativa ou apelativa. É o trecho que trata da receita propriamente dita.

05 – Afinal, a que se resume a utilidade da receita proposta pelo narrador?

       Passar o tempo, simplesmente, já que não há receitas para mal de amor.


TEXTO: SUPERMERCADOS, AS CATEDRAIS DO CONSUMO - C.E.NOVAES - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

Texto: SUPERMERCADOS, AS CATEDRAIS DO CONSUMO


     Numa sociedade onde ninguém quer engordar, o crescimento dos supermercados é um tanto contraditório. A febre de emagrecimento deveria beneficiar o desenvolvimento de pequenas quitandas e não desses monstruosos templos de consumo. Acontece que o esforço para manter-se magro nasceu exatamente na esteira dos supermercados. O homem atual vive imprensado entre os dietéticos e os supermercados. Mais um pouco, e será impossível reviver a dupla do Gordo e o Magro. Quando muito, conseguiremos uma dupla formada pelo Gordo e o Menos Gordo.
        É difícil, entretanto, fugir ao irresistível apelo dos supermercados. É nele que o homem satisfaz todas as necessidades de consumidor. A primeira intenção de quem entra num supermercado é comprar tudo. Um conhecimento meu, consumidor consagrado, já confessou que seu maior desejo é se atirar sobre as prateleiras, abrir pacotes, latas e caixas de biscoito, queijo, compotas, doces e ficar ali esparramado, comendo até sair pelos ouvidos.
        Os proprietários têm consciência dessa compulsão e arrumam suas mercadorias de forma a deixar o consumidor como eles, proprietários, quando chegaram ao Brasil, ou seja, de tanga. Curiosamente, a alimentação deixou de ser uma simples necessidade para tornar-se um complicado sistema de marketing e pesquisas. Hoje, a gente nem sempre compra o que quer. Compra o que eles querem vender. Vocês sabem, por exemplo, por que o açúcar é colocado no fundo dos supermercados? Porque o açúcar é um artigo comum a todos e, ficando no fundo, obriga o consumidor a passar por várias outras seções antes de encontra-lo. E, nessa passagem, pode comprar alguma coisa. Para escapar a esse risco, só há uma solução: entrar pela porta dos fundos.

                     NOVAES, C. E. O caos nosso de cada dia. São Paulo:
                                                                        Edibolso, 1974. p. 123.

Entendendo o texto:
01 – Como descobrir as partes que compõem o texto?
       A atividade foi comentada no texto. Em geral, os parágrafos (assim como as estrofes, na poesia) são indicadores da organização do pensamento do autor.

02 – Escreva uma frase que sintetize a ideia de cada parágrafo.
1º parágrafo: O crescimento dos supermercados é uma contradição numa sociedade que propõe “pessoas Magras”.

2º parágrafo: Os supermercados acendem a tendência para o consumismo.

3º parágrafo: Os supermercados fazem a alimentação perder sua características de necessidade, para virar uma questão de marketing.

03 – Marque os termos de relação entre ideias, se as relações estão claramente apresentadas.
       Resposta pessoal.

04 – Escreva um texto de no máximo três frases apresentando o que compreendeu do texto.
       Resposta pessoal.



TEXTO: ADMIRÁVEL MUNDO LOUCO - R. ROCHA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: ADMIRÁVEL MUNDO LOUCO


   Eles moram, quase todos, amontoados nuns lugares muito feios, que eles chamam de cidades.
       Esses lugares cheiram muito mal por causa de umas porcarias que eles fabricam e de umas nuvens escuras que saem de uns tubos muito grandes que por sua vez saem de dentro de umas caixas que eles chamam de fábricas.
        Parece que eles vivem dentro de outras caixas. Algumas dessas caixas são grandes, outras são pequenas.
        Nem sempre moram mais freguetes nas caixas maiores. Às vezes acontece o contrário: nas caixas grandes moram pouquinhos freguetes e nas caixas pequenininhas moram um monte deles.
        Nas cidades existem muitas caixas amontoadas umas nas outras.
        Parece que dentro desses amontoados há um tubo, por onde corre um carrinho na direção vertical, chamado elevador, porque eleva a pessoas para o alto dos amontoados. Não ouvi dizer que eles tenham descedores, o que me leva a acreditar que eles pulem lá de cima até embaixo, de alguma maneira que eu não sei explicar.
        Quando fica claro, eles saem das caixas deles e todos começam a ir pra outro lugar e ficam nisso de ir daqui pra lá o tempo todo, até que fica escuro e todos voltam pro lugar de onde vieram.
        Não sei como é que eles encontram o lugar de onde eles saíram, mas encontram; e entram outra vez nas caixas.
        Assim que eu cheguei era um pouco difícil compreender o que eles diziam. Mas logo, logo, graças aos meus estudos de flóbitos, consegui aprender uma porção das línguas que eles falam.
        Ah, porque eles falam uma porção de línguas diferentes.
        E como é que eles se entendem?
        E quem disse que eles se entendem?

                                          ROCHA, R. Este admirável mundo louco
                                                            São Paulo: Salamandra, 2003.

Entendendo o texto:                                              
01 – Afinal, a partir das informações sobre o conto Admirável mundo louco, podemos identificar 3 autores presentes, de alguma forma, no texto. Quais são eles?
       Os três “autores” são: Ruth Rocha, o visitante e o pesquisador que achou o documento.

02 – Que sugere a você essa quantidade de “vozes”, que passam a palavra de uma pessoa para outra?
       Resposta pessoal. Tantas vozes dão a impressão de que não se trata de invenção de cada um deles. O texto é feito como se fosse um relato, ou exatamente para das a impressão de verdade. E é como se Ruth e o pesquisador não se “responsabilizassem” pelas opiniões do visitante.

03 – A descrição feita pelo jovem visitante mostra uma visão negativa da “cidade”.
     a)     Essa visão evidencia-se claramente, por meio de expressões usadas pelo autor. Que expressões dão esse sentido ao texto?
      Vários termos têm significado negativo. Como os adjetivos e advérbios: “muito feios”; “cheiram mal”, ou substantivos, com artigo com intenção pejorativa: “umas porcarias”, “amontoados”. A própria interrogação final é muito negativa.

     b)    Há também situações apresentadas que, mesmo sem um claro julgamento do autor, podemos entender como negativas. Quais são elas, na sua percepção?
      A informação sobre quantos moram nas caixas grandes e pequenas e a descrição dos freguetes indo de um lado pera o outro. Nessas informações, há uma crítica à má distribuição de renda e a certa inutilidade da correria humana.

04 – O autor do relato parece não entender bem a vida na Terra.
     a)     Que recursos linguísticos sugerem isso?
      Há muitos verbos na forma negativa: “não sei”, “não sei dizer”, “não ouvi dizer”, “não sei como”, além do “parece”.

     b)    A que se deve essa dificuldade de entendimento, se ele compreendia as línguas dos freguetes?
      A incompreensão vem do fato de o visitante vir de uma cultura totalmente diferente. Como acontece conosco, ele teve dificuldade de entender o diferente, ainda mais quando contraditório.

05 – O autor dos escritos inventa palavras, como “freguetes”; “flóbitos” e “descedores”. Neste último caso, usa o mesmo processo que qualquer criança usa para inventar palavras. Em que consiste tal processo?
      “Descedor” é criado de forma analógica com “elevador”. A criança usa fartamente a analogia, que consiste em criar uma palavra ou proceder segundo palavras ou dados já conhecidos.

 06 – Na sua opinião, que tipo de cidade o visitante conheceu? Justifique sua opinião.
       O visitante parece ter chegado a uma cidade grande, o que está sugerindo nos muitos edifícios e nas fábricas do lugar.

07 – Como já lembramos, Ruth Rocha é famosa pelo humor que dá a suas histórias, ainda que de crítica. Você vê humor nesse trecho? Justifique sua posição.
       Resposta pessoal. Como lembramos em outras unidades, o humor é percebido de modos diferentes. Em todo caso, você pode ter considerado cômica a descrição da cidade, com seus amontoados, a hipótese sobre a forma de descer das caixas grandes.

08 – Qual é o significado do texto para você?
       Resposta pessoal. Uma compreensão provável seria: nossa cultura tem características contraditórias e até desagradáveis, que o extraterrestre vê com muita clareza.

09 – Qual a sua opinião sobre o texto?
       Resposta pessoal. Seria interessante que as respostas pessoais fossem objeto de discussão, na reunião quinzenal.