terça-feira, 31 de janeiro de 2017

TEXTO: ÍNDIOS SÃO 15% DOS MISERÁVEIS NO MUNDO, APONTA ONU - FOLHA DE S. PAULO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


TEXTO:   ÍNDIOS SÃO 15% DOS MISERÁVEIS NO MUNDO, APONTA ONU

          Relatório divulgado ontem pela ONU (Organização das Nações Unidas) revelou que os índios, apesar de representarem só 5% da população mundial, são 15% dos mais pobres do mundo. Nas áreas rurais, eles chegam a ser um terço dos 900 milhões de habitantes em situação de miséria extrema. O estudo considera indígenas os descendentes das populações originárias de regiões depois colonizadas por outro povos, como os índios brasileiros e os aborígenes australianos. Estima-se que, atualmente, eles cheguem a 370 milhões de pessoas e representem 5.000 culturas distintas.  Juntos, ocupam cerca de 20% do território do planeta, distribuídos por 90 países. Segundo o diretor do UNIC (Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil), Giancarlo Summa, a pobreza dos povos indígenas está relacionada à perda de territórios e de recursos naturais, que acaba por inviabilizar as formas tradicionais de vida das populações.
          “Quando o índio passa a ter que comprar seu alimento no mercado, os níveis de pobreza aumentam automaticamente”, afirma Summa. Segundo o relatório da ONU, a taxa de pobreza dos indígenas é bem superior à da população como um todo. No Paraguai, é 7,9 vezes maior; no Panamá, 5,9 vezes; e no Brasil, 2,5 vezes. Os dados brasileiros são do censo de 2000, o último realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indígena Marco Terena, articulador dos direitos indígenas do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, diz que o estudo mostra que os indígenas são, em sua maioria, “pobres, analfabetos e excluídos do poder econômico e político”.
            Para ele, a mudança desse cenário passa pela demarcação de terras, pelo fortalecimento da autoestima e pela participação nas esferas decisórias.
                                              Folha de São Paulo, São Paulo, 15 de janeiro de 2010, Caderno Brasil.

1 -   Qual é a finalidade do texto que você leu? Em que suporte (lugar físico ou virtual) ele foi veiculado?
     O texto tem a finalidade de informar aos leitores o resultado de um relatório sobre a situação de pobreza dos indígenas no mundo, divulgado pela ONU. Ele foi veiculado em um formal diário.

2 -   Logo no primeiro parágrafo, entramos em contato com a principal informação transmitida pelo texto. Qual é ela?
     Os índios, apesar de representarem só 5% da população mundial, são 15% dos mais pobres do mundo.

3 -   O título da notícia tem a função de chamar a atenção do leitor para o que será informado. Em “Índios são 15% dos miseráveis no mundo, aponta ONU”, identifique os termos que correspondem às seguintes funções sintáticas na primeira oração do período:
     -Sujeito: Índios      
    
     -Predicado: São 15% dos miseráveis no mundo.

     -Adjunto adverbial de lugar: No mundo.

4 -  Na notícia, a linha-fina tem o objetivo de explicar melhor o título. Reconheça-a no texto lido.
     A linha-fina é: Pobreza está ligada à perda de terras e recursos naturais.

5 -   Qual é a função das aspas usadas no texto?
     É marcar o início e o final da fala de alguém que não o autor do texto.


POEMA: PARA A FEIRA DO LIVRO - JOÃO CABRAL DE MELO NETO - COM GABARITO


POEMA: PARA A FEIRA DO LIVRO

Folheada, a folha de um livro retoma
o lânguido e vegetal da folha folha,
e um livro se folheia ou se desfolha
como sob o vento a árvore que o doa;
folheada, a folha de um livro repete
fricativas e labiais de ventos antigos,
e nada finge vento em folha de árvore
melhor do que vento em folha de livro. [...]

           João Cabral de Melo Neto. In        Obra completa                                                                      Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 367.

1 -   Ao tratar da folha de um livro, o poema a compara a uma “folha folha”. Qual o sentido dessa expressão?
     A expressão “folha folha” refere-se á folha da árvore que dá origem à folha do papel.

2 -   O poema emprega insistentemente as aliterações dos fonemas f e v. Elas têm no contexto do poema um valor imitativo. O que essas aliterações procuram imitar?
     As aliterações dos fonemas f e v procuram imitar os sons do vento nas árvores e o barulho de folhear um livro.

3 -   O poema associa os sons do manuseio das folhas de um livro aos sons produzidos por “ventos antigos” A que se refere essa expressão?
     Refere-se aos ventos que movimentaram as folhas vegetais que deram origem às folhas de papel.

MÚSICA: APESAR DE VOCÊ /CHICO BUARQUE /DITADURA - COM INTERPRETAÇÃO-GABARITO

MÚSICA: APESAR DE VOCÊ
                                                                              CHICO BUARQUE
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu [...]
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar [...]
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria [...]

                         In Chico Buarque, letra e música. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 92.

1 -   A primeira estrofe faz um retrato do Brasil sob a ditadura. Para driblar a censura, a linguagem da canção deveria recorrer à conotação. Quais são as queixas contra ao regime anunciadas nessa estrofe?
     A primeira estrofe denuncia vários aspectos do autoritarismo do regime militar: abuso de autoridade (“você é quem manda”), a repressão ao debate político, à expressão de ideias (“falou, tá falado, não tem discussão” / “minha gente hoje anda falando de lado”), a tristeza do povo reprimido (“olhando pro chão”)

2 -      A partir da segunda estrofe, uma nova situação se apresenta
a)      A que situação o texto faz referência?
O texto alude a uma situação de liberdade, de felicidade, quando a repressão do regime
Militar chegasse ai fim.

b)      Cite uma metáfora que sintetize o espírito dessa nova situação.
“Galo insistir em cantar” é uma expressão metafórica para a situação de liberdade a que a estrofe faz alusão.

3 -     O título da música, Apesar de você, sugere, com meias palavras, o mesmo que a frase:
a)      A despeito do povo, a democracia voltará ao país
b)      Ainda que venha a sofrer, o povo prefere a liberdade política à ditadura
c)       Embora o governo tente impedir, a liberdade voltará a se instalar no pais.
d)      O povo se mantém alegre, mesmo sob o regime militar.






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sábado, 28 de janeiro de 2017

POEMA: CANÇÃO DO EXÍLIO - GONÇALVES DIAS - COM GABARITO


  CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,                                      Minha terra tem primores,
Onde canta o Sabiá;                                                    Que tais não encontro eu cá;
As aves, que aqui gorjeiam,                                       Em cismar – sozinho, à noite –
Não gorjeiam como lá.                                                Mais prazer encontro eu lá:
Nosso céu tem mais estrelas,                                    Minha terra tem palmeiras,
Nossas várzeas têm mais vida,                                  Onde anta o sabiá.
Nossos bosques têm mais vida,                                Não permita Deus que eu morra,
Nossa vida mais amores.                                            Sem que volte para lá:
Em cismar, sozinho, à noite,                                      Sem que desfrute os primores
Mais prazer encontro eu lá:                                       Que não encontro por cá:
Minha terra tem palmeiras,                                        Sem qu´inda  aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.                                                      Onde canta o sabiá
                                                                 DIAS, Gonçalves. Obra poéticas de Antônio Gonçalves dias.
                                                                                          São Paulo: Companhia Edito Nacional, 1944.

1 -   Que visão de pátria é apresentada no poema? Confirme sua resposta transcrevendo dois versos do texto em seu caderno.
     Uma visão positiva e idealizada da pátria (Brasil). “Minha terra tem primores”; “Nossos bosques têm mais vidas/Nossa vida mais amores”.

2 -   No poema, as palavras “lá” e “cá” aparecem repetidamente. O que elas representam para o eu poético?
     O lugar deixado para trás (a pátria) e o lugar em que o eu poético se encontra no momento em que sente saudades.

3 -   Apesar de se referir ao próprio país, o Brasil, podemos considerar universal a maneira como o poeta vive seu sentimento em relação à pátria. Por quê?
     Porque muitas pessoas, de diferentes culturas e países, experimentam a sensação de saudades da terra de origem quando vivem em outro lugar. Assim como Gonçalves Dias, inúmeros poetas “cantaram” o exílio.

4 -   Como você interpretaria a repetição da expressão “Minha terra tem...”?
     Ela dá ênfase àquilo que a pátria tem, `aquilo que ela é. Ou seja, o poema valoriza a pátria.

5 -   Transcreva, em seu caderno, os versos do poema que podem ilustrar os seguintes sentimentos:
a)      Desilusão.
Resposta possível: “AS aves, que aqui gorjeiam, / não gorjeiam como lá”.

b)      Encantamento.
Resposta possível: “Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores”.

6 -   Alguns versos do poema de Gonçalves Dias podem ser relacionados a trechos do “Hino Nacional Brasileiro”, escrito 63 anos depois, em 1909. Identifique esses versos e transcreva-os em seu caderno.
     “Nossos bosques têm mais vida”, / “Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

  


                   





TEXTO: INFRATORAS BUSCAM SONHO DE CONSUMO "COR-DE-ROSA"


INFRATORAS BUSCAM SONHO DE CONSUMO "COR-DE-
ROSA"

Meninas de rua vagam na Vila Mariana em busca de celulares e lentes coloridas.

    Perfil psicológico das infratoras mostra a mesma situação de rua experimentada por suas  mães e até avós.                                                                     Eliane Trindade
 de São Paulo

     Alisante de cabelo e lentes de contato coloridas são itens visados nos arrastões protagonizados por meninas de rua, com idade entre 9 e 15 anos, nas lojas da Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo.
     “Quero ser bonita, tia”, disse uma delas para a conselheira tutelar Ana Paula Borges, 29, em uma das mais de vinte vezes em que foi encaminhada para atendimento pela polícia no último ano.
     Negras e mulatas de cabelos crespos, elas dizem querer alisar as madeixas para ficarem bonitas conforme o padrão de beleza estabelecido. Usam os produtos na rua.
     A mudança do visual chega à cor dos olhos. Elas furtaram um kit de lente de contato verde de R$ 100. Como não dava para todas ficarem com duas lentes cada, dividiram o pacote. Algumas usavam só uma lente ao serem levadas recentemente à delegacia.
     Nas fotos do grupo que ilustram o dossiê das sete garotas no Conselho Tutelar da Vila Mariana, as meninas fazem pose de modelo. Usam casacos rosa e acessórios.
     “Como toda criança e adolescente, querem consumir, comer e passear no shopping. Elas pedem. Se não ganham, furtam”, afirma Ana Paula.
     Elas circulam nos metrôs Paraiso e Ana Rosa em busca dos ícones do consumo infanto-juvenil: celulares, especialmente os cor-de-rosa.
     “Pego o celular das lourinhas que já olham pra mim com medo”, diz a garota negra, gorro rosa. Ela tem 11 anos, não se acha bela. “Bonita, eu? Olha a cor da minha pele”, corta, diante do elogio.
     O perfil psicológico e socioeconômico do grupo foi desenhado ao longo de uma série de contatos com conselheiros tutelares e monitores do programa Presença Social nas Ruas, da prefeitura.
     Todas elas têm um histórico de abandono há gerações. “As mães delas viveram a mesma realidade de rua”, diz Kátia de Souza, conselheira.
     “É uma segunda e até terceira geração na rua. É como se fosse hereditário”, confirma Ana Paula.

     Famosas
     Desde o início de julho, os furtos das meninas na região começaram a chamar a atenção Atraídas pela repercussão, outras crianças resolveram fazer o mesmo.
     Segunda-feira, cinco meninas e dois meninos fizeram um arrastão num hotel, do Paraíso. Levados ao Conselho Tutelar da Vila Mariana, promoveram também um quebra-quebra no local. Um terceiro grupo também agiu no Itaim Bibi (zona oeste) na última terça.

                                                TRINDADE, Eliane. Folha de São Paulo, 28 ago. 2011. Disponível em:                        http://wwww1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2808201101.htm.
                                                                   Acesso em: 19 jan. 2015.

1 -   De acordo com a notícia, por que, nos arrastões promovidos pelas meninas, os itens mais visados são alisante de cabelo e lentes de contato?
     Porque as meninas querem ficar bonitas de acordo com o padrão de beleza estabelecido.

2 -   Pelo que se pode deduzir pela leitura da notícia, qual é o padrão de beleza estabelecido pela sociedade?
     Cabelos lisos e pele e olhos claros.

3 -   Que argumento é dado pela conselheira tutelar para justificar a ação das meninas?
     Elas querem consumir, como toda criança. Elas pedem e, se não ganham, furtam.

4 -   De acordo com o texto, qual é o ícone do consumo infanto-juvenil?
     Celulares, especialmente os cor-de-rosa.

5 -   Releia o parágrafo a seguir:
        “Pego o celular das lourinhas que já olham pra mim com medo”, diz a garota negra, gorro rosa. Ela tem 11 anos, não se acha bela. “Bonita, eu? Olha a cor da minha pele”, corta, diante do elogio.
     - Levante uma hipótese: Por que razões a garota não se considera bonita?
     Resposta pessoal.
6 -   Em relação ao perfil psicológico e socioeconômico do grupo, que semelhança foi encontrada entre as garotas?
     Todas elas tem um histórico de abandono há gerações. As mães e, em alguns casos, as avós também viveram a mesma realidade.
7 -   Que consequências decorreram do fato de os arrastões das meninas terem se tornado famosos?
     Atraídas pela repercussão, outras crianças resolveram fazer o mesmo.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

TEXTO: QUANDO A INTERNET SE TRANSFORMA EM VÍCIO - COM QUESTÕES GABARITADAS



TEXTO: QUANDO A INTERNET SE TRANSFORMA EM VÍCIO

Adultos e adolescentes desenvolvem dependência pelo universo digital e são obrigados a fazer tratamento para se livrarem do problema.

        No Orkut, a badalada rede de amizades da internet, uma adolescente abre a discussão: “Galera, vocês já foram chamados de doentes por causa do computador?”. A pergunta é encarada com naturalidade. “ já várias vezes”, admite uma garota. “Deixo de sair, ver TV e até mesmo dormir”, conta um jovem. “Passei o fim de semana todo na internet. Eu tentava parar, mas era mais forte que eu”, relata um internauta. “O viciado em droga diz que para quando quiser, mas nunca consegue. Será esse o nosso caso? ” outro adolescente levanta a hipótese.
       Esses cinco internautas estão entre os mais de 600 que fazem parte de uma comunidade do Orkut chamada “Viciados em Internet Anônimos”. Embora o nome tenha sido propositalmente criado com um quê de exagero e outro de humor, médicos e psicólogos alertam que a comparação feita pelo último adolescente não é nada absurda: assim como as drogas, o álcool e o cigarro, a internet pode causar dependência.
      “Ninguém se torna dependente de uma coisa que não traz prazer. A internet é, sem dúvida, prazerosa e se torna dependência quando passa a preencher uma carência, diminuir a ansiedade, aliviar uma angústia”, diz o psiquiatra André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo(USP).
      O vício se concentra nos programas de conversa em tempo real, como o MSN Messenger e as salas de bate-papo. Como se pode “teclar” com várias pessoas ao mesmo tempo, não é difícil  que o internauta passe horas e horas na frente do computador.
      Os especialistas dizem que é cada vez maior o número de pessoas com essa nova queixa, mas que ainda é impossível estimar o tamanho do problema. “Pouquíssimas pessoas de dizem dependentes porque a internet não tem  cara de vício. Ao contrário da droga, que fica escondida, a internet está em casa, no trabalho e até na rua”, diz a psicóloga em Informática, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Dois grupos
      Os poucos que procuram ajuda podem ser divididos em dois grupos. O primeiro é formado por adolescentes, levados por pais preocupados com as notas baixas na escola e as atitudes antissociais. O segundo é composto por adultos que só se dão conta do problema quando o rendimento no trabalho cai por causa das madrugadas em frente ao computador ou quando o casamento já está por um fio.
       A compulsão pelo computador já foi a causa de episódios trágicos. Nos Estados Unidos, em1997, a Justiça condenou uma mulher a dois anos e meio de prisão porque deixava os três filhos pequenos trancados durante horas no quarto para conversar com amigos virtuais. Cinco anos mais tarde, na Coreia do Sul, dois jovens morreram de exaustão depois de passar mais de 48 horas numa LAN house (casa de jogos de computador e internet).
       No Brasil, o uso da internet cresce  a cada dia. Segundo uma pesquisa Ibope/NetRatings, o Brasil é o país que mais usa a internet no mundo, com 15 horas e 14 minutos por usuários residencial durante o mês de abril – liderança que pertencia ao Japão.
Ajuda
        “O caso é tão parecido com o da droga que o dependente de internet também tem a síndrome da abstinência. Quando tenta diminuir o uso do computador, fica irritadiço e ansioso”, diz o neuropsicólogo Daniel Fuentes, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
       O tratamento também é semelhante ao que se submete um dependente de droga. Inclui psicoterapia para tentar descobrir que conflitos pessoais levaram à dependência – parte  dos viciados em internet, dizem os especialistas, têm  extrema dificuldade de relacionamento social.Em muitos casos é preciso tomar remédios que diminuam o impulso pelo computador.
       A psiquiatra Norma Martino Magolbo diz que os pais podem ajudar a evitar o problema: “Computador não pode ficar no quarto das crianças ou dos adolescentes. Deve ficar num lugar comum da casa, por onde todos passem. Assim fica mais difícil que o filho se feche e se isole”.
        Apesar dos riscos da internet, os especialistas lembram que a dependência é exceção. “Não podemos transformar a internet no vilão, porque o problema é o uso que nós fazemos dela”, diz Maluh Duprat, da PUC-SP .”A internet é um instrumento fundamental. Não dá para viver sem ela.”
Aprisionado pela tela do computador
        “Quando eu saio de casa para o trabalho, ele está lá. Eu chego em casa, ele continua lá. Entro no banho, ele está lá. Saio do banho, ele continua no mesmíssimo lugar”, conta a mãe de Pedro(nome fictício), um adolescente de 14 anos. O “lá” a que ela se refere é o computador da família.
        O incômodo com o filho sempre grudado na internet piorou quando as notas no colégio começaram  a despencar. ”Aquilo não era normal”, diz ela, que resolveu levá-lo a um psicólogo em agosto do ano passado para descobrir qual era o problema. Diagnóstico: vício em internet.
        Pedro chegou a ficar 13 horas seguidas diante do computador, conversando com os 101 amigos que ele diz ter no MSN Messenger (programa de conversa em tempo real)- muitos  dos quais nunca conheceu pessoalmente. “Foi horrível depois que desliguei o computador naquele dia. Minhas costas começaram a doer muito”, lembra o adolescente.

       Além das notas do colégio, outro sinal de que havia  um certo exagero na internet eram as contas de telefone que chegavam no fim do mês. De R$40, saltaram para R$150. A internet é propositalmente de conexão discada, e não de banda larga, para que sirva de medida – e freio – do tempo de acesso.
        Desde que o problema foi descoberto, Pedro se consulta toda semana com um psicólogo. Ele  diz que ainda passa muito tempo na internet, mas que já tomou consciência de que é preciso  se controlar. “Estou começando a ver que tenho como dividir meu tempo. Antes eu dizia para mim mesmo que ia ficar só uma hora na internet, mas acabava ficando o dia inteiro. Agora consigo me controlar um pouco.”
        A mãe mal pode esperar pelo momento de ver o filho fora do computador. “Se conseguiu passar 13 horas na internet, tenho certeza de que ainda vai ficar pelo menos uma hora lendo um livro.”
Quando a internet se transforma em vício. Correio de Uberlândia, 21 maio 2008.

ESCREVENDO SOBRE O TEXTO
1.No texto são relatadas, de forma detalhada, informações sobre determinado assunto ou acontecimento, que merecem ser divulgadas ao público em geral. Qual assunto está sendo divulgado?
R- A dependência digital.

2.De acordo com o texto, que situações podem fazer com que uma pessoa se vicie na internet?
R- Preencher uma carência diminuir a ansiedade, aliviar a angústia,, geralmente tem extrema dificuldade de relacionamento social.

3.O texto cita alguns recursos da internet que incentivam as pessoas a passar horas na frente de um computador. Que recursos são esses?
R- Salas de bate-papo, jogos virtuais,watsap, facebook e outros.

4.Em um parágrafo do texto, a psiquiatra Norma Martino Magolbo diz que os pais podem ajudar a evitar o problema da dependência da internet.
De que modo eles podem fazer isso?          
R- Que o computador deve ficar num lugar comum da casa, por onde todos passam. 

5.Como essa atitude auxilia a evitar esse problema?
R- Assim fica mais difícil  que o filho se feche e se isole.

6.Segundo o texto, alguns grupos de pessoas buscam ajuda para se livrar da dependência da internet.
a)Quais grupos são esses?
R- O primeiro é formado por adolescentes, levados por pais e o outro é composto por adultos.

b)O que leva a buscar ajuda?
R- O primeiro grupo quando as notas diminuíram na escola e as atitudes antissociais; já os adultos só se dão conta do problema quando o rendimento no trabalho cai por causa das madrugadas em frente ao computador ou quando o casamento já está por um fio.

      7-  Em sua opinião, por que para algumas pessoas é difícil assumir que elas estão  viciadas em internet?
Resposta Pessoal

TEXTO: MARES EM LUAS GELADAS DE JÚPITER E SATURNO PODEM ABRIGAR VIDA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


  MARES EM LUAS GELADAS DE JÚPITER E SATURNO PODEM ABRIGAR VIDA

  Oceanos são subterrâneos e um deles teria fontes hidrotermais
                                                         Salvador Nogueira – Colaboração para a Folha                                                                                  14/03/2015 02h00

      Duas descobertas anunciadas nesta semana, numa lua de Júpiter e noutra de Saturno, aumentaram as perspectivas da busca por vida extraterrestre no Sistema Solar.
     Usando o Telescópio Espacial Hubble, alemães conseguiram confirmar que Ganimedes, a maior das luas jovianas, tem um vasto oceano sob sua superfície congelada.
     Já dados da sonda Cassini, que orbita Saturno desde 2004, trouxeram evidências de que há fontes hidrotermais sob o oceano oculto de Encélado, uma modesta lua de apenas 500 km de diâmetro.
      A revelação, publicada em estudo na revista Nature, é importante porque muitos cientistas creem que foi em fossas hidrotermais que a vida surgiu aqui na Terra.
     “A descoberta de ambientes similares em Encélado abre perspectivas novas na busca por vida em outras partes do Sistema Solar”, afirmou Gabriel Tobie, cientista da Universidade de Nantes, em um artigo-comentário.
     O achado foi feito ao analisar a composição de partículas de um dos anéis de Saturno, que é composto por material ejetado de fissuras na superfície de Encélado. A presença de pequenos grãos de silicato (rocha) revelou a existência das fontes hidrotermais no leito do oceano.
     Água em estado líquido é tida pelos cientistas como a condição essencial para a existência de vida, por isso também há empolgação pela descoberta em Ganimedes.
     Ao medir a interação do campo magnético da lua com o fluxo de partículas do Sol, os cientistas conseguiram inferir a presença de um oceano sob a crosta de gelo.
     Estima-se que a camada líquida de água salgada em Ganimedes tenha espessura média de 100 km – dez vezes a dos oceanos terrestres.
     Já se sabia que outra lua joviana, Europa, também tem oceano subterrâneo. A sonda Galileo já sugeria que era esse o caso em Ganimedes, mas a confirmação só veio agora.
    Fonte: NOGUEIRA, Salvador. Mares em luas geladas de júpiter e Saturno podem abrigar vida.

            Folha de São Paulo. Disponível em: www1.folha.uol.com.br./ciência/2015/03/1602721 –
            Mares-em-luas-geadas-de-jupiter-e-saturno-podem-abrigar-vida.shtml. Acesso em: 24 mar. 2015.

1 -   Qual é a informação mais importante relatada pela noticia? Em qual parte do texto ela pode ser localizada?
     É que os mares em luas geladas de Júpiter e Saturno podem abrigar vida. Está localizada no título da noticia.

2 -     No título, que verbo o jornalista utiliza para indicar que a existência de vida extraterrestre é uma possibilidade?
     “Podem”.

3 -     Geralmente, logo após o título de notícias e reportagens, aparece a chamada “linha-fina”. Leia uma definição para esse termo:
a)      Localize e transcreva, em seu caderno, a linha-fina da notícia lida.
“Oceanos são subterrâneos e um deles teria fontes hidrotermais”.

b)      Que informações complementares ao título são fornecidas pela linha-fina?
Informando que eles são subterrâneos e que um deles poderia ter água aquecida.

4 -     Levante uma hipótese: Por que as informações contidas na linha-fina são retomadas ao longo da notícia?
      Porque elas são relevantes para a compreensão do fato noticiado.

5 -     Explique de que forma foi possível, aqui na terra, realizar descobertas como as que foram noticiadas.
      Foram analisadas as imagens enviadas por um telescópio e coletadas por uma sonda.

6 -     Onde foi veiculada a notícia que você leu?
      No site do jornal Folha de São Paulo.

7 -     Em que publicação a descoberta dos cientistas foi divulgada inicialmente?
      Em um estudo na revista Nature.

8 -     Em sua opinião, qual pode ter sido o objetivo do jornal ao publicar uma notícia como essa?
      Foi divulgar ao leitores as descobertas científicas recentes.

9 -      Segundo o texto, por que os cientistas ficaram empolgados com as descobertas?
      Porque a água em estado líquido é essencial para o surgimento de vida.







POEMA: O MEDO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO


   POEMA:   O MEDO
                       Carlos Drummond de Andrade


Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

 


E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

 

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

 

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

 

Fazia frio em São Paulo…
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

 

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

 

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

 

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

 



 


Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

 

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

 

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

 

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

 

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes…

Fiéis herdeiros do medo,

 

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.

 




ENTENDENDO O POEMA

1 -     Releia os versos da primeira estrofe:
     Esses versos apresentam uma construção que, aparentemente, tem um erro de concordância: “Nascemos escuro”. A palavra “escuro” não está no plural e, portanto, não concorda com o sujeito desinencial “nós”. Podemos concluir, então, que não se trata de um adjetivo que pode ser atribuído ao sujeito.
a)      A que classe gramatical a palavra “escuro” passa a pertencer quando não é flexionada no plural?
Ela passa a ser um substantivo.

b)      Que sentido pode ser atribuído ao verso?
A ideia de que somos o próprio escuro, a escuridão, ao vivermos com tanto medo.

c)       Qual é a consequência de “nascermos escuro”, segundo o poema?
As experiências são poucas, isto é, as opções de vida, as preocupações são limitadas, e, portanto, nosso destino é incompleto.

d)      Nesse contexto, a que se restringem as escolhas do eu poético?
Carteiro, ditador e soldado.

2 -        Que relação podemos estabelecer entre o regime autoritário, a opressão da guerra e o verso “E fomos educados para o medo”?
     Em um regime autoritário, as pessoas são condicionadas a sentir medo, pois são ameaçadas e constrangidas pelas autoridades que estão no poder.

3 -        No poema, o eu poético afirma que os homens, ao se sentirem traídos pela natureza, buscam refúgio no amor. Essa busca é recompensada de alguma forma? Justifique com o trecho do poema.
     Não. “Refugiamo-nos no amor, / este célebre sentimento, / e o amor faltou [...]”.

4 -        Em um dos versos, o eu poético afirma que “[...] o amor faltou [...]”.
a)      Em sua opinião, por que o eu poético faz essa afirmação?
Em um ambiente de medo, o amor não tem lugar, não tem chance de acontecer.

b)      Indique qual seria a diferença de sentido se o eu poético tivesse usado o verbo “acabou” em vez de “faltou”.
“Acabou” indicaria que o amor teria sido extinto, não havia mais.  “Faltou” indicaria que o amor está ausente naquela situação, embora ainda exista.






CRÔNICA : TRÁGICO ACIDENTE DE LEITURA - MÁRIO QUINTANA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


    TRÁGICO ACIDENTE DE LEITURA
             
  Mário Quintana


         Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho.
Nem lia: deslizava. Quando de súbito a terrível palavra apareceu, apareceu e ficou, plantada ali diante de mim, focando-me: ABSCÔNDITO. Que momento passei! ... O momento de imobilidade e apreensão de quando o fotógrafo se posta atrás da máquina, envolvidos os dois no mesmo pano preto, como um duplo monstro misterioso e corcunda... O terrível silêncio do condenado ante o pelotão de fuzilamento, quando os soldados dormem na pontaria e o capitão vai gritar: Fogo!

                                    QUINTANA, Mário. Nova antologia poética. 5. ed. São Paulo: Globo, 1995.
Fonte: Livro - Tecendo Linguagens - Língua Portuguesa: 8º ano/Tania Amaral Oliveira, Lucy Aparecida Melo Araújo - 5.ed. - Barueri(SP): IBEP, 2018 - p.19.

Fonte da imagem- https://www.google.com/url?sa=i&url=https%3A%2F%2Fpxhere.com%2Fpt%2Fphoto%2F1323594&psig=AOvVaw0prf91-hIgLAaegrUs_cRJ&ust=1617832703743000&source=images&cd=vfe&ved=0CAIQjRxqFwoTCKC7n9TO6u8CFQAAAAAdAAAAABAD
Entendendo a crônica

1 -     O que o narrador considerou um acidente de leitura?
          O fato de alguém ter encontrado uma palavra desconhecida no meio do livro que ele estava lendo.

2 -     Releia o trecho a seguir:
          Tão comodamente que eu estava lendo, como quem viaja num raio de lua, num tapete mágico, num trenó, num sonho. Nem lia: deslizava.
a)       Que ideia é apresentada pelo narrador nesse trecho?
Que estava envolvido na leitura, distante da realidade.

b)       As palavras foram empregadas no sentido literal ou figurado? Justifique sua resposta.
Em sentido figurado: um exemplo é o emprego da expressão “Nem lia: deslizava”, que dá a ideia da suavidade e desenvoltura com que vivia aquele momento.

c)       Podemos afirmar que o ato de ler dá prazer ao narrador? Explique sua resposta.
Sim, ele declara que lê comodamente como quem viaja, quem vive um sonho.

3 -     No texto, o que está sendo comparado ao ato de ser fotografado?
          O fato de um leitor se ver diante de uma palavra desconhecida e parar estático diante dela, como se fosse ser fotografado por alguém.

4 -   Quem fala no texto relata o aparecimento da palavra “abscôndito” no meio de sua leitura. Para você, ela é desconhecida?
          Abscôndito: invisível, escondido, secreto.

5 -     Por que a palavra “abscôndito” aparece em letra maiúscula no texto?
         Porque escrito dessa maneira, ela se destaca, salta aos olhos do leitor, assim como saltou aos olhos do narrador da crônica.

6 -     Localize o emprego de reticências no texto e explique que efeito de sentido elas criam.
         Elas servem para marcar a pausa e indicar a perplexidade do leitor diante da palavra nova. Elas também são usadas para indicar a suspensão da narração, permitindo ao leitor imaginar os sentimentos do narrador.

7 -     É possível imaginar uma cena relacionada com o que está sendo relatado no texto?
          Sim. Ao descrever o momento de perplexidade diante da palavra, o autor usa recursos que nos permitem criar imagens com base no que está sendo relatado.