terça-feira, 19 de setembro de 2017

MÚSICA: DISPARADA (GERALDO VANDRÉ) - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

DISPARADA
                                                   Geraldo Vandré
 
Prepare o seu coração
Pras coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei.

COMPREENDENDO A CANÇÃO

1 – De que fala a letra desta canção?
      Fala da alienação dos trabalhadores rurais, explorados pela opressão do latifúndio, que trata o povo da mesma forma que trata o gado.

2 – Como eu-lírico se apresenta nos primeiros versos?
      Como um sertanejo na cidade grande. É um artista, muito provavelmente um cantor de rua. E é na rua que ele está quando começa a contar sua vida. Tem conhecimento de que, durante a narração, pode não agradar algumas pessoas. Ele sabe que a verdade sempre machuca.

3 – Vandré associa o povo daquele seu sertão a uma boiada, percebemos aqui uma metáfora Explique.
      Ele considera que cada pessoa simples era um boi, e ele como integrante daquela sociedade, era também um boi em toda a boiada.

4 – Na 2ª estrofe, o nosso narrador-personagem nos remete para onde?
      À sua vida no sertão, como pobre ele era acostumado à vida difícil, pois estava face a face com a negação, sempre dizendo “não” e a morte não o assustava, era corriqueira.

5 – No momento em que o eu-lírico diz “mas um dia me montei”, que significa este verso?
      Que montar-se seria assumir definitivamente uma nova posição dentro da boiada, vindo a ter, inicialmente, atitude similar à do fazendeiro.

6 – Por fim, que conclusão chega o boiadeiro?
      De que ele sé será forte-verdadeiramente forte, se estiver em um reino onde não há mais um rei.

7 – Vandré nos apresenta subliminarmente que movimento?
      O Anarquismo, para ele a solução para acabar com a dor da sofrida gente sertaneja. Num reino sem rei, onde o poder não será centralizado nas mãos de uma única pessoa. O poder é de todos, porque são os bois que realizam, o trabalho, enquanto os reis boiadeiros nada fazem.



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