quarta-feira, 13 de setembro de 2017

TEXTO: O TRABALHO QUE EMPOBRECE - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

O trabalho que empobrece

  O trabalho infanto-juvenil, além de ser social e eticamente indesejável, é um instrumento de manutenção da pobreza. Gera perdas financeiras consideráveis, consequentes ao baixo desenvolvimento humano das crianças obrigadas a trabalhar.
 Para chegar a essa condição, basta quantificar o montante de renda que indivíduos com distintas idades de ingresso no mercado de trabalho auferem ao longo de sua vida profissional mais produtiva – entre os 21 e os 25 anos -, como fizeram Antônio Carlos Coelho Campino e Maria Dolores Montoya Diaz, professores da Universidade de São Paulo, em trabalho realizado pela Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social.
          Com base na PNAD de 1995, os pesquisadores chegaram a números que quantificam e atestam a tese de que, quanto mais tarde a pessoa entrar no círculo economicamente ativo, maior será seu salário durante 35 anos de trabalho, tempo de recolhimento compulsório para aposentadoria. Analisou-se o comportamento salarial de quem havia se ocupado em várias faixas etárias.
           As perdas acumuladas por pessoas que ficaram economicamente ativas dos sete aos 14 anos, e cuja idade em setembro de 1995 variava entre os 21 e os 55 anos, representavam perto de 30% do produto interno bruto (PIB). Para termos ideia, ainda segundo o estudo, com R$ 11, 3 bilhões (1% do PIB) seria possível estender à totalidade das crianças trabalhadoras o programa de bolsa-escola (Peti), o que tiraria da ignorância milhares de trabalhadores-mirins de sete a 14 anos e elevaria seus ganhos salariais e, consequentemente, o PIB.
           Quanto a criança começar a trabalhar aos sete anos, vai receber ao longo da vida 37% menos, em média, do que receberia se tivesse ingressado no mercado de trabalho aos 14. Se a comparação for com uma pessoa que começou a trabalhar aos 21 anos, o percentual de perda de quem iniciou na labuta aos sete anos pulará para 50%.
            O estudo dos pesquisadores da USP oferece muitas evidencias de que o principal impacto do trabalho infantil ocorre sobre o nível de escolaridade atingido por trabalhadores-mirins. Como há estreita relação entre a idade e o ingresso no trabalho e o grau de instrução, chega-se à ligação, também, entre trabalho infantil e perdas salariais.
            Se o principal desafio das democracias em construção na América Latina é vencer a pobreza, faz-se necessário que os discursos bem-intencionados de governos e organismos internacionais sejam transformados em ações urgentes.
            Só assim se terá uma forma de luta efetiva contra o trabalho infantil basta mais dizer que se combate a formação de exércitos de adultos, jovens e crianças lançados à violência das drogas e do narcotráfico; nem que se reduzem os índices de mortalidade infantil, desnutrição e fome.
            Essa crise crônica, afinal, é financeira, administrativa, de gestão? Sem uma resposta, todos continuarão a assistir, em camarotes cada vez mais eticamente desqualificados, à repetição da barbárie a que são submetidas as crianças trabalhadoras.

(Ari Cipola. O trabalho infantil. São Paulo: Publifolha, 2001. p. 80-2).

1.Geralmente as crianças ingressam na vida profissional para aumentar a renda familiar. No entanto, o autor do texto defende o ponto de vista de que, a longo prazo, essa iniciativa traz consequências negativas. Com base no 1º parágrafo do texto, responda: Qual é a tese ou a ideia principal sobre o trabalho infantil defendida pelo autor?
      Que o trabalho infanto-juvenil além de ser social e eticamente indesejável é instrumento de manutenção da pobreza.

2. O parágrafo de um texto argumentativo pode ser construído de diferentes formas. Uma delas. A mais comum, é a que faz uso de uma declaração inicial. Esse tipo de parágrafo é introduzido por meio de uma afirmação, desenvolvida por ideias secundárias. Observe o 1º parágrafo.
a) Qual é declaração que inicia o parágrafo?
      Que o trabalho infanto-juvenil é um instrumento de manutenção da pobreza.

b) Qual é o trecho em que aparece a ideia secundária?
      “Gera perdas financeiras consideráveis.”

3.Outro tipo de desenvolvimento é o que faz uso de citação, ou seja para fazer valer seu ponto de vista, o autor utiliza o pensamento de autoridades ou de especialistas no assunto. Também pode se valer de dados de pesquisa de órgãos ou entidades reconhecidas na área. De que forma o autor utiliza a citação como argumento no texto?
      Ele utiliza a citação baseando em especialistas no assunto.

4. Outra forma bastante comum de desenvolvimento de parágrafo é a que faz uso de comparação. Que tipo de comparação o autor desenvolve no 4º e no 5º parágrafos do texto?  
      Compara as perdas acumuladas das pessoas por começarem a trabalhar a partir dos 7 aos 14 anos com relação a quem começa aos 21 anos, as perdas podem chegar a 50%. 

5. Também é comum o desenvolvimento do parágrafo por meio de o estabelecimento de relações de causa e consequência. No 6º parágrafo, por exemplo, é apontada a causa de os trabalhadores-mirins ganharem menos ao longo da vida (consequência). Qual é a causa?
      A causa é o nível de escolaridade atingido por trabalhadores-mirins.

 6. Outra forma de desenvolver o parágrafo é a que faz uso da interrogação, ou seja, o autor introduz o parágrafo com uma pergunta que é respondida pelo próprio texto. Trata-se, na verdade, de uma forma simpática de envolver o leitor e despertar seu interesse. Há, no texto em estudo, em parágrafo desenvolvido por meio de interrogação? Se sim, identifique-o.
      SIM. “Essa crise crônica, afinal, é financeira, administrativa, de gestão?”

   7. Nos últimos parágrafos, o autor conclui o texto posicionando-se sobre as saídas existentes para combater o trabalho infantil. Na opinião dele:
a)   Qual é a forma realmente eficaz para erradicar o trabalho infantil?
Para vencer a pobreza, faz-se necessário que os discursos bem-intencionados sejam transformados em ações urgentes.

b)   Essa conclusão é compatível com a tese defendida no início do texto? Por quê?
SIM. Pois inicia-se mostrando o quanto o trabalho infanto-juvenil é um instrumento de manutenção da pobreza.


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