segunda-feira, 25 de setembro de 2017

TEXTO: NEGROS, ÍNDIOS E BRANCOS MISTURADOS - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

NEGROS, ÍNDIOS E BRANCOS MISTURADOS

        A escravidão no Brasil foi oficialmente abolida no dia 13 de maio de 1888, por uma lei que levava a assinatura da princesa Isabel. Mas, três séculos antes disso, os escravos rebelados construíram um país independente onde se tornaram homens livres.
        O país Palmares começou a surgir em 1597 e durou até 1694. Seu território se estendia por 150 quilômetros de comprimento e 50 de largura, nos estados de Alagoas e Pernambuco, entre os rios Ipojuca e paraíba. Era uma região de serras de até 500 metros de altitude, coberta por florestas e de acesso muito difícil – principal razão da sua sobrevivência. Sua população variou muito em cem anos. Os holandeses, que dominaram Pernambuco de 1630 a 1654, reconheciam em Palmares duas povoações, com 6 mil habitantes no total. Mas, depois de 1670, os relatos dos portugueses falam em mais de 20 mil habitantes. No auge, Palmares teve nove cidades, ou mocambos. Os historiadores divergem sobre esse número e sobre a localização das aldeias. A única conhecida, com certeza, é a capital, Macaco, na serra da Barriga.
        Em moldes africanos, a confederação constituía um Estado. Cada mocambo tinha seu chefe. Juntos, eles elegiam o rei do quilombo. Em caso de ataques dos portugueses ou de expedições guerreiras para libertar escravos de engenhos e fazendas, as forças dos mocambos se uniam.
        Palmares não abrigava apenas escravos fugidos. Era uma sociedade multirracial e miscigenada de negros, índios e até brancos pobres. Os ritos africanos conviviam com o catolicismo. Além de fabricarem armas e ferramentas com a metalurgia trazida de África, os palmarinos plantavam milho, fumo, batata e mandioca. E faziam comércio com os vizinhos. A produção era trocada por munições, armas, sal, tecidos e ferramentas. Foram cem anos de convivência – em paz e em guerra.

                 Ricardo Arnt e Ricardo Bonalume Neto. A cara de Zumbi.
                    In: Superinteressante, ano 9, n. 11, nov. 1995, p. 32-41.

1 – Indique características de Palmares advindas dos costumes africanos.
      Características advindas dos costumes africanos: Palmares era uma confederação formada por nove mocambos, sendo que cada um deles possuía seu chefe. Os chefes, unidos, elegiam o rei do quilombo. Quando precisavam se defender, uniam-se. Mantinham ritos africanos e fabricavam armas e ferramentas com a metalurgia trazida da África.

2 – Indique características de Palmares advindas da miscigenação com outras raças.
      Características advindas da miscigenação: Aceitavam o catolicismo. Plantavam milho, fumo, batata e mandioca. Faziam comercio com os vizinhos, trocando a produção por armas, munições, sal, tecidos e ferramentas.

         Palmares era uma exceção: lá, os negros fugidos das fazendas podiam desfrutar de um pouco de liberdade. Fora dos quilombos, entretanto, por mais de 300 anos, os negros viveram, aqui no Brasil, presos a seus “proprietários”, trabalhando de sol a sol até morrer, completamente aniquilados por um regime de escravidão injusto e infame.
        Um século depois da abolição, como estará a vida dos negros em nosso país? Leia um trecho deste depoimento de Wilson da Silva.
        Estudo na Universidade de São Paulo (USP) desde 1985. Sou formado em História, sou mestre em Cinema e, atualmente, faço doutorado na mesma área. Centenas de outros já trilharam esse percurso. O que poderia fazer desse caso algo digno de nota nesta revista?
        Provavelmente uma coisa: sou negro.
        Para a maioria dos leitores, minha história é um exemplo de que sempre “é possível chegar lá”, desde que haja esforço e determinação. Eu não vejo as coisas assim. Sou uma exceção às regras perversas que regem a vida de negros e negras neste país.
        Isso ficou evidente desde o primeiro dia em que cheguei à universidade. Fui praticamente o único estudante negro nas salas de aula. E nunca tive um professor negro Em compensação, cruzei com centenas de negros limpando as salas, cuidando dos jardins da universidade, servindo café e atuando em outros serviços em tese menos qualificados. Seriam essas tarefas o indício de que os negros são piores do que os brancos? Evidentemente não. Apenas revelam o fato de que o Estado e a sociedade no Brasil continuam impedindo que os negros construam uma história diferente. Mesmo depois da abolição.
        Como podemos ser livres se, no supermercado ou nas portas giratórias dos bancos, somos tratados como “suspeitos até que se prove o contrário”? Como conseguir oportunidades profissionais numa sociedade que nos vê como seres inferiores, cidadãos de segunda linha?
        [...]
                              Superinteressante, ano 15, n. 7, jul. 2001. p. 106.

1 – Que resposta você daria às perguntas feitas pelo autor do texto?
      Resposta pessoal do aluno. Considerar que, para as primeiras perguntas feitas, o próprio autor dá as respostas.

2 – A luta travada por Zumbi há mais de 300 anos ainda persiste? Por quê?
      Sim. Porque os negros ainda são discriminados.

3 – Observe como o autor inicia seu texto: que estratégia ele utilizou para surpreender o leitor?
      Ele traça um rápido perfil de si mesmo, mas não revela que é negro, fazendo-o apenas posteriormente.

4 – O autor quer, também, convencer o leitor de suas ideias. Para fundamentar suas afirmações, usa determinados argumentos. Na sua opinião, eles são convincentes? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. Sem dúvida, ele afirma alguns dados irrefutáveis: “era o único negro nas salas de aula”; “Não teve professor negro”. Havia muitos jardineiros e faxineiros negros na universidade.

5 – Que outros exemplos, além dos citados, poderiam engrossar a lista de atitudes preconceituosas disfarçadas contra os negros?
      Resposta pessoal do aluno. Lembrar os elevadores de serviço nos prédios e os anúncios de empresas que procuram funcionários, nos quais se exige “boa aparência” para preencher as vagas. Lembrar também a descriminação no trabalho. Muitos produtos de beleza tentam impor às mulheres negras o padrão de beleza das brancas. A discriminação está presente também na linguagem: “Amanhã é dia de branco” e outros.




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