terça-feira, 26 de setembro de 2017

POEMA: O FOGO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO

O FOGO

        O fogo não é apenas o que arde nos raios do sol, em nossos fogões ou nas cabeças de fósforos. Nossos poetas sempre cantaram o fogo que arde dentro de nós feito paixão, angústia e amor.
Confira nos versos do famoso poeta português Luís de Camões.




        Amor é fogo que arde sem se ver;
        É ferida que dói e não se sente;
        É um contentamento descontente;
        É dor que desatina sem doer;

        É um não querer mais que bem querer;
        É solitário andar por entre a gente;
        É nunca contentar-se de contente;
        É cuidar que se ganha em se perder;

        É querer estar preso por vontade;
        É servir a quem vence, o vencedor;
        É ter com quem nos mata lealdade.

        Mas como causar pode seu favor
        Nos corações humanos amizade,
        Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
                                    Luís de Camões. Camões; Lírica. São Paulo:
                                                                           Cultrix, 1968. p. 123.
1 – Transcreva em seu caderno os versos em que o autor faz estas afirmações:
a)   Quem ama só se sente feliz ao lado da pessoa amada.
“É solitário andar por entre a gente”

b)   Quem ama é leal e nem sempre recebe da pessoa amada a mesma consideração.
“É ter com quem nos mata lealdade”.

c)   Quem ama renuncia à sua própria liberdade.
“É querer estar preso por vontade”.

d)   Quem ama tem sempre uma inquietação interior.
“É nunca contentar-se de contente”.

2 – Que palavra, na última estrofe do texto, resume tudo o que o poeta quer dizer sobre o amor?
      Contrário.

3 – Anote em seu caderno a resposta correta. A contradição do amor se concretiza no poema por meio de:
a)   Características diferenciadas entre o que aparenta ser e o que realmente é:
b)   Características negativas que o autor ressalta usando palavras desalentadoras.
c)   Características opostas que se contradizem em cada verso.

4 – Até a terceira estrofe, o poeta preocupa-se em definir o amor. Que palavra, na quarta estrofe, vem anunciar um questionamento?
      A palavra MAS.

5 – Como você responderia à indagação final do poeta?
      Resposta pessoal do aluno.

6 – O grupo Legião Urbana adaptou e musicou o poema que acabamos de analisar, acrescentando os seguintes versos, inspirados nos versículos bíblicos (I Coríntios: 13) ao início da música:

“Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.
É só o amor, é isso o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.”


Como você justificaria a escolha do grupo por textos tão antigos?
      Resposta pessoal do aluno: Considerar que o amor é universal e atemporal. Existirá enquanto existirem seres humanos. Isso, além, é claro, da genialidade dos textos.

7 – “Amor é fogo”. Em sua opinião, vale a pena “queimar-se”?
      Resposta pessoal do aluno.

8 – Com relação à palavra amor:
a)   Por que é escrita, no poema, com letra maiúscula?
Porque se refere ao amor genérico, um sentimento universal, não somente àquele entre duas pessoas apaixonadas.

b)   Por que é a primeira e a última palavra do poema?
Essa palavra abre e fecha o poema porque é fundamental: Tudo gira em torno do amor, embora não seja possível defini-lo.

9 – Marque as sílabas finais dos versos em cada estrofe. O que você nota?
      Os sons se assemelham. Há rimas intercaladas nos dois primeiros quartetos – abba, abba – e também nos dois tercetos – cdc, dcd.

10 – O que é possível afirmar sobre a extensão dos versos?
        Os versos têm a mesma extensão: são decassílabos (dez sílabas poéticas).

11 – É possível “cantar”, com facilidade, esse poema. Por quê?
      Existe um ritmo no texto, proporcionado pela métrica: todos os versos têm dez sílabas poéticas, com tônicas na sexta e na décima sílaba.


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