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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

PROSA: QUER NAMORAR? QUERO... DRUMMOND AMORIM - COM QUESTÕES GABARITADAS

Prosa: Quer namorar? Quero...    

Drummond Amorim

        Minha namorada sempre foi a Bete, sempre. Nós nos amamos há muito tempo. Nós vamos nos amar para sempre, e quando a gente crescer vai se casar.
        Ela, primeira e única, já muito tempo me aguenta, quem sabe se arrependeu.
        Convidei para uma serenata em casa, veio. No meio do peixe vivo, o assalto: “Quer namorar”?
        “Quero”. Na bucha.
        O primeiro beijo, estava chovendo, foi debaixo da sombrinha. Pedi no rosto, virei a cara na hora, foi estrela pra tudo quanto era lado. Choveu colorido neste dia. Eu flutuei, pisei em ovos, sentimental e apaixonado. Para sempre.
        Uma das últimas da Bete. Veio falar em casamento. Só para fazer charme, encolhi os ombros. “Tanto faz.” Fechou a cara, fez beicinho: “Então, você não me ama”. O jeito foi concordar: “Tá legal, será um casório fora-de-série”.
        Mas, se tem briga, eu vou dizendo: “Não caso mais”. Em tempo de paz, depois da tempestade: “Nosso amor vai ficar na história”; “Tomara que dê certo”, eu torço. “Vai dar”, diz ela.
        Até falei para Seu Miguel, o sogro: “Pode ir arrumando o enxoval”. Dona Matilde: “Uai, já?”. Respondo: “Falta ficar noivo e arrumar um emprego”. “Não Senhor, primeiro arrumar o emprego. Essas crianças...”, diz Dona Matilde, rindo. “Criança o quê, Dona Matilde, tá com medo de ser avó”. “Miguel, esse menino tá perdendo o respeito”.
                       Xixi na cama. Drummond Amorim.
                        Fonte: Livro – Encontro e Reencontro em Língua Portuguesa – 5ª Série - Marilda Prates – Ed. Moderna, 2005 – p.191-2.
Entendendo a prosa:

01 – Quais são as quatro ideias contidas no primeiro parágrafo?
      A namorada única: Bete / O amor de muito tempo / O amor eterno / O casamento.

02 – A partir da expressão: “...já muito tempo me aguenta...”, o que é possível concluir?
      Que a personagem talvez dê trabalho a Bete, irrite-a, deixe-a triste.

03 – A personagem diz ainda: “... quem sabe se arrependeu...”. Essa ideia é confirmada pelo texto? Justifique sua resposta.
      Não. Porque Bete aceitou o namoro e ambos falam em casamento.

04 – Descreva as cenas do pedido de namoro e do primeiro beijo. Observe antes a linguagem usada e descubra o significado das expressões.
a)   “Na bucha”.
No mesmo momento, na mesma hora, em cima.

b)   “... foi estrela pra tudo quanto era lado. Choveu colorido... Eu flutuei, pisei em ovos...”.
A emoção foi tanta que chegou a ver estrelas. Parecia algo irreal, mágico. Sentiu-se leve como se não tocasse os pés no chão.

05 – “No meio do peixe vivo, o assalto...”. Explique o significado da expressão em negrito.
      A personagem refere-se à música Peixe vivo, canção folclórica mineira.

06 – Compare as frases a e b e conclua sobre a linguagem utilizada em cada uma delas.
a)   “No meio do peixe vivo, o assalto: “Quer namorar”? “Quero”. Na bucha.”
b)   Enquanto cantávamos, em uma serenata, a música “peixe vivo”, perguntei para Bete: “Quer namorar comigo?” E ela respondeu sem pensar: “Quero”.
As duas frases têm o mesmo significado apresentado de formas diferentes.

07 – “Uma das últimas da Bete”. Últimas o quê?
      Últimas atitudes, últimas invenções.

08 – Volte ao 6° parágrafo. Que assunto é abordado? Descreva as atitudes e reações de cada personagem.
      O casamento é o assunto abordado. Bete fala em casamento. O garoto faz charme, a menina fica aborrecida e faz beicinho. O garoto concorda.

09 – “Nós nos amamos há muito tempo.”
a)   O verbo haver está no passado, presente ou futuro?
Está no presente.

b)   O que o verbo haver indica?
Uma ação que começou no passado e continua no presente.

10 – Qual a função das aspas no texto?
      Destacar as falas das personagens.

11 – “Criança o quê, Dona Matilde, tá com medo de ser avó”. “Miguel, esse menino tá perdendo o respeito”.
a)   O que expressa a fala de Dona Matilde?
Ela acha que o garoto está tomando liberdade demais para com os mais velhos.

b)   E o que expressa a fala do garoto?
Expressa que ele não se considera criança. Ele brinca com Dona Matilde.

12 – Agora, conclua: Por que o autor conseguiu colocar poesia no texto escrito em prosa?
      Porque foi usada a linguagem comparativa, as figuras de linguagem.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

PROSA: TRANSPLANTE DE MENINA - TATIANA BELINY -(ATIVIDADE ELABORADA PELA PROFª MARIA FERNANDES, AUTORA DE LIVROS DIDÁTICOS)

Prosa: Transplante de Menina (Atividade elaborada pela professora Maria Fernandes, autora de livros didáticos).
                    Tatiana Belinky

        Corria o ano de 1931.
        Aproximava-se a data do meu aniversário: eu ia completar (dez/onze/doze) anos. Lá em Riga, nossos aniversários eram comemorados com animadas reuniões, no meio de uma grande família: avós, tios e tias, muitos primos e primas, a casa toda (enfeitada/desarrumada/feia), teatrinho feito por nós mesmos, jogos, cirandas, cantorias. E muitos presentes, muitos bolos e doces, e principalmente muito carinho e (tormento/aconchego/tristeza). A cadeira do aniversariante, na cabeceira da mesa, era decorada como um trono, com grinaldas e enfeites de papel, a criançada toda endomingada, ostentando chapéus de penacho e coroas de flores de crepom, tudo confeccionado por nossas próprias mãos. Eram eventos festivos, aguardados com palpitante antecipação, e registrados em (cartões/bilhetes/fotografias) feitas com “explosões” de magnésio, que faziam metade do grupo sair na foto de olhos fechados, e a outra, de olhos arregalados...
        Mas os nossos primeiros aniversários no Brasil nem chegaram a ser comemorados, passaram “em branca nuvem”, em meio à afobação e aos mil problemas da grande mudança. Assim, o dia dos meus 11 anos não teve festa. Mas agora eu ia fazer 12, e estava na Escola Americana, e (morávamos/corríamos/saíamos) numa casa bastante espaçosa, e eu tinha uma porção de coleguinhas – e achei que já poderia recebê-los. Achei, mas não falei nada: a proposta de fazer uma festinha para mim partiu dos meus pais, e eu, claro, fiquei (pouco/muito/sem) contente. Eu deveria convidar alguns meninos e algumas meninas da minha classe, aqueles com quem me relacionava melhor, uns dez ou doze. (Mamãe/saída/quando) prepararia uma bonita mesa de doces e refrigerantes – uma extravagância, nas nossas condições econômicas. E eu e meu irmão faríamos a decoração com enfeites de papel, chapéus e bandeirolas, como fazíamos em lá em Riga. E eu teria minha primeira festa de aniversário no Brasil.
      Dito e feito. Escrevi até convites, com letra caprichada, em cartões com vinhetas (tristes/coloridas/coloridos) da minha própria lavra, e os entreguei aos colegas de classe, na escola, alguns dias antes do evento, encabulada e contente com a receptividade amável dos convidados.
        Quando chegou o dia – era um sábado, dia sem aulas na Escola Americana – preparei tudo, enfeitei a sala, me “enchiquetei” com o primeiro vestido e o primeiro par de sapatos (novos/novas/sujos) desde que chegamos a São Paulo, e esperei pelos meus convidados, ao lado da mesa toda decorada e cheia de guloseimas. Os convidados estavam demorando a chegar, mas já me haviam dito que no Brasil não se costuma chegar na hora, especialmente em festas – pontualidade também era “coisa de estrangeiros” –, então não me preocupei muito, apesar da natural impaciência. Só que a demora estava se prolongando, e uma hora depois da hora marcada ainda não chegara ninguém. Nem duas horas depois. E nem três. E a minha aflição aumentando, a angústia subindo como um nó na garganta, um aperto no coração...
        Resumindo, a triste e interminável tarde chegou ao fim, e (amanheceu/anoiteceu/saiu) sem que aparecesse um só dos meus convidados, nem um único! Frustração, decepção, rejeição – essas foram as minhas companheiras naquele malfadado (presente/aniversário/alegria) dos meus doze anos. Eu não era de chorar, e diante dos meus aflitos pais, que não sabiam o que fazer para me ajudar naquele transe amargo, eu não podia “dar parte de fraca”. Mas a noite, na minha cama, quando ninguém viu, (chorávamos/chorarei/chorei) muito, sufocando as lágrimas no travesseiro. E no ano seguinte eu não quis festa nenhuma.
      Este foi um dos grandes traumas de transição do meu primeiro ano no Brasil, na Rua Jaguaribe. Felizmente, foi também um dos últimos, senão o último, de tamanho impacto. Mas que me deixou uma “equimose” na alma, que custou muito a desaparecer.

BELINKY, Tatiana. Transplante de menina: da rua dos Navios à rua Jaguaribe.
São Paulo: Moderna, 2003, p. 153-155. (Adaptado)
Fonte:(ATIVIDADE ELABORADA PELA PROFª MARIA FERNANDES, AUTORA DE LIVROS DIDÁTICOS) 

Entendendo a prosa:
01 – Leia o trecho a seguir: “[...] Eram eventos festivos, aguardados com palpitante antecipação, e registrados em fotografias feitas com “explosões” de magnésio, que faziam metade do grupo sair na foto de olhos fechados, e a outra, de olhos arregalados [...]”. Sobre o emprego dos tempos verbais no trecho apresentado, é possível afirmar que a palavra:
a)   “Eram” expressa uma ação concluída no presente.
b)   “Faziam” indica um fato rotineiro e ação passada.
c)   “Aguardados” indica um fato não habitual concluído no passado.
d)   “Sair” expressa uma ação corriqueira e concluída no presente. Habilidade Localizar uma informação explícita em um texto (notícia, relato de viagem, diário, crônica social ou crônica esportiva).

02 – Os primeiros aniversários no Brasil passaram “em branca nuvem” devido à:
a)   Ausência dos avós, tios e tias, primos e primas.
b)   Afobação e aos mil problemas da grande mudança.
c)   Extravagância, nas condições econômicas da família.
d)   Necessidade de convidar alguns colegas da escola.

03 – O uso do travessão em “[...] eu tinha uma porção de coleguinhas – e achei que já poderia recebê-los”, indica que o narrador está fornecendo ao leitor uma:
a)   Informação a mais.
b)   Explicação rotineira.
c)   Afirmação sem importância.
d)   Indicação de que está triste.

04 – No texto, a expressão “[...] nossos primeiros aniversários no Brasil nem chegaram a ser comemorados, passaram ‘em branca nuvem’” marca a:
a)   Alegria da família em promover uma festa de 12 anos
b)   Desilusão da menina em não comemorar seus 12 anos.
c)   Tristeza da aniversariante por não receber os parentes que moram em Riga.
d)   Decepção da garota por convidar somente alguns meninos e meninas da classe.

05 – Releia o texto, procurando nos parênteses as palavras mais adequadas para completa-lo.
      As palavras, na ordem, são: doze; enfeitada; aconchego; fotografias; morávamos; muito; mamãe; coloridas; novos; anoiteceu; aniversário; chorei.

06 – Explique por que esse texto não é uma receita, nem um manual, nem uma história em quadrinhos, nem uma poesia.
      O texto não apresenta “ingredientes e modo de fazer”, instruções para o funcionamento de um objeto, ilustrações e balões em quadrinhos nem versos.

07 – Que tipo de texto é este?
      É um texto literário, narrado “em prosa”.

08 – Explique o que significa:
·        Endomingada: roupas usadas aos domingos.
·        Passar em branca nuvens: não acontecer nada de importante.
·        Equimose na alma: marca, ferida.
·        Enchiquetei: fiquei chique.
·        Coisas de estrangeiros: costume de pessoas que vieram de outros países.
·        Dou parte de fraca: ficar triste, enfraquecer.

09 – Escreva uma frase ou um parágrafo que resuma o assunto do texto.
      É a história de uma menina que preparou uma festa de aniversário à qual nenhum colega ou convidado compareceu.

10 – Compare a festa de aniversário que as pessoas costumavam fazer em Riga e a festa de 12 anos da personagem.
      Em Riga os aniversários eram comemorados com festas animadas, teatro, cantorias, enfeites, presentes e, principalmente, muito carinho.
      A festa de doze anos da personagem foi preparada com cuidado e carinho (convites, doces e guloseimas, roupa, sapato), mas, na verdade, não aconteceu. Foi muito triste.

11 – Encontre os substantivos próprios presentes no texto. Que papel eles representam na narrativa?
      Os substantivos próprios são: Riga, Brasil, Escola American, São Paulo, Rua Jaguaribe. São substantivos que representam nomes de lugares, importantes para situar a narrativa da personagem.


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

PROSA: O SERTANEJO - JOSÉ DE ALENCAR - COM QUESTÕES GABARITADAS

Prosa: O sertanejo

      O moço sertanejo bateu o isqueiro e acendeu fogo num toro carcomido, que lhe serviu de braseiro para aquentar o ferro; e enquanto esperava, dirigiu-se ao boi nestes termos e com um modo afável:
        – Fique descansado, camarada, que não o envergonharei levando-o à ponta de laço para mostrá-lo a toda aquela gente! Não; ninguém há de rir-se de sua desgraça. Você é um boi valente e destemido; vou dar-lhe a liberdade. Quero que viva muitos anos, senhor de si, zombando de todos os vaqueiros do mundo, para um dia, quando morrer de velhice, contar que só temeu a um homem, e esse foi Arnaldo Louredo.

        O sertanejo parou para observar o boi, como se esperasse mostra de o ter ele entendido, e continuou:
        – Mas o ferro da sua senhora, que também é a minha, tenha paciência, meu Dourado, esse há de levar; que é o sinal de o ter rendido o meu braço. Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo. Eu também trago o seu ferro aqui, no meu peito. Olhe, meu Dourado.
        O mancebo abriu a camisa, e mostrou ao boi o emblema que ele havia picado na pele, sobre o seio esquerdo, por meio do processo bem conhecido da inoculação de uma matéria colorante na epiderme. O debuxo de Arnaldo fora estresido com o suco do coipuna, que dá uma bela tinta escarlate, com que os índios outrora e atualmente os sertanejos tingem suas redes de algodão.
        Depois de ter assim falado ao animal, como a um homem que o entendesse, o sertanejo tomou o cabo de ferro, que já estava em brasa, e marcou o Dourado sobre a pá esquerda.
        – Agora, camarada, pertence a D. Flor, e portanto quem o ofender tem de haver-se comigo, Arnaldo Louredo. Tem entendido? ... Pode voltar aos seus pastos; quando eu quiser, sei onde achá-lo. Já lhe conheço o rasto.
        O Dourado dirigiu-se com o passo moroso para o mato; chegado à beira, voltou a cabeça para olhar o sertanejo, soltou um mugido saudoso e desapareceu. Arnaldo acreditou que o boi tinha-lhe dito um afetuoso adeus.
        E o narrador deste conto sertanejo não se anima a afirmar que ele se iludisse em sua ingênua superstição.

José de Alencar. O sertanejo. Rio de Janeiro: Livraria Garnier,
[s.d.]. tomo II, p. 79-80. Adaptado.
Entendendo a prosa:
01 – Numa leitura atenta do trecho apresentado, verifica-se que o último parágrafo contém:
a)             A resposta do boi à atitude do vaqueiro.
b)             A certeza do sertanejo de que o boi realmente o entendeu.
c)             Um monólogo interior de Arnaldo Louredo.
d)             Um comentário do narrador sobre os fatos narrados.
e)             Uma reflexão da personagem sobre o que acaba de vivenciar.

02 – Considere as seguintes palavras do texto:
I. Moço.    II. Mancebo.    III. Sertanejo.    IV. Valente.
        As palavras utilizadas pelo narrador para referir-se a Arnaldo Louredo estão contidas apenas em:
    a) I e II.  
    b) II e III.  
    c) III e IV.  
    d) I, II e III.  
    e) II, III e IV.

03 – Ser dela, não é ser escravo; mas servir a Deus, que a fez um anjo.
      Com esta visão que o sertanejo tem de sua senhora, fica perfeitamente caracterizado no relato um dos traços fundamentais da literatura do Romantismo:
    a) Idealização.  
    b) Animização.  
    c) Escapismo.  
    d) Condoreirismo.  
    e) Mal do Século.

04 – O emprego da palavra camarada pelo vaqueiro, com relação ao boi, caracteriza:
I. Uma expressão de fadiga.
II. Uma atitude amistosa para com o boi.
III. O tratamento do animal como um companheiro.
IV. O desprezo pelo boi como um inimigo.
É correto o que se afirma apenas em:
    a) I e II.  
    b) II e III.  
    c) III e IV.  
    d) I, II e III.  
    e) II, III e IV.

05 – Tomando por base que estresido é particípio do verbo estresir, que significa no texto a passagem da marca da senhora para o peito do vaqueiro por meio de papel, tinta e um instrumento furador, complete a lacuna da seguinte frase com a forma adequada do pretérito perfeito do indicativo do verbo estresir:
A bordadeira _________ o desenho sobre o pano.
    a) Estresou  
    b) Estreseu  
    c) Estrisiu  
    d) Estresinhou  
    e) Estresiu.