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terça-feira, 15 de setembro de 2026

CRÔNICA: CARTA A UM JOVEM QUE FOI ASSALTADO - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 CRÔNICA: CARTA A UM JOVEM QUE FOI ASSALTADO

                    Moacyr Scliar

 

        “Foste assaltado. Bem, a primeira coisa a dizer é que isso não chega a ser um fato excepcional. Excepcional é ganhar um bom salário, acertar a loto: mas ser assaltado é uma experiência que faz parte do cotidiano de qualquer cidadão brasileiro. Os assaltantes são democráticos: não discriminam idade, nem sexo, nem cor, nem mesmo classe social – grande parte das vítimas é das vilas populares.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLssXh84qXLeZK8RDWMDxDlVptrcNnWyzz8KaH37mjZeo3L7d3jUhRvV7vlcaYylXQHCYVz_GQ0sTatbl3nNwH2aXAcPPjzY3IB_M01U5dncqgO0QRSU04h78ic3DEuuGQx1n4V9BycyOtPwk-eZ_ioSM2Ela9lBFx9WGOn_6FgPSTbMKjZE9HPKT5_Vk/s1600/images.jpg


        É claro que na hora não pensaste nisso. Ficaste chocado com a fria brutalidade com que o delinquente te ordenou que lhe entregasse a bicicleta (podia ser o tênis, a mochila, qualquer coisa).

        Entregaste e fizeste bem: outros pagaram com a vida a impaciência, a coragem ou até mesmo o medo – não poucos foram baleados pelas costas.

        Indignação foi o sentimento que te assaltou depois. Afinal, era o fruto do trabalho que o homem estava levando. Não fruto do teu trabalho – até poderia ser – mas o fruto do trabalho do teu pai, o que talvez te doeu mais.

        Ficaste imaginando o homem passando a bicicleta para o receptador, os dois satisfeitos com o bom negócio realizado. É possível que o assaltante tenha tido, nunca ganhei dinheiro tão fácil.

        E, pensando nisso, a amargura te invade o coração. Onde está o exército?  Por que não prendem essa gente?

        Deixa-me dizer-te, antes de mais nada, que a tua indignação é absolutamente justa. Não há nada que justifique o crime, nem mesmo a pobreza.

        Há muito pobre que trabalha, que luta por salários maiores, que faz o que pode para melhorar a sua vida e a vida de sua família – sem recorrer ao roubo ou ao assalto. Mas tudo que eles levam, os ladrões e os assaltantes, são coisas materiais. E enquanto estiverem levando coisas materiais, o prejuízo, ainda que grande, será só material.

        Mas não deves deixar que te levem o mais importante. E o mais importante é a tua capacidade de pensar, de entender, de raciocinar.

        Sim, é preciso se proteger contra os criminosos, mas não é preciso viver sob a égide do medo.

        Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente. Deve-se repudiar o que fazem os bandidos, mas deve-se evitar o banditismo.

        Eles te roubaram. É muito ruim, isso. Mas que te roubem só aquilo que podes substituir. Que não te roubem o coração.” 

 

SCLIAR, Moacyr. Moacyr Scliar (seleção e prefácio de Luís Augusto Fischer). São Paulo: Global, 2004. p. 267-268 (Coleção Melhores Crônicas).

 

Entendendo a crônica:

01 – De acordo com o primeiro parágrafo da crônica, qual é a perspectiva do autor sobre a ocorrência de assaltos no cotidiano brasileiro?

a) É um fenômeno recente que afeta apenas quem anda com objetos de grande valor.

b) É um acontecimento raro que atinge principalmente a população de alto poder aquisitivo.

c) É um fato comum que afeta pessoas de diferentes classes e idades.

d) É uma situação inevitável que decorre exclusivamente do desemprego entre os jovens.

02 – Por que o autor afirma que o jovem 'fez bem' em entregar a bicicleta ao assaltante?

a) Porque a polícia recupera com facilidade bens roubados como bicicletas.

b) Porque o valor econômico do bem roubado era insignificante para a família.

c) Porque o jovem já pretendia comprar outro transporte mais moderno.

d) Porque a reação física poderia ter resultado na perda da própria vida.

03 – Qual é o posicionamento do narrador em relação ao sentimento de indignação do jovem assaltado?

a) Acha-a preconceituosa, por associar diretamente a pobreza à criminalidade.

b) Julga-a exagerada, visto que o jovem não sofreu agressões físicas graves.

c) Entende-a como ingênua, já que o jovem deveria estar acostumado com a violência.

d) Considera-a legítima, pois a pobreza não serve de justificativa para o crime.

04 – No trecho 'Deve-se botar trancas e alarmes nas portas, não em nossa mente', qual reflexão o autor propõe?

a) As medidas de segurança residencial são ineficazes se o cidadão continuar com medo na rua.

b) Deve-se adotar precauções físicas sem permitir que o medo paralise a capacidade crítica e a sensibilidade.

c) O trauma do assalto é superado apenas com investimentos em tecnologia de vigilância.

d) A solução para a violência depende do isolamento total das pessoas em suas residências.

05 – Ao concluir a crônica recomendando 'Que não te roubem o coração', o autor expressa o desejo de que o jovem:

a) Preserve sua humanidade e não se torne ressentido ou violento como os assaltantes.

b) Esqueça completamente o bem material roubado e compre um novo imediatamente.

c) Evite frequentar locais públicos para não passar novamente pela mesma experiência.

d) Busque justiça com as próprias mãos para recuperar a paz interior.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

CRÔNICA: O RÁDIO APAIXONADO - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Crônica: O rádio apaixonado

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj2cbEg5fuEWJ4Jd9C4TzTnjg_lgh7RuRz8jPW5jCXkd8yNPl_HO3ILChiRUM-lW3w-_IJeA-Id9ae1lary1M-fl1mtbuyiAnUTya_QZ22xJ6SHFeJPkiSlBS9l7_hBUODamE8Pr5jshG5wlmSTlWe67eQ_kpmg1fD6438Vg68xU9Vy0bljnpcdVS9Bmkk/s320/Pinterest(1).png

               Moacyr Scliar

        MINHA QUERIDA DONA, sei que você anda se queixando de mim, publicamente, até. Você não pode imaginar o sofrimento que isto me causa, mesmo porque você provavelmente acha que rádios são objetos inanimados, sem vida própria.

        Você está enganada. Ao menos no meu caso, você está enganada. Ao contrário do que você pensa, tenho sentimentos, tenho emoções. É em nome desses sentimentos e dessas emoções que lhe falo agora, tanto em AM como em FM. Na verdade, eu nem tinha tomado conhecimento de minha própria existência, até que fui instalado em seu carro.

        Você estava muito feliz; tinham lhe dito que minha marca é ótima, e que você contaria com um som maravilhoso para lhe ajudar no estresse que é esse trânsito. E, eu colocado no meu lugar, você me acariciou, você tocou os meus botões. Senti um verdadeiro choque, eu que já deveria estar acostumado com eletricidade. Você fez de mim um ser vivo.

        Vivo e apaixonado. Daquele momento em diante, passei a ansiar por sua presença. Era para você que eu queria transmitir as melodias que recebia por meio de tantas canções. Você ao volante, minha felicidade era completa. Acontece que você não se deu conta disso, ou fingiu que não se dava conta disso. Você me ligava, você sintonizava uma emissora qualquer e pronto, voltava à sua vidinha. Pior: tratava-se de uma vidinha partilhada. Amigas embarcavam em seu carro. Amigos também. Você conversando com um homem, aquilo me dava ciúmes, ciúmes terríveis.

        O Bentinho, do Machado de Assis, aquele que desconfiava da Capitu, não sofreu tanto.

        Lá pelas tantas eu tinha ciúmes até do seu MP4.

        Agora: o que poderia eu fazer? Humanos têm como demonstrar seus ciúmes, têm como descarregar a frustração. Mas eu sou um rádio, um bom rádio, mas rádio, de qualquer maneira. A mim não estava facultado fazer cenas. Recorri, então, àquilo que estava a meu alcance: o som.

        Quando você estava com alguém de quem eu não gostava, eu aumentava meu volume – e volume, você sabe, é coisa que não me falta – até chegar a níveis insuportáveis, uma avalanche de decibéis. E aí, subitamente me calava. Para lembrar a você que o silêncio também fala, especialmente o silêncio dos traídos. Ah, sim, e queimei o seu MP4. Tinha de queimar: era ele ou eu.

        Você foi se queixar com um técnico, achando que eu estava desconfigurado. Num certo sentido você está certa: estou desconfigurado, estou desfigurado, estou perturbado – mas tudo isso por causa do sofrimento que você me causou.

        Querida dona, estas são minhas derradeiras palavras, antes de sair definitivamente do ar, antes do silêncio final. Minha última mensagem é esta: nunca brinque com os sentimentos de um rádio apaixonado. Você vai ter, no mínimo, surpresas desagradáveis.

SCLIAR, Moacyr. O rádio apaixonado. In: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. 3. ed. Porto Alegre: L&M Editores, 2018.p.14-16. (Adaptado).

Entendendo a crônica:

01 – Qual é a premissa inusitada que o narrador da crônica apresenta?

      A premissa inusitada é que o narrador é um rádio de carro que possui sentimentos e emoções, contrariando a percepção de sua dona de que ele é apenas um objeto inanimado.

02 – Como o rádio descreve o momento em que se tornou "vivo e apaixonado" por sua dona?

      O rádio descreve o momento como um "choque" elétrico, ocorrido quando a dona o instalou no carro e o acariciou e tocou seus botões, fazendo-o sentir-se vivo e despertar sua paixão.

03 – Quais são os principais motivos de ciúme do rádio em relação à sua dona?

      Os principais motivos de ciúme do rádio são a presença de amigas e, principalmente, de outros homens no carro da dona, além de ter ciúme até do MP4 dela.

04 – De que forma o rádio expressa sua frustração e ciúmes, já que não pode fazer cenas como os humanos?

      O rádio recorre ao som para expressar sua frustração e ciúmes. Ele aumentava o volume a níveis insuportáveis quando a dona estava com alguém de quem não gostava e, em seguida, calava-se subitamente para lembrá-la que "o silêncio também fala". Ele também queimou o MP4.

05 – Qual é a analogia que o rádio faz com um personagem da literatura brasileira?

      O rádio se compara a Bentinho, de Machado de Assis, aquele que desconfiava de Capitu, para ilustrar a intensidade de seu sofrimento com o ciúme.

06 – Qual a condição atual do rádio e qual sua última mensagem para a dona?

      O rádio está "desconfigurado, desfigurado, perturbado" pelo sofrimento e está prestes a "sair definitivamente do ar". Sua última mensagem é um alerta: "nunca brinque com os sentimentos de um rádio apaixonado. Você vai ter, no mínimo, surpresas desagradáveis."

07 – Qual o tom geral da crônica, considerando a personificação do rádio e suas "queixas" para a dona?

      O tom geral da crônica é bem-humorado e irônico, apesar de o rádio expressar sentimentos de sofrimento e ciúme. A personificação de um objeto inanimado com emoções humanas cria uma situação cômica e reflexiva sobre as relações e a negligência afetiva.

 

CRÔNICA: NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Crônica: Na Contramão da História

              Moacyr Scliar

        Ao entrar na rodovia ficou surpreso em ver um carro vindo em sua direção – e aquela era uma pista de mão única. Acenou nervosamente para o motorista para que desviasse, e aí nova surpresa: o homem também lhe acenava, com o mesmo propósito. Passaram um ao lado do outro, de raspão. “Contramão!”, ele gritou indignado. O motorista do outro carro também gritou: “Contramão!”.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRcmU1jK0Rml9QbGqRmK6xpuamXW4k3TjCe0nYc5q4UQLrf5kjNrAVqFzTizpS0JsMomIeZtMSGEEEiRiNEzcQtWhHOKIcc1D7b1_pDsQ_3o7ORpdR8whqn2frNHu40MtUsE3LMtU1cSpR24K4vRxHqnl3vCN2axCx9AxsLg6-0nqsiZjurhQCLjDgn74/s320/ilus_contra_m-396780.jpg


        Ele mal se refizera do susto quando, de novo, avistou um veículo – um caminhão – igualmente em sentido contrário ao seu. E logo uma moto, uma van, e carros de passeio, e um ônibus – todos na contramão. Meu Deus, ele se perguntava, o que está acontecendo? Será que todo mundo enlouqueceu nesta rodovia, neste estado, neste país?

        A dúvida então lhe ocorreu: não seria ele o errado? Não estaria ele na contramão?

        Não. Ele não estava na contramão, disso tinha absoluta certeza. Conhecia bem aquela rodovia, era um caminho habitual para ele. Teria havido, sem que ele soubesse, uma inversão de pistas? Talvez, mas isso não lhe tirava a razão. Uma alteração tão significativa deveria ter sido previamente divulgada; e teria sido necessário colocar avisos na rodovia.

        Não. Ele estava certo, e continuaria em seu rumo, mesmo que todos os outros fizessem o contrário. Não seria a primeira vez na História que tal aconteceria. Afinal, Galileu Galilei tinha sido condenado pela Inquisição por dizer que a Terra girava em torno do Sol, quando todos afirmavam o contrário. Enfrentara corajosamente o julgamento, sem mudar de opinião. E ele não mudaria de pista. Continuaria dirigindo e fazendo sinais para os imprudentes até que todos se dessem conta da verdade.

        Não demorou muito e foi detido pela polícia. O que ele aceitou com resignação. A conspiração não era só dos motoristas, era das autoridades, dos seres humanos em geral. Um dia, porém, a Verdade apareceria naquela estrada. Avançando celeramente, e na mesma mão em que ele estava.

Moacyr Scliar. Folha de São Paulo.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a situação inicial que causa surpresa e indignação ao protagonista da crônica?

      O protagonista fica surpreso e indignado ao ver um carro vindo em sua direção em uma rodovia de mão única, e mais ainda quando outros veículos, como caminhão, moto, van e ônibus, também aparecem no sentido contrário.

02 – Que dúvida surge na mente do protagonista diante do grande número de veículos na contramão?

      A dúvida que lhe ocorre é se não seria ele o errado, se não estaria ele mesmo na contramão, em vez de todos os outros motoristas.

03 – Com que figura histórica o protagonista se compara para justificar sua convicção de estar certo?

      Ele se compara a Galileu Galilei, que foi condenado pela Inquisição por defender que a Terra girava em torno do Sol, mesmo quando todos afirmavam o contrário. Ele usa essa comparação para reforçar sua decisão de não mudar de rumo.

04 – Como o protagonista interpreta sua detenção pela polícia no final da crônica?

      Ele aceita a detenção com resignação, interpretando-a como parte de uma conspiração não apenas dos motoristas, mas também das autoridades e dos seres humanos em geral.

05 – Qual é a principal mensagem ou reflexão que a crônica "Na Contramão da História" pretende transmitir?

      A crônica é uma alegoria sobre a teimosia, a convicção individual e a resistência contra a maioria, mesmo quando essa maioria parece estar equivocada. Ela explora a ideia de que, por vezes, a verdade pode parecer estar na "contramão" do que a maioria acredita ou pratica.

 

domingo, 8 de junho de 2025

CRÔNICA: DESISTINDO DO NATAL - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Crônica: Desistindo do Natal

              Moacyr Scliar

        Prezado Papai Noel: há uma semana eu lhe mandei uma carta com a lista dos meus pedidos para o Natal. Agora estou mandando esta outra carta para dizer que mudei de ideia. Não vou querer nada. Ontem o papai nos avisou que não tem dinheiro para as compras do fim de ano. Papai está desempregado há mais de um ano. A gente mora numa cidade pequena do interior, muito pobre. No Natal passado, o prefeito anunciou que tinha um presente para a população: uma grande fábrica viria se instalar aqui, dando emprego para muitas pessoas. Meu pai ficou animado. Ele é um homem trabalhador, sabe fazer muitas coisas e achou que com isso o nosso problema estaria resolvido. Agora, porém, o prefeito teve de dizer que a fábrica não vem mais. Não entendo dessas coisas, mas parece que a situação está difícil.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioDU0H6v7zGlv-pF698B9HdiBFC27e6jVRPQJP2WtWqIh_qvhIUFZjeRrXI9-tEjI-_wfm_HvemhoVJiXzXrgaxPYsnn8Ko7Jt0V42T5Ara7r7zoNcOD6zgWh0dRiU7NI8n5Vu5jJc2wKoaRx2k5BLNTN2Tw-aVuxvGy0xkmSyFiZ7E9OUrtVgpGEpYqE/s320/Jonathan_G_Meath_portrays_Santa_Claus.jpg


        Portanto, Papai Noel, peço-lhe desculpas se o senhor já encomendou as coisas, mas infelizmente vou ter de desistir. Para começar, não quero aquela bonita árvore de Natal de que lhe falei -até mandei um desenho, lembra? Nada de pinheirinho, nada de luzinhas, nada de bolinhas coloridas. A verdade, Papai Noel, é que essas coisas só gastam espaço e, como disse a mamãe, gastam muita luz.

      E nada de ceia de Natal, Papai Noel. Nada de peru. Como eu lhe disse, nunca comi peru na minha vida, mas acho que não vai me fazer falta. Se tivesse peru, eu comeria tanto que decerto passaria mal. Portanto, nada de peru. Aliás, se a gente tiver comida na mesa, já será uma grande coisa.

        Nada de presentes, Papai Noel. Não quero mais aquela bicicleta com a qual sonho há tanto tempo. Bicicletas custam caro. E, além disso, é uma coisa perigosa. O cara pode cair, pode ser atropelado por um carro... Nada de bicicleta.

        Nada de DVD, Papai Noel. Afinal, a gente já tem uma TV (verdade que de momento ela está estragada e não temos dinheiro para mandar consertar), mas DVD não é coisa tão urgente assim.

        Também quero desistir da roupa nova que lhe pedi e dos sapatos. A minha roupa velha ainda está muito boa, e a mamãe vai fazer os remendos nos rasgões. E sapato sempre pode dar problema: às vezes ficam apertados, às vezes caem do pé... Prefiro continuar com meus tênis e o meu chinelo de dedo.

        Ou seja: nada de Natal, Papai Noel. Para mim, nada de Natal. Agora, se o senhor for mesmo bonzinho e quiser nos dar algum presente, arranje um emprego para o meu pai. Ele ficará muito grato e nós também. Desejo ao senhor um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

Moacyr Scliar. Folha de São Paulo.

Entendendo a crônica:

01 – Qual o motivo que leva o narrador, uma criança, a escrever uma segunda carta para o Papai Noel, cancelando seus pedidos?

      O narrador cancela seus pedidos porque seu pai está desempregado há mais de um ano e não há dinheiro para as compras de fim de ano.

02 – Que promessa feita pelo prefeito da cidade havia animado o pai do narrador, e por que ela não se concretizou?

      O prefeito havia prometido que uma grande fábrica seria instalada na cidade, gerando muitos empregos. No entanto, a promessa não se concretizou porque a "situação está difícil" e a fábrica não virá mais.

03 – De que forma o narrador "desiste" de elementos tradicionais do Natal, como a árvore e a ceia?

      Ele desiste da árvore de Natal (pinheirinho, luzinhas, bolinhas) por gastarem espaço e luz. Da ceia, ele diz que não precisa de peru, contentando-se em ter apenas "comida na mesa".

04 – O que o narrador argumenta para justificar a desistência dos presentes que havia pedido, como a bicicleta e o DVD?

      Para a bicicleta, ele argumenta que custa caro e é perigosa (pode cair ou ser atropelado). Para o DVD, ele diz que a TV da família já está estragada e que DVD não é algo urgente.

05 – Mesmo desistindo de tudo, o narrador expressa um único pedido final ao Papai Noel. Qual é ele?

      O único pedido final do narrador é que o Papai Noel arranje um emprego para o pai dele.

06 – Qual é a principal emoção ou sentimento que a crônica busca transmitir ao leitor através da carta da criança?

      A crônica busca transmitir um sentimento de tristeza, resignação e maturidade precoce por parte da criança, que compreende a dura realidade financeira da família e abre mão dos seus desejos infantis em prol de uma necessidade básica.

07 – De que forma esta crônica reflete as dificuldades econômicas e sociais que muitas famílias enfrentam?

      A crônica é um retrato sensível das dificuldades econômicas, como o desemprego do pai e a falta de recursos para o básico (comida, conserto de TV). Ela também ilustra a falta de perspectivas em cidades pequenas e como a crise afeta diretamente o universo e os sonhos das crianças.

 

 

 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

CRÔNICA: A IMPETUOSA TORRENTE - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Crônica: A impetuosa torrente

              Moacyr Scliar

        “Querida professora:

        Já faz muito tempo que aquilo aconteceu, mas lembro como se tivesse sido ontem. Essas coisas marcam, a senhora sabe. E eu fiquei muito marcado pelo acontecimento. Tanto que estou lhe escrevendo.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh6VBhRssR1lEtK4CfNT6dyCcosG8GGPRa16NOQd2KwpRG330wZg9ifLZftb44TDBKoNqVccyBqhoKkF4DTEKHLUqjfuThY71P1kmjW7P1KiGC2lQPT2VBBJ2Gbtf5CW-bMzo0PAcKMbmd-mygPHU_-4bkTuFBnxL4ZjBmmU_-pdTXkRecrDAfvxkHYahw/s320/territorio-da-emocao.jpg


        Talvez a senhora não recorde da aula que a senhora deu naquele dia. Por isso, vou refrescar um pouco a sua memória. A senhora estava falando sobre o rio Amazonas e seus afluentes. A senhora, aliás, falava muito bem, era uma excelente professora. A senhora descrevia o grande rio, aquela gigantesca massa d’água fluindo, ora majestosa, ora irada pela pororoca: água, muita água.

        Eu estava apertado, professora. Eu queria fazer xixi. E quanto mais a senhora falava nas águas, mais vontade me dava de ir ao banheiro. Eu me torcia todo, chegava a ficar roxo com o esforço, mas nada. Quando a senhora fez uma pausa, para entrar na lista dos afluentes, eu aproveitei e pedi para ir lá fora.

        A senhora ficou indignada. Bem agora, a senhora disse, que eu ia falar dos afluentes do Amazonas, os da margem esquerda e os da margem direita, você quer sair! E aí a senhora me passou uma descompostura. Imagine, a senhora disse, se um dia você for à Amazônia e não souber nada dos afluentes, como é que fica?

        Fiquei mal. Porque acabei me urinando. E que quantidade de urina, professora! Eu tinha um Amazonas inteiro na bexiga. O pessoal me olhava, todo molhado e ria sem parar.

        Nunca fui à Amazônia, professora. Nunca vi o grande rio. Mas ultimamente, por causa da próstata, comecei a reter urina. A mesma aflição que senti em sua aula.

        Tenho repetido, baixinho, os nomes dos afluentes do Amazonas: Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós, Xingu... Como se fosse um exorcismo, a senhora sabe? Como se fosse uma reza, dessas que curam doença. Claro que não funciona. Mas pelo menos ajuda a matar as saudades. E, ah, professora, que saudades eu tenho, da aurora da minha vida. E daqueles afluentes que, por ela, não passam mais.”

MOACYR SCLIAR. Folha de São Paulo.

Entendendo a crônica:

01 – Qual o motivo que leva o narrador a escrever para sua antiga professora?

      O narrador escreve para sua antiga professora porque um acontecimento marcante da infância, relacionado a uma aula sobre o rio Amazonas e seus afluentes, o deixou profundamente marcado.

02 – Qual era a situação embaraçosa que o narrador vivenciou durante a aula sobre o rio Amazonas?

      O narrador estava muito apertado para fazer xixi, e a professora, ao falar das águas do rio Amazonas, intensificava sua vontade. Ele acabou por se urinar na frente da turma, o que o deixou envergonhado.

03 – Como a professora reagiu ao pedido do aluno para ir ao banheiro e qual foi o argumento dela?

      A professora ficou indignada com o pedido, argumentando que ele queria sair justo quando ela falaria dos afluentes do Amazonas, e questionou como ele se viraria se um dia fosse à Amazônia e não soubesse nada sobre eles.

04 – Que problema de saúde o narrador enfrenta na vida adulta que o faz reviver a aflição da infância?

      Na vida adulta, o narrador tem problemas de próstata, que o fazem reter urina e sentir a mesma aflição de quando criança.

05 – Qual é o desfecho da crônica e que sentimento ele evoca no narrador?

      No desfecho, o narrador, ao repetir os nomes dos afluentes do Amazonas como um "exorcismo" ou "reza", expressa uma profunda saudade da infância ("aurora da minha vida") e dos tempos em que essa aflição não era um problema de saúde, mas sim um momento inocente, embora embaraçoso, de sua vida.

 

 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

CRÔNICA: OS COMÍCIOS DOS ADOLESCENTES - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Crônica: Os comícios dos adolescentes

               Moacyr Scliar

        No Hyde Park, em Londres, existe um lugar chamado Speaker's Corner, onde, segundo a tradição, qualquer pessoa pode fazer discursos, criticando até a família real (o que atualmente não é muito difícil) desde que falando do alto de um estrado ou mesmo de um caixote; isto é, sem pisar solo inglês. Atualmente os oradores que lá vão são muito chatos, e frequentemente falam apenas para impressionar os turistas, mas há uma fase na vida em que o mundo como um todo é para nós um Speaker's Corner, e a nossa família é mais acatável que a família real inglesa: a adolescência é uma fase de comícios.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxpMa6HH8moKDb7tP7Z9szC2ej1LY8bRRZBHqKqV7oePAkItxGcG-Oa0RpFBWmKwcqjlS68xwyajGu2fnGqczIdm860ans5_D2XjvNUUiqw-L2_lvZZ7vAemLLOj01B6UIUbxkVaKqLKFx7_feobg9n1Z6v3xOZAvh6MinoU70hR7Lcy0mXiIagZ76zm4/s320/artworks-O9G0l77rq6dG3zel-1o1j3A-t500x500.jpg


        Adolescentes são oradores prodigiosos. Energia é o que não lhes falta; a intensa quantidade de alimentos que ingerem precisa ser queimada de alguma maneira, e esportes, games ou fantasias não são suficientes. daí os discursos, que se sucedem num ritmo implacável: não há almoço nem jantar em que os pais não ouçam peças de inflamada oratória. Os adolescentes, principalmente os de classe média, consideram-se oprimidos; não fazem parte de nenhuma Frente de Libertação, mesmo porque a vida de guerrilheiro não tem moleza, não dá para acordar ao meio-dia; mas desenvolvem uma invencível tática de guerrilha verbal , baseada em acusações clássicas: os pais são quadrados, os pais não compreendem as necessidades dos filhos, os pais são insensíveis, os pais não compram isto, os pais não compram aquilo ("me compra" é a reivindicação mais ouvida). É um estado de comício permanente, como parlamento algum jamais viu. Aliás, e diferente dos nossos deputados, os adolescentes jamais se ausentam do plenário; mas, como os deputados, sempre acham que estão ganhando pouco.

        De uma coisa, porém, podemos estar certos: não existirá um Partido de Adolescentes enquanto não se formar um Partido dos Pais. E Partido dos Pais jamais se formará. Como a Teresa Batista, de Jorge Amado, que estava cansada de guerra, pais – por definição – são pessoas cansadas de comícios.

Um país chamado infância. São Paulo: Ática, 1999, p. 51-52 (Coleção para gostar de ler, v. 18)

Fonte: Português. Uma proposta para o letramento. Magda Soares – 8º ano – 1ª edição. Impressão revista – São Paulo, 2002. Moderna. p. 9-10.

Entendendo a crônica:

01 – Qual é a metáfora central utilizada por Moacyr Scliar na crônica?

      Moacyr Scliar compara a adolescência a um grande comício, onde os jovens, assim como oradores no Hyde Park, expressam suas opiniões e críticas com fervor.

02 – Por que os adolescentes são descritos como "oradores prodigiosos"?

      Eles possuem grande energia e necessidade de expressar suas opiniões, o que resulta em discursos frequentes e apaixonados, especialmente em relação aos pais.

03 – Quais são as principais "acusações clássicas" dos adolescentes contra seus pais?

      As acusações incluem os pais serem "quadrados", não compreenderem suas necessidades, serem insensíveis e não comprarem o que desejam.

04 – Como a crônica aborda a relação entre pais e filhos durante a adolescência?

      A crônica retrata a adolescência como um período de conflito e negociação, onde os jovens buscam afirmar sua independência e os pais, muitas vezes cansados, tentam manter a ordem.

05 – Por que, segundo o autor, é improvável a formação de um "Partido dos Pais"?

      Moacyr Scliar argumenta que os pais, ao contrário dos adolescentes, estão "cansados de comícios" e preferem evitar confrontos, tornando improvável a organização de um partido.

06 – Qual a relação da crônica com o "Speaker's Corner" citado no início do texto?

      O "Speaker's Corner" serve como uma metáfora para o espaço onde os adolescentes expressam suas opiniões, assim como os oradores em Londres, com a diferença de que, os adolescentes tem seu espaço de fala, dentro de suas casas.

07 – Qual é o tom geral da crônica de Moacyr Scliar?

      O tom é humorístico e irônico, com uma pitada de compreensão pelas dificuldades tanto dos adolescentes quanto dos pais durante essa fase da vida.

 

quinta-feira, 6 de março de 2025

CONTO: PAUSA - (FRAGMENTO) - MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Conto: Pausa – Fragmento

           Moacyr Scliar

        Às sete horas, o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:

        -- Vais sair de novo, Samuel?

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEidZjDqOTVkadhNh5FpPXg9MH9Yk09spvcFbbAg9uS5pFVMGKG-nSSiY7LApvak4nTvA8v-AzL5kEza284x5HrwZSFcbAX042NvICZzimMQ2oTLMGNSgPyaQQlg4oXnFffvvO9-29Cb22wqRH704oh7Cc0ww0KYYQQpkPdpq4NVjxkQ8UQTtTFzD8AxzO8/s320/SANDUBA.jpg


        Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.

        -- Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.

        -- Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.

        Ela olhou os sanduíches:

        -- Por que não vens almoçar?

        -- Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.

        A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga, Samuel pegou o chapéu:

        -- Volto de noite.

        [...]

Moacyr Scliar. O Carnaval dos Animais. Porto Alegre, Ed. Movimento, 1963.

Fonte: Português – Novas Palavras – Ensino Médio – Emília Amaral; Mauro Ferreira; Ricardo Leite; Severino Antônio – Vol. Único – FTD – São Paulo – 2ª edição. 2003. p. 556.

Entendendo o conto:

01 – Qual o horário em que Samuel acorda no domingo?

      Samuel acorda às sete horas da manhã.

02 – O que Samuel faz logo após acordar?

      Ele rapidamente se prepara, fazendo a barba, lavando-se e se vestindo, demonstrando pressa.

03 – Qual a justificativa de Samuel para sair cedo de casa aos domingos?

      Ele alega ter muito trabalho no escritório, o que o impede de almoçar em casa.

04 – Como a esposa de Samuel reage à sua saída dominical?

      Ela demonstra azedume e descontentamento, questionando a rotina do marido.

05 – Quais as características físicas de Samuel mencionadas no texto?

      O texto descreve Samuel como um homem jovem com a fronte calva, sobrancelhas espessas e uma sombra azulada da barba recém-feita.

06 – O que Samuel leva para comer, já que não almoçará em casa?

      Ele prepara sanduíches para levar como lanche.

07 – Qual a última frase de Samuel antes de sair de casa?

      Volto de noite.

 

quarta-feira, 5 de março de 2025

CONTO: E A HISTÓRIA ERA ASSIM.... MOACYR SCLIAR - COM GABARITO

 Conto: E a história era assim...

           Moacyr Scliar

        Em todos os tempos, sempre existiram guerreiros para defender reinos, territórios e países. Na Idade Média (500-1540), os guerreiros mais corajosos recebiam do rei o título de “cavaleiro”.

        Para ser cavaleiro, era preciso saber lutar com várias armas: espada, escudo, lança, clava e punhal. Os cavaleiros enfrentavam seus inimigos montados a cavalo e vestidos com armaduras e capacetes. Como esses equipamentos eram pesados, eles viajavam acompanhados de ajudantes: os pajens e escudeiros.

 FONTE:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjpTcsWRMjgNeT1QgyNptUWOhB1cGyrpM-F4M3DukUzpmHfXlt-vS0EBPsTeWB-azOIC8woGehH9-4OeNqMoTWLOcb7Di-OiY_EvKBLK3KPlO7JtZ4ape2ymSqXPhEQhBAtgvXNmOCVrlUgrqZSgTgRZqaezL5K0L02PT36UXQtAeaiP9SeBsPgt9B-1KY/s1600/CAVLEIRO.jpg


        O dever de todo cavaleiro era proteger crianças, mulheres e pobres, obedecendo a um código de honra chamado de “leis de cavalaria”. Também caçavam e participavam de torneios, lutas organizadas nobres e reis.

        No século XVII, época em que Dom Quixote foi escrito, histórias de cavaleiros estavam na moda. Eram os romances de cavalaria.

        Na Inglaterra, quase todos conheciam “Os feitos do rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda”. Na Alemanha, havia a lenda de Rolando, o valoroso cavaleiro, e, na Espanha e na França, as aventuras de Carlos Magno, o rei guerreiro.

        Os heróis dessas aventuras eram homens maravilhosos que nasciam em lugares maravilhosos e que se apaixonavam por mulheres ainda mais maravilhosas. Possuíam armas e inimigos fantásticos, como dragões, bruxos e gigantes.

        Mas Dom Quixote era um cavaleiro trapalhão. Seu cavalo de batalha, Rocinante, era velho e magro. Seu escudeiro, Sancho Pança, não era nobre nem jovem e, ainda por cima, viajava montado num pequeno burro. Nada era mágico ou maravilhoso na vida de Dom Quixote.

        Quando ele saiu de sua casa para viajar pelo mundo em busca de aventura, tudo deu errado. Em sua primeira aventura, confundiu uma comitiva de cavalariços com guerreiros inimigos e os atacou. Foi derrotado e humilhado. Libertou, por engano, um grupo de ladrões e avançou contra moinhos de vento pensando que fossem gigantes.

        Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura, jamais conseguiu ser um herói como os dos romances que leu. E, talvez por ter sido apenas um homem simples, cheio de boas intenções e uma coragem que raramente usou, tornou-se uma das personagens mais encantadoras de toda a literatura ocidental, transformando seu criador, Miguel de Cervantes, num escritor de uma história clássica.

Scliar, Moacyr. Vice-versa ao contrário. São Paulo, Companhia das Letrinhas, 2001, p. 19.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 5ª série – 17ª ed. 3ª impressão – São Paulo – Editora Ática – 2003. p. 16.

Entendendo o conto:

01 – Qual era o título dado aos guerreiros mais corajosos na Idade Média?

a) Soldado.

b) Cavaleiro.

c) General.

d) Escudeiro.

02 – Quais armas um cavaleiro precisava saber usar?

a) Espada, escudo, lança, clava e punhal.

b) Arco e flecha, espada, lança.

c) Espada, escudo, arco e flecha.

d) Lança, clava, arco e flecha.

03 – Quem acompanhava os cavaleiros em suas viagens?

a) Soldados e generais.

b) Pajens e escudeiros.

c) Reis e rainhas.

d) Magos e bruxos.

04 – Qual era o dever de todo cavaleiro?

a) Proteger o rei.

b) Proteger crianças, mulheres e pobres.

c) Conquistar novos territórios.

d) Caçar dragões.

05 – O que eram os romances de cavalaria?

a) Histórias sobre reis e rainhas.

b) Histórias sobre cavaleiros e suas aventuras.

c) Histórias sobre magos e bruxos.

d) Histórias sobre dragões e gigantes.

06 – Qual era a lenda conhecida na Alemanha?

a) Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda.

b) Rolando, o valoroso cavaleiro.

c) As aventuras de Carlos Magno.

d) Dom Quixote.

07 – Como era o cavalo de batalha de Dom Quixote?

a) Forte e rápido.

b) Velho e magro.

c) Pequeno e ágil.

d) Grande e poderoso.

08 – Quem era o escudeiro de Dom Quixote?

a) Rolando.

b) Sancho Pança.

c) Carlos Magno.

d) Rei Arthur.

09 – O que Dom Quixote confundiu com guerreiros inimigos em sua primeira aventura?

a) Um grupo de ladrões.

b) Moinhos de vento.

c) Uma comitiva de cavalariços.

d) Dragões.

10 – Por que Dom Quixote se tornou uma das personagens mais encantadoras da literatura ocidental?

a) Por ser um herói perfeito.

b) Por ser um homem simples, cheio de boas intenções e coragem.

c) Por derrotar todos os seus inimigos.

d) Por possuir armas mágicas.