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terça-feira, 16 de junho de 2026

POEMA: ETA NÓIS - ULISSES TAVARES - COM GABARITO

 Poema: Eta Nóis

 

Ela fala sem parar

Às vezes esquece de se depilar

Eu tenho um pouco de chulé,

Minha barba é dura e espeta,

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj7k6vWSxuGaM32fp_X74vhbD2THiUJV12S4kdFP2xjBBzjY9mF1w3siuSYVB3OR_T5AdxpnufI0v4G0wlxJMpW2_NGaUBfzLK-seVaqctYYNnNLmdlQ33HZ-4g2vW5dHz4874UklSywQOD1HeanIG6JDyVV9G1W4wkRJnVgc8m4hhgAv-Nwx2cepsVZA8/s320/images.jpg


Vamos descobrindo aos poucos

O que estava por baixo dos panos:

Dois seres bem humanos.

Ulisses Tavares. Diário de uma paixão! São Paulo: Geração, 2003.

 

Entendendo o poema:

01 – Que tipo de sujeito aparece no segundo verso?

      No segundo verso ("Às vezes esquece de se depilar"), o sujeito é oculto (também chamado de elíptico ou desinencial).

      Embora ele não esteja explicitamente escrito nesse verso, nós conseguimos identificá-lo pela desinência do verbo "esquece" e pelo contexto do primeiro verso ("Ela fala sem parar"). Trata-se da terceira pessoa do singular: Ela.

 

02 – Reescreva o segundo verso incluindo o sujeito que falta.

      “Às vezes ela esquece de se depilar”.

 

03 – Reescreva o quinto verso acrescentando o sujeito que está oculto. Como você o identificou?

      Reescrita: "Nós vamos descobrindo aos poucos"

      Como foi identificado: O sujeito foi identificado através da desinência número-pessoal do verbo "vamos" (-mos), que indica a 1ª pessoa do plural (Nós).

 

04 – De acordo com o sentido do poema e com os sujeitos que você identificou, quais são as personagens desse diário poético e o que ele conta?

      As personagens são um casal (composto pelo eu lírico, que é um homem, já que menciona "Minha barba é dura", e por sua parceira, a quem ele se refere como "Ela").

      O poema conta o processo de convivência íntima desse casal. Ele mostra que, conforme o tempo passa e a intimidade aumenta, as idealizações românticas vão sumindo e eles começam a descobrir os pequenos defeitos e imperfeições físicas um do outro (chulé, pelos, barba espetando). No fim, o texto celebra o fato de que, por trás das aparências ("por baixo dos panos"), eles descobriram que são apenas "dois seres bem humanos", que se aceitam como realmente são.

 

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

POEMA: AO DESCONCERTO DO MUNDO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos; 
E pera mais me espantar, 
Os maus vi sempre nadar 
Em mar de contentamentos. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0nFMIMnt8EGCz5QZSmO8hKbqfhhWFmcBLfcT7RdyUQSg5snFayhPWT933VVoRm-qH9eReiuDyEjVxmrTdwE2e87CAEhTO9ceUEwgVyvkL7iuY7ePgshE6_O0Mr-CDEj_zERwFmSWODvtPxz9WcvOvWNlqs4F7aHOqrOmYVXsP6sVf9Z4JagT5zUg79ow/s320/MUNDO.jpg


Cuidando alcançar assim 
O bem tão mal ordenado, 
Fui mau, mas fui castigado. 
Assim que, só pera mim, 
Anda o Mundo concertado.

 

Camões, Luís de. In: SALGADO JÚNIOR, Antônio (Org.). Luís de Camões: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.475-476.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesses versos, o eu lírico compara o destino das pessoas no mundo. A que conclusão ele chegou?

      O eu lírico chega à conclusão de que o mundo é injusto e invertido: as pessoas boas sofrem grandes tormentos, enquanto as pessoas más vivem em um "mar de contentamentos", ou seja, são felizes e bem-sucedidas. Há uma clara percepção de injustiça moral na distribuição da felicidade e do sofrimento.

 

02 – Como a vida do eu lírico foi afetada por essa visão?

      Ao ver que os maus se davam bem, o eu lírico tentou ser mau também, na esperança de alcançar a felicidade ("o bem tão mal ordenado"). No entanto, sua tentativa falhou: ele acabou sendo castigado por suas más ações, não conseguindo obter o mesmo sucesso que os outros maus obtinham.

 

03 – O que significa o título, tendo em vista os dois últimos versos?

      O título "Ao desconcerto do mundo" refere-se à falta de lógica, ordem ou justiça no funcionamento da vida.

      Contudo, nos dois últimos versos ("Assim que, só pera mim, / Anda o Mundo concertado"), há uma ironia dolorosa: o mundo só funciona de forma "concertada" (organizada, justa) para castigar especificamente o eu lírico. Ou seja, a regra geral do mundo é o desconcerto (os maus vencem), mas para ele, o mundo aplica a regra do concerto (o mal é punido), o que o deixa em eterna desvantagem.

04 – Releis estes versos: “Os bons vi sempre passar.../” “Os maus vi sempre nadar...”. Qual é o processo de formação das palavras destacadas? Justifique sua resposta.

      O processo é a derivação imprópria (também chamada de conversão).

      Justificativa: As palavras "bons" e "maus" são originalmente adjetivos. No contexto desses versos, precedidas pelos artigos "Os", elas mudaram de classe gramatical e passaram a funcionar como substantivos (equivalendo a "as pessoas boas" e "as pessoas más"), sem sofrer nenhuma alteração na sua forma original.

 

05 – Transcreva do poema palavras que se formam por derivação prefixal e derivação sufixal.

      Derivação prefixal: Desconcerto (prefixo des- + concerto).

      Derivação sufixal: Contentamentos (substantivo contentamento + sufixo -mento, derivado do verbo contentar) ou Castigado (particípio do verbo castigar, com o sufixo -ado).

 

06 – A partir das palavras a seguir, forme outras pelo processo de derivação regressiva.

       passar – espantar – alcançar – castigar – nadar – acontecer.

      A derivação regressiva reduz a palavra original (geralmente verbos) para criar substantivos abstratos que indicam a ação:

      Passar: o passo

      Espantar: o espanto

      Alcançar: o alcance

      Castigar: o castigo

      Nadar: o nado (ou o nade)

      Acontecer: o acontecimento.

 

07 – Forme parassintéticos verbais que tenham como base os nomes a seguir:

Grande – parede – pedaço – sócio – terra – velho – caixa – frio.    

      Na parassíntese, o prefixo e o sufixo devem ser adicionados ao mesmo tempo. Se você tirar um deles, a palavra deixa de existir.

      Grande: engrandecer

      parede: emparedar

      pedaço: espedaçar (ou despedaçar)

      sócio: associar

      terra: aterrar (ou enterrar)

      velho: envelhecer

      caixa: encaixar

      frio: esfriar (colocar na geladeira) ou resfriar.

                                            

08 – Transcreva, das sequências a seguir, as palavras formadas por derivação prefixal e sufixal.

a)   reflorestamento, esfarelar, emagrecer, desqualificar.

      Reflorestamento (existe florestamento e existe reflorestar) e desqualificar (existe qualificar e existe desqualificado). (Obs: "esfarelar" e "emagrecer" são parassintéticas, pois não existem as palavras "farelar" nem "magrecer").

 b) desonestidade, inconstitucional, ensurdecer, reintegração.

      Desonestidade (existe honestidade e desonesto) e inconstitucional (existe constitucional e inconstituto / inconstitucionalidade), além de reintegração (existe integração e reintegrar). (Obs.: "ensurdecer" é parassintética, pois não existe "surdecer").

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

POEMA: CAVERNA - ROSEANA MURRAY - COM GABARITO

 Poema: Caverna

       Roseana Murray

 

Houve um dia,

no começo do mundo

em que o homem

ainda não sabia

construir sua casa.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipywfMwZckGVNnyvkt7CSSc7NfCQUUB0g0W3lNYmmfgZdar9Gman7jENCc32-vfy6um-EJoLumXhyphenhyphenOWBnH1P4dxw24t5U9XnRyBcUYy5ddWlHCcej9vqlMhwZKY5_Ap9ZvjSsgzDj3GQt9Ch656zbGsTRfsE_4e9ujL1Zc2JtuyJxCrQjjVz8Zt9wcq-4/s320/images.jpg 

Então disputava

a caverna com bichos

e era aí sua morada.

 

Deixou para nós

seus sinais,

desenhos desse mundo

muito antigo.

 

Animais, caçadas, danças,

misteriosos rituais.

 

Que sinais

deixaremos nós

para o homem do futuro?

                     Roseana Murray. Casas. Belo Horizonte: Formato, 2004.

Entendendo o poema:

01 – No último verso da segunda estrofe: “e era aí sua morada”, a expressão em destaque pode ser substituída por: 

(A) sua casa.  

(B) o homem.  

(C) do mundo.  

(D) com bichos.

02 – De acordo com a terceira e a quarta estrofe, de que forma os homens do começo do mundo se comunicaram com as gerações futuras?

      Eles se comunicaram através de pinturas rupestres ("deixou para nós seus sinais, desenhos desse mundo muito antigo"). Esses registros retratavam o cotidiano deles, como os animais da época, as estratégias de caça, suas danças e os rituais religiosos ou misteriosos que realizavam.

03 – O que a disputa da caverna "com bichos" (segunda estrofe) revela sobre a relação entre o homem primitivo e a natureza?

      Revela uma relação de igualdade na luta pela sobrevivência. Como o homem ainda não dominava a tecnologia de construção, ele não estava no topo da cadeia de forma soberana; ele precisava competir diretamente com os animais selvagens pelo mesmo espaço físico de proteção contra o clima e predadores.

04 – O poema faz uma transição temporal ao longo de suas estrofes. Como essa linha do tempo está organizada no texto?

      O poema começa no passado remoto ("no começo do mundo", "mundo muito antigo"), passa pelo nosso presente ao analisar os sinais que recebemos ("deixou para nós") e termina projetando o futuro ("para o homem do futuro"), criando uma linha de continuidade da história humana.

05 – Qual a principal reflexão ou provocação que a autora faz na última estrofe do poema?

      A autora faz uma provocação filosófica e ecológica. Ela nos questiona sobre o legado da nossa sociedade atual. Enquanto os homens primitivos deixaram registros de arte, conexão com a natureza e rituais, ela nos faz pensar se nós deixaremos coisas positivas ou se deixaremos destruição, poluição e ruínas para as próximas gerações.

06 – O poema faz parte de um livro chamado "Casas". Como o conceito de "casa" evoluiu do início do texto até os dias de hoje, com base na leitura?

      No início do texto, "casa" era um elemento puramente biológico e de sobrevivência, um refúgio natural (a caverna) disputado com animais. Hoje, a casa é algo que o homem aprendeu a construir, transformando-se em um espaço cultural, tecnológico e social. No entanto, a última estrofe sugere que o nosso conceito atual de "construir" e habitar o planeta pode estar deixando marcas preocupantes para o futuro.

 

 

POEMA: A LUA NO CINEMA - PAULO LEMINSKI - COM GABARITO

 Poema: A LUA NO CINEMA

           Paulo Leminski

A lua foi ao cinema,

passava um filme engraçado,

a história de uma estrela

que não tinha namorado.

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir_lS8LiIlt66-R6dK57yCsQIhyphenhyphenFDFmu51PqsSNxvHA9wZpptcqvDGd4lWdTeN5nsqQvNGP52rOR1I5GaZA4COSwJHoMSPxlZBeVyTOWFKOSrVbsbexkbg-Aac7fDRPQP604_YuPH3tcC1OHtUDrvyRS4WItZQxVO2ZaoDhsJu9FuyES8mmxP1nfXksR0/s320/images.jpg

Não tinha porque era apenas

uma estrela bem pequena,

dessas que, quando apagam,

ninguém vai dizer, que pena!

 

Era uma estrela sozinha,

ninguém olhava pra ela,

e toda a luz que ela tinha

cabia numa janela.

 

A lua ficou tão triste

com aquela história de amor,

que até hoje a lua insiste:

– Amanheça, por favor!

 

Paulo Leminski. Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1993.

 

Entendendo o poema:

01 – Nos versos “Não tinha porque era apenas / uma estrela bem pequena” da segunda estrofe do poema, o uso da palavra “porque” introduz:

(A) a causa de não ter namorado.  

(B) uma oposição a um filme engraçado.

(C) a consequência de uma história de amor.  

(D) uma comparação do tamanho da estrela com a intensidade da luz.

 

02 – Este poema:

(A) explica o nascimento do cinema.  

(B) faz a propaganda de um filme engraçado.

(C) apresenta as características de uma lua solitária. 

(D) conta a história de uma estrela que não tinha namorado.

 

03 – No último verso, a lua exclama: "– Amanheça, por favor!". O que motivou esse pedido da lua?

      O pedido foi motivado pela profunda tristeza e empatia que a lua sentiu ao assistir à história da estrela solitária. Ela ficou tão abalada com o "filme" que desejou que a noite acabasse logo para deixar de pensar naquilo.

 

04 – A segunda estrofe diz que, se a estrela se apagasse, "ninguém vai dizer, que pena!". O que esses versos revelam sobre a importância da estrela no contexto do poema?

      Revelam que a estrela era considerada irrelevante ou invisível para os outros. O autor enfatiza a solidão extrema da personagem, sugerindo que sua existência não fazia diferença para o restante do universo.

 

05 – Como o espaço ocupado pela luz da estrela (mencionado na terceira estrofe) reforça a ideia de solidão?

      Ao dizer que a luz "cabia numa janela", o poema mostra que o brilho da estrela era muito limitado e pequeno. Isso reforça a ideia de que ela vivia em um mundo restrito, onde ninguém a notava, contrastando com a grandiosidade comum que se espera dos astros celestes.

 

06 – O poema de Leminski utiliza um recurso chamado personificação (ou prosopopeia). Identifique dois exemplos desse recurso no texto.

      Exemplos de personificação incluem a lua "ir ao cinema" e a lua "ficar triste" ou "insistir" em um pedido. Ao atribuir ações e sentimentos humanos a astros celestes, o autor cria uma narrativa lúdica e sensível.

 

sábado, 16 de maio de 2026

POEMA: CANÇÃO DE PRIMAVERA - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: Canção de primavera

              Mário Quintana

 

Um azul do céu mais alto

do vento a canção pura

me acordou num sobressalto

como a outra criatura...

 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinTShIaORiu1UiXnC-3JAtvPu-55fWzbRWUQkxZJM8E7yS-ws8_6q568wfh_CJLwf-lpiQd-EOojbtaJtPzItSVe8U9IcPgjbAiXLTK6KafMmsk2A5mDrXBsj1j4y78Xa9rmhmVVifXrs_zPVXRTfTeX9Pp-2aP2ioJZY5k4f5u7qXSyHy9UwK9OQmq94/s1600/CEU.jpg

Só conheci meus sapatos

me esperando, amigos fiéis,

tão afastado me achava

dos meus antigos papéis!

 

Dormi, cheio de cuidados

como um barco de soçobrando,

por entre uns sonhos pesados

que nem morcego voejando...

 

Quem foi que ao rezar por mim

mudou o rumo da vela

para que eu desperte, assim,

como dentro de uma tela?

 

Um azul do céu mais alto,

do vento a canção mais pura

e agora... este sobressalto...

esta nova criatura!

 

Entendendo o poema

01. No primeiro verso do poema, o eu lírico descreve o céu como um "azul do céu mais alto". Identifique o adjetivo presente nesse trecho e explique qual é a função dele na caracterização do cenário.

O adjetivo é "alto". A função dele é caracterizar o substantivo "céu", transmitindo uma ideia de imensidão e clareza, ajudando a construir a atmosfera de despertar e renovação da primavera.

02. Na segunda estrofe, o poeta utiliza a expressão "amigos fiéis" para se referir aos seus sapatos. O adjetivo "fiéis" está no plural para concordar com qual substantivo? Explique por que o autor escolheu esse adjetivo para descrever um objeto.

O adjetivo "fiéis" concorda com o substantivo "sapatos" (que também está no plural). O autor escolheu esse adjetivo para personificar os sapatos, sugerindo que eles são companheiros constantes que estão sempre ali para o dono, assim como bons amigos.

03. No trecho "por entre uns sonhos pesados", identifique o adjetivo e explique como ele ajuda o leitor a entender a sensação do eu lírico durante o sono.

O adjetivo é "pesados". Ele ajuda o leitor a entender que o sono não foi tranquilo; os sonhos eram angustiantes, difíceis ou cansativos, criando um contraste com a leveza da manhã de primavera que vem em seguida.

04. Na última estrofe, o eu lírico se define como uma "nova criatura". Compare essa expressão com o trecho da primeira estrofe ("outra criatura"). O que a mudança para o adjetivo "nova" revela sobre o sentimento do poeta ao final do poema?

O adjetivo "nova" revela um sentimento de transformação e recomeço. Enquanto "outra" apenas indica uma diferença, "nova" reforça a ideia de que o eu lírico se sente revigorado, fresco e transformado pela "canção de primavera", como se tivesse acabado de nascer para um momento melhor.

 

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

POEMA: O PASSARINHO NO SAPÉ - CECÍLIA MEIRELES - COM GABARITO

 Poema: O passarinho no Sapé

            Cecília Meireles

P tem papo
o P tem pé.
É o P que pia?

(Piu!)

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg_b6soAST5UFYpq1HAVTPo3gzTfk_Wdvlry05gQEzDTdIwqyWB5zaIQD5B_xkxeg1twaITsihFHzKg6YHsuewSPu5GS4f0p6uoiBgAxVFX8fMIqiWs2HEXZnomaNMHxh1D6IKalEir0bqbmfReWSA0QpIZejERG_xJbMHlCkPihktMwPIjlssPAg309II/s1600/SAPE.jpg


Quem é?
O P não pia:
O P não é.
O P só tem papo
e pé.
Será o sapo?
O sapo não é.

(Piu!)

É o passarinho
que fez seu ninho
no sapé.

Pio com papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu:
Passarinho.

Passarinho no sapé.

Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990, p. 58.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 126.

Entendendo o poema:

01 – O poema começa fazendo um mistério sobre quem tem papo e pé. Quais foram as duas primeiras hipóteses de animais mencionadas que começam com a letra "P"?

      O poema menciona primeiro o próprio "P" (como uma letra personificada) e depois sugere que poderia ser o sapo, antes de revelar o verdadeiro animal.

02 – O que diferencia o "P" do passarinho, de acordo com o texto?

      O texto diz que o "P" só tem papo e pé, mas não pia. Já o passarinho é quem faz o som "Piu!".

03 – Onde o passarinho decidiu construir o seu abrigo?

      O passarinho construiu o seu ninho no sapé (um tipo de gramínea usada para cobrir telhados ou ninhos).

04 – A autora utiliza muitas palavras que começam com a letra "P". Quais são elas?

      As palavras são: P, papo, pé, pia, piu, passarinho e pio. Essa repetição ajuda a criar o ritmo e a sonoridade do poema.

05 – Como o poema termina e qual é o som que confirma a identidade do animal?

      O poema termina confirmando que é o passarinho no sapé, e o som que confirma sua identidade é o "Piu-piu-piu".

 

 

POEMA: PROFISSÕES - JOSÉ PAULO PAES - COM GABARITO

 Poema: Profissões

            José Paulo Paes

O marujo

Marinheiro pequenino

bebeu água ao se deitar.

Acordou de madrugada:

a sua cama era um mar.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgbllrZrGVIBFE3HKL7uc_vWAZK9YzOQKhMiGJd8viGGXogF4X7okn0KtuQMI7gAVrX_DQk8VW-j5fKhaqUBAs-Cshb9Cxedi4EYljUUAWDnXQYrtpKKJ6qmRWdrpK5i88mFYj3so2anpb-AKBze6EUg1-6vnhA2HHlbBqyV-ikhOzsQEQ-44zj0_fUhSU/s1600/MARUJO.jpg


O carpinteiro

Bate bate martelinho

mas não bata feito cego.

cuidado com o meu dedo q

ue o meu dedo não é prego.

O bombeiro

Blen blen blen blen

Quem vem? Quem vem?

É o bombeiro e vem ligeiro.

Alguém o chama para apagar a chama.

ele vem que vem blen blen blen blen.

PAES, José Paulo. Poemas para brincar. São Paulo: Ática, 1991.

Fonte: Rumo a novos Letramentos e Alfabetização. Ângela M. Chanoski-Gusso / Rossana A. Finau. 3º ano. 1ª edição, Curitiba, 2011. p. 100-101.

Entendendo o poema:

01 – No trecho "O marujo", o que aconteceu com a cama do personagem quando ele acordou?

      A cama dele se transformou em um mar. Isso aconteceu porque o "marinheiro pequenino" bebeu muita água antes de se deitar.

02 – Qual é o conselho ou alerta dado ao carpinteiro durante o seu trabalho?

      O alerta é para que ele bata o martelo com cuidado e não "feito cego", para não acertar o dedo de quem fala, já que o dedo não é um prego.

03 – No trecho "O bombeiro", como o autor utiliza as palavras para representar o som da sirene?

      O autor utiliza a onomatopeia "Blen blen blen blen" para imitar o som do sino ou da sirene do caminhão de bombeiros.

04 – O poema brinca com dois sentidos da palavra "chama" no trecho sobre o bombeiro. Quais são eles?

      O primeiro sentido é o do verbo chamar (alguém pede ajuda), e o segundo sentido é o de fogo (o incêndio que o bombeiro precisa apagar).

05 – O poema de José Paulo Paes utiliza o humor e a imaginação para falar sobre o trabalho. Dê um exemplo dessa característica no texto.

      Um exemplo é no trecho "O marujo", onde o autor usa a imaginação infantil ao transformar uma cama molhada (provavelmente por um "acidente" noturno após beber água) em um mar para um pequeno marinheiro.

 

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA: PINTURA CORPORAL INDÍGENA - DANILO SOARES - COM GABARITO

 Poema: Pintura corporal indígena

             Danilo Soares

Carga gigante de interpretações,

Força enorme de representação

Da cultura do povo campeão

Em índoles e de conservações.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjeVUFtZgPFm1U_Ia14-C9vTqNjTRIGgtM8tgXtrBxuYFUbSI_eoEdW1Z69JS4a0oVIzi75v9qZSKlGb3pIncDDzdWxK8gv30VJri1z-m091DRUf5zf8geN_pOwYpCFR376hR1Z6d4lgRQ0wCzgRmlXWrbeBAI1NQ6N1MaYZ1dAtwrwXgQFIZzWuZEeMnE/s320/PINTURA.jpg


 

Alegra a pele de maneira artística.

Jenipapo se transforma em magia,

O pincel dança sob a poesia

E o indígena mantém a vida rica.

 

Livra alma e levanta a força do povo,

Assim empodera o desanimado

Desenterrando afeto que há enterrado.

 

Cada traço pintado é um riso novo!

Cada desenho é alívio à consciência

E torna-se a principal resistência.

SOARES, Danilo. Pintura corporal indígena. 14 maio 2019. Disponível em: https://www.instagram.com/p/B-r19upAYtM/. Acesso em: 05 nov. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 93.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal função da pintura corporal mencionada na primeira estrofe?

      De acordo com a primeira estrofe, a pintura corporal possui uma "carga gigante de interpretações" e uma "força enorme de representação". Ela funciona como um símbolo da cultura, da índole e da preservação do povo indígena.

02 – Quais elementos práticos e materiais da pintura são citados pelo autor?

      O poema menciona o jenipapo (fruto comumente usado para fazer a tinta preta) que "se transforma em magia" e o uso do pincel, que "dança sob a poesia" para alegrar a pele de maneira artística.

03 – De que forma a pintura corporal afeta o estado emocional e espiritual do indígena, segundo o texto?

      O autor afirma que a pintura "livra a alma", "levanta a força do povo" e "empodera o desanimado", sendo capaz de trazer à tona ("desenterrar") afetos que estavam esquecidos ou guardados.

04 – Como o poema relaciona a estética (o desenho) com o sentimento de alegria?

      Na última estrofe, o eu-lírico declara que "cada traço pintado é um riso novo", sugerindo que o ato de pintar e a beleza dos desenhos resultam em felicidade e alívio para a consciência.

05 – O que o autor quer dizer com o verso "E torna-se a principal resistência"?

      O verso sugere que a pintura corporal não é apenas um adorno, mas um ato político e cultural de afirmação. Ao manter seus costumes vivos e visíveis na pele, os povos indígenas resistem ao apagamento de sua cultura e reafirmam sua identidade diante do mundo.

 

 

 

domingo, 22 de março de 2026

POEMA: ODE PARA O FUTURO - JORGE DE SENA - COM GABARITO

 POEMA: Ode para o futuro

                     JORGE DE SENA

 

Falareis de nós como de um sonho.

Crepúsculo dourado. Frases calmas.

Gestos vagarosos. Música suave.

Pensamento arguto. Sutis sorrisos.

Paisagens deslizando na distância.

Éramos livres. Falávamos, sabíamos,

e amávamos serena e docemente.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQpvp517m2ayXTXbj4Ne6_h0H3lEesHaBhS62-Tm1rCdNiAjZ2gygaMlCDS_V-wx6oTc3Na0mkchyphenhyphenkHvTrtkZZ14P0A93yk2whKK-3wpElMB8MR-oE0T7vp8JFb7m3XlbNeeudr041YX0L_UrMFgHojrmu4V57UistDo0rH2ezgdu33WEcPiHBxsrkrKA/s320/3452172-dourado-crepusculo-amanhecer-ceu-antes-do-sol-ceu-fundo-foto.jpg
 

Uma angústia delida, melancólica,

sobre ela sonhareis.

 

E as tempestades, as desordens, gritos,

violência, escárnio, confusão odienta,

primaveras morrendo ignoradas

nas encostas vizinhas, as prisões,

as mortes, o amor vendido,

as lágrimas e as lutas,

o desespero da vida que nos roubam

- apenas uma angústia melancólica,

sobre a qual sonhareis a idade de ouro.

 

E, em segredo, saudosos, enlevados6,

falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

JORGE DE SENA

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Entendendo o texto

01. Qual é a principal atitude do eu lírico em relação à forma como as gerações futuras perceberão o presente?

a.   O eu lírico espera que o futuro aprenda com os erros do presente para não repeti-los.

b.   O eu lírico expressa indiferença sobre como a história será contada nos séculos vindouros.

c.   O eu lírico acredita que o futuro entenderá perfeitamente todas as dores e lutas da época atual.

d.   O eu lírico prevê que o futuro verá o presente de forma idealizada e distorcida, como uma 'idade de ouro'.

02. No trecho 'Frases calmas. / Gestos vagarosos. Música suave.', qual figura de linguagem é predominante para construir a imagem que o futuro terá do presente?

a.   Onomatopeia, para reproduzir os sons da natureza descrita no poema.

b.   Assíndeto, através da omissão de conjunções para criar uma enumeração de imagens estáticas.

c.   Personificação, atribuindo sentimentos humanos à música e aos gestos.

d.   Hipérbole, para exagerar o barulho e a agitação da vida moderna.

03. A antítese é uma figura central no poema. Qual das oposições abaixo melhor representa o conflito entre a 'aparência' e a 'realidade' descrita por Jorge de Sena?

a.   A diferença entre o 'amor vendido' e as 'lágrimas' de quem sofre.

     b.   O contraste entre o 'crepúsculo dourado' (visão do futuro) e as 'prisões/mortes' (realidade vivida).

    c.   O embate entre as 'primaveras morrendo' e as 'encostas vizinhas'.

    d.   A oposição entre o 'segredo' e o ato de 'falar' mencionado na última estrofe.

04. Ao utilizar a expressão 'idade de ouro' para se referir ao modo como o futuro verá o presente, o eu lírico utiliza qual recurso expressivo?

a.   Eufemismo, para suavizar a dor das prisões citadas anteriormente.

b.   Ironia, pois o presente é marcado por violência e falta de liberdade, o oposto de uma era dourada.

c.   Metonímia, substituindo a parte (o ouro) pelo todo (a riqueza do presente).

d.   Pleonasmo, reforçando que o futuro será necessariamente melhor que o agora.

05. Qual é o efeito de sentido da repetição da expressão 'de nós' com pontos de exclamação na última estrofe?

a.   Indicar que o eu lírico está chamando as pessoas do futuro para um diálogo direto.

b.   Sugerir que o eu lírico tem dúvidas sobre quem são os verdadeiros responsáveis pelas 'tempestades'.

c.   Demonstrar a alegria do eu lírico por saber que será lembrado com carinho.

d.   Enfatizar a indignação ou o espanto do eu lírico diante da incompreensão futura sobre sua existência real.