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sábado, 1 de agosto de 2026

POEMA: O DIA DA CRIAÇÃO -II - VÍNICIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poema: O dia da criação – II

           Vinícius de Moraes

 

Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwgEiBe3S3eG5zup8kPcdlhg2HxiEnQxiT7q-oBZJ8yCPz4CSJSQH14TF27CGAjJTUfxwwJLS6qAvxuTW2U-Uq0ZP4LP7lCYHashxBzqXSj1cYXtw3wQ3sIELM7z1OYFaJ0WWq_L1TdlLIJBDZdCahRFJ5PQhUUAO02bQtJdU-fUFmPXzwfyIxNMs89_I/s320/images.jpg


            Vinícius de Moraes.

 

Entendendo o poema:

01 – Qual tipo de oração subordinada estrutura o poema? 

      Causal.

02 – O que o eu poético revela por meio da repetição dessa oração? 

      As coisas e eventos que acontecem num sábado.

03 – Qual é o recurso estilístico (figura de linguagem) predominante no trecho e qual é a sua função no poema?

      A figura de linguagem predominante é a anáfora (repetição de uma mesma palavra ou expressão no início/final de versos ou estrofes), evidenciada na repetição constante da frase "Porque hoje é sábado". Essa repetição contínua funciona como uma justificativa quase automática para todos os comportamentos, excessos, contradições e desejos descritos, transmitindo a ideia de que o sábado é um dia fora da rotina comum, onde tudo ganha outra dimensão.

04 – Como o poema retrata a diversidade de comportamentos e figuras humanas na cidade durante o sábado? Cite exemplos do texto.

      O poema retrata o sábado como um dia em que a vida urbana se manifesta de forma intensa, diversa e cheia de contradições. O eu lírico apresenta desde figuras religiosas que tentam se misturar ("um padre passeando à paisana") e a busca pelo prazer e boemia ("damas de todas as classes", "um beber e um dar sem conta"), até momentos de fragilidade ("uma infeliz que vai de tonta") e sentimentos de frustração ou revolta ("frenesi de dar banana").

05 – De que maneira o tom do poema se transforma no último verso citado ("Há a sensação angustiante / Porque hoje é sábado")?

      Apesar de o sábado ser tradicionalmente associado à diversão, ao alívio e à liberdade no fim de semana, o último verso introduz uma virada de tom (quebra de expectativa). A intensa movimentação e os excessos do dia revelam, ao final, um vazio ou uma angústia existencial, mostrando que a busca frenética pelo prazer e pela evasão nem sempre traz preenchimento pleno, podendo resultar em uma "sensação angustiante".

 

 

 

POEMA: FELICIDADE - JULIANY REIS - COM GABARITO

 Poema: Felicidade

           Juliany Reis

      Habilidade EF89LP34 – Consiste na organização de texto dramático, para teatro/TV.

Hoje à tardinha o céu se pintou de rosa

Estava por vir alguma alegria...

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQMDVJfOB1Xvt5PhujVLp8WetuubsjBlz1zS7rpM__e8633UX7FORuBbO1yZGRzKSJOAPu3ETi8MRh1wKfJEHUN_1BDE2_o2Z81ahFu9UZTNhSVw_UHZH1TC5lgOg64t6U2NOMw11qWGAcAgm-btm46J1DgWbsdEsg5CcciSuosVfsrlRRS8LFpr036mg/s320/images.jpg 


Meu amor me chamou para casar

Teve show no boteco da praça

Vi a noite despertando em luar.

Eu vesti meu vestido florido.

Encontrei mais que velho amigo

Desatei nesta noite a sorrir.

Juliany Reis.

Entendendo o poema:

        Reescreva o poema acima na estrutura de um texto teatral de cena única, com dois personagens intitulados “MOÇA” e “MEU AMOR”, transformando os últimos versos de cada estrofe em rubricas relativas ao personagem MOÇA e adaptando tudo o que for necessário para compor esse tipo de texto.

Título da cena: Felicidade

        CENA ÚNICA

        (A cena se passa em uma praça ao entardecer. O céu apresenta tons rosados. O som de um bar ao fundo indica que haverá música).

        MOÇA

        Hoje à tardinha p céu se pintou de rosa. Está por vir alguma alegria... (A MOÇA olha para o céu e suspira, pressentindo algo bom).

        MEU AMOR

        (Aproximando-se com ternura). Quero que você se case comigo.

        MOÇA

        (Surpresa e feliz) Ouça... já começou o show no bar da praça! (A MOÇA volta o olhar para o horizonte, observando a noite despertando em luar).

        MEU AMOR

        Você está linda com este vestido florido.

        MOÇA

        Hoje encontrei em você muito mais que um velho amigo; encontrei o meu destino. (A MOÇA desata a sorrir).

         

domingo, 26 de julho de 2026

POEMA: ÚLTIMO AVISO - PAULO LEMINSKI - COM GABARITO

 Poema: Último aviso

          Paulo Leminski


Caso alguma coisa me acontecer,

informem a família, foi assim, assim tinha que ser

tinha que ser dor e dor esse processo de crescer

tinha que vir dobrado esse medo de não ser

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgyCYumms3aqAdK0PDnd3jGTWXKc0Lqbz_n7y5EHz0nVG1fx3SizThv5uiQufgPokFlNepXdFUOR4z7zTpWkVuCiJWAfubKfIvfvxv0-vqpBre6ST3eoBbVOyrfvJIx9hotH5yFWevRRxpAkGII3BeFd7ZoB2fuFSBXdYvYT2l1xzYReHwlgXHNKS_uXjE/s320/images.jpg


tinha que ser mistério esse meu modo de desaparecer

um poema, por exemplo,

caso alguma coisa me suceder,

vá que seja um indício

quem sabe ainda não acabei de escrever.

                                                                               Paulo Leminski


Entendendo o poema:

01 – Identifique e classifique as orações subordinadas adverbiais presentes nesse poema. 

      Caso alguma coisa me acontecer, caso alguma coisa me suceder.

 

02 – Reescreva essas subordinadas usando outra conjunção. 

      Se alguma coisa me acontecer, se alguma coisa me suceder.

 

03 – Quando o eu poético diz “caso alguma coisa me acontecer”, ele na verdade está se referindo a um acontecimento específico. Qual é esse acontecimento?  

      A morte.

 

04 – Forme um período composto por subordinação, ligando as orações abaixo pelas conjunções e locuções conjuntivas causais a seguir: como, porque, uma vez que, já que. Faça as adaptações necessárias.

a) É preciso medidas que minimizem o aquecimento global. O aquecimento global é um processo irreversível.  

      É preciso medidas que minimizem o aquecimento global já que ele é um processo irreversível.

b) Houve um grande aumento na tarifa de ônibus. A população mobilizou para protestar. 

      A população se mobilizou para protestar porque houve um grande aumento na tarifa dos ônibus.

c) Amanhã não haverá aula. Amanhã é feriado municipal. 

      Amanhã não haverá aula, uma vez que é feriado municipal.

 

sábado, 25 de julho de 2026

POEMA: TREM SUJO DA LEOPOLDINA - SOLANO TRINDADE - COM GABARITO

 Poema Trem sujo da Leopoldina 

           Solano Trindade

 

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer
Tem gente com fome
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh1Ok8Hc3xWMKadblM7-Ts2aAbjaE9iri5Pdd1AukyhR4kOlyHAeXfEAjKvDBYwvVIG80qvLVBkKCUskS90Pegn5scL9UpyrRcit3I1BnmlEwIE8enhDmN2ljnn1nmQYZMk2h9NdqEmWwJPmxji-y-iAveuWA6JnnvDhMGUayGI6KYRdwgJR6fP1nCIJLQ/s320/Leopoldina.jpg 

Piiiiii

Estação de Caxias
De novo a dizer
De novo a correr
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Tem gente com fome

 

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso

 

Carlos Chagas
Triagem, Mauá

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer

 

Tem gente com fome
Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Tantas caras tristes
Querendo chegar
Em algum destino
Em algum lugar

 

Trem sujo da Leopoldina
Correndo correndo
Parece dizer
Tem gente com fome

Tem gente com fome
Tem gente com fome

 

Só nas estações
Quando vai parando
Lentamente começa a dizer
Se tem gente com fome
Dá de comer
Se tem gente com fome
Dá de comer

Se tem gente com fome
Dá de comer

Mas o freio de ar
Todo autoritário manda o trem calar
Psiuuuuuuuuu.

 

Entendendo o poema:

01 – O que o trem parece dizer enquanto corre pelos trilhos?

      O trem parece repetir incessantemente a frase: "Tem gente com fome / Tem gente com fome / Tem gente com fome".

 

02 – Ao longo do poema, são citados vários nomes próprios em sequência. O que representam esses nomes (como Caxias, Vigário Geral, Olaria, Ramos)?

      Eles representam os nomes das estações e localidades por onde o trem da Estrada de Ferro Leopoldina passa no subúrbio do Rio de Janeiro.

 

03 – Como são descritas as pessoas que viajam no trem e qual é o desejo delas?

      O poema descreve os passageiros como tendo "caras tristes", cujo único desejo é "querer chegar em algum destino, em algum lugar".

 

04 – Qual é a reivindicação ou apelo que surge quando o trem começa a parar nas estações?

      O poema clama por solidariedade e ação diante da miséria, com a mensagem: "Se tem gente com fome, dá de comer".

 

05 – O que acontece no final do poema quando o trem tenta expressar a fome das pessoas, e qual é o significado disso?

      O "freio de ar" do trem, descrito como "todo autoritário", manda o trem calar com um som de silenciamento ("Psiuuuuuuuuu"). Isso simboliza a censura, o abafamento dos problemas sociais e a tentativa de silenciar a voz daqueles que denunciam a fome e a pobreza.

 

sábado, 11 de julho de 2026

POEMA: SER MÃE - COELHO NETO - COM GABARITO

 Poema: Ser Mãe 

            Coelho Neto  

 

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra 

o coração! Ser mãe é ter no alheio 

lábio que suga, o pedestal do seio, 

onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. 

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAO-awJpTpu8kGG4v1hFC0qjrZ0rZOmi1dTLonm_xMnsPn0RpU5GcQWQ-nAOaAZLeft2hRBZd85KOxaF3FWhEkcXBa35Gwl2XfJiKysuKuF8V98eaFLr57Dq7NDGz0Mpu-laGcrZrEw3obabQgIUCVxCXQbBgg1BxRsdrCQRbDcEqjnUQJfhRjuxPjtFA/s320/images.jpg
 

Ser mãe é ser um anjo que se libra 

sobre um berço dormindo! É ser anseio, 

é ser temeridade, é ser receio, 

é ser força que os males equilibra! 

 

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, 

espelho em que se mira afortunada, 

Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! 

 

Ser mãe é andar chorando num sorriso! 

Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! 

Ser mãe é padecer num paraíso! 

Coelho Neto. Poema Ser mãe.

Entendendo o poema:

01 – O que a expressão "desdobrar fibra por fibra o coração" sugere sobre a maternidade na primeira estrofe?

      Sugere a doação absoluta e o sacrifício pessoal da mãe. Ela se entrega por inteiro, desfazendo-se de si mesma (emocional e fisicamente, como evocado na imagem da amamentação) para gerar, nutrir e dar vida ao filho.

02 – Quais sentimentos e papéis são atribuídos à mãe na segunda estrofe?

      A mãe é retratada em uma mistura de sentimentos intensos e protetores:

      Protetora espiritual: É comparada a um "anjo que se libra" (paira) sobre o berço;

      Dualidade emocional: Vive entre o "anseio" (expectativa), a "temeridade" (coragem) e o "receio" (medo);

      Fortaleza: É descrita como a força que equilibra os males do mundo.

03 – De acordo com a terceira estrofe, de que maneira a felicidade da mãe está vinculada ao filho?

      A felicidade da mãe é totalmente dependente do bem-estar do filho. O poema coloca o filho como um "espelho" onde ela se enxerga realizada e afortunada, e como a "luz" que dá um novo sentido e brilho ao seu olhar.

04 – A última estrofe é construída sobre paradoxos (ideias opostas). Quais são eles e o que demonstram?

      Os paradoxos são: "andar chorando num sorriso", "ter um mundo e não ter nada" e "padecer num paraíso". Eles demonstram a complexidade da maternidade, expondo como o papel de mãe consegue unir, ao mesmo tempo, a dor do sacrifício e a maior das alegrias, a abdicação de si mesma e a posse de uma riqueza infinita (o amor pelo filho).

05 – Como se pode interpretar o famoso verso final: "Ser mãe é padecer num paraíso!"?

      O verso sintetiza a dualidade da maternidade. O "padecer" simboliza as dores físicas, as preocupações constantes, as noites em claro e os sofrimentos que vêm com a criação de um filho. Já o "paraíso" representa o estado de graça, a plenitude e o amor incondicional que compensam qualquer sofrimento, tornando a experiência sublime.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

POEMA: MÃE - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: Mãe 

            Mário Quintana

 

Mãe... São três letras apenas

As desse nome bendito:

Também o Céu tem três letras...

E nelas cabe o infinito.

 
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiIq5s4rcdrT2aOHNvj38Ceh8JwhbKbN2FDxdxeQj8zgCMxJIRcQdFiNRAAehQV_9fY9zKcPEp0skKPGwU8lRaazi8BE9pkyTJZsJCR2tdwej4gD2XAS2sbYK6f8rYvzRfRr9goIEj1PmJW_1rtWvKgD9dO87IUvNNfuzSaDiHKdOHYVhgTGI3tBlqvkz0/s320/maxresdefault.jpg 



Para louvar nossa mãe,

Todo o bem que se disse

Nunca há de ser tão grande

Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,

Bem sabem os lábios meus

Que és do tamanho do Céu

E apenas menor que Deus!

Mário Quintana. Mãe.

 

Entendendo o poema:

01 – Qual é a associação que o poeta faz com o número de letras da palavra "Mãe"?

      O poeta destaca que a palavra "Mãe" tem apenas três letras e faz uma analogia com a palavra "Céu", que também possui três letras. Com isso, ele mostra que, apesar de ser um nome curto, carrega um significado imenso.

02 – De acordo com a primeira estrofe, o que cabe dentro das três letras da palavra "Céu" (e, por extensão, na palavra "Mãe")?

      O poeta afirma que nessas três letras "cabe o infinito", sugerindo que o amor e a importância da mãe não têm limites ou barreiras, assim como o próprio universo.

03 – Como o poeta compara os elogios do mundo com o amor real que uma mãe sente?

      Na segunda estrofe, ele diz que todo o bem que as pessoas já disseram para louvar as mães nunca será tão grande quanto o bem (o amor e o carinho) que a própria mãe deseja e sente por seus filhos. O amor materno supera qualquer homenagem em palavras.

04 – Na última estrofe, o que os "lábios" do eu lírico sabem sobre a palavra mãe?

      Os lábios sabem que a palavra "mãe", embora seja "tão pequenina", tem a grandeza e o "tamanho do Céu", sendo superada em importância e magnitude apenas por Deus.

05 – Qual é a mensagem central ou o tema principal do poema de Mário Quintana?

      O tema central é a grandiosidade e a infinitude do amor materno. O poema exalta a figura da mãe como algo sagrado e imensurável, mostrando o contraste poético entre a simplicidade de uma palavra de apenas três letras e a imensidão do sentimento que ela representa.

 

 

POEMA: RETRATO DE MÃE - RAMÓN ÁNGEL JARA RUZ - COM GABARITO

 Poema: Retrato de Mãe

              Ramón Ángel Jara Ruz

Uma simples mulher existe que,
pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus
pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo;
Que, sendo moça, pensa como uma anciã;
sendo velha, age com as forças todas da juventude:

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj4HRZbbo0ux-GzOkR3MoT7iQPt2j3y2jkQxLgCXy_dCZOZk15Cb2LtVRtoX1g0qIwdWhtxWtBtrqIdvNhTBXlrqS22WvmOCE4W14Uuee6pdxLjlX9AneTLkC52BWgYOe0aiwnSeLm3XchsV51eIAixCBmOiNoq33OuXSWz4idfHa5wocV_iH0qMG-ZZSg/s320/images.jpg



Quando ignorante, melhor que qualquer sábio
desvenda os segredos da vida;
quando sábia, assume a simplicidade das crianças;
pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama;
rica, empobrece-se para que seu coração
não sangre ferido pelos ingratos;
forte, estremece ao choro de uma criancinha;
fraca, entretanto, se alteia com a bravura dos leões;

Viva, não lhe sabemos dar valor,
porque à sua sombra todas as dores se apagam;
morta, tudo o que somos e tudo o que temos
daríamos para vê-la de novo, e dela receber
um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,
se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum
porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crescerem seus filhos,
leiam para eles esta página;
eles vos cobrirão de beijos a fronte
e vos dirão que um pobre viandante,
em troca de suntuosa hospedagem recebida
aqui deixou para todos
o retrato de sua própria MÃE...

Ramón Ángel Jara Ruz. Tradução de Guilherme de Almeida. Fonte: A BÍBLIA DO OTIMISMO – R. STANGANELLI.

Entendendo o poema:

01 – Na primeira estrofe, com quais figuras divinas e celestiais o poeta compara a mãe e quais características justificam essas comparações?

      O poeta a compara com Deus e com um anjo. O que justifica ter "um pouco de Deus" é a imensidão de seu amor, enquanto o que a faz ter "muito de anjo" é a constância de sua dedicação.

02 – A segunda estrofe trabalha fortemente com oposições de idade e sabedoria. Como o poema descreve a maturidade e a força da mãe nesses versos?

      O poema mostra que a mãe transcende o tempo e a lógica:

      Sendo moça, ela tem a maturidade e o pensamento de uma anciã;

      Sendo velha, ela age com a energia e as forças da juventude;

      Quando ignorante (sem estudos formais), ela desvenda os segredos da vida melhor que qualquer sábio;

      Quando sábia, ela mantém a pureza e a simplicidade de uma criança.

03 – Como a mãe reage diante da riqueza, da pobreza e do sentimento de gratidão das pessoas que ama?

      Sendo pobre materialmente, ela se sente rica e preenchida apenas com a felicidade daqueles que ama. Sendo rica, ela prefere "empobrecer-se" (despir-se de orgulho ou de bens) para proteger seu próprio coração de ser ferido e sangrar pela ingratidão alheia.

04 – De que maneira o texto contrasta a força física e a sensibilidade emocional da mãe?

      O autor usa uma bela metáfora animal e humana: mesmo sendo forte, ela é sensível o bastante para estremecer ao ouvir o choro de uma criancinha; por outro lado, mesmo nos momentos em que está fraca, ela tira forças do fundo da alma e se alteia com a bravura e a coragem dos leões para defender os seus.

05 – Qual é a dolorosa contradição que o eu lírico aponta sobre a forma como tratamos a mãe em vida versus após a sua morte?

      O poeta afirma que, enquanto a mãe está viva, muitas vezes não sabemos dar o devido valor a ela, pois sua presença protetora faz com que todas as nossas dores sumam facilmente (nos acostumamos com o conforto). Porém, quando ela morre, sentimos um vazio tão imenso que daríamos tudo o que somos e temos apenas para ter mais um abraço ou ouvir mais uma palavra dela.

06 – Por que o autor se recusa a revelar explicitamente o nome da mulher de quem está falando na quarta estrofe?

      Ele diz que não quer que exijam o nome dela para não chorar e "ensopar de lágrimas este álbum". O autor se emociona profundamente ao lembrar que viu essa figura sagrada passar em seu próprio caminho, indicando uma saudade dolorosa e pessoal.

07 – Quem é o "pobre viandante" mencionado no final e qual foi o pagamento que ele deixou pela hospedagem recebida?

      O "pobre viandante" (ou viajante) é o próprio poeta. Como agradecimento pela "suntuosa hospedagem" (o acolhimento, carinho e teto que recebeu na vida), ele deixou como pagamento aquela página escrita, que nada mais é do que o retrato universal e eterno de sua própria MÃE.

 

POEMA: MALDIÇÃO - OLAVO BILAC - COM GABARITO

 Poema: Maldição 

           Olavo Bilac


Se por vinte anos, nesta furna escura, 

Deixei dormir a minha maldição, 

_ Hoje, velha e cansada da amargura, 

Minha alma se abrirá como um vulcão. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhZ1SrogusCOrnp7_HsnS_6sVSQ3IoEwer-9cxvgBxjbXv7uAgHICJnV1NEVtCgjG4NKVPaLfAKds0D2IuXGBhEiHSIPXyMVfHzhVJQhBcMbvI3birxMV_zaJvbKc2uEA2PgkGZQSX-zYUBoAOLqpXRHTRg69cbkSgnSBtV2Zi5UHvUWTEkmjpo_uMVBp8/s320/MALDI%C3%87%C3%83O.jpg
 


E, em torrentes de cólera e loucura,

Sobre a tua cabeça ferverão

Vinte anos de silêncio e de tortura,

Vinte anos de agonia e solidão...


Maldita sejas pelo ideal perdido!

Pelo mal que fizeste sem querer!

Pelo amor que morreu sem ter nascido!


Pelas horas vividas sem prazer!

Pela tristeza do que eu tenho sido!

Pelo esplendor do que eu deixei de ser!...

Olavo Bilac. Poema Maldição.

 

Entendendo o poema:

01 – A primeira estrofe do poema introduz uma mudança drástica no estado de espírito do eu lírico. Explique que mudança é essa e qual metáfora da natureza é utilizada para ilustrá-la.

      A mudança consiste na transição de um longo período de repressão e silêncio emocional para uma explosão violenta de sentimentos guardados. O eu lírico passou vinte anos contendo sua "maldição" em segredo ("furna escura"), mas agora sua alma não suporta mais a amargura. Para ilustrar essa liberação violenta de raiva e dor, ele utiliza a metáfora de um vulcão que se abre, indicando que o que estava guardado virá à tona de forma destrutiva e incontrolável.

02 – Na segunda estrofe, como o eu lírico descreve a passagem do tempo e de que maneira esses anos afetarão o interlocutor (a pessoa a quem o poema é dirigido)?

      O eu lírico descreve o tempo como um período doloroso de duas décadas marcado por "silêncio", "tortura", "agonia" e "solidão". Esse acúmulo de sofrimento não desapareceu; pelo contrário, transformou-se em "torrentes de cólera e loucura". Esses sentimentos represados afetarão o interlocutor de forma punitiva e avassaladora, pois "ferverão" sobre a sua cabeça, caindo como um castigo tarde, mas implacável.

03 – No início da terceira estrofe, o eu lírico amaldiçoa o interlocutor "pelo mal que fizeste sem querer". Como esse trecho humaniza e complexifica a relação entre os dois?

      Ao dizer que o mal foi feito "sem querer", o eu lírico reconhece que o interlocutor pode não ter tido a intenção deliberada de machucá-lo ou de destruir seus sonhos. Isso complexifica a relação porque mostra que a dor do eu lírico não decorre necessariamente de uma maldade cruel ou de uma vilania consciente, mas talvez de uma rejeição, de um desencontro ou da incapacidade do outro de corresponder ao amor esperado. Mesmo sabendo da falta de intenção, o eu lírico não consegue aplacar seu rancor, o que torna o poema ainda mais trágico.

04 – O sofrimento do eu lírico não se limita ao que aconteceu no passado, mas se estende ao que ele se tornou. Com base nos dois últimos versos, explique o duplo motivo de sua amargura atual.

      O duplo motivo de sua amargura reside no contraste entre a realidade presente e o potencial perdido do passado. Primeiro, ele sofre pela "tristeza do que eu tenho sido", ou seja, pela sua condição atual de alguém amargurado, cansado e solitário. Segundo, e de forma ainda mais dolorosa, ele lamenta pelo "esplendor do que eu deixei de ser", que representa a vida brilhante, feliz e realizada que ele poderia ter tido se os seus ideais e o seu amor não tivessem sido destruídos.

05 – O poema utiliza intensamente o recurso da anáfora (repetição de uma palavra ou expressão no início de vários versos) nas duas últimas estrofes. Identifique essa repetição e explique o efeito de sentido que ela causa no texto.

      A anáfora ocorre com a repetição da palavra "Pelo" / "Pela" / "Pelas" no início de quase todos os versos da terceira e da quarta estrofes (ex.: "Pelo ideal perdido", "Pelo mal", "Pelo amor", "Pelas horas"). O efeito de sentido dessa repetição é o de criar uma lista cumulativa de motivos para a maldição. Ela funciona como uma contagem obsessiva dos danos sofridos, aumentando o ritmo dramático e a musicalidade do poema, como se o eu lírico estivesse jogando na cara do interlocutor, um a um, todos os seus sacrifícios e frustrações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POEMA: BLUSA FÁTUA - MAIAKÓVSKI - TRADUÇÃO AUGUSTO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: BLUSA FÁTUA

 

Costurarei calças pretas

com o veludo da minha garganta

e uma blusa amarela com três metros de poente.

Pela Niévski do mundo, como criança grande,

andarei, donjuan, com ar de dândi.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDz9q1DkljHx65bLcaJUJYGVzUE9M3-kSbRsReIPWnARoHZRorgK7IEruT9laAbQbEFEqdOcNkuvt8Pd-hb1_rRMkcHiiR8qLQbMAAsVGBA_fdM4bjJgMrx6TGo5uKrYBfWKxQFEQHgxtxlcd0-zD6JbA677w4YbmDEi9zjSMLbzQzJcN-ksfcOpnvELw/s1600/BLUSA.jpg

Que a terra gema em sua mole indolência:

“Não viole o verde de as minhas primaveras!”

Mostrando os dentes, rirei ao sol com insolência:

“No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!”

 

Não sei se é porque o céu é azul celeste

e a terra, amante, me estende as mãos ardentes

que eu faço versos alegres como marionetes

e afiados e precisos como palitar dentes!

 

Fêmeas, gamadas em minha carne, e esta

garota que me olha com amor de gêmea,

cubram-me de sorrisos, que eu, poeta,

com flores os bordarei na blusa cor de gema!

 

Maiakóvski – tradução: Augusto de Campos.

 

Entendendo o poema: 

01 – Que roupas o eu lírico imagina costurar para si na primeira estrofe e de quais elementos inusitados elas seriam feitas?

      O eu lírico imagina confeccionar calças pretas feitas com o "veludo de sua própria garganta" (uma metáfora ligada à sua voz e poesia) e uma blusa amarela feita com "três metros de poente" (utilizando a luz e a cor do entardecer como tecido).

02 – Qual é a atitude do eu lírico ao caminhar pela "Niévski do mundo" e como ele se autodefine nesse trecho?

      Ele caminha de forma provocadora, vaidosa e desafiadora. O eu lírico se autodefine como uma "criança grande", mas também como um "donjuan" e um "dândi" (um homem requintado, que se preocupa excessivamente com a elegância e a postura urbana), cruzando a Avenida Niévski — a famosa e movimentada avenida de São Petersburgo — que aqui ganha uma dimensão universal ("Niévski do mundo").

03 – Como o eu lírico reage ao apelo da Terra para que ele não viole o "verde de suas primaveras"?

      Ele reage com deboche, insolência e total desprezo pelo tradicionalismo romântico da natureza. Mostrando os dentes e rindo do sol, ele afirma com arrogância que prefere a modernidade urbana: "No asfalto liso hei de rolar as rimas veras!", preferindo a crueza da cidade e da rua para fazer sua poesia real (rimas veras).

04 – Quais são as duas características marcantes que o eu lírico atribui aos seus próprios versos na terceira estrofe?

      Ele define seus versos através de duas comparações muito distintas: primeiro, diz que são "alegres como marionetes", trazendo uma leveza teatral e lúdica; segundo, afirma que são "afiados e precisos como palitar dentes", mostrando o caráter cortante, cirúrgico, cotidiano e sem frescuras de sua poesia.

05 – Na última estrofe, o que o poeta promete fazer com os sorrisos das mulheres que são atraídas por ele?

      O eu lírico pede que as mulheres ("fêmeas, gamadas" em sua carne) e a garota que o olha com amor o cubram de sorrisos. Ele promete receber esses sorrisos e, na sua função de poeta, "bordá-los" com flores em sua blusa cor de gema (a blusa amarela mencionada no início do poema).

 

 

terça-feira, 7 de julho de 2026

POEMA: TORRE AZUL - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: TORRE AZUL

 

É preciso construir uma torre

-- uma torre azul para os suicidas.

Têm qualquer coisa de anjo esses suicidas voadores,

qualquer coisa de anjo que perdeu as asas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrUgTPv8XNif40mMx9i4LPHwMXyDRMlQZ8BgiuyF8TpjVfRFfdn6Ja2A_cxlCnGQU4rv6wojJlm_QokDMBw3yVHFMnTop5T2vXhFqy76sGBO1RRVBt4_i9dtH1W65I-daDKMcqAnHRM2jcxUkSX5ajRb1RXaukrGhigBf4J_bWUCDGysyi-mB8Ii8wryM/s320/images.jpg


É preciso construir-lhes um túnel

-- um túnel sem fim e sem saída

e onde um trem viajasse eternamente

como uma nave em alto-mar perdida.

 

É preciso construir uma torre…

É preciso construir um túnel…

É preciso morrer de puro,

puro amor!… 

Mario Quintana. Poema do livro Baú de Espantos, retirado de Poesia Completa – Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 587.

Entendendo o poema:

01 – Como o eu lírico caracteriza as pessoas que decidem tirar a própria vida?

a)   Anjos que perderam as asas.

b)   Pássaros que não sabem voar.

c)   Viajantes de um mundo azul.

c)   Seres que odeiam a existência.

 

02 – Qual é a função simbólica da 'Torre Azul' mencionada no texto?

a)   Uma prisão para punição.

b)   Um refúgio de acolhimento.

c)   Um farol para os vivos.

d)   Um monumento de vitória.

 

03 – Que característica fundamental define o 'túnel' sugerido no poema?

a)   A inexistência de uma saída.

b)   A brevidade do seu percurso.

c)   A presença de luz intensa.

d)   O barulho constante do mar.

 

04 – A que o trem que viaja pelo túnel é comparado pelo autor?

a)   Vento em campo aberto.

b)   Anjo em busca de asas.

c)   Nave em alto-mar perdida.

d)   Estrela em queda livre.

 

05 – De acordo com o último verso, qual é o motivo final para tal entrega ou estado?

a)   Por puro amor.

b)   Por medo do fim.

c)   Por tédio da vida.

d)   Por falta de luz.