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terça-feira, 15 de setembro de 2026

POEMA: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO - MÁRIO QUINTANA - COM GABARITO

 Poema: SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

             Mário Quintana

 

Uma procissão de espantalhos,

pela miséria colorida,

pelos atalhos

vinha:

pediam vida, queriam vida!

E as suas caras eram trágicas

Porque tinham todas a mesma expressão

-- que era o mesmo que não terem

E tão insuportável era aquela cara única

que a polícia atirou em cima deles bombas

de gás hilariante.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg8RHFPiSXB2VlNnOjwQdhWBXYd9hYqKPQNwFATUR4SM2w5mPahid4db-byw-WfzseYuvAkIn4gGUj7infa4ZECtYTVQ_RQbOK-ZcB9_tfPagY7eOJ1-WZU5sT2UPHZTBKtDD0leZ8vlPsrruPkWcV6CPmAmWeP5-Ap7laUb939TkjrGSQqVPyblaqVvtM/s1600/images.jpg
  


Nenhum espantalho riu.

A procissão continuou,

a procissão está agora em plena Estrada Real

enquanto

pelos atalhos

por toda a parte

por cima dos gramados

por cima dos corpos atropelados

os automóveis fogem como baratas.

 

Mário Quintana. Caderno H. São Paulo, Globo.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesse texto, a ideia da “procissão de espantalhos” ora é indicada por verbos e expressões no singular, para marcar sua união; ora por verbos e expressões no plural, para marcar a quantidade de espantalhos. Transcreva um exemplo de cada caso.

      “Pelos atalhos 'vinha'”; "pediam 'vida' ", “‘queriam' vida".

 

02 – Esse emprego no singular e plural é um desvio do padrão culto da língua, pois, optando-se por uma concordância, seria de esperar que ela se mantivesse. Analise o poema com atenção e explique se o desvio deve ser considerado um erro um ou recurso expressivo.

      Evidentemente, trata-se de um desvio estilístico, é um recurso expressivo utilizado INTENCIONALMENTE pelo autor, portanto não há indícios de erro gramatical, já que o autor o fez para expressar melhor o sentido do poema.

 

03 – O que representam a "procissão de espantalhos" e a sua "mesma expressão" trágica no contexto social abordado pelo poema?

      A "procissão de espantalhos" simboliza as populações marginalizadas, invisíveis ou empobrecidas da sociedade ("miséria colorida"). O uso da figura do espantalho remete a algo feito de trapos, sem vida real, colocado apenas às margens. A "mesma expressão" (ou ausência de expressão individual) representa a perda da identidade e a desumanização causadas pela extrema pobreza e pela exclusão social, transformando a massa de esquecidos em uma figura única, trágica e uniforme.

 

04 – Qual é o significado da reação da polícia ao atirar bombas de gás hilariante e do fato de que "Nenhum espantalho riu"?

      A atitude da polícia representa a tentativa do Estado de alienar, conter ou mascarar a dor social por meio de uma falsa leveza ou repressão ironicamente maquiada (o gás hilariante em vez de uma solução real para a "falta de vida"). A reação nula — "Nenhum espantalho riu" — demonstra a profundidade da tragédia e da dor daquelas pessoas: a miséria e a desesperança são tão absolutas que nem mesmo o efeito coercitivo ou ilusório do gás consegue forçar um riso artificial.

 

05 – Como a metáfora final dos "automóveis que fogem como baratas" dialoga com a diferença entre as classes sociais no poema?

      A metáfora estabelece um forte contraste entre a elite/classe média motorizada e os caminhantes marginalizados. Enquanto os "espantalhos" marcham a pé pedindo vida, os automóveis trafegam velozes "por cima dos corpos atropelados", demonstrando a indiferença e a crueldade do progresso urbano. A comparação dos carros a "baratas" inverte a lógica do status: o automóvel, símbolo de poder e modernidade, é reduzido a um inseto repulsivo que foge de forma desordenada para ignorar a realidade social ao seu redor.

 

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

POEMA: PAROLAGEM DA VIDA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Parolagem da Vida

           Carlos Drummond de Andrade

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEj_DiJZ58DPR0IrN0XuMYyz18lob5HlyPcvXpFyH6kL6LF-IXfBQC204ms-lbulyJRnIqVXFnlk5A5QMDMd9DrHeyY10hK2upKlGWg1wV1KL1JZdB7oRHN0RISOksAFnxFXuqOTB90m6IrI1HG-s39T-Cv-aVJCpevZka70yoUuOyXrpOhyphenhyphenlqkgASG0hxk/s1600/images.png



Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!

Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988, p. 390.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 220.

Entendendo o poema:

01 – O título do poema utiliza a palavra "Parolagem" (verborragia, falação sem utilidade). Como essa escolha de título contrasta com a construção dos primeiros versos ("Como a vida muda. / Como a vida é muda...") e qual o efeito de sentido desse jogo fonético?

      A palavra "parolagem" sugere um excesso de palavras fúteis. Drummond usa essa ideia de forma irônica: o poema tenta definir a vida por meio de um acúmulo de tentativas linguísticas, mas esbarra na impossibilidade de enquadrá-la em um único conceito. Nos versos iniciais, o poeta joga com a paronímia entre as palavras "muda" (do verbo mudar) e "muda" (ausência de som/fala). Esse recurso demonstra a mobilidade inconstante da existência e, ao mesmo tempo, o seu silêncio enigmático diante das inquietações humanas, mostrando que a "parolagem" é a tentativa verbal do homem de dar sentido a algo que é mutável e calado.

02 – Ao longo de todo o poema, a vida é caracterizada por pares de opostos (antíteses e paradoxos), como em "Como a vida é nada. / Como a vida é tudo". Identifique outro paradoxo no texto e explique de que modo essa estrutura dialoga com a temática central da obra.

      Outro paradoxo marcante ocorre no verso "Como a vida é vida / ainda quando morte / esculpida em vida". Essa construção expressa que a finitude e a mortalidade fazem parte da própria substância do viver. A estrutura baseada em contradições é fundamental no poema porque reflete a visão drummondiana da existência como algo indecifrável, pleno de polaridades (tudo/nada, paz/guerra, ganho/perda). Para o poeta, a vida não é uma linha reta coerente, mas a convivência simultânea de forças antagônicas.

03 – Na estrofe "Como a vida é bela / sendo uma pantera / de garra quebrada", o eu lírico constrói uma metáfora singular para a beleza da vida. Qual é o significado da imagem da "pantera de garra quebrada"?

      A pantera é um animal associado à força, ao perigo, à selvageria e à elegância. No entanto, ao apresentá-la com a "garra quebrada", o poema insere o elemento da vulnerabilidade, do ferimento e da imperfeição. A beleza da vida, portanto, não reside em um estado intocado de perfeição ou controle, mas sim em sua capacidade de permanecer altiva, selvagem e fascinante mesmo quando ferida e fragilizada pelas adversidades da existência.

04 – Nos versos "Como a vida chora / de saber que é vida / e nunca nunca nunca / leva a sério o homem, / esse lobisomem", de que maneira o eu lírico caracteriza a figura humana e seu papel perante a existência?

      O homem é caracterizado ironicamente como um "lobisomem", metáfora que remete à sua dualidade, instabilidade e natureza bestial/irracional. A vida "nunca leva a sério o homem" porque as pretensões, vaidades e ilusões de controle da humanidade são insignificantes diante do fluxo maior do universo. A vida lamenta sua própria consciência de existir, enquanto assiste às contradições e ao papel quase caricato e trágico desempenhado pelo ser humano.

05 – Analise os versos "Como a vida toca / seu gasto realejo / fazendo da valsa / um puro Vivaldi". Qual é a metáfora presente no "realejo" e o que significa transformar a "valsa" em "Vivaldi"?

      O "gasto realejo" simboliza a rotina repetitiva, gasta e ordinária da existência. No entanto, a vida possui a capacidade de sublimar essa repetição mecânica: ao transformar uma simples "valsa" (música popular/dançante) em um "puro Vivaldi" (referência à alta música clássica e complexa), o poema indica a capacidade da existência de extrair arte, transcendência e sublime daquilo que é banal e desgastado no cotidiano.

06 – Na estrofe final, o eu lírico afirma que a vida é "sempre renascida / em flor e formiga / em seixo rolado / peito desolado / coração amante". De que forma a enumeração desses elementos representa a manifestação da vida?

      A enumeração reúne elementos do reino vegetal (flor), animal (formiga), mineral (seixo rolado) e subjetivo/humano (peito desolado, coração amante). Essa diversidade demonstra que a vida não se restringe à experiência humana nem às emoções nobres; ela é uma força impessoal, democrática e contínua que se renova em qualquer matéria ou estado, seja no sofrimento ("peito desolado") ou no afeto ("coração amante").

07 – O poema culmina nos versos "E como se salva / a uma só palavra / escrita no sangue / desde o nascimento: / amor, vidamor!". Qual é o papel da palavra "amor" e da neologização "vidamor" na conclusão da poesia?

      Após catalogar os absurdos, dores, ironias e contradições da existência, o poema encontra sua síntese e redenção na força do amor. A fusão vocabular neológica "vidamor" unifica visceralmente as duas instâncias: a vida só ganha sentido e salvação quando fundida intrinsecamente ao amor. Esse sentimento é apresentado como algo gravado biologicamente e existencialmente na essência humana ("escrita no sangue desde o nascimento"), funcionando como a resposta final para vencer o absurdo do mundo.

 

domingo, 23 de agosto de 2026

POEMA: O QUE NÓS VEMOS DAS COUSAS SÃO AS COUSAS - ALBERTO CAEIRO - COM GABARITO

 Poema: O que nós vemos das cousas são as cousas

        Alberto Caeiro

O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg97oFbl5wSK7T0yWLSk4LCIU4J-yFj_zdwJy-aOv9pe_RGPKvemxgqntAEoGL_gMSnwvyNbYmY6atPprjewEqN3v3_29Rjb-Fub3ZEhOq6fySDqG0U0nntgU3Toc99YOZH8imh-C9gLpJQN66IDPbvuFd3cNbNFPPvJwsufIsHTr0uQXFHxwtzWtKmKM4/s1600/images%20(1).jpg



Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 217.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 89.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a premissa filosófica fundamental defendida por Alberto Caeiro na primeira estrofe do poema?

a) A negação do dualismo entre a aparência e a essência das coisas.

b) A supremacia da razão sobre as impressões sensoriais imediatas.

c) A impossibilidade de alcançar o conhecimento através dos sentidos.

d) A busca por um significado oculto e transcendente na natureza.

02 – Segundo a segunda estrofe, qual é o principal obstáculo que impede o ser humano de atingir a verdadeira percepção da realidade?

a) A limitação biológica dos órgãos dos sentidos como olhos e ouvidos.

b) A interferência do pensamento racional no ato de contemplação.

c) A recusa em aceitar interpretações simbólicas e metafóricas.

d) A escassez de elementos naturais disponíveis para observação.

03 – O que a metáfora 'trazer a alma vestida' simboliza no contexto do poema?

a) A incapacidade de expressar emoções puras na escrita literária.

b) A modéstia moral e a religiosidade profunda do sujeito poético.

c) A proteção do espírito humano contra as intempéries do mundo.

d) O peso das construções culturais, filosóficas e abstrações intelectuais.

04 – Qual processo é caracterizado no poema pela expressão 'uma aprendizagem de desaprender'?

a) O abandono do convívio social em busca de um isolamento monástico.

b) A rejeição formal do uso de regras gramaticais e métricas na poesia.

c) O desmonte de conceitos abstratos para recuperar a visão simples da natureza.

d) O esquecimento das memórias da infância para alcançar a maturidade.

05 – Como o eu lírico posiciona a sua visão de mundo frente à tradição poética convencional na última estrofe?

a) Defendendo a atribuição de virtudes humanas aos fenômenos da natureza.

b) Exaltando as figuras de linguagem tradicionais como revelação da verdade.

c) Substituindo os símbolos clássicos por novas alegorias filosóficas.

d) Recusando as atribuições metafóricas e reduzindo os elementos à sua existência física.

 

POEMA: NÃO SEI. FALTA-ME UM SENTIDO, UM TACTO - ÁLVARO DE CAMPOS - COM GABARITO

 Poema: Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

            Álvaro de Campos

Não sei. Falta-me um sentido, um tacto

Para a vida, para o amor, para a glória...

Para que serve qualquer história,

Ou qualquer facto?

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxizCk_ocrqq5ckLE01LJWHxgcCnVejrsxoPZr1Zdi0nLAah-57TM-5HDOX3EIPgZBhpSc6Mc2CQjZhSnlKrjgv19zoA-h-T95vFs-tSLXtHwcWIVZqGTBGm_-etkYos1qBK0HIxEKJtllfv3D0si0ksUECGtYB26LZZMZFU77RpMG80B5mNCKq5r0kFY/s320/images.jpg
 
 

Estou só, só como ninguém ainda esteve,

Oco dentro de mim, sem depois nem antes.

Parece que passam sem ver-me os instantes,

Mas passam sem que o seu passo seja leve.

 

Começo a ler, mas cansa-me o que inda não li.

Quero pensar, mas dói-me o que irei concluir.

O sonho pesa-me antes de o ter. Sentir

É tudo uma coisa como qualquer coisa que já vi.

 

Não ser nada, ser uma figura de romance,

Sem vida, sem morte material, uma ideia,

Qualquer coisa que nada tornasse útil ou feia,

Uma sombra num chão irreal, um sonho num transe.

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 356.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 85.

Entendendo o poema:

01 – Em qual das fases estilísticas do heterónimo Álvaro de Campos este poema melhor se enquadra?

a) Fase de celebração do futurismo moderno.

b) Fase de abulia e pessimismo existencial.

c) Fase de exaltação da natureza rural.

d) Fase de regresso à infância e nostalgia.

02 – Qual sentimento do eu lírico é sintetizado pela metáfora do verso 'Oco dentro de mim'?

a) A frustração financeira resultante de ambições fracassadas.

b) O esvaziamento interior e a perda de referências temporais.

c) O desejo iminente de construir uma nova identidade.

d) A raiva intensa provocada pela rejeição amorosa.

03 – O que caracteriza a relação do sujeito poético com o ato de pensar e sentir na terceira estrofe do poema?

a) A antecipação dolorosa e o cansaço prévio das experiências.

b) A busca incansável por novos conhecimentos e aprendizados.

c) A satisfação plena com as conclusões lógicas do raciocínio.

d) O entusiasmo infantil diante das possibilidades de sonhar.

04 – Na última estrofe, por que o eu lírico expressa o desejo de 'ser uma figura de romance'?

a) Para escapar às dores da existência e da finitude física.

b) Para manipular o destino de outras pessoas reais.

c) Para viver grandes aventuras e paixões dramáticas.

d) Para conquistar a fama e o reconhecimento literário.

05 – De acordo com a segunda estrofe, de que maneira o eu lírico percebe o transcorrer do tempo?

a) Como uma ilusão criada pela mente para enganar a razão.

b) Como um fluxo rápido que traz alívio imediato às dores.

c) Como uma oportunidade constante de renovação pessoal.

d) Como um fardo pesado que transcorre de forma indiferente.

 

 

 

POEMA: O LUAR ATRAVÉS DOS ALTOS RAMOS - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: O luar através dos altos ramos

           Fernando Pessoa

O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.


Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhp3-7Eyh-LbstAJvANwPC_wf7oS6CsBSF-q-nvGUPxBhjxzlikL7i3VIPgiKhGnEXUDC1HAF6ZsaMDsi-jdrqbWlpUlaHTb0Q4fZBb8cc-KmvZYiUSby251e8Uayv49jtcOorgHc7x9KeHtZKnc3iy2-ksbHK9-ZwMfiypdvNhvO8r_QW27t-__sZGNXQ/s320/images.jpg

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 222.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 90.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal crítica feita à tradição poética convencional na primeira estrofe do poema?

a) A atribuição de significados simbólicos e transcendentes aos fenômenos naturais.

b) O uso recorrente de descrições visuais puramente objetivas sobre a paisagem.

c) A valorização excessiva da forma métrica em detrimento do conteúdo poético.

d) A incapacidade de expressar emoções humanas profundas por meio da linguagem.

02 – O uso reiterado do verso 'O luar através dos altos ramos' ao longo de todo o texto produz qual efeito de sentido?

a) A negação de uma dimensão metafísica para além da própria realidade física observada.

b) A demonstração de uma limitação vocabular do eu lírico para descrever o cenário.

c) A construção de uma atmosfera de mistério e desolação típica do romantismo.

d) A tentativa de convencer o leitor sobre a complexidade oculta da natureza.

03 – De que maneira a expressão 'que não sei o que penso' reflete a postura do sujeito poético?

a) Pela dúvida metódica que busca provar a inexistência dos objetos materiais.

b) Pela confissão de uma angústia existencial provocada pela ignorância do mundo.

c) Pelo desejo de alcançar o conhecimento teórico por meio do estudo filosófico.

d) A recusa do intelectualismo e a valorização da percepção direta da realidade.

04 – Explique qual a função da repetição insistente, presente nesses versos.

      Por meio da repetição, o eu lírico enfatiza que não há nada além do que se pode ver e, assim, divulga a ideia de que nada existe além dos nossos sentidos.

 

 

 

 

POEMA: NEVOEIRO - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: NEVOEIRO – Fragmento

           Fernando Pessoa

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer —

Brilho sem luz e sem arder

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJaTKL7eQf4eqhgDFwfabw-TsZNgkggfC8BMliCty9F4kv0Rkc-MgByqyHsZdCsEyAH0Ep9bfkNyCgN76MToUDYOKcc8LygqhXunqvYXcN4EIYf_KQL6MP_SsdUBaptUTg9mEeDvOalk0I2nTm3RZj9c-rrNDsZudDDhRKc-LrPoqsoKYDq0DItXufT-k/s320/images.jpg 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a hora! [...].

Fernando Pessoa. In: Obra poética (com atualização ortográfica). Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 89.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 94.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o tema central do poema "Nevoeiro" e qual é o estado de Portugal descrito pelo poeta?

      O tema central é a decadência, a indefinição e a perda de identidade da nação portuguesa em seu presente histórico. O poeta descreve Portugal como um país num estado de torpor, incerteza e estagnação, simbolizado pela imagem do "nevoeiro" — uma atmosfera em que "tudo é disperso" e "nada é inteiro".

02 – O que significa a metáfora do "fogo-fátuo" na primeira estrofe?

      O "fogo-fátuo" é um brilho ilusório, sem luz real e sem calor para aquecer ou transformar ("brilho sem luz e sem arder"). A metáfora reflete a situação de Portugal, que vive de glórias do passado, mas na atualidade apresenta apenas um brilho falso e sem força vital, representando o "fulgor baço da terra".

03 – Como os anáforas e as negações ("Nem...", "Ninguém...", "Tudo...") contribuem para o sentido da segunda estrofe?

      O uso repetido de termos negativos e generalizantes reforça a ideia de indefinição, ignorância e crise moral que assola o povo. Ao dizer que "ninguém sabe", "ninguém conhece" e que "tudo é incerto", Pessoa enfatiza o extravio da alma coletiva portuguesa e o desorteio espiritual e político da nação.

04 – Qual é o significado simbólico do verso final "É a hora!" dentro do contexto da obra Mensagem?

      O verso "É a hora!" representa o chamado para o despertar e para a regeneração espiritual da nação. Apesar do cenário desolador do "nevoeiro", a expressão marca o ápice do Sebastianismo: o momento de superação da estagnação para a construção de um novo império espiritual (o Quinto Império).

05 – Em qual das três partes da obra Mensagem o poema "Nevoeiro" está localizado e qual a sua importância estrutural?

      "Nevoeiro" é o poema que encerra a terceira e última parte do livro Mensagem, intitulada "O Encoberto". Sua importância estrutural reside no fato de fechar o ciclo de glorificação do passado e constatação da decadência presente, deixando a porta aberta, na última linha, para o futuro redentor de Portugal.

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

POEMA: ODE MARÍTIMA - FRAGMENTO - FERNANDO PESSOA - COM GABARITO

 Poema: Ode Marítima – Fragmento

          Fernando Pessoa

[...]

Maravilhosa vida marítima moderna,
Toda limpeza, máquinas e saúde!
Tudo tão bem arranjado, tão espontaneamente ajustado,
Todas as peças das máquinas, todos os navios pelos mares,
Todos os elementos da atividade comercial de exportação e importação
Tão maravilhosamente combinando-se
Que corre tudo como se fosse por leis naturais,
Nenhuma coisa esbarrando com outra!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiORoDyd6m_Wz0WBvwZfAx1Aye3SyS5-X5wYF664WbL03bhoF_yzP8vQ9R_OWKYhxKvZtmI3XmYFUhSC4AcYqAh8ooTyfUa9Y6RiC5HNCrmtIxhsm2KvY7QTU6npgXucpgqypkpxQIzqOvJkxtyCkdhbrnTS7F2qEs3NBfkEtmRXycyinTJpohgvRKwaO8/s1600/images.jpg



Nada perdeu a poesia. E agora há a mais as máquinas
Com a sua poesia também, e todo o novo género de vida
Comercial, mundana, intelectual, sentimental, [...]

Os portos cheios de vapores de muitas espécies!
Pequenos, grandes, de várias cores, com várias disposições de vigias,
De tão deliciosamente tantas companhias de navegação! [...]

A mistura de gente a bordo dos navios de passageiros
Dá-me o orgulho moderno de viver numa época onde é tão fácil
Misturarem-se as raças, transporem-se os espaços, ver com facilidade todas as coisas,
E gozar a vida realizando um grande número de sonhos. [...]

Fernando Pessoa. In: Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 332-333.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 83.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a postura do eu lírico em relação ao mundo moderno e à tecnologia no início do trecho?

      O eu lírico demonstra um sentimento de fascínio e admiração. Ele exalta a "maravilhosa vida marítima moderna" destacando a limpeza, a eficiência das máquinas, a organização da atividade comercial de exportação/importação e a perfeita articulação entre as peças e os navios.

02 – Segundo o eu lírico, o surgimento das máquinas destruiu a poesia tradicional? Justifique com um elemento do texto.

      Não. O eu lírico afirma categoricamente que "nada perdeu a poesia". Para ele, a modernidade trouxe uma nova dimensão poética, agregando às coisas a "poesia das máquinas" e todo um novo estilo de vida comercial, intelectual e sentimental.

03 – Como o funcionamento das máquinas e das rotas de exportação/importação é comparado pelo poeta?

      A harmonia e a precisão do sistema comercial e mecânico são tão perfeitas que, segundo o poeta, tudo funciona "como se fosse por leis naturais", sem que nenhuma peça ou elemento esbarre ou entre em conflito com o outro.

04 – De que modo o eu lírico descreve os portos e os navios que neles circulam?

      Os portos são descritos como locais dinâmicos e vibrantes, cheios de vapores de diversas espécies, cores, tamanhos e arranjos de vigias, pertencentes a uma deliciosa variedade de companhias de navegação.

05 – Por que a mistura de passageiros a bordo dos navios desperta orgulho no eu lírico em relação à sua época?

      A convivência e o trânsito de pessoas a bordo despertam o "orgulho moderno" porque simbolizam a facilidade da época em promover a mistura de raças, a superação das distâncias geográficas ("transporem-se os espaços"), a ampliação do olhar e a realização prática de uma grande quantidade de sonhos.

 

POEMA: INICIAÇÃO AMOROSA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - COM GABARITO

 Poema: Iniciação Amorosa

         Carlos Drummond de Andrade

A rede entre duas mangueiras
balançava no mundo profundo.
O dia era quente, sem vento.
O sol lá em cima,
as folhas no meio,
o dia era quente.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgI_krN6VXl00Z4ECfSNl6QEGswu0PS06fv7zPtJ82u6tnDYDT3rA0Dj6cz1yGcnY6uGgpwN1reK6QhQd6GGLp7HWtJrh1g4npo0wITZG56WYcwTMzmrWt4fzNam1g68CnfSITodVZocVFwz-fc19LUes_Ubwksi0BK_7BDkVBpNkELRF51gmzUgRNSW9A/s320/images.jpg



E como eu não tinha nada que fazer vivia namorando as pernas morenas da lavadeira.

Um dia ela veio para a rede,
se enroscou nos meus braços,
me deu um abraço,
me deu as maminhas
que eram só minhas.

A rede virou,
o mundo afundou.

Depois fui para a cama
febre 40 graus febre.
Uma lavadeira imensa, com duas tetas imensas, girava no espaço verde.

Carlos Drummond de Andrade. Iniciação amorosa. In: Alguma poesia. www.carlosdrummond.com.br. Rio de Janeiro: Record.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 81.

Entendendo o poema:

01 – Qual é o cenário inicial descrito no poema e qual era o estado de espírito do eu lírico antes do acontecimento principal?

      O cenário inicial é composto por uma rede armada entre duas mangueiras, em um dia quente e sem vento. O eu lírico estava ocioso ("sem nada que fazer") e passava o tempo observando e namorando as pernas morenas da lavadeira.

02 – O que acontece quando a lavadeira se aproxima do eu lírico na rede?

      Ela vai até a rede, enrosca-se nos braços do eu lírico, abraça-o e oferece a ele suas "maminhas" (seios), proporcionando o momento de intimidade e descoberta que dá título ao poema.

03 – Como o poema descreve o clímax da experiência amorosa/sensual vivida pelos personagens na rede?

      O clímax e a intensidade do momento de transição são expressos pela metáfora da queda e da transformação perceptiva: "A rede virou, / o mundo afundou."

04 – Quais foram as consequências físicas e psicológicas da experiência para o eu lírico no final do poema?

      Após a experiência, o eu lírico foi para a cama com uma febre de 40 graus, tomado por um delírio em que via a figura de uma "lavadeira imensa", com "duas tetas imensas", girando no espaço verde.

05 – De que maneira a figura da lavadeira se transforma ao longo do poema?

      No início, a lavadeira é apresentada sob um olhar de desejo observador e sutil ("pernas morenas"). No final, após o ato da iniciação amorosa, ela adquire proporções míticas e avassaladoras no imaginário/delírio do eu lírico, tornando-se uma figura "imensa" que ocupa todo o seu pensamento e estado febril.

 

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

POEMA: BOM DIA, TODAS AS CORES! RUTH ROCHA - COM GABARITO

 Poema: Bom Dia, Todas as Cores! 

             Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor.
-- Bom dia, sol, bom dia, flores,
bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho, mudou sua cor
Para a cor-de-rosa, que ele achava
A mais bonita de todas, e saiu para
O sol, contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz
Porque tinha chegado a primavera.
E o sol, finalmente, depois de
Um inverno longo e frio, brilhava,
Alegre, no céu.
-- Eu hoje estou de bem com a vida
-- Ele disse. – quero ser bonzinho
Pra todo mundo...

Logo que saiu de casa,
O Camaleão encontrou
O professor pernilongo.
O professor pernilongo toca
Violino na orquestra
Do Teatro Florestal.
-- Bom dia, professor!
Como vai o senhor?
-- Bom dia, Camaleão!
Mas o que é isso, meu irmão?
Por que é que mudou de cor?
Essa cor não lhe cai bem...
Olhe para o azul do céu.
Por que não fica azul também?

O Camaleão,
Amável como ele era,
Resolveu ficar azul
Como o céu da primavera...

Até que numa clareira
O Camaleão encontrou
O sabiá-laranjeira:
-- Meu amigo Camaleão,
Muito bom dia e você!
Mas que cor é essa agora?
O amigo está azul por quê?

E o sabiá explicou
Que a cor mais linda do mundo
Era a cor alaranjada,
Cor de laranja, dourada.

Nosso amigo, bem depressa,
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo alaranjado,
Louro, laranja, dourado.
E cantando, alegremente,
Lá se foi, ainda contente...

Na pracinha da floresta,
Saindo da capelinha,
Vinha o senhor louva-a-deus,
Mais a família inteirinha.
Ele é um senhor muito sério,
Que não gosta de gracinha.
-- bom dia, Camaleão!
Que cor mais escandalosa!
Parece até fantasia
Pra baile de carnaval...

Você devia arranjar
Uma cor mais natural...
Veja o verde da folhagem...
Veja o verde da campina...
Você devia fazer
O que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo
Resolveu mudar de cor.
Ficou logo bem verdinho.
E foi pelo seu caminho...

Vocês agora já sabem como era o Camaleão.
Bastava que alguém falasse, mudava de opinião.
Ficava roxo, amarelo, ficava cor-de-pavão.
Ficava de toda cor. Não sabia dizer NÃO.

Por isso, naquele dia, cada vez que
Se encontrava com algum de seus amigos,
E que o amigo estranhava a cor com que ele estava...
Adivinha o que fazia o nosso Camaleão.
Pois ele logo mudava, mudava para outro tom...

Mudou de rosa para azul.
De azul para alaranjado.
De laranja para verde.
De verde para encarnado.
Mudou de preto para branco.
De branco virou roxinho.
De roxo para amarelo.
E até para cor de vinho...

Quando o sol começou a se pôr no horizonte,
Camaleão resolveu voltar para casa.
Estava cansado do longo passeio
E mais cansado ainda de tanto
mudar de cor.
Entrou na sua casinha.
Deitou para descansar.
E lá ficou a pensar:
-- Por mais que a gente se esforce,
Não pode agradar a todos.
Alguns gostam de farofa.
Outros preferem farelo...
Uns querem comer maçã.
Outros preferem marmelo...
Tem quem goste de sapato.
Tem quem goste de chinelo...
E se não fossem os gostos,
Que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se
Bem cedinho.
-- Bom dia, sol, bom dia, flores,
Bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha
Cheia de orvalho,
Mudou sua cor para
A cor-de-rosa, que ele
Achava a mais bonita
De todas, e saiu para
O sol, contente
Da vida.

Logo que saiu, Camaleão encontrou o sapo cururu,
Que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.
-- Bom dia, meu caro sapo! Que dia mais lindo, não?
-- Muito bom dia, amigo Camaleão!
Mais que cor mais engraçada,
Antiga, tão desbotada...
Por que é que você não usa
Uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:
-- Eu uso as cores que eu gosto,
E com isso faço bem.
Eu gosto dos bons conselhos,
Mas faço o que me convém.
Quem não agrada a si mesmo,
Não pode agradar ninguém...
E assim aconteceu
O que acabei de contar.
Se gostaram, muito bem!
Se não gostaram, AZAR! 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiPRMCE1aq1kAU6xCuVUPCnDCY5_2fgtQ4WAarRAkA8i0UWv76GpXpUZryvnZh48jy21RHgsc5x9FXetl4XA9XiSq3Ob26qhRhEbhcchsHUbCxHiG8axbzIZUBpZSuW7AdoUIQTMJIFDJ3tjkNr8G1UR7YSpO8LVQi4pVqavRlLx8tGwa1TUj-Zd9VJHGs/s1600/images.jpg 

 

Disponível em: http://www2.uol.com.br/ruthrocha/historias_15.htm

 

Entendendo o poema:

01 – Escreva o nome de alguns personagens do texto.

      Alguns dos personagens que aparecem na história são: Camaleão; Professor Pernilongo; Sabiá-Laranjeira; Senhor Louva-a-Deus (e sua família) e Sapo Cururu.

 

02 – Quem é o personagem principal do texto? Quais suas características?

      O personagem principal é o Camaleão.

      Suas características: Ele é alegre, simpático, amável, bem-humorado e gosta de agradar os outros. No início, ele era muito ingênuo e sem opinião própria, pois "não sabia dizer NÃO" e mudava de cor sempre que alguém sugeria. No final, ele se torna mais autoconfiante e decidido.

 

03 – Qual era a cor preferida do Camaleão?

      A cor preferida dele era a cor-de-rosa, que ele achava a mais bonita de todas.

 

04 – O Camaleão mudou várias vezes de cor. Escreva uma dessas mudanças e porque ela a fez.

      Mudou do rosa para o azul porque o Professor Pernilongo disse que a cor rosa não lhe caía bem e sugeriu o azul do céu.

 

05 – O Camaleão acordava de bom humor e cumprimentava as coisas ao seu redor. Como era esse cumprimento? E você? Costuma cumprimentar as pessoas? Como?

      Como o Camaleão cumprimentava: Ele dizia alegremente: "-- Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!"

      Resposta pessoal: (Escreva como você costuma dar bom dia ou cumprimentar sua família, amigos e professores no dia a dia, por exemplo: "Sim, eu costumo dar bom dia para minha família com um sorriso" ou "Cumprimento meus amigos na escola com um aceno").

 

06 – Depois de fazer os gostos de todos, o Camaleão mudou de ideia. Mudou para a cor que mais gostava e disse ao sapo:

Eu uso as cores que eu gosto,

E com isso faço bem.

Eu gosto dos bons conselhos,

Mas faço o que me convém.

Quem não agrada a si mesmo,

Não pode agradar ninguém...

        O que você achou das palavras do Camaleão? Concorda ou não com ele?

      Respostas pessoal. Sugestão: Achei as palavras do Camaleão muito sábias. Concordo com ele porque é importante ouvir os conselhos das pessoas, mas não podemos deixar de ser quem realmente somos só para tentar agradar todo mundo. Se não respeitarmos nossos próprios gostos e desejos, nunca seremos felizes de verdade.

 

07 – Agora vamos falar de você. Você costuma mudar de ideia ou fazer alguma coisa só porque os outros querem ou tem suas próprias ideias? Escreva.

      Se você tem opinião própria: "Eu costumo manter minhas ideias. Quando me sugerem algo, eu escuto, mas só mudo de opinião se eu realmente achar que a outra pessoa tem razão."

      Se você costuma ceder: "Às vezes eu acabo mudando de ideia só para agradar meus amigos ou evitar brigas, mas estou aprendendo a defender mais o que eu gosto."

 

08 – Qual mensagem o texto passou a você?

      Respostas pessoal. Sugestão: A mensagem principal é sobre autenticidade, autoaceitação e respeito às diferenças. O texto ensina que é impossível agradar a todos, pois cada pessoa tem gostos e opiniões diferentes. Portanto, o mais importante é estarmos bem conosco mesmos.

 

09 – Identifique os elementos da narrativa seguindo as pistas abaixo:

a) Espaço: Onde acontece a história ou o fato narrado? Que pistas se tem para poder identificar o espaço?

      Na floresta (passando por clareiras, pela pracinha perto da capelinha e pelo caminho de volta para a casa do Camaleão). As pistas no texto são menções a "Teatro Florestal", "clareira", "pracinha da floresta", "campina" e "folhagem".

b) Tempo: Quando acontece a história do Camaleão?

      A história se passa ao longo de dois dias, começando pela manhã bem cedinho na primavera, passando pelo pôr do sol, e terminando na manhã do dia seguinte.

c) Personagem: Quem participou da história? Quem o Camaleão encontrou?

      O Camaleão (protagonista), o Professor Pernilongo, o Sabiá-Laranjeira, o Senhor Louva-a-Deus (com sua família) e o Sapo Cururu.

d) Narrador: Quem contou a história? Foi o camaleão?

      Narrador-observador (em 3ª pessoa). Não foi o Camaleão quem contou a história, mas sim alguém de fora que conhece tudo o que aconteceu ("Meu amigo Camaleão...", "Vocês agora já sabem...").

e) Enredo: O que foi contado? Sobre o que se falou? 

      É a história de um camaleão que, por querer agradar a todos os amigos que encontrava pelo caminho, passava o dia todo mudando de cor. Cansado no fim do dia, ele percebe que cada um tem seu gosto e que é impossível agradar a todos. No dia seguinte, decide usar a cor que ele próprio mais gosta (rosa) e aprende a defender suas vontades.