segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

POEMA: TEMPO - ELIAS JOSÉ - COM QUESTÕES GABARITADAS


Poema: Tempo
         
  
  Elias José
Passou o tempo de roubar amoras,
mangas , goiabas e mexericas
no quintal dos vizinhos.

Passou o tempo de sonhar vitórias,
com sorriso de campeão
de futebol, basquete ou corrida de carro.

Passou o tempo de empinar pipas
e dar asas aos olhos e ao corpo
para soltar-me no espaço com elas.

Passou o tempo de não ter vergonha
de ser rei dos castelos de areia
ou de esconder tesouros de figurinhas,
bolinhas de gude e pedras preciosas.

Passou o tempo de caçar briga,
chamar pro braço ou xingar a mãe
e a raça toda do amigo-inimigo.

Chegou um tempo de sonhar com a noite
na cidade, com todas as luzes e sons
que ainda amedrontam quando chamam.

Chegou o tempo de brigar com o mundo,
sentir sufoco, calor nas mãos
e asas nos pés que querem sumir,
sair de casa e ganhar o mundo.

Chegou o tempo de pensar em namoradas
e sonhar com corpos e beijos
que vivem mais nos poemas que no real.
Cantigas de adolescer: 7 ed. São Paulo. Atual, 1993. p.40-1.
Fonte: Livro: Português Linguagens – 6º ano – São Paulo: Atual, 2002. p.177-8.
Entendendo o poema:

01 – O poema intitula-se “Tempo” e está organizado em duas partes: a primeira trata das lembranças do passado e a segunda descreve o presente.
a)   Que estrofes do poema formam a primeira parte?
      A primeira parte é formada pelas 1°, 2°, 3°, 4° e 5° estrofes.

b)   Quais estrofes formam a segunda parte?
          A segunda parte é formada pelas 6°, 7° e 8° estrofes.

c)   Em cada uma das partes, um único verbo inicia todas as estrofes. Que verbos se repetem nas partes?
A primeira parte é iniciada pelo verbo passou e a segunda, pelo verbo chegou.

02 – Compare as ações do eu lírico na infância com as da atualidade, e responda:
a)   Em qual dos dois tempos o poeta tinha ou tem uma relação mais concreta e direta com o mundo? Qual a razão disso?
No primeiro (passado), onde ele retrata a infância dele. Nela ele não "tinha vergonha de ser rei dos castelos", por exemplo, demonstrando que sua relação com o mundo, era mais direta.

b)   Em qual dos tempos o poeta tinha ou tem uma relação com o mundo mais abstrata e indireta? Justifique a sua resposta.
No segundo (presente), onde as próprias ações indicam uma relação mais abstrata com o mundo: sonhar com a noite, brigar com o mundo, sonhar com namoradas irreais.

03 – O primeiro verso da primeira estrofe de cada parte se repete quase inteiro nas estrofes seguintes. De uma estrofe para outra, alteram-se apenas o segundo verbo e o objeto. Observe os versos iniciais das duas primeiras estrofes.
·        Passou o tempo de roubar amoras.
·        Passou o tempo de sonhar vitórias.
Note que, nesses dois versos, os verbos são transitivos diretos e seus complementos são objetos diretos.
Com os versos iniciais das estrofes seguintes, faça um quadro semelhante em seu caderno. A seguir:
a)   Verifique, em cada verso, se o segundo verbo é transitivo direto ou indireto.
Na primeira parte, o segundo verbo do primeiro verso é sempre transitivo direto; na segunda parte, transitivo indireto.

b)   Verifique se o complemento do segundo verbo é objeto direto ou objeto indireto.
Na primeira parte, é sempre objeto direto; na segunda parte, objeto indireto.

c)   Conclua: Na primeira parte predominam verbos transitivos diretos ou indiretos? E na segunda?
Na primeira parte predominam verbos transitivos diretos; na segunda parte, transitivos indiretos.

04 – No poema, as relações do eu lírico com o mundo e o emprego de objetos podem ser esquematizados desta forma:
Eu --- mundo= no passado – relação mais direta – predomínio de verbos transitivos diretos.
Eu --- mundo = no presente – relação indireta – predomínio de verbos transitivos indiretos.
        De acordo com o texto e com o esquema, quais das afirmativas seguintes correspondem a conclusões a que esse estudo do poema possibilita chegar?
a)   Na primeira parte do texto, que trata da infância, o poeta tem uma relação mais direta com o mundo; na construção do texto, igualmente, predominam verbos transitivos diretos e objetos diretos.
b)   Na primeira parte do texto, que trata da infância, o poeta tem uma relação indireta e abstrata com o mundo. Os verbos utilizados para construir essa ideia são, predominantemente, transitivos diretos, e seus complementos são objetos diretos.
c)   Na segunda parte do texto, que trata da adolescência, o poeta tem uma relação mais indireta e abstrata com o mundo. Os verbos utilizados para construir essa ideia são, predominantemente, transitivos indiretos, e seus complementos são objetos indiretos.
d)   Na segunda parte do texto, que trata da adolescência, o poeta tem uma relação indireta e concreta com o mundo; a estrutura do texto é construída, predominantemente, a partir de verbos transitivos diretos e objetos diretos.







CONTO: O PROBLEMA DOS 35 CAMELOS - MALBA TAHAN - COM GABARITO


CONTO: O Problema dos 35 camelos
             
            Malba Tahan

"Poucas horas havia que viajávamos sem interrupção, quando nos ocorreu uma aventura digna de registro, na qual meu companheiro Beremiz, com grande talento, pôs em prática as suas habilidades de exímio algebrista.
Encontramos perto de um antigo caravançará meio abandonado, três homens que discutiam acaloradamente ao pé de um lote de camelos.
Por entre pragas e impropérios gritavam possessos, furiosos:
- Não pode ser!
- Isto é um roubo!
- Não aceito!
O inteligente Beremiz procurou informar-se do que se tratava.
- Somos irmãos – esclareceu o mais velho – e recebemos como herança esses 35 camelos. Segundo a vontade expressa de meu pai, devo receber a metade, o meu irmão Hamed  Namir uma terça parte, e, ao Harim, o mais moço, deve tocar apenas a nona parte. Não sabemos, porém, como dividir dessa forma 35 camelos, e, a cada partilha proposta segue-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Como fazer a partilha se a terça e a nona parte de 35 também não são exatas?
- É muito simples – atalhou o Homem que Calculava. – Encarrego-me de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que em boa hora aqui nos trouxe!
Neste ponto, procurei intervir na questão:
- Não posso consentir em semelhante loucura! Como poderíamos concluir a viagem se ficássemos sem o camelo?
- Não te preocupes com o resultado, ó Bagdali! – replicou-me em voz baixa Beremiz – Sei muito bem o que estou fazendo. Cede-me o teu camelo e verás no fim a que conclusão quero chegar.
Tal foi o tom de segurança com que ele falou, que não tive dúvida em entregar-lhe o meu belo jamal, que imediatamente foi reunido aos 35 ali presentes, para serem repartidos pelos três herdeiros.
- Vou, meus amigos – disse ele, dirigindo-se aos três irmãos -, fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como veem em número de 36.
E, voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou:
- Deverias receber meu amigo, a metade de 35, isto é, 17 e meio. Receberás a metade de 36, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão.
E, dirigindo-se ao segundo herdeiro, continuou:
- E tu, Hamed Namir, deverias receber um terço de 35, isto é 11 e pouco. Vais receber um terço de 36, isto é 12. Não poderás protestar, pois tu também saíste com visível lucro na transação.
E disse por fim ao mais moço:
E tu jovem Harim Namir, segundo a vontade de teu pai, deverias receber uma nona parte de 35, isto é 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. Só tens a agradecer-me pelo resultado!
E concluiu com a maior segurança e serenidade:
- Pela vantajosa divisão feita entre os irmãos Namir – partilha em que todos três saíram lucrando – couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de 34 camelos. Dos 36 camelos, sobram, portanto, dois. Um pertence como sabem ao bagdáli, meu amigo e companheiro, outro toca por direito a mim, por ter resolvido a contento de todos o complicado problema da herança!
- Sois inteligente, ó Estrangeiro! – exclamou o mais velho dos três irmãos.
– Aceitamos a vossa partilha na certeza de que foi feita com justiça e equidade!
E o astucioso Beremiz – o Homem que Calculava – tomou logo posse de um dos mais belos “jamales” do grupo e disse-me, entregando-me pela rédea o animal que me pertencia:
- Poderás agora, meu amigo, continuar a viagem no teu camelo manso e seguro! Tenho outro, especialmente para mim!
E continuamos nossa jornada para Bagdá."
 (Malba Tahan, Contos e lendas orientais. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001)
Fonte:  Livro –Coleção ALET – Língua Portuguesa -5ª Série – Editora Positivo,2007 – p.42/43/44.
***
Glossário

Caravançará: refúgio construído pelo governo ou por pessoas piedosas à beira do caminho, para servir de abrigo aos peregrinos. Espécie de rancho de grandes dimensões em que se acolhiam as caravanas.

Bagdali: Relativo a Bagdá, vindo de Bagdá.

Jamal: uma das muitas denominações que os árabes dão ao camelo.

REDE DE IDEIAS
1)   Beremis usou o raciocínio matemático para fazer a divisão dos camelos. Por que pode-se dizer que a Matemática é uma bela ciência?
Porque, a partir dela, pode-se raciocinar, refletir, concluir uma série de ideias, como a divisão dos camelos.

2)   Como você resolveria esta situação?
Resposta pessoal.

3)   Quem é o narrador do texto? Como você descobriu isto?
O narrador é o próprio autor do texto. Percebe-se isso observando-se os verbos na 1ª pessoa.

4)   No momento em que o narrador conta o fato, ele estava acontecendo ou já havia acontecido?
O fato estava acontecendo, mas num tempo passado.

5)   Em que região a história acontece? Quais os elementos presentes no texto que comprovam sua resposta?
Na Arábia. Justifica-se isso pelos nomes das personagens, lote de camelos, a jornada até Bagdá.

6)   No texto, há palavras regionais, isto é, utilizadas na região onde acontece a história. Cite alguns exemplos dessas palavras e dê o significado delas no texto. Se for necessário, consulta um dicionário.
Exemplos:
Caravançará: refúgio construído pelo governo ou por pessoas piedosas à beira do caminho, para servir de abrigo aos peregrinos. Espécie de rancho de grandes dimensões em que se acolhiam as caravanas.

Bagdali: Relativo a Bagdá, vindo de Bagdá.

Jamal: uma das muitas denominações que os árabes dão ao camelo.

7)   Por que as personagens viajavam em camelos?
O lugar onde se passa a história é um deserto, onde normalmente as pessoas utilizam esse animal como transporte, por causa da escassez da água.



TEXTO: BANDOLIM - LENY WERNECK - COM QUESTÕES GABARITADAS


Texto: Bandolim
         
  Leny Werneck

        [...]
        Desde quando era pequenino, bem pequenino mesmo, Cláudio gostava de ouvir a música que o pai dele tocava.
        Bonita, diferente.
        O pai tocava fagote na orquestra da cidade.
    A orquestra era muito boa e o tocador de fagote ensaiava, em casa, as músicas dos grandes concertos e dos festivais.
        O pai de Cláudio era também professor de música. Um bom professor, por sinal.
        Assim, o menino se acostumou a ficar horas e horas ouvindo músicas. Cláudio gostava disso. Ele gostava de ficar junto do pai. Ele gostava do som do fagote, como gostava do som da chuva e do vento. Gostava também do canto e da voz da mãe dele. Gostava do barulho pesado do trem que passava longe, quando era de noite e os outros barulhos se acabavam. Ele gostava do canto dos passarinhos.
        Uma noite o pai perguntou:
        -- Cláudio, amanhã eu vou tocar com a orquestra. Você quer ir comigo ao teatro?
        -- Eu quero, quero sim!
        Roupa nova, sapato sovo. Carinha lavada, cabelos penteados.
        Todo bonito e cheiroso, o Cláudio foi ao teatro com o pai.
        Era a primeira vez.
        Ele não foi para ficar sentado lá embaixo, junto com as outras pessoas. Não, o Cláudio foi para ficar bem perto do pai, junto da orquestra.
        E então a hora chegou.
        Cláudio balançava a cabeça pra-lá-e-pra-cá, quando os violinos tocavam macio. A música às vezes era triste, às vezes era alegre. Teve uma hora em que toda a orquestra fez silêncio e o pai tocou. Sozinho. Foi muito depressa. Foi lindo.
        Logo depois, Cláudio se encantou com outro som. Era um som que saia de um instrumento que parecia um violino grande, que ficava em pé, apoiado no chão.
        O homem ficava sentado atrás daquele violino de gigante e tocava nas cordas com um arco.
        O som era muito bonito.
        Depois do concerto, os dois voltaram para casa. Contentes e quietos. Eles carregavam aquela música linda dentro deles e nem queriam conversa. Pra não atrapalhar.
                                           Bandolim. Leny Werneck.
                          Fonte: Livro – Encontro e Reencontro em Língua Portuguesa – 5ª Série – Marilda Prates – Ed. Moderna, 2005 – p.209-11.
Entendendo o texto:
01 – Por que Cláudio aprendeu a gostar de música?
      Porque ouvia o seu pai tocar fagote.

02 – Cláudio aprendeu a ouvir os sons e a gostar deles. Onde podemos perceber isso no texto?
      Todo o sexto parágrafo fala sobre isso.

03 – Você sabe que instrumento era esse a que Cláudio se refere no texto: “...parecia um violino grande, que ficava em pé, apoiado no chão”?
      Poderia ser o violoncelo ou o contrabaixo (o maior e mais grave dos dois).

04 – Depois do concerto, os dois voltaram para casa contentes e quietos. Por quê?
      Eles não queriam conversa porque carregavam dentro deles toda a música que foi tocada no teatro.

05 – Você acha que conversar naquele momento atrapalharia? Quebraria o encanto? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno. Sugestão: Sim, porque ainda estavam vivendo o encanto do momento musical.

06 – O texto lhe parece poético? Aponte as razões.
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Você gosta de música? Que tipo de música?
      Resposta pessoal do aluno.

08 – Qual a sua música preferida? Por que razão você gosta dela?
      Resposta pessoal do aluno.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

POEMA: PÁSSARO EM VERTICAL - LIBÉRIO NEVES - COM GABARITO


Poema: Pássaro em vertical
                
                        Libério Neves

Cantava o pássaro e voava
                  cantava para lá
voava para cá
voava o pássaro e cantava
de
      repente  
                   um
                           tiro
                                   seco
            penas fofas
            leves plumas
            mole espuma

            e um risco
            surdo
               n
               o
               r
               t
               e
               -
               s
               u
               l
   NEVES, Libério. Pássaro em vertical. In: AGUIAR, Vera(Coord.);ASSUMPÇÃO, Simone; JACOBY, Sissa. Poesia fora da estante. 2. ed. Porto Alegre: Projeto CPL/PUCRS, 1996.p.34.
Fonte: Projeto Teláris – Português – 7° ano – Editora Ática – p.34
  
Entendendo o poema

1)   O poema pode ser dividido em três partes, cada  uma referente a um momento do que aconteceu com o pássaro. Quais são essas três partes do poema?
a)   1º momento: o voo e o pássaro livre.(Do 1º ao 4º verso.)
b)   2º momento: o tiro. (Do 5º ao 12º verso.)
c)   3º momento: a queda. (Do 13º ao último verso.)

2)   Que significado pode-se atribuir às palavras norte e sul, dispostas no sentido vertical?
A queda final do pássaro.

3)   Que significado o traçado geral do poema sugere?
Os versos em linhas horizontais correspondem ao pássaro vivo (pra lá/ pra cá), e os versos em linha vertical, ao pássaro  morto(norte-sul), simbolizando a queda de cima para baixo, no sentido convencional de norte-sul.

    4) Leia no poema os versos que nos informam que o pássaro foi atingido por um tiro.
       a) O que o formato que os versos adquirem nesse momento nos lembra?
 "O formato nos lembra a queda do pássaro." Ou também pode ser:
"A imagem de um pássaro sendo atingido por um tiro." 

     b) A partir da resposta anterior, é possível afirmar que existe uma relação com a forma dos versos e o fato do pássaro ter sido atingido por um tiro?
    "Sim, pois primeiro, quando estava vivo, ia de lá para cá, e depois simplesmente mostra palavras, dando a impressão de que ele está caindo." 

   5) Observe os seguintes versos: "penas fofas / leves plumas / mole espuma / e um risco / surdo". O que você entende por "risco surdo"? 
"Está mostrando que o pássaro caiu sem vida, sem cantar nunca mais."

6) Observe o título do poema: Pássaro em vertical. O que enfatiza esse título?
    Enfatiza o movimento em queda do pássaro morto.

FÁBULA: A REDE - LEONARDO DA VINCI - COM QUESTÕES GABARITADAS


Fábula: A Rede 
                  
         Leonardo Da Vinci

      Naquele dia, como todos os dias, a rede subiu carregada de peixes. Carpas, barbos, lampreias, trutas, enguias e muitos, muitos outros peixes foram para as cestas dos pescadores.
  Lá no fundo da água do rio, os sobreviventes, assustados e com medo, não ousavam se mexer. Famílias inteiras já haviam sido enviadas para o mercado. Diversos cardumes tinham caído na rede e terminado na frigideira. Que fazer?
          Um grupo de jovens peixes promoveu uma reunião atrás de uma pedra e decidiu se revoltar.
          - É uma questão de vida ou morte - disseram eles - todos os dias essa rede afunda na água, cada vez num local diferente, para nos aprisionar e nos levar embora de nosso lar. Vai acabar nos matando a todos, e o rio ficará sem peixe algum. Nossos filhos têm direito à vida e precisamos fazer alguma coisa para livrá-los deste flagelo.
         - E que podemos fazer? - perguntou uma truta que seguira os conspiradores.
        - Destruir a rede - responderam os outros em coro
        As enguias encarregaram-se de rapidamente espalhar a notícia dessa corajosa decisão e convocaram todos os peixes para um encontro na manhã seguinte, numa pequena enseada protegida por altos salgueiros.
        No dia seguinte, milhões de peixes de todos os tamanhos e idades reuniram-se para declarar guerra à rede.
      A liderança foi entregue a uma sábia e velha carpa, que por duas vezes conseguira escapar da prisão, mordendo as malhas da rede.
     - Ouçam com atenção - disse a carpa - a rede é da largura do rio, e todas as malhas têm um chumbo preso por baixo, para que a rede afunde. Dividam-se em dois grupos. Um dos grupos suspenderá os pesos de chumbo e os carregará até a superfície, e o outro segurará as malhas por cima com firmeza. As lampreias vão serrar com os dentes a corda que mantém a rede esticada entre as duas margens. As enguias vão partir já, para fazer uma inspeção e nos informar em que local a rede foi lançada.
         As enguias partiram. Os peixes formaram grupos ao longo das margens. Os barbos encorajavam os mais tímidos, relembrando-lhes o triste fim de tantos amigos e exortando-os a não terem medo de ficarem presos na rede, porque daquele dia em diante nenhum homem seria mais capaz de arrastá-la para a margem.
       As enguias retornaram, missão cumprida. A rede fora lançada a uma milha dali.
       Então todos os peixes, como uma frota gigantesca, partiram atrás da velha carpa.
       - Tomem cuidado - disse a carpa - pois a correnteza pode arrastar vocês para dentro da rede. Sigam devagar e usem bem as nadadeiras.
       E então viram a rede, cinzenta e sinistra.
       Os peixes, acometidos de súbita fúria, nadaram para atacar.
       A rede foi suspensa por baixo, as cordas que a seguravam foram cortadas, as malhas foram rasgadas. Mas os peixes, enfurecidos não largavam mais sua presa. Cada um segurava na boca um pedaço de malha e abanando fortemente as caudas e as nadadeiras, puxavam de todos os lados a fim de rasgar e destruir a rede. E a água parecia estar fervendo enquanto os peixes finalmente libertavam o rio daquele perigo.

(Fábulas e lendas: São Paulo, Círculo do Livro, s/d.)
Fonte: Português – Linguagem & Participação, 5ª Série- MESQUITA, Roberto Melo/Martos, Cloder Rivas – Ed. Saraiva, 1999, p.8-11.
ESTUDO DO TEXTO

1)   Você já leu muitas histórias e deve ter observado que elas acontecem em algum lugar, o que é importante para compreendermos melhor os acontecimentos. Em literatura, o lugar onde a história acontece é chamado de cenário. Escreva qual é o cenário em que a história acontece.
O cenário em que a história acontece é o fundo da água do rio.

2)   Outro elemento importante nas histórias são as personagens. São elas que fazem tudo acontecer. Em A rede, quem são as personagens?
São peixes de diferentes espécies.

3)   Em toda boa história, sempre há um problema (conflito). Qual é o problema que as personagens têm de enfrentar?
Encontrar um meio para destruir a rede de pesca que está acabando com os peixes do rio.

4)   Para que essa história convença o leitor da possibilidade de ela acontecer, as personagens ganham características que são próprias de um ser humano. Quais são elas?
Os peixes pensam, falam, decidem resolver o problema, reúnem-se em grupo, escolhem um líder, seguem etapas de um plano, etc.

5)   A história apresenta, nos seus momentos finais, a solução para o problema (o desfecho). Como as personagens conseguem solucionar o problema?
Os peixes se unem, cada um cumpre o combinado e eles destroem a rede.

6)   Que lição podemos tirar desta história?
A lição de que “a união faz a força”.

7)   O que você achou do comportamento dos peixes?
Resposta pessoal.