sexta-feira, 15 de setembro de 2017

CONTO: O PEQUENO HERÓI DA HOLANDA -WILLIAN BENNET - INTERPRETAÇÃO/GABARITO



CONTO - O PEQUENO HERÓI DA HOLANDA

             A Holanda é um país cuja maior parte do território fica abaixo do nível do mar. Enormes muralhas chamadas diques são o que impede o Mar do Norte de invadir a terra, inundando-a completamente. Há séculos o povo se esforça para manter as muralhas resistentes, a fim de que o país continue seco e em segurança. Até as crianças pequenas sabem que os diques precisam ser vigiados constantemente e que um buraco do tamanho de um dedo pode ser algo extremamente perigoso.
            Há muitos anos, vivia na Holanda um menino chamado Peter. Seu pai era uma das pessoas responsáveis pelas comportas dos diques. Sua função era abri-las e fechá-las para que os navios pudessem sair dos canais em direção ao mar aberto.
            Numa tarde do início do outono, quando Peter tinha oito anos, a mãe o chamou enquanto brincava:
            – Venha cá, Peter. Vá levar esses bolinhos do outro lado do dique para o seu amigo cego. Se você andar ligeiro e não parar para brincar, vai chegar em casa antes de escurecer.
            O menino gostou da tarefa e partiu feliz da vida. Ficou um bom tempo com o pobre cego, contando-lhe sobre o passeio da vinda e o sol e as flores e os navios lá no mar. De repente, lembrou-se da mãe dizendo para voltar antes de escurecer, despediu-se do amigo e tomou o rumo de casa.
            Quando passava pelo canal, percebeu como as chuvas tinham feito subir o nível da água e que elas estavam batendo forte contra o dique, e pensou nas comportas do pai.
            “Que bom que elas são tão fortes! Se quebrassem, o que seria de nós? Esses campos lindos ficariam inundados. Meu pai sempre diz que as águas estão ‘zangadas’. Parece que ele acha que elas estão zangadas por ficarem presas tanto tempo.”
                  O menino parava a toda hora para pegar umas florzinhas azuis que cresciam à beira do caminho, ou para escutar o barulhinho dos coelhos andando pela relva. Mas, com maior frequência sorria ao pensar no pobre cego que tão poucos prazeres tinha e tanto apreciava suas visitas.
              De repente, percebeu que o sol estava se pondo e escurecia rápido. “Minha mãe vai ficar preocupada”, pensou ele, já correndo para chegar logo em casa.
              Nesse exato momento, ouviu um barulho. Parecia água respingando! O menino parou e foi procurar de onde vinha. Encontrou um buraquinho no dique por onde estava correndo um fio de água.
             Qualquer criança na Holanda morre de medo só de pensar num vazamento dos diques. Peter compreendeu o perigo imediatamente. Se a água passasse por um buraco qualquer, de pequeno ele logo se tornaria grande, e todo o país seria inundado. O menino prontamente percebeu o que deveria fazer. Jogou fora as flores, desceu a encosta lateral do dique e enfiou o dedo no furo.
             A água parou de vazar! E Peter ficou pensando com seus botões: “Ahá! As águas zangadas vão ficar presas. Posso contê-las com meu dedo. A Holanda não vai ser inundada enquanto eu estiver aqui.”
             Correu tudo bem no início, mas logo escureceu e esfriou. O menino começou a gritar bem alto:
             – Socorro! Alguém, venha até aqui!
            Mas ninguém ouviu; ninguém veio ajudar.
             Foi fazendo cada vez mais frio; o braço começou a doer e a ficar dormente. Ele tornou a gritar:
            – Será que ninguém vai vir até aqui? Mãe! Mãe!
            Mas ela já tinha procurado pelo menino várias vezes desde que o sol se fora, olhando pelo caminho do dique até onde a vista alcançava, e decidiu voltar para a casa e fechar a porta, achando que ele havia decidido passar a noite com o amigo cego, e estava disposta a ralhar com ele no dia seguinte de manhã por ter ficado fora de casa sem sua permissão.
             Peter tentou assobiar, mas os dentes batiam de frio. Pensou no irmão e na irmã, aconchegados no calor de suas camas, e no pai e na mãe queridos. “Não posso deixá-los afogar. Preciso ficar aqui até que alguém venha, mesmo que passe a noite inteira.”
             A lua e as estrelas brilhavam, iluminando o menino recostado numa pedra junto ao dique. A cabeça pendeu para o lado, os olhos se fecharam, mas Peter não adormeceu, pois toda hora esfregava a mão que estava detendo o mar zangado.
             “De alguma forma, eu vou aguentar!” pensava ele. E passou a noite inteira ali, contendo as águas.
             De manhã, bem cedinho, um homem a caminho do trabalho achou ter ouvido um gemido enquanto passava por cima do dique. Inclinou-se na borda e encontrou o menino agarrado à parede da muralha.
            – O que aconteceu? Você está machucado?
            – Estou contendo a água do mar! – gritou Peter. – Mande vir socorro logo!
             O alerta foi dado imediatamente. Chegaram várias pessoas com pás, e logo o furo estava consertado.
            Peter foi levado para casa, ao encontro dos pais, e rapidamente todos ficaram sabendo que ele lhes havia salvo as vidas naquela noite. E até hoje, ninguém se esquece do corajoso pequeno herói da Holanda.

BENNET, William J. (org.). O Livro das Virtudes para Crianças.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. p. 12-18.

  Entendendo o conto:

01 – Observe que nesse conto o narrador é um observador e não participa da história. No segundo e terceiro parágrafos, o narrador apresenta o protagonista. Quem é o protagonista?

      O menino Peter.

02 – Que tarefa a mãe de Peter lhe deu que muda a situação inicial do texto?

      A mãe de Peter solicitou que lhe levasse bolinhos do outro lado do dique.

03 – Onde o pai de Peter trabalhava? Por que sua função era tão importante?

      Trabalhava no dique com a função de abrir e fechar as comportas. Porque os navios utilizavam as comportas sair dos canais em direção ao mar aberto.

04 – A quem se referem as palavras destacadas no trecho: “Sua função era abri-las e fechá-las para que os navios pudessem sair dos canais em direção ao mar aberto”?

      Referem-se às comportas.

05 – No trecho: “[...] percebeu como as chuvas tinham feito subir o nível da água e que elas estavam batendo forte contra o dique, e pensou nas comportas do pai”, a palavra destacada dá ideia de adição ou oposição de ações?

      Ideia de adição.

06 – No trecho a seguir, sublinhe o termo que expressa a ideia de LUGAR. “O menino parava a toda hora para pegar umas florzinhas azuis que cresciam à beira do caminho [...]”.

07 – Por que o braço do bravo menino começou a doer e a ficar dormente?

      Porque fazia frio demais.

08 – Mesmo diante do frio, Peter não desistiu de conter o vazamento do dique. Retire o texto um trecho com a fala direta de Peter, que comprove esse texto?

      “De alguma forma, eu vou aguentar!”

09 – Para que servem as aspas no primeiro parágrafo deste trecho do texto?

      Para indicar o pensamento do menino.

10 – Qual o sentido da palavra destacada no trecho: “O alerta foi dado imediatamente”?

      Aviso.

11 – Retire o trecho inicial do desfecho da história.

      De manhã, bem cedinho, um homem a caminho do trabalho achou ter ouvido um gemido enquanto passava por cima do dique. Inclinou-se na borda e encontrou o menino agarrado à parede da muralha.”

12 – Com base no texto lido, assinale a afirmativa incorreta:

a)   (  ) Diques são enormes muralhas construídas pelo homem para impedir que o mar invada a terra. Na Holanda, os diques são importantes porque evitam a inundação desse país, cuja maior parte do território fica abaixo do nível do mar.

b)   (X) Naquele dia, Peter saiu de casa escondido de sua mãe.  Ele não contou a ela para onde ia.

c)   (   ) A mãe de Peter desistiu de procurar o filho porque pensou que ele havia decidido passar a noite na casa do amigo.

d)   (   ) A atitude do menino pode ser considerada um ato de bravura, porque ele não pensou só em si, mas em sua família e no povo que vivia nesse país.

13 – Após a leitura do texto, preencha o esquema a seguir. Ele será a base para o resumo que você fará dessa história.

a)   Tempo (quando aconteceu a história).

Há muitos anos.

b)   Lugar (onde?).

Na Holanda.

c)   Características do país onde a história aconteceu.

A Holanda é um país cuja maior parte do território fica abaixo do nível do mar. Por isso, enormes muralhas – diques – foram construídas para evitar que as águas do Mar do Norte invadam a terra. Os diques devem ser vigiados constantemente, pois um pequeno buraco pode se transformar num vazamento perigoso, pondo em risco a segurança da população que vive nesse país.

d)   Apresentação do personagem principal.

Peter é uma criança de oito anos. Seu pai é um dos responsáveis pelas comportas dos diques, por isso, Peter sabe da importância dessas muralhas para a segurança do país onde mora.

e)   Conflito da história.

A mãe do Peter pede que o filho leve bolinhos a um amigo cego que mora do outro lado do dique. Na volta, o garoto escuta um barulho e percebe que há um pequeno vazamento no dique. Então, ele resolve tampá-lo com o seu dedo. Porém, como ninguém o vê ou o escuta para providenciar socorro, ele passa a noite tentando conter o vazamento sozinho.

f)    Solução do problema e desfecho da história.

No dia seguinte, bem cedinho, um homem a caminho do trabalho ouve o gemido do menino e vai em seu socorro.

Logo, várias pessoas chegam para ajudar no conserto do furo. Peter foi levado para casa, junto aos pais.

14 – Agora, faça uma síntese da história que você leu. Se desejar, copie-a em uma ficha avulsa para que você possa iniciar um fichário de suas leituras prediletas.

      Resposta pessoal do aluno.

15 – Releia o primeiro parágrafo do texto. Depois, assinale a alternativa incorreta:

        “A Holanda é um país cuja maior parte do território fica abaixo do nível do mar. Enormes muralhas chamadas diques são o que impede o Mar do Norte de invadir a terra, inundando-a completamente. Há séculos o povo se esforça para manter as muralhas resistentes, a fim de que o país continue seco e em segurança. Até as crianças pequenas sabem que os diques precisam ser vigiados constantemente e que um buraco do tamanho de um dedo pode ser algo extremamente perigoso.”

a)   (  ) No primeiro parágrafo, predomina o uso dos verbos no tempo presente.

b)   (  ) O uso do tempo presente, nesse parágrafo, deve-se ao fato de as informações transmitidas não fazerem parte da história de Peter. São informações reais sobre o país onde se originou a história.

c)   (X) No primeiro parágrafo, as informações foram inventadas pela imaginação do autor.

d)   (  ) Se o autor usasse o tempo passado nesse trecho, os leitores pensariam que a Holanda deixou de existir.

16 – No primeiro parágrafo, o uso de adjetivos contribui para que o leitor forme uma ideia da importância do gesto do personagem para o país. Identifique os adjetivos que caracterizam:

a)   Os diques (ou muralhas): enormes, resistentes.

b)   País: seco.

c)   Crianças: pequenas.

d)   Buraco: perigoso.

17 – Releia este trecho do texto que inicia no segundo parágrafo, observando os verbos em destaque.

        “Há muitos anos, vivia na Holanda um menino chamado Peter. Seu pai era uma das pessoas responsáveis pelas comportas dos diques. Sua função era abri-las e fechá-las para que os navios pudessem sair dos canais em direção ao mar aberto.

          Numa tarde do início do outono, quando Peter tinha oito anos, a mãe o chamou enquanto brincava:

          – Venha cá, Peter. Vá levar esses bolinhos do outro lado do dique para o seu amigo cego. Se você andar ligeiro e não parar para brincar, vai chegar em casa antes de escurecer.”

Analise as afirmativas seguintes e assinale a incorreta:

a)   (   ) No início desse trecho, o autor passa a usar outro tempo verbal para remeter o leitor a algo que aconteceu em um passado distante.

b)   (   ) O tempo verbal usado nesse trecho cria um clima de encanto, fantasia, preparando o leitor para conhecer uma história fantástica. 

c)   (   ) A forma do verbo chamar (chamou, no terceiro parágrafo) marca o fim da descrição de ações habituais, dando início a um fato novo, diferente, que irá mudar o rumo da história.

d)   (X) No quarto parágrafo, os verbos em destaque indicam a fala do narrador, sugerindo que ele está inseguro, que ele não sabe exatamente se quer fazer o personagem vir ou ir.

18 – Releia o 5.º parágrafo, observando a expressão em destaque:

        “O menino gostou da tarefa e partiu feliz da vida. Ficou um bom tempo com o pobre cego, contando-lhe sobre o passeio da vinda e o sol e as flores e os navios lá no mar. De repente, lembrou-se da mãe dizendo para voltar antes de escurecer, despediu-se do amigo e tomou o rumo de casa.”

       Nesse contexto, a expressão em destaque significa que o amigo de Peter: 

a)   (X) inspirava pena;   

b)   (  ) não possuía bens materiais;           

c)   (  ) era um mendigo;

d)   (  ) era um pedinte.

19 – Releia este parágrafo e assinale a alternativa correta:

        “Que bom que elas são tão fortes! Se quebrassem, o que seria de nós? Esses campos lindos ficariam inundados. Meu pai sempre diz que as águas estão ‘zangadas’. Parece que ele acha que elas estão zangadas por ficarem presas tanto tempo.” (...)

Nesse parágrafo, a expressão em destaque:

a)   (X) é uma figura de linguagem, um recurso expressivo usado para atribuir a seres inanimados (sem vida) características de seres animados (com vida), é chamado de personificação;

b)   (  ) é um absurdo, pois as águas não podem ficar zangadas;

c)   (  ) é um recurso usado para descaracterizar as águas.

d)   (  ) não deveria ser usado no texto porque é inadequado.

20 – Releia este trecho:

        “De alguma forma, eu vou aguentar!” pensava ele. E passou a noite inteira ali, contendo as águas.

        De manhã, bem cedinho, um homem a caminho do trabalho achou ter ouvido um gemido enquanto passava por cima do dique. Inclinou-se na borda e encontrou o menino agarrado à parede da muralha.

        – O que aconteceu? Você está machucado?

        – Estou contendo a água do mar! – gritou Peter. – Mande vir socorro logo!

Assinale a afirmativa incorreta:

a)   (X) No vigésimo primeiro parágrafo, as aspas foram usadas para indicar a fala direta do pai do menino.

b)   (  ) As aspas foram usadas nesse trecho para indicar ao leitor que, naquele momento, não se ouviu a voz do personagem, pois, nesse texto, as aspas indicam os pensamentos do personagem.

c)   (  ) Nesse trecho, o primeiro e o segundo travessão indicam a fala direta dos personagens: a primeira é do homem que encontrou o menino e a segunda é de Peter.

d)   (  ) Na última fala desse trecho, foram usados dois travessões para intercalar uma explicação do narrador.

21 – Assinale a alternativa cujo conjunto apresenta uma palavra que não faz parte da mesma família.

a)   (  ) Corajoso – coragem – encorajador;

b)   (  ) Muro – muralha – mureta;

c)   (  ) Gemer – gemido – geme;

d)   (X) zanga – zangado – zangão.

 

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