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sábado, 1 de agosto de 2026

POEMA: O DIA DA CRIAÇÃO -II - VÍNICIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poema: O dia da criação – II

           Vinícius de Moraes

 

Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwgEiBe3S3eG5zup8kPcdlhg2HxiEnQxiT7q-oBZJ8yCPz4CSJSQH14TF27CGAjJTUfxwwJLS6qAvxuTW2U-Uq0ZP4LP7lCYHashxBzqXSj1cYXtw3wQ3sIELM7z1OYFaJ0WWq_L1TdlLIJBDZdCahRFJ5PQhUUAO02bQtJdU-fUFmPXzwfyIxNMs89_I/s320/images.jpg


            Vinícius de Moraes.

 

Entendendo o poema:

01 – Qual tipo de oração subordinada estrutura o poema? 

      Causal.

02 – O que o eu poético revela por meio da repetição dessa oração? 

      As coisas e eventos que acontecem num sábado.

03 – Qual é o recurso estilístico (figura de linguagem) predominante no trecho e qual é a sua função no poema?

      A figura de linguagem predominante é a anáfora (repetição de uma mesma palavra ou expressão no início/final de versos ou estrofes), evidenciada na repetição constante da frase "Porque hoje é sábado". Essa repetição contínua funciona como uma justificativa quase automática para todos os comportamentos, excessos, contradições e desejos descritos, transmitindo a ideia de que o sábado é um dia fora da rotina comum, onde tudo ganha outra dimensão.

04 – Como o poema retrata a diversidade de comportamentos e figuras humanas na cidade durante o sábado? Cite exemplos do texto.

      O poema retrata o sábado como um dia em que a vida urbana se manifesta de forma intensa, diversa e cheia de contradições. O eu lírico apresenta desde figuras religiosas que tentam se misturar ("um padre passeando à paisana") e a busca pelo prazer e boemia ("damas de todas as classes", "um beber e um dar sem conta"), até momentos de fragilidade ("uma infeliz que vai de tonta") e sentimentos de frustração ou revolta ("frenesi de dar banana").

05 – De que maneira o tom do poema se transforma no último verso citado ("Há a sensação angustiante / Porque hoje é sábado")?

      Apesar de o sábado ser tradicionalmente associado à diversão, ao alívio e à liberdade no fim de semana, o último verso introduz uma virada de tom (quebra de expectativa). A intensa movimentação e os excessos do dia revelam, ao final, um vazio ou uma angústia existencial, mostrando que a busca frenética pelo prazer e pela evasão nem sempre traz preenchimento pleno, podendo resultar em uma "sensação angustiante".

 

 

 

POESIA: A GALINHA - D'ANGOLA - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: A galinha-d’angola

           Vinicius de Moraes

Coitada
Da galinha-
- D’angola
Não anda
Regulando
Da bola
Não para
De comer
A matraca
E vive
A reclamar
Que está fraca:

— “Tou fraca! Tou fraca!”

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgYKUJwY9EC7cml0OI4S1MYjgg4VcSvImONGwDdu44m-dG_Ee7j5MFs7FU1h3C4DJJyss0KY63pfi7pQWcEkoosMXNZHDfb9spco1_c7OfBtqhl1XZQJBIhjneAk2Fp0qmd9ixosn-1LoBMu_9BxAEmCXYAEAGNVCObPpmANUfjXirUc0xMKYGcLGS8LBY/s320/images.jpg


MORAES, Vinicius de. A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.

Habilidade EF15LP03 – Localizar informações explícitas em textos.

Entendendo a poesia:

01 – No poema, Vinicius de Moraes utiliza um recurso sonoro muito comum na poesia infantil para caracterizar a personagem. Identifique esse recurso no desfecho do texto e explique como ele estabelece a relação entre a linguagem humana e o comportamento do animal.

      O recurso utilizado é a onomatopeia. No desfecho ("— 'Tou fraca! Tou fraca!'"), o poeta transpõe o som natural emitido pela galinha-d'angola para a língua portuguesa, criando um trocadilho. Isso humaniza a ave (personificação), atribuindo-lhe uma fala que justifica o título "Coitada", pois o som que ela emite é interpretado como uma reclamação constante de debilidade física, apesar de sua agitação característica.

02 – Analise a estrutura rítmica do poema. Como a escolha de versos curtos e a pontuação contribuem para a construção da imagem da galinha-d'angola perante o leitor?

      A estrutura de versos curtíssimos (muitas vezes compostos por apenas uma ou duas palavras) e o ritmo quebrado imprimem uma agilidade e um nervosismo à leitura. Esse estilo mimetiza o comportamento saltitante e "desorientado" da ave. A falta de pausas longas até o clímax da fala final reforça a ideia de que a galinha "não para" e está em constante movimento, transmitindo visual e sonoramente a confusão descrita na expressão "não anda regulando da bola".

03 – Existe uma contradição ou ironia apresentada entre as ações da galinha e o seu discurso final. Explique que contradição é essa e como ela contribui para o humor da obra.

      A contradição reside no fato de o poema descrever que a galinha "não para de comer a matraca" (ou seja, come incessantemente e faz barulho), mas vive a reclamar que "está fraca". O humor nasce dessa ironia: a ave, apesar de bem alimentada e extremamente ativa, utiliza seu canto para expressar uma suposta fraqueza. Isso cria uma imagem cômica de uma personagem hipocondríaca ou eternamente insatisfeita, característica marcante da poesia de Vinicius para o público infantil em "A Arca de Noé".

04 – Tanto o conto como o poema são textos literários, ou seja, neles não há compromissos com a veracidade dos fatos. Então, a finalidade deles é:

(  ) Informar.     (X) Entreter e emocionar.      (  ) Opinar.

05 – Os textos literários, em sua maioria, são publicados em:

(  ) Enciclopédias.       (  ) Gibis.         (X) Livros.

 

sábado, 21 de março de 2026

POEMA DOS OLHOS DA AMADA - VINICIUS DE MORAES - COM GABARITO

 POEMA DOS OLHOS DA AMADA

              Vinícius de Moraes


Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglQ-DO-Db-lT09KyU3yoOF5i1rbMF1eM5Skt4to2JCxNoeUaRhkHeX0PV4nfAFXagbUgcEcrkdF3OVEewUKRaKTXNAYm_xk0YT_1xEoVtgbzMq8tDJ8PZPXWgbbfZk-XiV7yeQIRuThplYPjsnSOEg3po_Qkwta_1Um4Qqc3IQgpcSX9y0Shmy-E3krd8/s320/AMADA.jpg



Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

(Vinícius de Moraes.In: Poesia completada e prosa.)

 Entendendo o texto

 01. Na primeira estrofe, o eu lírico compara os olhos da amada a "cais noturnos cheios de adeus". Essa metáfora sugere que o olhar dela transmite uma sensação de:

a. Alegria e reencontro festivo.

b. Despedida, melancolia e certa distância.

c. Raiva e revolta contra o mar.

d. Medo de escuro e de lugares desertos.

02. O uso constante de palavras relacionadas ao universo marítimo (cais, docas, saveiros, navios, naufrágios) serve para:

a. Mostrar que a amada trabalha como marinheira em um porto.

b. Enfatizar a profundidade, os perigos e os mistérios que o eu lírico encontra no olhar da amada.

c. Ensinar ao leitor os nomes das diferentes embarcações brasileiras.

d. Indicar que o poema foi escrito durante uma tempestade no oceano.

03. Na terceira estrofe, o eu lírico afirma que "Se Deus houvera / Fizera-os Deus". O que ele pretende expressar com esses versos? a. Uma dúvida religiosa sobre a existência de Deus.

b. A ideia de que os olhos da amada são tão perfeitos e divinos que só poderiam ter sido criados por uma força superior.

c. Uma reclamação por Deus não ter feito olhos mais bonitos para a amada.

d. Que ele prefere os olhos da amada aos olhos de qualquer divindade.

04. Na última estrofe, o eu lírico chama a amada de "olhos ateus" e pede que ela crie esperança nos olhos dele. O que ele espera ver nos olhos dela um dia?

a. O reflexo de um navio chegando ao porto.

b. O "olhar mendigo da poesia", indicando o desejo de que ela retribua o sentimento poético e amoroso.

c. Uma prova científica de que o amor não existe.

d. O brilho do sol refletido nas águas de um rio.

05. Qual é a principal característica do "eu lírico" (a voz que fala no poema) em relação à mulher amada?

a. Ele é indiferente e não se importa com o que ela pensa.

b. Ele é um observador atento e apaixonado, que busca decifrar os segredos e a beleza do olhar dela.

c. Ele é um marinheiro que está fugindo da mulher amada por causa dos naufrágios.

d. Ele é um crítico de arte que não gosta da cor dos olhos da amada.

 

sábado, 29 de novembro de 2025

POESIA: AS BORBOLETAS - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: AS BORBOLETAS

            Vinícius de Moraes

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjfGLIiXaUqPeC7M4lBOQ7Crv1kklvfH3KTUU1yWxyAuclfD21x7o6WG5rnpr8Q4JtKHr6I4kfUhZTNG-jGH_3aSbUueAsKn4MnM3OonofM_rwt6dQGkRrZoHksY7ayQ-BYcOsFibiFUy2w1PWnMIyWlOhNvM6D83i5KUNUIRIkGmRpdJ_RlFXvtCnTBBQ/s320/Borboleta_transparente_REFON.jpg



Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

MORAES, Vinícius de. As borboletas. In: ______. A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004. p. 58-59.

Fonte: Set Brasil. Ensino Fundamental, anos finais, 7º ano, livro 2. Thaís Ginícolo Cabral – São Paulo: Moderna, 2019. p. 98.

Entendendo a poesia:

01 – Quais são as quatro cores de borboletas mencionadas pelo poeta na primeira estrofe?

      As cores de borboletas mencionadas são brancas, azuis, amarelas e pretas.

02 – O que as borboletas fazem na luz, conforme descrito na primeira estrofe?

      Elas "Brincam / Na luz".

03 – Qual característica emocional e de sinceridade é atribuída às borboletas de cor branca?

      Elas são descritas como "alegres e francas".

04 – Segundo o poema, qual a relação das borboletas azuis com o elemento luz?

      O poeta afirma que as borboletas azuis "Gostam muito de luz".

05 – Que sentimento ou sensação o poeta expressa ao descrever as borboletas pretas com a frase "Oh, que escuridão!"?

      Ele expressa uma sensação de tristeza, mistério ou negatividade, contrastando com a leveza e alegria das outras cores.

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

MÚSICA (ATIVIDADES): SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Música (Atividades): Se Todos Fossem Iguais a Você

            Vinícius de Moraes

Vai tua vida,
Teu caminho é de paz e amor
Vai tua vida é uma linda canção de amor
Abre os teus braços
E canta a última esperança
A esperança divina de amar em paz.

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjYHu3ICUtH143JdKYaMVkncB5r506flwAAPfZqo1oDzCfQlO22o7ODft27oulJcQof266234fgIouN5rzTTstJ9GCU_XzKcua1u2I-Txi_tSMVg9lCaog3I6uhmXOCLhwXxOc_V_BJUEL-TIqikVDgI06dd-_4kkCe6RKvjoVz0DduiydLy6auSHVlAEA/s320/vinicius.jpg

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar,
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar,
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar
Como o sol,
Como a flor,
Como a luz
Amar sem mentir,
Nem sofrer.

Existiria verdade,
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você!

Composição: Antônio Carlos Jobim / Vinícius de Moraes. Literatura comentada. São Paulo, Abril Cultural, 1980.

Fonte: Português – 1º grau – Descobrindo a gramática 8. Gilio Giacomozzi; Gildete Valério; Cláudia Reda Fenga. São Paulo. FTD, 1992. p. 49.

Entendendo a música:

01 – Qual é o principal desejo expresso na música em relação à vida e ao amor?

      O desejo principal é que a vida e o amor sejam vividos de forma pacífica e harmoniosa. O eu lírico fala em "caminho de paz e amor" e em "amar em paz".

02 – O que a música sugere que aconteceria se todos fossem iguais à pessoa a quem a canção é dedicada?

      Se todos fossem iguais a essa pessoa, a vida se tornaria uma "maravilha", onde haveria uma "canção pelo ar" e uma cidade inteira estaria cantando, sorrindo e pedindo a beleza de amar.

03 – Segundo a letra, quais são as características do amor ideal?

      O amor ideal é comparado ao "sol", à "flor" e à "luz". É um amor puro, sem falsidade ou sofrimento, ou seja, "amar sem mentir, nem sofrer".

04 – O que o eu lírico pede que a pessoa faça no início da canção?

      Ele pede que ela "vá tua vida", que "abra os teus braços" e "cante a última esperança".

05 – A música menciona a existência de uma "verdade que ninguém vê". O que essa frase sugere sobre o mundo atual, na visão do autor?

      A frase sugere que, no mundo em que vivemos, a verdadeira beleza e a essência do amor estão ocultas ou não são percebidas pelas pessoas. Essa verdade só seria revelada e se tornaria visível se todos tivessem a mesma pureza e bondade da pessoa a quem a música é dedicada.

 

 

domingo, 1 de junho de 2025

POESIA: RECEITA DE MULHER - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: Receita de mulher – Fragmento

             Vinicius de Moraes

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjcN82X7r35NL_dh4SWN23VgS9dypNbBFGxx_b67mStJxsA-K33yBoOTRzLrTKDq3xlVRi6AKiWzDTAav1qyXvffzmf_8sLs6PBRi9xE8ehH0gxmdy7iZZ07xDsvxBb-gZ2l_y4Upicpu4uPvItobxa3hccUxk_g5WxnC4xLkjxsqMYgLoBrhxMryLNn9o/s320/maxresdefault.jpg

Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos.

[...]

Vinícius de Moraes. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1984. p. 192.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 290.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a ideia central que Vinicius de Moraes defende sobre a mulher neste poema?

      A ideia central que Vinicius defende é que a beleza é fundamental na mulher. Ele não se refere apenas à beleza física óbvia, mas a uma beleza que engloba graça, elegância, mistério e uma certa leveza que se assemelha a uma flor ou a uma garça.

02 – Que tipo de metáforas e comparações o poeta utiliza para descrever a beleza que ele busca?

      O poeta utiliza metáforas e comparações como "qualquer coisa de flor", "qualquer coisa de dança", "haute couture" (alta costura), a "impressão de ver uma garça apenas pousada", um rosto que adquire a "cor só encontrável no terceiro minuto da aurora", pálpebras cerradas que "Lembrem um verso de Éluard" e braços tocados "como o âmbar de uma tarde".

03 – Para Vinicius, a beleza feminina deve ser apenas visível ou deve ter uma dimensão mais profunda? Explique.

      Para Vinicius, a beleza feminina não deve ser apenas visível; ela deve ter uma dimensão mais profunda e quase etérea. Ele afirma: "É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche / No olhar dos homens." Isso sugere que a beleza deve ser uma essência, uma aura, que se manifesta e é percebida, mas que não se restringe apenas à carne ou a algo puramente material.

04 – O que o verso "As muito feias que me perdoem / Mas beleza é fundamental" revela sobre a perspectiva do poeta?

      Este verso revela a sinceridade e a frontalidade da perspectiva do poeta sobre a importância da beleza. Embora pareça controverso à primeira vista, ele estabelece de imediato o pré-requisito da beleza como ponto de partida para sua "receita de mulher", destacando seu valor primordial em sua concepção idealizada.

05 – Como o poema aborda a interação entre a beleza da mulher e a percepção masculina?

      O poema aborda a interação entre a beleza da mulher e a percepção masculina ao afirmar que a beleza deve "refletir-se e desabrochar / No olhar dos homens". Isso indica que, para o poeta, a beleza feminina não é um conceito isolado, mas algo que ganha vida e validação na forma como é vista e apreciada pelo olhar masculino, gerando admiração e fascínio.

 

 

POEMA: O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poema: O operário em construção – Fragmento

              Vinicius de Moraes

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhEsvUWqkPE00zUsVh1wnJkO2PxZGmwsmudb7gn2KKx-sctjWvE10PNZuqg9yz1pNIXpA3IusijzKZjfmquc1bArDyfhjymNXKoE0LfMq_D9Z3aQZSKx09UJFbcKXKfXLN77ApYytnYbUsmT1AkUu08ueOAvzVLZsGe72WcCYAHNfUNYAnlFueSYenawmo/s320/maxresdefault.jpg

Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

[...]

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
— Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!

[...].

Poesia completa e prosa, cit. p. 293-294.

Fonte: Livro – Português: Linguagens, 3ª Série – Ensino Médio – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 9ª ed. – São Paulo: Saraiva Editora, 2013. p. 274.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal atividade do operário descrita no início do poema e qual a comparação inusitada utilizada para ilustrar sua ascensão nas construções?

      A principal atividade do operário é erguer casas onde antes só havia chão. A comparação inusitada utilizada para ilustrar sua ascensão é a de "um pássaro sem asas", que, paradoxalmente, sobe com as casas que lhe "brotavam da mão", enfatizando a força de seu trabalho manual.

02 – Segundo o poema, que aspectos importantes da sua própria obra o operário desconhecia inicialmente?

      Inicialmente, o operário desconhecia a "grande missão" do seu trabalho. Especificamente, não sabia que a casa de um homem é um "templo sem religião" e que a casa que ele construía, embora representasse a liberdade para outros, era para ele uma forma de "escravidão", aprisionando-o em um ciclo de trabalho.

03 – Que "fato extraordinário" o operário passa a compreender em um determinado momento, e qual a situação cotidiana que desencadeia essa revelação?

      O "fato extraordinário" que o operário passa a compreender é que "o operário faz a coisa / E a coisa faz o operário", revelando uma relação de interdependência e transformação mútua entre o trabalhador e o produto do seu trabalho. Essa revelação ocorre em uma situação cotidiana, à mesa, ao cortar o pão.

04 – Após a súbita emoção, o que o operário constata de forma "assombrada" ao olhar ao seu redor?

      Ao olhar ao seu redor, o operário constata de forma "assombrada" que praticamente tudo o que está à sua volta – desde os objetos simples da mesa ("garrafa, prato, facão") até estruturas maiores como "gamela, banco, enxerga, caldeirão", e até mesmo conceitos abstratos como "casa, cidade, nação" – era ele quem fazia, ele, um humilde operário em construção.

05 – Qual a mudança na autopercepção do operário que o poema destaca ao final do fragmento?

      A mudança na autopercepção do operário é que ele passa de ser um mero executor de tarefas ("um humilde operário / Um operário em construção") para um indivíduo consciente do seu papel fundamental na criação do mundo material ("Ele, um humilde operário / Um operário que sabia / Exercer a profissão"). Há um reconhecimento do seu valor e da sua habilidade.

06 – A quem o eu lírico se dirige na penúltima estrofe e qual a sua afirmação sobre o conhecimento do operário naquele momento?

      O eu lírico se dirige aos "homens de pensamento" e afirma que eles nunca saberão o quanto aquele humilde operário soube naquele momento. Isso sugere que a compreensão do operário, embora não intelectualizada, possui uma profundidade e um significado que escapam àqueles que apenas teorizam sobre o trabalho.

07 – Qual a principal reflexão sobre o trabalho e a consciência do trabalhador que emerge deste fragmento do poema?

      A principal reflexão que emerge é sobre a complexa relação entre o trabalhador e o seu trabalho, a alienação inicial da sua importância e o potencial despertar para a consciência do seu papel fundamental na construção da realidade. O poema destaca a dignidade do trabalho manual e a profunda compreensão que pode surgir da experiência prática, contrastando com a mera abstração intelectual.

 

quarta-feira, 9 de abril de 2025

POESIA: SONETO DO AMOR COMO UM RÍO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: Soneto do amor como um rio

             Vinícius de Moraes

Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhQvD9sscnhxzrlBwr93X2VjwpoX_LyxzIe9yO7Ugmv7OJuDR_OzvZt6HRlPq3WD1oBK7lDvtvqrVDzh0qflF6WqW2-Fir91Q0G9iQ77XbJctOXR7rzgNDratD5OE0TmiKXwfkyFnrC70e2336CHJ1_2QEh2CbKOFixvMKYS0iFw0a1FEq4TIVM8tHOqIU/s1600/06_sunset_river_sea.jpg



Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.

Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo

E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

Para viver um grande amor. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 164.

Fonte: Livro – Português: Linguagem, 8ª Série – William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães, 4ª ed. – São Paulo: Atual Editora, 2006. p. 144.

Entendendo a poesia:

01 – Qual é a principal metáfora utilizada no poema para descrever o amor?

      A principal metáfora é a do rio. O eu lírico compara seu amor a um rio noturno, interminável e tardio, que o leva para um mar sem termo. Essa metáfora sugere a ideia de um amor fluído, constante e profundo, que o transporta para um estado de paixão e entrega.

02 – Como o eu lírico descreve a natureza do amor que sente?

      O eu lírico descreve o amor como algo surpreendente e inesperado, que surgiu em meio ao drama e trouxe paz. Ele o considera maior que o tempo e todas as coisas, algo real, embora já não acreditasse que pudesse existir. Ele também o define como um túmulo onde seu corpo está eternamente sepultado.

03 – Que sentimentos o poema evoca em relação ao amor?

      O poema evoca sentimentos de paixão intensa, entrega total, transcendência e a sensação de ser levado por uma força maior. O amor é apresentado como algo que transforma e absorve o ser, conduzindo-o a um estado de plenitude e imensidão.

04 – Qual é o significado da expressão "túmulo onde jaz meu corpo para sempre sepultado"?

      Essa expressão sugere que o amor representa uma espécie de morte simbólica para o eu lírico, onde ele se entrega completamente e se perde em seus sentimentos. É uma metáfora para a intensidade e a profundidade do amor, que o absorve por completo.

05 – Como o poema utiliza a imagem do rio para expressar a ideia de eternidade e imensidão do amor?

      A imagem do rio noturno, interminável e tardio, que desliza suavemente pelo ermo e leva o eu lírico para um mar sem termo, sugere a ideia de um amor que transcende o tempo e o espaço. O rio representa a continuidade e a fluidez do amor, enquanto o mar simboliza a sua imensidão e eternidade.



 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

POESIA: SONETO DO MAIOR AMOR - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Poesia: Soneto do maior amor

             Vinicius de Moraes

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh7nRHijxSJcuFb2j2OWTUVANJgOdeTBSZX1kTUCAt9T0t4TtMoDW9qaCT2uGtWaILi7aftiVglNtlp08q_PA0R_iW49tDB0RHNgwRFP8FslJydu80874mKi6PTJuuk7uueuC95EYovb05D381VqEcKwCpi89ofEPUzeMZhjqrSZvaQZDAH1gbn520kjeM/s320/hqdefault.jpg



E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu que quando toca, fere
E quando fere, vibra, mas prefere
Ferir a fenecer — e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

MORAES, Vinícius de. Soneto do maior amor. In: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985. p. 202.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. João Domingues Maia – Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 362.

Entendendo a poesia:

01 – Qual a principal característica do amor descrito no poema?

      O amor descrito no poema é paradoxal e contraditório. O eu lírico expressa um amor que se manifesta de forma incomum, onde a alegria do amado causa tristeza e a tristeza, alegria.

02 – Como o eu lírico descreve a relação entre o amor e a dor?

      O eu lírico descreve uma relação intensa entre amor e dor. Ele afirma que seu amor fere quando toca, mas que essa ferida gera uma vibração, e que prefere ferir a definhar.

03 – Qual a importância da contradição na expressão do amor no poema?

      A contradição é essencial para expressar a complexidade do amor descrito. Ela revela um amor que não se encaixa em padrões convencionais, um amor que desafia a lógica e se manifesta de forma intensa e paradoxal.

04 – Como o eu lírico se sente em relação à "eterna aventura" do amor?

      O eu lírico se agrada mais da "eterna aventura" do amor, mesmo com suas dores e contradições, do que de uma vida sem essa paixão. Ele valoriza a intensidade do amor, mesmo que essa intensidade traga sofrimento.

05 – Qual a imagem final que o poema constrói do amor?

      A imagem final é de um amor "desassombrado, doido, delirante", que vive "numa paixão de tudo e de si mesmo". Essa imagem reforça a ideia de um amor intenso, avassalador e que se basta em sua própria complexidade.

sexta-feira, 28 de março de 2025

SONETO: NÃO COMEREI DA ALFACE A VERDE PÉTALA - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Soneto: NÃO COMEREI DA ALFACE A VERDE PÉTALA

             Vinícius de Moraes

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiiQbphipvucUkPVpiXwpRi21e9zWgrIa0sB_8756l-woIijn_zF0AbQbK60_Zr9vRFK_x0I09t-Uv7YlakKy04ZzYWp5_1aVcVfRZbKKAI6x9egDY34IIYGxb30XaNdjdxx5Ya_-T6r9dKexqEkxUFIceqtxl2l91mU89BE7afYvHszVkfMVGMjc1CFM8/s1600/F121E3CFF2DA1F00CCD0114B587FD5873A7F_cajumanga.jpg



Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: deem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.

MORAES, Vinícius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1987. p. 282-283.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 385.

Entendendo o soneto:

01 – Qual a posição do eu lírico em relação à dieta vegetariana?

      O eu lírico expressa repúdio à dieta vegetariana, rejeitando legumes e verduras como alface e cenoura, e ironizando aqueles que a seguem.

02 – Quais as frutas preferidas do eu lírico?

      O eu lírico demonstra preferência por frutas tropicais como caju e manga, reconhecendo que estas podem não ser consideradas elegantes para um poeta.

03 – Como o eu lírico se define em relação aos animais?

      O eu lírico se define como onívoro, diferente dos bois (ruminantes) e dos coelhos (roedores), expressando sua preferência por uma alimentação variada.

04 – Quais os alimentos que o eu lírico deseja consumir?

      O eu lírico deseja consumir alimentos como feijão com arroz, bife, queijo forte e parati (cachaça), representando uma culinária brasileira tradicional e saborosa.

05 – Qual a visão do eu lírico sobre a morte?

      O eu lírico expressa que morrerá feliz do coração, por ter vivido intensamente e desfrutado dos prazeres da vida, incluindo a boa comida.

 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

CRÔNICA: MENINO DE ILHA - FRAGMENTO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Crônica: MENINO DE ILHA – Fragmento

              Vinícius de Moraes

        Às vezes, no calor mais forte, eu pulava de noite a janela com pés de gato e ia deitar-me junto ao mar. Acomodava-me na areia como numa cama fofa e abria as pernas aos alíseos e ao luar; e em breve as frescas mãos da maré cheia vinham coçar meus pés com seus dedos de água.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEimLly9qLLgbDyP1Jr3ZBpWgXRSh54Yi0afcFMs5f_Rs9SkNSvuJ-7SKw_UjvDbo2jXxJW-S_W-F8Y3xkdS9YUnWQ4nuR7X_0aPuQPTHun4ryfWJzOvOojd6SvbnoEkQaebk1if79v6XxSlnrD60c4kRxFM63fSbUHJvbHFxrUrcgFjdK0XCw-BqiZWBUs/s1600/ILHA.jpg

        Era indizivelmente bom. Com um simples olhar podia vigiar a casa, cuja janela deixava apenas encostada; mas por mero escrúpulo. Ninguém nos viria nunca fazer mal. Éramos gente querida na ilha, e a afeição daquela comunidade pobre manifestava-se constantemente em peixe fresco, cestas de caju, sacos de manga-espada. E em breve perdia-me naquela doce confusão de ruídos... [...].

MORAES, Vinícius de. In: BUENO, Alexei (org.). Vinícius de Moraes: poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998. p. 914. Fragmento.

Fonte: Português – Literatura, Gramática e Produção de texto – Leila Lauar Sarmento & Douglas Tufano – vol. 2 – Moderna – 1ª edição – São Paulo, 2010, p. 397-398.

Entendendo a crônica:

01 – Qual a sensação principal transmitida pelo fragmento?

      O fragmento transmite uma sensação de liberdade, de conexão com a natureza e de paz interior. A descrição da noite, do mar e da areia evoca uma atmosfera tranquila e prazerosa, representando uma experiência única e intensa da infância.

02 – Que relação o menino estabelece com o mar?

      O menino estabelece uma relação íntima e quase simbiótica com o mar. Ele o vê como um companheiro, um elemento da natureza que o acolhe e o acalma. A descrição da maré tocando seus pés e a sensação de se perder nos ruídos do mar evidenciam essa conexão profunda.

03 – Qual a importância da comunidade para o menino?

      A comunidade da ilha é descrita como acolhedora e generosa. A afeição dos moradores, manifestada através de presentes e cuidados, cria um ambiente seguro e familiar para o menino. Essa sensação de pertencimento à comunidade contribui para a sua felicidade e bem-estar.

04 – Que elementos da natureza são destacados no fragmento?

      O fragmento destaca elementos como o mar, a areia, o luar e o vento. Esses elementos naturais são descritos de forma poética e sensível, criando uma atmosfera mágica e evocando os sentidos do leitor.

05 – Qual o significado da frase "Era indizivelmente bom"?

      A frase "Era indizivelmente bom" expressa a dificuldade de descrever em palavras a intensidade da experiência vivida pelo menino. É um momento de puro prazer e felicidade, uma sensação tão intensa que transcende as palavras.

 

 

sábado, 7 de dezembro de 2024

MÚSICA(ATIVIDADES): O RELÓGIO - VINÍCIUS DE MORAES - COM GABARITO

 Música(Atividades): O Relógio

            Vinícius de Moraes

Passa tempo, tic-tac
Tic-tac, passa hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEirQPoB3Hzq_vdE3uhJ-unvzuF6K9mtzLLRtCZwXYlJ4c3u_rf7PyrnUf_CT09QrYmhtc8trLoCQUVYKIq7pNX4ahUKejGIEBjYVrc3Znk_z-Me2TXRrMeaXepXUlvfFr3QMA-h-bc4H15gJlMDz1sg6iQjQIaJPv90ae01P2QoIpRycHo5qlh3mqnvjMk/s320/RELOGIO.jpg


Passa tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora

Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria

De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Passa tempo, tic-tac
Tic-tac, passa hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora

Passa tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora

Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria

De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Passa tempo, tic-tac
Tic-tac, passa hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora

Passa tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora

Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria

De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Composição: Paulo Soledade / Vinícius de Moraes. O relógio. CD: A arca de Noé. São Paulo: Universal.

Fonte: Descobrir o mundo, Ápis – Maria E. Simielli / Rogério G. Nigro / Anna Maria Charlier. Ensino fundamental – Anos iniciais – 2º ano – Editora Ática – 1ª edição, São Paulo, 2015, p. 162.

Entendendo a música:

01 – Qual a principal emoção transmitida pela música?

      A principal emoção transmitida pela música é a fadiga e o desejo de que o tempo passe mais rápido. O relógio, que simboliza a passagem do tempo, é personificado e implora para que o tempo passe, revelando o cansaço e a monotonia do sujeito lírico.

02 – Qual o significado da repetição insistente de "tic-tac"?

      A repetição insistente de "tic-tac" cria um ritmo hipnótico e enfatiza a passagem implacável do tempo. O som do relógio torna-se quase uma obsessão para o sujeito lírico, que deseja que ele se cale.

03 – O que a frase "Já perdi toda a alegria de fazer meu tic-tac" revela sobre o sujeito lírico?

      Essa frase revela que o sujeito lírico, que antes encontrava prazer em suas atividades, agora se sente desanimado e sem alegria. O relógio, que antes marcava momentos importantes e alegres, agora se tornou um fardo.

04 – Qual a relação entre o relógio e a vida do sujeito lírico?

      O relógio representa a vida do sujeito lírico, que se sente presa a uma rotina monótona e cansativa. O tic-tac constante simboliza a passagem implacável do tempo, que não pode ser parada.

05 – Qual a mensagem que a música transmite?

      A música transmite uma sensação de desespero e impaciência em relação à passagem do tempo. Ela nos convida a refletir sobre o valor do tempo e a importância de viver cada momento de forma plena. Ao mesmo tempo, a canção também pode ser vista como uma crítica à rotina e à falta de sentido que muitas vezes sentimos em nossas vidas.