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domingo, 12 de abril de 2026

CARTA AO LEITOR: O FUTURO DA EDUCAÇÃO - FRAGMENTO - VEJA - COM GABARITO

 Carta ao Leitor: O futuro da educação – Fragmento

          É caminho sem volta: recursos tecnológicos precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros

        “Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos”, escreveu o filósofo e matemático grego Pitágoras (570 a.C.-495 a.C.), numa frase que atravessou milênios sem nunca ter perdido sua perturbadora relevância. A educação, não há dúvida, é o melhor termômetro para medir o avanço de qualquer sociedade, longa estrada a ligar o passado, o presente e o futuro das civilizações. A pandemia do novo coronavírus, que tem forçado a humanidade a se reinventar, mexeu com os alicerces de quase tudo, na economia, no trabalho, na diversão — mas poucas transformações foram mais ruidosas do que a transposição das salas de aula para a casa dos alunos. 

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiYuKmI5LHGWZpyIr9iIu82dTUXAGDw63BVZdGwMA3i4T7EDSvT2uWqpYqj8j21qb7HS68uN_3dS5YlSibv48I7baBQG_ynwqSoJNJZbMdTl2RuVj48Y5sttTw8S7-8Vhk3Hrazb9TTXJoFXk4-_GASJ2839NVVQtVQMTFcTwkhi4CBLo_ACypLcEXmQ7o/s1600/LEITOR.jpg


O ensino on-line, compulsório e emergencial, pegou de surpresa as instituições educacionais, professores e pais — e expôs, inapelavelmente, as mazelas históricas do sistema brasileiro, da infância à idade adulta. [...] Uma pesquisa do Instituto Península com 7 700 professores do ensino fundamental ao médio mostra que 83% deles se sentem despreparados para preleções a distância. Vire-se a câmera de videoconferência para o outro lado, e o que se percebe, no cotidiano doméstico, são famílias tensas, estudantes desatentos, cansados, invariavelmente distraídos com outros atrativos – sobretudo os menores. É assim nos colégios privados, e pior, muito pior, nos públicos. [...].

        Os tropeços, contudo, podem servir de amarga experiência para o que virá em seguida, com correções e um olhar inédito, mais cuidadoso [...]. Não será fácil, e desde já há uma indagação: como recuperar o conteúdo perdido? Uma reportagem desta edição de VEJA, coordenada pela editora Sofia Cerqueira, mergulha nas dificuldades atuais e mostra as saídas possíveis do que virá amanhã. Sabe-se que a rotina será feita de medidas de segurança, com máscaras, distanciamento, revezamento de presença etc. Mas haverá uma outra mudança, inevitável: o uso de recursos tecnológicos, estes com os quais ainda não aprendemos a lidar — e que precisam urgentemente ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens brasileiros. É caminho sem volta, que países como a Finlândia e a Coreia do Sul já trilham há algum tempo, muito antes do surto. Trata-se, enfim, de aproveitar o momento para iniciar o salto educacional tão esperado, eternamente adiado, como se a máxima de Pitágoras pudesse ser apagada. Não pode. Não há futuro para um país sem educação de qualidade.

Carta ao leitor: O futuro da educação. Veja, Edição 2693, 1 jul. 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/revista-veja/carta-ao-leitor-o-futuro-da-educacao. Acesso em: 16 out. 2020.

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 222.

Entendendo a carta:

01 – Como a frase de Pitágoras é utilizada para fundamentar o argumento central do texto?

      A frase "Eduquem as crianças, e não será necessário punir os adultos" serve para enfatizar que a educação é a base de qualquer sociedade civilizada. O autor a utiliza para mostrar que investir no ensino não é apenas uma escolha pedagógica, mas a única forma de garantir o futuro e o progresso de um país, evitando problemas sociais maiores no futuro.

02 – Segundo o texto, o que a pandemia do novo coronavírus "expôs inapelavelmente" em relação ao sistema de ensino brasileiro?

      A pandemia expôs as mazelas históricas do sistema educacional brasileiro, da infância à idade adulta. O ensino on-line emergencial revelou a falta de preparo das instituições e dos professores, além das dificuldades das famílias e a desigualdade profunda entre o ensino público e o privado.

03 – Quais dados o texto apresenta para ilustrar o despreparo dos docentes e as dificuldades dos alunos com o ensino a distância?

      O texto cita uma pesquisa do Instituto Península, indicando que 83% dos professores de ensino fundamental e médio se sentem despreparados para dar aulas remotas. Além disso, descreve o lado dos alunos como um cenário de famílias tensas e estudantes desatentos, cansados e distraídos, especialmente os mais novos.

04 – O autor defende que o uso de recursos tecnológicos na educação é uma escolha temporária ou definitiva? Justifique.

      É defendido como uma mudança definitiva e inevitável, um "caminho sem volta". O autor afirma que esses recursos precisam ser aplicados com inteligência na instrução de crianças e jovens, seguindo o exemplo de países como Finlândia e Coreia do Sul, que já adotavam essas tecnologias muito antes da crise sanitária.

05 – Qual é a visão do autor sobre os "tropeços" e as dificuldades enfrentadas durante a transposição das salas de aula para a casa?

      O autor acredita que as dificuldades podem servir como uma "amarga experiência" para o futuro. O objetivo seria aproveitar o momento de crise para realizar correções, adotar um olhar mais cuidadoso e dar o "salto educacional" que o Brasil sempre adiou, visando finalmente uma educação de qualidade.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

CARTA AO LEITOR: 221 VEZES POR DIA - FRAGMENTO - ALEXANDRE VERSIGNASSI - COM GABARITO

 Carta ao leitor: 221 vezes por dia – Fragmento

        Esse é o número de vezes que as pessoas tiram o celular do bolso, em média. Há algo de errado aí.

Por Alexandre Versignassi

        O século 21 começou no dia 9 de janeiro de 2007. Foi quando Steve Jobs apresentou o iPhone num evento da Apple. No momento em que o fundador da companhia abriu a homepage do New York Times no aparelhinho, começava uma nova era: a do computador realmente pessoal. A internet se libertava dos PCs, e chegava aos bolsos de todo mundo.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEipOgOBodxAZYPROZzZKskps3qYolHoWEOJjOBEF2vX5HnK9rzYTIOY_6FzTYuOctOP3aex8_ZTtqi2v1PNV3joT9dE8iwKc_xcpGEGSZfpeyyCiH72qiEABoTyK452HVtZ0F4G3AztkxfSbQUXez_wiT9lcaTRuxLDES0x17Q8BzI1tfEd1U2c1nRwlDc/s320/2007.jpg


        Bom, não exatamente de todo mundo. O iPhone de 2007 era uma Lamborghini, algo feito para uma minoria endinheirada. Mas isso começaria a mudar no final de 2008, com a chegada do Android. Agora qualquer empresa que quisesse copiar a Apple e fabricar seu próprio smartphone podia usar o sistema operacional do Google, o que diminuía violentamente o custo de desenvolvimento. Isso permitiu a criação de smartphones que cabiam mesmo no bolso – agora, no sentido financeiro da expressão.

        Ainda era tudo mato: não existia WhatsApp nem Instagram. [...]. Mas a revolução já tinha começado. Em 2008, foram vendidos 139 milhões de smartphones no mundo. Em 2011, com mais dispositivos baratos à disposição, 472 milhões. De 2014 em diante, mais de um bilhão. Resultado: 4 bilhões de pessoas têm smartphone hoje. Isso dá 51,9% da população mundial – ou 80% da população adulta (entre 15 e 65 anos). Os aparelhos só não tendem mesmo à onipresença em bolsões de pobreza extrema – África subsaariana, Bangladesh, Paquistão.

        O normal, inclusive, é que boa parte dos países tenham tantos smartphones quanto habitantes. É o caso do Brasil. De acordo com a Anatel, há 183,5 milhões de linhas 3G e 4G ativas no Brasil. Mesmo descontando quem possui mais de um chip no aparelho, então, temos quase um smartphone por pessoa por aqui, mesmo amargando o 70o PIB per capita do planeta.

        Falar como o smartphone mudou o mundo é chover no molhado. Ele criou as empresas mais valiosas do planeta (Apple, Google, Facebook, Huawei), revolucionou o dia a dia (Uber, Rappi), e mudou a política (uma presença forte nas redes sociais vale mais do que toneladas de horário eleitoral na TV, como as eleições de 2018 provaram). Mas não é “só” isso.

        Os smartphones passaram a moldar a realidade não apenas pela eficiência absurda, mas também porque viciam. Não é à toa que cada pessoa tira o celular do bolso ou da bolsa 221 vezes por dia, em média. Como dizem o editor Bruno Garattoni e o repórter Eduardo Szklarz na reportagem principal desta edição: “Por trás dos ícones coloridos, as gigantes da tecnologia fazem um esforço consciente para nos manipular, usando recursos da psicologia, da neurologia e até dos cassinos”. É isso. Entenda melhor aqui, se o seu celular deixar.

VERSIGNASSI, Alexandre. Carta ao leitor: 221 vezes por dia. Superinteressante. Edição 408, out. 2019. Disponível em: https://super.abril.com.br/blog/alexandre-versignassi/carta-ao-leitor-221-vezes-por-dia/. Acesso em: 15 out. 2020. (Adaptado).

Fonte: Coleção Rotas. Língua Portuguesa. Ensino fundamental. Anos finais. 8º ano/Sandra Moura Severino (org.) – Brasília – Editora Edebê Brasil, 2020. p. 206-207.

Entendendo a carta:

01 – Por que o autor afirma que o século 21 começou apenas em 9 de janeiro de 2007?

      O autor utiliza essa data como um marco simbólico porque foi o dia em que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone. Para ele, esse evento deu início à era do "computador realmente pessoal", quando a internet deixou de estar presa aos PCs e chegou aos bolsos das pessoas.

02 – Qual foi o papel do sistema operacional Android na popularização dos smartphones?

      O Android, lançado no final de 2008, permitiu que outras empresas fabricassem seus próprios aparelhos usando o sistema do Google. Isso reduziu drasticamente os custos de desenvolvimento, criando smartphones que "cabiam no bolso" no sentido financeiro, ou seja, tornaram-se acessíveis para a maioria das pessoas, não apenas para uma minoria rica.

03 – Como o texto descreve a evolução do mercado de smartphones em números entre 2008 e os dias atuais?

      O texto mostra um crescimento explosivo: em 2008 foram vendidos 139 milhões de aparelhos; em 2011, esse número saltou para 472 milhões; e de 2014 em diante, as vendas ultrapassaram 1 bilhão por ano. Hoje, cerca de 4 bilhões de pessoas possuem o aparelho, o que representa 80% da população adulta mundial.

04 – O que o autor destaca sobre a realidade do uso de smartphones no Brasil?

      O autor aponta uma contradição: embora o Brasil ocupe apenas a 70ª posição no ranking de PIB per capita (riqueza por pessoa), o país possui quase um smartphone por habitante, com cerca de 183,5 milhões de linhas ativas de 3G e 4G.

05 – Além da tecnologia, quais mudanças o smartphone provocou na sociedade de acordo com o fragmento?

      O smartphone criou as empresas mais valiosas do mundo (como Apple e Google), revolucionou o cotidiano com aplicativos de serviço (Uber, Rappi) e alterou a dinâmica política, tornando as redes sociais mais influentes do que o horário eleitoral gratuito na TV.

06 – Qual é a crítica central feita no final do texto sobre o comportamento dos usuários?

      A crítica é que os smartphones passaram a "moldar a realidade" através do vício. O autor menciona que as gigantes da tecnologia utilizam conscientemente recursos da psicologia, neurologia e até de cassinos para manipular os usuários, fazendo com que chequem o aparelho, em média, 221 vezes por dia.

07 – Qual o sentido da expressão "se o seu celular deixar" na última frase do texto?

      A frase é uma ironia que reforça a ideia de vício e falta de controle. O autor sugere que o leitor pode estar tão dependente do aparelho e das notificações que talvez nem consiga terminar de ler ou entender a reportagem sem ser interrompido pelo dispositivo.

 

 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

CARTA AO LEITOR: OS NOVOS REVOLUCIONÁRIOS - VEJA - COM GABARITO

 Carta ao leitor: Os novos revolucionários

      Os jovens dos anos 60 e 70 saíram de casa para protagonizar uma revolução de costumes jamais vista até então. Fizeram do rock’n’roll o gênero mais importante da música popular, descobriram as drogas e inventaram o amor livre. Esses revolucionários cresceram, casaram-se, viraram papais e mamães e… surpresa! Estão acompanhando atônitos outra revolução de costumes, completamente diferente daquela da qual eles participaram, mas igualmente jamais vista. Ela tem como protagonistas seus próprios filhos e ocorre onde? Dentro de suas próprias casas. […]

        Para traçar o perfil dos novos revolucionários, VEJA preparou esta edição especial sobre a juventude. Comandada pelo editor especial João Gabriel de Lima e pelo subeditor Ariel Kostman, uma equipe de 27 repórteres teve acesso a dezenas de pesquisas e trabalhos acadêmicos. Entrevistou psicólogos, sociólogos e educadores. E conversou, principalmente, com os jovens de hoje e os jovens de antigamente. […]

        Esta edição oferece dois presentes ao leitor. Um deles é esta versão interativa na internet. Todas Editoria de Arte as reportagens possuem uma complementação em formato multimídia. Uma vez plugado ao site, é possível ouvir trechos de entrevistas, ter acesso a trailers de filmes e a videoclipes, fazer testes e até montar uma rádio própria. A outra surpresa é o Jogo Veja da Verdade, que está disponível apenas na edição impressa. Elaborado por Milton Célio de Oliveira, responsável por alguns dos grandes sucessos de uma fábrica de brinquedos, o jogo se destina a testar quanto os filhos conhecem os pais e vice-versa. Pode ser jogado também entre ami- gos. Boa leitura, boa viagem na internet e bom jogo.

Carta ao leitor. Veja. Fonte: <http:// veja.abril.com.br/especiais/jovens/ carta_leitor.html>. Acesso em: 27 mar. 2015.

Fonte: Livro – Tecendo Linguagens – Língua Portuguesa – 8º ano – Ensino Fundamental – IBEP 4ª edição São Paulo 2015 p. 160-1.

Entendendo a carta ao leitor:

01 – Como você deve ter percebido, esse texto também é uma carta.

a)   Quem a escreveu?

Apesar de não estar explícito, pode-se depreender que é alguém responsável pela publicação da revista, como o editor-chefe, por exemplo.

b)   A quem ela se dirige?

Aos leitores da edição especial da revista.

02 – A carta ao leitor visa justificar a edição especial da revista. Que argumentos são apresentados para isso?

      A carta ao leitor afirma que os pais dos jovens estão acompanhando, atônitos, uma revolução de costumes e que, por isso, procurou-se traçar um perfil da juventude atual, o qual foi publicado na edição especial da revista.

03 – Que outros atrativos descritos na carta procuram convencer o leitor a ler a edição especial da revista?

      No último parágrafo, o texto informa ao leitor que a edição é acompanhada de uma versão interativa na internet e de um jogo, disponível apenas na versão impressa.

04 – Com base na leitura do texto anterior e também do texto 4, explique as semelhanças e as diferenças entre uma carta do leitor e uma carta ao leitor. Depois, compartilhe suas observações com os colegas.

      Sugestão: A carta do leitor é um texto que o leitor envia para a redação de um jornal ou revista com a intenção de emitir sua opinião a respeito de algum conteúdo publicado em uma das edições. Já a carta ao leitor, inversamente, é um texto dirigido aos leitores de um jornal ou revista, produzido por um representante da redação, com o objetivo de justificar a publicação de determinados conteúdos, esclarecer polêmicas, apresentar o posicionamento do veículo a respeito de algum tema etc. Ambas são publicadas em seção específica.