Mostrando postagens com marcador LUÍS DE CAMÕES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LUÍS DE CAMÕES. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de junho de 2026

POEMA: AO DESCONCERTO DO MUNDO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: Ao desconcerto do mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos; 
E pera mais me espantar, 
Os maus vi sempre nadar 
Em mar de contentamentos. 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi0nFMIMnt8EGCz5QZSmO8hKbqfhhWFmcBLfcT7RdyUQSg5snFayhPWT933VVoRm-qH9eReiuDyEjVxmrTdwE2e87CAEhTO9ceUEwgVyvkL7iuY7ePgshE6_O0Mr-CDEj_zERwFmSWODvtPxz9WcvOvWNlqs4F7aHOqrOmYVXsP6sVf9Z4JagT5zUg79ow/s320/MUNDO.jpg


Cuidando alcançar assim 
O bem tão mal ordenado, 
Fui mau, mas fui castigado. 
Assim que, só pera mim, 
Anda o Mundo concertado.

 

Camões, Luís de. In: SALGADO JÚNIOR, Antônio (Org.). Luís de Camões: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.p.475-476.

 

Entendendo o poema:

01 – Nesses versos, o eu lírico compara o destino das pessoas no mundo. A que conclusão ele chegou?

      O eu lírico chega à conclusão de que o mundo é injusto e invertido: as pessoas boas sofrem grandes tormentos, enquanto as pessoas más vivem em um "mar de contentamentos", ou seja, são felizes e bem-sucedidas. Há uma clara percepção de injustiça moral na distribuição da felicidade e do sofrimento.

 

02 – Como a vida do eu lírico foi afetada por essa visão?

      Ao ver que os maus se davam bem, o eu lírico tentou ser mau também, na esperança de alcançar a felicidade ("o bem tão mal ordenado"). No entanto, sua tentativa falhou: ele acabou sendo castigado por suas más ações, não conseguindo obter o mesmo sucesso que os outros maus obtinham.

 

03 – O que significa o título, tendo em vista os dois últimos versos?

      O título "Ao desconcerto do mundo" refere-se à falta de lógica, ordem ou justiça no funcionamento da vida.

      Contudo, nos dois últimos versos ("Assim que, só pera mim, / Anda o Mundo concertado"), há uma ironia dolorosa: o mundo só funciona de forma "concertada" (organizada, justa) para castigar especificamente o eu lírico. Ou seja, a regra geral do mundo é o desconcerto (os maus vencem), mas para ele, o mundo aplica a regra do concerto (o mal é punido), o que o deixa em eterna desvantagem.

04 – Releis estes versos: “Os bons vi sempre passar.../” “Os maus vi sempre nadar...”. Qual é o processo de formação das palavras destacadas? Justifique sua resposta.

      O processo é a derivação imprópria (também chamada de conversão).

      Justificativa: As palavras "bons" e "maus" são originalmente adjetivos. No contexto desses versos, precedidas pelos artigos "Os", elas mudaram de classe gramatical e passaram a funcionar como substantivos (equivalendo a "as pessoas boas" e "as pessoas más"), sem sofrer nenhuma alteração na sua forma original.

 

05 – Transcreva do poema palavras que se formam por derivação prefixal e derivação sufixal.

      Derivação prefixal: Desconcerto (prefixo des- + concerto).

      Derivação sufixal: Contentamentos (substantivo contentamento + sufixo -mento, derivado do verbo contentar) ou Castigado (particípio do verbo castigar, com o sufixo -ado).

 

06 – A partir das palavras a seguir, forme outras pelo processo de derivação regressiva.

       passar – espantar – alcançar – castigar – nadar – acontecer.

      A derivação regressiva reduz a palavra original (geralmente verbos) para criar substantivos abstratos que indicam a ação:

      Passar: o passo

      Espantar: o espanto

      Alcançar: o alcance

      Castigar: o castigo

      Nadar: o nado (ou o nade)

      Acontecer: o acontecimento.

 

07 – Forme parassintéticos verbais que tenham como base os nomes a seguir:

Grande – parede – pedaço – sócio – terra – velho – caixa – frio.    

      Na parassíntese, o prefixo e o sufixo devem ser adicionados ao mesmo tempo. Se você tirar um deles, a palavra deixa de existir.

      Grande: engrandecer

      parede: emparedar

      pedaço: espedaçar (ou despedaçar)

      sócio: associar

      terra: aterrar (ou enterrar)

      velho: envelhecer

      caixa: encaixar

      frio: esfriar (colocar na geladeira) ou resfriar.

                                            

08 – Transcreva, das sequências a seguir, as palavras formadas por derivação prefixal e sufixal.

a)   reflorestamento, esfarelar, emagrecer, desqualificar.

      Reflorestamento (existe florestamento e existe reflorestar) e desqualificar (existe qualificar e existe desqualificado). (Obs: "esfarelar" e "emagrecer" são parassintéticas, pois não existem as palavras "farelar" nem "magrecer").

 b) desonestidade, inconstitucional, ensurdecer, reintegração.

      Desonestidade (existe honestidade e desonesto) e inconstitucional (existe constitucional e inconstituto / inconstitucionalidade), além de reintegração (existe integração e reintegrar). (Obs.: "ensurdecer" é parassintética, pois não existe "surdecer").

 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

SONETO: SETE ANOS DE PASTOR JACOB SERVIA - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Soneto: Sete anos de pastor Jacob servia

             Luís de Camões

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio pretendia.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRmdlLkS66qhs3doKaSruKZMr7rUJj0N_iWvgGXYO3ZS5Sfe_0JNwhl2du1YWsSPsy53GhBDPVDQ67LRvsW4Eo4D_Tt-enoeloD-inOsjlanEb45qVQB_qeNZ412mAClslXdcLPcMxXD7jXKUC8WTBksKlYYtiJ8wm1NIONlWxk_md61xGDsPMLt7ZcHk/s320/JACOB.jpg



Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
dizendo: – Mais servira, se não fora
pera tão longo amor tão curta vida.

http://www.uol.com.br/cultvox/livros_gratis/luissonetos.pdf.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 109.

Entendendo o soneto:

01 – Qual a principal motivação de Jacob para servir Labão por sete anos?

      A principal motivação de Jacob não era servir ao pai de Raquel, mas sim à própria Raquel. Seu amor por ela era tão grande que o impulsionava a suportar longos anos de trabalho e espera. O verso "mas não servia ao pai, servia a ela" deixa claro que seu objetivo final era conquistar o amor de Raquel.

02 – Qual o papel da figura de Labão na história?

      Labão representa a figura do obstáculo, do enganador. Ele utiliza sua posição de pai para manipular Jacob e negar-lhe o amor de Raquel. Sua atitude demonstra a natureza complexa do amor, que muitas vezes é desafiada por forças externas.

03 – Qual o significado dos "sete anos" mencionados no soneto?

      Os "sete anos" simbolizam um período de provação, de espera e de sofrimento. É um tempo longo e árduo, que testa a força do amor de Jacob. Além disso, o número sete possui um significado simbólico em diversas culturas, representando a perfeição e a completude.

04 – Qual a importância do verso "pera tão longo amor tão curta a vida"?

      Esse verso expressa a intensidade do amor de Jacob e a sensação de que a vida é curta demais para esperar tanto tempo por alguém que se ama. Ele revela a angústia do pastor, que se sente preso em uma situação que parece não ter fim.

05 – Qual a mensagem principal do soneto?

      A mensagem principal do soneto é a força do amor. Mesmo diante de obstáculos e decepções, o amor de Jacob por Raquel permanece inabalável. A obra celebra a perseverança e a capacidade de amar de forma intensa e duradoura. Além disso, o soneto também levanta questões sobre a natureza do amor, a importância da esperança e a complexidade das relações humanas.

 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

SONETO: JULGA-ME A GENTE TODA POR PERDIDO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Soneto: Julga-me a gente toda por perdido

               Luís de Camões

Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhglwdR3fIUcnlPde-vfG9o55AGl7z6lGVvRRB45-De5zaiA94YzmwikuK8d1b7OWx2Hpndi60YwEhmzidXft-Bqn1DyrHw7ztIXlq99vM2MCzkESwQpvjgJ5aGVoY7BpRBvPmEvJ1O5n0KMpOrNBBovcnCQuky-pMVQGihRoaeiSnkKa8HHqz9LPalUJA/s320/ALMA.jpg


Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.

Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;

Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

http://www.uol.com.br/cultvox/livros_gratis/luissonetos.pdf.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 83.

Entendendo o soneto:

01 – Qual a principal queixa do eu lírico no início do soneto?

      O eu lírico se queixa de ser julgado como perdido e solitário pelas pessoas ao seu redor, devido ao seu isolamento e afastamento dos relacionamentos sociais. Ele se sente incompreendido e marginalizado.

02 – Qual a verdade que o eu lírico revela sobre si mesmo na segunda estrofe?

      Na segunda estrofe, o eu lírico revela que, apesar de parecer perdido e solitário, ele possui um vasto conhecimento do mundo e uma profunda experiência de vida. Ele se considera superior aos outros, que se enganam ao julgá-lo.

03 – Qual a atitude do eu lírico em relação às buscas materiais e sociais?

      O eu lírico despreza as buscas materiais e sociais, como a busca por riquezas e honras. Ele considera essas buscas vazias e insignificantes comparadas ao amor e à beleza interior.

04 – Qual o desejo mais profundo do eu lírico?

      O desejo mais profundo do eu lírico é preservar a imagem da amada em seu coração. Ele busca a imortalidade do amor através da memória e da poesia.

05 – Qual o tom geral do soneto?

      O tom geral do soneto é melancólico e introspectivo. O eu lírico expressa um sentimento de solidão e incompreensão, mas também revela uma grande força interior e uma profunda paixão pela amada.

 

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

SONETO: TANTO DE MEU ESTADO ME ACHO INCERTO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Soneto: Tanto de meu estado me acho incerto

             Luís de Camões

Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiMlKfoGbA8ZjxZWRs3vYTTel7ENqG_Y-FwsjI5Kvx1uTD6Pel7JWfR1lia9JUzMZWMSRVRsSSpee5EsQjRn2UFK_plNT1veaj6LU9F86Ev-RyomRW_eAM2xXEg1TLzbRJ72vQheCy6_UJ-wuOKzKkafBaFdOm8AUVGrWulaippuXp1hhcOteED1rL6_uU/s1600/CAMOES.png 



É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando,
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um' hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.

Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo (seleção, apresentação e notas). Sonetos de Camões. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, p. 42.

Fonte: Linguagem em Movimento – língua Portuguesa Ensino Médio – vol. 1 – 1ª edição – FTD. São Paulo – 2010. Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo. p. 132.

Entendendo o soneto:

01 – Qual a principal emoção transmitida pelo eu lírico nesse soneto?

      A principal emoção transmitida pelo eu lírico é a incerteza e a confusão decorrentes de um amor intenso e apaixonado. Ele se sente dividido entre extremos, como calor e frio, choro e riso, esperança e desconfiança. Essa instabilidade emocional é característica da paixão amorosa, que perturba a alma do poeta e o faz questionar seus próprios sentimentos.

02 – Que figuras de linguagem são mais evidentes no soneto e qual o efeito que causam?

      O soneto é rico em figuras de linguagem, como antíteses (opostos), paradoxos (ideias contraditórias) e hipérboles (exagero). Essas figuras intensificam a expressão dos sentimentos contraditórios do eu lírico, como em "em vivo ardor tremendo estou de frio" e "o mundo todo abarco e nada aperto". O efeito é criar uma imagem vívida e intensa do turbilhão emocional do poeta.

03 – Qual a importância da mulher amada para o eu lírico?

      A mulher amada é a causa de todo o sofrimento e confusão do eu lírico. Ela é a fonte de sua inspiração e paixão, mas também o motivo de sua angústia e incerteza. A presença dela é tão intensa que o poeta se sente transportado para outros planos, como o céu, e experimenta uma distorção do tempo. A mulher amada é, portanto, o centro de todo o seu universo emocional.

04 – Como o soneto expressa a natureza contraditória do amor?

      O soneto expressa a natureza contraditória do amor através da oposição de sentimentos e sensações. O amor é representado como uma força que ao mesmo tempo une e separa, que traz alegria e tristeza, esperança e desespero. Essa dualidade é característica da experiência amorosa e é explorada por Camões de forma intensa e poética.

05 – Qual a relação entre o título e o conteúdo do soneto?

      O título "Tanto de meu estado me acho incerto" resume perfeitamente o conteúdo do soneto. A incerteza é o estado de espírito dominante do eu lírico, que se encontra perdido em um labirinto de emoções contraditórias. A palavra "estado" enfatiza a condição emocional do poeta, enquanto "incerto" destaca a instabilidade e a dúvida que o caracterizam.

 

 

POESIA: OS LUSÍADAS - CONTO I - FRAGMENTO - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poesia: OS LUSÍADAS – Canto I – Fragmento

             Luís de Camões

As armas e os Barões assinalados

Que da Ocidental praia Lusitana

Por mares nunca de antes navegados

Passaram ainda além da Taprobana,

Em perigos e guerras esforçados

Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota edificaram

Novo Reino, que tanto sublimaram;

 

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgpxNKFun5gbIeaD4Vx2oFkxZxZAjUnTs7Hx4ZI3JTqoqvHVdgyXGwkxkUN5PaEvmo2I1_GvyxByZWveJ44SmSb3eOLovBpf0Vu4YYNDchi51LiVPdFXrxm0xt2w568mKPMZ9_8das96CfSxd7A5AEF2KmyymHyJyuI8hp7Fb_qjzMfIZ68pX4Jww9aAZA/s320/PRAIA.jpg

E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e de Ásia andaram devastando,

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da Morte libertando,

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

Cessem do sábio Grego e do Troiano

As navegações grandes que fizeram;

Cale-se de Alexandro e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

Que outro valor mais alto se alevanta.

E vós, Tágides minhas, pois criado.

[...]

Rosemeire da Silva e Carlos Cortez (introdução e comentário). A poesia épica de Camões. São Paulo: Policarpo, p. 22.

Fonte: Linguagem em Movimento – língua Portuguesa Ensino Médio – vol. 1 – 1ª edição – FTD. São Paulo – 2010. Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo. p. 119.

Entendendo a poesia:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Taprobana: atual Sri Lanka.

·        Esforçados: equivalente a barões dedicados, empenhados, lutadores.

·        Edificaram: fundaram.

·        Sublimaram: elevaram.

·        Terras viciosas: terras não cristãs.

·        Engenho: inspiração, talento.

·        Arte: ter capacidade de escrever de acordo com as regras da poesia épica.

02 – Qual é o tema central do fragmento e qual a sua importância para a obra como um todo?

      O tema central do fragmento é a exaltação dos feitos dos portugueses, em especial suas grandes navegações e conquistas. Essa introdução estabelece o tom épico de toda a obra, posicionando Portugal como uma nação heroica e destinada à grandeza.

03 – A quem o poeta se dirige no início do poema e qual a intenção dessa invocação?

      O poeta se dirige às Tágides, ninfas do rio Tejo, solicitando sua inspiração para a composição do poema. Essa invocação é uma tradição da poesia épica, servindo para conectar o poeta à musa inspiradora e conferir maior autoridade à sua narrativa.

04 – Quais são os feitos dos portugueses que o poeta destaca no fragmento?

      O poeta destaca as grandes navegações portuguesas, que ultrapassaram os limites conhecidos até então, e as conquistas em terras distantes como a África e a Ásia. Além disso, celebra a expansão da fé cristã e a criação de um novo reino.

05 – Qual a relação entre o passado glorioso de Portugal e o presente do poeta?

      O poeta busca conectar o passado glorioso de Portugal, marcado pelas grandes navegações e conquistas, com o presente, celebrando a identidade nacional e buscando inspiração nos feitos de seus antepassados para compor sua obra.

06 – Como o poeta se posiciona em relação aos feitos de outros heróis da antiguidade?

      O poeta coloca os feitos dos portugueses em um patamar superior aos feitos de heróis da antiguidade como Alexandre, o Grande, e os troianos, afirmando que a história de Portugal merece ser cantada de forma mais grandiosa e sublime.

 

 

SONETO: MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES - LUÍS VAZ DE CAMÕES - COM GABARITO

 Soneto: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

              Luís Vaz de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiuYhT9T4nzj5eqh4vPrPpWLu6NCTR9a0y0OwkShX9ewBEOeDUaV3yP5LgNUeUtGpd0HKXENmCNNJIZm3yfIwSvBWYcF82N1WLDbWZfIhzv43k3z5ALL86RF9H-DrCAFt0PUYD0Sv8pecPEgH3wzXEGmFdcQXFr1lY1cXpwPMEYSbtz5j9dQ1uALAqsjvs/s320/CAMOES.jpg


Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo (seleção, apresentação e notas). Sonetos de Camões. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, p. 127.

Fonte: Linguagem em Movimento – língua Portuguesa Ensino Médio – vol. 1 – 1ª edição – FTD. São Paulo – 2010. Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo. p. 131.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é a principal temática abordada no soneto?

      A principal temática do soneto é a efemeridade e a constante mudança da vida. Camões explora a ideia de que tudo está sujeito a transformações, desde as estações do ano até os sentimentos e as relações humanas.

02 – O que o poeta sugere com a frase "Todo o mundo é composto de mudança"?

      Com essa frase, Camões expressa a universalidade da mudança. Ele afirma que todas as coisas e seres estão em constante transformação, sem exceção. A mudança é vista como uma característica intrínseca do mundo e da vida.

03 – Qual o significado dos versos "Do mal ficam as mágoas na lembrança, / E do bem, se algum houve, as saudades"?

      Esses versos revelam a dualidade da experiência humana. As mágoas e as dores tendem a permanecer na memória, enquanto as boas lembranças se transformam em saudade. Isso demonstra a capacidade da memória de selecionar e enfatizar diferentes aspectos da experiência.

04 – Qual a metáfora presente nos versos "O tempo cobre o chão de verde manto, / Que já coberto foi de neve fria"?

      A metáfora presente nesses versos compara o tempo ao ciclo das estações. O "verde manto" representa a primavera e o verão, enquanto a "neve fria" simboliza o inverno. Essa imagem sugere a passagem do tempo e a renovação constante da natureza.

05 – Qual a principal reflexão que o soneto nos convida a fazer?

      O soneto nos convida a refletir sobre a natureza passageira da vida e a importância de apreciar cada momento. Ao enfatizar a constante mudança, Camões nos lembra que nada é permanente e que devemos buscar encontrar significado e beleza mesmo diante das adversidades. A obra nos convida a uma profunda reflexão sobre a nossa própria existência e sobre o lugar que ocupamos no mundo.

 

 

 

POEMA: TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: Transforma-se o amador na cousa amada

               Camões

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.


Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas está linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgfmQY31FooYI9vPtEprXcw86r2RL-kYjR1JNVW3kXPPX83vwuujqQBeMNs0vzq-8bhRyPvteIAL5cx8vNPxYKd-JegnNXzLvRni608Q9IUvCPCe8vrdK_M60eIyJNTb_tSijaKkNnEIWTLBhzbVdd3gUONbDRBqS7rPAKluvsXnbedgCxLp4F841SDh6Q/s1600/ALMA.jpg

Izeti F. Torralvo e Carlos C. Minchillo (seleção, apresentação e notas). Sonetos de Camões. São Paulo: Ateliê Editorial, 1998, p. 78.

Fonte: Linguagem em Movimento – língua Portuguesa Ensino Médio – vol. 1 – 1ª edição – FTD. São Paulo – 2010. Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo. p. 129.

Entendendo o poema:

01 – Qual a principal ideia transmitida pelo poema?

      O poema transmite a ideia de que o amor idealizado tem o poder de transformar o amante na própria coisa amada. Através da força da imaginação, o eu lírico internaliza as qualidades da amada a ponto de não desejar mais nada, pois já possui em si a parte desejada.

02 – O que significa a expressão "por virtude do muito imaginar"?

      Essa expressão indica que a transformação do amante se dá por meio da intensa atividade mental de imaginar a pessoa amada. É através desse exercício mental que o amor se torna tão poderoso a ponto de unir o amante e o amado em um só.

03 – Qual a relação entre a alma e o corpo no poema?

      O poema estabelece uma dicotomia entre alma e corpo. A alma do amante se transforma e se une à alma da amada, enquanto o corpo busca satisfazer um desejo que já foi superado pela alma. Essa dualidade revela a complexidade do amor, que envolve tanto aspectos espirituais quanto físicos.

04 – O que representa a "semideia" mencionada no poema?

      A "semideia" representa a imagem idealizada da amada, uma construção mental que se assemelha a uma ideia platônica. Essa imagem é tão viva e intensa que se torna parte integrante da alma do amante, moldando seus pensamentos e sentimentos.

05 – Qual o papel do amor na transformação do amante?

      O amor é a força motriz da transformação. É ele que impulsiona o amante a imaginar, a idealizar e a se unir à pessoa amada em um nível espiritual. O amor, nesse contexto, é uma força unificadora e transcendente.

 

domingo, 17 de novembro de 2024

POESIA: TU SÓ, TU, PURO AMOR, COM FORÇA CRUA - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poesia: Tu só, tu, puro amor, com força crua

             Camões

Tu só, tu, puro amor, com força crua

Que os corações humanos tanto obriga,

Deste causa à molesta morte sua,

Como se fora pérfida inimiga.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgECRRVNC1AJuFHRDx44zxz6e5zvJ47a9mtUMvVnHmba-GOx_RVpqOW0-k9CXDTzd2ZrxWgvUeczOyS3nJsyRPWiP8b1NG_VmuN7YW0yUWObkwr042aeIy3cX6A0_a7kPQU2chh2QAjRXSYT7jI9wXGi79YC3HNMFwjmIxNuyR5_CEEHabdsVo1J-O2jn4/s320/CORA%C3%87%C3%83O.png


Se dizem, fero Amor, que a sede tua

Nem com lágrimas tristes se mitiga,

É porque queres, áspero e tirano,

Tuas aras banhar em sangue humano.


Estavas, linda Inês, posta em sossego

De teus anos colhendo doce fruito,

Naquele engano da alma ledo e cego,

Que a fortuna não deixa durar muito,

Nos saudosos campos do Mondego,

De teus fermosos olhos nunca enxuto,

Aos montes ensinando e às ervinhas,

O nome que no peito escrito tinhas.

Rosemeire da Silva e Carlos C. Minchillo (introdução e comentários). A poesia épica de Camões. São Paulo: Policarpo, p. 34.

Fonte: Linguagem em Movimento – língua Portuguesa Ensino Médio – vol. 1 – 1ª edição – FTD. São Paulo – 2010. Izeti F. Torralvo/Carlos A. C. Minchillo. p. 159.

Entendendo a poesia:

01 – De acordo com o texto, qual o significado das palavras abaixo:

·        Molesta: lastimosa; funesta.

·        Pérfida: desleal; traidora.

·        Fero: feroz; sanguinário; cruel.

·        Mitiga: alivia; suaviza; aplaca.

·        Aras: altar; mesa para sacrifícios religiosos.

·        Posta em sossego: repousando após a morte.

·        Iedo: feliz, contente.

·        Mondego: rio da região central de Portugal.

·        Fremosos: formoso, graciosos, belo.

02 – Qual a principal temática abordada no poema?

      O poema gira em torno do tema do amor como força implacável e destrutiva. Camões retrata o amor como um sentimento que pode levar à morte, comparando-o a um inimigo cruel e impiedoso. A história de Inês de Castro serve como exemplo dessa força cega e apaixonada.

03 – Qual o papel da figura de Inês de Castro no poema?

      Inês de Castro é a personificação da beleza, da inocência e da felicidade. Sua morte trágica, causada pela paixão de Pedro por ela, serve como um exemplo da crueldade do amor e do poder da paixão sobre a razão.

04 – Qual o significado da expressão "força crua" no contexto do poema?

      A expressão "força crua" refere-se à intensidade e à brutalidade do amor. O amor é apresentado como uma força da natureza, indomável e capaz de causar sofrimento e destruição.

05 – O que o poeta quer dizer com a frase "Tuas aras banhar em sangue humano"?

      Essa frase significa que o amor exige sacrifícios e que, muitas vezes, esses sacrifícios são representados pela morte. O amor é comparado a um deus cruel que se alimenta do sofrimento humano.

06 – Qual a relação entre o amor e a morte no poema?

      O poema estabelece uma relação íntima entre o amor e a morte. O amor é apresentado como uma força tão poderosa que pode levar à morte. A morte de Inês de Castro é a prova de que o amor, quando não é correspondido ou quando encontra obstáculos, pode ter consequências trágicas.

 

terça-feira, 16 de abril de 2024

POEMA: OS LUSÍADAS - CANTO V - (FRAGMENTO ESTROFES 40 A 42) - LUÍS DE CAMÕES - COM GABARITO

 Poema: Os Lusíadas canto V – (Fragmento estrofes 40 a 42)

              Luís de Camões

Tão grande era de membros que bem posso

Certificar-te que este era o segundo

De Rodes estranhíssimo Colosso,

Que um dos sete milagres foi do mundo.

Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,

Que pareceu sair do mar profundo.

Arrepiam-se as carnes e o cabelo,

A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

 

E disse: – Ó gente ousada, mais que quantas

No mundo cometeram grandes cousas,

Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,

E por trabalhos vãos nunca repousas,

Pois os vedados términos quebrantas

E navegar meus longos mares ousas,

Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,

Nunca arados de estranho ou próprio lenho;

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjekIOdrFuSD0RZWEAsmNAwEMoglMLr2RJ5AF_oZ8D2AOEGxSg0qIbtGb9vlH-rMsYUzqabWTxTGcD_3DGTDs-pZjoeRdx53K7I8j2yO8Iz4cXQ2koi-__DXitGhlTcbOsLmFZD5juy567WTc-w96L8jWzvIJJ5NyQYcpWyarj_ST5lY0r9GErHPdIO9co/s320/O_mundo_das_%C3%A1rvores.jpg 

Pois vens ver os segredos escondidos

Da natureza e do húmido elemento,

A nenhum grande humano concedidos

De nobre ou de imortal merecimento,

Ouve os danos de mi que apercebidos

Estão a teu sobejo atrevimento,

Por todo o largo mar e pela terra

Que inda hás de sojugar com dura guerra.

CAMÕES, Luís de. In: SALGADO JÚNIOR, Antônio (Org.). Luís de Camões: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 123. Fragmento.

Fonte: Língua Portuguesa. Se liga na língua – Literatura – Produção de texto – Linguagem. Wilton Ormundo / Cristiane Siniscalchi. 1 Ensino Médio. Ed. Moderna. 1ª edição. São Paulo, 2016. p. 66.

Entendendo o poema:

01 – Quem é descrito como "o segundo de Rodes estranhíssimo Colosso" no poema?

      O gigante Adamastor.

02 – Qual a característica marcante da voz de Adamastor, de acordo com o poema?

      A voz de Adamastor é descrita como horrenda e grossa, parecendo sair do mar profundo.

03 – Por que as carnes e o cabelo se arrepiam ao ouvir e ver Adamastor?

      As carnes e o cabelo se arrepiam ao ouvir e ver Adamastor devido ao tom de sua voz e à sua aparência assustadora.

04 – Que tipo de pessoas Adamastor se dirige como "gente ousada"?

      Adamastor se dirige àqueles que cometem grandes feitos no mundo, especialmente por meio de guerras e trabalhos árduos.

05 – Qual é o aviso dado por Adamastor aos navegantes intrépidos?

      Adamastor alerta sobre os perigos que aguardam aqueles que se aventuram além dos limites naturais, quebrando as barreiras do mar.

06 – Quais são os "segredos escondidos da natureza e do húmido elemento" mencionados por Adamastor?

      Os segredos são referentes às áreas desconhecidas dos mares e terras que os navegadores estão prestes a explorar.

07 – O que Adamastor prevê para aqueles que continuarão suas jornadas de conquista por mar e terra?

      Adamastor prevê que os navegantes enfrentarão duros desafios e guerras ao longo de suas jornadas de conquista por mar e terra.