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domingo, 28 de junho de 2026

POEMA: FRÊMITO DO MEU CORPO A PROCURAR-TE - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Frêmito do Meu Corpo a Procurar-te

 Frêmito do meu corpo a procurar-te,

Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiQ1FAw20VgxgQ1K1c5QsNNqj4pdzL9Jcl4Ar3aU-OO044MBc-7uyIixh2slMNIkX6hJtz2AMcBy4Osj4I9sQERMV5oj7SZEL5B9kTi4mQAvFlG8yeHDLF0ka4X5mK0DnuPlK4fHFNrFSif59AhvxO9mdlP7XDAMU_OP3CNVUKF7RQBA4hJNdd7DOlkRqs/s320/corpo.jpg



Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

 

01 – Como a sensorialidade é explorada na primeira estrofe do poema para expressar o desejo do eu lírico?

      O eu lírico utiliza imagens sensoriais intensas, focando principalmente no tato e no olfato. Expressões como "frêmito do meu corpo", "febre das minhas mãos" e o "doído anseio dos meus braços" evocam uma necessidade física urgente de contato. Além disso, a referência aos aromas de "âmbar, baunilha e mel" personifica o ser amado através de sensações olfativas doces, contrastando com a dor da ausência descrita logo em seguida.

 

02 – Na segunda estrofe, o eu lírico menciona uma "fome, áspera e cruel". Qual é o significado metafórico dessa fome e o que ela revela sobre o seu estado emocional?

      A "fome" funciona como uma metáfora para o desejo insaciável e a carência afetiva. Ao descrevê-la como algo que "nada existe que a mitigue e a farte", Florbela Espanca reforça a ideia de um sofrimento absoluto e de uma busca incessante por algo que não pode ser alcançado, transformando a paixão em uma tortura física e emocional ("amargor de fel").

 

03 – Qual é o contraste estabelecido na terceira estrofe entre o estado de espírito do eu lírico e a atitude do ser amado?

      O contraste é marcado pela oposição entre a agitação do eu lírico e a passividade do ser amado. Enquanto o eu lírico está em "frêmito" e busca ansiosamente, a alma do ser amado é descrita como uma "lagoa calma". Essa calma não é positiva, mas sim uma representação da indiferença e da falta de reciprocidade, culminando na revelação dolorosa de que o outro "não ama" o eu lírico.

 

04 – Explique o simbolismo da metáfora final: "Esquife negro sobre um mar de chamas".

      Esta é uma imagem de forte impacto visual e emocional que encerra o soneto. O "esquife negro" (caixão) representa o coração do eu lírico, sugerindo que o seu sentimento está morto ou em estado de luto devido à rejeição. O "mar de chamas" simboliza o sofrimento devastador ou a paixão não correspondida que o consome. A imagem do esquife boiando ao acaso indica a perda de controle e a total desesperança diante do abandono.

 

05 – Considerando a estrutura do soneto e o vocabulário utilizado, qual é o tema central da obra?

      O tema central é a angústia do amor não correspondido e o desespero do desejo físico e emocional insatisfeito. O poema transita da urgência da carne (o frêmito e o desejo de tocar) para a melancolia da alma que se descobre ignorada, resultando em uma sensação de aniquilamento e solidão existencial, característica marcante da poesia de Florbela Espanca.

 

 

POEMA: TRAZES-ME EM TUAS MÃOS DE VITORIOSO - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso

 Trazes-me em tuas mãos de vitorioso

Todos os bens que a vida me negou,
E todo um roseiral, a abrir, glorioso
Que a solitária estrada perfumou.

 Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7U1htMIRTYcjDYKMSf7qO1RsZtFA7Q42STppWOXsmG7f677l57KXpBzvP-fpkHweyGzVbkcLi8AZxH2jwvUo3ywuHQxA6Y6vlvXHy-FXLZH78wcedJpBnKGxx_pSlv2tJ9wnEoBOfUBaFJB4RA7cdZZXAlCHRjsf86mFVtCucM6HF_hYQuLP4cBIUrBk/s320/MAOS.jpg



Neste meio-dia límpido, radioso,
Sinto o teu coração que Deus talhou
Num pedaço de bronze luminoso,
Como um berço onde a vida me pousou.

O silêncio, ao redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
Lembra um cálix de tulipa entreaberta...

Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
Dorme em teus braços másculos de vândalo...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

 

01 – Qual é a transformação que a presença do "tu" (a pessoa amada) opera na vida do eu lírico, segundo a primeira estrofe?

      A presença do "tu" representa uma compensação e uma cura. O eu lírico afirma que o amado traz "todos os bens que a vida me negou". A solidão e a escassez do passado (a "solitária estrada") são substituídas pela abundância e beleza, representadas pela metáfora do "roseiral a abrir, glorioso" que perfuma o caminho que antes era ermo.

 

02 – Como a figura do amado é divinizada ou enobrecida na segunda estrofe?

      O amado é descrito como alguém cuja essência é de origem divina e material nobre. O eu lírico diz que seu coração foi "talhado por Deus" em um "pedaço de bronze luminoso". O uso do bronze sugere força e durabilidade, enquanto a luz e a intervenção divina elevam a figura do amado a um patamar sagrado e protetor, servindo de "berço" para o eu lírico.

 

03 – Identifique e explique uma metáfora presente na terceira estrofe.

      Uma metáfora central é a comparação do silêncio a uma "asa quieta". Esta imagem sugere uma sensação de paz, proteção e imobilidade sagrada que envolve o casal. Além disso, a boca do amado é comparada a um "cálix de tulipa entreaberta", o que evoca delicadeza, desejo e beleza natural, reforçando a sensualidade contida no encontro.

 

04 – Quais sentidos são estimulados na última estrofe e qual o efeito dessa escolha?

      A última estrofe foca intensamente no olfato ("cheira a ervas amargas", "cheira a sândalo") e no tato ("corpo ondulante", "braços másculos"). Esse apelo sensorial cria uma atmosfera de intimidade física e exotismo. O uso de cheiros contrastantes (amargo vs. sândalo) sugere uma paixão complexa, que mistura o rústico com o refinado.

 

05 – Como o eu lírico se posiciona em relação ao amado nos versos finais do poema?

      O eu lírico se coloca em uma posição de entrega e vulnerabilidade mística. Ao se descrever como um "corpo ondulante de sereia" que dorme nos braços de um "vândalo", utiliza figuras arquetípicas: a sereia (sedutora, mas aqui submissa ao sono/paz) e o vândalo (figura de força bruta, conquistadora). Isso indica uma entrega total a um amor que é, ao mesmo tempo, protetor e avassalador.

 

 

POEMA: A MINHA PIEDADE A BOURBON E MENESES - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: A Minha Piedade

          A Bourbon e Meneses 

Tenho pena de tudo quanto lida

Neste mundo, de tudo quanto sente,
Daquele a quem mentiram, de quem mente,
Dos que andam pés descalços pela vida,

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjyu9sOG2BozqFKKKoGQC39U-Nphm4sDIHN5MQhkMZ1LVycvfoD9eKvFfieyZ011WH6zAlA5p9n8L2NFPTKSk4BIvdkTsdhPjaGueJEH6_ulY77Uy29Jd1JjtBlHo91ZfxDK6-U1TowRGGwqu_efGN9ffaSQu73yiGxa3u35VKecik4lLV97sjSSwa-3zU/s320/pena.jpg



Da rocha altiva, sobre o monte erguida,
Olhando os céus ignotos frente a frente,
Dos que não são iguais à outra gente,
E dos que se ensanguentam na subida!

Tenho pena de mim... pena de ti...
De não beijar o riso duma estrela...
Pena dessa má hora em que nasci...

De não ter asas para ir ver o céu...
De não ser Esta... a Outra... e mais Aquela...
De ter vivido e não ter sido Eu...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor".

Entendendo o poema:

 

01 – Nos dois primeiros quartetos, o eu lírico manifesta um sentimento de "piedade" que parece abranger toda a existência. Como essa empatia é construída e quais grupos ou elementos são destacados?

      A empatia é construída de forma universalista e inclusiva. Florbela Espanca utiliza a repetição da preposição "de" e do pronome "tudo" para demonstrar que sua piedade não seleciona apenas os "bons". Ela sente pena tanto de quem foi enganado ("daquele a quem mentiram") quanto do culpado ("de quem mente"). O eu lírico destaca os marginalizados socialmente ("pés descalços"), os marginalizados por sua natureza ou comportamento ("os que não são iguais à outra gente") e até elementos da natureza personificados ("rocha altiva"), unindo o sofrimento humano ao esforço da própria existência.

 

02 – No segundo quarteto, a autora personifica a "rocha altiva". Qual é o significado simbólico dessa imagem e como ela se relaciona com os versos seguintes?

      A "rocha altiva" simboliza a solidão e a soberba de quem tenta enfrentar o destino ou o desconhecido ("céus ignotos") com altivez. Ao personificá-la, o eu lírico estabelece um paralelo com "os que não são iguais" e os que "se ensanguentam na subida". A rocha representa o isolamento daqueles que buscam o transcendente ou o superior, sugerindo que mesmo a força e a elevação carregam um fardo de sofrimento que merece piedade.

 

03 – Há uma mudança de foco sensível entre os quartetos e os tercetos do soneto. Explique essa transição.

      O poema transita de uma "piedade" externa e coletiva para uma angústia interna e existencial. Enquanto nos quartetos o eu lírico observa o mundo (a mentira, a pobreza, a diferença), nos tercetos a dor volta-se para o "eu" e para o "ti" (o outro próximo). A perspectiva deixa de ser a observação social ou metafísica do mundo para se tornar um lamento sobre a própria vida, a impossibilidade de realizar desejos ideais e a insatisfação com a própria identidade.

 

04 – Interprete os versos "De não ser Esta... a Outra... e mais Aquela... / De ter vivido e não ter sido Eu...". O que eles revelam sobre a crise de identidade de Florbela Espanca?

      Esses versos revelam uma profunda fragmentação do eu e uma sensação de inautenticidade existencial. O desejo de ser "Esta, a Outra e mais Aquela" reflete a vontade de experienciar múltiplas vidas ou personalidades, indicando que a identidade atual é insuficiente ou limitadora. O verso final coroa essa crise com a constatação trágica de que a vida foi gasta em uma existência que não correspondia à essência verdadeira do eu lírico ("não ter sido Eu"), sugerindo um desencontro entre a alma e a realidade vivida.

 

05 – Como o tema da transcendência e da impossibilidade é abordado no poema? Cite elementos do texto que comprovem sua resposta.

      A transcendência é abordada como um desejo frustrado e uma limitação física e espiritual. O eu lírico anseia pelo que está além da condição humana, como "beijar o riso duma estrela" ou "ter asas para ir ver o céu". A impossibilidade reside no fato de que esses desejos são metafóricos e inalcançáveis, resultando na "pena dessa má hora em que nasci". O conflito entre o desejo de infinito (o céu, as estrelas) e a finitude humana é a causa central da melancolia que permeia o soneto.

 

 

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

POEMA: ERRANTE - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Errante

            Florbela Espanca

Meu coração da cor dos rubros vinhos
Rasga a mortalha do meu peito brando
E vai fugindo, e tonto vai andando
A perder-se nas brumas dos caminhos.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwzQCf7iPP0k30_Z5FYfLsS_ulSJcTRLFqTG5q7pfm89zFG0DUYzzoBzY22jA_LHr5_ncnT7onlhhOSIMYAl8cElwtwnaTlU8WgwCtHXiqKusRH7R-nYyikIZPE-ICd8pkV-mp2D1AQRB5QXIQPH3nw89PrfVAHaj4MPlesprzFKN577ztBz56JFoGrEk/s320/png-transparent-heart-font-burgundy-heart-s-love-burgundy-heart-cliparts-organ-thumbnail.png



Meu coração o místico profeta,
O paladino audaz da desventura,
Que sonha ser um santo e um poeta,
Vai procurar o Paço da Ventura...

Meu coração não chega lá decerto...
Não conhece o caminho nem o trilho,
Nem há memória desse sítio incerto...

Eu tecerei uns sonhos irreais...
Como essa mãe que viu partir o filho,
Como esse filho que não voltou mais!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

01 – Que imagem do "coração" é construída no primeiro quarteto e o que o título "Errante" sugere sobre ele?

      O coração é descrito como "a cor dos rubros vinhos", sugerindo paixão, intensidade e dor profunda. Ele "rasga a mortalha" do peito, o que indica um ímpeto violento de libertação de um corpo sufocado. O título "Errante" e os versos finais da estrofe revelam que esse coração se move sem rumo fixo, andando "tonto" e "a perder-se nas brumas", simbolizando uma busca cega e desorientada.

02 – No segundo quarteto, quais títulos ou identidades o eu lírico atribui ao seu próprio coração?

      O eu lírico personifica o coração atribuindo-lhe três identidades distintas e elevadas:

      "O místico profeta": Aquele que enxerga além, ligado à espiritualidade e ao destino.

      "O paladino audaz da desventura": Um guerreiro corajoso, mas cuja sina ou missão é o sofrimento (a desventura).

      Aquele que "sonha ser um santo e um poeta": Uma busca pela pureza espiritual máxima combinada com a expressão artística ideal.

03 – O que representa o "Paço da Ventura" que o coração do eu lírico decide procurar?

      O "Paço da Ventura" (sendo paço um palácio e ventura sinônimo de felicidade ou boa sorte) funciona como uma metáfora para a plenitude, a felicidade idealizada e a realização dos sonhos. É o destino utópico onde o coração acredita que encontrará o alívio para as suas dores e a coroação dos seus desejos.

04 – No primeiro terceto, qual é a constatação do eu lírico a respeito da busca empreendida pelo coração?

      O eu lírico assume uma postura de absoluto ceticismo e desilusão, decretando o fracasso da jornada: "Meu coração não chega lá decerto...". A justificativa para essa certeza é o total desconhecimento do caminho e a própria natureza intangível desse destino, classificado como um "sítio incerto" do qual não se tem memória real, restando apenas o isolamento.

05 – Como a imagem da mãe e do filho no último terceto coroa o sentimento de perda definitiva do poema?

      A comparação com "essa mãe que viu partir o filho" e com o "filho que não voltou mais" constrói uma das imagens mais dolorosas da poesia florbeliana. Ela simboliza a separação eterna e irreversível entre o desejo e a realidade. Assim como a mãe fica presa à dolorosa tarefa de tecer "sonhos irreais" sobre alguém que jamais retornará, o eu lírico conforma-se em viver de ilusões sobre uma felicidade que ele sabe que seu coração errante nunca alcançará.

 




POEMA: FALO DE TI ÀS PEDRAS DAS ESTRADAS - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Falo de Ti às Pedras das Estradas

           Florbela Espanca

 

Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEitKmP2ODD59on0Py1i5xszvizDl8Yss2XnEA92_GPhX3O_iCHq0NorMYD12lAZ_5kjw-LA-EGVi5zGyOJ2RAV-u9NgwaTpZJvP7WgJ6N1JrbtzKxKt_PaOqKmJD_PNZzj8z8TC7JjNp2sFyxLKRfa_y51zHDL8YJypSu1DXN4WkzggnrkfByCjiCfPxcU/s320/FADA.jpg


Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço! 

 

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas".

Entendendo o poema:

01 – A quem o eu lírico se dirige para falar sobre a pessoa amada e qual é o efeito dessa escolha no poema?

      O eu lírico dirige seu desabafo amoroso aos elementos da natureza e do cenário ao seu redor: as pedras das estradas, o sol, o rio, as gaivotas, os mastros dos navios e o luar. O efeito dessa escolha é mostrar a grandiosidade e o transbordamento do sentimento. O amor é tão intenso que o eu lírico não consegue guardá-lo para si, projetando a figura da pessoa amada em absolutamente tudo o que vê, transformando o mundo inteiro em testemunha de sua paixão.

 

02 – No primeiro quarteto, que associações o eu lírico faz entre a pessoa amada e os elementos da natureza (o sol e o rio)?

      O eu lírico utiliza uma comparação e uma metáfora visual:

      O Sol: É descrito como "louro como o teu olhar", associando o brilho, o calor e a cor dourada do sol à beleza e à luz dos olhos da pessoa amada.

      O Rio: Suas águas, ao refletirem a luz e faiscarem, são metaforizadas como "vestidos de princesas e de fadas", conferindo uma atmosfera mágica, encantada e aristocrática ao cenário.

 

03 – Que sentimentos e sensações são sugeridos pelas imagens das gaivotas e dos mastros no segundo quarteto?

      O segundo quarteto introduz uma transição para sentimentos de saudade e solidão. As gaivotas de asas abertas lembram "lenços brancos a acenar", uma imagem poética tradicionalmente ligada à despedida, à distância e à espera. Logo em seguida, a forte imagem dos mastros que "apunhalam o luar" traz uma sensação de dor sutil ou de angústia que corta a calmaria, reforçada pelo verso final que fala explicitamente na "solidão das noites consteladas".

 

04 – Como o primeiro terceto expressa a elevação desse amor através da metáfora da "torre dos meus beijos"?

      O terceto mostra um amor que triunfa e se agiganta. Ao descrever a alma do ser amado como "tonta de vitória", o eu lírico indica o impacto arrebatador que essa paixão causa. A metáfora da "torre dos meus beijos" que se levanta ao céu simboliza uma construção monumental, vertical e sagrada. É a ideia de um amor que não é terreno ou mundano, mas que se eleva em direção ao infinito e ao divino.

 

05 – De que maneira o soneto é encerrado no último terceto e qual é o significado da metáfora cósmica final?

      O poema atinge seu ápice expandindo o sentimento para uma dimensão universal e celestial. Os "gritos de amor" do eu lírico são tão fortes que cruzam o espaço sideral e se transformam em "astros que me tombam do regaço" (estrelas que caem do seu colo). Essa metáfora cósmica traduz tanto a escala infinita e brilhante do amor quanto o cansaço ou o desabamento emocional do eu lírico, que gera mundos e estrelas através de sua própria dor e paixão, mas que vê essa imensidão desabar sobre si.

 

 

POEMA: PERDI OS MEUS FANTÁSTICOS CASTELOS - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Perdi os meus fantásticos castelos

             Florbela Espanca

 

Perdi meus fantásticos castelos 

Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEifGrW9J0-Y-VrxiDppZRt4aSt8VOYCJSCeCkfq-kv1gqYdRRQ5pZaMmQpxAQg8s1z4KuYdQdaAhGILJ188toV8zXojcNX-VC56gJ-qVfy9WB9Rg00jGxCbuXbeG5CMtLOQfzLI_xFMRHmIOlwshSbT7FYh4G8VO5boS2KSlPpMUFNrfy1C9X-4S1Q8-rs/s320/CASTELOS.jpg



Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas”.

 

Entendendo o poema:

 

01 – O que representam os "fantásticos castelos" e as "galeras" que o eu lírico afirma ter perdido?

      Os "fantásticos castelos" e as "galeras" funcionam como metáforas para os sonhos, idealizações, grandes ambições e projetos de vida do eu lírico. A perda desses elementos simboliza a destruição de suas ilusões e de suas expectativas de felicidade, que se desfizeram "como névoa distante" ou se afundaram em um "mar de bruma", restando apenas o vazio.

 

02 – No primeiro quarteto, como o eu lírico descreve a sua postura diante da perda de seus castelos?

      O eu lírico deixa claro que não aceitou a derrota passivamente de início. Ele expressa uma postura de resistência e combate através da repetição do verbo "querer" ("Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los"). No entanto, o esforço foi em vão e resultou em esgotamento absoluto, o que é simbolizado pelo verso: "Quebrei as minhas lanças uma a uma!".

 

03 – Qual é a justificativa apresentada no segundo quarteto para o naufrágio das "galeras entre os gelos"?

      O eu lírico justifica o naufrágio apontando a existência de obstáculos invisíveis ou imprevisíveis no caminho, expressando sua impotência por meio de uma pergunta retórica: "— Tantos escolhos! Quem podia vê-los? —". Os "escolhos" (rochedos ocultos na água) e a "bruma" (nevoeiro) representam as armadilhas e as dificuldades imprevistas da vida que tornaram a derrota inevitável.

 

04 – O primeiro terceto traz uma lista de objetos medievais (taça, anel, cota de aço, corcel, elmo de ouro). Qual é o efeito dessa enumeração no poema?

      Essa enumeração reforça a temática da destituição e do despojamento total. Ao listar a perda de itens de valor material e simbólico (como o elmo de ouro e as pedrarias) e de defesa (como a cota de aço), o eu lírico constrói a imagem de um guerreiro que foi completamente desarmado, destronado e despido de suas glórias e proteções.

 

05 – Como o soneto é concluído no último terceto e qual é o sentimento final do eu lírico?

      O poema é concluído com uma forte sensação de angústia física, desespero e desamparo. O eu lírico descreve uma dor sufocante ("Sobre o meu coração pesam montanhas") e uma necessidade quase irracional de socorro ("Sobem-me aos lábios súplicas estranhas"). O texto encerra-se com uma imagem de absoluto choque diante da realidade do próprio fracasso: "Olho assombrada as minhas mãos vazias...".

 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

POEMA: EU - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Poema: Eu

             Florbela Espanca

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEioIgOoDomQkHm8HuaE6hGA2vWOOtq67KvkxE5YrcFBbz9xTEmaElqz-kneN5SfHASsPqNTERzXFjjTZUEMHnTde40XrtA2Opdd50V9mdidgwPnN6r8IK_gYyOlTaCbOGAimRUic3uXM7KaBtuXYTyfNkGb50wwOxZCEjV0BWMhuXt2At09n4fabUVed2I/s320/hqdefault.jpg



Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

ESPANCA, Florbela. Apud MOISÉS< Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 9. ed. São Paulo, Cultrix, 1980. p. 470.

Fonte: Português. Série novo ensino médio. Volume único. Faraco & Moura – 1ª edição – 4ª impressão. Editora Ática – 2000. São Paulo. p. 450.

Entendendo o poema:

01 – Qual é a principal característica da identidade que o eu lírico constrói ao longo do poema?

      A principal característica é a de uma alma solitária e incompreendida, que se sente perdida no mundo e na vida. Ela se define como alguém que vaga sem rumo, irmã do sonho e portadora de uma dor profunda.

02 – Que imagens o eu lírico utiliza para descrever a própria existência?

      O eu lírico utiliza imagens como "sombra de névoa tênue e esvaecida" e "alma de luto" para descrever a própria existência, transmitindo uma sensação de fragilidade, melancolia e incompreensão.

03 – Qual a relação do eu lírico com a tristeza no poema?

      A tristeza é uma constante na vida do eu lírico, que se identifica como alguém que "chora sem saber por quê". Essa tristeza parece ser intrínseca à sua natureza, algo que a acompanha constantemente.

04 – Qual a reflexão final do eu lírico sobre a própria existência?

      No final do poema, o eu lírico questiona se não seria apenas uma "visão que Alguém sonhou", alguém que nunca a encontrou na vida. Essa reflexão final revela uma profunda solidão e a sensação de não pertencer ao mundo real.

05 – Como o poema reflete a subjetividade e o sentimentalismo característicos da poesia de Florbela Espanca?

      O poema é marcado por uma forte carga emocional e pela expressão de sentimentos íntimos, como a solidão, a tristeza e a incompreensão. A linguagem é carregada de imagens que evocam melancolia e sofrimento, características marcantes da poesia de Florbela Espanca.

 

 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

SONETO: OS VERSOS QUE TE FIZ - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Soneto: Os versos que te fiz

             Florbela Espanca

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Páros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsdMmXoPoMlsv0r2G5N_ewF_kMSQ1mOr990EiHpIbF2tokeS2_FCyqHhmTpYRDEl-MSi2rvhwxwZpk087nvAsnGsYPFmnuLxGqVKVaTQnQ5glRTRWxmD9wCDJWZN4bSfgR3ysINmDLIY-6a3QG2QurkWGU3dSHlTq06X27mhelYho23ejs06O-Dl7SBM8/s320/MARMORE.jpg

Tem dolência de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

ESPANCA, Florbela. Poemas de Florbela Espanca. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 176.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 542-543.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O tema central do soneto é a expressão do amor e a promessa de revelar versos belíssimos à pessoa amada. No entanto, a poetisa posterga essa revelação, guardando os versos mais lindos para um momento especial, simbolizado pelo beijo não dado.

02 – Que imagens poéticas são utilizadas para descrever os versos?

      Os versos são descritos como "talhados em mármore de Páros", "cinzelados" pela poetisa, com "dolência de veludo caros" e "sedas pálidas a arder". Essas imagens evocam a beleza, a preciosidade, a delicadeza e a paixão contida nos versos.

03 – Por que a poetisa decide não revelar os versos de imediato?

      A poetisa decide não revelar os versos de imediato porque acredita que a boca da mulher, quando guarda um segredo, torna-se ainda mais linda e misteriosa. Além disso, ela reserva os versos mais belos como uma promessa para o momento do beijo, que representa a consumação do amor.

04 – Qual é o significado do beijo não dado no contexto do soneto?

      O beijo não dado simboliza a paixão contida e a promessa de um amor pleno. É nesse beijo, que ainda não aconteceu, que a poetisa guarda os versos mais lindos, ou seja, a expressão máxima do seu amor.

05 – Qual é a principal característica da linguagem utilizada no soneto?

      A linguagem utilizada no soneto é rica em imagens poéticas, com adjetivos que exaltam a beleza e a preciosidade dos versos, e com metáforas que expressam a paixão e o mistério do amor. A musicalidade e a expressividade dos versos são características marcantes do estilo de Florbela Espanca.

 

 

SONETO: FUMO - FLORBELA ESPANCA - COM GABARITO

 Soneto: Fumo

             Florbela Espanca  

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiRPl4tPWADQS8KTYn3d3DNpWt05IO3pim5g_MYgWg1sVX4vspHOKVoaychb98lFA3lT_BsSJrNiH9aRtT6EFx5lL5Rn6EDZFjfmlC_xw9ozzgk8f9NFumwEe3B4dGxf9wh9m5JEr2-yZuWehaN7WDy7N2i_3W_pQyYiXfKoxF8sxveIsG66kzedssoBhg/s320/OUTONO.jpg


Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...

ESPANCA, Florbela. Poemas de Florbela Espanca. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p. 173.

Fonte: livro Português: Língua e Cultura – Carlos Alberto Faraco – vol. único – Ensino Médio – 1ª edição – Base Editora – Curitiba, 2003. p. 543.

Entendendo o soneto:

01 – Qual é o tema central do soneto?

      O tema central do soneto é a saudade e a dor da ausência do ser amado. A poetisa descreve a sensação de vazio e de perda que sente quando está longe da pessoa que ama, utilizando imagens de escuridão, frio e desolação.

02 – Que imagens poéticas são utilizadas para expressar a dor da ausência?

      A dor da ausência é expressa através de imagens como "ermos os caminhos", "noites silenciosas", "dias sem calor", "beirais sem ninhos", "olhos velhos pobrezinhos", "Outonos que choram", "crisântemos roxos que descoram" e "murmúrios dolentes de segredos". Essas imagens criam uma atmosfera de tristeza e melancolia, que reflete o estado de espírito da poetisa.

03 – Qual é o significado da imagem do "fumo" no último verso?

      A imagem do "fumo" representa a natureza efêmera e inatingível do sonho de amor. O fumo se dissipa facilmente, assim como o sonho da poetisa se esvai por entre seus dedos, deixando-a com a sensação de perda e frustração.

04 – Como a natureza é retratada no soneto?

      A natureza é retratada como um reflexo do estado de espírito da poetisa. As paisagens são sombrias e desoladas, com elementos como a falta de luar, o frio, a ausência de ninhos e as flores murchas. A natureza parece compartilhar da dor da poetisa, intensificando a sensação de tristeza e melancolia.

05 – Qual é a principal característica da linguagem utilizada no soneto?

      A linguagem utilizada no soneto é marcada pela expressividade e pela intensidade dos sentimentos. A poetisa utiliza adjetivos e metáforas para criar imagens vívidas e impactantes, que transmitem a profundidade da sua dor e saudade. A musicalidade e a rima são recursos que reforçam a beleza e a emoção do poema.

 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

POEMA: FANATISMO - FLORBELA ESPANCA - COM QUESTÕES GABARITADAS

Poema: FANATISMO
           
   Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiCQLLkFAVSMa-kVrdxIHqD8h9ndx0VdDury5Z55daFAjbWfHEZe53mjWqkmKNE1usCIX9P6YUDbec-qwX42rMAg5ZqhHd9xF8N6Pz-bFaZ5-RQXwboQ9SBU4ZZ0p1wOv2IBB_yNwHWVoyQsOd5VPhfNNkhZaF_t4Eq50GztiFh2gFPHb-4vKDRo1g92IY/s1600/Blog-Dimensoes-da-Alma-complemento-1.jpg


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim!..."

Entendendo o poema:

01 – Que estrofe do poema expressa mais claramente o entusiasmo e paixão do eu lírico pela pessoa amada?
      A última estrofe. É possível perceber o exagero nos versos: “Ah! Podem voar mundos, morrer astros, / Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

02 – O ponto de exclamação presente no último verso de cada estrofe, acentua uma ideia de:
a)   Raiva e ansiedade.
b)   Pavor e sofrimento.
c)   Admiração e emoção.
d)   Saudade e rancor.

03 – O poema, escrito no começo do século XX, apresenta uma linguagem comum a essa época. O verso que mais evidencia essa linguagem é:
a)   Não vejo nada assim enlouquecida.
b)   Minh’alma de sonhar-te anda perdida.
c)   Que tu és como Deus: Princípio e Fim!
d)   Tudo no mundo é frágil, tudo passa...

04 – Dos verbos destacados nos versos a seguir, o ÚNICO conjugado na 2ª pessoa do singular é:
a)   Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
b)   Ah! Podem voar mundos, morrer astros.
c)   Meus olhos andam cegos de te ver!
d)   Pois que tu és já toda a minha vida!

05 – O eu lírico do poema é masculino ou feminino? Cite um verso do poema que justifique sua resposta.
      Feminino. “Não vejo nada assim enlouquecida...”

06 – Leia o poema e encontre dois exemplos de prosopopeia, copie-os.
      “Boca divina”; “voar mundos”.

07 – No verso: “Pois que tu és já toda minha vida”. Que figura de linguagem há nesta verso?
      Hipérbole.

08 – Por que o título do poema “Fanatismo” dá uma ideia da intensidade do sentimento?
      Porque remete à definição de um sentimento anormal, que beira a obsessão.

09 – No verso: “Meus olhos andam cegos de te ver!” Há predominância de uma figura de linguagem. Que figura é essa?
      Paradoxo.

10 – Que impressão o poema lhe causou? Qual a sua opinião, é o sentimento do eu lírico?
      Resposta pessoal do aluno.



terça-feira, 3 de abril de 2018

POEMA: VAIDADE - FLORBELA ESPANCA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


POEMA – VAIDADE
              
  https://img1.blogblog.com/img/video_object.png

                                               Florbela Espanca
Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada! ...

                            ESPANCA, Florbela. Poemas. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.

Entendendo o poema:
01 – Transcreva no caderno a informação que traduz mais claramente a ideia principal do poema:
     a) Está claro para o eu lírico o seu valor pessoal e o valor de sua poesia, daí sua necessidade de reconhecimento.
     b) Sonhar é parte do processo para atingir a perfeição poética, possível apenas por meio de um saber vasto e profundo.
     c) O eu lírico marca a oposição entre seu sonho de ser especial, de ter seu talento reconhecido e o que pensa sobre si mesmo: que não é nada.

02 – Identifique os versos em que o eu lírico revela seu sonho de ser a “poetisa eleita”.
      Todos, exceto o último.