quarta-feira, 25 de julho de 2018

TEXTO: PLUFT, O FANTASMINHA - MARIA CLARA MACHADO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: PLUFT, O FANTASMINHA

Um ato
PERSONAGENS:
Três marinheiros amigos: Sebastião, Julião e João.
Mãe Fantasma
Pluft, o fantasminha
Gerúndio, tio do Pluft
Perna de Pau, marinheiro pirata
Maribel, menina

PRÓLOGO
        O prólogo se passa à frente da cortina. Pela esquerda surgem os três amigos, cantando. O da frente é Sebastião, o mais corajoso. Leva um toco de vela aceso ou um lampião. Segue-se Julião, segurando uma garrafa. Por fim, João, segurando um mapa. Deve-se ouvir a canção antes de avistá-los. [...]
        Quando aparecerem no palco, devem estar acabando o canto.
        [...]
ATO ÚNICO
CENÁRIO
        Um sótão. À direita, uma janela dando para fora, de onde se avista o céu. No meio, encostado a parede do fundo, um baú. Uma cadeira de balanço. Cabides, onde se veem, penduradas, velhas roupas e chapéus. Coisas de marinha. Cordas, redes. O retrato velado do capitão Bonança. À esquerda, a entrada do sótão.
        Ao abrir o pano, a Senhora Fantasma faz tricô, balançando-se na cadeira, que range compassadamente. Pluft, o fantasminha, brinca com um barco. Depois, larga o barco e pega uma velha boneca de pano. Observa-a por algum tempo.

PLUFT – Mamãe!
MÃE – O que é, Pluft?
PLUFT (sempre com a boneca de pano) – Mamãe, gente existe?
MÃE – Claro, Pluft, claro que gente existe.
PLUFT – Mamãe, eu tenho tanto medo de gente! (Larga a boneca.)
MÃE – Bobagem, Pluft.
PLUFT – Ontem passou lá embaixo, perto do mar, e eu vi.
MÃE – Viu o quê, Pluft?
PLUFT – Vi gente, mãe. Só pode ser. Três.
MÃE – E você teve medo?
PLUFT – Muito, mamãe.
MÃE – Você é bobo, Pluft. Gente é que tem medo de fantasma e não fantasma que tem medo de gente.
PLUFT - Mas eu tenho.
MÃE – Se seu pai fosse vivo, Pluft, você apanharia uma boa surra com esse medo bobo. Qualquer dia desses eu vou te levar ao mundo para vê-los de perto.
PLUFT – Ao mundo, mamãe?!!
MÃE – É, ao mundo. Lá embaixo, na cidade...
PLUFT (muito agitado, vai até a janela. Pausa) – Não, não, não. Eu não acredito em gente, pronto...
MÃE – Vai sim, e acabará com essas bobagens. São histórias demais que o tio Gerúndio conta pra você. Pluft corre até um canto e apanha um chapéu de almirante.
PLUFT – Olha, mamãe, olha o que eu descobri! O que é isto?!
MÃE – Isso tio Gerúndio trouxe do mar. Pluft, fora de cena, continua a descobrir coisas, que vai jogando em cena: panos, roupas, chapéus etc.
PLUFT – Por que tio Gerúndio não trabalha mais no mar, hem, mamãe?
MÃE – Porque o mar perdeu a graça para ele... [...]

MACHADO, Maria Clara. - Pluft, o fantasminha. O Dragão Verde: o teatro de Maria Clara Machado. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001.
Entendendo o texto:

01 – O que o título da peça nos permite antecipar?  
      Conta a história de um fantasminha.

02 – Que personagens contracenam:
a)   No prólogo?
Sebastião, Julião e João.

b)   No início do ato único?
Mãe fantasma e Pluft o fantasminha.  

03 – O que nos permite saber onde se passa o prólogo, quem contracena nele, o que fazem, como se movimentam os personagens ...?
      O prólogo se passa à frente da cortina. Pela esquerda surgem os três amigos, cantando. O da frente é Sebastião, o mais corajoso. Leva um toco de vela aceso ou um lampião. Segue-se Julião, segurando uma garrafa. Por fim, João, segurando um mapa. Deve-se ouvir a canção antes de avistá-los. [...]

04 – Além do local onde se passa a cena inicial do ato único e de como deve ser o cenário, a rubrica antes do ato indica a movimentação dos personagens que participam dela. O que fazem eles, antes de iniciar o diálogo?
      A mãe fantasma, faz tricô e o Pluft o fantasminha brinca com o barco.

05 – No diálogo que mantém com a mãe, percebe-se um sentimento de Pluft, o fantasminha, com relação às pessoas. Que sentimento é esse?
      Ele tem medo de gente.

06 – Transcreva do texto a opinião da mãe com relação ao sentimento que o filho revela.
      Você é bobo, Pluft. Gente é que tem medo de fantasma e não fantasma que tem medo de gente.

07 – Na fala da mãe “Qualquer dia desses eu vou te levar ao mundo para vê-los de perto.”, a que se refere o vocábulo “los”, em destaque?
      Refere-se a todas as pessoas.    

08 – Ao saber da intenção da mãe de levá-lo ao mundo, Pluft reage, dizendo “Ao mundo, mãe?!!”. Que efeito tem o uso dos dois sinais de exclamação, após o de interrogação.
      O renunciador pretende realizar uma pergunta carregada de emoção.

09 – A rubrica “(muito agitado, vai até a janela. Pausa)”, além de indicar a reação de Pluft ao ouvir a mãe dizer que vai levá-lo ao mundo, à cidade, traz a palavra “Pausa”. O que indica essa palavra na rubrica?
      Ele fica parado e olhando o mundo pela janela.

10 – Na fala de Pluft Não, não, não. Eu não acredito em gente, pronto...”, que efeito tem a repetição do não?
      De afirmar o pensamento dele com relação as pessoas.

11 – Observe a seguinte passagem do texto e identifique a que se referem os vocábulos em destaque.
“Pluft corre até um canto e apanha um chapéu de almirante.
PLUFT – Olha, mamãe, olha o que eu descobri! O que é isto?!
MÃE – Isso tio Gerúndio trouxe do mar.”
      Refere-se a um chapéu de Almirante.

12 – Na explicação que dá ao filho sobre o motivo pelo qual o tio não trabalha mais no mar, “Porque o mar perdeu a graça para ele...”, o que a mãe quis dizer com a expressão em destaque?
      Porque o tio Gerúndio, não tinha mais prazer em assustar as pessoas no mar.

13 – Sendo Pluft um fantasma, percebe-se nele a inversão de um sentimento próprio de algumas pessoas que creem na existência de fantasmas. Transcreva do texto um trecho da fala da mãe que expressa essa inversão.
      “Vai sim, e acabará com essas bobagens. São histórias demais que o tio Gerúndio conta pra você.”




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