domingo, 8 de julho de 2018

TEXTO: PEQUENOS COMERCIANTES - O GLOBO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: Pequenos comerciantes

      Nunca é cedo demais para se ganhar o próprio dinheiro. Laura Antunes Bloch tem 9 anos e já aprendeu esta lição. Aluna da terceira série da Escola Senador Correia, em Laranjeiras, há um mês ela aproveita o horário do recreio para vender tortinhas feitas por sua tia.
      “Trago dez tortas por dia e vendo umas sete a R$ 2,00 cada. Ganho R$ 0,60 por torta e estou guardando o dinheiro todo”, conta ela.
     Como Laura, outros alunos da escola multiplicam lucros no intervalo. Isabel Flaksman Rondinelli, de 10 anos, e Kim Adam, de 11, por exemplo, fazem colares e pulseiras de miçangas. Isabel trabalha em sociedade com sua irmã mais velha, Mariana, de 13 anos, que estuda no São Vicente.
        “Foi a namorada de meu pai que nos ensinou a fazer as pulseiras. Estamos juntando dinheiro para comprar alguma coisa bem legal no fim do ano. Às vezes eu quero gastar, mas a minha irmã não deixa”, conta Isabel, que calcula que ganha cerca de R$ 10,00 por semana.
      Já Kim é menos organizada e gasta tudo em balas e coisas para o seu cachorro. Entre os alunos da Senador Correia, João Feliz, de 1 anos, é o com mais tino para os negócios. Ele chega a vender uma caixa de chicletes por dia.
        “O baleiro que fica na frente da escola cobra R$ 0,20 por chicletes. É um roubo. Eu vendo por R$ 0,10 e já tenho lucro”, conta João, que ganha R$ 15,00 por semana. “O legal deste dinheiro é que eu trabalhei para consegui-lo e posso fazer o que quiser com ele.”
        Se a venda de produtos já é comum nas escolas, nas universidades a prática é mais do que frequente. É mais do que apenas engrossar a mesada para comprar mais balas ou brinquedos; para os universitários a “camelotagem” é questão de sobrevivência e independência financeira familiar.
        Cansada de pedir dinheiro aos pais, Patrícia Siliciana, de 23 anos, começou a trabalhar aos 16 anos e nunca mais parou:
        “Comecei a trabalhar em alguns eventos num shopping perto da minha casa, já trabalhei em telemarketing e depois como vendedora. É ótimo ter o seu próprio dinheiro”, diz Patrícia, que hoje vende sanduiches na PUC, onde estuda psicologia. “Em geral vendo de 15 a 20 sanduíches por dia. Às vezes dá para tirar até R$ 600,00 por mês.”
        O mercado é bom e, justamente por isso, há concorrência. Christine Rutherford, de 19 anos, entrou na briga – pacífica, diga-se de passagem – há pouco. E está gostando.
        “Minha família é de Teresópolis e eu estou morando num pensionato. Desde que comecei a vender sanduíches não preciso ficar mais pedindo dinheiro a eles a toda hora”, diz ela.
                                                                     O Globo, 11 nov. 1996.
Vocabulário:
Laranjeiras: bairro do Rio de Janeiro.
Telemarketing: divulgação e venda de produtos por telefone.
Miçangas: contas de vidro variadas e miúdas.
Tino: jeito, queda, tato, intuição, faro.
PUC: Pontifício Universidade Católica.
Prática: uso, costume.
Psicologia: ciência que estuda o comportamento humano.
Camelotagem: ofício de vender artigos de pouco valor.
Concorrência: rivalidade.
Independência financeira: não depender do dinheiro de ninguém para viver.
Teresópolis: cidade serrana próxima ao Rio de Janeiro.
Eventos: acontecimentos sociais ou culturais com um objetivo específico.
Pensionato: pensão, internato.

Entendendo o texto:
01 – Escreva o antônimo da palavra em destaque e complete a frase a seu modo.
Nunca é cedo demais para ...
      Nunca é tarde demais para (recompor a vida, estudar...)

02 – “Estamos juntando dinheiro para comprar alguma coisa bem legal no fim do ano.”
Escreva os diversos sentidos que a palavra legal possa ter na frase acima.
      Legal pode significar: ótima, boa, bonita, interessante, atraente, fina, maravilhosa, preciosa, etc.

03 – Invente duas frases com a palavra torta(s): uma com a função de substantivo e a outra como adjetivo:
a)   Substantivo:
Eu adoro torta de palmito.

b)   Adjetivo:
Deus escreve certo por linhas tortas, diz o dito popular.

04 – “Se a venda de produtos já é comum nas escolas, nas universidades a prática é mais que frequente.”
Suprima o acento da palavra em destaque e invente uma frase com ela:
      Meu pai pratica esportes todos os dias.

Ao suprimir o acento da palavra em destaque você transformou um substantivo em:
      Verbo.

05 – O substantivo próprio Teresópolis provém de duas línguas diferentes:
Português: Teresa.
Grego: pólis = cidade.
Teresópolis é portanto, cidade de Teresa.
Agora encontre mais exemplos:
      Sugestões: Florianópolis, Cosmópolis, Miguelópolis, Joanópolis, Cordeirópolis, Prudentópolis, Itápolis, etc.

06 – Explique o sentido do adjetivo pequenos no título “Pequenos comerciantes”.
      Pequenos, no título, significa: crianças ou jovens que fazem negócios de pouco valor.

07 – A atividade de vender coisas na escola durante o recreio pode ser considerada um trabalho infantil?
      Em parte sim, pois há crianças na faixa de nove a 12 anos vendendo coisas no recreio, privando-se de atividades recreativas.

08 – Qual é a maior satisfação dos pequenos comerciantes?
      A independência financeira.

09 – Por que os pequenos comerciantes valorizam tanto o dinheiro que ganham?
      Eles valorizam muito o dinheiro que ganham porque são eles próprios que lutam para consegui-lo, às vezes sacrificando o recreio e vencendo a inibição de vender coisas para os colegas.

10 – Dos pequenos comerciantes, quais, na sua opinião, têm mais jeito e vocação para o comércio? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

11 – O texto falou em concorrência. Você sabe por que a concorrência ajuda a baixar os preços das mercadorias?
      Porque cada empresa quer vender mais e para conseguir clientes acaba baixando os preços.

12 – Ganhar dinheiro é muito difícil; fácil é gastá-lo. A seu ver, quais alunos do texto estão fazendo melhor uso do dinheiro?
      Resposta pessoal do aluno.

13 – Você já fez alguma atividade para conseguir dinheiro? Qual? Foi difícil? Valeu a pena ganhar o próprio dinheiro? Costuma gastar o dinheiro que recebe dos pais com critério?
      Resposta pessoal do aluno.


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