domingo, 8 de julho de 2018

POEMA: EM DESPEDIDA: PROIBINDO O PRANTO - JOHN DONNE - COM GABARITO


      Poema: Em despedida: proibindo o pranto
                                                       John Donne

Como esses santos homens que se apagam
Sussurrando aos espíritos "Que vão...",
Enquanto alguns dos amigos amargos
Dizem: "Ainda respira" E outros: "Não"

Nos dissolvamos sem fazer ruído,
Sem tempestades de ais, sem rios de pranto,
Fora profanação nossa ao ouvido
Dos leigos descerrar todo este encanto.

O terremoto traz terror e morte
E o que ele faz expõe a toda a gente,
Mas a trepidação do firmamento,
Embora ainda maior, é inocente.

O amor desses amantes sublunares
(Cuja alma é só sentidos) não resiste
À ausência, que transforma em singulares
Os elementos em que ele consiste.

Mas a nós (por uma afeição tão alta,
Que nem sabemos do que seja feita,
Interassegurado o pensamento)
Mãos, olhos, lábios não nos fazem falta.

As duas almas, que são uma só
Embora eu deva ir, não sofrerão
Um rompimento, mas uma expansão,
Como ouro reduzido a aéreo pó.

Se são duas, o são similarmente
Às duas duras pernas do compasso:
Tua alma é a perna fixa, em aparente
Inércia, mas se move a cada passo.

Da outra, e se no centro quieta jaz,
Quando se distancia aquela, essa
Se inclina atentamente e vai-lhe atrás
E se endireita quando ela regressa.

Assim serás para mim que pareço
Como a outra perna obliquamente andar.
Tua firmeza faz-me circular,
Encontrar meu final em meu começo.

              DONNE, John. In: CAMPOS, Augusto de. Verso reverso contraverso.
                                                               São Paulo, Perspectiva, 1978. p. 141-2.
Entendendo o poema:

01 – O belo poema que acabamos de ler pode ser considerado um texto dissertativo? Por quê?
      O aluno deve notar que texto apresenta um percurso argumentativo.

02 – É por meio de uma comparação que o poeta sugere a forma de separação que pretende. Indique essa comparação e comente seu efeito.
      O poeta estabelece uma comparação com os santos homens que expiram sussurrando; cabe a cada aluno comentar o efeito que essa comparação lhe causa.

03 – Que argumento o poeta utiliza para justificar sua opção por uma separação sem ruído?
      Não se deve permitir que os leigos percebam a separação dos amantes: seria uma profanação.

04 – O que sugerem a você as imagens “tempestades de ais” e “rios de pranto” (segunda estrofe).
      Trata-se de hipérboles, de formas extremamente enfáticas de expressão.

05 – Qual a finalidade da comparação entre terremoto e a trepidação do firmamento no conjunto do texto?
      Mostrar que o tremor mais importante e mais poderoso é imperceptível, não produz ruído. Assim deve ser a trepidação do amor que os une.

06 – O que são, a seu ver, “amantes sublunares” (quarta estrofe)? Que tipo de comportamento o poeta lhes atribui?
      Trata-se de uma referência irônica aos amantes incapazes de alcançar as esferas celestes mais altas; são amantes sem espiritualidade (“cuja alma é só sentidos”).

07 – O que distingue o par amoroso poeta – mulher amada dos “amantes sublunares”?
      A elevação espiritual, a afeição alta que os une.

08 – Como o poeta interpreta a separação da amada? Que imagens utiliza para reforçar sua concepção?
      O poeta a traduz como uma expansão das duas almas, e não como um rompimento.

09 – Nas três últimas estrofes, o poeta desenvolve uma belíssima imagem para convencer a amada de que, ainda que separados, estão unidos. Reescreva esse trecho com suas próprias palavras, preservando toda a riqueza de detalhes do texto original.
      Trata-se da imagem do compasso em movimento, que o aluno deve identificar e reescrever.

10 – Qual a passagem do texto que sintetiza brilhante e belissimamente todo o raciocínio desenvolvido?
      “Tua firmeza faz-me, circular, / Encontrar meu final em meu começo.”

11 – Releia o poema atentamente e responda: qual o caminho percorrido pelo poeta para chegar à imagem final do texto?
      Primeiramente, o poeta sugere que a separação deve ser como a morte tranquila de um santo homem; a seguir, faz comparações, idêntica como elevada a afeição que os une, considera a separação uma expansão das duas almas e, finalmente, introduz a imagem do compasso.

12 – A argumentação desenvolvida pelo poeta é, na sua opinião, convincente? Você considera o poema um texto bem-sucedido?
      Resposta pessoal do aluno.

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