terça-feira, 24 de julho de 2018

TEXTO: AUMENTAM CASOS DE CIRROSE NA INFÂNCIA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Texto: Aumentam casos de cirrose na infância

      O Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem atendido diversas crianças com graves lesões no fígado causadas pelo consumo excessivo e constante de bebidas alcoólicas

        O menino M. S. tem oito anos e está com cirrose. Os médicos diagnosticaram como causa o consumo abusivo de bebida alcoólica. Criado numa família serrana de origem italiana, o garoto bebe vinho desde quando tinha dois anos de idade. Costume introduzido pelo pai, um pequeno agricultor e fabricante de graspa (aguardente de uva). “Homem se cria assim”, costumava alardear o colono.
        A cirrose que atinge M. S. não é um caso isolado. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem atendido vários outros meninos em situação semelhante, por força de um hábito imposto pelos pais.
        A médica Themis Reverbel da Silveira, que trabalha na unidade de Gastroenterologia pediátrica do Clínicas, revela que o ambulatório do hospital registrou recentemente seis casos de cirrose hepática em crianças. Destes, dois tinham fortes indícios de terem sido provocados por excessiva ingestão de álcool. “Esses dados estatísticos são preocupantes e revelam uma tendência”, constata a especialista.
        Intrigada com o crescimento no número de graves problemas hepáticos na infância e com indícios de consumo de álcool, Themis Reverbel coordenou há pouco um estudo realizado em Flores da Cunha, município da região de colonização italiana do Rio Grande do Sul. A pesquisa concluiu que mais da metade das crianças pesquisadas ingere bebidas alcoólicas de forma regular.

        CHUPETA COM VINHO – Além de Themis, que coordena o curso de pós-graduação em Pediatria na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o trabalho contou com a participação dos médicos porto-alegrenses Leandro Batista Azevedo, Adelírio Bolzzoni e Mauro Soibelman. Bastou um contato pessoal para que os especialistas percebessem que a maioria das crianças tinha um hábito em comum: a ingestão d bebidas alcoólicas, em quantidades variáveis.
        Os médicos visitaram 92 domicílios da zona rural de Flores da Cunha. As entrevistas foram realizadas em casas onde havia pelo menos um morador com idade inferior a 15 anos. As perguntas não eram diretas, para evitar constrangimento aos entrevistados.
      O resultado é preocupante. Algumas crianças são introduzidas no hábito aos dois anos de idade, com uma chupeta embebida em vinho, dada para facilitar o sono. A maioria dos entrevistados tina seis anos de idade e já estava acostumada a tomar alguns copos de vinho por semana. Outros declararam ingerir grandes quantias, como um menino que toma até 1,3 litro da bebida por semana.

        ADEGA FAMILIAR – Foram entrevistadas 41 crianças e 24 delas admitiram tomar vinho com regularidade. Destas, 11 declararam que o costume foi introduzido antes dos três anos de idade. Outros 11 começaram a beber entre os quatro e sete anos de idade, apenas três provaram a bebida pela primeira vez após os oito anos. A maioria (67%) admitiu que bebia apenas vinho.
        Um dado demostra que a disponibilidade da bebida facilita o hábito; 71% das crianças que bebem de forma costumeira vivem em residências onde existe produção de vinho. Entre famílias onde a bebida não é produzida, o consumo atinge apenas 45% das crianças.
         Os dados da pesquisa parecem indicar que os menores de 15 anos oriundos da região de colonização italiana podem constituir um grupo de risco para problemas relacionados ao consumo de álcool. “Não podemos dizer que estas crianças são alcoolistas, até porque o consumo varia de pessoa para pessoa e não ficou comprovada dependência em relação à bebida”, ressalva Themis Reverbel da Silveira. A intenção é ampliar a pesquisa, verificando qual o porcentual de entrevistados que apresenta lesões relacionadas ao hábito de ingerir derivados alcoólicos e até investigar possíveis defeitos genéticos oriundos deste costume.
                                                Humbaerto Trezzi, Zero Hora (Porto Alegre).
Entendendo o texto:
01 – O que é cirrose?
      Doença crônica do fígado.

02 – Os médicos diagnosticaram – o que significa diagnóstico?
      Determinaram qual é a doença.

03 – Se a família é serrana, onde ela mora?
      Na serra, nas montanhas.

04 – O que quer dizer alardear?
      Divulgar, propagar, dizer em voz alta.

05 – O que trata a unidade de gastroenterologia pediátrica?
      Estômago e intestinos, de crianças.

06 – Esclareça o que é um ambulatório.
      É o lugar onde se atende paciente externo.

07 – Hepática é um adjetivo que se refere a fígado.

08 – Ingestão é o ato de ingerir. Um sinônimo de ingerir:
      Engolir.

09 – O que é tendência?
      Inclinação, propensão.

10 – Como é estar intrigada?
      Estar preocupada, desconfiada.

11 – Esclareça o que é constrangimento.
      Acanhamento, desagrado, insatisfação.

12 – O que é adega?
      Onde se guardam bebidas ou onde se fabricam bebidas.

13 – Qual o sentido de disponibilidade?
      Que está à disposição, está disponível.

14 – Um sinônimo de oriundos.
      Originários, vindos.

15 – Explique o que é grupo de risco.
      É um conjunto de pessoas com maior probabilidade de se tornarem alcoólatras, no caso.

16 – O que são defeitos genéticos?
      São defeitos de nascença.

17 – Como você e seus familiares se portam com relação a bebidas alcoólicas?
      Resposta pessoal do aluno.

18 – Você conhece alguma criança com problemas de alcoolismo? Comente.
      Resposta pessoal do aluno.


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