terça-feira, 31 de julho de 2018

POEMA: CANÇÃO DO VENTO E DA MINHA VIDA - MANUEL BANDEIRA - COM GABARITO


Poema: Canção do vento e da minha vida
        
                                      
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.

O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava

Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.

O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.

O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
Entendendo o poema:
01 – A partir do título do poema, percebe-se que o eu poético vai estabelecer uma relação. Que relação é essa?
      Relação à vida do autor, presente como o eu-lírico.

02 – Como estão estruturados os versos e estrofes do poema?
      O poema em seu rigor formal, é composto de quatro sextilhas.

03 – A partir de que relação de semelhança pode-se afirmar que ocorre, no poema, uma metáfora entre vento e tempo?
      Na 1ª sextilha há um sentido associativo (metáfora) atribuído à palavra vento e ao verbo varrer (varria), a primeira corresponde ao significado de tempo e a segunda a ação do vento, se essas palavras fossem substituídas por outras como: brisa, ventania ou soprar (respectivamente nos casos), não expressariam o abalo que o eu-lírico sofre, pois ao carregar folhas, frutos, flores. (1ª sextilha).

04 – Que expressão se repete nas (2.ª, 3.ª, 4.ª sextilhas) para significar algo que vai ocorrendo, gradativamente, ao longo de um tempo ou à medida da ação do vento/tempo?
      As expressões são:
      2ª sextilha – luzes, músicas, aromas.
      3ª sextilha – meses e sorrisos.
     4ª sextilha – percebe-se que o vento é capaz de tirar seus prazeres da vida.

05 – Que vocábulos do poema permitem perceber que o eu poético fala de uma situação passada?
      “E a minha vida ficava cada vez mais cheia”, reconhece-se nesse aspecto que a canção do vento também torna-se a sua, reconhecendo assim sua plenitude enquanto ser relacionada a ação do tempo que ironicamente, à medida que lhe varia todas as coisas, deixava a mesma cada vez mais cheia.

06 – No verso: “E a minha vida ficava”, existe uma carga semântica, pois está presente em todas as estrofes. Por quê?
      Este verso simboliza a perenidade da condição em que se encontra o eu-lírico.

07 – O eu-lírico usa a repetição das reticências em muitos versos, com que finalidade?
      Para alongar o ritmo da frase e o momento da rememoração na consciência, como se inserissem no texto pausas internas, espaços de silêncio.

08 – No poema, a expressão “minha vida” refere-se à vida:
a)   Da amada.
b)   Da natureza.
c)   Das mulheres.
d)   Do eu-lírico.

09 – Nos três primeiros versos – “O vento varria as folhas, / O vento varria os frutos, / O vento varria as flores...” –, a semelhança sonora das palavras:
a)   Cria musicalidade no poema.
b)   Elabora uma prosa poética.
c)   Constrói imagens desconhecidas.
d)   Elimina o ritmo do poema.

10 – Pode-se afirmar que “Canção do vento e da minha vida” é um poema porque:
a)   Está estruturado em frases e parágrafos repetidos.
b)   Está organizado em versos com ritmo e sonoridade.
c)   Conta, em linguagem figurada, uma história de amor.
d)   Compara vida e natureza alterando a estrutura das estrofes.

11 – A leitura do poema sugere que a vida:
a)   Acumula experiências.
b)   Esvazia os dias.
c)   Destrói os sonhos.
d)   Devasta a natureza.

12 – O poema se organiza em torno da seguinte ideia:
a)   A vida é como o vento, varre os maus momentos.
b)   A vida é como o vento, varre os bons momentos.
c)   O tempo passa com o vento, enquanto a vida se preenche.
d)   O tempo passa como o vento, enquanto a vida se esvazia.



Nenhum comentário:

Postar um comentário