quinta-feira, 19 de julho de 2018

CONTO: O DEFUNTO QUE DEVIA - ÂNGELA LAGO - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Conto: O Defunto que Devia


     Em Bom Despacho tinha um moço que devia tanto e a tanta gente que sua vida virou um inferno. O tempo todo batiam na porta dele para cobrar. Até que uma noite ele não aguentou mais e decidiu se fingir de morto.
    Na manhã seguinte, quando os cobradores chegaram, encontraram o moço de olhos fechados, todo vestido de preto, quietinho, deitado em cima da mesa.
        --- Coitado, perdeu mais do que qualquer um de nós – eles disseram, e foram embora.
        Mas um sapateiro muito sovina, a quem o moço devia um real, não quis saber de perdoar a dívida. Ficou na casa, à espera dos parentes, para cobrar de quem pudesse.
        O moço lá, se fingindo de morto, e nada de parente nenhum chega. Mesmo porque morto pobre não tem parente. Acontece que o sapateiro, além de pão-duro, era cabeça-dura, e não arredou o pé. Queria seu real.
        Escureceu, uns ladrões passaram por perto, viram a porta aberta, a casa em silêncio, e decidiram entrar. O sapateiro só teve tempo de enfiar debaixo da mesa.
        --- Eta defunto desgraçado, não tem uma alma velando por ele! Por ele! – comentaram os ladrões.
        E aproveitaram para dividir umas moedas que tinham roubado. Sobrou uma, e um ladrão propôs:
        --- A moeda é do primeiro que enfiar uma faca no peito do morto!
        O defunto reviveu na hora e desandou a gritar:
        --- UI ui ui!
        --- Ei ei ei! – o sapateiro escutou o morto gritando e, lá debaixo da mesa, também desandou a berrar.
        Quando os ladrões viram o morto gritar e escutaram aquela voz responder, saíram em correria, deixando o dinheiro para trás.
        Já iam longe quando o mais valente deles, pensando e repensando nas lindas moedas, tratou de convencer os amigos a voltar:
        --- São duas almas penada, mas nós somos três dependas.
        Voltaram. A essa altura o ex-morto já estava dividindo a fortuna com o sapateiro. Quando os ladrões chegaram perto da casa, escutaram o tinlintar das moedas sendo repartidas e ...
        --- E o meu real? E o meu real?
        --- Ai ai ai! São muitas almas! – gritaram os ladrões. O dinheiro nem está dando! E desapareceram de vez, estrada afora.
                                                                                     Ângela Lago.
Entendendo o conto:

01 – Por que o título do texto é: “O defunto que devia”?
      Porque ele devia pra todo mundo, e não aguentava mais ser cobrado, então se fez de morto.

02 – De acordo com o texto: o que os cobradores disseram quando viram o rapaz deitado em cima da mesa?
      “--- Coitado, perdeu mais do que qualquer um de nós.”

03 – Qual dos cobradores permaneceu no velório, a espera de um parente para cobrar a dívida de um real?
      Foi o sapateiro.

04 – Quem disse a frase: “--- Eta defunto desgraçado, não tem uma alma velando por ele!”?
      Foi um dos ladrões que entraram na casa.

05 – Na divisão das moedas roubadas, sobrou uma moeda, qual foi a proposta para ver quem ficaria com ela?
      A moeda é do primeiro que enfiar uma faca no peito do defunto morto.

06 – Diante da aposta dos ladrões, qual foi a reação do defunto?
      O defunto reviveu na hora e desandou a gritar: Ui ui ui!  

07 – No texto: Quem gritou “Ei ei ei!?
      Foi o sapateiro que estava embaixo da mesa.

08 – Quando os ladrões viram o defunto gritar, saíram correndo e esqueceram as moedas. O que fez eles resolveram voltar?
      Porque se acharam em maior número e conseguiriam vencer o defunto.

09 – O que os ladrões ouviram, ao chegar perto da casa do morto?
      E o meu real? E o meu real?

10 – Qual foi a reação dos ladrões ao ouvirem a discursão?
      “--- Ai ai ai! São muitas almas! O dinheiro nem está dando!       
     





Nenhum comentário:

Postar um comentário