quarta-feira, 25 de julho de 2018

FÁBULA: A GENEROSIDADE DAS ELITES OU A GRATIDÃO DOS HUMILDES - MILLÔR FERNANDES

Fábula: A generosidade das elites ou a gratidão dos humildes
                                                               Millôr Fernandes

       Um homem de ombreiras bordada a ouro foi condenado a 100 chibatadas em público, por não pagar imposto de renda. No dia anterior à sentença encheu uma bolsa com 10.000 piastras e, encontrando na rua um miserável, pediu que, em troca das 10.000 piastras, o miserável recebesse as chibatadas em seu lugar, como a lei permitia.
        O pobre-diabo achou extremamente boa a proposta (10.000 piastras!) e, no dia seguinte, estava lá, de cócoras, no centro da maior praça da cidade, para receber as chibatadas. Mas, logo nas primeiras 10, começou a chorar - viu que não resistia - e, em altos e lancinantes brados, pediu clemência a Alá. Alá surgiu como um auxiliar do chibatador, que disse ao ouvido do chibatado; "Me dás todo o dinheiro que tens e o chibatador apenas fingirá as outras 90 chibatadas". Mas que gritasse ainda mais para que o povo em volta não percebesse a barganha.
        O miserável concordou, a chibatação e os gritos continuaram até se completarem as 100 chibatadas e o povo saiu contente, porque agora, como todos tinham visto, também os poderosos eram castigados, embora por interpostas pessoas. No dia seguinte o miserável estava outra vez na sua esquina quando viu passar o potentado cujo lugar tinha tomado. Num ímpeto se atirou em frente ao homem e, ajoelhado, murmurou com os olhos em lágrimas: "Agradecido, mil vezes agradecido, meu louvado senhor; que o céu o faça cada dia mais poderoso. Se o senhor não tivesse me financiado com tanta generosidade, eu agora estaria morto com aquelas 100 chibatadas."

        MORAL: NADA QUE VEM DE CIMA ME HUMILHA.

Entendendo a fábula:
01 – Segundo a fábula “Um homem de ombreiras bordadas a ouro”, corresponde:
a)   A um rei.
b)   Aos imortais da Academia Brasileira de Letras.
c)   Corresponde ao nosso Colarinho Branco.
d)   Nenhuma das alternativas.

02 – Que sentido tem “piastras” no texto?
a)   É uma moeda histórica usada em diversas regiões da atual Itália.
b)   Não são moedas da Coréia do Sul, mas nas fábulas.
c)   Chapinha, material para alisamento capilar.
d)   Nenhuma das alternativas.

03 – Nesta frase: “... e, encontrando na rua um miserável, pediu que, em troca das 10.000 piastras, o miserável recebesse as chibatadas em seu lugar, como a lei permitia. Como seria isto em nosso país?
a)   Aqui entre nós, os pobres também pagam pelos ricos através de dinheiro barato fornecido aos ricos pelo Banco Central.
b)   A Lei dos Pobres foi criada em 1602, no final do reinado da Rainha Elizabeth, mas em nosso país nunca entrou em vigor.
c)   Já em 1834, surgiu a Segunda Lei dos Pobres na Inglaterra e no Brasil somente a 10 anos criou o FOME ZERO.
d)   Nenhuma das alternativas.

04 – De acordo com a fábula, nesta frase: “... Mas, logo nas primeiras 10, começou a chorar - viu que não resistia - e, em altos e lancinantes brados, pediu clemência a Alá.” O que Alá tem a haver com sul-coreanos?
a)   O Deus supremo da antiga Coreia. Como mestre do universo, move as estrelas, pune os que merecem ser punidos e recompensa os justos é Hananim.
b)   Os sul-coreanos creem no Buda.
c)   Alá também não tem nada a ver com a Coréia, mas fábula é fábula, repito.
d)   Nenhuma das alternativas.

         

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