sábado, 21 de julho de 2018

POEMA: TREM DE FERRO - MANUEL BANDEIRA - COM INTERPRETAÇÃO/GABARITO


Poema: Trem de Ferro
                                  Manuel Bandeira

Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá

Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no Sertão
Sou de Ouricuri
Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

Bandeira, Manuel 1886 - 1968.Antologia Poética.
Rio de Janeiro: J. Olympo, 1976, 8. ed. , p. 96.
Entendendo o poema:
01 – Você gostou do poema? Por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

02 – Os versos do poema lido são, na maioria, longos ou curtos? Em sua opinião, há uma razão para essa escolha? Em caso afirmativo, qual seria ela?
      Os versos do poema são, na maioria, curtos. Os versos curtos dão ritmo rápido ao poema, aludindo ao movimento do trem.

03 – Vamos reler um trecho do poema:
        “Café com pão
         Café com pão
         Café com pão
         (...)
         Muita força
         Muita força
         Muita força
         (...)
         Pouca gente
         Pouca gente
         Pouca gente...”

Agora responda as questões abaixo:
a)   Que impressão a repetição dos versos pode causar no leitor?
A repetição desses versos lembra o barulho produzido por um trem com locomotiva a vapor.

b)   Em sua opinião, a repetição dos versos da primeira estrofe dá ao leitor a impressão de que o trem está andando rápido ou devagar?
Devagar. A alternância entre sílabas tônicas e átonas e as vogais nasais dão ao leitor a impressão de que o trem está se locomovendo devagar.

04 – Volte ao poema e encontre a estrofe que sugere o som do apito do trem. Copie-o.
      “Virge Maria que foi isto maquinista?”, sugere o som do apito do trem quando ele está saindo, isto é, o apito inicial que tem o som mais longo que os emitidos quando o trem já está em curso.

05 – No poema, há alguém que fala. Quem você imagina que seja? Explique o que você observou para responder.
      Por meio dos versos: “Virge Maria que foi isto maquinista? / Ai seu foguista / Bota fogo / Na fornalha / Que eu preciso / Muita força.”, que quem fala é o próprio trem de ferro.
      Os versos: “Vou depressa / Vou correndo / Vou na toda / Que só levo / Pouca gente / Pouca gente / Pouca gente...”, também revela a fala do trem.

06 – Como é o trem de que o poema trata: a vapor ou elétrico? Explique como você descobriu.
      A vapor. É possível descobrir por meio dos versos: “Voa fumaça / Corre, cerca / Ai seu foguista / Bota fogo / Na fornalha / Que eu preciso / Muita força / Muita força.”

07 – Em sua opinião, o que significa a expressão “Oô...”?
      Resposta pessoal do aluno. Provavelmente o som do apito do trem em curso, avisando que está passando.

08 – Releia o seguinte trecho do texto:
        “Passa ponte
         Passa poste
         Passa pasto
         Passa boi
         Passa boiada
         Passa galho
         De ingazeira
         Debruçada
         No riacho.”

Você acha que a repetição da palavra passa no começo dos versos sugere que o trem está andando rápido ou devagar?
      O ritmo desses versos, a repetição do som de s e a sequência de elementos (ponte, poste, pasto, boi...) dão a ideia de que o trem está passando por eles rapidamente.

09 – No poema, aparecem algumas palavras, como:
        VIRGE   -   PRENDERO   -   CANAVIÁ
Encontre no texto outros exemplos como esses. Em seguida, anote a opção que, em sua opinião, está correta.
Possibilidades: oficiá – me dá – pra – matá – mimbora.

a)   Esse tipo de linguagem é aquela usada em livros, jornais, revistas, júris, vários programas de tevê, etc.
b)   Esse tipo de linguagem é aquela falada em certas regiões do país, por alguns grupos de pessoas.

10 – Volte ao poema e observe a maneira como ele foi pontuado. Depois, conclua se a pontuação é mais livre, informal ou mais rígida, formal.
      De acordo com o texto, a pontuação é mais livre, informal.

11 – Agora explique com suas palavras o que você entendeu do poema. Comente também se você gostou ou não dele e por quê?
      Resposta pessoal do aluno.

12 – A terceira estrofe indica que o trem adquiriu maior velocidade. Que palavras desta estrofe têm a função de mostrar o aumento da velocidade?
      “Agora sim”, “voa”, “corre”.

13 – Observe o verso “Corre, cerca”. Explique como a cerca, que é elemento sem vida, pode correr.
      A ilusão de que a cerca corre é dada pelo movimento do trem.

14 – Na quarta estrofe, há dois versos iniciados com a palavra “foge” e seis com a palavra “passa”. A repetição destes verbos e o significado deles indicam que velocidade para o trem no trecho em questão?
      A repetição indica que o trem se movimenta numa velocidade bem maior, espantando animais e gente que encontra pelo caminho e deixando rapidamente para trás os pontos do seu trajeto.

15 – O ritmo do poema acompanha o ritmo do trem. Releia a 5ª estrofe e verifique: a velocidade do trem é maior ou menor do que no restante do poema? Qual a causa da mudança?
      Sua velocidade é menor. A causa é travessia de um canavial, onde ele se sente preso.

16 – Na 5ª estrofe o trem está preso num canavial e cada pé de cana lhe parece um oficial, isto é, um soldado. Quais as semelhanças entre o pé de cana e o oficial que permitem a Manuel Bandeira fazer essa comparação?
      Os pés de cana estão enfileirados, como soldados; a cor verde da cana é semelhante à cor da farda dos soldados.

17 – Quem é o eu que fala no poema? Qual o dialeto usado por ele? Que marcas linguísticas desse dialeto aparecem no texto?
      O eu que fala no poema é o trem de ferro. Ele usa o dialeto popular.
      Algumas marcas linguísticas desse dialeto: a supressão da letra final de palavras como “Virge”, “prendero”, “canaviá”, “oficiá”, “mata”, a anteposição do pronome oblíquo ao verbo em início de frase (“me dá tua boca”); a junção do pronome átono e palavra iniciada por vogal (“mimbora”); o uso de gíria (“vou na toda”).







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