Poema: O dia da criação – II
Vinícius de Moraes
Há
uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjwgEiBe3S3eG5zup8kPcdlhg2HxiEnQxiT7q-oBZJ8yCPz4CSJSQH14TF27CGAjJTUfxwwJLS6qAvxuTW2U-Uq0ZP4LP7lCYHashxBzqXSj1cYXtw3wQ3sIELM7z1OYFaJ0WWq_L1TdlLIJBDZdCahRFJ5PQhUUAO02bQtJdU-fUFmPXzwfyIxNMs89_I/s320/images.jpg Vinícius
de Moraes.
Entendendo o poema:
01 – Qual tipo de oração subordinada estrutura
o poema?
Causal.
02 – O que o eu poético revela por meio da
repetição dessa oração?
As coisas e eventos que acontecem num sábado.
03 – Qual é o recurso
estilístico (figura de linguagem) predominante no trecho e qual é a sua função
no poema?
A figura de linguagem predominante é a anáfora (repetição de uma mesma palavra ou expressão no início/final de versos ou estrofes), evidenciada na repetição constante da frase "Porque hoje é sábado". Essa repetição contínua funciona como uma justificativa quase automática para todos os comportamentos, excessos, contradições e desejos descritos, transmitindo a ideia de que o sábado é um dia fora da rotina comum, onde tudo ganha outra dimensão.
04 – Como o poema
retrata a diversidade de comportamentos e figuras humanas na cidade durante o
sábado? Cite exemplos do texto.
O poema retrata o sábado como um dia em que a vida urbana se manifesta de forma intensa, diversa e cheia de contradições. O eu lírico apresenta desde figuras religiosas que tentam se misturar ("um padre passeando à paisana") e a busca pelo prazer e boemia ("damas de todas as classes", "um beber e um dar sem conta"), até momentos de fragilidade ("uma infeliz que vai de tonta") e sentimentos de frustração ou revolta ("frenesi de dar banana").
05 – De que maneira
o tom do poema se transforma no último verso citado ("Há a sensação
angustiante / Porque hoje é sábado")?
Apesar de o
sábado ser tradicionalmente associado à diversão, ao alívio e à liberdade no
fim de semana, o último verso introduz uma virada de tom (quebra de
expectativa). A intensa movimentação e os excessos do dia revelam, ao final, um
vazio ou uma angústia existencial, mostrando que a busca frenética pelo prazer
e pela evasão nem sempre traz preenchimento pleno, podendo resultar em uma
"sensação angustiante".
Nenhum comentário:
Postar um comentário