Poema: Iniciação Amorosa
Carlos Drummond de Andrade
A rede entre duas mangueiras
balançava no mundo profundo.
O dia era quente, sem vento.
O sol lá em cima,
as folhas no meio,
o dia era quente.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgI_krN6VXl00Z4ECfSNl6QEGswu0PS06fv7zPtJ82u6tnDYDT3rA0Dj6cz1yGcnY6uGgpwN1reK6QhQd6GGLp7HWtJrh1g4npo0wITZG56WYcwTMzmrWt4fzNam1g68CnfSITodVZocVFwz-fc19LUes_Ubwksi0BK_7BDkVBpNkELRF51gmzUgRNSW9A/s320/images.jpgE como eu não tinha nada que fazer vivia namorando as pernas morenas da lavadeira.
Um dia ela veio para a rede,
se enroscou nos meus braços,
me deu um abraço,
me deu as maminhas
que eram só minhas.
A rede virou,
o mundo afundou.
Depois fui para a cama
febre 40 graus febre.
Uma lavadeira imensa, com duas tetas imensas, girava no espaço verde.
Carlos Drummond de Andrade. Iniciação amorosa. In: Alguma poesia. www.carlosdrummond.com.br. Rio de Janeiro: Record.
Fonte: Língua
Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos
C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 81.
Entendendo o poema:
01
– Qual é o cenário inicial descrito no poema e qual era o estado de espírito do
eu lírico antes do acontecimento principal?
O cenário inicial
é composto por uma rede armada entre duas mangueiras, em um dia quente e sem
vento. O eu lírico estava ocioso ("sem nada que fazer") e passava o
tempo observando e namorando as pernas morenas da lavadeira.
02
– O que acontece quando a lavadeira se aproxima do eu lírico na rede?
Ela vai até a
rede, enrosca-se nos braços do eu lírico, abraça-o e oferece a ele suas
"maminhas" (seios), proporcionando o momento de intimidade e
descoberta que dá título ao poema.
03
– Como o poema descreve o clímax da experiência amorosa/sensual vivida pelos
personagens na rede?
O clímax e a
intensidade do momento de transição são expressos pela metáfora da queda e da
transformação perceptiva: "A rede virou, / o mundo afundou."
04
– Quais foram as consequências físicas e psicológicas da experiência para o eu
lírico no final do poema?
Após a
experiência, o eu lírico foi para a cama com uma febre de 40 graus, tomado por
um delírio em que via a figura de uma "lavadeira imensa", com
"duas tetas imensas", girando no espaço verde.
05
– De que maneira a figura da lavadeira se transforma ao longo do poema?
No início, a
lavadeira é apresentada sob um olhar de desejo observador e sutil ("pernas
morenas"). No final, após o ato da iniciação amorosa, ela adquire
proporções míticas e avassaladoras no imaginário/delírio do eu lírico,
tornando-se uma figura "imensa" que ocupa todo o seu pensamento e
estado febril.
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