sábado, 1 de agosto de 2026

CORDEL: UM TESOURO SEM PAR - 100 ANOS DE CORDEL - COM GABARITO

 Cordel: Um tesouro sem par

        Antes de serem impressos no Brasil, as histórias de cordel eram contadas pelo povo e reproduziam outras, vindas de tempos e terras distantes, trazidas pelos portugueses.

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilf_gE5q4KJnpR2PTjneGE0RM6h_9axMGKOihfbvjZrdp1paO5LBIYKWzBCJaafKVQhcRSo3hjzQ4i2tYGwnyOLKDlq2MQoL-MXmMILJD-ysiBcARj5aHyTlaUlsL8WhJMCuMMm9eNn7lO9iiQijzGzqcpG14vqeXlSknhLdV-QJ9wHPTAE9oruEki2Rs/s320/images.jpg


        São narrativas de heróis, princesas de beleza deslumbrante, príncipes destemidos, reis, como Carlos Magno, e seus intrépidos guerreiros, que se transportaram da Idade Média para o imaginário do povo do nosso sertão.

        A literatura popular em versos desenvolveu-se aqui como em nenhuma outra parte do mundo. Mas, além de histórias fantásticas, os poetas cantadores faziam chegar aos pontos mais distantes do sertão nordestino notícias das coisas acontecidas, comentários políticos, as valentias de Lampião, os milagres do Padre Cícero.

        A imprensa instalou-se no Brasil, em 1808, com a chegada da família real portuguesa, mas a circulação dos jornais ficava limitada às cidades mais importantes. Assim, só nos últimos anos do século XIX, surgiram os primeiros folhetos.

        As ilustrações, os cabeçalhos e vinhetas dos folhetos de cordel eram feitos por xilogravura (gravura em madeira). A madeira preferida era a umburana, e os entalhes eram feitos com canivete, hastes de guarda-chuva, lâminas de barbear, etc.

        O Cordel inspirou escritores, como Jorge Amado, poetas, como João Cabral de Melo Neto, dramaturgos, como Ariano Suassuna, e está no cinema de Glauber Rocha, nas artes plásticas, como na obra de Gilvan Samico, e principalmente na música popular brasileira.

Fonte: 100 anos de cordel. São Paulo, Sesc, 2001.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 208.

Entendendo o cordel:

01 – De que maneira as narrativas de origem europeia se transformaram ao chegar ao Brasil e como passaram a fazer parte do imaginário popular?

      As histórias de cordel eram originalmente contadas pela tradição oral e foram trazidas ao Brasil pelos colonizadores portugueses. Traziam temas europeus e medievais, como relatos de heróis, princesas, príncipes e figuras históricas como o rei Carlos Magno e seus guerreiros. Ao chegarem ao sertão nordestino, essas narrativas foram incorporadas e adaptadas à cultura local, mesclando a tradição literária da Idade Média com a realidade, o imaginário e o contexto do povo sertanejo.

02 – Além de contar histórias fantásticas, qual era a função social e informativa da literatura de cordel no sertão nordestino?

      O cordel desempenhava um papel fundamental de veículo de informação e jornalismo popular no sertão. Como a circulação dos jornais tradicionais ficava restrita às grandes cidades, os poetas cantadores levavam às regiões mais isoladas as notícias sobre os acontecimentos do país, comentários e debates políticos, relatos sobre o cangaço (como as valentias de Lampião) e aspectos da religiosidade popular (como os milagres do Padre Cícero).

03 – Como eram confeccionadas as ilustrações dos folhetos de cordel e quais recursos eram utilizados pelos artesãos?

      As ilustrações, cabeçalhos e vinhetas eram produzidos por meio da técnica da xilogravura, que consiste no entalhe da imagem em blocos de madeira. Para isso, os artesãos preferiam utilizar a madeira de umburana e usavam ferramentas adaptadas do cotidiano para fazer os cortes, tais como canivetes, hastes de guarda-chuva e lâminas de barbear.

04 – Qual foi o impacto da chegada da imprensa ao Brasil para o aparecimento do cordel impresso e quando surgiram os primeiros folhetos?

      Embora a imprensa tenha se instalado no Brasil em 1808 com a chegada da família real portuguesa, o acesso aos jornais permaneceu limitado aos centros urbanos de maior importância. Por essa razão, a produção e circulação dos primeiros folhetos impressos de cordel só ganharam força e se consolidaram no país nos últimos anos do século XIX.

05 – Com base no texto, demonstre como o cordel influenciou outras linguagens artísticas e culturais no Brasil.

      A literatura de cordel serviu de fonte de inspiração para diversos campos da cultura nacional. Na literatura e no teatro, influenciou grandes nomes como Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna. No cinema, fez-se presente nas obras de Glauber Rocha; nas artes plásticas, destacou-se no trabalho de Gilvan Samico; e, de forma marcante, integrou-se à música popular brasileira.

 

 

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