Texto: O Espaço
"O Espaço" retrata a
história de uma menina imaginativa que deseja viajar para o universo. Trata-se
de uma atividade escolar clássica (frequentemente associada a blogs educativos
como o Armazém de Texto), cujo objetivo original é identificar e corrigir falas
repetitivas, erros de pontuação, problemas de ortografia e misturas de foco
narrativo.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEMLf7Flmt6dXxhmr56_aBqH70JCuOE1FCU8CAkPWeYTGUJnGrd5mQZTgd62otLRq0A5j7uuHZIbnxhZri0ZZbw-LDFnyjPaWg9JiGX_JBxKGPCL8WFlJHXiYOB1FUzX2gRlFpYakQ383dejU-5yJyfxTIX-pw2SkOZHJbv1uHq-6HTdFsY-4oTvmQm9I/s320/images%20(1).jpg O Espaço
Era uma vez uma menina imaginativa. Ela
estava pensando em ir para o espaço e disse:
-- Se eu for para o espaço deixarei
meus pais preocupados.
E fiquei confusa se ia para o espaço ou
se avisava meus pais. Eu podia ir para o espaço e disse:
-- Se avisar meus pais aposto que eles
não vão deixar eu ir para o espaço.
E o problema era esse: como ir para o
espaço.
O primeiro problema foi resolvido eu
não ia avisar meus pais que eu ia para o espaço, mas o outro não resolvi e
disse:
-- Vou dormir já e muito tarde a manhã
de manhã resolverei esse problema e irei para o espaço.
E dormi todo alegre e sonhei que estava
no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri, entrei num objeto estranho e
era cheio de computadores. Descobri que era a espaçonave daquele passos que eu
ouvi e fiquei com medo e quando eu ia sair da espaçonave os marcianos entraram
e me pegaram quando iam me paralisar eu acordei e descobri que era um sonho e
disse:
-- Sabi, eu acho que eu não vou para o
espaço não.
O Texto
Corrigido (Versão Revisada)
Esta versão ajusta a pontuação,
remove repetições viciosas (como o uso excessivo de "para o espaço")
e padroniza a narrativa em 3ª pessoa.
O Espaço
Era uma vez uma menina muito
imaginativa que planejava uma viagem ao espaço sideral. Pensativa, refletiu:
— Se eu for, deixarei meus pais muito
preocupados.
Dividida entre partir em segredo ou
avisar, concluiu:
— Se eu contar, aposto que não me
deixarão ir.
O primeiro impasse estava resolvido:
não avisaria a família. No entanto, o verdadeiro problema persistia: como
chegar lá?
Exausta, decidiu:
— Vou dormir, pois já é muito tarde!
Amanhã de manhã resolvo esse mistério e viajo de vez.
Então, a menina imaginativa pegou no
sono, feliz e cheia de sonhos.
Fonte: Língua
Portuguesa Palavras. 5ª série. Hermínio Geraldo Sargentim. IBEP. 1ª edição. São
Paulo, 2002. p. 83.
Entendendo
o texto:
01
– No texto original, observa-se uma instabilidade quanto ao ponto de vista do
narrador. Explique como essa oscilação ocorre ao longo da narrativa original e
de que maneira a versão revisada corrigiu essa incoerência.
No texto
original, há uma mistura indevida de foco narrativo: a narrativa começa em 3ª
pessoa ("Era uma vez uma menina imaginativa. Ela estava
pensando..."), mas logo migra para a 1ª pessoa sem justificativa ("E
fiquei confusa...", "E dormi todo alegre..."). A versão revisada
corrigiu esse problema padronizando toda a narração em 3ª pessoa do singular,
mantendo a 1ª pessoa restrita apenas aos travessões do discurso direto (as
falas das personagens).
02
– A repetição excessiva de termos compromete a qualidade da coesão textual.
Identifique a expressão mais repetida no texto original e explique quais
recursos foram utilizados na versão reescrita para evitar essa redundância.
A expressão exaustivamente
repetida é "para o espaço". Na versão revisada, para evitar o vício
de linguagem, empregaram-se recursos de substituição vocabular e sinônimos
(como "ao espaço sideral", "ao universo", "viajo de
vez"), o uso de advérbios de lugar ("chegar lá") e a omissão do
termo quando o contexto já o tornava subentendido (elipse).
03
– Analise o trecho do sonho no texto original ("E dormi todo alegre e
sonhei que estava no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri...").
Como a escassez de pontuação afeta a leitura desse trecho e como isso poderia
ser solucionado?
A falta de
vírgulas e pontos-finais cria um longo período truncado (uma
"frase-chiclete"), acumulando ações coordenadas pela conjunção
"e". Isso gera um ritmo acelerado e confuso, prejudicando a clareza
das ações da personagem. A solução consiste em fragmentar o período com
ponto-e-vírgula ou pontos continuativos, organizando a sequência temporal dos
acontecimentos (ouvidos os passos – corrida – entrada na nave – encontro com os
marcianos).
04
– Identifique no texto original dois erros referentes à norma-padrão — um de
ortografia e outro de concordância nominal — e apresente a correção adequada
para ambos.
Erro de Ortografia:
A palavra "a manhã" escrita separadamente no trecho "a manhã de
manhã". A forma correta para indicar o dia seguinte é o advérbio de tempo
"amanhã" (amanhã de manhã). Além disso, há o desvio ortográfico na
fala final com a palavra "Sabi" em vez de "Sabe".
Erro de
Concordância Nominal: No trecho "E dormi todo alegre", a concordância
de gênero falha, pois a protagonista é apresentada como "uma menina
imaginativa". O correto seria "toda alegre".
05
– Qual é o conflito central enfrentado pela protagonista ao longo da história e
como a experiência do sonho atua na resolução desse conflito?
O conflito
central da menina é um dilema de tomada de decisão: ela deseja ir ao espaço,
mas se vê dividida entre avisar os pais (e ser proibida) ou não os avisar (e
deixá-los preocupados), além da dúvida prática sobre como realizar essa viagem.
O sonho atua como o elemento desestruturador da fantasia, pois o susto de ser
capturada por marcianos traz um choque de realidade simbólico. Com isso, a
menina desiste do desejo inicial, resolvendo o impasse de forma cômica e
simplista.
06
– Na fala final da personagem — "-- Sabi, eu acho que eu não vou para o
espaço não." —, identificam-se marcas características da linguagem
falada. Quais são essas marcas e qual é a função delas dentro do discurso
direto em uma narrativa?
As marcas de
oralidade presentes são:
A grafia fonética da palavra
"Sabi" (reproduzindo a pronúncia informal da consoante final /e/ como
/i/);
A dupla negação enfática
("não vou [...] não"), típica da fala informal no português
brasileiro.
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