domingo, 23 de agosto de 2026

TEXTO: O ESPAÇO - COM GABARITO

 Texto: O Espaço

        "O Espaço" retrata a história de uma menina imaginativa que deseja viajar para o universo. Trata-se de uma atividade escolar clássica (frequentemente associada a blogs educativos como o Armazém de Texto), cujo objetivo original é identificar e corrigir falas repetitivas, erros de pontuação, problemas de ortografia e misturas de foco narrativo.



Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgEMLf7Flmt6dXxhmr56_aBqH70JCuOE1FCU8CAkPWeYTGUJnGrd5mQZTgd62otLRq0A5j7uuHZIbnxhZri0ZZbw-LDFnyjPaWg9JiGX_JBxKGPCL8WFlJHXiYOB1FUzX2gRlFpYakQ383dejU-5yJyfxTIX-pw2SkOZHJbv1uHq-6HTdFsY-4oTvmQm9I/s320/images%20(1).jpg 


        O Espaço

        Era uma vez uma menina imaginativa. Ela estava pensando em ir para o espaço e disse:

        -- Se eu for para o espaço deixarei meus pais preocupados.

        E fiquei confusa se ia para o espaço ou se avisava meus pais. Eu podia ir para o espaço e disse:

        -- Se avisar meus pais aposto que eles não vão deixar eu ir para o espaço.

        E o problema era esse: como ir para o espaço.

        O primeiro problema foi resolvido eu não ia avisar meus pais que eu ia para o espaço, mas o outro não resolvi e disse:

        -- Vou dormir já e muito tarde a manhã de manhã resolverei esse problema e irei para o espaço.

        E dormi todo alegre e sonhei que estava no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri, entrei num objeto estranho e era cheio de computadores. Descobri que era a espaçonave daquele passos que eu ouvi e fiquei com medo e quando eu ia sair da espaçonave os marcianos entraram e me pegaram quando iam me paralisar eu acordei e descobri que era um sonho e disse:

        -- Sabi, eu acho que eu não vou para o espaço não.

 

        O Texto Corrigido (Versão Revisada)

        Esta versão ajusta a pontuação, remove repetições viciosas (como o uso excessivo de "para o espaço") e padroniza a narrativa em 3ª pessoa.

        O Espaço

        Era uma vez uma menina muito imaginativa que planejava uma viagem ao espaço sideral. Pensativa, refletiu:

        — Se eu for, deixarei meus pais muito preocupados.

        Dividida entre partir em segredo ou avisar, concluiu:

        — Se eu contar, aposto que não me deixarão ir.

        O primeiro impasse estava resolvido: não avisaria a família. No entanto, o verdadeiro problema persistia: como chegar lá?

        Exausta, decidiu:

        — Vou dormir, pois já é muito tarde! Amanhã de manhã resolvo esse mistério e viajo de vez.

        Então, a menina imaginativa pegou no sono, feliz e cheia de sonhos.

Fonte: Língua Portuguesa Palavras. 5ª série. Hermínio Geraldo Sargentim. IBEP. 1ª edição. São Paulo, 2002. p. 83.

Entendendo o texto:

01 – No texto original, observa-se uma instabilidade quanto ao ponto de vista do narrador. Explique como essa oscilação ocorre ao longo da narrativa original e de que maneira a versão revisada corrigiu essa incoerência.

      No texto original, há uma mistura indevida de foco narrativo: a narrativa começa em 3ª pessoa ("Era uma vez uma menina imaginativa. Ela estava pensando..."), mas logo migra para a 1ª pessoa sem justificativa ("E fiquei confusa...", "E dormi todo alegre..."). A versão revisada corrigiu esse problema padronizando toda a narração em 3ª pessoa do singular, mantendo a 1ª pessoa restrita apenas aos travessões do discurso direto (as falas das personagens).

02 – A repetição excessiva de termos compromete a qualidade da coesão textual. Identifique a expressão mais repetida no texto original e explique quais recursos foram utilizados na versão reescrita para evitar essa redundância.

      A expressão exaustivamente repetida é "para o espaço". Na versão revisada, para evitar o vício de linguagem, empregaram-se recursos de substituição vocabular e sinônimos (como "ao espaço sideral", "ao universo", "viajo de vez"), o uso de advérbios de lugar ("chegar lá") e a omissão do termo quando o contexto já o tornava subentendido (elipse).

03 – Analise o trecho do sonho no texto original ("E dormi todo alegre e sonhei que estava no espaço, estava assentada e ouvi passos e corri..."). Como a escassez de pontuação afeta a leitura desse trecho e como isso poderia ser solucionado?

      A falta de vírgulas e pontos-finais cria um longo período truncado (uma "frase-chiclete"), acumulando ações coordenadas pela conjunção "e". Isso gera um ritmo acelerado e confuso, prejudicando a clareza das ações da personagem. A solução consiste em fragmentar o período com ponto-e-vírgula ou pontos continuativos, organizando a sequência temporal dos acontecimentos (ouvidos os passos – corrida – entrada na nave – encontro com os marcianos).

04 – Identifique no texto original dois erros referentes à norma-padrão — um de ortografia e outro de concordância nominal — e apresente a correção adequada para ambos.

      Erro de Ortografia: A palavra "a manhã" escrita separadamente no trecho "a manhã de manhã". A forma correta para indicar o dia seguinte é o advérbio de tempo "amanhã" (amanhã de manhã). Além disso, há o desvio ortográfico na fala final com a palavra "Sabi" em vez de "Sabe".

      Erro de Concordância Nominal: No trecho "E dormi todo alegre", a concordância de gênero falha, pois a protagonista é apresentada como "uma menina imaginativa". O correto seria "toda alegre".

05 – Qual é o conflito central enfrentado pela protagonista ao longo da história e como a experiência do sonho atua na resolução desse conflito?

      O conflito central da menina é um dilema de tomada de decisão: ela deseja ir ao espaço, mas se vê dividida entre avisar os pais (e ser proibida) ou não os avisar (e deixá-los preocupados), além da dúvida prática sobre como realizar essa viagem. O sonho atua como o elemento desestruturador da fantasia, pois o susto de ser capturada por marcianos traz um choque de realidade simbólico. Com isso, a menina desiste do desejo inicial, resolvendo o impasse de forma cômica e simplista.

06 – Na fala final da personagem — "-- Sabi, eu acho que eu não vou para o espaço não." —, identificam-se marcas características da linguagem falada. Quais são essas marcas e qual é a função delas dentro do discurso direto em uma narrativa?

      As marcas de oralidade presentes são:

      A grafia fonética da palavra "Sabi" (reproduzindo a pronúncia informal da consoante final /e/ como /i/);

      A dupla negação enfática ("não vou [...] não"), típica da fala informal no português brasileiro.

 

 

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