sábado, 1 de agosto de 2026

CORDEL: O VENDEDOR DE OVOS - JOSÉ F. BORGES - COM GABARITO

 Cordel: O Vendedor de Ovos

           José F. Borges

Um homem vendia ovos

numa feira da usina.

Numa época de São João

uma senhora grã-fina

lhe encomendou ovos grandes

que não tivessem ruína.

 

Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgLDxcevAmOAyVGmmwDfCU6ww_9UksLe-d-1cC2ApR6x6uFizmUJzLHkuHsSfLRWA1mI-JFUpjsrFtv8dgdmjbKwGpQi_jvX9qazv9aAmhwbE-MON1RC7ApV09PC1oEhVvUc8mjQj3Awz3w80XC0osoxXtpW_DcW7wpeyi_w0TJHDsm2-qRg-8iYrob7gc/s320/images.jpg 

Ele carregou a égua

com dois pares de caixão

e os ovos da mulher

colocou no caldeirão

e amontou-se na égua

levando o mesmo na mão.

 

Ao passar na linha férrea

o maquinista lhe avistou

montado no meio da carga

o maquinista apitou

e com o apito da máquina

a égua se assustou.

 

E na corda do apito

o maquinista pendurou-se

com o apito estridente

a égua mais espantou-se

e o caldeirão com os ovos

da mulher, logo quebrou-se.

 

O homem pulou da carga

logo a cangalha virou

e as quatro caixas de ovos

de serra abaixo embalou

a égua vidrou os olhos

e no momento endoidou.

 

Correu da estrada afora

com o pescoço levantado

o homem foi pegar ela

caiu dentro dum valado

a estrada virou lama

fedendo a ovo quebrado

 

Voltou o pobre pra casa

com a roupa toda molhada

as caixas fedendo a ovos

e a cangalha quebrada

e a égua findou a vida

para sempre espantada.

 José Francisco Borges.

Fonte: Linguagem Nova. Faraco & Moura. 6ª série. 17ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São Paulo. 2003. p. 206.

Entendendo o cordel:

01 – O texto que você acabou de ler está escrito em versos ou prosa?

      O texto está escrito em versos. Cada linha do poema corresponde a um verso, organizados em estrofes de seis linhas (sextilhas).

02 – Como é nomeado o texto escrito neste estilo?

      Trata-se de uma Literatura de Cordel (ou simplesmente Cordel). É um gênero literário popular, muito tradicional na região Nordeste do Brasil, tipicamente impresso em folhetos e frequentemente acompanhado de gravuras (xilogravuras).

03 – O texto “O vendedor de ovos” descreve um sentimento, narra acontecimentos do dia a dia de modo poético ou enumera características do povo nordestino?

      O texto narra acontecimentos do dia a dia de modo poético. Ele conta uma história rápida e bem-humorada (um entrevero/incidente) envolvendo a encomenda de uma cliente, o barulho do trem, o susto da égua e o prejuízo do feirante.

04 – Que nome recebe os sons que se repetem nas palavras, em geral, no final dos versos?

      Esses sons repetidos são chamados de rimas.

05 – Do ponto de vista gramatical e sonoro, podemos dizer que são rimas ricas ou pobres?

      São rimas pobres. Por quê? Na classificação gramatical, a rima é considerada pobre quando ocorre entre palavras de mesma classe gramatical (por exemplo, verbo com verbo ou substantivo com substantivo). No cordel analisado, a maioria das rimas ocorre entre verbos no mesmo tempo verbal ou entre substantivos:

-- usina / grã-fina / ruína (substantivo com adjetivo/substantivo)

-- caixão / caldeirão / mão (substantivos)

-- avistou / apitou / assustou (verbos no pretérito perfeito)

-- pendurou-se / espantou-se / quebrou-se (verbos no pretérito perfeito com pronome)

-- virou / embalou / endoidou (verbos no pretérito perfeito).

06 – Numa narrativa, o clímax é o ponto culminante, o momento mais tenso da história. Logo após o clímax, vem o desfecho, o final da história.

a) Qual é o clímax da narrativa lida?

      O clímax se dá a partir do momento em que a égua endoida e vai até a queda do homem no valado.

b) Qual é o desfecho?

      O desfecho da história ocorre na última estrofe.

07 – A literatura de cordel emprega uma linguagem popular. Por isso, incorpora ocorrências que fogem às regras gramaticais. Identifique na primeira estrofe:

a) Duas palavras que não estão de acordo com a ortografia oficial.

      Granfina (grã-fina) e ruina (ruína).

b) Um problema de concordância.

      Ovos grandes é sujeito da forma verbal tivesse. O verbo deveria estar na 3ª pessoa do plural.

 

 

 

 

 

 

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