DISCURSO DIREITO, INDIRETO E SEMI-INDIRETO (INDIRETO LIVRE)
TIPOS DE DISCURSO
Ao analisarmos qualquer narrativa,
distinguimos a linguagem do contador da estória (o narrador) e a linguagem das
personagens, aquelas pessoas que participam, que compõem a estória, agindo,
dialogando, enfim, expressando-se. O próprio narrador pode se constituir em um
personagem, caso em que os verbos e pronomes aparecerão na primeira pessoa do
singular.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDKYjkzavo-OGw6ZpW1ZAN4U6y5_YJlmyh8wzl5L9ec1-C42RoxxWtjL9R1TExkWqJv5qCo4lf7d80oFcZMbQRBSiP_1U858No2HCezaJlQcyzjGc4BXHpy6VA8ITIo6P0c6TJPVq09AJHdACDHSbNZLt9xl4M1djylyuvs7iCzGXD6jqmGFAS5SPBKOk/s1600/images.jpg A linguagem do narrador geralmente caracteriza-se
pelo respeito à norma culta, enquanto que a linguagem das personagens dependerá
de seu meio cultural, posição social, etc., dentro da narrativa. Um juiz, por
exemplo, não falaria igualmente a uma criança de cinco anos de idade.
a)
Discurso Direto
Dizemos que o discurso é direto quando
representa a reprodução fiel das falas das personagens. Geralmente, é indicado
pelos travessões, que constituem os diálogos dos atores do texto, e pelos
verbos de elocução (verbo dicendi) (falar, indagar, afirmar, explicar,
responder, etc.).
A moça ia no ônibus muito contente da
vida, mas, ao saltar, a contrariedade se anunciou:
-- A sua passagem já está paga –
disse o motorista.
--
Paga por quem?
--
Esse cavalheiro aí.
(Fernando
Sabino)
b) Discurso Indireto
Nessa modalidade do discurso, o
narrador acaba adaptando a linguagem das personagens à sua, não havendo,
portanto, uma reprodução fiel do diálogo. É marcante, nessa modalidade, a
presença dos conectivos subordinativos “que” e “se”.
O doutor Fábio, em frente de sua mesa
de trabalho, ar um tanto caso, com grande simpatia, perguntou-me o que eu
desejava.
Respondi-lhe prontamente que
desejava um lugar na explicação.
Caso transformássemos, para o discurso
direto, o trecho acima, teríamos a seguinte construção:
O doutor Fábio, em frente de sua mesa
de trabalho, ar um tanto caso, com grande simpatia, perguntou-me:
-- O que você deseja?
Respondi-lhe prontamente:
-- Desejo um lugar na explicação.
c) Discurso Indireto Livre ou Semi-indireto
Modalidade do discurso em que as vozes
do narrador e personagem confundem-se, não sendo possível identificar, com
clareza, a fala de um ou de outro. O narrador reproduz um pensamento da
personagem.
Um dia acabou encontrando-se com ela
numa rua escura e semideserta. Seus olhares, cúmplices, se cruzam. Chegou
a hora de espantar incertezas. Não, mas não quero precipitar-me.
Transposições entre pronomes, verbos e
advérbios na conversão do discurso:
a) Os pronomes
pessoais, possessivos, demonstrativos e verbos passam de 1ª para 3ª pessoa do
singular ou plural: eu, me/mim, comigo convertem-se em ele/ela,
o/a/lhe, se/si, consigo.
b) Os
advérbios aqui/cá transformam-se
em ali/lá; agora torna-se naquela ocasião/naquele
momento; hoje em naquele dia.
c) Presente do
indicativo passa ao imperfeito desse mesmo modo: estamos muda
para estivemos.
d) O pretérito
perfeito do indicativo passa ao mais-que-perfeito desse mesmo
modo: fiz vira fizera.
e) O futuro do
presente converte-se ao futuro do pretérito: farei converte-se
em faria.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01 – (CS/2010)
Marque a alternativa em que há predominância do discurso indireto:
a) Os
homens falaram que não mais iriam trabalhar na obra.
b) Disse-me, com
veemência: “não virei mais aqui”.
c) Como saber se
aquilo era verdade ou mentira? Não podia acreditar no que acontecera.
d) É possível
que o assaltante tenha dito, nunca ganhei dinheiro tão fácil.
e) E o menino corria
mais do que era capaz, para poder chegar a tempo.
02 – (CS/2010)
Mantendo a correspondência entre os tempos verbais, converta o trecho a seguir
para o discurso indireto
Chegando ao local do evento, o artista
não gostou muito do que viu. Então, dirigindo-se à coordenação, ele questionou:
-- Vocês querem que eu me apresente num
palco tão pequeno?
-- É o que temos por ora, explicou o
promotor da festa.
-- Desculpe-me, mas, nesse cubículo, eu
não farei o show.
Chegando ao local
do evento, o artista não gostou muito do que viu. Então, dirigindo-se à
coordenação, ele questionou se os organizadores queriam que eu ele se
apresentasse num palco tão pequeno. O promotor da festa, então, explicou que
aquele era o que eles dispunham naquele momento. O artista pediu desculpas, mas
afirmou que, naquele espaço, não faria o show.
03 – Qual é a principal
característica que diferencia o Discurso Indireto Livre (ou Semi-indireto) do
Discurso Direto e do Discurso Indireto convencional?
O Discurso Indireto Livre caracteriza-se pela fusão entre a
voz do narrador e os pensamentos/falas da personagem, sem que haja marcas
formais de separação. Ao contrário do Discurso Direto (que usa pontuação
específica como travessões ou aspas e verbos de elocução) e do Discurso
Indireto (que utiliza conjunções subordinativas como "que" ou
"se"), o Indireto Livre insere sentimentos e reflexões da personagem
diretamente no fluxo da narração, tornando a fronteira entre narrador e
personagem sutil e fluida.
04 – Reescreva o trecho a seguir, que está em
discurso direto, convertendo-o para o discurso indireto:
"O
aluno afirmou: — Terminei todas as tarefas hoje e entregarei o relatório amanhã
aqui."
O aluno afirmou que tinha terminado (ou terminara) todas as
tarefas naquele dia e entregaria o relatório no dia seguinte ali (ou lá).
Regras aplicadas:
Fim do travessão e inserção da conjunção que.
Pretérito perfeito (terminei) – Pretérito mais-que-perfeito (tinha
terminado / terminara).
Advérbio de tempo hoje – naquele dia.
Futuro do presente (entregarei) – Futuro do pretérito (entregaria).
Advérbio de tempo amanhã – no dia seguinte.
Advérbio de lugar aqui – ali ou lá.
05 – Leia a frase a seguir e identifique o tipo
de discurso nela presente, justificando sua resposta:
"Fabiano
caminhava pela caatinga sob o sol escaldante. Olhou para o céu sem nuvens.
Precisava encontrar água logo, senão a família não resistiria a mais um
dia."
Trata-se do Discurso Indireto Livre. A narrativa começa na 3ª
pessoa descrevendo as ações físicas de Fabiano ("caminhava",
"olhou"), mas a frase seguinte ("Precisava encontrar água logo,
senão a família não resistiria a mais um dia") expressa a urgência e o
pensamento íntimo da personagem diretamente incorporado ao texto do narrador,
sem o uso de verbos dicendi ("pensou que...") nem pontuação de
diálogo ("—" ou "").
Nenhum comentário:
Postar um comentário