O constante diálogo
Há
tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o
semelhante
o diferente
o
indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o
mineral
o inominado
Diálogo consigo mesmo
com a noite
com os astros
com os mortos
com as ideias
com o sonho
com o passado
com o mais que futuro
Escolhe teu diálogo
e
tua melhor palavra
ou
teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.
Carlos Drummond de
Andrade.
Entendendo o diálogo:
01 – De acordo com a
primeira estrofe, qual é a característica fundamental do diálogo na experiência
humana?
a) Sua natureza
puramente afetiva.
b) Sua limitação aos
seres vivos.
c) Sua
multiplicidade e abrangência.
d) Sua dependência
da fala oral.
02 – Na segunda
seção do poema, o 'Diálogo consigo mesmo' é expandido para incluir elementos
como a noite e os astros. O que essa associação sugere?
a) A fusão
entre o eu e o cosmos.
b) O desprezo pelas
relações sociais.
c) O medo do
desconhecido e da morte.
d) A solidão
absoluta do indivíduo.
03 – O que o eu
lírico propõe ao leitor na estrofe que começa com 'Escolhe teu diálogo'?
a) O
exercício da autonomia e consciência.
b) A priorização da
fala sobre o silêncio.
c) A busca por
respostas definitivas.
d) A rejeição de
conversas com adversários.
04 – Qual é a função
do termo 'melhor' aplicado tanto à palavra quanto ao silêncio?
a) Indicar
a importância da qualidade ética.
b) Sugerir que a
palavra supera o silêncio.
c) Expressar a
dificuldade de se comunicar.
d) Apontar para um
julgamento alheio.
05 – Como os dois
últimos versos — 'Mesmo no silêncio e com o silêncio / dialogamos' — encerram a
tese do poema?
a) Criticando a
falta de comunicação verbal.
b) Afirmando
a impossibilidade do não-diálogo.
c) Sugerindo que o
diálogo é um fardo pesado.
d) Definindo o
silêncio como um fim em si.

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