Conto: Os cegos e o elefante
William J. Bennett
Era uma vez seis amigos, todos cegos,
que moravam na Índia – terra dos maiores animais do mundo, os elefantes.
Naturalmente, sendo cegos, os amigos não tinham a menor ideia de como era um
elefante.
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjLlTxCPJ49yl1ETDx_Xy_FK2LPTho8sRAreR8f0Nub4wgashCArhD_7EWyut2kb8wPCxQeZgx3RAxA6ghuNfdoXl3xR20JUSN7TCWiLXNjwsnz1AYDXiY6yTazDUYReSjAuBAA45nStNhkPEN55D-YRpTBfKG_MgQvcg2Vp48IUp9RgxIZlvp0O8Pbjc8/s320/images.jpg Um dia, estavam sentados, conversando,
quando escutaram um grande urro.
-- Acho que está passando um elefante
pela rua – disse um deles.
-- Então, é nossa chance de descobrir
que tipo de criatura é esse tal de elefante! – disse outro.
E foram todos para a rua.
O primeiro cego esticou o braço e tocou
na orelha do elefante.
“Ah!”, disse para si mesmo, “o elefante
é uma coisa áspera, espalhada. É como um tapete”.
O segundo cego pegou na tromba.
“Agora entendo”, pensou. “O elefante é
uma coisa comprida e redonda. É como uma cobra gigante”.
O terceiro cego pegou uma perna do
elefante.
“Bom, eu jamais iria adivinhar!”,
espantou-se. “O elefante é alto e forte, igual a uma árvore”.
O quarto cego pegou ao lado da barriga
do elefante.
“Agora eu sei”, pensou. “O elefante é
largo e liso, como uma parede”.
O quinto cego colocou a mão numa das
presas.
“O elefante é um animal duro, pontudo,
como uma lança”, decidiu ele.
O sexto cego pegou no rabo do elefante.
“Ora, ora!”, decepcionou-se. “Pode
urrar bem forte, mas esse tal de elefante é apenas uma coisinha igual a uma
cordinha fina!”.
Em seguida, sentaram-se juntos
novamente, para conversar sobre o elefante.
-- Ele é áspero e espalhado, como um
tapete! – disse o primeiro.
-- Não, nada disso; ele é comprido e
roliço, como uma cobra – disse o segundo.
-- Não fale uma bobagem dessas! – riu o
terceiro. – Ele é alto e firme, como uma árvore!
-- Ah, nada disso – resmungou o quarto.
– Ele é largo e liso, como uma parede.
-- Duro e pontudo, como uma lança! –
gritou o quinto.
-- Fininho e comprido, como uma
cordinha! – berrou o sexto.
E aí começaram a brigar. Cada um
insistia que tinha razão. Afinal, cada um o havia tocado com suas próprias
mãos.
O dono do elefante ouviu a gritaria e
chegou perto para ver que confusão era aquela.
-- Cada um de vocês está certo, mas
cada um de vocês está errado também – falou ele. – Um homem sozinho não
consegue saber toda a verdade, só uma pequena parte. Porém, se trabalharmos
juntos, cada um contribuindo com a sua parte para a formação do todo, aí sim
poderemos obter sabedoria.
BENNETT, William J. O
livro das virtudes II – O compasso moral. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986.
p. 175-177.
Fonte: Linguagem Nova.
Faraco & Moura. 8ª série. 15ª edição, 2ª impressão. Editora Ática. São
Paulo. 2003. p. 117-118.
Entendendo o conto:
01
– O que motivou os seis amigos cegos a irem para a rua e qual método eles
utilizaram para tentar descobrir como era um elefante?
A motivação dos
seis amigos foi ouvir o grande urro do animal ao passar pela rua, o que viram
como uma oportunidade para descobrir como ele era, já que não tinham noção da
sua forma. Para isso, eles utilizaram o sentido do tato, onde cada um tocou em
uma parte diferente do corpo do elefante para tentar compreender o animal como
um todo.
02
– Como a percepção individual de cada um dos seis cegos sobre o elefante
diferiu entre si? Relacione a parte do corpo tocada com a comparação feita por
cada um.
A percepção de
cada cego variou de acordo com a parte do corpo que tocaram:
O primeiro, ao tocar a orelha, achou o
elefante áspero e espalhado como um tapete.
O segundo, ao pegar na
tromba, concluiu que era comprido e redondo como uma cobra gigante.
O terceiro, ao tocar na
perna, achou-o alto e forte como uma árvore.
O quarto, ao apalpar a
barriga, achou-o largo e liso como uma parede.
O quinto, ao tocar na presa,
julgou-o duro e pontudo como uma lança.
O sexto, ao segurar o rabo,
achou-o fino como uma cordinha.
03
– Por que os amigos começaram a discutir e a brigar quando se reuniram para
conversar sobre o que haviam descoberto?
Os amigos
começaram a brigar porque cada um insistia que sua própria descrição era a
única correta, já que haviam experimentado o toque com as próprias mãos. Como
cada um percebeu apenas uma parte isolada do elefante, eles não conseguiam
aceitar que as descrições dos outros — aparentemente contraditórias — pudessem
ser verdadeiras ao mesmo tempo.
04
– Qual foi a explicação dada pelo dono do elefante para resolver o impasse e a
confusão entre os seis amigos?
O dono do
elefante explicou que todos estavam corretos e errados ao mesmo tempo. Estavam
certos quanto à parte específica que tocaram, mas errados ao tentarem definir o
animal inteiro baseando-se apenas nessa experiência parcial, pois uma pessoa
sozinha não consegue alcançar a verdade completa, apenas uma fração dela.
05
– Qual é a principal lição de moral ou ensinamento transmitido por esse conto a
respeito do conhecimento e do trabalho em equipe?
A principal lição
do conto é que a verdade total sobre algo raramente é percebida por uma única
pessoa, pois cada indivíduo enxerga o mundo através de sua perspectiva
limitada. O texto ensina que para alcançar a sabedoria e a compreensão completa
de um fato, é necessário somar as diferentes visões e pontos de vista por meio
da cooperação e do diálogo.
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