Crônica: ESTRADAS DE RODAGEM
Monteiro Lobato
Comparados os países com veículos,
veremos que os Estados Unidos são uma locomotiva elétrica; a Argentina um
automóvel; o México uma carroça; e o Brasil um carro de boi.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgojcvA6v5uVbaoOTKsArqmVmdLJJ0XzLJSF4vPy-gh2MLoPht4lwqmNhp7hVLPQQivE-Yhg0oXq2EW3tswSI1yU4m3vWgKoTukPXqEY6_3kpHj2hyphenhyphen-n3N72YW1BpwOLj4IQpn1zaIl1-ieS3ci1SZf7Oalh8pjaCpdunNSVm7d67Ri3z6JLiNJ8RALdow/s320/images.jpg O primeiro destes países voa; o segundo
corre a 50 km por hora; o terceiro apesar das revoluções tira 10 léguas por
dia; nós...
Nós vivemos atolados seis meses do ano,
enquanto dura a estação das águas, e nos outros 6 meses caminhamos à razão de 2
léguas por dia. A colossal produção agrícola e industrial dos americanos voa
para os mercados com a velocidade média de 100 km por hora. Os trigos e carnes
argentinas afluem para os portos em autos e locomotivas que uns 50 km por hora,
na certa, desenvolvem.
As fibras do México saem por carroças e
se um general revolucionário não as pilha em caminho, chegam a salvo com
relativa presteza. O nosso café, porém, o nosso milho, o nosso feijão e a
farinha entram no carro de boi, o carreiro despede-se da família, o fazendeiro
coça a cabeça e, até um dia! Ninguém sabe se chegará, ou como chegará. Às vezes
pensa o patrão que o veículo já está de volta, quando vê chegar o carreiro.
-- Então? Foi bem de viagem?
O carreiro dá uma risadinha.
--
Não vê que o carro atolou ali no Iriguaçu e...
-- E o quê?
-- ... e está atolado! Vim buscar mais
dez juntas de bois para tirar ele.
E lá seguem bois, homens, o diabo para
desatolar o carro. Enquanto isso, chove, a farinha embolora, a rapadura
derrete, o feijão caruncha, o milho grela; só o café resiste e ainda aumenta o
peso.
LOBATO, M. Obras
Completas, 14ª ed., São Paulo, Brasiliense, 1972, v. 8, p.74.
Fonte: Língua
Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos
C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 63.
Entendendo a crônica:
01
– Com qual veículo Monteiro Lobato compara o Brasil e qual é o significado
dessa metáfora no texto?
O autor compara o
Brasil a um carro de boi. Essa metáfora simboliza o atraso, a lentidão e a
ineficiência do sistema de transporte e infraestrutura do país na época, em
oposição à modernidade e à velocidade de outras nações.
02
– Como o autor caracteriza o ritmo do transporte brasileiro durante os dois
períodos do ano (estação das águas e período seco)?
Durante a estação
das águas (seis meses do ano), o transporte brasileiro vive completamente
atolado. Nos outros seis meses do ano, o transporte caminha em um ritmo
extremamente lento, à razão de 2 léguas por dia.
03
– Quais são as analogias que o texto faz entre os outros países (Estados
Unidos, Argentina e México) e os meios de transporte?
Estados Unidos:
Comparados a uma locomotiva elétrica (que "voa" a 100 km/h).
Argentina: Comparada a um
automóvel (que corre a 50 km/h).
México: Comparado a uma
carroça (que faz 10 léguas por dia).
04
– Qual é a reação do fazendeiro e do carreiro quando o café, a farinha, o milho
e o feijão são enviados para a viagem?
O carreiro se despede
da família e o fazendeiro coça a cabeça, pois ninguém sabe se a carga chegará
ou como chegará. Quando o carreiro retorna sem o veículo, revela que o carro
atolou no Iriguaçu e precisa de mais dez juntas de bois para conseguir tirá-lo
de lá.
05
– O que acontece com os produtos agrícolas brasileiros enquanto o carro de boi
permanece atolado sob a chuva?
Devido à chuva e
ao tempo em que ficam parados, a farinha embolora, a rapadura derrete, o feijão
ganha caruncho e o milho grela (germina). Apenas o café resiste e ainda aumenta
de peso.
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