quarta-feira, 19 de agosto de 2026

CRÔNICA: ESTRADAS DE RODAGEM - MONTEIRO LOBATO - COM GABARITO

 Crônica: ESTRADAS DE RODAGEM

             Monteiro Lobato

        Comparados os países com veículos, veremos que os Estados Unidos são uma locomotiva elétrica; a Argentina um automóvel; o México uma carroça; e o Brasil um carro de boi.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgojcvA6v5uVbaoOTKsArqmVmdLJJ0XzLJSF4vPy-gh2MLoPht4lwqmNhp7hVLPQQivE-Yhg0oXq2EW3tswSI1yU4m3vWgKoTukPXqEY6_3kpHj2hyphenhyphen-n3N72YW1BpwOLj4IQpn1zaIl1-ieS3ci1SZf7Oalh8pjaCpdunNSVm7d67Ri3z6JLiNJ8RALdow/s320/images.jpg


        O primeiro destes países voa; o segundo corre a 50 km por hora; o terceiro apesar das revoluções tira 10 léguas por dia; nós...

        Nós vivemos atolados seis meses do ano, enquanto dura a estação das águas, e nos outros 6 meses caminhamos à razão de 2 léguas por dia. A colossal produção agrícola e industrial dos americanos voa para os mercados com a velocidade média de 100 km por hora. Os trigos e carnes argentinas afluem para os portos em autos e locomotivas que uns 50 km por hora, na certa, desenvolvem.

        As fibras do México saem por carroças e se um general revolucionário não as pilha em caminho, chegam a salvo com relativa presteza. O nosso café, porém, o nosso milho, o nosso feijão e a farinha entram no carro de boi, o carreiro despede-se da família, o fazendeiro coça a cabeça e, até um dia! Ninguém sabe se chegará, ou como chegará. Às vezes pensa o patrão que o veículo já está de volta, quando vê chegar o carreiro.

        -- Então? Foi bem de viagem?

        O carreiro dá uma risadinha.

        -- Não vê que o carro atolou ali no Iriguaçu e...

        -- E o quê?

        -- ... e está atolado! Vim buscar mais dez juntas de bois para tirar ele.

        E lá seguem bois, homens, o diabo para desatolar o carro. Enquanto isso, chove, a farinha embolora, a rapadura derrete, o feijão caruncha, o milho grela; só o café resiste e ainda aumenta o peso.

LOBATO, M. Obras Completas, 14ª ed., São Paulo, Brasiliense, 1972, v. 8, p.74.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 63.

Entendendo a crônica:

01 – Com qual veículo Monteiro Lobato compara o Brasil e qual é o significado dessa metáfora no texto?

      O autor compara o Brasil a um carro de boi. Essa metáfora simboliza o atraso, a lentidão e a ineficiência do sistema de transporte e infraestrutura do país na época, em oposição à modernidade e à velocidade de outras nações.

02 – Como o autor caracteriza o ritmo do transporte brasileiro durante os dois períodos do ano (estação das águas e período seco)?

      Durante a estação das águas (seis meses do ano), o transporte brasileiro vive completamente atolado. Nos outros seis meses do ano, o transporte caminha em um ritmo extremamente lento, à razão de 2 léguas por dia.

03 – Quais são as analogias que o texto faz entre os outros países (Estados Unidos, Argentina e México) e os meios de transporte?

      Estados Unidos: Comparados a uma locomotiva elétrica (que "voa" a 100 km/h).

      Argentina: Comparada a um automóvel (que corre a 50 km/h).

      México: Comparado a uma carroça (que faz 10 léguas por dia).

04 – Qual é a reação do fazendeiro e do carreiro quando o café, a farinha, o milho e o feijão são enviados para a viagem?

      O carreiro se despede da família e o fazendeiro coça a cabeça, pois ninguém sabe se a carga chegará ou como chegará. Quando o carreiro retorna sem o veículo, revela que o carro atolou no Iriguaçu e precisa de mais dez juntas de bois para conseguir tirá-lo de lá.

05 – O que acontece com os produtos agrícolas brasileiros enquanto o carro de boi permanece atolado sob a chuva?

      Devido à chuva e ao tempo em que ficam parados, a farinha embolora, a rapadura derrete, o feijão ganha caruncho e o milho grela (germina). Apenas o café resiste e ainda aumenta de peso.

 

 

 

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