segunda-feira, 24 de agosto de 2026

NOTÍCIA: COLEIRA É NECESSÁRIA PARA ALGUNS - IÇAMI TIBA - COM GABARITO

 Notícia: Coleira é necessária para alguns

IÇAMI TIBA. ESPECIAL PARA A FOLHA

        A questão do controle dos pais sobre os filhos sempre é controversa, mas é necessário deixar claro que o responsável pelos limites que os adultos estabelecem para a sua autonomia é o próprio adolescente.

 Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjexCjDmt8A4p5iYMJXMPCt4PB8SyIoaoJG9SDCDhOX7sQxOG8eca1ODiUnl8D-Q3P2A7Y0EmQyxfcX9uGDV9l702TE6z6DhE_f0ab8yq4jSl_2SplL2hy9gPVoFHBP61Ts_Y98cKNkJ-5cCvMIluZPX9d_LYMxsWomO42KzAqv7yVqofYRCSvT-5Xt_nQ/s1600/download.jpg


        Quem vai dizer se tem de haver um controle ou não é a própria vida que o adolescente leva nesse processo de "segundo parto” –porque a adolescência é o segundo parto para ganhar a autonomia comportamental.

        Teoricamente, esse jovem não precisa depender dos adultos para decidir o que fazer.

        Agora, uma vez que ele não se mostre competente para ditar os próprios rumos e, em vez de ir à escola fica no bar da esquina, o controle é necessário.

        Nesse contexto, aparelhos rastreadores capazes de deixar os filhos localizáveis o tempo todo, que chamo de "coleira virtual", são bastante viáveis.

        Esses jovens que precisam de controle não tomam as medidas de proteção necessárias e acabam se expondo a todo o tipo de perigo. Em vez de manter a família informada, simplesmente desaparecem. Os pais têm de impor limites: se largar o celular em qualquer lugar, então não merece sair.

        Nesse ponto, tem de ser um pouco mais radical, porque alguns adolescentes transcendem os limites, e os pais só vão saber na hora de tirá-los, na melhor das hipóteses, da delegacia.

        Assim como há jovens que podem ir para a "balada" sem maiores preocupações, existem outros que precisam, sim, dessa "coleira virtual".

IÇAMI TIBA, 63, psiquiatra, é autor de "Quem Ama, Educa!", entre outros livros. Folha de S. Paulo – Cotidiano, 12/12/2004.

Fonte: Língua Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 203-204.

Entendendo a notícia:

01 – No segundo parágrafo, Içami Tiba se refere à adolescência como um "segundo parto". O que o autor quer dizer com essa metáfora e qual é a relação entre essa fase e o nível de controle exercido pelos pais?

      A metáfora do "segundo parto" simboliza o processo de desligamento da dependência infantil para o nascimento do indivíduo autônomo na vida adulta. Segundo o autor, o nível de controle dos pais deve ser diretamente proporcional ao grau de maturidade demonstrado pelo próprio jovem nesse processo: quanto mais responsabilidade e competência o adolescente demonstra para gerir sua vida, menor precisa ser o controle dos pais, e vice-versa.

02 – O que o autor define como "coleira virtual" no texto e em quais circunstâncias específicas ele defende que essa medida extrema deva ser aplicada?

      A "coleira virtual" refere-se ao uso de tecnologias de rastreamento e localização contínua por meio do celular ou outros aparelhos eletrônicos. Içami Tiba defende o uso dessa medida apenas para os adolescentes que não demonstram competência para impor os próprios limites — aqueles que faltam às aulas, expõem-se ao perigo, não mantêm a família informada e rompem o pacto de confiança com os pais.

03 – De acordo com o texto, qual é a justificativa apresentada pelo autor para que os pais adotem atitudes "um pouco mais radicais" com determinados jovens?

      A justificativa reside na prevenção de riscos graves à integridade física e jurídica do jovem. O autor argumenta que a falta de limites rígidos com adolescentes inconsequentes pode fazer com que eles "transcendam os limites" e se exponham a perigos severos, fazendo com que os pais só venham a descobrir a gravidade dos atos do filho "na hora de tirá-los, na melhor das hipóteses, da delegacia".

04 – Içami Tiba afirma que "se [o jovem] largar o celular em qualquer lugar, então não merece sair". Como essa relação entre responsabilidade e privilégio se encaixa na visão do autor sobre a educação dos filhos?

      Essa relação reforça a premissa central do texto de que os direitos e privilégios da juventude (como a liberdade de sair) devem ser conquistados pelo cumprimento de deveres mínimos de segurança e comunicação. Para o autor, se o jovem não demonstra nem a responsabilidade básica de manter o canal de comunicação/localização ativo com a família, ele prova que ainda não possui a maturidade necessária para usufruir da liberdade de sair sozinho.

05 – No encerramento do texto, o autor contrapõe os jovens que podem ir para a "balada" sem preocupações àqueles que precisam da "coleira virtual". O que essa comparação revela sobre a postura ideal que os pais devem ter em relação aos limites?

      A comparação revela que a educação e o controle parental não devem seguir uma fórmula única e rígida aplicada a todos os filhos igualmente. A postura ideal dos pais deve ser flexível e adaptada à conduta individual de cada jovem: os que demonstram autorresponsabilidade e discernimento demandam autonomia, enquanto os que agem com inconsequência exigem fiscalização e limites mais rígidos.

 

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