Notícia: Coleira é necessária para alguns
IÇAMI
TIBA. ESPECIAL PARA A FOLHA
A questão do controle dos pais sobre os
filhos sempre é controversa, mas é necessário deixar claro que o responsável
pelos limites que os adultos estabelecem para a sua autonomia é o próprio
adolescente.
Fonte:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjexCjDmt8A4p5iYMJXMPCt4PB8SyIoaoJG9SDCDhOX7sQxOG8eca1ODiUnl8D-Q3P2A7Y0EmQyxfcX9uGDV9l702TE6z6DhE_f0ab8yq4jSl_2SplL2hy9gPVoFHBP61Ts_Y98cKNkJ-5cCvMIluZPX9d_LYMxsWomO42KzAqv7yVqofYRCSvT-5Xt_nQ/s1600/download.jpg Quem vai dizer se tem de haver um
controle ou não é a própria vida que o adolescente leva nesse processo de
"segundo parto” –porque a adolescência é o segundo parto para ganhar a
autonomia comportamental.
Teoricamente, esse jovem não precisa
depender dos adultos para decidir o que fazer.
Agora, uma vez que ele não se mostre
competente para ditar os próprios rumos e, em vez de ir à escola fica no bar da
esquina, o controle é necessário.
Nesse contexto, aparelhos rastreadores
capazes de deixar os filhos localizáveis o tempo todo, que chamo de
"coleira virtual", são bastante viáveis.
Esses jovens que precisam de controle
não tomam as medidas de proteção necessárias e acabam se expondo a todo o tipo
de perigo. Em vez de manter a família informada, simplesmente desaparecem. Os
pais têm de impor limites: se largar o celular em qualquer lugar, então não
merece sair.
Nesse ponto, tem de ser um pouco mais
radical, porque alguns adolescentes transcendem os limites, e os pais só vão
saber na hora de tirá-los, na melhor das hipóteses, da delegacia.
Assim como há jovens que podem ir para
a "balada" sem maiores preocupações, existem outros que precisam,
sim, dessa "coleira virtual".
IÇAMI TIBA, 63, psiquiatra, é autor de "Quem Ama, Educa!",
entre outros livros. Folha de S. Paulo – Cotidiano, 12/12/2004.
Fonte: Língua
Portuguesa Ensino Médio. Linguagem em Movimento. Izeti F. Torralvo & Carlos
C. Minchillo. Volume 3. 1ª edição. FTD – São Paulo – 2010. p. 203-204.
Entendendo a notícia:
01
– No segundo parágrafo, Içami Tiba se refere à adolescência como um
"segundo parto". O que o autor quer dizer com essa metáfora e qual é
a relação entre essa fase e o nível de controle exercido pelos pais?
A metáfora do
"segundo parto" simboliza o processo de desligamento da dependência
infantil para o nascimento do indivíduo autônomo na vida adulta. Segundo o
autor, o nível de controle dos pais deve ser diretamente proporcional ao grau
de maturidade demonstrado pelo próprio jovem nesse processo: quanto mais
responsabilidade e competência o adolescente demonstra para gerir sua vida,
menor precisa ser o controle dos pais, e vice-versa.
02
– O que o autor define como "coleira virtual" no texto e em quais
circunstâncias específicas ele defende que essa medida extrema deva ser aplicada?
A "coleira
virtual" refere-se ao uso de tecnologias de rastreamento e localização
contínua por meio do celular ou outros aparelhos eletrônicos. Içami Tiba
defende o uso dessa medida apenas para os adolescentes que não demonstram
competência para impor os próprios limites — aqueles que faltam às aulas,
expõem-se ao perigo, não mantêm a família informada e rompem o pacto de
confiança com os pais.
03
– De acordo com o texto, qual é a justificativa apresentada pelo autor para que
os pais adotem atitudes "um pouco mais radicais" com determinados
jovens?
A justificativa
reside na prevenção de riscos graves à integridade física e jurídica do jovem.
O autor argumenta que a falta de limites rígidos com adolescentes
inconsequentes pode fazer com que eles "transcendam os limites" e se
exponham a perigos severos, fazendo com que os pais só venham a descobrir a
gravidade dos atos do filho "na hora de tirá-los, na melhor das hipóteses,
da delegacia".
04
– Içami Tiba afirma que "se [o jovem] largar o celular em qualquer lugar,
então não merece sair". Como essa relação entre responsabilidade e
privilégio se encaixa na visão do autor sobre a educação dos filhos?
Essa relação
reforça a premissa central do texto de que os direitos e privilégios da
juventude (como a liberdade de sair) devem ser conquistados pelo cumprimento de
deveres mínimos de segurança e comunicação. Para o autor, se o jovem não
demonstra nem a responsabilidade básica de manter o canal de
comunicação/localização ativo com a família, ele prova que ainda não possui a
maturidade necessária para usufruir da liberdade de sair sozinho.
05
– No encerramento do texto, o autor contrapõe os jovens que podem ir para a
"balada" sem preocupações àqueles que precisam da "coleira
virtual". O que essa comparação revela sobre a postura ideal que os pais
devem ter em relação aos limites?
A comparação
revela que a educação e o controle parental não devem seguir uma fórmula única
e rígida aplicada a todos os filhos igualmente. A postura ideal dos pais deve
ser flexível e adaptada à conduta individual de cada jovem: os que demonstram
autorresponsabilidade e discernimento demandam autonomia, enquanto os que agem
com inconsequência exigem fiscalização e limites mais rígidos.
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