Conto: As janelas douradas
William J. Bennett
O
menino trabalhava arduamente durante todo o dia, no campo, no estábulo e no
armazém, pois os pais eram fazendeiros pobres e não podiam pagar a um ajudante.
Mas, quando o sol se punha, o pai deixava-lhe aquela hora só para ele. O menino
subia ao alto de um morro e ficava a olhar para um outro morro, alguns
quilómetros ao longe. Nesse morro distante, via uma casa com janelas de ouro
resplandecente e de diamantes. As janelas brilhavam e reluziam tanto que ele
era obrigado a piscar os olhos. Mas, pouco depois, ao que parecia, as pessoas
da casa fechavam as janelas por fora, e então a casa ficava igual a qualquer
casa comum de fazenda. O menino achava que faziam isso por ser hora de jantar;
então voltava para casa, jantava e ia deitar-se. Um dia, o pai do menino
chamou-o e disse-lhe:
Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjjN2ESzsc6CbHIvs_aPQyMv1dioenodB590ImBZFd8knFKNKtC7BVqedFmLGg6VaLgGeE2reaww-dW707r4mbhDUx8wpHdhI9ofcK64xg6emoj3vpkeiVJQTRVw7ZxUm3AcJxY1WkmI_bL0K45CWHxX7KxGQhooPh53VymYIjekjDEzLLHSemh99NApms/s320/images.jpg —
Tens sido um bom menino e ganhaste um dia livre. Tira esse dia para ti; mas
lembra-te de que Deus o deu, e tenta usá-lo para aprenderes alguma coisa boa.
O
menino agradeceu ao pai e beijou a mãe. Em seguida partiu, tomando a direção da
casa de janelas douradas.
Foi
uma caminhada agradável. Os pés descalços deixavam marcas na poeira branca e,
quando olhava para trás, parecia que as pegadas o seguiam, fazendo-lhe
companhia. A sombra também caminhava ao seu lado, dançando e correndo, tal como
ele. Era muito divertido.
Passado
um longo tempo, chegou ao morro verde e alto. Quando subiu ao topo, lá estava a
casa. Mas parecia que haviam fechado as janelas, pois ele não viu nada de
dourado. Aproximou-se e sentiu vontade de chorar, porque as janelas eram de
vidro comum, iguais a qualquer outra, sem nada que fizesse lembrar o ouro.
Uma
mulher chegou à porta e olhou carinhosamente para o menino, perguntando o que
ele queria.
—
Eu vi as janelas de ouro lá do nosso morro — disse ele — e vim de propósito
para as ver de perto, mas agora elas são só de vidro!
A
mulher meneou a cabeça e riu-se.
—
Nós somos fazendeiros pobres — disse — e não poderíamos ter janelas de ouro. E
o vidro é muito melhor para se ver através dele!
Convidou
o menino a sentar-se no largo degrau de pedra e trouxe-lhe um copo de leite e
uma fatia de bolo, dizendo-lhe que descansasse. Chamou então a filha, que era
da idade do menino; dirigiu aos dois um aceno afetuoso de cabeça e voltou aos
seus afazeres.
A
menina estava descalça como ele e usava um vestido de algodão castanho, mas os
cabelos eram dourados como as janelas que ele tinha visto e os olhos eram azuis
como o céu ao meio-dia. Ela passeou com o menino pela fazenda e mostrou-lhe o
seu bezerro preto com uma estrela branca na testa; ele falou do bezerro que
tinha em casa, e que era castanho-avermelhado com as quatro patas brancas.
Depois de terem comido juntos uma maçã, e se terem assim tornado amigos, ele
fez--lhe perguntas sobre as janelas douradas. A menina confirmou, dizendo que
sabia tudo sobre elas, mas que ele se tinha enganado na casa.
—
Vieste numa direção completamente errada! — exclamou ela. — Vem comigo, vou te
mostrar a casa de janelas douradas, para ficares a saber onde fica.
Foram
para um outeiro que se erguia atrás da casa, e, no caminho, a menina contou que
as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma certa hora, perto do pôr-do-sol.
—
Eu sei, é isso mesmo! — confirmou o menino.
No
cimo do outeiro, a menina virou-se e apontou: lá longe, num morro distante,
havia uma casa com janelas de ouro resplandecente e de diamantes, exatamente
como ele tinha visto. E quando olhou bem, o menino viu que era a sua própria
casa!
Apressou-se
então a dizer à menina que precisava de se ir embora. Deu-lhe a sua melhor
pedrinha, a branca com uma lista vermelha, que trazia há um ano no bolso. Ela
deu-lhe três castanhas-da-índia: uma vermelha acetinada, outra pintada e outra
branca como leite. Ele deu-lhe um beijo e prometeu voltar, mas não contou o que
descobrira. Desceu o morro, enquanto a menina ficava a vê-lo afastar-se, na luz
do sol poente.
O
caminho de volta era longo e já estava escuro quando chegou à casa dos pais.
Mas o lampião e a lareira luziam através das janelas, tornando-as quase tão
brilhantes como as vira do outeiro. Quando abriu a porta, a mãe veio beijá-lo e
a irmãzinha correu a pendurar-se-lhe ao pescoço; sentado perto da lareira, o
pai levantou os olhos e sorriu.
—
Tiveste um bom dia? — perguntou a mãe.
—
Sim! — o menino passara um dia óptimo.
—
E aprendeste alguma coisa? — perguntou o pai.
—
Sim! — disse o menino. — Aprendi que a nossa casa tem janelas de ouro e de
diamantes.
Entendendo o conto:
01 – O que o menino
observava diariamente ao pôr do sol do alto do morro e como ele explicava o
fato de o brilho desaparecer algum tempo depois?
Ao pôr do sol, o menino observava, em um morro distante, uma casa com janelas que pareciam feitas de ouro e diamantes resplandecentes. Ele imaginava que o brilho desaparecia porque os moradores daquela casa fechavam as janelas por fora para jantar, fazendo com que o imóvel voltasse a parecer uma fazenda comum.
02 – Ao conceder um
dia livre ao filho, qual foi a recomendação dada pelo pai e de que forma essa
orientação se relaciona com a jornada do menino?
O pai recomendou que o menino aproveitasse o dia livre lembrando-se de que era um presente de Deus e tentando usar o tempo para aprender algo de bom. Essa orientação dá um sentido de aprendizado e amadurecimento à caminhada do garoto, que ao final do dia retorna para casa tendo compreendido uma importante lição de vida sobre a valorização do seu próprio lar.
03 – Como foi a
reação do menino ao chegar à casa do morro distante e como a mãe da menina o
acolheu?
Ao chegar à casa e perceber que as janelas eram de vidro comum, o menino sentiu vontade de chorar por conta da decepção. No entanto, a mãe da menina o acolheu com carinho, rindo gentilmente ao explicar que eram fazendeiros pobres e que o vidro era melhor para enxergar. Em seguida, ofereceu-lhe descanso, um copo de leite e uma fatia de bolo, apresentando-o à sua filha.
04 – Qual foi a
revelação feia pela menina no alto do outeiro e qual foi a surpresa do menino
ao olhar na direção apontada por ela?
A menina explicou que as janelas de ouro só podiam ser vistas a uma hora específica, perto do pôr do sol, e o levou ao topo do outeiro para mostrar a verdadeira casa com janelas douradas. Ao olhar na direção indicada, o menino surpreendeu-se ao constatar que a casa resplandecente como ouro e diamantes era, na verdade, a sua própria casa refletindo a luz do sol.
05 – Qual é a lição
moral do conto expressa na resposta final do menino ao seu pai? Explique a
metáfora das "janelas de ouro".
Ao responder ao
pai que aprendeu que a sua própria casa tinha janelas de ouro e diamantes, o
menino demonstra ter compreendido que muitas vezes idealizamos a vida dos
outros e não percebemos a beleza, o valor e a riqueza presentes em nosso
próprio lar. A metáfora das "janelas de ouro" representa a ilusão das
aparências à distância e a importância de cultivar a gratidão e o amor pelas
coisas simples que já possuímos.
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